Vou confessar-vos aqui uma coisa. Nunca fui o maior fã de grupos liderados por mulheres. Não sei se é (era) uma coisa machista ou apenas porque o rock na minha óptica é um mundo de tipos com guitarras com postura agressiva e sempre achei que o rock só era sério liderado por tipos como Hendrix, Morrison, Lennon ou Cobain. Durante anos estive enganado. Não só as mulheres conseguem rockar tanto como muitos homens, e o exemplo está no último disco de que vos falei, como, por vezes, conseguem outra imagem que só mesmo elas conseguem. Para além das óbvias Janis Joplin, Patti Smith ou Pj Harvey temos Grace Slick, dos Jefferson Airplane, Debbie Harry dos Blondie ou Susan Janet Ballion mais conhecida por Siouxsie Sioux, para além de todos aqueles grupos de miúdas dos anos sessenta dos quais vos falo de alguns nesta compilação que apresento hoje. Destroy That Boy! More Girls With Guitars é a sequela de Girls With Guitars, lançado em 2004 que apresenta uma palete de grupos rock dos anos sessenta compostos só por mulheres. Ora esta sequela traz exactamente mais pérolas desse tempo. O tempo do garage rock e do pré-punk. Enquanto as Ronettes e as Crystals, embelezadas pela produção de Phil Spector, traziam o melhor do pop desta geração, estas miúdas iam buscar inspiração a tipos mais rufias como os Kinks ou os Stones. Um dos melhores exemplos disso é a música que dá nome a esta compilação e abre o disco, "I'm Gonna Destroy That Boy" das What Four. Rock sujo e agressivo que nada fica a dever a qualquer banda cheia de testosterona. Em 24 músicas há alguns baixos mas os altos como "You Don't Love Me" ou "No" provam que estas senhoras não brincavam com as guitarras. Deixo-vos um pequeno gostinho deste disco que, tenho certeza, virá a fazer parte da vossa discografia...
THE WHAT FOUR- I'M GONNA DESTROY THAT BOY por
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13 outubro 2011
06 outubro 2011
Álbum de Estimação: Silver Jews: "Tanglewood Numbers" (2005)
Descobri os Silver Jews em 2005, com este álbum. Ou seja, 16 anos depois de se formarem como banda, 11 anos depois do seu primeiro álbum, e já com mais 3 lançados entretanto. Quando os descobri soube que a banda foi criada por David Berman e dois elementos dos Pavement, Stephen Malkmus e Bob Nastanovich o que torna ainda mais vergonhosa a minha desatenção. Mas mais vale tarde que nunca, certo? Até porque chegaram tarde mas ganharam um lugar especial e a audição que fiz hoje de manhã para preparação deste post só serviu para reforçar isso mesmo.
David Berman arrasa-nos com as suas letras únicas, de poeta, e se tivermos em conta que metido neste álbum estão emoções que terá sentido nos difíceis 4 anos que o separam do anterior Bright Flight, onde o abuso de drogas e depressão o levaram a tentar o suícidio, só podemos agradecer por ter dado a volta por cima e partilhar connosco um pouco desse carrossel de sentimentos na forma deste Tanglewood Numbers.
"Punks in the Beerlight", música que abre o álbum fez parte do meu alinhamento da Hora do Bolo. Será que isto só por si prova o valor que dou a esta música? Aquela intensidade de um "I Love you to the MAX!" é algo muito muito especial. Depois vem uma lista de músicas de nome enorme que algumas vezes me deu sustos derivado do facto de que me punha a olhar para o iPod para ler o nome todo e distraído da estrada tudo podia ter acontecido. Todas elas com o seu encanto, a sua magia, as suas metáforas para transmitir a sua nova encontrada fé e um ritmo muito vivo a acompanhar. E não podia deixar também de realçar o grand finale "There is a place", uma música que parece um resumo do álbum, onde tudo se concilia.
Poderia aqui colocar várias frases que se retiram deste álbum e que nos fazem pensar, nos fazem sonhar. Mas prefiro deixar cada um ouvir com a devida atenção e descobrir por si, sentir por si.
David Berman arrasa-nos com as suas letras únicas, de poeta, e se tivermos em conta que metido neste álbum estão emoções que terá sentido nos difíceis 4 anos que o separam do anterior Bright Flight, onde o abuso de drogas e depressão o levaram a tentar o suícidio, só podemos agradecer por ter dado a volta por cima e partilhar connosco um pouco desse carrossel de sentimentos na forma deste Tanglewood Numbers.
"Punks in the Beerlight", música que abre o álbum fez parte do meu alinhamento da Hora do Bolo. Será que isto só por si prova o valor que dou a esta música? Aquela intensidade de um "I Love you to the MAX!" é algo muito muito especial. Depois vem uma lista de músicas de nome enorme que algumas vezes me deu sustos derivado do facto de que me punha a olhar para o iPod para ler o nome todo e distraído da estrada tudo podia ter acontecido. Todas elas com o seu encanto, a sua magia, as suas metáforas para transmitir a sua nova encontrada fé e um ritmo muito vivo a acompanhar. E não podia deixar também de realçar o grand finale "There is a place", uma música que parece um resumo do álbum, onde tudo se concilia.
Poderia aqui colocar várias frases que se retiram deste álbum e que nos fazem pensar, nos fazem sonhar. Mas prefiro deixar cada um ouvir com a devida atenção e descobrir por si, sentir por si.
