31 janeiro 2010
Norberto Lobo - Culturgest, 5 e 6 de Março, 5 euros
30 janeiro 2010
A passing feeling
Palavras ao Ouvido #2- "Fall From a Height"- The Honeydrips
Roberto, atento, de joelhos, meteu a mão ao bolso e encontrou uma surpresa. Roberta, jazia romântica com o nariz colado a uma moeda escura. Ela, atenta aos micróbios do passado, passou a mão no seu próprio bolso e encontrou uma surpresa. Roberto, caído por entre os talões de desconto, parecia o fim de tudo.
Roberta amava-o e guardou-o no coração direito pouco depois de chegar à cidade: para que ninguém comentasse; para que ninguém lhe visse os joelhos esfolados. Tinha-se ferido a colher um gato indefeso do cimo de uma duna. Nem é que Roberto fosse amável ou gostasse de bichos. Os animais apoderavam-se da sua natureza por uma questão de diplomacia ou filhadaputice, não sabia bem.
Roberta era prostituta. Roberta também subia às árvores. Ela achava que aquela cidade era o início de tudo. Leilões, edifícios espelhados e aperitivos baratos. Precisava de pouco mais. Depois da queda do nacional-socialismo era lixado encontrar um sítio para passear sem ser incomodado. As luzes eléctricas dos carrosséis poluíam tudo e nenhum cliente se aproximava mais do que da berma do passeio.
Roberta nem sempre fora a irmã de Roberto. Houve anos em que só partilharam a ideologia do sangue e bolsos à espera de se romperem.
Em Verões inesquecíveis, bateram com a cabeça por caírem de sítios rasos. Comiam raramente outras coisas que não salada de pepino. Era bonita a visão do amor depois do nacional-socialismo. Ele, com vergonha de tudo, escondia-se no bolso dela quando lhe pediam que falasse alto. Tinha falado alto uma vez numa cabana e houve mortos. Roberta, escondia-se por razões menos prosaicas, uma dívida, um acesso de espirros ou o sono.
Roberto, a surpresa de Roberta, e Roberta, a surpresa de Roberto, amavam-se como uma guerra que se acabasse.
“Como será a neve a cair sobre uma duna?”, pensou Roberta, pensou Roberto. E foi dessa vez, em que os discursos até cá por dentro fizeram amor que tudo começou. Ao início era tudo tão excitante como lamber uma faca. Mas à medida que os dedos dos pés iam inchando, Roberta, e porque não dizê-lo Roberto, sofriam o revés da amizade. Eram irmãos, fodiam-se, e os anos caíam-lhes como moedas em slot machines.
Roberta trabalhava num bar quando a semana acabava. Era no canto esquerdo do balcão, com um copo encarnado e um vinho encarnado, que geria o seu negócio. Os oficiais de sarja verde pedem-lhe com o dedo indicador que viesse. Ela vem e rodopia, em ritmos implacáveis, na sala mal iluminada. Falam de alegria, do terem filhos em casa que não querem que morram, de dormir no tapete até tarde; ocasionalmente referem a palavra carinho. Roberto fica durante horas na mesma posição. A seguinte: as duas mãos seguram junto à sua cabeça o peso do corpo. Agarra-se ao bolso do casaco de Roberta que está desde o início da noite do fim da semana no cabide. É daí que vê Roberta a trabalhar. E é por isso que Roberto já sabe que quando passa a guerra, carinho é foder. Para toda a gente.
Como é bom de ver, quando a guerra acabar ou a cidade acabar, instaurando a sua paz pestilenta nos barris de farinha e no cabelo das senhoras, Roberta e Roberto deixarão de ir a todo o lado, os dois. As calças estarão gastas e a falta de aspirações profissionais matá-los-á.
Cairão pela última vez do mesmo sítio para o mesmo sítio. Nesse dia, em que já não nadarão numa piscina cheia de destroços de carros e outras porcarias, um néon amarelo, no último andar de uma cidade desaparecida, vai acender-se. O néon dirá “schicksal”.
O néon mentiu.
29 janeiro 2010
Aparentemente relacionado #3
Sexta-feira à tarde e ainda tenho de acabar umas coisas... Um berbequim fura a parede ao lado e fornica o meu timpano... De repente, a colega da sala ao lado lembra-se de pôr Iran Costa para abafar o som irritante. Costa a limpar um berbequim está como que um mau ambientador num péssimo wc. O cenário é dramático e eu socorro-me à memória de um belo concerto no Maxime: Wave Machines.Chafurdando nos primórdios da música tradicional americana #12: Elizabeth Cotten

No primeiro vídeo deste post Elizabeth Cotten tem 90 anos, podia ser a vossa bisavó mas a vossa bisavó não toca assim.
