Passou no comboio da semana passada a 20ª edição do Festival Paredes de Coura. Dos 5 dias de festival estive presente no último, uma estreia absoluta neste festival minhoto, e no qual subiram ao palco principal (e por ordem de aparição) os Ladrões do Tempo, Capitão Fausto, The Go! Team, Dead Combo e Ornatos Violeta. Passaram ainda pelo palco secundário os God is an Astronaut, Best Youth, Memoryhouse, Youthless e ainda, em formato after-hours os Chromatics e Sunta Templeton.
Tenho de começar então pelo mais esperado: o regresso dos Ornatos Violeta. Não vos sei explicar porquê, porque em boa verdade não sei, mas em 1997 e 1999, anos em que saíram os 2 únicos álbuns desta banda, os Ornatos passaram-me ao lado. Claro que ouvi e conheci mas, na altura, não lhes liguei nenhuma. E assim continuei nestes 13 anos seguintes e assim cheguei a Paredes de Coura, no dia em que regressam aos palcos para gaúdio da sua legião de fãs. E no caso dos Ornatos, é legião mesmo, daquelas vestidas com armaduras, capacetes, lanças, arcos e flechas!
Dizer que não se gosta de Ornatos é proibitivo, por isso não o vou dizer, mas arrisco dizer que colocá-los num pedestal sem igual na nossa história musical é exagero. Eu, pelo menos, não o conseguirei fazer. Seja como for, bem vindos de volta, que sejam capazes de provar que este regresso é para manter e não para sobreviver mais uma dezena de anos.
Quanto ao restante cartaz tenho de destacar The Go! Team. Estes ingleses deram um excelente concerto mas, sem qualquer culpa, foi muito mal aproveitado! Estando uma plateia inteira à espera de Ornatos, com vontade também de aplaudir Dead Combo, quem estava lá por The Go! Team? Estranho cartaz.
Dos Dead Combo pouco (ou)vi e dos Ladrões do Tempo ainda menos. A chegada fez-se ao som dos Capitão Fausto. E dos Capitão Fausto há que pensar numa coisa: e se fossem eles a lançar 2 álbuns há 12 anos? Sim, claro, não dá para comparar, mas uma coisa para mim é certa: estes miúdos têm muito talento, são bons compositores e bons executantes. Tenham esse dom a acompanhá-los e escreverão história na música portuguesa!
Última palavra para Sunta Templeton que mais parecia uma Altamont Session! Naturalmente muito bom o set!
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22 agosto 2012
20 agosto 2010
Kimi Djabaté - Museu do Chiado - 19.08.2010
Excelente concerto ontem de Kimi Djabaté no Museu do Chiado. Um concerto onde parece que tudo contribuiu a favor, desde o local escolhido (aquele jardim é de facto um mimo, e é de louvar, como o próprio Kimi fez, o Filho Único por nos proporcionar isto), à hora escolhida (é uma pena que não se aproveite mais este horário de verão para concertos assim ao fim da tarde em espaço ao ar livre) e claro, ao músico em questão. Kimi mostrou-se surpreendido por ver o jardim cheio de gente para o ver, mas justificou bem a presença de todos. Simpatia, à vontade (apesar de se dizer nervoso), e acima de tudo sentimento e sabedoria no tocar da guitarra e do balafon foram as armas que usou para nos conquistar, para conseguir colocar todos a cantar palavras que nem sabemos o que significam, e para lhe darmos as merecidas palmas que ele tanto pediu. Penso que terá convencido tanto quem foi à descoberta como quem já o conhecia e quando é assim nada mais há a acrescentar.
Para descobrirem um pouco mais sobre este músico nada como lerem a excelente reportagem/entrevista sobre ele aqui.
Enjoy!
Para descobrirem um pouco mais sobre este músico nada como lerem a excelente reportagem/entrevista sobre ele aqui.
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08 agosto 2010
Festival SW 2010 - 5 e 6 de Agosto
E pronto. Voltei ao festival Sudoeste, cinco anos depois da última vez que tinha posto o pé em solo festivaleiro alentejano e digo-vos que a experiência foi um todo nada negativa. Primeiro, o tempo que cá estive. Se em 2005 pude ficar durante o festival todo, desta vez só pude estar verdadeiramente durante o primeiro dia, já que no segundo tive que abandonar o recinto durante o concerto de Jamiroquai devido a compromissos profissionais que não este blog.Não há como negar. O Sudoeste é o festival que tem mais procura. Ano após ano milhares de pessoas programam as suas férias para irem 4 ou 5 dias a este festival perto da Zambujeira do Mar, no entanto quantidade não significa qualidade e, em relação ao sudoeste a quantidade é inversamente proporcional à qualidade. Sendo assim e comparando os festivais de 2005 e 2010 em relação a bandas e a ambiente, o que salta à vista é a constante perda de qualidade em relação aos nomes e, sobretudo, ao alinhamento das bandas por dias e por ordem. Senão vejamos:
O cartaz em 2005 tinha estes nomes: Orquestra Imperial, Oasis, Kasabian, Da Weasel, LCD Soundsystem, Hot Chip, Maximo Park, Devendra Banhart, The Thrills, Donavon Frankenreiter, Humanos, Ben Harper, Underworld, Fatboy Slim, Josh Rouse, Peaches, Athlete, Doves, Dinosaur Jr., entre outros nomes mais vistosos mas com menos qualidade como Korn ou Basement Jaxx.
O cartaz de 2010 apenas continha estes nomes de qualidade: The Very Best, The Flaming Lips, M.I.A., Lykke Li, Jamiroquai, Diabo na Cruz, Friendly Fires, Beirut, Peixe:Avião, Mike Patton's Mondo Cane, Air e Massive Attack.
Outro fenómeno que aconteceu na última década na Zambujeira do Mar. Mais de metade de quem vem para este festival não vem pela música mas sim pelos 4 ou 5 dias de suposta festa. Ora essa festa parece ser para os garotos, ou seja, uma espécie de benesse por parte dos seus pais, que muitas vezes até os acompanham. A média de idades deve ser bastante inferior a 22 anos e isso diz muita coisa. Ora, se pouca gente está preocupada com os nomes, até porque o palco Positive Vibes está sempre cheio e ninguém se apercebe quando muda a banda, basta ter uma bandeira da Jamaica e mandar uns beats e está tudo bem, então este festival pode deixar de chamar aquelas 3 ou 4 bandas muito boas pelas quais uma pessoa que realmente gosta de música não quer deixar perder e isso é o que me faz ainda querer, infelizmente, vir a este festival. São bandas desenquadradas deste espírito e que, se soubessem para onde vinham não aceitariam vir.
Pondo aqui os pontos nos is em relação a este festival resta agora fazer a crónica destes dois dias.
Dia 5:O primeiro dia oficial do Sudoeste (o dia anterior é um dia pré-festival com o nome de recepção ao campista apenas com DJ's) era o dia dos q eu podia assistir que mais me interessava. Primeira desilusão do dia. The Very Best e Flaming Lips tocam quase à mesma hora. Com tanta má banda no cartaz e tinham que fazer isto. Decidi ver Very Best até ao fim e depois correr para Flaming Lips. Não me arrependi. O concerto de Very Best deverá, provavelmente, ter sido um dos pontos altos, não só do palco secundário, como de todo o Sudoeste. Um DJ inglês, um vocalista do Malawi e outro da África do Sul, acompanhados de duas dançarinas também elas inglesas, puseram o público a dançar e a saltar non stop durante cerca de uma hora. O ponto alto surgiu, claro está, na música "Warm Heart of Africa", quando os músicos chamaram ao palco uma dúzia de miúdas para dançar, algumas delas a fazerem as delícias da plateia masculina.