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29 setembro 2011
Álbum de Estimação: Black Rebel Motorcycle Club - "B.R.M.C." (2001)
Hoje trago como álbum de estimação este B.R.M.C., um álbum da fornada de 2001 que trouxe o garage rock de volta às luzes da ribalta e especialmente aos nossos ouvidos. Salientando que, no meio desta fornada, os Black Rebel foram únicos na mistura de influências que foram buscar para a sua sonoridade, neste álbum é possível ouvir desde Stooges até uns Jesus & the Mary Chain, passando por Velvet Underground, Rolling Stones, T.Rex e naturalmente dos Brian Jonestown Massacre de onde Peter Hayes saiu para formar esta banda. E a meu ver não é fácil esta tarefa de, partindo de influências bastante diversas, conseguir fabricar um álbum bastante coeso como é o caso. Parece que tudo encaixa bem, até quando passamos do punk de "Whatever Happened to My Rock n'Roll?" para a acalmia de uma "Awake". Acalmia mas só inicial, que depois a música cresce e transforma-se numa mescla (que bonita palavra) de psicadelismo e rock à boa moda dos já supracitados Velvet Underground. Até quando passamos de músicas com letras mais introspectivas e obscuras como "Rifles" para músicas mais cheias de esperança como "Salvation". E não podia deixar de falar também de "Love Burns" e "Spread Your Love", músicas cheias de garra. É giro pensar que o som desta banda é tipicamente britânico, mas na realidade é composta por 2 americanos e um britânico exilado nos States.
A toada de rock puro e duro combinada com o shoegaze mantém-se durante todo o álbum e foi bom constatar que, apesar de já lá irem 10 anos, é ainda prazeroso ouvi-lo de enfiada que foi o que fiz nestes últimos dias para preparar este artigo. Para reviver quem já não o ouve há algum tempo e para experimentar quem não conhece basta carregar no play abaixo.
A toada de rock puro e duro combinada com o shoegaze mantém-se durante todo o álbum e foi bom constatar que, apesar de já lá irem 10 anos, é ainda prazeroso ouvi-lo de enfiada que foi o que fiz nestes últimos dias para preparar este artigo. Para reviver quem já não o ouve há algum tempo e para experimentar quem não conhece basta carregar no play abaixo.
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07 julho 2011
Álbum de Estimação: Yo La Tengo - "And Then Nothing Turned Itself Inside-Out" (2000)
Os Yo La Tengo são uma banda que ando a descobrir de trás para a frente. Ou seja, comecei em 2007 com uma compra espontânea do álbum mais recente deles na altura, de nome I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass. O nome só por si já mereceria gastar uns euros, mas adicionando o facto de ter ouvido aqui e ali uns burburinhos sobre a banda foi mesmo impossível resistir. Depois fui ouvindo. E gostando. Descobrindo música a música. Também em 2007 o IndieLisboa deu-me a possibilidade de assistir a "Old Joy", um filme da neste momento consagrada Kelly Reichardt, cuja banda sonora foi totalmente composta pelos Yo La Tengo. Em 2009 quando saiu o álbum seguinte (e neste momento último), Popular Songs, fui provavelmente a primeira pessoa de Portugal a comprá-lo. Pretensioso? Talvez. Mas o que é certo é que estava em pre-order na amazon e assim que ficou disponível trataram de me enviar. Depois disso e do excelente concerto na Aula Magna o ano passado já não havia dúvidas - estava na hora de ir à conquista dos restantes 25 anos (!!!) e 10 álbuns da banda. E assim está a ser. Dos 10 já levo 4 ouvidos com a devida atenção. E é desses 4 que vou destacar este And Then Nothing Turned Itself Inside-Out que foi o que ganhou um lugar especial. E ganhou-o de uma forma que parece simples - basta uma das mais perfeitas músicas de amor, "Our Way to Fall" (não resisto a colocar aqui a letra da música), duas músicas primaveris perfeitas de nome "You Can Have It All" e "Let's Save Tony Orlando's House", guitarras com distorção a fazerem maravilhas em "Cherry Chapstick". Ou seja uma bela demonstração do que a banda é capaz, da diversidade que almeja e consegue atingir. O trio Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew apostou neste álbum numa base mais serena, tranquila, a que não é alheia a própria capa do álbum. Vejam como tudo parece calmo e sereno no bairro, tirando o pequeno pormenor/pormaior de estar em curso o que parece ser um sequestro por aliens.
Resumindo, deixa água na boca para continuar a pesquisar mais. E acho que isto é o melhor que pode acontecer a alguém - suscitar a curiosidade por mais. Experimentem já aqui em baixo. Aviso que correm o risco de terem de ir atrás dos restantes trabalhos da banda.
Resumindo, deixa água na boca para continuar a pesquisar mais. E acho que isto é o melhor que pode acontecer a alguém - suscitar a curiosidade por mais. Experimentem já aqui em baixo. Aviso que correm o risco de terem de ir atrás dos restantes trabalhos da banda.
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09 junho 2011
Álbum de Estimação: The Polyphonic Spree - "The Beginning Stages Of..." (2002)
De quando em vez volto a ouvir este disco e todas essas vezes que o oiço um sorriso entreabre-se nos meus lábios. Há qualquer coisa de impoluto, ingénuo mas genuíno neste álbum. Se calhar é a minha costela de hippie a dar de si mas se assim o for, ainda bem. E ainda bem porque este disco merece todos os minutos que lhe dedico. Faz-me "regressar" a um tempo que nunca vivi. Neste mundo dos Spree não há escuridão nem tristeza. E os Spree são isso mesmo. Uma banda cheia de luz e vibrante. Pudera. São doze elementos, todos vestidos com robes como se de uma comunidade Hippie se tratassem. Uma comunidade fundada por Tim DeLaughter (nome sui generis), quase como um "happening", onde faz das suas influências de Beach Boys ou Flaming Lips, músicas de paz de espírito, verdadeiro bálsamo para os ouvidos com toques de gospel e rock orquestral, utilizando dezenas de instrumentos diferentes que vão das teclas aos instrumentos de sopro. Curioso é que conseguiram apanhar esse espaço-temporal dos sixties, transportando todo a aparato de um grande grupo com vários músicos e coros para este disco. Uma boa adição para a colecção de discos....