28 janeiro 2010
The Fish - Culturgest 25 Fevereiro, 5 euros
... e já que estamos numa de confidências, este é o concerto que vou ver no dia 25 de fevereiro.É um som bucólico, que me faz lembrar calmaria, campo, um rio que escorre lento com a paciência das eternidades umas a seguir às outras, um cigarrinho pendurado no lábio e uma andorinha a sobrevoar-me no adejo gracioso de quem só tem de voar para se sentir viva... recosto-me na espreguiçadeira e digo ahhhh...
Relacionado #34
Originários de Knoxville, Tennessee, chegam-nos os Royal Bangs, uma banda que parece ir numa linha parecida à dos TV on the Radio. Oriundos de uma região que pouca tradição tem de rock alternativo, os Royal Bangs já contam com dois discos. Deixo-vos aqui "My Car Is Haunted" de 2009.27 janeiro 2010
Queen - A Day at the Races (1976)
Não foi à primeira, nem à segunda, nem à terceira. Só à quinta é que os Queen assumiram controlo total das operações de uma banda maior do que eles. E do que nós. E do que a própria vida. E que acabou com a morte do mais genial dos front man (já o disse antes) da história da música. Com A Day At the Races, o quinto álbum deles, o grupo perseguia o sucesso tremendo de A Night At the Opera e da "Bohemian Rapsody". E com este, mostraram que podiam comandar o seu próprio destino e que aquilo de ter um produtor só porque sim era coisa dispensável para eles. Que eram todos super talentosos – gostos à parte, ninguém põe em causa a capacidade deles para escrever e tocar e, fundamentalmente, dar espectáculo. Na era dos concertos em estádios, não havia pai para eles. Nem depois houve filhos. Legítimos. Bastardos claro que os houve, mas a colagem soou sempre a falso. (Bom, agora pus os headphones com o dito em rodagem, alto e bom som e vamos lá a escrever sobre ele).E o dito começa com a “Tie Your Mother Down”, escrita por Brian May em Tenerife em 1975 (obrigado Wikipédia). E do que fala a “Tie Your Mother Down”? De sexo, pois. De sexo espalhafatoso, com grinaldas, lantejoulas, de uma miúda com medo do pai e da mãe e de um tipo que não tem medo de ninguém. “I’m a bad guy, your mommy and your daddy gonna plague till I die”. E é hard-rock, de Led Zeppelin, numa voz cuja versatilidade não tinha limites. Depois, porque eles não encaixavam em nenhum estilo, dançaram por uma valsa (“The Millionaire Waltz”), cantaram uma música com chave pop (“You and I”, de John Deacon) até chegarem ao clímax do álbum: “Somebody to Love”. Aqui, os Beatles cruzam-se com Elvis e com os Beach Boys, enfim, com tudo. Mas esse tudo são vários homens e personagens condensados num só corpo e numa só voz: Freddie Mercury. Uma música intemporal que sobreviveu a tudo. Inclusivamente a um senhor com manias estranhas (como a de visitar casas de banho públicas com amiguinhos) que pensa poder cantá-la como Mercury – valeu pelo esforço George. No A Day At the Races, há espaço também para a consciência política (“White Man”) que nunca tinha sido a praça dos Queen. Honestamente, a canção irrita-me. Mas a seguinte (“Good Old Fashioned Lover Boy”) diverte-me. E a “Drowser” mostra que nem sempre os bateristas são os tipos menos dotados de uma banda. Para o fim, uma espécie de épico dedicado a japoneses com a “Teo Torriatte”, com um coro enorme. E tudo fica bem quando acaba bem.
Aparentemente Relacionado #2
26 janeiro 2010
Bande A Part: Radiohead #2

Talvez Relacionado #36
Os Efterklang são um grupo dinamarquês já com nome no mercado, resultado dos seus 10 anos como banda. A sua musicalidade deambula pelo rock, pós-rock, quase sempre suportado por arranjos orquestrais a acompanhar e pareceu-me bastante interessante este tema, "Modern Drift", que serve como primeira amostra do álbum que irá sair já no próximo mês de Fevereiro, Magic Chairs. Enjoy!