Findo o concerto, ainda vibravam os beats africanos nos meus ouvidos, porém era tempo de ir para pastagens mais étereas e surreais com os acordes dos Flaming Lips. A fazer lembrar um Jim Morrison poeta e arruaceiro, Wayne Coyne, líder da banda de Oklahoma, formada em 1983, tentou pegar pelo público (C'mon, C'mon, C'mon motherfuckers foi repetido até à exaustão) mas aquele sítio não era o indicado para mentes tão pouco receptíveis a este tipo de som. Ao bom estilo dos Pink Floyd, os Lips dão concertos-espectáculo interligando sons, imagens, luzes e adereços criando uma atmosfera muito própria. Mereciam outro sítio em Portugal, certamente.
Em seguida M.I.A., feita mitra, veio dar um concerto cheio de batidas. Foi apenas bom. Algumas músicas dançáveis, outras mais sofríveis. Divertiu-se e fez divertir. Groove Armada fechou a noite no palco principal dando a imagem de que uma banda pode criar bons sons de dança de uma forma orgânica e não apenas com um Apple à frente. O primeiro dia estava acabado, restava apenas a tenda de dança com o Dj Rui Vargas mas isso já não era o meu campeonato. Venha a praia do dia seguinte para acalmar os músculos.
Dia 6: Após um belo dia na praia do Malhão, em Mil fontes, vinha a dúvida, ficar umas horas para ver Lykke Li ou voltar para Lisboa. Fiz a decisão, aparentemente, errada mas valeu a pena pelo grande concerto dado pela musa sueca. Entrando mais tarde no recinto, coisa que não gosto de fazer mas que, motivado pelo cartaz tão fraco, era mandatório, deparo-me com James Morrison no palco principal, alguém que há uns anos pensei vir a ser um bom músico. Puro engano, é apenas mais um menino bonito com alguns temas meio orelhudos. Não acrescenta nada de novo. Passou como entrou, despercebido. No palco secundário estavam os portugueses Nu Soul Family que puseram muita gente a pular. Virgul e seus pares são competentes e com bons ritmos, quase tudo orgânico, seja de louvar. Seguiu-se a bonita e sensual Lykke Li no seu vestidinho preto. Com uma parafernália de instrumentos, a banda sueca deu mostras de bom rock, dançavel na maior parte do tempo, incluindo ainda músicas novas. Outro dos momentos altos deste festival, certamente.Infelizmente não dava para mais, a volta para Lisboa seria longa e cansativa e Jamiroquai teria que ficar para outras núpcias. Prometia ser um bom concerto para fim de noite, bem regado com umas cervejinhas. Os Orelha Negra certamente também deverão ter finalizado bem a noite neste segundo dia da Herdade da Casa Branca.
Foi este o Sudoeste para mim este ano, com muita, mas muita pena de não ser possível assistir ao concerto de Beirut, mas penso que será um concerto completamente desajustado do sítio onde será realizado. Esperemos por mais concertos do Sr. Zach Condon em Portugal.
The Flaming Lips:
Jamiroquai:
21 julho 2010
Super Bock Super Rock Super Stress Super Pó
Este é um blogue de música e já lá vou ao que verdadeiramente interessou na edição deste ano do Super Bock Super Rock. No entanto, tudo o que se passou no Meco à parte da música foi mau de mais. Houve pessoas que demoraram duas horas e meia para percorrer os últimos 5 km até chegar ao recinto do festival e duas horas para sair. O local não tem as mínimas condições para receber um festival, que até nem teve tanta gente quanto isso (22 mil pessoas no primeiro dia, 24 mil no segundo e 30 mil no terceiro). Para além disso, a quantidade de poeira tornava o ar irrespirável. Querem que o Super Bock continue no Meco, mas não podemos permitir! É bonito e tem árvores? Quero lá saber! Meu querido Alive, onde vejo os concertos num antigo parque de estacionamento, mas que é um local com todas as condições e acessos para receber um festival...
Vamos à música! Esclarecendo que me foi obviamente impossível assistir a todos os concertos (muitos decorreram ao mesmo tempo) o meu preferido foi o dos Vampire Weekend. Indie-pop refrescante, mostrando que uma banda pode fazer grande música para massas. É natural que cada vez mais gente goste de Vampire Weekend e isso não tem mal nenhum. Os rapazes de Brooklin mostraram como se faz um grande concerto: simples, directo, comunicação q.b. com o público e energia contagiante.
Os Temper Trap já confessaram que um dia sonham ser tão conhecidos como os Coldplay ou os U2. E desta vaga de novas bandas parecem de facto ser dos mais aptos para se tornarem dos preferidos do público "mainstream". O vocalista enche o palco e têm sem dúvida grandes músicas. Também foi um grande concerto.
Numa sonoridade completamente diferente, mais dançável, os Cut Copy também arrasaram. Este foi de resto o festival dos australianos. The Temper Trap, Cut Copy e Empire of The Sun protagonizaram dos melhores concertos. Estes últimos montaram um espectáculo visual fantástico a fechar o festival, misturado com boa música.
Para mim, a grande desilusão do festival foi Julian Casablancas. Ao que parece por culpa de uma indisposição. Segundo nos informou o nosso amigo Dudu, que trabalhou no festival, o vocalista dos Strokes sentiu-se mal, o que levou ao atraso do concerto em 20 minutos, que depois não foi compensado. E apesar de não ter sido um mau concerto, para além de tempo faltou chama.
Quanto a Prince, a principal razão para muitas pessoas terem ido ao Meco, foi o que se esperou. Ele é um entertainer por excelência e mesmo que uma pessoa não seja apreciadora do seu som, acaba por passar um tempo agradável. Foi o que aconteceu.
Para o ano há mais Super Bock! Esperemos que noutro local...
Vamos à música! Esclarecendo que me foi obviamente impossível assistir a todos os concertos (muitos decorreram ao mesmo tempo) o meu preferido foi o dos Vampire Weekend. Indie-pop refrescante, mostrando que uma banda pode fazer grande música para massas. É natural que cada vez mais gente goste de Vampire Weekend e isso não tem mal nenhum. Os rapazes de Brooklin mostraram como se faz um grande concerto: simples, directo, comunicação q.b. com o público e energia contagiante.
Os Temper Trap já confessaram que um dia sonham ser tão conhecidos como os Coldplay ou os U2. E desta vaga de novas bandas parecem de facto ser dos mais aptos para se tornarem dos preferidos do público "mainstream". O vocalista enche o palco e têm sem dúvida grandes músicas. Também foi um grande concerto.
Numa sonoridade completamente diferente, mais dançável, os Cut Copy também arrasaram. Este foi de resto o festival dos australianos. The Temper Trap, Cut Copy e Empire of The Sun protagonizaram dos melhores concertos. Estes últimos montaram um espectáculo visual fantástico a fechar o festival, misturado com boa música.
Para mim, a grande desilusão do festival foi Julian Casablancas. Ao que parece por culpa de uma indisposição. Segundo nos informou o nosso amigo Dudu, que trabalhou no festival, o vocalista dos Strokes sentiu-se mal, o que levou ao atraso do concerto em 20 minutos, que depois não foi compensado. E apesar de não ter sido um mau concerto, para além de tempo faltou chama.
Quanto a Prince, a principal razão para muitas pessoas terem ido ao Meco, foi o que se esperou. Ele é um entertainer por excelência e mesmo que uma pessoa não seja apreciadora do seu som, acaba por passar um tempo agradável. Foi o que aconteceu.
Para o ano há mais Super Bock! Esperemos que noutro local...
