29 outubro 2010
Discussão à 6ª: Concertos vs Festivais
1)Preferem ver um concerto de uma banda, a qual prepara um set maior e, talvez, mais intimista ou um festival onde podem ver algumas das vossas bandas favoritas tocar um set pequeno mas, em compensação, descobrir aqui e ali algumas bandas que, caso contrário poderiam nem sequer ouvir falar delas.
2)Qual o ambiente que mais vos agrada? O do festival, geralmente de verão, onde, por vezes, há uma misturada de tribos, e decorre, por norma, durante 3/4 dias ou o do concerto onde se vai apenas para uma banda e já está.
Ficam aqui as perguntas. Espero, então, a vossa opinião.
22 outubro 2010
Discussão à 6ª: O Fade-out
15 outubro 2010
Discussão à 6ª: Música Clássica
Quero colocar desde já em cima da mesa e desmistificar um aspecto que é utilizado muitas vezes como justificativa - o aspecto financeiro. Hoje em dia um concerto de música clássica é mais barato que os concertos de pop/rock que por aí se vendem, basta um saltinho à página da gulbenkian e verão muitos concertos a menos de 30€, preço que paguei por um bilhete para ver os The Walkmen, por exemplo. As óperas são um pouco mais caras, é um facto, mas também é um outro nível de produção e de trabalho envolvido. Fica ainda com certeza mais barato que um qualquer jogo da Champions.
Assim sendo, o que desmotiva um jovem de 20 anos a nem sequer ponderar a possibilidade de ir experimentar um destes concertos? É algo que me atormenta, olhando para mim próprio que não o fiz aos 20 e só aos 30 comecei a abrir as portas a este mundo e agora penso que foram 10 anos que poderia ter acumulado mais uma camada de conhecimento e assim não foi. O que fazer para estimular os jovens a quererem conhecer mais do que o que lhes é oferecido?
Desde já agradeço a vossa opinião aqui abaixo na caixinha dos comentários!
22 janeiro 2010
Bande A Part: Radiohead #1
Tracklist:
Weird Fishes/Arpeggi; 15 Step; Bodysnatchers; Nude; The Gloaming; Myxomatosis; House Of Cards; Bangers and Mash; Optimistic; Reckoner; Videotape; Where I End And You Begin; All I Need; Go Slowly.
24 novembro 2009
NE CHANGE RIEN ou éramos apenas sete pessoas na sala e quatro de nós usávamos barba
Talvez fizesse ontem um ano desde a última vez que me teria emocionado tanto numa sala de cinema que não a cinemateca, talvez dois anos, três, juro que não sei, talvez a minha memória ande fraca. Agora as contas voltaram a zero, Ne Change Rien de Pedro Costa é sem dúvida um dos melhores filmes da década. É também sem dúvida um dos melhores filmes de/sobre música alguma vez feitos e tirem-me o teclado das mãos ou ainda acabo a dizer que é o melhor filme português de sempre e depois o João César Monteiro que se revolte e revolva na sua campa.
Falo de um filme num blog sobre tendências auditivas porque como já insinuei, este é um filme sobre música, sobre música (forma de expressão artística) e sobre uma música em concreto (a artista). Chamá-lo de documentário seria sugestionar que uma câmara esteve lá para simplesmente documentar, alheando-se assim da reflexão sobre o próprio cinema que Pedro Costa insiste em imprimir filme após filme. Seria também olhar para ele sem levar em conta a prodigiosa mise-en-scène por ele imposta, sem que no entanto se sinta a câmara de uma forma invasiva. Costa dá-nos a conhecer uma mulher total, sem precisar de a filmar fora da sua concentração na música e das poucas vezes que nos mostra o lado quotidiano da pessoa, fá-lo sempre em off ou pelo menos na escuridão. Conhecemos Jeanne Balibar, actriz francesa que eu desconhecia, através das suas pausas, dos seus bocejos, dos seus olhares para fora de campo, da sua luta para conseguir ser música, ser cantora. E esse seu lado lutador e crente é-nos mostrado da forma mais humilde possível: pelo trabalho. Essencialmente este é um filme sobre o trabalho. Trabalho, aprendizagem, paciência. Exasperação. A repetição como método único para a evolução, provando que o artista não o é enquanto não treinar para sê-lo.