Relacionado #33

Keith Fullerton Whitman
25 janeiro 2010
R.E.M. – Automatic for the People (1992)
Com o lançamento de Out of Time, o disco que voltou a pôr o nome da banda nas bocas do mundo, talvez até como nunca o tinha conseguido, os R.E.M. podiam ter feito uma pausa maior ou podiam ter tentado fazer espremer o lado comercial que Out of Time lhes tinha assegurado. Não. A banda de Michael Stipe não perdeu tempo e apenas um ano depois lançou Automatic for the People. As expectativas criadas à volta da banda de Atenas, Georgia eram muito maiores devido ao sucesso de temas como "Losing My Religion" ou "Shiny Happy People", no entanto quem muito esperava acabou por ficar até bastante surpreendido. Não só os R.E.M. melhoraram o lado comercial dando-lhe mais substância como foram mais além ao gravar um disco mais folky com uma atmosfera mais reflexiva sobre envelhecimento, dor e morte. O passar dos anos sobre a banda sente-se e Automatic for the People é, claramente, o último grande disco da banda norte-americana onde consegue aliar a qualidade das letras à qualidade das melodias. Músicas como "Drive", "Try Not To Breathe", "The Sidewinder Sleeps Tonite", "Everybody Hurts", "Man on the Moon" e "Nightswimming" estão entre as melhores músicas de sempre da banda. Um disco que se revela melhor a cada audição. Um dos clássicos dos anos 90.Palavras ao Ouvido #1- "A Beast For Thee" - Bonnie "Prince" Billy
De frente, parecia um daqueles anões de decorar mansões tristes. Não que o dia fosse curto e a paciência dos meus olhos infinita. Não que me tivesse pedido um monossílabo ou uma manta. Era possível que só tivesse chovido na noite anterior. Ou, apenas alguém tivesse imaginado, como um atrasado mental bem vestido, que ambos tomavam chá num celeiro digno e religioso, coberto por um tempo que nem era o deles. Vá-se lá a ver.
Quase sempre no final das tempestades, o último fôlego nas árvores é não mais do que uma música. O seu ritmo, dedilhado; o céu, o teu. Nesse ritmo há sempre um espaço proporcionado pela animalidade da água. Pensei nisto. A água era bonita porque descartava a sua parte precavida e só tinha o que era de rir: a violência.
Seja como for, não podia ser outra a explicação da ligeira luz que agora iluminava o lado direito da sua fronte.
Mas não. Não era da luz. A língua tinha apenas pouco tento e corria, uma a uma, as ideias que a tarde nos trazia. Que animais nos faziam companhia, havia pouca ideia. Um cavalo desgastado, um porco, um pato talvez.
“Ninguém pediu para gostar de ninguém”. Falávamos de trazer uma cama do sótão para que a humidade destruísse apenas os objectos mais pequenos.
Ou melhor, havia um ruído da madeira que nos sugeria o peso da cama na extremidade dos dedos, a pressão do sangue a querer escapar.
Descontente, falei-lhe da felicidade. E da necessidade do indefinidamente e do infinitamente serem.
Respondeu-me que, nem por um momento, pusera essa hipótese. E meneava a cabeça, sempre sorrindo. Era um anão gentil, a cruzar e a descruzar as pernas.
A cama era grande, com dobras na madeira e verniz barato. Vitoriana que se fartava. Eu acho que pedi fogo quando pensava no alcance de me sorrirem assim.
Ela não me quis as palavras, mas, como Deus, não suportava ”lições de inimizade”.
Cheguei ao fim do chá e não tinha mais nada marcado para aquele dia. O bigode doía-me de tão mal feito.
Calcei as botas com o peso das palavras gentis que a partir daquele momento seriam as nossas vidas.
Sem um vestígio de água matreira, fogo, ou “Deus” (ao menos), saí do celeiro. Um pássaro tinha acabado de pousar numa árvore de fruto, assim verde, em que nunca tinha reparado.
Ou talvez nem fosse um pássaro.
Relacionado #32
Bem, Brooklyin continua a ser o centro musical norte-americano do momento e isso é completamente indesmentível. A quantidade de bandas que têm surgido deste burrough nova-iorquino desde há menos de dez anos é impressionante e já foi aqui comentado. Desta vez a escolha não incide em meninos bonitos do indie rock mais comercial mas sim nos tipos que foram buscar inspiração a bandas como Sonic Youth, Blonde Redhead, Pixies ou Sleater Kinney. Bugs In the Dark de seu nome, uma banda que tem vindo a ganhar mais atenção por parte do público. Deixo-vos "Paranoia".24 janeiro 2010
Jandek e eu no Maria Matos, 23 de janeiro de 2010
Jandek veio portanto ao teatro Maria Matos – sala demasiado grande para a número de espectadores presentes e para o carácter intimista da música tocada – com três músicos locais, digo isto pelo que li visto que os seus nomes ou origens nunca foram pronunciados durante o concerto e as luzes apagaram-se, anunciaram aquela coisa do desliguem os telemóveis e no escuro ficámos por uns bons três minutos de suspense até que como crianças tímidas os músicos lá se foram chegando ao palco e aos seus lugares. Sentaram-se de olhos postos no chão e o tal Jandek começou a arranhar as cordas da sua guitarra, provocando um som monotónico semelhante a tudo o resto que serviria de base para toda a sua actuação. Por detrás ou à sua frente aos restantes músicos era dada a liberdade para improvisar, tendo o pianista e o saxofonista a responsabilidade de serem os elementos mais desconstrutivos do ajuntamento. O concerto não primou por uma elegância instrumental arrebatadora, o cornetista Sei Miguel pouco saiu de um estilo exageradamente milesdavisiano com as suas notas largas agudas lamurientas, nas últimas músicas já nem se levantava da cadeira e apenas abanava a cabeça de olhos fechados como quem engole uma bebedeira pelos ouvidos, o pianista que não vou dizer o nome porque li dois nomes apresentados