9.2.10

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LICHENS
Mais uma vez a ZDB mostra porque é, realmente, uma das melhores casas de concerto em Lisboa. Não só tem uma boa localização e bom ambiente como traz, quase sempre, grandes músicos a preços irrisórios. Amanhã, dia 10, às 22h, é a vez de Lichens, pseudónimo para Robert A. Lowe. Este músico traz consigo na bagagem um projecto experimental com ambientes hipnóticos e psicadélicos com uma grande carga de improviso. Não será apenas mais um concerto. A não perder. Aqui fica um excerto de um concerto em Paris.

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KATE NASH
Confesso que não sou grande fã de covers, acho-as ou demasiado presas ao original ou então demasiado desconstrutivas, perdendo-se a essência da mesma. Além de que o original é, quase sempre, melhor que covers. Aqui o caso confirma a regra, o original é melhor, no entanto, há qualquer coisa na voz e piano desta senhora, Kate Nash, que acrescenta uma doçura à música dos Arctic Monkeys. De valor.

Este é um post à parte. À parte porque Joseph Spence não só não é reconhecido como alguém importante na história da música tradicional americana como aliás não é sequer americano.
Spence nasceu nas Bahamas em 1910. Tocava guitarra apesar desse não ser um instrumento muito popular lá nas suas bandas. Algures na sua vida foi contratado para ir alguns meses trabalhar nos campos de algodão no sul dos Estados Unidos e foi lá que tomou conhecimento com a música tradicional americana que se tocava pelo Mississippi, ragtime, blues, folk, etc. Voltou às Bahamas convencido que iria conseguir reproduzir aquelas melodias que tinha na memória, e apenas na memória, e instintivamente influenciado também pelos ritmos caribenhos foi desenvolvendo um estilo musical muito particular que o musicólogo folk Samuel Charters registou pela primeira vez no alpendre da casa do músico em 1958. Tinha a guitarra sempre afinada em Ré e em relação aos grunhidos e murmúrios que tornam qualquer música sua uma experiência senão única ao menos estranha, há quem diga que o fazia por não saber escrever letras e tentar simplesmente imitar as vozes dos músicos do Mississippi ou então por ter sempre um cachimbo na boca que o impedia de cantar propriamente. Mas cá para mim é um estilo e pronto.
Eu não queria incluir este tipo tão cedo nesta rubrica uma vez que falta apresentar tantos músicos mas a verdade é que Spence apenas me foi dado a conhecer no concerto da semana passada de Elijah Wald na Culturgest e fiquei em êxtase e quis partilhar esse êxtase pois é um êxtase muito fixe daqueles à antiga quando conhecíamos aquelas bandas novas e agora pensamos sempre que já não vamos conhecer nada de novo mas depois ouvimos uma ópera de Wagner com 150 anos e ficamos em êxtase e é bom. Pelo menos para mim.

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OH NO ONODa Dinamarca chega-nos uma daquelas bandas que, provavelmente, vai dar algo que falar. Originários de Aalborg, os Oh No Ono começaram a dar os primeiros passos em 2003, acabando por lançar o seu primeiro disco de originais em 2006 de seu nome Yes. Uma alusão à palavra que fez Lennon se enamorar da artista japonesa. No entanto acabou por passar completamente despercebido. Três anos mais tarde chega-nos, agora, o sucessor, Eggs, gravado em estúdios e igrejas mas também em florestas, praias e fábricas abandonadas, que contêm uma atmosfera que podia ser usada em filmes de Tim Burton, por exemplo. Aqui fica "Swim".

Altamont @ Radar

Caros leitores, seguidores, visualizadores e afins,

Queria aqui anunciar que (e perdoem-me a mudança para o inglês, mas soa-me melhor), "My time has come!". Serei o responsável de cozinha de um bolo cuja receita será transmitida pela Radar no próximo sábado, dia 13 Fevereiro, às 17h (com repetição no domingo da semana seguinte, dia 21 Fevereiro à mesma hora). Acho que a grande maioria deve conhecer a rubrica "Hora do Bolo" da 97.8, mas para quem nunca tenha ouvido falar, trata-se de um programa semanal de uma hora com músicas escolhidas por um ouvinte. Podem seguir o programa na rádio ou online, no próprio site cujo link deixei ali acima. Posteriormente tentarei partilhar aqui a emissão, com a playlist por mim escolhida.

