Parece que os Smashing Pumpkins andam para aí a dar concertos. Parece inclusivé que passaram por Portugal e deram um duplo concerto no Campo Pequeno em Dezembro e este ano vêm outra vez à Feira Popular da Belavista. Pudera, se o público português é o melhor para o qual ele já tocou!
Parece que os Smashing Pumpkins andam para aí a fazer álbuns e vai sair um novo já em Junho.
Agora às perguntas:
os Smashing Pumpkins não tinham acabado em 2000? Tinham.
Então esta é uma daquelas reuniões que se fazem passados não sei quantos anos e quando a conta bancária precisa de um achego? Não.
Passemos a explicar então, que isto tudo tem uma explicação muito simples - o nosso amigo Billy Corgan é uma pessoa muito necessitada, precisa de amor e carinho. Após o fim da banda, montou uma nova banda de nome Zwan, mas ninguém lhe ligou. Depois lançou um álbum em nome próprio (TheFutureEmbrace (2005)), mas, outra vez, ninguém lhe ligou. Foi então que anunciou ao mundo que os Smashing Pumpkins estavam de volta, mas com um pequeno pormenor, ninguém da banda original a não ser ele próprio e o baterista Jimmy Chamberlin. Assim lançou um álbum em 2007 (Zeitgeist). Depois correu com o Chamberlin e agora está aí outro álbum na calha. Billy, what the fuck? Isto não é Smashing Pumpkins, és tu e uns gajos que aposto terão zero intervenção no processo criativo. Move on! Fica com a memória do que foram os Smashing Pumpkins, quando há quase 20 anos fizeram este Siamese Dream. Eu sei que foste praticamente tu sozinho que o fizeste, o Jimmy estava sempre drogado e desaparecia durante dias, o James e a D'Arcy andavam às turras e não faziam o que tu querias, e foste tu com o Butch que fizeram noitadas a regravar, a meter faixa em cima de faixa, mas eram os Smashing Pumpkins. Tudo isto eram os Smashing Pumpkins e é isto que merece ser recordado, e não estas tretas que andas para aí a fazer agora. Que nem sei se são boas ou más porque pura e simplesmente não ouvi, não dá meu. Foi bom enquanto durou. Especialmente este pico de densidade, dramaturgia, desespero, neurose, agonia, raiva, rock, shoegaze que está nestas 13 músicas abaixo e que de vez em quando apanho num shuffle. E sabe sempre bem.
Os The Wannadies, ou para quem prefira, os Wannadies, nasceram no longínquo ano de 1988, mas para mim (como, penso, para a maioria) apareceram nas nossas vidas com o filme "Romeu & Julieta", aquele com o DiCaprio e a Claire Danes, cheio de tiros e modernices para a altura. Nesse filme (re-)apresentam a "You & Me Song", que na altura me (nos) ficou no ouvido e me levou a procurar um pouco mais. Foi aí que comprei o álbum "Bagsy Me", de 1997, ano em que re-lançaram a tal "You & Me Song". E se esta música ficava nos ouvidos às custas de alguma... fofinhice, o álbum "Bagsy Me" ficou-me na memória como um excelente grupo de canções, bem compostas e bem alinhavadas. Desde logo, uma das minhas músicas preferidas de todo o disco "Hit", uma das músicas que me começou a educar musicalmente (sim, porque até mais ou menos aí ainda andava meio perdido com álbuns e bandas a puxar para o duvidoso). Mas também "Because", "Someone Somewhere" ou "Shorty" me deliciaram repetidamente.
Para quem lhe passou ao lado, "Bagsy Me" é um disco muito bom, editado no meio de uma era dominada pelo grunge e talvez pouco reconhecido por ter estado à sombra da tal canção do Romeu e da Julieta, mas vale a pena ouvir muitas vezes. Do princípio ao fim.
Depois de um Fresquinho português e um Recomenda português só podia vir um Estimação português para completar o ramalhete. Mas um Estimação português é uma tarefa mais complicada para mim, que, apesar de ter passado a maior parte da minha vida em Portugal, não fui educado tendo a cultura portuguesa como base (e não me peçam mais explicações que este espaço não é para eu andar a contar a minha vida). Música portuguesa lá em casa quase nem vê-la ou ouvi-la. O meu ouvido não foi habituado a ouvir cantar em português e assim não é de estranhar que tenha elegido um álbum de uma banda portuguesa que canta em inglês (e sobre este assunto daria para uma discussão alargada de várias horas mas não aqui, não é o local nem o momento ainda para mais tendo em conta que a minha idade não permite discussões sem um copo de vinho na mão).