em diferentes fontes, cumpria uma função claramente percussionista, martelando as teclas com um descuidado ocasional sem grande fulgor e ou ele não sabia mais ou não lhe fora pedida outra coisa senão isso mesmo, o holandês Peter Bastien era quem mais estimulava a atenção do público e apesar de lhe reconhecer a coragem para arriscar nas suas deambulações improvisadas de notas soltas teve a infelicidade de por duas ou três vezes se ter entusiasmado demais e ter tentado ir para lá das suas capacidades mas duvido que muitos lhe tivessem notado a falta de fôlego ou de dedos, o próprio Jandek não mostrava intenções de ir para lá do que a sua música minimalista apresenta e lá foi arranhando massajando mexendo apalpando as cordas numa cadência de quem afina um instrumento mas sem lhe alterar os tons e pelo meio ia narrando pensamentos guturais que pouco variavam de algo como I am alone at this house and I look at the mirror and I say to myself is this me or am I somebody else’s imagination, percebem a onda, e sempre num tom monocórdico e cavernoso e claro que as pessoas iam bocejando e um tipo que estava ao meu lado chamado raul ia olhando para o relógio e juntando as pálpebras dos olhos e às tantas pôs a mão na minha perna mas eu não notei porque estava embriagado com aquela música de cadência atordoante e durante quinze minutos fechei os olhos e abanei a cabeça como o Sei Miguel e a luz era azul e inerte e o escuro tentava impor-se no palco e o Jandek, que já agora parece uma figurinha tirada de um filme do Dreyer, não olhava para os músicos não olhava para o público não falava com ele connosco e claro as pessoas sentindo-se miseráveis porque vinham ali para receber obrigados e quase que parecia que as palmas eram em vão, o raul a meio de uma música sussurra-me, Já reparaste que os sonhos são sempre inacabados, eu não lhe respondi. A dada altura Jandek acaba uma música, os tipos da banda estalam os dedos e os pescoços à espera de um novo pano de fundo para os seus sopros e martelares e o tipo vira-se para trás muito lentamente num jeito de quem tem o pescoço engessado e não pode fazer movimentos bruscos, carrega no botão on/off do amplificador, o público entreolha-se, ele poisa a guitarra, os músicos entreolham-se, já acabou quis alguém perguntar, ninguém o fez, o tipo coloca as mãos sobre as coxas, respira fundo como um velho que contrariado lá tem que se levantar, eleva-se, o Bastien murmurando para ele próprio Poiso o saxofone não poiso o saxofone, o tipo das luzes Ligo as luzes não ligo as luzes, alguém dá uma palmada solta, outro alguém dá outra, damos todos, já o Jandek está do outro lado da cortina quando os aplausos se tornam consensuais, personagem estranha, olho para a coxa e vejo a mão do meu amigo poisada, pergunto-lhe, Que estás a fazer meu, ele abana a cabeça, finge-se desencontrado com o mundo e no dia seguinte pergunta-me como foi o concerto e fala-me de sósias e estranhas dores de cabeça. No fim das contas gostei muito, refiro-me ao concerto.
22 janeiro 2010
George Harrison - Electronic Sound (1969)
Quando em 1968 os Beatles decidiram avançar por conta própria criando a sua própria editora, Apple, o mundo parecia estar sob a sua alçada. Talvez levados por um crecente ego, nomeadamente John e Paul, acharam que podiam ser, ao mesmo tempo, músicos e empresários de sucesso. Em pleno lançamento do Álbum Branco, tínhamos 3 (sim, Ringo não quis saber disto para nada) Beatles a descobrir novos talentos. A premissa era: "Dêem-nos todas as vossas maquetas ou ideias que nós as todas as ouviremos". Erro tremendo, passados uns dias os escritórios da Apple em Savile Row estavam atulhados de cassetes e cartas e afins. Apesar de se terem feito algumas descobertas musicais (Paul descobriu Mary Hopkin e os Badfinger, enquanto George fez aparecer James Taylor), a situação era insustentável e cedo os Beatles desistiram desta ideia, começando a dedicar-se apenas à música, continuando a Apple a ser a sua editora. Uma das boas ideias a surgir da criação de uma editora própria seria a de uma maior liberdade para a criação. Um disco duplo naquele tempo seria, provavelmente, impossível, se os Beatles ainda fossem pertença absoluta de outra editora. Sendo assim a margem de manobra para a experimentação era maior, sendo criada uma "etiqueta" para estes projectos de seu nome Zapple. Encerrada pouco tempo depois de ter sido criada pelo empresário tubarão Allen Klein, a Zapple foi criada para permitir projectos paralelos tanto dos membros dos Beatles como de outros. Lennon lançou, juntamente com Yoko, Unfinished Music Nº2: Life With The Lions, enquanto George lançou este Electronic Sound. Duas músicas apenas fazem o total deste disco: "Under The Mersey Wall" e "No Time or Space". Bastante ajudado pelo compositor californiano Bernie Krause, George sai do mundo do Rock e aventura-se na electrónica mas de uma forma ainda naive. O surgimento dos sintetizadores Moog fizeram despertar um outro tipo de sentimento no Quiet Beatle que o utilizou no próprio Abbey Road. Totalmente ignorado na altura em que saiu, Electronic Sound é, o que podemos definir como, um tesouro escondido, uma faceta desconhecida de George Harrison. A (re)descobrir.Jandek
Bem sei que Phil Niblock é um osso duro de roer e que muito de vos estao mais preparados para fazer uma endoscopia do que para ouvir música electronica abstracta. Bande A Part: Radiohead #1
Tracklist:
Weird Fishes/Arpeggi; 15 Step; Bodysnatchers; Nude; The Gloaming; Myxomatosis; House Of Cards; Bangers and Mash; Optimistic; Reckoner; Videotape; Where I End And You Begin; All I Need; Go Slowly.