Não sou o cinéfilo mais aplicado mas tendo em conta apenas o que já vi, é-me fácil afirmar que antes deste filme apenas um realizador tinha conseguido uma abordagem séria em relação ao processo criativo da música. Esse realizador é Jean-Luc Godard, que em 1968 realizou o magnífico One Plus One (a.k.a. Sympathy for the Devil), onde em planos-sequência intercalados com uma satírica abordagem aos temas das libertações feminina, da classe negra e da classe operária – chamemos-lhe a contracultura – nos mostrava os Rolling Stones a construírem aos poucos a música Sympathy for the Devil pelo mesmo processo da repetição, da insistência, do trabalho. Desde então os filmes sobre música têm sido pouco mais do que filmes-concerto, o que não é necessariamente mau se a intenção for apenas a música e não o cinema, não as pessoas, não a vida.
Em Portugal o filme apenas está a ser exibido numa sala, em Lisboa, no El Corte Inglés. Todos se queixam do cinema português, que não há qualidade no cinema português. Mas depois existe o Pedro Costa que faz este filme belíssimo e que apesar das excelentes críticas de que tem sido alvo desde a sua estreia em Cannes, se arrisca a ficar para sempre na prateleira do esquecimento pois dificilmente o aguentarão por mais de duas semanas em exibição num centro comercial. Mas há pouco mais de um ano o Miguel Gomes fez um excelente filme chamado Aquele Querido Mês de Agosto, o João Canijo realizou o igualmente bom Mal Nascida e o João Salaviza trouxe a primeira Palma de Ouro de Cannes para Portugal. E ainda assim não se aposta no cinema português e a euforia da crítica será obrigada a votar-se ao silêncio no momento em que o filme já não estiver em exibição. Se ao menos o Pedro Costa filmasse as mamas da Soraia Chaves, talvez aí fôssemos mais de sete pessoas na sala (com ou sem barbas, não interessa).
PS. A questão é saber quantas destas pessoas supostamente interessadas em música têm curiosidade de ir ver o filme e com ele reflectir sobre o que é essa coisa do processo criativo.
17 agosto 2009
Covers
- "All Along The Watchtower", Jimi Hendrix, original Bob Dylan
- "Blowin' in the Wind", Joan Baez , original Bob Dylan
- "Wild Thing", Jimi Hendrix, original The Wild Ones
- "Respect", Aretha Franklin, original Otis Redding
- "Twist & Shout", The Beatles, original The Top Notes
- "Gloria", Patti Smith, original Them
- "I Fought the Law", The Clash, orginal Sonny Curtis & The Cricketts
Nos anos 80, com certeza que houve muitas covers, mas não tenho nada registado no chip, sendo que na década seguinte há alguns casos bastante interessantes:
05 agosto 2009
Debate
24 junho 2009
Pérolas a porcos
Setlist:
Antenna
Sacred Trickster
What We Know
Calming The Snake
Schizophrenia
E uma excelente entrevista.
2ª parte
Enjoy!
28 maio 2009
Discussão: Ainda sobre o indie
13 maio 2009
Mais um tema para debate
Buraka Som Sistema - Música com qualidade como tem sido reconhecida um pouco por todo o mundo (notícia) e com direito a destaque no site da Pitchfork TV ou apenas um hype do momento para pessoas que procuram continuamente algo diferente?
05 maio 2009
Sinais dos Tempos

Rock is dead ou é simplesmente a música e o seu veículo que estão: a) a morrer?; b) a mudar? c) a dar a volta?
Nesta minha pequena visita a Nova Iorque constatei um facto que já tinha percebido em Londres também. A indústria musical está numa crossroad, senão vejamos. Tower Records, uma das empresas de música mais fortes, com uma cadeia de lojas em Inglaterra e Estados Unidos faliu. As suas lojas nos EUA e Inglaterra fecharam, apenas continua na Colombia, México,Irlanda e em alguns poucos países asiáticos.