Enjoy!
Para algumas pessoas mais distraídas, Owen Pallett poderia surgir como um artista novo, que lança agora em 2010 o seu primeiro álbum. Nada mais longe da realidade, afinal de contas Pallett já aí anda a agitar o universo musical há uns bons tempos, e em várias frentes. Por um lado, a solo, sob a designação de Final Fantasy, com a qual lançou 2 álbuns, "Has a Good Home" (2005) e "He Poos Clouds" (2006), sendo este último o que chamou mais atenção sobre si. No entanto Pallett teve de abandonar o nome/alter-ego Final Fantasy por conflitos de direitos com uma empresa que tem um jogo de consola/PC com o mesmo nome e é esse o motivo que leva a que este "Heartland" seja assinado em nome próprio.
Por outro lado, como contribuidor em vários álbuns marcantes desta década, tais como "Funeral" e "Neon Bible", ambos de Arcade Fire, "The Flying Club Cup", Beirut, "The Age of The Understatement", Last Shadow Puppets, "Yellow House", Grizzly Bear, entre outros. Em todos estes Pallett contribuiu com arranjos para cordas e/ou orquestração, o que demonstra bem a sua elevada capacidade de se desdobrar, que já vem desde os 13 anos, altura em que escreveu a sua primeira composição musical. Para além de tudo isto é também membro da Orquestra de Vancouver, onde mantém intacta a sua formação na escola da música clássica.
Dediquemos pois, alguma atenção a este "Heartland". Primeiro que tudo, o conceito; segundo Pallett, as músicas que constituem o álbum são todas monólogos de um personagem chamado Lewis, um agricultor ultra-violento, que vive num mundo chamado Spectrum, monólogos estes dirigidos ao seu criador, que não é mais que o próprio Owen Pallett. Estranho? Alienado? Um pouco de cada, pois, e a música encaixa também nesta descrição. Mas eu adicionaria os adjectivos densa, nebulosa e cheia de diferentes camadas, que só após algumas audições muito atentas poderemos captar. É que a evolução de Pallett do álbum anterior para este é feita em várias frentes, para além dos tradicionais arranjos para cordas temos também instrumentos eléctricos (baixo, bateria), a ajudarem a compôr a sua nuvem de sons, dando-lhe toques mais pop, e ao mesmo tempo mais bem aprumadinhos. É um tipo de música que ou se ouve uma vez e nunca mais, ou entra e depois é difícil de tirar da cabeça. A mim já me está a ficar, sobretudo as músicas "Tryst with Mephistopheles" e "Midnight Directives". Só há uma forma de descobrir qual vai ser o vosso caso, experimentando já aqui em baixo!

Enjoy!

8.2.10


Os Velhos são uma banda nova, que apareceu há pouco tempo, ainda só têm um EP editado, e mais algumas músicas. São da Amor Fúria, Companhia de Discos do Campo Grande, e praticam rock.
E o mais interessante do concerto no Maxime, a 5 de Fevereiro, foi a vasta legião de fãs que esgotou por completo a lotação do cabaret. A grande parte das pessoas que estavam a assistir, e a cantar fervorosamente as músicas e trautear as melodias, eram jovens adolescentes, imberbes, e...betos. Aquilo a que dantes se chamava queques. Uma franja da sociedade que, há alguns anos e quando tinha esta idade, ia sair à noite para o Whispers ou Maria Bolachas, e vibrava com músicas como Let's Get Loud da J. Lo, ou Walking on Sunshine de Katrina and The Waves. Não que isso seja mau, mas só porque isso era um género de pessoas. E agora, esta mesma franja da sociedade ouve rock, e Strokes, e Arcade Fire, e deixa crescer a barba... (não quero ser tido como preconceituoso aqui, só estou a tentar ilustrar como as coisas mudam). As mesmas pessoas que há uns anos olhavam com ar de nojo para bandas como os Strokes, agora sabem as letras todas de cor. E isso é bom.
E o concerto d'Os Velhos foi um interessante mini laboratório social. É um fenómeno engraçado este.