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19 maio 2011
Álbum de Estimação: The National - "Alligator" (2005)
Eu descobri os The National com o Boxer. Foi por aí que eles entraram, normalmente pelas colunas do carro. Ouvi-o muitas muitas vezes nos quilómetros que separam a minha casa do local de trabalho, sempre a descobrir um bocadinho mais, sempre mais uma música, mais uma frase, mais um arranjo. Foi um daqueles processos de descoberta que duram, mas são saborosos, o assimilamento gradual de que estava perante um grande álbum. Mas quando me apareceu o Alligator fui arrebatado de uma forma que não sabia para onde me virar, se para a tranquilidade de "Daughters of the Soho Riots", se para o êxtase de "Mr. November". Se para as lamentações e pedidos de desculpas de "Baby We'll be Fine", se para a energia de "Lit Up". Se para um Karen, put me in a chair, fuck me and make me a drink em "Karen" ou se para um I wanna go gator around the warm beds of beginners em "City Middle". A dúvida instala-se. E mói, tudo mói, a palete de emoções presente neste disco é de tal forma amplo que não conseguimos digerir bem o fim de um música e início de outra. É brusco demais o corpo não aguenta. Tal como não aguenta bem a voz do Matt a ecoar nos ouvidos. Tal como não aguenta ficar impávido e sereno com a potência avassaladora de "Abel", aqui já abaixo.
Se eu soubesse o que sei hoje (frase muito usada mas um totalmente inconsequente) teria saboreado este Alligator desde o momento que viu a luz do dia, em Abril de 2005, já lá vão 6 anos. Parece impossível.
Se eu soubesse o que sei hoje (frase muito usada mas um totalmente inconsequente) teria saboreado este Alligator desde o momento que viu a luz do dia, em Abril de 2005, já lá vão 6 anos. Parece impossível.
10 fevereiro 2011
Álbum de Estimação: The Zutons - "Who Killed...The Zutons" (2004)
Aquando da ideia da fundação deste blog nos fins de 2004 (incrível como já passou tanto tempo...), este era dos discos que mais ouvia no momento. Era a altura dos Coral, Libertines, Franz Ferdinand, entre outros, e estes Zutons fizeram o seu papel nesse tempo. Não me recordando bem de como este disco chegou às minhas mãos, provavelmente alguma dica da "cor-de-rosa" NME, lembro-me perfeitamente de me ter dado prazer instantâneo. Um rock psicadélico mesclado de punk-rock, polvilhado aqui e ali com elementos mais folk, soul ou de tom mais groove, foi o suficiente para me manter agarrado a este disco durante uns bons meses, dando-me sempre um prazer especial quando o volto a ouvir de quando em vez passados estes anos todos. Não será nunca um daqueles 1001 discos essenciais que aparecem em livros especializados na matéria, mas também, não é essa a verdadeira razão porque realmente gostamos de música. Há sempre aquele disco que vos atinge mais aqui ou ali e poderá não dizer nada ao vizinho ao lado. Contundo é, certamente, impossível ficar indiferente ao groove de "Zuton Fever ou de "You Will You Won't". Who Killed...The Zutons é, mais do que um disco essencial, é, sobretudo, uma colecção de boas músicas, algumas mais negras outras mais açucaradas, mas promete 40 minutos de tempo bem passado...
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20 janeiro 2011
Álbum de Estimação: The Fiery Furnaces - "Gallowsbird's Bark" (2003)
Se o termo punk progressivo não existia nos dicionários da música, então os Fiery Furnaces inventaram-no e com mestria. A banda, composta pelos irmãos Matthew e Eleanor Friedberger, cedo começou a desenvolver o gosto pela música, muito pela influência da sua mãe que tocava piano, guitarra e ainda cantava. Matthew também começara cedo a sua incursão pela música, tocando desde novo contrabaixo. Ao regressarem a casa, após algum tempo ausentes, Matthew e Eleanor aproximaram-se e começaram a querer criar música juntos. Influenciados por bandas como os Mutantes, Captain Beefheart, Velvet Underground, os Who versão Tommy e Quadrophenia e ainda pelo punk, os irmãos, agora chamados The Fiery Furnaces começaram a criar um mundo novo à sua volta. Músicas doces rapidamente interrompidas por outras agressivas, um pára-arranca que me apanhou logo desde a primeira audição há quase dez anos. Já com sete discos em cartel, este Gallowsbird's Bark surge fresco e novo como no primeiro dia que o ouvi. Sem dúvida, um dos melhores discos de estreia de uma banda que nunca baixou a bitola em termos de qualidade e criatividade.
23 dezembro 2010
Álbum de Estimação: Josh Rouse - "1972" (2003)
Lembro-me muito bem de onde e como começou a minha relação com o Josh Rouse - foi na Fnac desse antro que é o Colombo, corria para aí o ano de 2005. Nunca tinha ouvido o nome dele. E aposto que ele também nunca tinha ouvido o meu, naturalmente, mas adiante. O que me levou a agarrar no CD e levá-lo comigo até ao auscultador mais próximo foi a capa que veêm aqui ao lado. Algo nesta imagem retro-seventies-soul-whatever estimulou-me e fui experimentar. E então fez-se magia - ouvi as duas primeiras músicas e decidi trazê-lo comigo para casa. São raros estes momentos, até porque hoje em dia as minhas compras de CD são na sua grande maioria pensadas, poucas são impulsos do momento, mas estes impulsos aqui e ali continuam a saber muito bem! Continuando a história, o Josh e este seu 1972 chegaram lá a casa e instalaram-se confortavelmente por todos os lados de onde fosse possível sair música. Estava rendido a este disco que irradia uma aura de tranquilidade, nostalgia, bem-estar e me acompanhou em boas tardes de primavera. Sei que falar em primavera nesta altura do campeonato parece maldoso, mas o que é facto é que é a próxima estação e 3 meses passam num instante. Se quiserem começar a ter um cheirinho comecem com "1972," música que abre o álbum e deixem-se levar até à encantadora "Rise" que o encerra. São uns meros 43 minutos que passam num abrir e fechar de olhos.