Vamos lá então aos Blind Zero, com aquele sentimento de nostalgia dos tempos do secundário, cabelo comprido, a Herculano de Carvalho, paixões arrebatadoras dia sim dia não, o 25A para o trajecto casa-escola, escola-casa, e o Trigger no discman do Tiago a acompanhar (nesta altura discman não era para todos e eu apenas tinha o meu velhinho walkman). Parece que foi ontem e afinal já lá vão 16 anos. Numa altura em que o grunge apresentava já sinais de estar a quebrar, os Blind Zero mais não fizeram do que mostrar que era possível uma banda portuguesa lançar-se nessa sonoridade e não ficar mal na fotografia, o que só por si me pareceu de valor na altura. E muito ouvíamos o Trigger, desde a força bruta de um "Maniac Inland" ou um "Big Brother" até às mais baladeiras "Woman" e à introspectiva "Amen" e sabia sempre bem. Hoje, quanto mais não seja pelo valor nostálgico continua a saber bem. Gostava de ter a opinião de quem nunca ouviu o disco e o experimenta agora, isenta de emoções. Mas também acho que esta análise "isento de emoções" é impossível na música...
A pergunta neste álbum coloca-se da seguinte maneira: Como é que ao fim de alguns minutos de pop indie, [influenciada pela escola britânica do psicadélico ligeiro compreendido no período entre 1966-68 na qual fazem parte bandas como os Beatles, Zombies, Nirvana [UK], já aqui referidas neste blog], passamos para um estado meio demencial, um pouco ao estilo de um filme de Robert Rodriguez com nome parecido a este disco dos Olivia Tremor Control. A resposta acertada é lendo a biografia desta banda de nome esquisito. Ora bem, sendo assim vamos então para um pequeno momento de história musical. Originários de uma pequena terra em Los Angeles, o duo que forma esta banda faz parte de uma das mais importantes editoras de pop alternativo/psicadélico, a Elephant 6. Editora essa que conta, ou contou, também com os Of Montreal, Neutral Milk Hotel ou Apples in Stereo. E o que tinha esta editora de tão especial? A seu favor a homogeneidade das bandas, as quais se sentiam uma grande família, partilhando ideias e influências e, mais importante de tudo, poderem escrever e gravar qualquer coisa que lhes fosse à cabeça. Uma espécie de renascimento do movimento psicadélico de São Francisco. E é isto mesmo e ainda mais que este Dusk at Cubist Castle é. Uma mescla de pop psicadélico americano com britânico, com alguns elementos de Kraut-Rock com o dinamismo e inovação de uns Sonic Youth. Neste disco eles criam um ambiente surreal que vai do technicolor ao monocromático e isto tudo dividido em 27 músicas. Pena que tenham decidido fazer um hiato após o segundo disco e esse hiato já dure há 12 anos...
O estimação de hoje é sobre um disco que ouvi vezes e vezes sem conta na altura que o comprei, por volta de 1997 ou 1998. Tinha visto o filme nessa altura e fiquei deliciado com as versões que tinham feito para esta película. Ora, este Backbeat, de 1994, realizado por Iain Softley, que não faria muito mais filmes de jeito, destacando-se apenas "The Wings of the Dove" e "K-Pax". O filme também não contava nas suas fileiras com actores de renome e as actuações também não foram nada de extraordinário, porém a banda sonora valeu por tudo. Essa tal banda sonora, não era nada menos do que versões de músicas que os Beatles tocaram ainda antes de serem "os" Beatles. A história do filme revolve à volta da figura de Stuart Sutcliffe, membro original da primeira formação da banda de Liverpool, composta ainda pelo baterista Pete Best. Stu era um péssimo músico, mas excelente pintor e o melhor amigo de Lennon. O seu coração não batia pelos ritmos do rock 'n roll como no resto da banda, o que levava McCartney ao desespero e à fúria em relação a Stu. Porém foi Stu que mais fez pelo visual Beatle. Através da recente paixão descoberta na Hamburgo alemã, Astrid. Esta fotógrafa inventou o conceito "cabelo à Beatle" e deu uma nova imagem à banda inglesa. Estes nunca mais largaram este visual até 1966, altura do psicadelismo. Em relação ao que realmente interessa, a banda sonora, esta revolvia à volta dos clássicos anos 50 que Lennon e companhia tocavam em bares de classe duvidosa no red light district de Hamburgo. Em relação à banda que tocou estes covers, foi acima de tudo uma surpresa pelos nomes que vi no "booklet" do cd. Senão vejamos: Dave Pirner dos Soul Asylum, Greg Dulli dos Afghan Whigs, Thurston Moore dos Sonic Youth, Dave Ghrol, Mike Mills dos R.E.M. e Don Fleming dos Gumball. Um verdadeiro "timaço" que pôs todo a sua alma de rock nestes clássicos, dando-lhes uma crueza e velocidade notáveis.