Do ponto de vista musical, os Velhos, tal como a malta que os ouvia, são uma banda jovem, ainda a dar os primeiros passos. Mas têm potencial. Pelo menos, as bases são boas, as influências são boas - não fazem de certeza música inspirada em Jeniffer Lopez. Têm energia, têm muito por onde crescer. E cantam em português, e de uma forma que não sendo genial, não ofende minimamente, e isso é bom. Hoje em dia são muitas as bandas e cantautores a usar o português, e isso é salutar (aliás, hoje ouvir portugueses a cantar em estrangeiro já me faz alguma espécie).
Mas Os Velhos são mais uma banda deste género a aparecer, e isso é sempre bom, quantas mais melhor. Porque eles podem não ser geniais. Em 9 bandas que apareçam, podem ser todas más, mas se a 10ª for muito boa, valeu a pena. Acho que estamos a assistir ao nascimento de uma corrente, na música portuguesa, e por isso, todos os músicos desta nova geração que estão a aparecer, terão pelo menos o mérito de fazer parte da história, de ter desempenhado um papel importante no “partir pedra”.
Daqui a 10 anos completo este artigo...
6.2.10

CARTOON













Keith Richards passou por Porugal e foi ver uma banda indie nacional da editora Flor Caveira


5.2.10


They grow up so fast.
Os Arctic Monkeys tocaram em Portugal, pela 3ª vez desde 2006, e isso foi só há 4 anos.
E hoje, os Arctic Monkeys estão adultos. E há 4 anos, eram simples adolescentes, com jeito para a música, mas não eram mais do que adolescentes, com tudo o que de bom e de mau isso tem. E passados 4 anos e 3 discos, eles tocam em Lisboa, e dão um concerto que é de guardar na memória.
Campo Pequeno todo lotado, com adolescentes e quarentões, tudo em pulgas para ver os Monkeys. Alguns resistiram ao saber que era no Campo Pequeno, raro é o concerto que tem bom som, e isso estraga logo quase tudo. mas desta vez, alguém se esmerou, e o som só não estava mau, como estava muito bom. Não fazia eco, os instrumentos saíam limpos, nenhum se sobrepunha muito aos outros. Lá está, o som bom na sala, melhora logo quase tudo (por isso quse todos os concertos na aula magna são bons).
Mas neste concerto não havia outra hipótese, o som tinha mesmo de estar bom, porque o novo álbum dos Arctic Monkeys, Humbug, tem uma sonoridade limpa, definida. Neste capítulo, tudo correu bem.

A actuação deles em palco, e a pose deles em palco, e a música deles em palco, provou que eles cresceram, amadureceram, fizeram-se homens.
A diferença do último para este álbum é o que cada membro da banda passou. Nestes anos, desde 2007 quando saiu Favorite Worst Nightmare, os putos de Sheffield viveram muito mais do que tinham vivido até aí - enfiados na sua cidadezinha inglesa, sempre sem sol. Neste processo de crescimento de cada um deles, há uns aspectos a destacar. Nomeadamente a música que começaram a ouvir. Por sua iniciativa, e por iniciativa de um jornalista da Mojo, que lhes deu um molhe de discos e lhes disse "vocês têm de ouvir isto". E fez ele bem. Um artista, para ser melhor no que faz, tem de conhecer o que já foi feito.
E com os Monkeys deu-se isso, ouviram Black Sabbath e Led Zeppelin. E deixaram crescer o cabelo. E foram aos Estados Unidos, e gravaram nos estúdios do Jimi Hendrix. E Gravaram com o Josh Homme, algures no Mojave Desert na Califórnia.
E isso, claro, influencia tanto a pessoa como o músico.