Segundo exemplo, este mais recente. As lojas de música da empresa Virgin foram vendidas a um grupo de nome Zavvi, em Inglaterra, que tinha parceria com a Woolworths. Em pouco mais de um ano foram ambas à falência. Maior parte das muitas lojas Virgin/Zavvi foram compradas pela HMV, agora a maior e única cadeia de lojas a vender música na Grã-Bretanha. Nos EUA, a Virgin, para grande espanto geral está, também, a fechar portas. Lojas enormes vão ser vendidas ainda não se sabe a quem. A Virgin de Times Square, NY vai ser vendida a uma cadeia de roupas "Forever 21".
Em Portugal, a própria Virgin fechou. Para mim uma das melhores lojas de música em solo nacional, não só devido ao tamanho mas também à qualidade e quantidade de oferta, e, obviamente no espaço que estava inserida. No entanto o caso mais flagrante terá mesmo sido o da Valentim de Carvalho. Com lojas pequenas um pouco por todo o lado, juntando à relativamente grande no Rossio, agora uma loja de sapatos de que não recordo do nome, a VC fez bem o seu papel. A concorrência feroz por parte da novata Fnac no fim dos anos 90 fez com que a Valentim de Carvalho tentasse lutar com os seus próprios meios, abrindo uma super mega store no Chiado, agora uma H&M. Da Valentim de Carvalho sobrou nada ou quase nada, já que ainda se pode encontrar uma semi loja arraçada de Magnolia no Saldanha Residence e uma, já quase cadáver, no Centro Comercial Alvalade.
A história da VC pode ser quase papel químico da discoteca Roma. Um clássico da Avenida que lhe deu nome, a loja de discos quis crescer, abrindo outras lojas pequenaspelo país fora, e uma megastore em plena Av. da República. Pouco tempo duraram estas novas lojas, obrigando, inclusive, ao encerramento da casa mãe, para desgosto de muitas pessoas, eu incluido.
Só uma cadeia resiste em Portugal. Fnac. Aberta em Portugal no final dos anos 90, a marca francesa foi um sucesso, abrindo um espaço no C.C. Colombo de grande prestígio. Tendo já feito mais de 10 anos em Portugal, a Fnac já tem em território nacional dezenas de lojas. Apenas um senão. A experiência com as Fnac Service foi um fracasso. Fecharam todas.
A Worten já teve no seu ínicio uma boa escolha musical. Neste momento limita-se a vender êxitos.
1)Será que a Fnac resiste por conseguir equilibrar bem a balança entre livros,discos,jogos,filmes,material Hi-Fi? Ou será que irá, também, um dia cair?
2)Virgin e Tower Records existem mas praticamente só no online. Será esta a solução?
3)As pequenas lojas de discos, mais orientadas para públicos alvo econhecedores estão a voltar a emergir, estaremos a dar a volta? Aproximar a loja e o seu vendedor do cliente?
Estas são perguntas que ficam no ar.
24 março 2009
Reedição Pearl Jam e Kurt Cobain
Os Pearl Jam reeditam o icónico "Ten", 18 anos depois; já os Nirvana relançam (toda) a discografia em vinil. Uma notícia má, outra boa.Má, porque considerava os Pearl Jam uma banda alheada do fenómeno comercial. Não sendo uns dinossauros do "rock", estes norte-americanos comportam-se como tal ao reeditarem o seu melhor álbum. Soa-me a crise criativa e vontade de somar uns cobres extra para um pé-de-meia em tempo de crise. Respeito o Eddie Vedder, porque sim - porque sempre foi pertinente nas suas convicções tornadas públicas (Bono, sejamos sérios, tornou-se um chato de primeira); porque tem uma voz brutal; porque é talentoso; porque me parece simpático, reservado e avesso a escândalos (tirando um "flirt" com uma miúda quando já se casara). Agora, com o "Ten" de volta às discotecas, Eddie Vedder perde a face. Para já, porque reeditar agora? Passaram 18 anos, não 10, ou 20, ou 30. São 18. Idade adulta? Enfim. Preferia vê-lo cuspir e gritar injustiças sociais em 9/10 novas canções e desafiar os singer/songwriters contemporâneos. O rock está na moda e Vedder podia firmar o seu espaço.