Enquanto o filme é mediano, valendo apenas pelo lado histórico, a banda sonora tem um valor inestimável...
E pensar que este álbum foi feito como um projecto de fim de curso do aluno Stuart Murdoch?
"Sebastian met Isabelle outside the Hillhead Underground Station, in Glasgow. Belle harrassed Sebastian, but it was lucky for him that she did. She was very nice and funny, and sang very sweetly. Sebastian was not to know this, however. Sebastian was melancholy.
He had placed an advert in the local supermarket. He was looking for musicians. Belle saw him do it. That’s why she wanted to meet him. She marched straight up to him unannounced and said, ‘Hey you!’ She asked him to teach her to play the guitar. Sebastian doubted he could teach her anything, but he admired her energy, so he said ‘Yes’.
It was strange. Sebastian had just decided to become a one-man band. It is always when you least expect it that something happens. Sebastian had befriended a fox because he didn’t expect to have any new friends for a while. He still loved the fox, although he had a new distraction. Suddenly he was writing many new songs. Sebastian wrote all of his best songs in 1995. In fact, most of his best songs have the words ‘Nineteen Ninety-five’ in them. It bothered him a little. What will happen in 1996?
They worked on the songs in Belle’s house. Belle lived with her parents, and they were rich enough to have a piano. It was in a room by itself at the back of the house, overlooking the garden. This was where Belle taught Sebastian to put on mascara. If Belle’s mum had known this, she would not have been happy. She was paying for the guitar lessons. The lessons gave Sebastian’s life some structure. He went to the barber’s to get a haircut.
Belle and Sebastian are not snogging. Sometimes they hold hands, but that is only a display of public solidarity. Sebastian thinks Belle ‘kicks with the other foot’. Sebastian is wrong, but then Sebastian can never see further than the next tragic ballad. It is lucky that Belle has a popular taste in music. She is the cheese to his dill pickle.
Belle and Sebastian do not care much for material goods. But then neither Belle nor Sebastian has ever had to worry about where the next meal is coming from. Belle’s most recent song is called Rag Day. Sebastian’s is called The Fox In The Snow. They once stayed in their favourite caf’ for three solid days to recruit a band. Have you ever seen The Magnificent Seven? It was like that, only more tedious. They gained a lot of weight, and made a few enemies of waitresses.
Belle is sitting highers in college. She didn’t listen the first time round. Sebastian is older than he looks. He is odder than he looks too. But he has a good heart. And he looks out for Belle, although she doesn’t need it. If he didn’t play music, he would be a bus driver or be unemployed. Probably unemployed. Belle could do anything. Good looks will always open doors for a girl."
Já há algum tempo que o Altamont não tem aqui um álbum dos good old nineties. E eu como pessoa que cresceu a ouvir música nessa já tão longíqua década, preciso de, de tempos a tempos, exorcizar alguns fantasmas e aos nineties retornar. E retorno com uma banda que, apesar de ter sido integrada na onda do grunge (sim, eu também detesto este nome e este chavão, mas é a forma mais fácil de ilustrar o caso) nem foi muito conhecida na altura. Os Candlebox lançaram este seu álbum homónimo em 1993, já a procissão grunge ia no adro e talvez por isso tenham passado mais despercebido ao grande público. A mim valeu-me a atenção constante do meu colega Pereira que lá ia descobrindo estas coisas e partilhando com os demais colegas. Não consigo precisar um porquê, mas o que é certo é que músicas como "Cover Me", "You", "Far Behind" entre outras, permaneceram sempre na minha memória, sempre ligada a bons tempos de escola secundária, e volta e meia ainda hoje fazem uma aparição no shuffle. E sabe bem. A música também é isto, muitas vezes nada mais que um guilty pleasure.
Para já vou deixar-vos apenas uma música amostra do album e conto brevemente incluir aqui o grooveshark para poderem apreciar o álbum inteiro. Suponho que não vá acrescentar nada a quem nunca o ouviu, mas quiçá muito aos poucos que os conhecem dos bons velhos tempos. Either way, enjoy it!
Os Portishead são uma banda que dispensa apresentações para qualquer pessoa com um ouvido a funcionar bem que passou pelos anos 90, por isso não me vou alongar muito.