09 novembro 2010
Álbum Fresquinho: Interpol -"Interpol"
Há uns dias um velho comparsa meu atirou-me para a cara: "os Franz Ferdinand estão datados!". Como não estava à espera de uma intervenção assim fiquei meio estupefacto e tentei rebater a afirmação, ao qual ele me diz: "há quanto tempo não ouves um álbum de FF de início ao fim?". Desarmou-me. De facto, Franz Ferdinand, como o indie rock em geral está a ficar datado. Já são dez (10!) anos de boa música de um estilo que veio "salvar-nos" da mediocridade do pop/rock que vigorava no fim dos anos 90. Pois bem, em dez anos passam-se muitas coisas. O mundo muda, os estilos mudam. Os próprios Beatles nem dez anos duraram. É complicado a uma banda manter-se honesta e no "top of the game" por muito tempo. As pessoas cansam-se e é normal. O indie rock está a morrer aos poucos, lentamente e este último disco dos Interpol é uma das imagens desse falecimento. Tanto a nível estético como lírico.Apenas intitulado "Interpol", algo que a maior parte das bandas o faz logo no primeiro disco, o que poderá querer significar que o ciclo fechou e a partir de agora ou se entra por outros caminhos ou se começa a apagar lentamente como uma fogueira a qual não alimentamos mais, ou porque não precisamos de mais calor ou porque não temos mais lenha (leia-se ideias). "Interpol", quarto disco de originais da banda nova-iorquina, liderada por Paul Banks, agora com menos um elemento, cheira apenas a competente, o que não é mau, mas não é bom. Não tem a melancolia e estranheza de Turn on the Bright Lights nem a pujança e velocidade de Antics nem sequer o lado mais apelativo de Our Love to Admire. Serve para entreter, para meter lá no meio dos bons mas sem sair muito da estante. O fogo está a apagar-se mas ainda lança algumas labaredas e nos queima como em "Success", "Lights" ou "Barricade" e ainda nos leva a alguma mais distante sombria na trilogia final com "Try It On", "All the Ways" e "The Undoing". Tudo somado não nos deixa desiludidos porque já não estamos mais à espera de muito. Tal como eles, crescemos, expandimos horizontes e já estamos prontos para o futuro pós indie-rock. Falta eles darem o próximo passo ou o fogo apagar-se-á para sempre...
28 outubro 2010
Álbum de Estimação: The Go! Team – "Thunder, Lightning, Strike" (2004)

No ano 2000 saía da cabeça, e dos dedos, de Ian Parton um projecto ao qual chamou The Go! Team. Nome irónico, porque na altura a equipa era só ele, e a sua maquinaria. Só em 2004 se formou banda, quando foi preciso tocar num festival e Ian Parton viu que precisava de mais gente para dar um concerto. Foi recrutando pessoas, algumas por anúncios no jornal, e assim formou o grupo, um sexteto.
O primeiro disco, Thunder Lightning Strike, é lançado em 2004, e entra de rompante na cena musical internacional, tão rompante como a música deste disco e como o próprio título indicia.
Este álbum entra na categoria dos incategorizáveis. Não pertence a nenhum género específico, não se cola a nenhuma época concreta. É antes um emaranhado de sons e vozes, que fazem deste um álbum de PresentePassadoFuturo. Tudo ao mesmo tempo.
O som dos Go! Team é uma manta de retalhos. Tudo começa num trabalhoso processo de corta e cola, com uma série de samples, dos mais variados possíveis, desde temas de anúncios da televisão dos anos 70, excertos de músicas de Dolly Parton a Quincy Jones, temas de filmes, e por aí em diante, até onde a imaginação levar. Com esta base, são depois introduzidos instrumentos – guitarras, secção rítmica, sopros, teclas – e vozes.
O resultado é uma salada sonora, com músicas anacrónicas, que representam exactamente todos os tempos verbais – são feitas no presente, com técnicas do futuro, e muitas vezes remetem para um passado (feito com muito soul e funk ). Cada música é uma construção que leva várias camadas de sons e outros elementos.
O tom é basicamente de festa, descarga de energia, instantânea, que sai de cada nota directamente para a cabeça e para o corpo. Músicas como “Huddle Formation” ou “Junior Kickstart” são dessas, frenéticas, que fazem os pés e as pernas abanar. Há no disco um ou outro momento mais calmo (“Feelgood by Numbers”), que serve para descansar o corpo, antes de voltar à algazarra dançante. Depois, é voltar ao início. Este é um disco para ouvir em repeat, com 11 músicas em pouco mais de 30 minutos.
Um primeiro disco é quase sempre um disco de estimação, ou porque os seguintes são bons, ou porque os seguintes são maus. Neste caso o seguinte é igualmente bom, mas menos ingénuo, e por isso guarda-se com estima esta primeira aventura.
02 agosto 2010
Extra Golden - Thank You Very Quickly (2009)
Muito antes de se começar a falar dos africanismos no indie pop/rock, principalmente, norte-americano, houve um indivíduo chamado Ian Eagleson que pretendia fazer uma tese sobre a música Benga, originária do Quénia, sobretudo da zona de Nairobi. Começando no início deste milénio, Eagleson teve o apoio de um músico local de seu nome Otieno Jagwasi. Motivado pelo seu gosto por este tipo de música africana e, sendo ele também um músico, nomeadamente da "cena" indie, Eagleson resolveu voltar a Nairobi quatro anos depois munido do seu estúdio de gravação portátil e, acompanhando-o, o seu companheiro de banda, Alex Minoff. Da colaboração entre estes 3 homens e destas duas culturas tão díspares, nasceu o projecto Extra Golden e com ele o primeiro disco, gravado praticamente numa tarde num qualquer clube esconso de Nairobi.
Infelizmente, logo após a edição de Ok-Oyot System,Jagwasi viria a falecer devido a doença grave. O disco tinha sido tão bem recebido pela crítica mais atenta que seria uma pena esta colaboração acabar assim tão prematuramente. Inacreditavelmente o irmão do falecido Jagwasi viria a tomar o seu lugar, e com ele veio também Opiyo Bilongo. Este quarteto viria a lançar em 2007 o seu segundo disco, Hera Ma Nono, no mesmo registo do primeiro.