19 julho 2010
Super Rock Super Bock 2010
Meco. São onze da manhã. Arranco para Lisboa. A meio do caminho da estrada que liga Alfarim ao cruzamento para Fernão Ferro, não posso deixar de reparar no esqueleto moribundo da” cidade SBSR” cujas estruturas se desmontam a passos largos; na quantidade de lixo acumulado no chão; no ar sujo dos carros; no ar cansado das pessoas que procuram um transporte que tarda em chegar. Apesar disso: tudo calmo. O bosque regressa à sua paz natural.
Um cenário bem diferente das horas precedentes em que uma multidão estimada em 50 mil pessoas (e seus respectivos automóveis) entupiram por completo toda a área que circundava o festival. Eu já vou há mais de 10 anos para o Meco e nunca tinha assistido a nada assim. O trânsito parava à porta de minha casa! Bem no centro da Aldeia! Eram oito e meia da noite.
Solução: ir a pé. 5 Quilómetros nunca antes vistos. Num cenário dantesco, (e a lembrar os melhores filmes de Hollywood sobre catástrofes) em que vi pessoas a abandonar os seus carros no meio da estrada para não perderem pitada do que se passava no recinto do festival. Não os censuro. Mas a Organização, (“A Musica no Coração”) terá de pensar melhor na questão dos transportes quando fizer o “SBSR 2011”. Uma entrada e uma saída, aliada á aflição da GNR (incapaz de sustentar o trânsito) deu num pavoroso caos em que cheguei a ouvir relatos de pessoas dizer que “nem sequer ouviram uma música de Prince” porque o carro simplesmente: não passava!
Mau de mais. Felizmente, o ambiente lá dentro foi melhor. Apesar da constante nuvem de pó (outra questão para o Sr. Montez pensar) que nos atormentava a respiração e a tosse (preta), pode-se dizer que as coisas lá iam andando. Os comes e bebes funcionavam, a venda de tabaco também, as casas de banho mais ou menos e uma enorme vontade de ver o “Sexy Motherfucker” estampada no rosto de todos que lá estavam. Já lá vamos…
Há hora que cheguei ao recinto (quase dez da noite) ainda deu tempo parta ver um pouco da actuação dos “The National”. Um concerto morno e que só deve ter aquecido quem gosta a sério dos autores de “Fake Empire”. De resto, o seu rock introspectivo não é para palcos desta envergadura.
Por isso fui espreitar actuação revivalista da norte-americana Sharon Jones e os seus “Dap Kings”. Um grande concerto que transportou o público para o Teatro Apollo, do Harlem dos anos 60! Com um alargado conjunto de músicos, (a fazer lembrar as ”big-bands” que acompanhavam James Brown ou Ray Charles) a enérgica Jones fartou-se de pular, dançar e sobretudo cantar como se fosse a junção das almas de Aretha Franklin e Tina Turner. “Let´s Get on the Soul Train”, gritava ela. Uma maravilha.
Finda a actuação de “Miss Jones”, foi hora de abastecer o estômago e esperar alguns minutos pela actuação dos australianos, “John Butlker Trio”. Mais um grande espectáculo em que esta banda exibiu que os Blues, Funk, combinados com algumas jams à mistura e um “look” surfista podem ser ingredientes q.b para por uma plateia a dançar. Foram apenas prejudicados pelo facto de actuarem quase á hora de um tal de Prince Rogers Nelson!
Foi um corre-corre até lá abaixo ao palco principal, onde já me esperava o famoso “Símbolo” do “Artista” que dava mote ao inicio do concerto. E sem mais demoras. Lá estava ele, “very funky indeed”, a esbracejar e a dançar como um James Brown e a solar na sua telecaster como um Jimi Hendrix. Um autêntico “showman”. Um mestre na arte de representar emoções através da música.
E apesar de ter novo disco em 2010 (“20Ten”), foi com os velhos êxitos que Prince soube cativar e dominar uma plateia encantada com os seus passos e trejeitos. Tocou de rajada os seus primeiros hits, “1999” e “Little Red Corvette”. Mostrou que a sua “versão” de “Nothing Compares 2U” é melhor que a de Sinnead O´Connor. Gritou por Portugal em “Kiss”. Exibiu os seus dotes de dançarino em “U Got the Look” e pôs o povo todo a cantar um fantástico “Cream…Get on Top”!
Antes de fechar com o épico “Purple Rain”, houve tempo ainda para se ouvir cantar o fado pela voz de Ana Moura que curiosamente não cantou um dueto com Prince, mas fez com que este por momentos assumisse um papel “secundário” de mero guitarrista de Alfama com apenas uma diferença: a guitarra eléctrica. Inesquecível. Uma “lição de mestre” de um artista que finalmente está em paz consigo próprio e com, o público. “Deste Prince”, já todos tínhamos saudades…
Acabado o concerto, instalou-se novamente o “caos” fora do recinto. Filas de trânsito dignas do filme “Woodstock” começaram a tomar forma. Foi um “ver se te avias” monumental. Sorte a minha que apanhei boleia com duas enfermeiras que iam para o Meco. Menos afortunadas ficaram as minhas roupas e a minha garganta: cheias de pó!
Adeus e até para o ano…
Um cenário bem diferente das horas precedentes em que uma multidão estimada em 50 mil pessoas (e seus respectivos automóveis) entupiram por completo toda a área que circundava o festival. Eu já vou há mais de 10 anos para o Meco e nunca tinha assistido a nada assim. O trânsito parava à porta de minha casa! Bem no centro da Aldeia! Eram oito e meia da noite.
Solução: ir a pé. 5 Quilómetros nunca antes vistos. Num cenário dantesco, (e a lembrar os melhores filmes de Hollywood sobre catástrofes) em que vi pessoas a abandonar os seus carros no meio da estrada para não perderem pitada do que se passava no recinto do festival. Não os censuro. Mas a Organização, (“A Musica no Coração”) terá de pensar melhor na questão dos transportes quando fizer o “SBSR 2011”. Uma entrada e uma saída, aliada á aflição da GNR (incapaz de sustentar o trânsito) deu num pavoroso caos em que cheguei a ouvir relatos de pessoas dizer que “nem sequer ouviram uma música de Prince” porque o carro simplesmente: não passava!
Mau de mais. Felizmente, o ambiente lá dentro foi melhor. Apesar da constante nuvem de pó (outra questão para o Sr. Montez pensar) que nos atormentava a respiração e a tosse (preta), pode-se dizer que as coisas lá iam andando. Os comes e bebes funcionavam, a venda de tabaco também, as casas de banho mais ou menos e uma enorme vontade de ver o “Sexy Motherfucker” estampada no rosto de todos que lá estavam. Já lá vamos…
Há hora que cheguei ao recinto (quase dez da noite) ainda deu tempo parta ver um pouco da actuação dos “The National”. Um concerto morno e que só deve ter aquecido quem gosta a sério dos autores de “Fake Empire”. De resto, o seu rock introspectivo não é para palcos desta envergadura.
Por isso fui espreitar actuação revivalista da norte-americana Sharon Jones e os seus “Dap Kings”. Um grande concerto que transportou o público para o Teatro Apollo, do Harlem dos anos 60! Com um alargado conjunto de músicos, (a fazer lembrar as ”big-bands” que acompanhavam James Brown ou Ray Charles) a enérgica Jones fartou-se de pular, dançar e sobretudo cantar como se fosse a junção das almas de Aretha Franklin e Tina Turner. “Let´s Get on the Soul Train”, gritava ela. Uma maravilha.
Finda a actuação de “Miss Jones”, foi hora de abastecer o estômago e esperar alguns minutos pela actuação dos australianos, “John Butlker Trio”. Mais um grande espectáculo em que esta banda exibiu que os Blues, Funk, combinados com algumas jams à mistura e um “look” surfista podem ser ingredientes q.b para por uma plateia a dançar. Foram apenas prejudicados pelo facto de actuarem quase á hora de um tal de Prince Rogers Nelson!