Relacionado #31
De Filadélfia nem sempre o que vem é queijo fundido. Por vezes, também bom som lá surge e estes Free Energy são um bom exemplo. Mais afastados da onda Indie que, naturalmente, assola a música de hoje em dia, o grupo norte-americano vai beber inspiração em bandas como Thin Lizzy, Cheap Trick ou Fleetwood Mac. Os Free Energy fazem parte da editora DFA, sendo que o seu primeiro disco foi produzido por James Murphy dos LCD Soundsystem. Aqui fica "Free Energy".21 janeiro 2010
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The Rising Sun Experience - Musicbox - 20.01.10
20 janeiro 2010
Muse - Showbiz (1999)
“I have played in every toiletto prove i’ve made a big mistake”
Muscle Museum
Em 1999 andava a ouvir como um louco o Ok Computer dos Radiohead – chegou-me tarde mas chegou-me para ficar rendido. E na mesma altura num zapping pelos canais de música que a parabólica me deixava curtir, dou por mim a ouvir e ver um videoclip daqueles. Foi como um soco no estômago: velhos, novos, gajas boas, gajos pintas, todos eles sorrisos e todos eles choros enquanto avançava uma lenga-lenga na guitarra suportada por um baixo saltitante. Era a "Muscle Museum" do álbum Showbiz dos Muse. E tudo aquilo me soava a Bends e a Radiohead. Comprei o CD e devorei-o até ficar com uma congestão. Sabia-me a Tom Yorke com uns temperos – ainda agora os Muse mantêm esse registo (acho), mas queria sempre mais. E este Showbiz, a estreia dos Muse, tem momentos sublimes, como a "Muscle Museum" ou a "Falling Down" – e nesta o Bellamy consegue cantar como o Jeff Buckley sobre uma chave básica de blues. Não há como não nos rendermos à voz dele. E não há como não nos rendermos à "Unintended", a balada das baladas de uma banda que era indie e que foi puxada para o mainstream porque mereceu. E não fizeram cedências pelo caminho. Apenas apostaram em tornar-se maiores, pujantes, operáticos.