Apesar da infelicidade que bateu à porta da banda no início da sua vida, a maré voltava a mudar para melhor. Não só a banda não terminou como ainda se tornava mais forte e confiante. Isso nota-se realmente neste terceiro disco de originais, Thank You Very Quickly. A fusão do indie rock com as batidas e ritmos africanos fazem lembrar uma mistura de Jerry Garcia com pequenos toques de Santana mas que vai muito além disso. Aqui não encontramos uns Vampire Weekend a pegar em Paul Simon. Aqui encontramos outra direcção nessa fusão entre o mundo pop/rock e a world music. Primeiro, a maior parte das músicas é cantada em Queniano, no entanto, o inglês também se faz sentir. Mas aqui, a música africana tem mais peso do que em outras bandas de fusão.
Uma das boas descobertas deste novo milénio.
23 julho 2010
Akron Family - Set 'Em Wild, Set 'Em Free (2009)
"River" foi a primeira música que ouvi deles, já no passado mês de Janeiro, e logo aqui a partilhei. Mas o processo de absorção deste Set 'Em Wild, Set 'Em Free foi estranho, na medida em que as músicas iam aparecendo no shuffle, e eu quase sem dar por isso fui sendo levado, música a música, até um dia aperceber-me de que havia ali qualquer coisa e ter tomado a iniciativa de ouvi-lo do início ao fim. Foi o mote para passar do ponto de deslumbramento inicial a cada música que entrava ao ponto de "Porra, isto é um granda álbum tenho que escrever no Altamont". Ainda passei um tempo com o álbum por aqui a marinar, mas depois de ter incluído uma música dos Akron Family na mais recente playlist, senti que era chegado o momento. Vamos portanto a isso, sem mais demoras e para começo de conversa tenho a dizer Porra, isto é um granda álbum! É um álbum do tamanho do mundo, na medida em que parecem aqui caber vários ritmos, desde o funk, a hard rock, gospel, folk, free jazz, soul, you name it. E isto acontece dentro das próprias músicas, sendo "Gravelly Mountains of the Moon", música lá para o meio do álbum, a melhor amostra disso mesmo. Começa com uma simples flauta, depois uma voz calminha, vão entrando mais instrumentos aos poucos, mais vozes, e depois guitarras com riffs pesados, a mudar todo o cenário criado até então. Entramos então em regime de free jazz, improvisação total, delírio, até ao retorno à calmia inicial. Esta parece ser a fórmula secreta dos Akron Family - a improvisação levada ao extremo, que é utilizada em várias músicas onde de repente muda a estrutura da música, muda o ritmo mudam os instrumentos utilizados e o caos se instala. "Everyone is Guilty" é também um exemplo revelador disto mesmo, e para além disso é a música de abertura e uma das principais responsáveis por todo este entusiasmo. Mas que fique claro que eles também são capazes de músicas mais contidas, mais arrumadas, como é o caso de "The Alps & Their Orange Evergreen" e "Set'em Free Pt.1", onde se destacam as guitarras acústicas e a consequente criação de um ambiente mais pacífico, mais cozy. E não podia deixar de realçar também as 2 músicas finais, "Sun Will Shine" e "Last Year", ambas em tom esperançoso, que vêm aí melhores tempos com um perfume de gospel deveras interessante. Não têm mais nada a fazer senão experimentar! Parece-me certo que é dos melhores álbuns que adicionei ao iTunes este ano.
PS - no post anterior com os Akron digo, à boca cheia, que estariam por cá em tempo de festivais. Puro engano meu e ainda bem - merecem um concerto em nome próprio na Aula Magna quanto antes!
21 junho 2010
Local Natives - Gorilla Manor (2009)
Os Local Natives são uma banda de Los Angeles, formada em 2008, sendo este Gorilla Manor o seu álbum de estreia. E é, a meu ver, uma estreia deveras interessante. Começaram a chamar a atenção no festival South by Southwest de 2009, onde actuaram por nove vezes (!) e passados 6 meses já tinham álbum pronto a ser lançado. Se quiserem ter uma ideia do estilo de som, têm sido apelidados por aí como os "Grizzly Bear da Costa Oeste", mas eu diria que vão buscar bastante a uns Fleet Foxes, dando um toque mais animado, mais efervescente às melodias. Penso que conseguem transmitir uma sensação de alegria, de juventude, tanto ao nível do ritmo das músicas como nas próprias letras, e penso que nem todas as bandas novas conseguem fazê-lo com genuinidade. Bem sei que genuinidade, em música, é uma coisa cada vez mais rara e difícil de se atingir, e não são estes Local Natives um caso desses, mas acho que conseguem pegar em várias influências e criar uma mistura interessante e digna de audição. Garanto-vos que soa bem logo à primeira audição e vai melhorando de cada vez que o ouvem, é um daqueles que se vai descobrindo música a música e deixa um bom final de boca. O meu destaque pessoal em termos das músicas vai para "Airplanes", "Warning Sign" e "Camera Talk".
Enjoy it!
Enjoy it!
21 maio 2010
Peter Frampton – Thank You Mr. Churchill (2010)
Ora aí está mais um regresso de um dos grandes “desaparecidos em combate” do Rock: Mr. Peter Frampton! Com uma carreira que já conta com mais de 40 anos de actividade, 15 discos de estúdio, o grande salto para fama deu-se em 1976 quando o então jovem publicou o “ao vivo”, “Frampton, Comes Alive”, um dos discos seminais dos anos 70 e que por sua vez amaldiçoou para sempre a carreira do ex-Humble Pie.