Foi um corre-corre até lá abaixo ao palco principal, onde já me esperava o famoso “Símbolo” do “Artista” que dava mote ao inicio do concerto. E sem mais demoras. Lá estava ele, “very funky indeed”, a esbracejar e a dançar como um James Brown e a solar na sua telecaster como um Jimi Hendrix. Um autêntico “showman”. Um mestre na arte de representar emoções através da música.
E apesar de ter novo disco em 2010 (“20Ten”), foi com os velhos êxitos que Prince soube cativar e dominar uma plateia encantada com os seus passos e trejeitos. Tocou de rajada os seus primeiros hits, “1999” e “Little Red Corvette”. Mostrou que a sua “versão” de “Nothing Compares 2U” é melhor que a de Sinnead O´Connor. Gritou por Portugal em “Kiss”. Exibiu os seus dotes de dançarino em “U Got the Look” e pôs o povo todo a cantar um fantástico “Cream…Get on Top”!
Antes de fechar com o épico “Purple Rain”, houve tempo ainda para se ouvir cantar o fado pela voz de Ana Moura que curiosamente não cantou um dueto com Prince, mas fez com que este por momentos assumisse um papel “secundário” de mero guitarrista de Alfama com apenas uma diferença: a guitarra eléctrica. Inesquecível. Uma “lição de mestre” de um artista que finalmente está em paz consigo próprio e com, o público. “Deste Prince”, já todos tínhamos saudades…
Acabado o concerto, instalou-se novamente o “caos” fora do recinto. Filas de trânsito dignas do filme “Woodstock” começaram a tomar forma. Foi um “ver se te avias” monumental. Sorte a minha que apanhei boleia com duas enfermeiras que iam para o Meco. Menos afortunadas ficaram as minhas roupas e a minha garganta: cheias de pó!
Adeus e até para o ano…
09 julho 2010
Reportagem Festival Optimus Alive 2010: 8 Julho
O “Optimus Alive”é como se fosse um gigantesco “I-Pod”. È só meter lá música e depois cada um escolhe o que quiser. A única diferença é que em vez de darmos ao dedo, damos às pernas, saltitando de palco em palco, de tenda em tenda, chegando ao final do evento completamente esgotados.
Quando os Faith No More encerraram às 2 e 20 da manhã as actividades do palco principal, estavam no recinto perto de 40 mil pessoas. Não esgotou, mas esteve perto. Um dia que ficou marcado pelo sucesso astronómico do evento (talvez “o melhor cartaz de 2010” como dizia nos outdoors) e que só conheceu um único problema chamado: pulseira dos três dias.
Eram 19 e 30, quando aterrei no planeta “Alive” e afila para trocar os bilhetes de 3 dias por uma pulseira eram gigantescas. Um ambiente de cortar dada a morosidade que obrigou a que organização deixasse entrar as pessoas à mesma, sem a pulseira, apenas com o bilhete intacto e com a promessa de deixar o assunto para amanhã (hoje). Fora isso, correu tudo: “melhor que a encomenda”!
Comecei a sessão de “música aleatória” (ou “shuffle” como se diz na gíria do I-Pod) por ir espreitar no palco secundário a actuação de Devendra Banhart. E digo mesmo “espreitar” pois as actuações do palco secundário estava a abarrotar de gente. Só era possível ouvir o autor de “Cripple Crow”, vê-lo nem por isso. Um mar de cabeças e calor humano demasiado grande para um espaço reduzido da tenda “Spuer Bock”. Atrevo-me mesmo a dizer que acho que houve pessoas que nem sequer saíram daqui para não perder as actuações de “Florence and the Machine”, “The XX” ou Calvin Harris. Um festival (indie) à parte, bem longe do ambiente mais “rock” do palco principal.
Neste ultimo, às 19 e 50, hora a que os metaleiros Moonspell subiram ao palco…ainda era possível respirar. Pena foi para a banda de Fernando Ribeiro que o Sol ainda brilhasse lá no alto. Ver um concerto de uma banda desta “caveira”…desculpem “craveira”, ainda à luz do dia é como ver um grande filme de terror à hora de almoço e sem o som da tv ligado. Embora os Moonspell sejam óptimos profissionais e se tenham esforçado, as guitarradas pesadas, a voz vampiresca de Ribeiro e a participação especial da vocalista dos “The Gahthering” não foram suficientes para dar a volta a um concerto que acabou prejudicado: não só pela fraca afluência de público, como pelo facto de estarem desenquadrados do resto do cartaz. Se Dio (homenageado no tema “Alma Mater”) não tivesse falecido e os “Heaven and Hell” tivessem tocado, talvez outro galo cantaria.
O que “cantou” mesmo bem foi umas óptimas bifanas feitas de carne de porco à alentejana, baptizadas com o nome de “Porcas”! Uma refeição bem aconchegante, para andar mais um quilómetro e ir novamente ao “Palco Super Bock” para ver “Florence and the Machine”. Mais uma vez bati com o”nariz na porta”. Tudo cheio até à ponta dos cabelos. Nada como dar meia volta, agarrar numa cerveja e ir ver um dos nomes sonantes da noite: Alice in Chains!
Um excelente concerto, que agarrou o público não só pela interpretação dos temas” clássicos”, como deu a conhecer a muito boa gente o mais recente disco “Black Gives Way to Blue”. Um regresso á forma dos tempos áureos do Grunge, muito explicada pela entrada do novo vocalista William Duvall que canta exactamente (ou parecido) com o falecido Layne Stanley. Por isso não foi difícil agradar, num concerto cheio de boas ”malhas”em que muito boa gente recordou os tempos em que usava as camisas de flanela à pescador.
Acabaram em alta ao som do inapagável “Rooster” que certamente abriu o apetite pós -concerto, pois as filas para os comes & bebes aumentaram exponencialmente após o fim dos Alice in Chains. Meia hora (de bifanas) depois entravam em palco os Kasabian. Grupo britânico que segundo li na Blitz e cito: “banda ideal para que os fãs de Faith No More não esgotem as pilhas antes do momento capital”. O que é bem verdade porque o que os Kasabian fizeram foi um concerto super-morno. Nem quente, nem frio, que só agradou a quem os conhece obra a dentro. Para mim, passaram-me completamente ao lado, tal como o vento frio que agora soprava sobre Algés. Ainda fui lá atrás (mais uma vez) tentar ver alguma coisa dos introspectivos “The XX”, mas desisti de uma vez por todas. Paciência, também não era por eles que estava lá.
À meia-noite e meia a minha razão (e a de milhares) de existência chamava-se: “Faith No More”! Um grande concerto da banda de São Francisco que só não encheu mais o olho porque faltou “We Care a Lot”. De resto foi sublime. Mike Patton continua um agitador de massas, mas desta feita um look menos punk e com um ar de “galã” saído de uma telenovela brasileira passada nos anos 30. Sempre a comunicar com o público em português (abrasileirado) e onde não faltou o humor e o sarcasmo inerentes à sua personalidade: única.
Depois de tocarem os êxitos quase todos (para delírio da multidão) resta agora aos Faith No More aventurarem-se pelo estúdio. Mas como Patton é o homem dos “mil um projectos” sobra pouco tempo para que os autores de “Angel Dust” consigam ter uma carreira a 100%.
Quanto a mim, são duas e meia da manhã, acabei de escutar as últimas notas de o “Caralho Voador”. Já não sinto a voz, os joelhos, nem as pernas, nem os tornozelos, nem nada. A voz está rouca de tanto cantar. È o longo e penoso regresso a casa. Acabou-se o “Alive” para mim. Mas foi sem dúvida: o melhor de todos os que fui! Muito bom.