Boa, porque os Nirvana são os Nirvana. Kurt morreu e, felizmente, a banda não quis (nem podia)continuar sem ele. Queen tentaram o mesmo e foram um fracasso; AC/DC não dependiam tanto do vocalista e ainda agitam plateias. Os Nirvana fecharam o ciclo da mesma forma que o abriram: com raiva, incredulidade e desamparo. Ter a discografia em vinil é simplesmente fantástico.
10 fevereiro 2009
Será isto música? #2
03 fevereiro 2009
Repto da Semana - pop music
Este repto é em parte inspirado por outros posts, que, do meu ponto de vista, fazem a música pop transcender-se para um nível que me parece, por vezes, exagerado.
Mas o que é música pop? Se formos à Wikipédia, parece simples: música com menos de 5 minutos, com geralmente dois guitarristas, um baixista, um baterista, teclista e um ou vários vocalistas, apresentando o mais das vezes um elemento rítmico relevante e uma estrutura tradicional (referem-se eles aqui ao compasso 4/4), constituídos por verso-refrão, em que este último contrasta ritmicamente e melodicamente com o primeiro.
É esta a fórmula que cativa as pessoas na época em que nos encontramos, seja ela aplicada pela Britney Spears ou pelos Kaiser Chiefs e, desta perspectiva, parece não haver grande distinção entre o que se ouve na RADAR ou na RADIO RENASCENÇA. Mas também sabemos, por exemplo, que o nosso genoma é extraordinariamente parecido ao dos ornitorrincos e que no entanto escrevemos em blogs e inventámos a caligrafia.
Ou seja, no fundo, o que vos pergunto é: colocam a música que é mais referida neste blog - aquela que, presumo, mais frequentemente ouvem, em casa, no carro ou em concertos - como sendo um subgrupo da música Pop ou nem por isso?
02 fevereiro 2009
Ainda sobre a música indie...
Blokes who remember Meat Is Murder (and former riot grrrls, for that matter) grumble and groan when asked about today’s “indie” scene. From the early 1980s to the mid-1990s, the term was a rallying cry not merely for music released on independent British record labels such as Creation, Factory and Rough Trade, but for a DIY ethos and an awkward, oppositional attitude. Fey outsiders from Morrissey to Belle and Sebastian’s Stuart Murdoch, and fierce autodidacts from Mark E Smith to the masked men of Clinic, could rule their own roosts and connect with like-minded souls. Indie was then a way of life; now the word is applied, willy-nilly, to any two-bit guitar band in skinny jeans. Thus, indie has become a marketing category, empty of meaning. Critics call the interchangeably ho-hum tunes of the Kooks, the View, the Wombats, the Pigeon Detectives and their ilk “landfill indie”. How grateful, therefore, were grumpy middle-youths for Sheffield’s Arctic Monkeys, who cussedly signed for an independent label, in Domino, write great songs and cock a snook at the Establishment. Yorkshire, indeed, is a bastion of “proper” indie values, with labels such as Dance to the Radio and bands including the Cribs and Wild Beasts.
26 janeiro 2009
Questão
Fica aqui o repto.
21 janeiro 2009
Ainda sobre a geração X... Ou não...
Não posso é deixar de defender a qualidade de música do início dos anos 90, (a sua maioria vindas de Seattle mas não só), que se apelidou de grunge (que a meu ver é redutor, uma vez que se colocou no mesmo saco estilos de músicas diferentes). Estas bandas não se definiram pelo que ouviam na MTV, muito pelo contrário, foram contra tudo o que passava na MTV antes deles (final anos 80), quiseram mudar tudo o que estava estabelecido, e conseguiram-no de tal forma que todas as atenções se viraram para eles. E para isso é que eles não estavam preparados e com isso é que não conseguiram lidar (à excepção talvez dos Pearl Jam, que à custa de muitas guerras travadas, TicketMaster, não dar entrevistas, não fazer videoclips, passaram por dificuldades, mas mantiveram-se unidos, suportados por uma enorme base de fãs, da qual orgulhosamente faço parte). A própria MTV não estava preparada para tipos anti-establishment e por isso usaram-nos e rapidamente os deitaram fora, trocando-os por bandas pré-fabricadas para o sucesso.