Elton John - Madman Across The Water (1971)
Sim, eu sei - é Elton John. Mas não é o Elton John da Nikita ou o do Lion King. Este é o Elton John da Tiny Dancer. Sim, eu sei – a música do Almost Famous. E, sim, também eu sei – é uma música fácil. Porque é orelhuda, porque segue o esquema clássico para um hit pop que nunca chegou a ser. Mas, digo eu, também é uma grande canção. E é esta Tiny Dancer que abre o Madman Across The Water de 1971, o quarto álbum de Elton John, o pior classificado do inglês à data. E, vá lá, para sermos justos, o Madman Across The Water não é grande coisa. Não fosse a Tiny Dancer e eu provavelmente nem me daria o trabalho de ouvir o que resta do álbum. Que me parece não saber para onde ir – do piano à guitarra acústica, das melodias “larger than life” a algumas piroseiras ao estilo Lionel Ritchie. Mas, ainda assim, safa-se bem: a Levon é uma boa música, tal como a Goodbye, que fecha o disco com o Elton ao seu melhor estilo: ele, com o piano dele, as progressões dele, com a voz dele e as letras do Taupin. Tem também a Holiday Inn, com um banjo a acompanhar o teclado e um refrão daqueles que ficam: “Slow Down John”. E a Madman Across The Water, que dá o título ao álbum e que não é nada má – o refrão, lá está, entra no ouvido e a orquestração ajuda-o a lá manter…Relacionado #30
A Folk alternativa cada vez mais começa a dar as suas cartas e, até, a ganhar folêgo em relação ao indie rock. Senão vejamos os mais recentes casos: Fleet Foxes, Vetiver, Akron/Family, Real Estate ou Devendra Banhart. Uma das mais recentes descobertas vem de uma voz feminina, Cate Le Bon. Esta irlandesa merece perder alguns minutos a escutar as suas canções. Aqui fica "Me Oh My".19 janeiro 2010
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Sigur Rós - Ágaetis byrjun (1999)
Ao contrário do que muitos pensam, "Ágaetis Byrjun" não é o primeiro álbum dos Sigur Rós. Na realidade, esta banda islandesa formou-se 5 anos antes do lançamento deste álbum, período no qual lançou "Von" e uma colecção de remixes baseada no mesmo, "Von brigði". Mas foi com "Ágaetis Byrjun" que conseguiram atingir, definitivamente, outro nível. Este álbum é de uma beleza sufocante, arrebata-nos constantemente, umas vezes pelos crescendos intensos, outras pela introspecção das suas baladas. Diria que são muito poucos os álbuns que mexem com as nossas emoções como este, sendo que aqui tudo é conseguido sem percebermos uma única palavra do que é dito. Isto porque 2 das músicas são cantandas em Vonlenska ("língua" criada por Jónsi Birgisson, consistindo apenas de sons e fonemas, e que é utilizada pela banda em várias músicas e mesmo em álbuns inteiros) e as restantes em islândes e sinceramente, nem é preciso saber o que é cantado. É desnecessário pela universalidade das emoções que as músicas geram e que nelas estão incutidas. As emoções sentem-se mesmo assim, com esta harmonia perfeita dos vários instrumentos (órgão, violinos, piano, flauta, oboé, baixo, xilofone, entre outros) e voz. O sentimento dominante que me fica de ouvir este álbum é o de ser transportado para um local longíquo, noutro tempo, distante. E agora ainda mais, depois de não ter resistido a ir descobrir esse local, a terra onde esta música é feita, e sentir tudo ainda com mais intensidade porque tudo faz sentido, tudo se conjuga. Andar pelas estradas islandesas, por pequenas aldeias e vilas com nomes impronunciáveis com a música de Sigur Rós no fundo foi uma experiência única e inesquecível, que potenciou fortemente o impacto que esta música tem em mim. E que acho difícil não ter em qualquer pessoa. Duração Álbum 71:51, Editora: Fat Cat/Smekkleysa, Produtor: Ken Thomas
18 janeiro 2010
Air - Coliseu dos Recreios - 16.01.10
Foi um ar morno que passou pelo Coliseu dos Recreios, que rebentou pelas costuras para ver os franceses Air.
Foi um ar morno porque o concerto não foi mau, mas também não foi excelente.
Ar morno, que vinha do palco para o público, que proporcionou alguns bons momentos, mas alternou esses com outros, mais mortiços.
Os Air já têm vários discos editados, uns bons, outros mais ou menos, e os concertos ao vivo nunca foram o seu forte. Dantes, actuavam em quinteto, agora só em trio, com um baterista a acompanhar Nicolas Godin e Jean Benoit Dunkel – que se encarregam de tocar tudo, com enfoque nas teclas, mas também há uma ou outra guitarra ou um baixo de vez em quando. Os Air preferem tocar ao vivo com esta formação, dizem que é mais próximo dos álbuns, porque aí também são eles os dois que tocam tudo.
Foi assim que se apresentaram no Coliseu, poucos meses depois de editar o novo disco, Love 2. Porém, não foi esse o prato forte do concerto. Eles não optaram por despejar as canções novas, e guardar os clássicos para os encores.
Também porque não vêm cá muito frequentemente (e por um lado ainda bem, porque hoje em dia há bandas que vêm cá 1 vez por ano, ou 3 vezes em 2 anos, e acaba por cansar, porque deixa de ter o efeito novidade, e passa a ser mastigado). Assim, os Air deram um concerto abrangente, que passou por quase todos os discos da carreira. Tocaram alguns temas do novo disco (entre eles, não o single que apresentou este Love 2), e depois foram passeando pelos anteriores, Talkie Walkie, Pocket Symphony e Moon Safari.
Em cerca de hora e meia, optaram por levar o público numa viagem quase hipnótica, com muitos temas instrumentais, alguns menos conhecidos, em vez de tocar só singles e canções em formato canção. A escolha não foi errada de todo, mas também terá sido por aí que o concerto não chegou nunca a “explodir”. Porque ao escolher hipnotizar, fizeram-no com canções mornas, que talvez fossem melhor ouvidas num concerto sentado. Com o Coliseu cheio como nunca o tinha visto, acho que aquelas pessoas queriam mais festa.