24 junho 2010
Slash – Coliseu dos Recreios - 23.06.2010
Era meia-noite em ponto, do palco ouvia-se: “Are You Ready to Go to: Paradise City?” Foi a última frase proferida pelo vocalista Myles Kennedy antes de Slash introduzir a música que levaria (um quase esgotado) Coliseu dos Recreios à beira de um ataque de histerismo digno dos melhores tempos dos Guns n Roses!
Em abono da verdade, quem foi ontem ao concerto de Slash foi puramente para vê-lo tocar os “clássicos solos de guitarra” de algumas das músicas mais famosas da sua ex-banda. Duvido muito se o concerto teria o mesmo impacto se Slash e banda não metessem na set-list temas icónicos de “Appetite for Destruction” como o já mencionado “Paradise City”, “Sweet Child O´Mine” ou um muito bem” sacado do baú”: “Rocket Queen”.
Mas foi ao som de “Ghost” novíssimo álbum (homónimo) de Slash que se escutou os primeiros acordes do espectáculo. Lá estava ele, “Mr.” Saul Hudson, uma lenda do Rock, com a sua Gibson Les Pau, gingando no palco como um Keith Richards, solando como um Jimmy Page e exibindo uma atitude “cool” e cheia de exibicionismos tal como um Jimi Hendrix. Slash é um “cromo” de alto a baixo! Já não se fazem “lendas” que toquem os solos como ele.
Ontem foi uma noite “old school”, chamemos-lhe assim. Slash solou, solou (quase orgásmicamente) e…solou até não poder mais, especialmente no tema instrumental de “Godfather”! Myles Kennedy adoptou todos os trejeitos vocais de Axl Rose e de Scott Weiland (conforme a música) e o resto da banda fez o seu papel competente de dar ao público um concerto dos “velhos tempos”.
Não esquecendo os velhos temas dos Guns e dos Velvet Revolver (destes últimos ainda atacaram um excelente “Slither e uma grande balada chamada “Fall to Pieces”), a banda concentrou-se essencialmente nas músicas do disco a solo. A maioria delas não são nada de especial, embora ressalve-se que soam bem melhor ao vivo do que em estúdio. A excepção vai para “By the Sword”( gravado em estúdio com Andrew Stockdale dos Wolfmother) a sobressair acima da média.
Mas o público que estava lá era inteiramente por outros motivos. E antes que o concerto descambasse para o lado errado da noite, Slash lá puxava dos galões do alto do seu “chapéu de cartola” para por toda a gente a cantar ao som de um “Nightrain” ou “Civil War”.
No final ouviu-se uma boa versão de “Communication Breakdown” dos Led Zeppelin. Com Myles Kennedy (mais uma vez) a provar porque é “campeão” do jogo: “Rock Band”. Não falhou um agudo (à boa moda de Robert Plant). Resta saber é se ele passou na “audição” para futura voz dos Velvet Revolver! Quem sabe?
Quanto ao Slash…por momentos não o vejo…ah lá está ele! Deitado no chão, tocando com a guitarra atrás das costas. Sempre a solar até à última nota da canção! Já não se fazem “cromos” assim…
Em abono da verdade, quem foi ontem ao concerto de Slash foi puramente para vê-lo tocar os “clássicos solos de guitarra” de algumas das músicas mais famosas da sua ex-banda. Duvido muito se o concerto teria o mesmo impacto se Slash e banda não metessem na set-list temas icónicos de “Appetite for Destruction” como o já mencionado “Paradise City”, “Sweet Child O´Mine” ou um muito bem” sacado do baú”: “Rocket Queen”.
Mas foi ao som de “Ghost” novíssimo álbum (homónimo) de Slash que se escutou os primeiros acordes do espectáculo. Lá estava ele, “Mr.” Saul Hudson, uma lenda do Rock, com a sua Gibson Les Pau, gingando no palco como um Keith Richards, solando como um Jimmy Page e exibindo uma atitude “cool” e cheia de exibicionismos tal como um Jimi Hendrix. Slash é um “cromo” de alto a baixo! Já não se fazem “lendas” que toquem os solos como ele.
Ontem foi uma noite “old school”, chamemos-lhe assim. Slash solou, solou (quase orgásmicamente) e…solou até não poder mais, especialmente no tema instrumental de “Godfather”! Myles Kennedy adoptou todos os trejeitos vocais de Axl Rose e de Scott Weiland (conforme a música) e o resto da banda fez o seu papel competente de dar ao público um concerto dos “velhos tempos”.
Não esquecendo os velhos temas dos Guns e dos Velvet Revolver (destes últimos ainda atacaram um excelente “Slither e uma grande balada chamada “Fall to Pieces”), a banda concentrou-se essencialmente nas músicas do disco a solo. A maioria delas não são nada de especial, embora ressalve-se que soam bem melhor ao vivo do que em estúdio. A excepção vai para “By the Sword”( gravado em estúdio com Andrew Stockdale dos Wolfmother) a sobressair acima da média.
Mas o público que estava lá era inteiramente por outros motivos. E antes que o concerto descambasse para o lado errado da noite, Slash lá puxava dos galões do alto do seu “chapéu de cartola” para por toda a gente a cantar ao som de um “Nightrain” ou “Civil War”.
No final ouviu-se uma boa versão de “Communication Breakdown” dos Led Zeppelin. Com Myles Kennedy (mais uma vez) a provar porque é “campeão” do jogo: “Rock Band”. Não falhou um agudo (à boa moda de Robert Plant). Resta saber é se ele passou na “audição” para futura voz dos Velvet Revolver! Quem sabe?
Quanto ao Slash…por momentos não o vejo…ah lá está ele! Deitado no chão, tocando com a guitarra atrás das costas. Sempre a solar até à última nota da canção! Já não se fazem “cromos” assim…
10 junho 2010
Terrakota - São Jorge
10 anos de Terrakota!
07 junho 2010
Revisão da matéria dada
O artigo que se segue é um apanhado de alguns concertos que vi recentemente mas cujas fotos não tive ocasião de publicar.
Segue agora, por ordem cronofónica.
(ao clicar numa qualquer foto, abre o slideshow, noutra janela, e em maior qualidade)
Gil Scott-Heron na Aula Magna.
Um momento quase histórico. Depois de andar em ruas mais obscuras, Gil Scott-Heron está de volta, tem um disco novo, e quero acreditar que vai ter mais discos novos nos próximos tempos. A vinda dele a Portugal, para um concerto íntimo na Aula Magna, foi também uma revisão da matéria dada. Tocou algumas músicas novas, e outras mais antigas, e trouxe consigo uma formação que incluía uma teclista, um percussionista e um animador de hostes/tocador de harmónica. Ele, Gil, tocava piano, cantava, palrava, e às vezes tentava lançar piadas. A formação que estava em palco não dava para grandes desvarios, e à falta de uma bateria e um baixo, deu um concerto mais espiritual, a buscar bastante ao blues e jazz de ambiente de fumo. Mais que um grande concerto, foi uma bela ocasião, para ver uma lenda viva.
Grizzly Bear no Coliseu de Lisboa.
Outro grandioso momento. Uma das maiores banda de hoje em dia, no que à pop diz respeito. São uma banda consistente, que já toca junta há alguns anos. São sublimes, pode usar-se esse adjectivo tão forte, são sublimes na forma de fazer música. São arquitectos musicais, e cada música é uma construção eficiente, em que cada elemento sonoro é lá posto com toda a cautela, não há nada fora do lugar. Na forma de fazer música, e de fazer a música soar tão musical e melódica, são sublimes.
