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20 outubro 2010

Músicas com História: Altamont

"Isso é tipo para ser Altamente?" Não. O nome deste vosso querido blog não buscou a sua inspiração nessa palavra. Este blog foi buscar o nome a um dos acontecimentos mais marcantes da história dos anos 60. Não. Não foi o Woodstock mas sim o seu primo maquiavélico e malvado. O Festival Altamont, realizado apenas uns meses depois e com um desfecho completamente diferente. Ora então peguem uma cadeira, sentem-se confortáveis porque o que agora vão ouvir (ler) é uma história sobre o início do fim da utopia hippie e dos próprios anos 60 em si. Ora cá vai:

“Please Allow me to introduce myself, I’m a man of wealth and taste...” vociferava um alucinado Mick Jagger enquanto em seu redor, se dava a machadada final, quase literalmente, na geração Paz e Amor. Era o fim da inocência...
“This is the beat generation” afirmava, duas décadas antes, Jack Kerouac ao descrever o seu círculo social. Era o surgimento de uma nova corrente, um estilo diferente, claramente associado aos artistas e escritores boémios e consumidores de droga.
O conceito de Beat Generation era apenas este: liberdade criativa e espontânea. Daqui saíram obras primas como Howl de Ginsberg ou On the Road do próprio Kerouac.
O seu interesse na experimentação, nomeadamente nas drogas e sexo, aliado à confrontação à autoridade influenciaram muitos que sentiram estar aí a resposta, surgindo, nomeadamente nos anos 60, aquilo a que se acabou por chamar de uma contra-cultura. Uma oposição ao sistema,
especialmente por parte da população jovem.
O mundo estava a mudar, Kennedy era assassinado em Dallas enquanto

15 outubro 2010

Discussão à 6ª: Música Clássica

Qual o valor que damos hoje à música clássica? Foi esta a pergunta que me veio à cabeça ao ter uns minutos livres no intervalo entre a 40ª Sinfonia e o Requiem de Mozart e ao olhar à minha volta e aperceber-me que a média de idades dos presentes deveria rondar os 55 anos. Talvez até mais, mas não quero parecer exagerado e distrair do ponto principal da questão. E o ponto principal que quero lançar é: Será a música clássica o apogeu da música e só tarde na nossa vida, com o acumular de conhecimento, sabedoria, percebemos isso? Ou será que nos falta é educação de base para nos apercebermos mais cedo da sua importância e grandiosidade?
Quero colocar desde já em cima da mesa e desmistificar um aspecto que é utilizado muitas vezes como justificativa - o aspecto financeiro. Hoje em dia um concerto de música clássica é mais barato que os concertos de pop/rock que por aí se vendem, basta um saltinho à página da gulbenkian e verão muitos concertos a menos de 30€, preço que paguei por um bilhete para ver os The Walkmen, por exemplo. As óperas são um pouco mais caras, é um facto, mas também é um outro nível de produção e de trabalho envolvido. Fica ainda com certeza mais barato que um qualquer jogo da Champions.
Assim sendo, o que desmotiva um jovem de 20 anos a nem sequer ponderar a possibilidade de ir experimentar um destes concertos? É algo que me atormenta, olhando para mim próprio que não o fiz aos 20 e só aos 30 comecei a abrir as portas a este mundo e agora penso que foram 10 anos que poderia ter acumulado mais uma camada de conhecimento e assim não foi. O que fazer para estimular os jovens a quererem conhecer mais do que o que lhes é oferecido?
Desde já agradeço a vossa opinião aqui abaixo na caixinha dos comentários!

13 fevereiro 2010

Crónica do Roll - Ídolos?

O novo reality show da sic " Os Ídolos" é a prova que Portugal está sujeito às piores epidemias mundiais.
Quando respirava de alívio com o desaparecimento da gripe A - da qual saí ileso sabe Deus como - vejo por mim, durante um dos meus solitários zappings nocturnos, a assistir a um dos programas mais deturpadores e enganadores do verdadeiro espírito da música.
O que são os Ídolos? - Perguntaram todos aqueles, que ao contrário de mim, têm uma vida preenchida.
É um reality show, pestilento QB, que consiste em humilhar garotos com sonhos e iludí-los com a ideia que podem ser grandes estrelas cantando covers de bandas pop.
A julgá-los, de forma grotesca, temos um painel de figuras abjectas como aquela gaja responsável pelo pior festival do mundo, um tipo bestialmente obeso que, certamente, come mais do que ouve música e mais dois que ninguém conhece e, para dizer a verdade, nem interessam ao menino Jesus. Onde está a credibilidade desta gente?
Arre porra, com mil diabos, vamos lá ver uma coisa:
Se querem ser estrelas peguem na merda duma guitarra, baixo e bateria e ponham-se dentro duma garagem quente a sofrer. Sim, ouviram bem, eu disse "sofrer".
Quem quer ser músico tem que estar preparado para a dificuldade imensa de criar, inovar, fazer sonhar e comover. Foi assim que fizeram Dylan, Cobain, Hendrix, Elliot Smith, Vinicius, Miles Davis, you name it...
Lembrem-se: Músicos não são papagaios nem como disse o outro "poetas de karaoke".
Prefiro gramar um filme pornográfico como anões octogenários do que voltar a assistir aos "Ídolos".
Deixo-vos as palavras sábias de um músico que também não come trampa:

22 janeiro 2010

Bande A Part: Radiohead #1

Ando a prometer ao administrador deste blog fazer um artigo de fundo aqui no blog e parece-me que está na altura de lançar mãos à obra. A premissa é muito simples mas seguramente polémica, e como tal estou a aguardar comentários inflamados, lutas de ideiais, visões distintas. Mas é disto que também se alimenta um blog, e este não é excepção, portanto acho que os leitores também esperam isto de nós. Não esperem é telenovelas. Cá vai:

"Os Radiohead são os Beatles da nossa geração."