Ainda assim, no que toca à hipnose, não pode dizer-se que tenha sido mau. Bons momentos para ouvir de olhos fechados, para relaxar e deixar-se ir com o som. Bastava apenas estar nessa onda, à partida.
Na perspectiva pessoal deste que escreve, o concerto teve mais de bom do que de mau, embora pudesse ter sido bem melhor.
Em suma, um bom concerto para começar o ano, um começo em velocidade cruzeiro, à espera dos outros mil já marcados para este 2010.
Los Hermanos - 4 (2005)
Elevados aos píncaros no Brasil com o seu primeiro single, "Anna Júlia", cedo a banda brasileira tentou livrar-se dessa imagem mais pop e adolescente. O seu primeiro disco datado de 1999 era um projecto mais Ska do que propriamente Pop. Porém era um Ska com letras e instrumentos completamente diferente do que é o normal. Letras sobre amores sofridos engrandecidas com uma banda de sopros que lhe dava um toque muito próprio. Bloco do Eu Sozinho(2001) e Ventura(2003) começaram a mostrar a banda, originário do Rio de Janeiro, mais adulta e afastada do comercial brasileiro. Influências de bandas que começavam a emergir em Inglaterra ou Estados Unidos misturadas com o jeito MPB brasileiro conferiam um estilo muito próprio à banda carioca. Essa evolução desaguou na melhor forma em 2005 com 4, o, até agora, disco final da banda de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante. O ambiente do disco é muito mais calmo que os anteriores, mais adulto com letras mais reflexivas onde o indie rock se funde com a Bossa Nova. Começava já aqui a notar-se o início da cisão da banda com Marcelo Camelo mais acústico, em "Fez-se Mar", "Morena" e "Sapato Novo" e Rodrigo Amarante mais eléctrico com "Primeiro Andar", "O Vento" e "Condicional". Os projectos seguintes de cada um vieram confirmar isso mesmo. Se os Los Hermanos acabaram por aqui resta então dizer que acabaram bem porque melhor iria ser mais complicado. Um grande álbum de umas das melhores bandas brasileiras.17 janeiro 2010
Phil Niblock em Lisboa
Para quem ficou curioso com o meu post acerca de Phil Niblock, têm uma oportunidade única de ver um dos mais influentes compositores contemporâneos em... Lisboa. Perdê-lo seria como terem perdido Stockhausen.Quarta, 20 de Janeiro às 22.00h na ZDB
PHILL NIBLOCK & MANUEL MOTA & DAVID MARANHA
O.BLAAT (US)
PHILL NIBLOCK
Convidados: David Maranha & Manuel Mota
Phil Niblock, proeminente compositor minimalista e artista multimédia nova-iorquino, explora as possibilidades microtonais e texturais do drone pela sobreposição de intrumentos acústicos. Influenciou várias gerações de músicos incluindo Jim O'Rourke, Glenn Branca, Ryoji Ikeda, Rafael Toral.
Para esta apresentação, Niblock irá interpretar "Purce" (2008), peça que resulta de uma colaboração com a violoncelista Arne Deforce e ainda "Stosspeng" (2007), com a participação de David Maranha e Manuel Mota nas guitarras.
O.BLAAT
Keiko Uenishi (o.blaat) é uma artista sonora e compositora baseada em Brooklyn, Nova Iorque. Membro principal do colectivo SHARE, é reconhecida por criar ambientes sonoros diversificados resultantes da sua infatigável procura em eliminar a presença física do performer, alterando em última instância as situações de escuta.
o.blaat irá reinterpretar "Car Décalé (Légèrement) / Because Shifted (Slightly)", peça que desafia a percepção sonora dos espectadores, reflectindo as propriedades acústicas do espaço e objectos envolventes. Para esta performance, para além do seu computados, servir-se-á de um transmissor FM, um controlador Nintendo Wii e de objectos do quotidiano ou simplesmente encontrados na natureza.
Entrada: €5
16 janeiro 2010
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15 janeiro 2010
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O nome da banda – The Rising Sun Experience – dizem, é uma homenagem ao famoso guitarrista Jimi Hendrix. A banda nacional vai estar dia 20 no Musicbox para apresentar o seu primeiro trabalho Under The Same Sun. O seu estilo musical mistura funk, grunge, blues e electrónica. Uma espécie de Rock-Psicadélico mas com outros ingredientes à mistura. Os anos 70 regressam a Lisboa dia 20. A não falhar.