Quanto aos sentimentos e sensações que provocam com a sua música, são magnânimos. E uso aqui magnânimos no mesmo sentido e na mesma proporção em que essa palavra pode ser aplicada aos Arcade Fire. A música dos Grizzly Bear tem magnitude e parece-me que, tal como os Arcade Fire ou os Radiohead, vai deixar marcas na história da música. O concerto (para gente que estava sentada) no Coliseu foi estrondoso, até porque era a primeira vez deles cá, e acho que quiseram dar o melhor. Em Julho, voltam, num registo para gente em pé, no Super Bock Super Rock.
A Naifa no Castelo de São Jorge.
Não quero ser repetitivo, mas creio que começo por escrever que este concerto também foi um grande momento. Aliás, foi uma grande experiência.
O Castelo de São Jorge tinha um palco montado (creio que vai ficar assim durante as festas do fado), e uma plateia de cadeiras. O tecto é o céu de uma noite amena de Junho. A Naifa esteve um ano quieta, sem golpear, enquanto lambia os seus próprios golpes, cortes fundos, com a morte do João Aguardela, em Janeiro do ano passado.
Mas depois de um ano de luto, a Naifa volta à luta. E lançou-se por auditórios deste Portugal, com uma série de concertos a tocar as músicas antigas, numa espécie de arrumar a casa, antes de seguir em frente, e começar a construir novas qualquercoisasquesejam. Esta digressão foi um resumo dos primeiros anos da banda, com o Aguardela, para que agora, e depois de o homenagearem de forma subliminar, poderem prosseguir caminho, sem ele.
E pelo que vi em palco, parece-me que este processo de renovação espiritual interior correu bem, e deu à banda novo fôlego para continuar.
Nunca tinha visto um concerto d'A Naifa, e fiquei arrebatado. Guitarra portuguesa, baixo, bateria e voz. Com 4 elementos apenas se escreve a palavra Portugal dantes e d'agora. Não é fado nem música ligeira nem música tradicional, é um bocado de Portugal num barco, a passar por tempestades e cabos das esperanças. A enegria que corre em palco é de uma força arrebatadora. Olhar nos olhos de cada músico que está em palco dá para perceber ou sentir um pouco da energia que ali corre. Não são meninos acabados de sair do conservatório, são Homens e Mulheres, por quem o tempo já passou e - para o bem ou para o mal - deixou marca.
Para adensar a misticidade do concerto no São Jorge, a Naifa convidou Celeste Rodrigues, irmã de outra fadista que está no panteão. A Celeste Rodrigues tem 65 anos de fado, e 356 de vida. E ver uma Mulher destas a cantar canções da Naifa, tem o seu quê de intenso.
Eu não conhecia mais do que 3 músicas da Naifa, mas pelo que vi neste concerto, creio que são uma das minhas bandas preferidas.
Segue agora, por ordem cronofónica.
(ao clicar numa qualquer foto, abre o slideshow, noutra janela, e em maior qualidade)
Gil Scott-Heron na Aula Magna.
Um momento quase histórico. Depois de andar em ruas mais obscuras, Gil Scott-Heron está de volta, tem um disco novo, e quero acreditar que vai ter mais discos novos nos próximos tempos. A vinda dele a Portugal, para um concerto íntimo na Aula Magna, foi também uma revisão da matéria dada. Tocou algumas músicas novas, e outras mais antigas, e trouxe consigo uma formação que incluía uma teclista, um percussionista e um animador de hostes/tocador de harmónica. Ele, Gil, tocava piano, cantava, palrava, e às vezes tentava lançar piadas. A formação que estava em palco não dava para grandes desvarios, e à falta de uma bateria e um baixo, deu um concerto mais espiritual, a buscar bastante ao blues e jazz de ambiente de fumo. Mais que um grande concerto, foi uma bela ocasião, para ver uma lenda viva.
Grizzly Bear no Coliseu de Lisboa.
Outro grandioso momento. Uma das maiores banda de hoje em dia, no que à pop diz respeito. São uma banda consistente, que já toca junta há alguns anos. São sublimes, pode usar-se esse adjectivo tão forte, são sublimes na forma de fazer música. São arquitectos musicais, e cada música é uma construção eficiente, em que cada elemento sonoro é lá posto com toda a cautela, não há nada fora do lugar. Na forma de fazer música, e de fazer a música soar tão musical e melódica, são sublimes.
Quanto aos sentimentos e sensações que provocam com a sua música, são magnânimos. E uso aqui magnânimos no mesmo sentido e na mesma proporção em que essa palavra pode ser aplicada aos Arcade Fire. A música dos Grizzly Bear tem magnitude e parece-me que, tal como os Arcade Fire ou os Radiohead, vai deixar marcas na história da música. O concerto (para gente que estava sentada) no Coliseu foi estrondoso, até porque era a primeira vez deles cá, e acho que quiseram dar o melhor. Em Julho, voltam, num registo para gente em pé, no Super Bock Super Rock.
A Naifa no Castelo de São Jorge.
Não quero ser repetitivo, mas creio que começo por escrever que este concerto também foi um grande momento. Aliás, foi uma grande experiência.
O Castelo de São Jorge tinha um palco montado (creio que vai ficar assim durante as festas do fado), e uma plateia de cadeiras. O tecto é o céu de uma noite amena de Junho. A Naifa esteve um ano quieta, sem golpear, enquanto lambia os seus próprios golpes, cortes fundos, com a morte do João Aguardela, em Janeiro do ano passado.
Mas depois de um ano de luto, a Naifa volta à luta. E lançou-se por auditórios deste Portugal, com uma série de concertos a tocar as músicas antigas, numa espécie de arrumar a casa, antes de seguir em frente, e começar a construir novas qualquercoisasquesejam. Esta digressão foi um resumo dos primeiros anos da banda, com o Aguardela, para que agora, e depois de o homenagearem de forma subliminar, poderem prosseguir caminho, sem ele.
E pelo que vi em palco, parece-me que este processo de renovação espiritual interior correu bem, e deu à banda novo fôlego para continuar.
Nunca tinha visto um concerto d'A Naifa, e fiquei arrebatado. Guitarra portuguesa, baixo, bateria e voz. Com 4 elementos apenas se escreve a palavra Portugal dantes e d'agora. Não é fado nem música ligeira nem música tradicional, é um bocado de Portugal num barco, a passar por tempestades e cabos das esperanças. A enegria que corre em palco é de uma força arrebatadora. Olhar nos olhos de cada músico que está em palco dá para perceber ou sentir um pouco da energia que ali corre. Não são meninos acabados de sair do conservatório, são Homens e Mulheres, por quem o tempo já passou e - para o bem ou para o mal - deixou marca.
Para adensar a misticidade do concerto no São Jorge, a Naifa convidou Celeste Rodrigues, irmã de outra fadista que está no panteão. A Celeste Rodrigues tem 65 anos de fado, e 356 de vida. E ver uma Mulher destas a cantar canções da Naifa, tem o seu quê de intenso.
Eu não conhecia mais do que 3 músicas da Naifa, mas pelo que vi neste concerto, creio que são uma das minhas bandas preferidas.
19 maio 2010
Metallica - Pavilhão Atlântico - 18.05.2010
Os Metallica são uma instituição. Então em Portugal eles são quase uma religião. Ontem perante um Pavilhão Atlântico (transformado em “Catedral de Metal”) a transbordar pelas costuras, os” fieis“ metaleiros gritaram, cantaram, “mosharam” e veneraram todos os acordes, todos os riffs, todas as batidas, todos os solos e letras da maior banda de Heavy Metal do Mundo.
E não é caso para menos, desde a última vez que os vi ao vivo (há dois anos no Rock in Rio) a banda pareceu ganhar uma nova alma com este “Death Magnetic”. Uma espécie de regresso à forma dos velhos tempos e o primeiro bom disco desde o longínquo “Black Album” a reunir o consenso dos fãs mais ferrenhos.