De forma a suportar esta forte afirmação, irei aqui no Altamont, ao longo de algumas semanas, analisar toda a obra dos Radiohead, álbum a álbum. Tenho como meu objectivo pessoal convencer pelo menos 2 pessoas que assim é e conseguir não ser agredido fisicamente pelos que discordam. Para já deixo aqui um vídeo de 1 hora (!) com os Radiohead, numa sessão chamada From the Basement feita na altura do lançamento do último álbum "In Rainbows", mas que contem também algumas músicas de álbuns anteriores. É algo de extraordinário, é o que vos digo. Tem qualidade suficiente para ser visto em Full Screen, mas como compreendo que possa ser dificil a algumas pessoas, experimentem pelo menos colocar no play e fazerem outra coisa qualquer. Porque no fundo, it's all about the music.



Tracklist:

Weird Fishes/Arpeggi; 15 Step; Bodysnatchers; Nude; The Gloaming; Myxomatosis; House Of Cards; Bangers and Mash; Optimistic; Reckoner; Videotape; Where I End And You Begin; All I Need; Go Slowly.

02 janeiro 2010

Vietnam War Music

Por mais absurda que seja qualquer guerra há sempre algo de valor a nível cultural que dela advém, seja na pintura, escultura, poesia, cinema ou música. Em relação à guerra do Vietname a música foi, sem dúvida alguma, a banda sonora perfeita. Aqui ficam alguns exemplos do bom som que surgiu durante 1960 e 1975.



01 janeiro 2010

Turn of a Decade

Uma década foi-se embora deixando-nos com um sorriso nos lábios pelo que bom ela trouxe musicalmente. Os 00s, essa denominação que sempre pareceu tão estranha evoluiu para os 10s que nos remete aos tempos idos da primeira Guerra Mundial. O mundo não pára e a música também não e este começo de década promete vir a ser muito forte, senão vejamos:

Vampire Weekend - Contra - 12 Janeiro
Beach House - Teen Dream - 26 Janeiro
Charlotte Gainsbourg & Beck - IRM - 26 Janeiro
Los Campesinos! - Romance is Boring - 26 Janeiro
Spoon - Transference - 26 Janeiro
Four Tet - There Is Love In You - 26 Janeiro
Yeasayer - Odd Blood - 9 Fevereiro
LCD Soundystem - TBA - Março
The National - TBA - TBA
Panda Bear - TBA - TBA
Interpol - TBA - TBA
Arcade Fire - TBA - Maio
Fleet Foxes - TBA -TBA



Estes, entre outros, podem encontrar-se no seguinte site.

Esperamos, então, por mais um grande ano de música.

24 novembro 2009

NE CHANGE RIEN ou éramos apenas sete pessoas na sala e quatro de nós usávamos barba



Talvez fizesse ontem um ano desde a última vez que me teria emocionado tanto numa sala de cinema que não a cinemateca, talvez dois anos, três, juro que não sei, talvez a minha memória ande fraca. Agora as contas voltaram a zero, Ne Change Rien de Pedro Costa é sem dúvida um dos melhores filmes da década. É também sem dúvida um dos melhores filmes de/sobre música alguma vez feitos e tirem-me o teclado das mãos ou ainda acabo a dizer que é o melhor filme português de sempre e depois o João César Monteiro que se revolte e revolva na sua campa.

Falo de um filme num blog sobre tendências auditivas porque como já insinuei, este é um filme sobre música, sobre música (forma de expressão artística) e sobre uma música em concreto (a artista). Chamá-lo de documentário seria sugestionar que uma câmara esteve lá para simplesmente documentar, alheando-se assim da reflexão sobre o próprio cinema que Pedro Costa insiste em imprimir filme após filme. Seria também olhar para ele sem levar em conta a prodigiosa mise-en-scène por ele imposta, sem que no entanto se sinta a câmara de uma forma invasiva. Costa dá-nos a conhecer uma mulher total, sem precisar de a filmar fora da sua concentração na música e das poucas vezes que nos mostra o lado quotidiano da pessoa, fá-lo sempre em off ou pelo menos na escuridão. Conhecemos Jeanne Balibar, actriz francesa que eu desconhecia, através das suas pausas, dos seus bocejos, dos seus olhares para fora de campo, da sua luta para conseguir ser música, ser cantora. E esse seu lado lutador e crente é-nos mostrado da forma mais humilde possível: pelo trabalho. Essencialmente este é um filme sobre o trabalho. Trabalho, aprendizagem, paciência. Exasperação. A repetição como método único para a evolução, provando que o artista não o é enquanto não treinar para sê-lo.