Em palco, no Campo Pequeno, estiveram esses músicos e pessoas, mudados, mais velhos, mesmo que ainda tenham 24 anos. E fizeram um concerto memorável - com direito a uma explosão de confettis no fim. Tocaram as músicas novas, mais melódicas e com menos exuberância rock, tocaram as músicas mais exuberantes rock dos álbuns anteriores, mas fizeram-no de forma adulta. Puseram o Campo Pequeno a cantar, a dançar, e em certas alturas, a fazer moche. Têm energia, boas músicas, um atitude discreta (baixo-perfil), e sabem conquistar o público.
São um caso sério, porque o talento musical está lá, e o potencial para crescer, está lá ainda mais. Principalmente se continuarem a ser bem orientados, e se continuarem a encarar a música como encaram - sem grandes preocupações, e cada vez mais comprometidos com o som. Uma grande banda para os anos 10.
Tal como as estrelas, também os seres humanos podem ter a capacidade de brilhar tão intensamente e desaparecer tão rapidamente como apareceram. A história que vos contar começa desta maneira. Em 1946, em Cambridge, Inglaterra, uma criança veio ao mundo. Roger Keith Barrett era o seu nome. Filho de Wynn e Max Barrett, cedo o pequeno Roger tomou contacto com a arte, música e literatura. O seu pai incentivava a isso.Os contos de fadas e o surreal começaram a fazer parte da sua vida. Roger, mais tarde "Syd" teve uma infância relativamente feliz até aos seus 16 anos, altura em que o seu pai faleceu de cancro. Daí em diante, o pequeno génio começou a fechar-se cada vez mais no seu próprio mundo e não mais de lá saiu. Fim de História? Nada mais errado. A história de Syd é a própria história dos Pink Floyd. Por toda a sua existência mesmo apesar de Syd só ter estado fisicamente no primeiro disco da banda inglesa. Poucos anos mais tarde após a morte do seu pai, Syd, juntamente com os amigos da Universidade, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright começaram a fazer aquilo que na altura era chamado de underground. Os seus concertos eram uma orgia para os sentidos. Sons, luzes e experiências visuais começaram a fazer dos Pink Floyd, uma banda de culto no undeground scene de Londres, mais precisamente em clubes como o UFO. Depois de um 1966 em alta, conseguiram contrato para a gravação do seu disco de estreia. Gravando em Abbey Road na mesma altura que os Beatles estavam a gravar Sgt Pepper, Syd Barrett começava já a demonstrar que algo na sua cabeça já não estava bem. Dificuldades em estar concentrado para gravar um disco por completo e incapacidade de tocar os mesmos acordes em takes repetidos, fizeram que os engenheiros de som e produtores subissem paredes. Porém o disco foi acabado e o resultado final agradou tanto que o próprio Paul McCartney quis uma cópia do álbum. The Piper at the Gates of Dawn de seu nome é o disco mais psicadélico e ingénua de toda a discografia dos Floyd. Nunca mais a banda teria esta aura de banda de culto e pouco conhecida, então após o êxito de Dark Side of the Moon nunca mais a banda tocaria em pequenos clubes ou passaria despercebida em qualquer lado. The Piper... é Syd Barrett no seu esplendor máximo. Ele leva a banda por mundos esótericos, espaciais ou surreais. Seja em "Astronomy Domine", "Lucifer Sam", ou "The Gnome". Leva-nos ao mundo infantil em "Bike" e à experimentação psicadélica em "Insterstellar Overdrive". Os Floyd conseguiram encaixar tod o espírito de 66/67 neste disco. Longe ainda estavam as alienações de Waters ou os solos mágicos de David Gilmour, que acabaria por substituir Barrett após este disco. Barrett esse que cada vez mais se debatia com laivos de insanidade e incapacidade de comunicar e estar presente. O fim estaria próximo. Aconteceu após o falhanço de uma tour nos EUA, onde a banda queria fazer impacto. No regresso a Londres, Waters e os outros trouxeram Gilmour para a banda para fazer uma espécie de Brian Wilson/Beach Boys. O génio louco escrevia as músicas mas os outros iam para tournée e Syd apenas faria número com o amplificador desligado. Nem tal foi possível e um dia a carrinha da banda não parou em casa de Syd para o levar para um concerto. Acabava aí a fase Syd. Tão rapidamente como aparecera, a luz de Syd desapareceu sem deixar rasto. Os seus discos a solo são tudo o se conseguiu extrair daquela cabeça genial mas danificada. Anos mais tarde o seu regresso ao mundo Floyd seria tão estranho como breve.