E foi precisamente ao som de “That Was Just Your Life”( tema que abre este último disco) que os Metallica apareceram em palco. Eram 21 e 45 e o Pavilhão quase que ia abaixo. Não só com a reacção esfusiante do público, como pelo som carregado de decibéis (a mais) que arruinou o primeiro quarto de hora do concerto. È lamentável que as pessoas tenham que pagar para ver grandes bandas com um som tão sofrível como este.
Se a audição não era lá grande coisa (a voz de Hetfield parecia um eco gigantesco a deslizar pelo Atlântico, enquanto que as guitarradas eram abafadas pela bateria de Ulrich), visualmente o concerto era compensado por um palco 360º, muito usual nos concertos americanos dos Metallica, mas nunca visto em Portugal. Tudo para grande regozijo dos músicos (este formato dá-lhes maior amplitude de movimentos) que brindavam a plateia dos mais diversos ângulos.
Após mais uma demonstração “decibélica” com “The End of The Line”, Hetfield dirigiu-se pela primeira vez ao público Lisboeta anunciando um “clássico”: “Ride the Lightning”! Uma das melhores músicas da fase Trash (1983 – 1988) e que pôs os fãs mais “old School” ao mosh e com um sorriso na boca! A viagem ao passado seguiu-se ao som de “Through the Never” do “Black Album”. Um tema que nos meus 6 concertos de Metallica, pouco me lembro de alguma vez o ter escutado ao vivo. Aliás, em abono da verdade o espectáculo de ontem deve ter sido o que mais me surpreendeu a nível do alinhamento, não só pelas músicas de “Death Magnetic” (as demolidoras “Broken, Beat and Scared” e “My Apocalypse”), como também pela escolha em tocarem “clássicos do baú” como “The Four Horsemen” ou “Phantom Lord” do primeiro LP: “Kill Em All”!
Apesar do ambiente de celebração e das condições sonoras terem melhorado à medida que o PA do grupo se instalava nos monitores, chegou a homenagem da noite. O ex-vocalista dos Black Sabbath, Ronnie James Dio, falecido no domingo passado não foi esquecido e o grupo dedicou-lhe “Fade to Black”. A frase “…But Now He´s Gone” fez tanto sentido naquele momento que chegou a arrepiar.
“Vocês querem Heavy”? Perguntava Hetfield antes de introduzir “Sad But True”, o primeiro de uma série imparável de clássicos e êxitos que levou o Atlântico à euforia. Lá vieram as as habituais explosões pirotécnicas do épico “One”; os coros magistrais de “Master of Puppets”; a fúria de “Battery”; a calmaria de “Nothing Else Matters” e o delírio comercial de “Enter Sandman”.
Para os encores, mais uma boa surpresa: a cover de “Stone Cold Crazy” dos Queen! A finalizar o habitual “Seek and Destroy”. Nesta altura voam balões, canta-se os parabéns ao filho de Hetfield, grita-se por Portugal e bebe-se muita cerveja. O recinto mais parece um baile de “Sto. António” do que o “Ritual” exibido duas horas antes. A banda agradece põe a bandeira de Portugal ao pescoço e Lars pergunta: “"should Metallica play in Portugal every year?” A resposta é um estrondoso sim, mas…não no Atlântico!
16 maio 2010
Mazgani - Santiago Alquimista - 06.05.2010
Mais um bom disco português a sair em 2010.
O luso-iraniano Shahryar Mazgani lançou há pouco tempo Song of Distance, o segundo álbum, e apresentou-o ao vivo no Santiago Alquimista.
O disco foi gravado no campo, "entre caminhos de cabra e olivais", mas podia ter sido no Alabama, ou num estado norte americano do interior.
Este disco confirma Mazgani como um dos artistas nacionais mais conscientes do seu rumo e identidade - algo como Rock espiritual musculado. As músicas têm força, principalmente ao vivo - além de ser um frontman com atitude, Mazgani tem consigo grandes músicos.
E de megafone em riste, Mazgani espalha a mensagem.
30 abril 2010
Sonic Youth - Coliseu - 22.04.2010
Bem melhor foram os caracóis (e coletas) na tasca dos Restauradores, em molho quase perfeito, devidamente acebolado, e com bichos escorregadios, não muito idosos. A fragrância de mofo foi aceite por todos como fazendo parte do preparado. Um empregado atrapalhado que perdeu a conta às imperiais. Uma discussão que opôs o capitalismo ao socialismo. Fulanos de barba e poucas gajas. Em resumo, Lisboa.
Depois os outros chegaram ao palco e, à semelhança do concerto de 2005, descarregaram ali o álbum mais recente, neste caso The Eternal, de uma maneira que diria limpinha. Canções com princípio meio e fim. Em duas delas introduziram um pouco da sua divagação sónica esperada pelos fãs. Mas algo ali começou a soar-me errado. Pelo meio meteram um Schizophrenia, que apenas aumentou a minha desconfiança em relação às outras músicas, por acção do contraste. Ao fim de pouco tempo, saíram do palco. Lembrei-me novamente do outro concerto, e da grandeza das composições do Murray Street. Esse álbum pode ser tocado em repeat durante um ano que não cansa quase ninguém e ao vivo tem algo de épico.
Os encores que se seguiram sem grandes surpresas recaíram nos álbuns dos anos 80, belíssimamente com The Sprawl, Across the Breeze e sobretudo Death Valley 69, a música marada de que todos gostam.
Deu-me a sensação de que as músicas tiveram todas um ponto final. Tal como o concerto teve 3 parágrafos. Mas não foi isso que me fez fascinar com os Sonic Youth in the first place.
Alguém imagina daqui a 20 anos eles tocarem o Malibu Gas Station?
14 abril 2010
Blood Red Shoes - Santiago Alquimista - 11.04.2010

Depois da boa recepção em Paredes de Coura, o duo britânico "Blood Red Shoes", voltou ao nosso país.
Na bagagem, tinham o novíssimo "Fire Like This", editado em Março, e desde já, um bom pretexto para me deslocar até ao bar concerto no cu de judas aka Santiago Alquimista.
Antes que apareçam criaturas estranhas como o meu amigo Cisto (que gosto muito), a ladrar a torto e a direito que a banda soa a nada de novo, fiquem sabendo que gosto da sonoridade desta banda. Injustamente comparados com outros duos rapaz-rapariga como os White Stripes ou The Kills, têm um flavour 90s bastante apetecível: Não foi por acaso que foram escolhidos pelas Breeders para uma tourné...
Apesar do duo ser ainda bastante novo, demostra ter uma maturidade musical como ficou provado em grandes malhas como Its Getting Boring By The Sea ou I Wish I Was Someone Better.
Steve Ansell é carismático na bateria, em constantes homages ao Keith Moon, e Laura-Mary - capaz de fazer uma erecção a um morto - tem unhas que cheguem para a sua stratocaster.
Estes garotos vão longe. Podes tocar à vontade na minha Stratocaster, Mary ♥
12 abril 2010
Orphelia - Yuri's Night [IST] - 12.04.2010
Era uma vez um russo, Gagarine, que foi ao espaço a 12 de Abril de 1961. Depois disso, já numa era mais moderna, decidiu-se homenagear esta primeira ida de um humano ao espaço e mais além, e desde há uns anos, celebra-se no mundo todo a Yuri's Night. Este ano, e em Portugal, a Associação de Estudantes do Técnico promoveu conversas, debates e outras actividades, como música. Pediram a 2 bandas para comporem músicas, inspiradas na viagem espacial do sr. Gagarine.
Os Orphelia são uma banda de Lisboa, boa gente, com boas influências. Perante este convite, decidiram compor uma peça de 20 minutos, e que não podia ser mais adequada ao tema. Durante aqueles 20 minutos, estive bastante perto de Oberon, Miranda e Titania.