Não sou o cinéfilo mais aplicado mas tendo em conta apenas o que já vi, é-me fácil afirmar que antes deste filme apenas um realizador tinha conseguido uma abordagem séria em relação ao processo criativo da música. Esse realizador é Jean-Luc Godard, que em 1968 realizou o magnífico One Plus One (a.k.a. Sympathy for the Devil), onde em planos-sequência intercalados com uma satírica abordagem aos temas das libertações feminina, da classe negra e da classe operária – chamemos-lhe a contracultura – nos mostrava os Rolling Stones a construírem aos poucos a música Sympathy for the Devil pelo mesmo processo da repetição, da insistência, do trabalho. Desde então os filmes sobre música têm sido pouco mais do que filmes-concerto, o que não é necessariamente mau se a intenção for apenas a música e não o cinema, não as pessoas, não a vida.

Em Portugal o filme apenas está a ser exibido numa sala, em Lisboa, no El Corte Inglés. Todos se queixam do cinema português, que não há qualidade no cinema português. Mas depois existe o Pedro Costa que faz este filme belíssimo e que apesar das excelentes críticas de que tem sido alvo desde a sua estreia em Cannes, se arrisca a ficar para sempre na prateleira do esquecimento pois dificilmente o aguentarão por mais de duas semanas em exibição num centro comercial. Mas há pouco mais de um ano o Miguel Gomes fez um excelente filme chamado Aquele Querido Mês de Agosto, o João Canijo realizou o igualmente bom Mal Nascida e o João Salaviza trouxe a primeira Palma de Ouro de Cannes para Portugal. E ainda assim não se aposta no cinema português e a euforia da crítica será obrigada a votar-se ao silêncio no momento em que o filme já não estiver em exibição. Se ao menos o Pedro Costa filmasse as mamas da Soraia Chaves, talvez aí fôssemos mais de sete pessoas na sala (com ou sem barbas, não interessa).

PS. A questão é saber quantas destas pessoas supostamente interessadas em música têm curiosidade de ir ver o filme e com ele reflectir sobre o que é essa coisa do processo criativo.

22 outubro 2009

Super Bock em Stock 2009


Já há nomes e datas e locais para o nosso South By Southwest.
Esta é a segunda edição do Super Bock em Stock , festival que começou logo com uma fasquia elevada - no ano passado trouxe a Lisboa alguns nomes grandes, a organização foi boa, e deixou água na boca para próximas edições.
Hoje foram conhecidos oficialmente os primeiros nomes, e também os locais. Além do Teatro (Tivoli), Cinema ( São Jorge) e Cabaret (Maxime), este ano também vai haver festas no Restaurante Terraço do Hotel Tivoli e no Parque de estacionamento do Marquês de Pombal.
Mantém-se a proximidade entre as salas onde vão decorrer as actividades - o que antecipa duas noites bem vivas (pelo menos com pessoas a correr dum lado para o outro) na Avenida da Liberdade.
Quanto aos concertos já confirmados, destaques para Little Joy, Voxtrot, Beach House e Patrick Watson.
Os Little Joy são,para este que escreve, a surpresa mais agradável. No ano passado esteve cá Marcelo Camelo, agora vem o Rodrigo Amarante, para mostrar a vida depois dos Los Hermanos. Os Little Joy, que contam também com Fabrizzio Moretti, dos Strokes, têm um som leve e fresco, vindo do sol da Califórnia, mas com raízes muito brasileiras. A expectativa é bastante elevada para esta estreia em Portugal.
De resto, há ainda os Ebony Bones, Wave Machines, Legendary Tigerman, no cartaz do festival, que este ano, inteligentemente, decorre numa 6ª e sábado (4 e 5 de Dezembro)
Estas são as primeiras confirmações, um bom começo, mas espera-se agora que os restantes (diz-se que vai haver cerca de 30 concertos) estejam na mesma linha de qualidade ou, de preferência, acima.
No entanto, é de saudar que o Super Bock em Stock esteja de volta, e não tenha sido um one hit wonder.
Agora, é esperar - até 3 de Dezembro, queremos ser surpreendidos.

21 outubro 2009

Existe uma coisa que edita música chamada Clean Feed e por alguma razão é mais famosa no estrangeiro que o André Sardet