14 janeiro 2010
Evil Class - Beware of Man (2009)
O estilo está gasto, dirão alguns. Os cabelos compridos, as roupas negras, a pedaleira dupla, a voz distorcida berrada bem em cima do microfone, os concertos com moshpit e uns tipos de cabeça partida a continuar indiferentes no moshpit. Este tipo de música já não passa na televisão à excepção de quando os Metallica fazem anos e lá são eles obrigados a passar uns videoclips do álbum preto. Até aquele teen-metal manhoso que encheu pavilhões atlânticos de putos-estúpidos há uns anos atrás já está prestes a ser esquecido. Nos media só aquele tipo da antena 3 e da sic radical que continua com o cabelo comprido e continua com as roupas negras e continua gordo é que continua a apresentar um programa semanal de tipos que têm orgulho de não se fazerem bonitos para a televisão e orgulho por se terem mantido fieis ao som e ao modo de vida que os caracteriza. A verdade é que o metal continua por aí. Os bares metal continuam por aí. Os festivais, os eventos, as revistas especializadas, os sites, os blogs, as lojas de roupa e adereços. E a qualidade musical apenas surpreende quem daquilo nada espera.Nunca fui muito fã de metal. Álbuns só os tive de uma ou outra das bandas mais conhecidas, ao vivo lutei com tipos desconhecidos que depois ajudava a levantarem-se, suei e parti pelo menos a haste de dois óculos ou então foram duas vezes o mesmo. Agora ainda oiço menos metal mas se apanhar pela frente um concerto de malta que sabe tocar, consigo sem dúvida apreciá-los e novamente lutar um bocadinho com desconhecidos e dizer obrigado no fim.
Os Evil Class são uma banda que se afirma entre os estilos thrash metal e metal progressivo e há quem use o termo death & roll para os caracterizar porque meus amigos, classificações há para todos os gostos. A banda é oriunda do concelho de Loures e tiveram que largar o mini-estúdio-garagem na Bobadela porque deixaram de ter dinheiro para o pagar, justamente após a gravação do primeiro EP da banda, Beware of Man. Rodrigo Dias é o líder do grupo, digamos que é o guitarrista o vocalista o compositor o escritor e o produtor. É também o produtor do novo álbum dos PunkSinatra, o mais recente projecto do vocalista dos Peste e Sida, João Pedro Almendra. Claro que se o Rodrigo quisesse fazer mais músicas pop como no seu projecto Fanáticos do Tinto quiçá fosse hoje mais conhecido, mas isso também seria demasiado fácil.
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Enjoy!
Blog da Semana Cotonete
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Os anos 00s e agora os 10s vão ser conhecidos pela quantidade de bandas que aparecem e que nunca chegarão ao panteão das imortais como acontecia até aos anos 90. Isto não quer dizer que a qualidade diminuiu, apenas abriram-se portas para muito mais gente e com isso conseguimos contar com concertos quase todos os dias em Lisboa, o que seria impensável há 15 anos atrás. Hoje, dia 14, a ZDB apresenta mais um desses pequenos trunfos. Viking Moses é o seu nome e dele se diz: "Ninguém neste mundo corporiza a canção americana como Brendon Massei. Nómada com uma imensa consciência de pertença musical, Massei é um sulco nervoso onde a poesia afiada de Bob Dylan cicatrizou com a angústia criadora de Kurt Cobain. Por detrás do nome Viking Moses, o músico norte-americano vem vagueando de um sítio para outro numa digressão permanente desde 2004, confessando para quem quiser ouvir canções / feridas abertas de amor e ódio que não são menos que um milagre. Brendon Massei faz música porque não tem outra hipótese.
Em palco, a dimensão folk que caracteriza os álbuns de Viking Moses (e que lhe valeram a admiração de gente como Will Oldham e Devendra Banhart) sucumbe perante a avassaladora catarse rock / não-rock que meia dúzia de pessoas tiveram oportunidade de testemunhar aquando da primeira passagem de Massei pela ZDB, em Abril de 2007."
A primeira parte do concerto é feita pela cantautora norte-americana Golden Ghost.
Aqui fica Werewolves in the City:
13 janeiro 2010
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O altamont.blogspot.com deixa-vos hoje, dia 13, uma amostra de uma banda que ainda vai dar que falar. Chamam-se Real Estate e vão estar na ZDB dia 19 de Fevereiro. Melhor correrem para comprar o bilhete pois se os XX esgotam em poucos dias para um concerto na Aula Magna, estes norte-americanos de New Jersey poderão também ficar indisponíveis em pouco tempo. Porém também irão estar presentes no Plano B no Porto dia 16 e no Vela Latina em Coimbra dia 17.
12 janeiro 2010
Hootenanny - Ciclo de Blues na Culturgest (30 Janeiro - 5 Fevereiro)
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Tecnicamente, trata-se de uma estrutura musical de doze compassos divididos em três frases de quatro compassos que se organizam em torno de três acordes (tónica, subdominante, dominante) alternando a voz ou o instrumento segundo um esquema AAB marcado pela alteração da terceira e sétima nota da escala diatónica (notas blue) cuja origem é habitualmente atribuída à influências das escalas pentatónicas africanas.
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