Banda de Bristol, onde juntamente com os Massive Attack se lançaram à conquista do mundo com o seu trip-hop, os Portishead basearam a sua estratégia de divulgação na qualidade artística dos seus videoclips. Antes até de lançarem o seu primeiro álbum realizaram uma curta-metragem, To Kill a Dead Man, mas foi a banda sonora criada para a mesma que atraiu atenções, e daí até terem Dummy no mercado foi um pequeno passo. Foi através de uma crescente rotação dos seus clips em programas como Alternative Nation ou Chill-Out Night, da MTV, que foram ganhando público, e no final de 1995 já eram agraciados com vários prémios da indústria da música. Não que isso interesse, naturalmente, mas de facto havia aqui qualquer coisa de diferente do britpop que reinava a solo nessa altura. A intensidade, o dramatismo das melodias, a voz de Gibbons, sempre acompanhadas com o sintetizador de Geoff Barrow e a guitarra de Adrian Utley são únicas.
Provavelmente vão apontar-me o dedo por meter aqui um álbum que não é um álbum de originais mas sim um concerto ao vivo. Pois bem, passo desde já a apresentar o meu argumento - andei durante 2 anos a debater-me se gostava mais do Dummy ou do Portishead. Não conseguindo chegar a uma conclusão definitiva, surgiu em 1999 este Roseland NYC Live que foi a única forma de resolver o problema - decidi que ficava este o meu favorito e pronto. E até hoje assim é. Já conheço melhor estas versões do que as versões originais. Heresia? Sim, admito que possa ser. Mas sigo na minha, herege e feliz com a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque no fundo do ouvido a acompanhar o trio Barrow Gibbons e Utley em todo o seu esplendor.
Quando Beck apareceu com o seu "Loser" pareceu-me mais um one hit wonder lançado pela MTV para ser mastigado até à exaustão e depois regurgitado. Kurt Cobain tinha acabado de se suicidar e o mundo da música (especialmente os media que vivem às custas do mundo da música) abriram o recrutamento para a vaga deixada em aberto de centro das atenções. Beck tinha semelhanças físicas com Kurt e cantava com orgulho o facto de ser "Loser", que naquela altura era visto como topo de carreira. Nada mais fixe do que ser um "Loser" em 1994 e como tal a MTV decidiu dar-lhe airplay a rodos a ver se a coisa pegava. Mas a grande maioria desconfiou logo da brincadeira e não se deixou convencer. Na minha opinião, e fantasiando um pouco à volta do tema, o próprio Beck não gostou da brincadeira e, ressabiado por ter sido utilizado, decidiu mostrar do que era capaz. Assim se fez Odelay e a sua teia única e absurda de samples, arranjos, instrumentos e principalmente de emoções num mesmo álbum, e por vezes numa mesma música.
Olhemos por exemplo para "New Pollution" - começa em ritmo de música de Natal com efeitos sonoros de desenhos animados, passa bruscamente para uma forte batida de bateria e cheia de ritmo apelando à dança, entra depois um assustador sample de saxofone a acompanhar e aquilo tudo mistura-se num grande loop final, terminando ao som do saxofone sozinho. É apenas uma amostra do que é este disco, uma amálgama de momentos de diferentes estilos musicais que intrisicamente cosidos fazem sentido. Beck não passa de uma velhinha sentada na sua poltrona a fazer tricot com todo um universo musical. E o resultado é qualquer coisa de extraordinário.
Em jeito de conclusão (e de forma a poderem passar à audição se é que ainda não o fizeram) diria que poucos são os álbuns dos anos 90 que ouvidos hoje soam tão frescos como este Odelay, aposto que se eu lhe mudasse o nome e o colocasse na rubrica dos Álbuns Fresquinhos ninguém iria dar pela falcatrua. E pensar que já foi lançado há 14 anos...
Os Red Hot Chili Peppers são uma banda que me divide - por um lado ouço os primeiros álbuns e o registo funk/rap com uma certa veia punk é algo que soa original para a altura, fresco, diferente de tudo o que se ouvia então (talvez com algumas semelhanças com uns Beastie Boys) com especial destaque para Blood, Sex, Sugar, Magik. Depois pega-se nos mais recentes Californication, By The Way e Stadium Arcadium (este falo só conhecendo 1/2 músicas) e são outra coisa, são uma banda virada para aquela geração de 2ª da MTV (tenho uma teoria que há duas gerações MTV, uma que viveu a estação entre 1990-1994 e outras que a viveu entre 1994 e 2002 por aí, mas isso será tema para debater num post futuro) a disparar singles a torto e a direito, com grandes produções de videoclips e com músicas que se digeriam em três tempos. E depois no meio destas duas partes há um alien chamado One Hot Minute.