Clean Feed, portanto. Quis fazer um copy/paste de um about us do site ou do myspace ou do blog mas isso ocupa muita tinta e se esta coisa fosse um jornal teria que me controlar nos caracteres então digo, se quiseram vão vocês lá ver, dizia eu, não conheço assim tão bem esta empresa que de empresa tem pouco e é mais uma coisa de paixão presumo mas a verdade é que talvez conheça o suficiente para a recomendar ou publicitar.
Foi fundada em 2001, uns tipos quaisquer, até sei o nome de alguns, conheço-lhes as caras mas que interessa isso? Pedro Costa vá, é quem se destaca mais daquela gente. Dirigem também a loja Trem Azul que fica na Rua do Alecrim em Lisboa e que existe desde 2004. Organizam um já bastante conhecido e conceituado festival de jazz em Nova Iorque chamado Clean Feed Fest há já quatro anos e que este ano terá repercussões em Espanha, Holanda e Eslovénia. Todos os blogs ou reportagens portugueses quando se referem à editora dizem o seguinte: que em 2007 o mais famoso site sobre jazz All About Jazz elegeu a Clean Feed como uma das cinco melhores editoras de jazz em todo o mundo. Quer isto dizer alguma coisa, perguntam-me vós? Sim, mas não vos darei a resposta nacionalista de que todos estão à espera que seria, Quer dizer que Portugal é grande!, não, calem-se, deixem isso para o Cristiano, quer sim dizer que com pouco se pode chegar longe sem que para isso se tenha que oferecer aos consumidores aquilo que seria cliché ou esperado ou comum oferecer mas dando o melhor que se pode para que o progresso continue e há que continuar. A Clean Feed apostou e ganhou. Os seus sócios-fundadores não estarão ricos mas estarão profissionalmente satisfeitos e com perspectivas para verem o sucesso aumentar, digo eu sei lá, se calhar amanhã abrem falência. Acharam que poderiam convidar músicos internacionais a gravarem um disco em Portugal sem o advento de grandes custos para ambas as partes, esses músicos foram respondendo, Olha porque não? e foram vindo e continuam a vir, aproveitam as vinda e dão um concertozinho aqui e ali, os assíduos do ciclo Isto é Jazz? da Culturgest que o digam. Os concertos custam 5 euros e esgotam – pudera – e se muita gente sai de lá com os tímpanos a convulsarem porque não viram ou não deram importância ao ponto de interrogação do título do ciclo tomando-o como uma afirmação, outros – como eu mas vá, eu sou maluco – saem de lá em puro êxtase, dependendo de quem lá toca e naturalmente uns tocam-me mais que outros.
Mas a verdade é que normalmente os concertos organizados pelo Pedro Costa e companhia agradam-me. Eu tão-pouco sei se aquelas experiência – chamemos-lhes experiências – se podem enquadrar no termo jazz – meu deus não lhe chamemos género jazz, pois o jazz é algo tão abrangente... géneros serão o bop, o free jazz, o swing, etc, eu sei lá –, seria retrógrado limitar isto ou isto ou isto ou isto a jazz e inclusive haverá muitas pessoas que ficarão ofendidas por verem recém-blogueiros como eu a enquadrá-las sequer mas...
Nada disto interessa, que queria eu dizer?, ah já sei, queria dizer-vos que apesar de eu gostar de espalhar cultura pelas gentes não quero que vão já amanhã comprar bilhetes para este nem este concerto -- eu sei que não vão – porque a sala é pequena e esgota rápido e eu ainda não comprei o meu. Não conheço nem o duo nem o trio mas as referências apresentadas no texto aguçam-me o apetite. A verdade é que mesmo que os concertos sejam maus, qual é, cinco euros. Ao menos sei que aqueles são músicos que tentam inovar porque se a Clean Feed se caracteriza por alguma coisa que seja é por tentar – sempre – inovar. Procurar caminhos novos na cena jazzística contemporânea, inventar novos termos classificativos do estilo de som, o termo free vai deixando de chegar ou servir.
Nada de mais a declarar, não sou crítico de música não sei o que é uma escala pentatónica mas a publicidade está feita: há uma editora portuguesa entre as melhores editoras de jazz internacionais, há um grupo de tipos que gostam de música e gostam de produzir música para o bem comum e não apenas para o bem pessoal (o bem das moedinhas a cair e a fazerem tlim). Não produzem apenas free jazz, atenção não se assustem, mas também não esperem a maior parte daquela palhaçada de jazz estandardizado que vai aparecendo no hotclube e que é a mesma que aparecia há cinquenta anos atrás. Produzem sim diversas vertentes de todo o bom jazz contemporâneo que por aí há – e a verdade é que há bastante mais do que muita gente imagina. No entanto e para eu próprio enfiar a carapuça, o hotclube vai receber hoje a visita do saxofonista alto Jon Irabagon acompanhados pelo clean-feeder e contrabaixista Hernâni Faustino e o menino-baterista-prodígio da cena jazz contemporânea do momento em Portugal – digo eu - que é o Gabriel Ferrandini. Claro que poderia ter ido ver ontem o concerto com o Alexandre Frazão na bateria mas... qual é a piada?, esse já tem muitos fãs. A verdade é que prefiro ver o Ferrandini. Foi por estas e por outras que decidi deixar aqui um vídeo em que ele e o Faustino tocam com o japonês residente em Portugal – quiçá viva na cave da Trem Azul – Nobuyasu Furuya, uma interessante coligação que aliás deixou marcas num álbum adivinhem editado por quem? Adivinhem, vá!

Ps. Eu bem sei que este é um blog sobre rock, peço desculpa pela intromissão ao falar aqui de jazz contemporâneo e ainda por mais divinizando (mentira) tipos que praticam um estilo de som que para a maior parte das pessoas é apenas barulho. Mas prometo que não tenho paciência para muitos mais posts, esta coisa dos blogues cansa. No entanto se houver por aí alguma alma simpática que goste de jazz aqui vai o link para um site que descobri não há muito e que tem uma agenda bastante completa do que se vai passando por aí em termos de espectáculos em Portugal, ah e o Seixal Jazz anda aí.