15 Milhões de discos vendidos (6 milhões, só nos Estados Unidos), tornaram em Frampton (em 1976) numa “overnight sensation” que não foi capaz de capitalizar musicalmente os fabulosos ganhos desse monumental disco ao vivo. Sempre a descer em termos de vendas de discos e de popularidade, o guitarrista só voltou às luzes da ribalta quando aceitou o convite do amigo dos tempos de escola, um tal de David Bowie para fazer parte da banda de apoio da espalhafatosa “Glass Spider Tour”, em 1987.
Daí para cá, Frampton lá foi publicando um disco ou outro (sempre sem grande chama), feito uma tournée ou outra (com bastante sucesso no circuito de “golden oldies” ou rock clássico, nos E.U.A.). Enfim, os anos lá foram passando. À lustrosa cabeleira loira aos caracóis deu lugar a uma respeitável careca. No entanto, as qualidades de Frampton enquanto guitarrista mantiveram-se intactas. Um grande senhor das “seis cordas de aço” que infelizmente nunca foi valorizado nem pela crítica especializada, nem pelo público mais dado ao Rock.
Agora chega, “Thank You Mr. Churchill”, o décimo quarto de originais e com ele a vontade de recuperar algum do respeito perdido. Tirando o dispensável azeiteiro, “Vaudeville Nanna and the Banjolele é um disco em que Frampton “dispara em todas as direcções”. Desde os Blues-Rock (“I Want it Back” ou “Asleep at the Wheel”), passando pelo Pop-Rock, muito estilo do seu primeiro conjunto profissional os The Herd (1967 -1968) com “I´m Due To You” (uma excelente canção que não ficaria mal a Eric Clapton), à Soul com “Invisible Man”, até aos habituais instrumentais (“Suite Liberté”) “ditos normais” em discos cozinhados por “velhos feiticeiros da guitarra”. Mas melhor mesmo é postura Hard-Rock que essencialmente governa o disco. Estão aqui grandes malhas de fazer inveja não só aos Humble Pie (como “Solution”) como também aos anos perdidos e obscuros da carreira de Frampton. È o caso de “Road to the Sun”, cantado pelo filho Julian.
Parece mesmo que os maus tempos se foram embora e os dias ao Sol vieram para ficar! No entanto como já não resta muito tempo de actividade a Frampton, se este fosse o seu último de estúdio, já se podia reformar feliz e contente por ter voltado a “Rockar” como nos velhos tempos! “Frampton is still much Alive!”
20 maio 2010
Steve Hackett – Out of the Tunnel's Mouth (2009)
Se Peter Gabriel se virou mais para a “World Music”; se Tony Banks se dedicou à composição de álbuns orquestrais menores; se Mike Rutherford encetou por caminhos completamente comerciais e Phil Collins fez as porcarias baladeiras que fez…sobra alguém que se encarregue de salvar a “Honra do Convento” dos velhos Genesis? Felizmente, ainda existe esse “alguém”. Chama-se Steve Hackett e é o único dos ex-Genesis que ainda pratica aquilo que se pode chamar de “Rock Progressivo”. O último dos resistentes…
“Out of the Tunnel´s Mouth” é a última oferta de um guitarrista que aos 60 anos de idade ainda carrega consigo aqueles arranjos musicais audaciosos dignos da “velha guarda Prog”, bem como uma enorme capacidade de reinvenção e uma aptidão para compor temas minimamente inteligentes e ambiciosos.
O disco divide-se em oito temas onde Hackett explora ambientes tanto acústicos como eléctricos. Algo que sempre fez com mestria e precisão em todos os seus registos a solo (e já vão mais de vinte). O inaugural “Fire on the Moon” é um óptimo exemplo dessa maneira de estar em que nos vêm à memória grandes sons extraídos do catálogo dos Genesis como nos clássicos “Selling England By the Pound” ou “Trick of the Tail”. Como bónus temos sempre os seus solos precisos, meticulosos e celestiais (que só encontram rivalidade em Robert Fripp dos King Crimson ou David Gilmour dos Pink Floyd).
Segue-se o lindíssimo “Nomad”, uma homenagem aos ciganos em que o ex-Genesis volta a explorar as potencialidades da dicotomia entre “acusticalidade vs electricidade”, emprestando ao tema um cariz mágico em que se cruzam influências que vão do Flamenco passando pelo Jazz até ao Rock. Já “Emerald and Ash”, tem um ar “Vitoriano”, decididamente mais inglês, mais Genesis, em que poderiam surgir quatro ou cinco temas diferente da mesma canção. O solo eléctrico e corrosivo de Hackett nesta canção é aquilo a que poderemos chamar verdadeiramente progressivo.
Com “Tubehead”, Hackett volta-se para terrenos dignos de “Guitar Hero”. A sua destreza técnica não fica nada atrás de nenhum Eddie Van Halen ou Steve Vai deste mundo. Mas melhor mesmo, e talvez a obra que enche mais as medidas é “Sleepers”. Tem tudo aquilo que todo o velho fã de Genesis gostava. Começa como uma balada celestial que depois desemboca numa tempestade épica com grande sentido orquestral.
Depois do excelente instrumental, o pequeno “Ghost in the Glass”, chega-nos o tema mais pesado do disco: “Still Waters”. Mais uma lição de mestre de Hackett e com uma ambiência que não dista muito dos últimos registos dos King Crimson.
A fechar, surge o arábico e semi-cinematográfico – “Last Train to Istanbul” – um tema quente, exótico, mágico e pelo qual a guitarra solista de Hackett nos guia como se de uma câmara se tratasse.
No global este é um disco sólido e talvez o melhor que Hackett produziu desde o excelente “To Watch the Storms” (2002). Uma obra que esteve quase para não ver a luz do dia devido a complicações legais surgidas com o divórcio do ex-Genesis e a pintora brasileira Kim Poor (autora de muitas das capas do vasto catálogo do ex-marido). No final, o casamento foi à vida, mas pelo menos salvou-se este disco...