Infelizmente não é de um novo disco de originais do “Sr. Camaleão” que estamos aqui a falar. “A digressão de “Reality” (o último disco de Bowie - já lá vão 7 anos) ocorrida entre 2003/04 e que marca até à data o último “hurrah” de David Bowie em termos de grande produção ao vivo.
Depois disto um silêncio, um exílio musical pontuado por colaborações muito discretas ao vivo (com o “Floyd” David Gilmour na homenagem ao seu ídolo Syd Barrett em 2006) e mais recentemente em estúdio com Scarlett Johanssen. Há quem diga que Bowie se retirou de vez, há quem afirme que está planear um novo regresso já em 2010 ou até mesmo quem lance o rumor que Bowie vai trazer de volta o alienígena Ziggy para encerrar com chave de ouro uma carreira que começou há mais de quatro décadas e que é sem dúvida uns das mais brilhantes de sempre do “Rock n Roll”.
Enquanto nada disto acontece e duvidando que Bowie (com 63 anos) tenha a pedalada suficiente para concretizar algo mais “criativo”, temos este “Reality Tour” que das duas uma: ou é meramente mais um disco ao vivo ou então é um documento histórico precioso que relata a última digressão do autor de discos importantes da história da música como “Hunky Dory” ou “Heroes”.
Não crendo muito acreditar nesta última possibilidade, mas que não se deve pôr de parte, o disco que nos chega em 2010 é talvez o mais completo relato da discografia “camaleónica” de Bowie. Para além das faixas dos mais “recentes” “Reality” (o excelente e eficaz “New Killer Star”) e de “Heathen” (que contêm uma excelente versão de “Cactus” dos Pixies) estão aqui os “clássicos” que alimentaram o mito de personagens emblemáticas como “Thin White Duke”, “Major Tom”, “Alladin Sane” e claro “Ziggy Stardust”.
Destaque para a versão de “All the Young Dudes”, um original de Bowie, mas tornado famoso pela mão dos Mott the Hoople e “Under Pressure” um dos momentos mais felizes da carreira dos Queen.
A conturbada década de 90, mas frutuosa em termos criativos também não é esquecida e é natural que apareçam aqui títulos oriundos do industrial “Outside” (“Hello Spaceboy”) ou do mais alternativo “Earthling” (“I´m Afraid of Americans).
Mas é inevitável que os momentos que toda a gente quer ouvir pertençam à fase de ouro dos anos 70. Bowie revisita “Heroes”, “Changes”, “Life on Mars” e uma espécie de “mini-medley” do icónico “Ziggy” com: “Hang on to Yourself”, “Ziggy Stardust” e “Five Years”.
Surpreendentemente a canção que fecha o disco pertencente à fase mais pop dos anos 80: “China Girl”. Embora aqui a atitude seja mais Rock e mais próxima da versão inicial do seu “ex-companheiro de armas” (Iggy Pop), Bowie não deixa de demonstrar que todas as fases da sua (variada) carreira estão interligadas entre si, independentemente do juízo de valor que se possa emitir de cada uma delas.


Mississippi John Hurt nasceu em 1892 em Teoc, Mississippi, mas cedo a família se mudou para Avalon. Se forem ao link repararão que esta localidade já nem existe. John Hurt aprendeu a tocar guitarra aos nove anos e numa terra onde não há quase ninguém poucas hipóteses existem senão aprender-se consigo próprio, daí ter desenvolvido um estilo muito próprio. Enquanto trabalhava no campo ou nos caminhos de ferros ou onde fosse, Hurt ia tocando nos bailes da aldeia. De vez em quando substituía um músico na banda de um tipo chamado Willie Namour que uma vez teve a oportunidade de gravar para a Okeh Records, onde havia um produtor de nome Tommy Stockwell que levou Hurt a Memphis e mais tarde Nova Iorque para gravar algumas das suas músicas. Acrescentaram-lhe o “Mississippi” ao nome em jeito de marketing. Estávamos em 1928.

Surge a Grande Depressão, a Okeh Records vai à falência, John Hurt volta para Avalon e para o trabalho de campo e por aí fica durante os próximos 35 anos. O sonho fora curto.

Salto para os anos 60. Por esta altura todos os musicólogos de blues e folk andam loucos a tentar localizar os músicos do sul dos Estados Unidos. Alguns deles tentam localizar esta personagem misteriosa que apenas gravou treze músicas mas que ninguém conhece, ninguém sabe de onde vive, com quem tocou, não há uma fotografia, nada. Terão pensado que John Hurt já tinha morrido. Até que em 1963 o musicólogo Tom Hoskins “descodifica” a letra de uma música que contém o verso “Avalon, my home town”. Abre o mapa do estado do Mississippi e nada, será que a terra existia? Apenas a encontrou num atlas antigo. Pegou no seu carro e arriscou a viagem. Por fim lá encontrou o homem, já com 71 anos mas com as cordas ainda afinadas. Trouxe-o para Washington e em 1964 ao chegar ao Newport Folk Festival, Hurt deparou-se com uma plateia cheia de betinhos brancos de Nova Iorque que gritavam pelo seu nome, o pobre homem deve ter olhado para o lado e perguntado “É mesmo por mim que chamam?”, suspeitava lá ele que alguém fora de Avalon o conhecia...

O resto é história mas uma história curta. John Hurt viveu uma breve fama dando vários concertos um pouco por todo o lado, gravando álbuns e até apareceu no programa Tonight Show, mas logo em 1966 viria a morrer de ataque cardíaco. Afinal já não era um jovem.

Neste vídeo perceberão o quão um artista pode ser uma pessoa... simples.



4.2.10

Beirut: Pompeii

Estava para pôr aqui uma das músicas deste EP, mas as duas têm algo de siamesas, de certa forma complementam-se, e são complicadas de separar. Pompeii, um dos 3 EP de Beirut em 2007, apresenta-nos uma melancolia esperançosa, num registo de Zach Condon diferente do habitual.