15 outubro 2009

dóklisbuna

Tem piada que falei aqui no outro dia sobre o filme Gimme Shelter como exemplo de filme que já não se fazia hoje em dia e apesar de tal afirmação poder ser contrariada por qualquer um de vós visto que quem sou eu para afirmar tais coisas, aqui vai uma informação: esse tal filme que se centra à volta do festival de alta-monte cujo nome deu origem para este blog de cordel, será alvo de algumas centenas de pares de olhares e quem sabe de alguns de nós ou vós nos dias 21 e 23 de outubro no cinema São Jorge no âmbito do festival de cinema documental Doclisboa (aí está o programa), na Heart Beat que é uma "secção paralela que apresenta documentários onde a música é um elemento fundamental", palavras deles, ai de mim de proferir tal coisa.
De notar para a gentalha mais pop, dois documentários sobre a Maria Bethânia e outro sobre o Bob Dylan, Don't Look Back do bem-conhecido e bem-bom realizador de documentários musicais D. A. Pennebaker, o mesmo que fez estremecer a sala da Cinemateca há uns quatro anos com o filme sobre o festival de Monterey Pop em que após a actuação contagiante da Janis Joplin com a sua Holding Company o público à minha volta - e eu inclusive - rebentámos em palmas aliviadas ao que de seguida se fez um silêncio constrangedor em todos nos entreolhámos a indagar, A quem é que estamos a bater palmas?, à tela? ao projector? ao projeccionista? à tipa gorda que vende os bilhetes?, não interessa, soube bem.
Nota também para a retrospectiva de Jonas Mekas e da sua presença para uma masterclass, que entre muitos filmes potencialmente interessantes - só vi alguns e gostei - traz consigo na mochila uma curta intitulada Happy Birthday to John sendo que esse John é o mesmo que... aliás, nem é preciso dizer quem é, é ELE mesmo sim, e depois o mundo dantes era pequeno, diz que o Mekas era muito amigo do Andy Warhol então há vários filmecos sobre/com ele, isto falando dos objectos filmados de carácter mais pop, pois ele filmou bastante para lá dessas curiosidades.
Acontece que não tenho muito dinheiro por isso até agora ainda só comprei bilhete para um filme do Mekas sobre a rodagem de um filme do Scorsese, um filme sobre o António Lobo Antunes da Solveig Nordlund, mas a verdade é que as minhas grandes expectativas vão para os filmes já não tão recentes do Kiarostami e o do Kieslowski, mas claro, desses ninguém quer saber.

13 outubro 2009

altamont ou alta-monte, man!

Este blog existe há já algum tempo, não sei precisar, uns anos, chama-se altamont não sei ao certo porquê talvez uma ligação para aquela fastidiosa máxima que já 489574657456459 jornalistas críticos de arte opinionmakers bitaiteiros e bloggers empregaram dizendo que o rock morreu nesse dia digamos também fastidioso em que um tipo foi morto com uma facada por um digamos tipo ou digamos animal membro dos hell’s angels que por lá estava a fazer segurança ou digamos a ter uma oportunidade de espancar tipos ou digamos hippies, e quão eu gostaria de espancar hippies betos se fosse um membro dos hell’s angels mas não sou. Se foi por aí que se deu o nome ao blog, ou seja, para celebrar portanto a morte do rock, ahh... hmm... bem esqueci-me o que ia dizer, estou charrado.
Queria eu sim dizer, ah já agora para quem nunca viu veja o Gimme Shelter, um filme de uns tipos que eram irmãos e fizeram uma coisa interessante que foi lançar questões sobre toda a merda que se passou em vez de simplesmente o mostrar como normalmente se faz na maior parte dos documentários modernos como os que em breve se verão no doclisboa.
Dizia eu, estou sentado a ouvir um álbum de Blind Lemon Jefferson que coitado além de cego era gordo e a ler na internet este poema do bukowski que começa assim

I don't know how many bottles of beer
I have consumed while waiting for things
to get better