Penso serem por todos conhecidos os problemas de drogas que envolveram esta banda, desde a morte por overdose do seu primeiro guitarrista Hillel Slovak, à batalha constante de Kiedis e Frusciante com a heroína e cocaína. Pois bem, One Hot Minute foi concebido mesmo no epicentro de todo este furacão. Frusciante tinha abandonado a banda a meio de um tour no Japão e pairou a incerteza quanto ao futuro da mesma, uma vez que foi muito dificil contratarem um novo guitarrista. No final a escolha recaiu sobre Dave Navarro, ex-Jane's Addiction, com uma escola mais próxima do heavy metal, muito diferente do estilo e influências do restantes membros e foi factor crucial para a mudança radical que se operou no som da banda.
Esta diferença torna-se logo notória na música de abertura, "Warped", uma música hard rock que certamente apanhou os devotos fãs de Blood, Sugar, Sex, Magik desprevenidos e que a mim me fez sentir como se alguém me tivesse agarrado, atirado contra uma parede na sala e despejado toda a sua energia em cima de mim (talve ande a ver filmes a mais, bem sei...). De seguida "Aeroplane", música mais soft e com base funk, onde vem mais ao de cima o baixo de Flea, mas também está lá um solo heavy metal do Navarro intermitando com vozes de crianças a cantar. Entra "Deep Kick" e volta a energia ao máximo para logo a seguir quebrar com a calmia e escuridão de "My Friends". É muito nesta base que assenta este disco, num constante pára arranca, pára arranca que desnorteia quem o ouve. Este efeito é ainda mais acentuado nas duas músicas seguintes, "Coffee Shop" seguido de "Pea", música onde se ouve apenas baixo e voz de Flea. E depois sim, em "One Big Mob" e "Walkabout" se consegue ver, assim ao fundo, as influências mais funk no ritmo, e onde Kiedis está mais próximo do estilo rapper que o caracterizou nos anteriores álbuns. Para a entrada na recta final uma música que marcou a minha viagem de finalistas do 12º ano - "Tearjerker". Suspeito até que o meu CD esteja riscado nesta faixa, uma vez que foi ouvida e cantada em conjunto vezes sem conta, música que Kiedis escreveu sobre a morte de Kurt Cobain e a forma como influenciou toda a banda. Mais para o fim temos então rock ("One Hot Minute"), funk puro ("Falling Into Grace"), hard rock bastante próximo de heavy metal ("Shallow Be Thy Game") e uma excelente "Transcending" para fecho de cortina.
Escusado será dizer que o futuro dos Red Hot não passou por aqui, Navarro foi posto a andar em 1998 por "diferenças de criatividade" e de volta apareceu Frusciante, após descida aos infernos do vício e necessária recuperação. Este álbum foi a partir de então renegado pela banda e nenhuma música é tocada ao vivo nos seus concertos o que me parece injusto, dado que apesar de ter desvirtuado um pouco os desígnios e estilo assumido inicialmente, tem boas músicas que muito agradam aos fãs com veia mais rockeira como é o meu caso. E a modos que é isto.
O atraso relativo à publicação deste post, que já deveria ter saído a semana passada, deve-se única e exclusivamente a um factor - insegurança pessoal. É que só chegado a este ponto é que me apercebi no sarilho que me estava a meter, dada a dificuldade inerente a falar sobre "Ok Computer". O que dizer de diferente, de original, sobre um álbum que é vangloriado por uma larga secção de críticos (profissionais e não profissionais) como um dos melhores de sempre, a perfeição musical dos nineties, o auge do rock, 10/10, e outras coisas que tal? Missão complicada. Faz-me questionar a necessidade de andarmos para aqui a debitar palavras sobre algo que vale por si só - a música, e como o mais importante disto tudo é mesmo termos aqui em baixo uma barra que com um simples click permite entrar nesse mundo único. Thom Yorke, em oposição aos álbuns anteriores mais introspectivos, optou agora por levantar a cabeça e olhar à sua volta, e relata aqui o que encontrou - um mundo que para mim se encontra descrito na perfeição em "Fitter Happier". Um mundo onde o consumismo tomou conta da mente humana, onde os airbags salvam vidas, onde as pessoas preferem o conforto e uma vida sem surpresas, onde se perdem horas de vida em transportes e só umas asas podem resolver o problema. Onde as variações de ritmo e velocidade ocorrem constantemente, tal como as guitarras em "Paranoid Android". Onde as pessoas procuram respostas na sorte e no azar, nos deuses, em tudo, menos em si próprios, e como tal estão sujeitos a serem encontrados por uma "Karma Police". Onde até há quem queira ser adoptado por extraterrestes. Onde é melhor manter as crianças sempre fechadas em segurança, mesmo que a trepar as paredes. Mas principalmente, onde é preciso "slow down". "Idiot, slow down" diz-nos a música que termina o álbum. E é no fundo a grande conclusão a tirar após saírmos desse mundo e voltarmos ao nosso. Que no fundo, nem é muito diferente... Carreguem no play e deixem-se embrenhar. Desde a semana passada que o álbum teve alta rotatividade no iPod, em modo de preparação para este post, e foi bom sentir que no fundo, ele sempre esteve cá dentro. E parece-me que sempre estará.