Um projecto a ter em conta nos próximos tempos.
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08 abril 2010
Foge Foge Bandido - Aula Magna - 08.04.2010
O maior artista português da nossa geração.
Manel Cruz é um poço criativo, e canta bem. É um tipo relativamente humilde, meio bicho do mato, que se esconde (talvez demasiado) atrás da sua música e das máquinas com que fabrica o seu som.
Na Aula Magna, apresentou praticamente o disco todo - o duplo O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que Estraguei. Cada um dos discos tem 40 faixas (embora nem todas sejam canções), e por isso o concerto tem de ser necessariamente comprido. Houve quem se queixasse de ser demasiado longo, mas na opinião deste escriba não foi aborrecido.
Ele já cá tinha estado, no ano passado, no São Jorge cinema, mas agora trouxe o espectáculo mais bem oleado, com uma banda versátil, com bons músicos, que foram capazes de tocar ao vivo as músicas, que no disco parecem ter sido preparadas em laboratório, com uma imensidão de sons meticulosamente sobrepostos. Talvez este tenha sido o melhor concerto do Bandido enquanto bandido, exactamente porque é difícil tocar ao vivo aquelas músicas, e elas foram tocadas, por instrumentos, e só raramente com samples, e desta vez tudo saíu de forma orgânica, não soou estranho toda aquela camada de sons e barulhos.
Em termos criativos, o Bandido continua a mostrar que sabe escrver letras como poucos. E põe esses poemas cá fora em forma de canções, que não se enquadram num estilo definido, antes, definem um estilo - o do Bandido.
Esta aparição do Manel Cruz em Lisboa volta a colocar na opinião pública (mais do que o PEC, o TGV ou a vinda do Papa) o regresso dos Ornatos Violeta.
O Manel Cruz não parece muito inclinado para esse lado - prefere estar sempre a olhar para a frente, a pensar em novos projectos, e nem se sabe se vai haver continuação do projecto Foge Foge Bandido, talvez apareça aí com outro projecto.
Mas é incontornável não pensar e desejar um regresso dos Ornatos. Foi agora anunciado que vai ser feito um documentário sobre eles, a estrear em 2011. Quando o Manel tocou, no concurso Termómetro, em Lisboa, no início do ano, mal tocou os primeiros 2 acordes de Capitão Romance, o público teve um orgasmo conjunto. Ninguém ficou satisfeito com o fim dos Ornatos, todos queremos ver e ouvir mais, e eles têm muito para dar. Não parece que voltem a juntar-se, nem tão pouco a criar coisas novas. Mas um concerto, num Coliseu dos Recreios, já saciava muitos apetites.
Midlake - The Bowery Ballroom - 07.04.2010
Não estando a escrever nas melhores condições psíquicas nem psicológicas nem muito menos sóbrias, o relato de hoje poderia ser tudo menos o verdadeiro. Não entanto não vos vou defraudar. O que presenciei hoje foi mais um exemplo do que a América ainda tem para nos oferecer. O som dos Midlake tal como foi referido há alguns meses, é absorvente. Não nos deixa indiferentes e cada música é uma espécie de capítulo numa longa história. Mas comecemos pelo prelúdio. Como primeira parte desde concerto surgiu um nome desconhecido. John Grant. Rapaz de barbas longas acompanhado pelo seu piano e por alguns amigos. Barbudos também. John e seus compinchas musicalmente são muito bons, liricamente Grant é um comediante. A sua música e letras são contradições que penso nunca ter assistido recentemente. Grandes músicos, grandes arranjos e letras relativamente patetas e cómicas conseguiram fazer aparecer reacções diferentes do público. Foi bom. Foi mau. "Queen of Denmark" é o nome do disco. Oiçam-no.
Os Midlake estavam logo ali a seguir. E foram tão ou melhores que na audição dos discos. Por eles os anos 80,90,00 e 10s não passaram. os setentas estão lá e que bem que estão. Não lhes tirem isto. Há coisas que a cultura americana tem de tão positivo que muita gente não percebe. Eles podem ter fórmulas para tudo mas a música contemporânea nasceu neste novo mundo e para este há de voltar sempre, mesmo que se refine no Reino Unido. A imagem que fica deste concerto é esta: Uma bateria, um baixo e 5 guitarras a ondular pelo folk-rock. Sete indivíduos a encher um palco e uma plateia. O público, novo e velho, agradece. Nós também.
06 abril 2010
Lisa Germano e Phil Selway - CCB - 06.04.2010
O baterista dos Radiohead vai lançar um disco a solo. Escreveu uma data de canções, em que canta e toca guitarra. Tem a companhia de algusn amigos, nomeadamente Lisa Germano, e apresentou algumas músicas neste concerto. Lisa Germano também tocou alguns temas seus.
O concerto no Pequeno Auditório do CCB foi uma bela ocasião para levar uma caompanheira feminina, que se esteja a tentar engatar, mas nesta caso, não na esperança que rolassem beijinhos ou outros carinhos. Um homem apenas podia esperar que ela encostasse a cabeça no nosso ombro e dormisse uma sesta. Pouco mais.
O Phil Selway fará melhor se continuar só como O baterista dos Radiohead.
02 abril 2010
Heavy Trash/Legendary Tigerman/Bloodshot Bill - Lux - 31.03.2010
No entanto, o dia muito pouco primaveril de 31 de Março foi ávido em boas surpresas: Depois de sair banzado do cinema com o filme "Tony Manero", uma quase obra prima, desloquei-me até ao Lux para uma noite de pura bonanza Rock Rolleira.
Nunca tinha visto Jon Spencer ao vivo, uma lacuna grave eu sei, e estava expectante em relação ao recente projecto do mentor dos grandes, dos enormes, dos orgásmicos "Jon Spencer Blues Explosion Band".
Passava pouco das dez da noite quando entra em palco a one band de Bloodshot Bill.
Eu cá gostei da onda old school rockabillie deste senhor, sempre a pentear a sua longa franja com gel, que manteve as minhas solas dos sapatos bem activas.
O senhor que se segue, Legendary Tiger Man, mostrou que vale a pena acreditar neste país periférico à beira mar plantado.
Destaco a música final "Big Black Boat", interpretada de forma superior, e onde houve lugar para de tudo um pouco: Rock apunkalhado, slide guitar e até noise guitar extravaganza "a la" Sonic Youth.
Finalmente, ainda antes da meia-noite, entraram em palco os Heavy Trash de Jon Spencer.
Spencer, um autêntico Elvis on Acid, deu o litro, para não dizer "litradas".
Rodeado por uma banda de exímios executantes - magistral o trabalho do contrabaixo e vozes de suporte -, levaram-nos até ao Mississippi com alguns momentos psicadélicos, experimentais e, por vezes, de energia punk.
A forma como Jon Spencer consegue agarrar as raízes do blues para as transformar, deixa-me de sorriso nos lábios.
Nesta noite tivemos de tudo um pouco: blues, rock, punk e uma entrega total de grandes e sinceros músicos.
O final foi apoteótico. Jon Spencer junta-se ao público e com todos sentados no chão discursa sobre a importância do rock e do amor.
Só mais uma coisa: O Nando, o amigo do Ico, devido à excitação do concerto, perdeu a carteira. Se alguém encontrou a carteira, por favor comunique ao altamont...
25 março 2010
Tangerine Dream - Coliseu - 25.3.2010
Concerto de 3 horas (para os resistentes), com um Coliseu a 25%.
Uma banda que já terá sido grande e importante, mas já não estamos nos anos 70.
O Coliseu foi mal escolhido para este concerto, demasiado grande e com demasiadas cadeiras vazias.
Um cocktail de drogas ajudaria a suportar melhor esta actuação..
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