20 janeiro 2009
GENERATION X
Se os loucos anos 20, época de excessos, se ajustou perfeitamente à música desprendida do swing, de classes e pretensões, vocacionada sobretudo para a dança energética, os anos 50 e 60 foram suportados em grande parte pela veneração do oeste e o medo de morte da ameaça vermelha. Tratou-se portanto de um período optimista e dandy, em que letras como Love me do ou Baila la Bamba faziam as delícias de qualquer um.
No final dos anos sessenta começou a caminhar-se para uma maior responsabilidade, do meu ponto de vista, e introspecção, tendo surgido então o psicadelismo. A guerra no Vietnam apanhou este psicadelismo e conferiu-lhe poder de revolta contra o poder. Dos Beatles restava apenas John Lennon como voz relevante, enquanto McCartney escrevia Silly Love Songs. Os anos que se seguiram foram dedicados à redescoberta das drogas e, no final de contas, os setenta acabaram em seca criativa, sem explosão, sem mensagem, vazios, num mundo ocidental de prosperidade, segurança (a guerra fria já era coisa do passado, a 2ª guerra mundial muito mais) e a dar as boas-vindas definitivas à instalação do capitalismo.
Os anos oitenta iniciaram-se assim. Hippies deram lugar a Yuppies, San Francisco cedeu a Wall Street, políticas de direita reiniciaram-se, neoliberalismo, Tatcher, Reagan, o colapso das economias comunistas e a patetice musical imperou, de que a expressão Glam Metal diz tudo.
Única excepção de relevo: o muito underground movimento nova-iorquino entre 78 e 82 No-Wave, por oposição ao vazio New-Wave, em que artistas desconhecidos decidiram atirar uma pedrada no charco e violar tudo que havia de regras, reduzindo o Rock and Roll a uma memória vaga do género quando o Charlton Heston descobre um VW carocha no Planeta dos Macacos. Mas numa outra ocasião falei já de No-Wave.
Findos os anos oitenta, os ex-Hippies estão esparramados no sofá a ver no noticiário das oito a queda do muro de Berlin, vestem camisolas de alça encardidas, bebem Coca-Cola, jantam hamburgueres num tabuleiro, estão divorciados, já não acreditam em nada e batem nos filhos. Um desses (filhos) é o Kurdt Cobain.
A Geração X nasceu assim da decadência do capitalismo, da pobreza intelectual e de valores, do desemprego, das drogas pesadas, do cinismo que a geração anterior suscitou e que é agora acentuado de cada vez que ligam a televisão e passa um videoclip na MTV.
Mas o que nos trouxe essa geração? A sua música grunge tratou-se sem dúvida de um grito de revolta, mas ao contrário do movimento No-Wave, não trouxe grande criatividade. A necessidade de se ser sujo, filthy, grungy, touch me I'm sick, surgiu-lhes das entranhas, o que é sempre bom, e evidentemente também me afectou e também me interessei muito pela estética do Smells Like Teen Spirit. Mas em termos musicais, limitaram-se a seguir o que viam na MTV, verse, chorus, verse, chorus, verse, chorus, chorus, mas com mais distorção e buracos nas Jeans. O facto de hoje em dia dificilmente ouvirmos grunge ou nem sequer conseguirmos pensar num produto dele, evidencia a limitação que este estilo de música representou. Cobain sabia disso. E talvez por isso mesmo se tenha matado.
Ainda assim, Mudhoney é bom de ouvir de 2 em 2 anos e sabe optimamente revisitar o In Utero uma vez por ano.
PS em relação ao outro post da geração x, não vejo de que modo o Cavaco a possa ter influenciado e convém também relembrar que a primeira guerra do Golfo foi um conflito entre países do Médio oriente que teve participação ocidental após a invasão do Kuweit pelo Iraque, pelo que chamar-lhe de primeira investida no Iraque é muito redutor.
19 janeiro 2009
X
Este post é dedicado à “Geração X”. Fazem parte desta geração todos aqueles que viveram a sua juventude nos anos noventa e que agora estão prestes a fazer trinta anos. A minha geração.