Maldito sejas, Eddie Vedder! Arre porra, se há gajo que estou chateado, é com o Eddie Vedder. Na minha opinião, o Eddie é o Einstein da música e passo a explicar porquê. Como todos sabemos, o Einstein, graças à sua bestial inteligência, foi o responsável pela descoberta da bomba atómica que provocou a morte de milhares de inocentes. Efeito semelhante teve Eddie Vedder na música. A quantidade de bandas horrendas (sucessivos massacres musicais) que copiam a tonalidade de voz de Vedder são mais que as mães: " Os sinistros Creed, os merdosos Nickelback, os apaneleirados The Calling e , como todas as sopeiras bem sabem, até o garoto que ganhou os Ídolos tenta lá chegar. Será que conseguem? Claro que não, arre porra. Pensavam que eu ia dizer mal dos Pearl Jam? Ih, Ca Burros! Vamos lá ver uma coisa: Todos que tentam imitar Eddie Vedder não passam de cópias baratas dos ciganos. Porque tentam os palermas? Nunca percebi... O Eddie além de ser um gajo porreiro como o raio, que faz questão de ir surfar a Ribeira de Ilhas quando tem tempo e até ofereceu uma guitarra a um amigo de um amigo do meu primo , é um óptimo escritor de canções como o Tom Petty ou Neil Young. Para dizer a verdade, sempre senti asco pelos idiotas que insistiam em comparar Nirvana com Pearl Jam. Para mim, os dois são basilares no movimento grunge nos anos noventa - tempos em que a música não metia nojo - e cada uma das bandas fez história à sua maneira. Enquanto os Nirvana seguiram uma postura punk e alternativa, à semelhança dos energéticos Mudhoney, a banda Eddie Vedder piscava o olho ao great american rock de Neil Young ou Bruce Springsteen. Tal como os seus ídolos, Eddie Vedder nunca esqueceu as preocupações sociais e isso explica-se no concerto de homenagem a Bob Dylan com uma competente interpretação de "Masters Of War". O seu mestre gostou e nós também. Em relação ao álbum propriamente dito, é bestialmente viciante e dos poucos que não me faz cair na tentação de passar músicas à frente. Sou incapaz de não ouvir o alive até ao fim, o even flow, Jeremy, o black, go, porch ou o raio que vos parta... Resumindo:Arre porra, o álbum é do camandro. Ouvi dizer que o Cobain não gostava dos Pearl Jam, mas também ouvi dizer que o Ingmar Bergman não gostava do Michelangelo Antonionni. O que eu quero dizer com isto é o seguinte: Normalmente os gajos bestiais não curtem os seus pares mas isso deve-se ao facto de serem um bocado marados dos cornos. Entenda-se "marados dos cornos" no bom sentido, como os poetas ou pintores que são génios com pancada. Odeio pontuações chaladas - como os críticos geeks chalados do Ipslon gostam de dar - mas este merece um 9/10 na boa
Um abraço a vocês e ao Cisto que teve um esgotamento.