e apeteceu-me escrever um pouco também, o meu amigo fred aparece em entoação de janela e diz-me que tenho que ouvir a sua nova playlist, Man you got to. E daí visitei o blog.
Dizia eu, lembro-me de quando ele criou o blog, disse-me que tinha de contribuir com textos ou críticas – já é a segunda vez que quando vou a escrever críticas, escrevo crísticas, terceira vez, não entendo mesmo porquê – ou o-que-o-valha, e desde aí que tenciono fazê-lo. Devo dizer que já o tentei por diversas vezes. Uma vez há já muito muito tempo comecei uma crítica a um álbum de Ali Farka Touré mas encalhei porque não sabia sequer quais os instrumentos que estavam a ser utilizados para além da guitarra, depois ia escrever algo sobre essa maravilhosa banda rock japonesa do fim dos anos 60 os Happy End mas foda-se que sei eu do contexto musical/político/social da altura na puta do Japão (que nem sei onde fica) para poder falar disso, depois pensei numa espécie de reportagem ou digamos ejaculação literária ainda a quente vinda do transe do concerto alucinante que foi o de Aka Moon na Culturgest há um ano ou sei lá eu, mas depois dei-me conta de que não sabia quantas teclas tinha um saxofone ou o que é uma escala pentatónica – não que eles estivessem muito interessados nisso – ou seja, nunca consegui publicar – já se pode chamar publicar a isto? (a isto digo, num blogue – o termo já leva ue no fim?) – aqui ou em qualquer outro blogue um texto sobre música visto que de música eu não percebo nada ou pelo menos não percebo o suficiente. Oiço muita, já-ouvi-mais-já-ouvi-menos, já tentei estudar guitarra e piano e outra vez guitarra e sou um nabo, arranho uns blues na harmónica em jeito autodidáctico mas a verdade é que sou um leigo na matéria, um mero consumidor apesar de já não comprar música à excepção dos discos da editora Clean Feed porque eles mais que merecem e por falar nisso tenho que ir comprar o último álbum do meu amigo – é melhor dizer conhecido não vá ele ler isto e achar Eh-lá essas confianças – Júlio Resende (joguei umas vezes à bola com ele e ainda assim lembro-me de ter levado umas caneladas) e pronto sim sou um consumidor ao nível de concertos se bem que ando sempre à pesca do mais baratinho que há e é uma pena ter terminado o gratuito ciclo Jazz às Quintas no CCB que trouxe cá músicos como o Avram Fefer e o Daniel Levin que podem não ser bons para ti mas são bons para mim e claro continuo a falar do contributo da Clean Feed pois foram eles que estiveram por trás desta iniciativa, bem como do ciclo Isto é Jazz? na Culturgest e do Festival Jazz ao Centro em Coimbra com a tão simpática repercussão no Jazz nos Capuchos onde eu tive o tal orgasmo auricular de que um dia vos falei a ouvir o electrizante Peter Brotzmann a soprar por ali fora com a convicção com que eu sopro a minha harmónica se bem que eu não sei o que é uma escala pentatónica e o Peter sabe (presumo).
Dizia eu, estava aqui a ler uns poemas do Bukowski e a fumar um charro e inicialmente a ouvir o gordo cego mas agora a ouvir no myspace Rudresh Mahanthappa e isto porque ao na Culturgest e na Clean Feed e tal deu-me vontade de relembrar o que fosse daquele revelador concerto de dar cãibras na perna de tanto bater em que esse Rudresh se apresentou com o Steve Lehman há uns tempos que não sei precisar, estou charrado, e estava então a fazer tudo isso quando pensei AH, É DESTA que vou escrever um texto para o blog ou blogue mas mal comecei encalhei e escorreguei nas palavras técnicas como quem escorrega em, não sei o que ia dizer. De novo. Grande seca, tenho que correr, vou à cinemateca ver um filme do Carl Theodor Dreyer, não vos quero dizer o título, conclusões finais: queria portanto pedir-te desculpa fredi o’ fredi por nunca ter escrito uma crítica musical neste blog mas a verdade é que não me sinto com capacidades para tal porque não sei o que é uma escala pentatónica mas admiro bastantes esta gente que por aqui se ocupa a escrever sem o medo de estar a dizer baboseiras ou clichés que já 489574657456459 – repararam que é o mesmo número lá de cima - jornalistas críticos de arte opinionmakers bitaiteiros e bloggers disseram por tudo o que é comunicação social ou não. Seria bom ter mais crónicas ou textos soltos ou playlists ou links para o download ilegal de álbuns de música que não se encontrem em todo o lado mas pronto, há quem nunca tenha ouvido falar de Green Day e precise de um aconchego da crítica para ir a correr comprar-lhes um álbum. De qualquer forma o site está a crescer, tem público, é cada vez mais diversificado e isso apraz-me. Dito isto lá vou ter que investigar o suficiente para num próximo post ou poste divulgar a estas gentes de uma forma mais esclarecedora o que é esse fenómeno de orgulho para o povo português – ou pelo menos aquela parte do povo que é nacionalista; morram – que é a editora/distribuidora/promotora-de-concertos Clean Feed/Trem Azul, cuja fama já percorre uma carrada de países, onde inclusive já se organizam festivais de jazz com o nome próprio da editora, Ah mas... Isto é Jazz? Não sei, mas interessa-me e faz-me acreditar que ainda há quem goste de inovar neste mundo mesmo que esse alguém não tenha suficiente dinheiro para comprar um aston martin ou suficiente fama para figurar em suficientes blogues sobre música como este e outros, fim de pauta.

09 outubro 2009

I want you so bad it's driving me mad

Há um tempo já que não escrevo neste placard, por me achar um erro de casting: as minhas opiniões não são nunca partilhadas por ninguém e as sugestões musicais ignoradas, tal como o vento ignora farinha de padeiro.
Por outro lado, a maioria das analises que aqui leio são superficiais e contém um entusiasmo desajustado ao tipo de musica que se ouve - medíocre, no geral - e como tal surge uma certa certa noção de absurdo.

Mas como me encontro neste momento de forceps na mão à espera do senhor Wilkins, que desconfio que terá fingido uma diarreia para se refugiar nos lavabos, decidi, por tédio, partilhar mais um suspiro com os leitores.
Surgiu-mo após audição do agradável conjunto de canções com que o Frederico Batista cozinhou o pão-de-ló da hora-do-bolo na Radio Radar.
E' evidente que a audição da mescla foi influenciada pelo facto de momentos antes me ter entrado nos tímpanos o quarto andamento do Zaratustra do Mahler, mas mesmo assim consegui apreciar uma musica chamada Biding My Time dos Pink Floyd. Trata-se de uma faixa de estrutura ingénua, simples, bluesy, mas que funciona muito bem e, apesar de previsível, me traz uma certa noção de harmonia, equilíbrio. Dá para sentir que aquela rapaziada fazia algo de importante. Logo a seguir surge-nos Doors com Wasp e Beatles com o fabuloso I want you, em que toda a irreverência discreta de George Harrison se faz ouvir como um sopro no coração.
Logo a seguir surge uma música totalmente diferente, que por ignorância do pop/rock actual não soube identificar com precisão, mas diria ser Franz Ferdinand ou algo do género.
Percebe-se o que é que o nosso Frederico queria fazer: juntar musicas velhinhas com umas mais recentes, criando um bolo de consistência coesa, tentando apontar que aqui e ali se continua a fazer pop/rock como antigamente e que tudo é uma questão de estarmos atentos.
Mas se uma trinca na primeira fatia resulta em jubilo calmo das papilas gustativas, logo a seguir surge uma espécie de amêndoa azeda que nos faz indagar: mas afinal que raio de bolo vem a ser este, caralho?
Gosto do Frederico como de um irmão coxo, como ele sabe, e prezo a sua busca por musicas que sejam importantes, significativas. Mas, meus amigos, o Pop/Rock esta' morto e ja era tempo de assumirem isso. E' um género limitadíssimo e não há mais pontas por onde pegar. Ouvir Doors, Beatles e Pink Floyd diz-nos isso mesmo: o melhor já esta feito. Não vale a pena insistir.