3.2.10

O propósito deste post é muito simples - proporcionar aos leitores do Altamont fazerem um aquecimento para o concerto de Arctic Monkeys, mais logo no Campo Pequeno. Para tal, nada como clicarem na imagem acima, que vos dará ligação directa à emissão online da Antena3, na qual, a partir das 17h, os Arctic Monkeys farão uma sessão especial acústica.

Enjoy!
Quando em 2003 foi editado o primeiro álbum dos Kings of Leon, o povo americano pareceu não querer saber muito desta banda com ar rafeiro que ia buscar sonoridades aos anos 70 tipo Lynyrd Skynyrd ou Creedence Clearwater Revival. Foi preciso serem os ingleses a descobrirem aqueles que, uns anos mais tarde, acabariam por encher estádios em nome próprio e uma das maiores bandas destes últimos anos. Dois anos após Youth & Young Manhood, uma nova banda norte-americana também acabaria por ser descoberta apenas pelo mercado britânico. De seu nome Archie Bronson Outfit. O primeiro disco, Fur, foi apenas um começo para aquilo que viria a seguir apenas um ano depois. Derdang Derdang, produzido em Nashville por Jacquire King, o mesmo que produziu discos de Tom Waits e Kings of Leon, é aquilo que se pode chamar de rock sujo e bruto com letras de angústia, como são exemplo as músicas "Cherry Lips", "Kink", "Dart For My Sweetheart" ou "Modern Lovers". São 11 músicas quase sempre a rasgar a fazer relembrar a má fama do antigo Rock. Derdang Derdang está, provavelmente, naquela lista de grandes discos que passaram despercebidos um pouco por todo o lado. Nunca irão, certamente, ter o mesmo sucesso que os Kings of Leon mas, se calhar, ainda bem...

2.2.10

Agenda de Fevereiro

E os Arctic Monkeys estão de regresso a Portugal. Os britânicos tocam hoje no Porto e amanhã em Lisboa para apresentarem o mais recente álbum "Hambug". Este é sem dúvida o maior destaque do mês de Fevereiro. Mas hoje também, no LX Factory podemos ver a actuação de Sun O))), um concerto que vale a pena não perder. O segundo mês do ano é também sinónimo do primeiro festival do ano: o Festival para Gente Sentada em Santa Maria da Feira. Nomes como Bill Calahan ou Camera Obscura fazem um cartaz bem simpático. Os outros destaques do mês vão para os Tindersticks que vão dar nada mais nada menos do que 5 concertos, os Australian Pink Floyd Show que regressam para mais dois concertos, Panda Bear que actuará no Lux e os Fiery Furnaces que finalmente se estreiam em Portugal. Um cartaz bem diversificado para este mês que ainda conta com muitos e bons concertos da nova vaga de música portuguesa: Diabo na Cruz, João Coração, Samuel Úria ou os Pontos Negros.

Agenda:

2. Sun O))) - Lx Factory
2. Arctic Monkeys + Mistery Jets - Coliseu, Porto
3. Arctic Monkeys + Mistery Jets - Campo Pequeno, Lx
4. OliveTreeDance - Santiago Alquimista, Lx
5. Fu Manchu - Santiago Alquimista, Lx
5. Tindersticks - Olga Cadaval, Sintra
12. Diabo na Cruz - C.Artes e Espectáculos, Figueira da Foz
12. Panda Bear - Lux, Lx
14. Joss Stone - Coliseu, Porto
15. Joss Stone - Coliseu, Lx
15. Irmãos Catita - Maxime, Lx
18. The Australian Pink Floyd Show - Campo Pequeno, Lx
19. The Australian Pink Floyd Show - Pav.Rosa Mota, Lx
19. Real Estate - Galeria ZdB, Lx
20. João Coração + Samuel Úria - Theatro Circo, Braga
25. The Album Leaf - Santiago Alquimista, Lx
26. Os Pontos Negros - Arcos de Valdevez
26. Fiery Furnaces - Santiago Alquimista, Lx
26. Bill Calahan + Perry Blake - Festival para Gente Sentada
27. Camera Obscura + Dakota Suite + Noiserv - Festival para Gente Sentada



Relacionado #35

MYSTERY JETS
E porque parece que sempre que há uma banda que já tem o peso dos Arctic Monkeys, a primeira parte do concerto é acessório, proponho uma audição dos Mystery Jets que estarão amanhã a abrir para a banda de Sheffield. Aqui fica "Young Love".