Dois anos após "Pablo Honey" os Radiohead lançam o seu (sempre difícil para uma banda) segundo álbum, de nome "The Bends". Já eram tempos diferentes, os anos do grunge com quem os Radiohead foram conotados no início já iam longe, e o que vingava agora no mercado era a britpop, nomeadamente a tão proclamada guerra entre os Oasis e os Blur. Mas para quem conseguiu ler (ou, para ser mais preciso, ouvir) nas entrelinhas, o som dos Radiohead diferia destas bandas, para além de uma muito interessante evolução desde os tempos do álbum anterior. Esta evolução verificou-se a nível de utilização de guitarras por parte de Jonny Greenwood (que investiu bastante tempo em experiências sónicas), nas letras e voz de Thom Yorke (nem sempre egocêntricas e mais abrangentes; utilizando falsettos), e resultou de um período de choque no seio da banda, na hora de tomar uma decisão sobre a direcção a tomar, se fugindo do êxito de "Creep", se aproveitando-o ao máximo. O que é certo é que todas estas dúvidas, discussões, indecisões resultaram num grande álbum, que parece conter dois pólos distintos: um mais rock, com riffs e energético, que tem o seu ponto mais alto em "Just" (música que ficou também na memória de todos pelo videoclip inusitado em que todos se deitavam na calçada e nunca ficámos a saber o porquê, se alguém souber que partilhe, para mim continua a ser dos mistérios mais intrigantes de sempre....). No outro lado do álbum encontram-se as baladas excepcionais, a tensão, os demónios que assolam Yorke, mais chegado ao pós-rock. Aqui encontram-se músicas que ouvi em repeat tantas e tantas vezes como "Fake Plastic Trees" (de uma intensidade avassaladora), "Black Star" e "Sulk". E a frase marcante "Immerse your soul in love" da faixa final também fica connosco mais um bom bocado depois de o álbum chegar ao fim.
"The Bends" entra na grande discussão sobre qual o melhor álbum de Radiohead, e diria que dependendo do mood da pessoa e do momento, pode sair vencedor. O que é dizer muito sobre esta banda, produtora de álbuns como "Ok Computer" e Kid A".
Quando "Pablo Honey", álbum de estreia dos Radiohead, chegou às lojas, passou despercebido pela maioria dos consumidores e críticos. Alguns meses antes tinha sido lançado o primeiro single do mesmo, denominado "Creep", música que foi banida da Radio 1 da BBC por ser muito deprimente, e como tal ninguém prestou muita atenção ao álbum no Reino Unido. Conta a história que foi em Israel que as coisas começaram a animar-se, "Creep" começou a ser mais e mais ouvidas, e, quiçá pela relações político-económicas próximas, chegou também rapidamente aos EUA. Quando a banda deu por ela, já o single subia nos charts americanos, derivado do facto da letra ultra-depressiva se enquadrar na fabricada "onda grunge" e sem perder mais tempo lá foram eles dar concertos para terras do Tio Sam. No entanto, muita gente começou a vê-los como one hit wonders, em vários concertos as pessoas iam-se embora depois de ouvirem a música que gostavam. Cantavam "What the hell am I doing here, I don't belong here", apercebiam-se que ser "weirdo" não era assim tão giro, davam meia volta e iam comprar felicidade noutras bandas. Poucos foram os que viram nos Radiohead mais do que "Creep" mostrava. O meu colega de secundário Rui Pereira foi um deles e tanto insistiu que me convenceu - "Pablo Honey" é um bom álbum e os Radiohead tinham ali uma boa base para o futuro. Ouvir hoje o álbum leva-me de volta a esses tempos e sabe bem. Não só por isso, mas também. Músicas como "I Can't", "Blow Out", "Thinking About You", "Anyone Can Play Guitar?" e "Vegetable" acho que merecem atenção. Se não acreditar, nada como carregar no play na barra abaixo e experimentar.
Hoje em dia é impossível separar este álbum do resto da carreira e de todos os álbuns extraordinários que os Radiohead já lançaram entretanto, o que pode dificultar tudo, e facilmente entrar-se em comparativos. Que a meu ver não fazem sentido, uma carreira é mesmo assim, tem um início, meio e fim, e para início, este não é nada, mas mesmo nada, mau.
Elliot Smith lembra-me o melhor (e apenas o melhor) do Lennon. O lamento da guitarra a partir do minuto 2 é do mais bonito que já ouvi (e tão simples).
Com o lançamento de Out of Time, o disco que voltou a pôr o nome da banda nas bocas do mundo, talvez até como nunca o tinha conseguido, os R.E.M. podiam ter feito uma pausa maior ou podiam ter tentado fazer espremer o lado comercial que Out of Time lhes tinha assegurado. Não. A banda de Michael Stipe não perdeu tempo e apenas um ano depois lançou Automatic for the People. As expectativas criadas à volta da banda de Atenas, Georgia eram muito maiores devido ao sucesso de temas como "Losing My Religion" ou "Shiny Happy People", no entanto quem muito esperava acabou por ficar até bastante surpreendido. Não só os R.E.M. melhoraram o lado comercial dando-lhe mais substância como foram mais além ao gravar um disco mais folky com uma atmosfera mais reflexiva sobre envelhecimento, dor e morte. O passar dos anos sobre a banda sente-se e Automatic for the People é, claramente, o último grande disco da banda norte-americana onde consegue aliar a qualidade das letras à qualidade das melodias. Músicas como "Drive", "Try Not To Breathe", "The Sidewinder Sleeps Tonite", "Everybody Hurts", "Man on the Moon" e "Nightswimming" estão entre as melhores músicas de sempre da banda. Um disco que se revela melhor a cada audição. Um dos clássicos dos anos 90.