E não: Franz Ferdinand nao vale mais que Britney Spears.

01 outubro 2009

Rodrigo Y Gabriela


Para desilusão de alguns leitores, não estamos perante uma nova banda de música pimba ou de sertanejo.
Este duo mexicano começou a sua carreira numa banda de heavy metal. Após uma curta carreira de insucesso resolveram pegar em duas guitarras acústicas, 1000 USD e viajaram para a Europa.
Após uma má adaptação a Dublin, resolveram inadaptar-se em Copenhaga. O frio levou-os para Barcelona. Onde acabaram por andar a tocar no Metro e nas Ramblas.
Até que receberam uma proposta para voltar para Dublin, para tocarem num Pub. Foi onde conheceram Damien Rice, que lhes deu um forte apoio para lançarem a sua carreira.
Em Fevereiro de 2006 lançaram o seu primeiro álbum que os levou a número 1 do top na Irelanda, à frente de artistas como os Arctic Monkeys e Johnny Cash.
Com um género de música difícil de definir. Trata-se de um estilo de música instrumental de fusão, entre o metal, rock e flamenco. Que tem como únicos instrumentos duas guitarras acústicas. No seus álbuns é clara a influência de bandas como Pink Floyd, Black Sabbath, Metallica, Lef Zeppelin ou Jimmy Hendrix.

Têm os seguintes discos lançados:
Foc (2001)
Live: Manchester and Dublin (2004)
Rodrigo y Gabriela (2006)
Live in Japan (2008)
Em Setembro de 2009 lançaram o seu último disco 11:11.
Vão estar em tour nos próximos meses, contando com salas esgotadas em Dublin (16 de Nov) e em Paris (10 e 11 de Abril).

08 setembro 2009

Música na Internet

Este post já vinha sendo pensado há algum tempo e vê agora finalmente a luz do dia. E de onde surge o post? Surge de uma perspectiva minha relativamente aos sites de música em Português existentes - são maus de mais para ser verdade. Blitz, Iol, Disco Digital, Cotonete, venha o diabo e escolha. Têm um design muito pouco user friendly, notícias que muitas vezes não interessam nem ao menino Jesus, insuficientes análises a concertos, praticamente nada sobre lançamentos de discos e consequentes análises aos mesmos, agenda muito rudimentar. São sites que têm grandes patrocinadores (e consequentemente muito dinheiro) por trás e mesmo assim não conseguem fazer uma coisa com qualidade. Aos interessados no assunto vai-nos valendo os blogs de amadores (como o Altamont, entre outros), que têm o mais importante - o gosto pela música. A busca, a pesquisa, a partilha.
Da pesquisa que andei a fazer para suportar esta minha opinião, apenas um site me deixou bem impressionado, já o conhecia há algum tempo mas nunca mais lá tinha ido e aparentemente está muito interessante - Bodyspace. De resto, o público precisa de mais e melhor. Ou se calhar não. Se calhar mais vale mesmo mantermo-nos ligados aos blogs e deixarmos os sites para as massas...

17 agosto 2009

Covers

Hoje quero colocar em cima da mesa um tema interessante - as covers. Acho que é um tema que gera opiniões contraditórias, discussões acesas e que não levam a lado nenhum, portanto de muito interesse para este blog. As covers. O que não falta para aí são covers más e desnecessárias, portanto vou optar por focar nas que têm alguma importância no mundo da música e que realmente adicionaram alguma coisa à versão original de uma música.

Nos anos 60/70, penso que não havia um conceito muito claro quanto a fazer covers, existiam muitas versões de músicas escritas por outros, que se reproduziam sem complexos, e das quais as que me aparecem logo na memória são:

- "With a Little Help From My Friends", Joe Cocker, original The Beatles
- "All Along The Watchtower", Jimi Hendrix, original Bob Dylan
- "Blowin' in the Wind", Joan Baez , original Bob Dylan
- "Wild Thing", Jimi Hendrix, original The Wild Ones
- "Respect", Aretha Franklin, original Otis Redding
- "Twist & Shout", The Beatles, original The Top Notes
- "Gloria", Patti Smith, original Them
- "I Fought the Law", The Clash, orginal Sonny Curtis & The Cricketts

Nos anos 80, com certeza que houve muitas covers, mas não tenho nada registado no chip, sendo que na década seguinte há alguns casos bastante interessantes:

- "Mrs. Robinson" Lemonheads, original Simon & Garfunkel
- "Knockin' on Heavens Door", Guns N' Roses, original Bob Dylan
- "Hallelujah", Jeff Buckley, original Leonard Cohen
- "Easy", Faith No More, original Commodores
- "The Man Who Sold he World" Nirvana, original David Bowie

A nível mais pessoal acrescento algumas que os Pearl Jam nos ofereceram, como "Crazy Mary", original Vanessa Williams; "Baba O'Riley", original The Who; "Sonic Reducer", original Dead Boys (ai de quem me vier falar de Last Kiss....)