12 maio 2010
Radiohead - In Rainbows (2007)
E chegamos então a 2007, ano de lançamento de In Rainbows, sétimo álbum da banda. 22 anos se tinham passado desde a data de formação da banda, e 15 desde o lançamento de "Creep", o single que os mostrou ao mundo. E como os Radiohead nunca foram banda de apenas implementar aquilo que a sociedade considera normal, este foi mais um lançamento em estilo. Findo que estava o contrato de seis álbuns com a EMI, os Radiohead optaram por um lançamento independente e inovador - o álbum ficou disponível para download no site da banda, e os compradores é que decidiam o preço a pagar pelo download do mesmo. A meu ver esta foi uma pedrado no charco da indústria da música, adormecida à sombra da bananeira perante a realidade actual e a combater com as armas erradas o acesso sem custos à música. Por falar em música, e sem mais rodeios, analisemos então um pouco melhor este In Rainbows.
O álbum inicia-se com um "15 Step" que é o mais perto que os Radiohead estiveram de ser uma banda de música electrónica, indo, a meu ver, até um pouco além de onde tinham ido em Kid A neste campo, entrando de seguida em "Bodysnatchers", com um poderoso baixo e riff de guitarra a servir de base a tudo o resto, que parece não mais que uma jam session, com entradas e saídas dos outros instrumentos, variações do ritmo e um final apoteótico quando já nada esperávamos. Importa realçar que antes de In Rainbows ver a luz do dia, já Thom Yorke tinha lançado um álbum a solo, The Eraser, onde expandiu toda a sua vontade de experimentação, chegando à produção de In Rainbows um Yorke diferente, menos tenso e mais aberto a ser apenas mais um elemento da banda. E penso que este "Bodysnatchers" carrega sobre si o peso de exhibit A, com todos os elementos da banda em plena utilização das suas capacidades. Vem depois "Nude", música já antiga, dos tempos pré-Kid A, mas que nunca tinha sido incluída em álbum e na qual nos é mostrado um lado doce dos Radiohead, que nos faz fechar os olhos e deixar ir. O mesmo acontece com "House of Cards", música inserida mais lá para a frente no álbum (ninguém vos disse que isto tinha de ser por ordem, nem que ia falar de todas as músicas...). Um sonho. Queria também destacar, a nível pessoal, as duas músicas que me deixam mais encostado no canto do ringue, prostrado, inerte, maravilhado - "Weird Fishes/Arpeggi" e "Jigsaw Falling Into Place". Bastante diferentes uma da outra, mas de uma intensidade bruta. E para acabar, "Videotape". O acabar um álbum é uma arte já demonstrada por A+B na qual os Radiohead são mestres. E como tal não há aqui espaço para desilusão, apenas confirmação.
In Rainbows é, se a minha opinião se pode ficar por uma palavra, brilhante. Sente-se o alívio da pressão a que sempre estiveram sujeitos para inovar e a coisa resulta num belo disco. Desde a inclusão de uma música que não tinha sido aceite pelos parâmetros de qualidade anteriormente impostos, a "House of Cards" onde ouvimos e sentimos uma sensação de relaxamento que nunca estivera presente, tudo neste álbum soa ao fechar de um ciclo aceite por todos e ao atingir de um objectivo que até então estiveram em constante (e incessante) procura.
O álbum inicia-se com um "15 Step" que é o mais perto que os Radiohead estiveram de ser uma banda de música electrónica, indo, a meu ver, até um pouco além de onde tinham ido em Kid A neste campo, entrando de seguida em "Bodysnatchers", com um poderoso baixo e riff de guitarra a servir de base a tudo o resto, que parece não mais que uma jam session, com entradas e saídas dos outros instrumentos, variações do ritmo e um final apoteótico quando já nada esperávamos. Importa realçar que antes de In Rainbows ver a luz do dia, já Thom Yorke tinha lançado um álbum a solo, The Eraser, onde expandiu toda a sua vontade de experimentação, chegando à produção de In Rainbows um Yorke diferente, menos tenso e mais aberto a ser apenas mais um elemento da banda. E penso que este "Bodysnatchers" carrega sobre si o peso de exhibit A, com todos os elementos da banda em plena utilização das suas capacidades. Vem depois "Nude", música já antiga, dos tempos pré-Kid A, mas que nunca tinha sido incluída em álbum e na qual nos é mostrado um lado doce dos Radiohead, que nos faz fechar os olhos e deixar ir. O mesmo acontece com "House of Cards", música inserida mais lá para a frente no álbum (ninguém vos disse que isto tinha de ser por ordem, nem que ia falar de todas as músicas...). Um sonho. Queria também destacar, a nível pessoal, as duas músicas que me deixam mais encostado no canto do ringue, prostrado, inerte, maravilhado - "Weird Fishes/Arpeggi" e "Jigsaw Falling Into Place". Bastante diferentes uma da outra, mas de uma intensidade bruta. E para acabar, "Videotape". O acabar um álbum é uma arte já demonstrada por A+B na qual os Radiohead são mestres. E como tal não há aqui espaço para desilusão, apenas confirmação.
In Rainbows é, se a minha opinião se pode ficar por uma palavra, brilhante. Sente-se o alívio da pressão a que sempre estiveram sujeitos para inovar e a coisa resulta num belo disco. Desde a inclusão de uma música que não tinha sido aceite pelos parâmetros de qualidade anteriormente impostos, a "House of Cards" onde ouvimos e sentimos uma sensação de relaxamento que nunca estivera presente, tudo neste álbum soa ao fechar de um ciclo aceite por todos e ao atingir de um objectivo que até então estiveram em constante (e incessante) procura.