but you still want to spoil it to prove i’ve made a big mistake” Muscle Museum
Em 1999 andava a ouvir como um louco o Ok Computer dos Radiohead – chegou-me tarde mas chegou-me para ficar rendido. E na mesma altura num zapping pelos canais de música que a parabólica me deixava curtir, dou por mim a ouvir e ver um videoclip daqueles. Foi como um soco no estômago: velhos, novos, gajas boas, gajos pintas, todos eles sorrisos e todos eles choros enquanto avançava uma lenga-lenga na guitarra suportada por um baixo saltitante. Era a "Muscle Museum" do álbum Showbiz dos Muse. E tudo aquilo me soava a Bends e a Radiohead. Comprei o CD e devorei-o até ficar com uma congestão. Sabia-me a Tom Yorke com uns temperos – ainda agora os Muse mantêm esse registo (acho), mas queria sempre mais. E este Showbiz, a estreia dos Muse, tem momentos sublimes, como a "Muscle Museum" ou a "Falling Down" – e nesta o Bellamy consegue cantar como o Jeff Buckley sobre uma chave básica de blues. Não há como não nos rendermos à voz dele. E não há como não nos rendermos à "Unintended", a balada das baladas de uma banda que era indie e que foi puxada para o mainstream porque mereceu. E não fizeram cedências pelo caminho. Apenas apostaram em tornar-se maiores, pujantes, operáticos.
Ao contrário do que muitos pensam, "Ágaetis Byrjun" não é o primeiro álbum dos Sigur Rós. Na realidade, esta banda islandesa formou-se 5 anos antes do lançamento deste álbum, período no qual lançou "Von" e uma colecção de remixes baseada no mesmo, "Von brigði". Mas foi com "Ágaetis Byrjun" que conseguiram atingir, definitivamente, outro nível. Este álbum é de uma beleza sufocante, arrebata-nos constantemente, umas vezes pelos crescendos intensos, outras pela introspecção das suas baladas. Diria que são muito poucos os álbuns que mexem com as nossas emoções como este, sendo que aqui tudo é conseguido sem percebermos uma única palavra do que é dito. Isto porque 2 das músicas são cantandas em Vonlenska ("língua" criada por Jónsi Birgisson, consistindo apenas de sons e fonemas, e que é utilizada pela banda em várias músicas e mesmo em álbuns inteiros) e as restantes em islândes e sinceramente, nem é preciso saber o que é cantado. É desnecessário pela universalidade das emoções que as músicas geram e que nelas estão incutidas. As emoções sentem-se mesmo assim, com esta harmonia perfeita dos vários instrumentos (órgão, violinos, piano, flauta, oboé, baixo, xilofone, entre outros) e voz. O sentimento dominante que me fica de ouvir este álbum é o de ser transportado para um local longíquo, noutro tempo, distante. E agora ainda mais, depois de não ter resistido a ir descobrir esse local, a terra onde esta música é feita, e sentir tudo ainda com mais intensidade porque tudo faz sentido, tudo se conjuga. Andar pelas estradas islandesas, por pequenas aldeias e vilas com nomes impronunciáveis com a música de Sigur Rós no fundo foi uma experiência única e inesquecível, que potenciou fortemente o impacto que esta música tem em mim. E que acho difícil não ter em qualquer pessoa.
O álbum deve ser vivenciado como um todo, pouco importa as músicas, porque a passagem de uma para outra é tão suave que nem se sente, mas na minha opinião o ponto alto chega-nos já perto do fim, na música com o mesmo nome do álbum e que cria uma áurea ao nosso redor e parece que tudo desaparece para ficarmos só nós e a música. E a meu ver esse é o sentimento perfeito, o objectivo final que qualquer músico devia ter.
Duração Álbum 71:51, Editora: Fat Cat/Smekkleysa, Produtor: Ken Thomas
E como recordar é viver, aqui fica um daqueles vídeos que é tão absurdo de tão bom. No início dos anos 90 a MTV era uma estação de televisão a sério. Inocente e sem as formatações e fórmulas que hoje a fazem um canal televisivo insuportável. Nirvana e Smashing Pumpkins num daqueles momentos puros. Aqui fica esse registo.