Mais recentemente, já no século actual, os Nouvelle Vague dedicaram-se, com algum êxito, a fazer covers de músicas sobejamente conhecidas e têm algumas boas versões ("Ever Fallen in Love?", original The Buzzcocks; "In a Manner of Speaking", original Tuxedomoon; "I Melt With You", original Modern English) e destaco também os Killers, com a sua versão de "Shadowplay", original Joy Division.

Todas estas são referi são, na minha opinião, grandes músicas e que acho merecem figurar como parte da História da música. A diferentes níveis bem sei, mas como boas amostras de como é possível pegar em criatividade alheia e levá-la a outro nível, que, no fundo, é disso que se trata.

Agradeço opiniões sobre o tema, lembretes para covers que me poderão ter passado e afins, aqui em baixo na caixinha dos comentários. Ou então não, leiam só e vão à vossa vida! Enjoy!

05 agosto 2009

Debate

Ao tempo que no Altamont não é dedicado tempo de antena a questões realmente fulcrais que rodeiam o mundo da música, e como tal, após um debate renhido entre os dois reportéres escalados para fazerem a cobertura do Paredes de Coura, achámos por bem alargar o debate e recolher mais opiniões numa questão que é por certo já muito debatida, mas sem chegar a conclusões práticas. Ora então sem mais demoras, cá vai:

Na vossa colecção pessoal de discos/CD's/iTunes, o que for, e no caso de a terem disposta por ordem alfabética, The Beatles aparece na letra T ou na letra B?

Fico a aguardar as vossas posições e argumentos na caixinha dos comentários. Um muito obrigado desde já pela contribuição.

24 junho 2009

Pérolas a porcos

Acho que este blog merece ter aqui disponível para todos os que por cá passam estas pérolas.



Setlist:
Antenna
Sacred Trickster
What We Know
Calming The Snake
Schizophrenia

E uma excelente entrevista.


2ª parte

Enjoy!

28 maio 2009

Discussão: Ainda sobre o indie

Duas referências da cena Indie, Vicent Gallo e Kim Gordon dos Sonic Youth, a promoverem uma das maiores marcas americanas de roupa.

1- Concordo. Têm contas para pagar.

2- Não concordo. São duas rameiras.



21 maio 2009

The Eternal



Graças ao meu grande amigo Vasco Cabral Sequeira, ser humano desprezível por quem tenho enorme estima, tive acesso ao último trabalho dos Sonic Youth, que estará à venda nas lojas dentro de umas semanas.
(Comecei a escrever este texto imbuído de enorme subjectividade, diria até de emoção, ou de lágrimas nas bochechas, mas, com o passar dos dias, lá me controlei.)
É assumida pela minha parte uma parcialidade enorme no que toca à música desta banda: para mim são a melhor banda pop/rock de todos os tempos. Sem equívocos. Nenhuns. (Escrevi estas duas últimas frases só para me armar em Luís Sobral, o jornalista desportivo mais miserável de todos os tempos)
Cresceram da confusão/revolução que foi o no wave, como todos sabem, e desde 1985 que regularmente têm publicado trabalho verdadeiramente novo (e bom como merda de Giselle Bundchen), recriando-se a si mesmos sem exaustão aparente, explorando diversas vertentes sem limites, mas sempre conscientes do mundo que os rodeia, o que tem resultado numa cornucópia de criatividade (não confundir com a expressão conacópia de criatividade, referente à pluralidade de maneiras de copular com menores de 18 sem correr riscos legais), entusiasmo, brilhantismo... enfim.
O universo Sonic Youth cedo começou a ser demasiado experimental, complexo e variado para caber nesse mesmo nome e os projectos paralelos que desenvolveram, individualmente ou não, representam uma referência montanhosa dentro da música experimental.
Ao exorcisarem o seu génio e necessidade criativa nessas outras camadas, viram-se interessados em construírem albuns cada vez mais - na minha opinião - melódicos, equilibrados, limpinhos, mesmo que ainda algo afastados dos elementos mais vulgares da pop.
Será isso que diria existir em excesso neste álbum, dtalvez. Faz-me uma certa falta o noise contemporâneo, a esquizofrenia controlada, a estranha fornicação entre o Ranaldo e as cordas da guitarra. Mas a verdade é que quem ainda anda à procura isso na sua obra, tem pano para mangas nos projectos SYR, por exemplo. Existem no entanto várias faixas que se adivinham virem a ser prolongadas até à ejaculação tântrica, como na Anti-orgasm ou na Walking Blue, quando tocadas em concerto (o qual anseio, com intensidade semelhante ao da telefonista Suzete que sonha com o Michael Jackson no Estádio do Dragão).
Aceito, portanto, a homogeneidade higiénica desta obra, que, não estando aos níveis de Sister, Daydream Nation, Washing Machine, NYC Ghosts and Flowers e Murray Street, por exemplo, é um prolongamento interessante da discografia dos Sonic Youth e é, em suma, claro está, um oásis: quando comparada às cagadas retro-fashionistas sebentas de vulgaridade e suscitadoras de bocejos bem esticados que a malta do Ray Ban gosta de ouvir na Radar é um album sublime e daí eu ter choramingado no metro, de ipod na mão (às quintas-feiras não uso bolsos).

13 maio 2009

Mais um tema para debate



Buraka Som Sistema - Música com qualidade como tem sido reconhecida um pouco por todo o mundo (notícia) e com direito a destaque no site da Pitchfork TV ou apenas um hype do momento para pessoas que procuram continuamente algo diferente?