30 abril 2010
29 abril 2010
Obits - I Blame You (2009)
Obits! Nada a ver com os outros pequenos seres que habitavam ou habitam, segundo alguém que passou lá recentemente, a Terra Média. Estes Obits são duros, crús e muito mais agressivos que os pacholas de metro e meio do Shire. Apesar de serem de Brooklyn, eles não pertencem à tribo do Indie Rock. Para eles os tempos de ir tocar para a garagem do único tipo que tinha bateria e cujo pai não lhe ia chagar a cabeça a todo tempo não passaram. Chamam-lhe Garage Rock. Se é Revival ou puro é com vocês. O som é sempre a rasgar e não vos vai desiludir. I Blame You entrou-me logo e penso que o mesmo vai suceder com quem ouvir este disco. Ouve-se de início ao fim sempre de dedo em riste, ou dois. Não adianta referir esta ou aquela música, até porque ninguém quer saber disso. Oiçam o disco. É bom. Mesmo.
21 abril 2010
Radiohead - Hail to The Thief (2003)
Como não é correcto para os leitores Altamont começar as coisas para as deixar a meio, vou aqui terminar aquilo que me propûs a fazer - a análise da carreira dos Radiohead álbum a álbum.
Após as tensas sessões de gravação para Kid A e Amnesiac, foi decidido pela banda dedicar menos tempo nesse processo ao novo álbum, de forma a evitar alguns conflitos ocorridos anteriormente, ao mesmo tempo que permitia aos membros já com filhos passarem mais tempo com as suas famílias. Yorke chegou a afirmar mais tarde que gostaria de ter passado mais tempo em estúdio, mas na minha opinião não valia a pena. Por vezes, o facto de manter as coisas mais simples traz ao de cima o melhor. E penso que assim terá ocorrido na gravação deste Hail to the Thief, cujo nome do álbum advém supostamente de uma variação de "Hail to the Chief", música entoada para o Presidente dos EUA, na altura George W. Bush, do qual Yorke sempre foi (mais) um acérrimo crítico.
Costuma-se dizer que não há como uma primeira impressão de algo. Pois bem, Hail to the Thief, ao contrário dos 2 álbuns anteriores dos Radiohead nos quais foram precisas mais atentas audições, conquistou-me à primeira audição. Nos primeiros segundos de cada música, uma a uma, conquistou-me. Vou tentar recriar aqui em palavras, na medida do possível, esse sentimento: Abre-se o package (é que não é uma caixa, não é um livro, não é uma embalagem... é mesmo um package, perdoem-me os mais aguerridos defensores da pureza da língua portuguesa, mas é mesmo um package lindo, fora do normal em tamanho e conteúdos, com um enorme mapa, as letras das músicas, extraordinário só por si), tira-se o CD, e mete-se no sistema de som. E começa "2+2=5.", uns sons de aquecimento, como que um ligar do sistema e música, apenas voz, piano e uma ligeira batida a acompanhar. Um manifesto de intenções, "Are you such a dreamer/ To put the world to rights?/ I'll stay home forever/ Where two and two always makes up five." Depois entra a guitarra, lentamente. Até que passados 2 minutos o ataque passa a ser frontal "You have not been payin' attention!" é-nos gritado ouvido dentro, acompanhado pela intensidade da guitarra, com um riff que estava pronto a sair da guitarra do Ed O'Brien ao tempo, bateria, ritmo forte. Uma clara demonstração que há algo aqui a que tomar atenção e foi o que fiz. Ouvidos ainda mais alerta. E volta a calmia patente no início do álbum com o começo de "Sit Down. Stand Up." Mas o ritmo em crescendo rapidamente nos mostra que é sol de pouca dura e aos 3 minutos a música atinge o auge com o início de uma batida demoníaca, com Yorke a repetir constantemente "The raindrops?". Neste momento já estou encostado à parede, rendido à intensidade que me foi colocada à frente e ainda só vamos na segunda música. Por isso, nada como acalmar as hostes, com uma balada, "Sail to The Moon." Há sempre uma nos álbuns dos Radiohead, e esta está ao nível delas todas. Já recuperei o fôlego, e continuo deslumbrado com cada momento vivdo até então. Next song: "Backdrifts". Reminiscências de Kid A e Amnesiac não poderiam faltar, como se dúvidas houvessem, esses álbuns não foram experiências isoladas, são na realidade elementos definitivamente integrados no som da banda. "Go to Sleep" também demonstra isso, fazendo lembrar "Knives Out", e reforçando o manifesto inicial "We don't want the loonies taking over/ Over my dead body!". Qualquer semelhança entre um loonie e Bush é mera coincidência...
"Where I End And You Begin" é mais um excelente momento do álbum, da qual realço o êxtase final, que desagua num regresso ao piano, acompanhado de palmas, em "We Suck Young Blood", mais uma música que nos convence que é calma e pacífica, e depois nos ataca inesperadamente para depois nos deixar novamente ao "abandono" das palmas e piano, sempre com a voz de Thom Yorke a envolver-nos totalmente. "The Gloaming" leva-nos de volta a Kid A, enquanto que "There There", primeiro single do álbum nos recebe a som de tambor e é mesmo um momento em que confluem todas a história dos Radiohead. Como que se conseguissem juntar numa música só tudo o que fizeram na sua carreira. Lembro-me perfeitamente que foi a música de abertura do concerto que deram em Lisboa antes do lançamento do álbum, que serviu para testarem as músicas ao vivo, e a estranheza que causou ver Ed O'Brien de baquetes em punho a bater no tambor. Mas estranheza, com os Radiohead, é um sentimento que passa depressa...
O arranque para a parte final do álbum dá-se com "I Will", calmo e tranquilo, seguido de "A Punch Up at a Wedding". Mas o grand finale, a que os Radiohead sempre nos habituaram, fica neste álbum a cargo de uma sequência de 3 músicas, "Myxomatosis", "Scatterbrain" e "Wolf at the Door". Totalmente distintas mas que resumem o que são os Radiohead. Pouco vou dizer sobre elas, porque pouco há mesmo a dizer. "Wolf at the Door" ficou no meu ouvido desde a primeira audição, durante o concerto no Coliseu em 2002, 1 ano antes do álum sair. E foi isso que disse aos elementos da banda quando tive a sorte de falar com eles no já longíquo dia 24 de Julho de 2002...
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