Esta geração, apelidada por um mentecapto de “rasca”, foi espancada na época do cavaquismo por se manifestar contra um sistema de ensino podre, assistiu à primeira falsa investida dos Estados Unidos no Iraque e sentiu, pela primeira vez, a precaridade no trabalho.
Se esta geração tivesse uma banda sonora, julgo que a mais indicada seria o “Seattle Sound”, mais conhecido por “Grunge”.
Esta corrente musical, marcada por letras fortes e guitarradas distorcidas, surgiu no início da década de noventa na cidade americana de Seattle.
Das bandas saídas das garagens desta cidade industrial, destacaram-se os Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam e Alice in Chains.
Com fortes influências do punk e do psicadelismo dos anos sessenta, criaram canções que foram a voz da geração de noventa, tendo como base uma sonoridade muito diferente da praticada pelas bandas rock insípidas dos anos oitenta como, por exemplo, os Bon Jovi.
No entanto, nem todas as bandas saídas de Seattle tiveram o sucesso comercial merecido. Bandas como os Screaming Trees, Mudhoney e Mother Love Bone, nunca viram os seus nomes nos mais altos escaparates.
Os Mother Love Bone, para muitos a primeira banda grunge, formou-se em 1988, donde constavam os músicos Jeff Ament e Stone Gossard que vieram a formar os Pearl Jam.
O álbum “Sweet Oblivion” dos Screaming Trees, lançado em 1992, foi outra das referências do grunge, mas depressa ficou ofuscado pelos campeões de vendas “Nevermind” dos Nirvana e “Ten” dos Pearl Jam, lançados no mesmo ano.
Finalmente, temos os “Mudhoney”. Esta banda de noise rock, da editora “Sub Pop” que lançou os os Nirvana, sempre esteve de costas voltadas para o sucesso comercial, visto que, sempre procurou uma sonoridade menos virada para o grande público.
Com o suicídio de Kurt Cobain dos Nirvana em 1994, o “grunge” foi declarado, por muitos, como morto,
Na minha opinião, as músicas permanecerão para sempre na memoria de quem as viveu.
23 outubro 2008
The Beatles=NSync?
Se por um lado observamos a ausência de mensagem, quer política quer filosófica, gritante especilmente nos primeiros anos, por outro o fenómeno de arrastamento de multidões criado só tem par visual na deslocação migratória de búfalos nas áridas planícies africanas ou nas idas dominicais ao Ikea em época natalícia. Afinal de contas, não se encontram grandes divergências entre as expressões das tontas criaturas que assistiam aos concertos de estádio de futebol e as dos dementes peregrinos que pulavam diante das câmeras de televisão para verem de mais de perto a inauguração da nova igreja em Fátima.
Não será portanto descabido para ninguém a comparação entre a adoração da juventude de 60 por estas duas bandas com a génese das boybands dos anos 90, de natureza predominantemente corporativa e capitalista; a fórmula que McCartney e Associados exploraram tornou-se na base da própria indústria da música, rendendo milhões de dólares aos criativos e aos accionistas das respectivas empresas discográficas e de todas as outras que quiseram também entrar na corrida ao ouro, suportando financeiramente o seu desenvolvimento em troca de publicidade.
Mas os Beatles, tal como os Stones, participaram em acções marginais, dirão ingenuamente alguns, evocando o concerto ilegal trasmitido do telhado ou o aumento os decibeis dos amplificadores para limites não aceitáveis pelas autoridades (sim, alguns polícias farfalhudos terão ficado chateados com estas duas malandrices). Ora, tudo isso foram lérias da entretainment industry cujo objectivo era apenas um: vender mais e mais e mais. e mais.
Não condensem porém o pensamento aqui discorrido (cuja originalidade nao proclamo) em negativismo musical: tal como dum Bush nasce a necessidade de um Obama, do enjoo da globalização floresce subterraneamente a individualidade de pensamento, do padrão aborrecido da normalidade enraíza-se o esforco intelectual de acordar as pessoas. Enfim, dum Paul McCartney às vezes surge um John Lennon, o que é muito bom.

