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22 janeiro 2010

George Harrison - Electronic Sound (1969)

Quando em 1968 os Beatles decidiram avançar por conta própria criando a sua própria editora, Apple, o mundo parecia estar sob a sua alçada. Talvez levados por um crecente ego, nomeadamente John e Paul, acharam que podiam ser, ao mesmo tempo, músicos e empresários de sucesso. Em pleno lançamento do Álbum Branco, tínhamos 3 (sim, Ringo não quis saber disto para nada) Beatles a descobrir novos talentos. A premissa era: "Dêem-nos todas as vossas maquetas ou ideias que nós as todas as ouviremos". Erro tremendo, passados uns dias os escritórios da Apple em Savile Row estavam atulhados de cassetes e cartas e afins. Apesar de se terem feito algumas descobertas musicais (Paul descobriu Mary Hopkin e os Badfinger, enquanto George fez aparecer James Taylor), a situação era insustentável e cedo os Beatles desistiram desta ideia, começando a dedicar-se apenas à música, continuando a Apple a ser a sua editora. Uma das boas ideias a surgir da criação de uma editora própria seria a de uma maior liberdade para a criação. Um disco duplo naquele tempo seria, provavelmente, impossível, se os Beatles ainda fossem pertença absoluta de outra editora. Sendo assim a margem de manobra para a experimentação era maior, sendo criada uma "etiqueta" para estes projectos de seu nome Zapple. Encerrada pouco tempo depois de ter sido criada pelo empresário tubarão Allen Klein, a Zapple foi criada para permitir projectos paralelos tanto dos membros dos Beatles como de outros. Lennon lançou, juntamente com Yoko, Unfinished Music Nº2: Life With The Lions, enquanto George lançou este Electronic Sound. Duas músicas apenas fazem o total deste disco: "Under The Mersey Wall" e "No Time or Space". Bastante ajudado pelo compositor californiano Bernie Krause, George sai do mundo do Rock e aventura-se na electrónica mas de uma forma ainda naive. O surgimento dos sintetizadores Moog fizeram despertar um outro tipo de sentimento no Quiet Beatle que o utilizou no próprio Abbey Road. Totalmente ignorado na altura em que saiu, Electronic Sound é, o que podemos definir como, um tesouro escondido, uma faceta desconhecida de George Harrison. A (re)descobrir.

07 janeiro 2010

George Harrison - Living In The Material World (1973)

O que se diz quando um Beatle lança um disco? À partida está tudo ganho. É um Beatle, caramba... No entanto ainda estamos em 1973. Três anos após a despedida final da banda de Liverpool. Três após o seu primeiro disco a solo e dois após o concerto de Bangladesh. A vida para Harrison estava naquele momento certo. Agora ou nunca. Para Harrison foi nunca. A partir daqui ninguém mais quis saber do Quiet Beatle nem das suas músicas intimistas ou pessoais. Muitos sentiram-se ainda mais defraudados em Living in the Material World do que em All Things Must Pass. Será que Harrison deixara de querer ser um Beatle? Seria McCartney o único com juízo na cabeça? Não. Apesar de metade do mundo ainda estar a carpir mágoas com o fim dos Beatles, Lennon e Harrison estavam a fazer aquilo que gostavam. Living in the Material World é exemplo disso mesmo. Continuando na senda do primeiro disco, Harrison canta apenas aquilo que lhe vai na alma e, desta vez, quase tudo por si só, tirando a eterna ajuda de Ringo na bateria. "Give Me Love (Give Me Peace on Earth)" é puro Harrison nas letras e na melodia, até porque aquela slide guitar haveria de perdurar até ao fim dos seus dias. "Sue Me Sue You Blues", crítica às querelas financeiras entre Beatles, demonstra o humor e ironia que celebrizaram George, homenageado pelos próprios Monty Phyton. "The Light That Had Lighted the World", "Don't Let Me Wait Me Too Long","Who Can See It" e "The Lord Loves The One (That Loves The Lord)" demonstram o mais pacato dos Beatles completamente desligado das futilidades terrestres, sempre com algo a dizer sobre o mundo que realmente interessa. Algo que nada tinha a ver com o fase Disco ou Glam que começaria a surgir nesta década. "Be Here Now" é dos melhores exemplos da espiritualidade de Harrison, enquanto "Try Some Buy Some" fala-nos do problema emergente da altura, e, quiçá, hoje em dia, do abuso de cocaína. Enquanto o mundo inteiro na altura estava em êxtase e começava a entrar nas loucuras dos anos 70. Harrison começava a refugiar-se no seu pequeno mundo. A preferir o anonimato e a pacatez.
Enquanto a loucura da década acabaria por passar, "Living in the Material World" acabaria por se tornar num dos seus melhores discos com o passar dos anos...

10 dezembro 2009

George Harrison - All Things Must Pass (1970)

"Uff..." deve ter dito George Harrison no dia que acabou de gravar All Things Must Pass. 23 músicas, uma delas cover de Dylan "If Not For You", onde George dá um toque muito mais emotivo do que o próprio Bob Dylan, são o resultado de anos de tampão ao serviço dos Beatles onde George apenas poderia colaborar com 2/3 músicas por álbum. A dupla Lennon/McCartney exigia respeito e não cedia por dá aquela palha. Para cada colaboração de Harrison para um disco de Beatles, ensaiavam-se 10 de Paul e John, muitas inferiores ao denominado "Quiet Beatle". Porém, a verdade é esta, George começou apenas por ser o guitarrista dos Beatles, o homem da guitarra principal, o homem dos solos. Não escrevia, apenas ajudava, cantando aqui e ali músicas covers ("Roll Over Beethoven", "Chains") ou originais de Lennon e McCartney ("Do You Want To Know A Secret"). A primeira música a solo surge logo no segundo disco With The Beatles com "Don't Bother Me", um razoável cartão de visita para o que faria poucos anos depois, pois com a crescente Beatlemania, George escondeu-se só voltando a aparecer em Help!, desta feita com duas colaborações, "I Need You" e "You Like Me Too Much", mais duas músicas que em nada faziam à força que já era a dupla supra citada. A partir deste momento o resto é história, George começa a interessar-se pela cultura oriental, em especial a indiana, toma contacto com a meditação e Ravi Shankar e, também, com psictrópicos. "If I Needed Someone", "Taxman", "Within Without You", "While My Guitar Gently Weeps", "Something" e "Here Comes The Sun" são dos melhores exemplos do que este tinha para oferecer à que foi considerada a melhor banda de todos os tempos mas nem isto seria capaz de antecipar o que George faria no mesmo ano que os Beatles fecharam a loja para nunca mais a abrirem. O resultado está à vista num álbum triplo onde George revela toda a sua espiritualidade, humanidade e como diriam os anglo-saxónicos "awareness". Ajudado pelo mesmo produtor que conseguiu unir o que parecia impossível para aquilo que se tornou conhecido como Let It Be, Phil Spector construiu aquilo que denominou como "Wall of Sound", musculando as músicas com uma ambiência não antes vista. O resultado é, para muitos, considerado um dos melhores discos de sempre. Os temas são os recorrentes de Harrison: Espiritualidade em "My Sweet Lord", "Art of Dying" e "Hear Me Lord"; Amor em "I'd Have You Anytime", "What Is Life" ou "I Dig Love", enquanto "Isn't It a Pity", "Beware of Darkness" e "All Things Must Pass" revelam um George maturo e conselheiro no que toca às relações amorosas ou agruras da vida em geral. Até tempo houve para uma bicada em Paul com "Wah Wah". Pena que este talento tenha estado tão escondido debaixo da sombra de Paul e John...