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29 outubro 2010

Discussão à 6ª: Concertos vs Festivais

A discussão desta semana roda à volta da eterna luta Concertos vs Festivais.

1)Preferem ver um concerto de uma banda, a qual prepara um set maior e, talvez, mais intimista ou um festival onde podem ver algumas das vossas bandas favoritas tocar um set pequeno mas, em compensação, descobrir aqui e ali algumas bandas que, caso contrário poderiam nem sequer ouvir falar delas.

2)Qual o ambiente que mais vos agrada? O do festival, geralmente de verão, onde, por vezes, há uma misturada de tribos, e decorre, por norma, durante 3/4 dias ou o do concerto onde se vai apenas para uma banda e já está.

Ficam aqui as perguntas. Espero, então, a vossa opinião.

22 outubro 2010

Discussão à 6ª: O Fade-out

O tema que queria lançar para cima da mesa/vosso monitor de computador hoje é o do Fade-out, aquela opção que os músicos têm de acabar uma música pura e simplesmente baixando o som da mesma até se atingir o silêncio. Temos muito e muitos casos de artistas que optam por esta solução. Será preguiça? Desleixo? Ou opção técnica e assumida como melhor? Na minha opinião, todas as músicas deveriam ter um ponto final em vez de 3 pontos, porque o final realmente marca, fica no ouvido e acaba por ser uma referência. Apresento-vos em baixo um caso muito recente que a mim me surpreendeu, porque a música parece que ganha ali uma nova vida e depois acaba.


E outra da mesma banda do mesmo álbum com um fim aparentemente mais trabalhado, pensado e que a meu ver tem maior impacto.


É bastante complicado discutir arte, mas neste caso específico gostava de saber qual a vossa opinião sobre o Fade-out? Vale como opção ou eles deviam pensar em algo mais?

15 outubro 2010

Discussão à 6ª: Música Clássica

Qual o valor que damos hoje à música clássica? Foi esta a pergunta que me veio à cabeça ao ter uns minutos livres no intervalo entre a 40ª Sinfonia e o Requiem de Mozart e ao olhar à minha volta e aperceber-me que a média de idades dos presentes deveria rondar os 55 anos. Talvez até mais, mas não quero parecer exagerado e distrair do ponto principal da questão. E o ponto principal que quero lançar é: Será a música clássica o apogeu da música e só tarde na nossa vida, com o acumular de conhecimento, sabedoria, percebemos isso? Ou será que nos falta é educação de base para nos apercebermos mais cedo da sua importância e grandiosidade?
Quero colocar desde já em cima da mesa e desmistificar um aspecto que é utilizado muitas vezes como justificativa - o aspecto financeiro. Hoje em dia um concerto de música clássica é mais barato que os concertos de pop/rock que por aí se vendem, basta um saltinho à página da gulbenkian e verão muitos concertos a menos de 30€, preço que paguei por um bilhete para ver os The Walkmen, por exemplo. As óperas são um pouco mais caras, é um facto, mas também é um outro nível de produção e de trabalho envolvido. Fica ainda com certeza mais barato que um qualquer jogo da Champions.
Assim sendo, o que desmotiva um jovem de 20 anos a nem sequer ponderar a possibilidade de ir experimentar um destes concertos? É algo que me atormenta, olhando para mim próprio que não o fiz aos 20 e só aos 30 comecei a abrir as portas a este mundo e agora penso que foram 10 anos que poderia ter acumulado mais uma camada de conhecimento e assim não foi. O que fazer para estimular os jovens a quererem conhecer mais do que o que lhes é oferecido?
Desde já agradeço a vossa opinião aqui abaixo na caixinha dos comentários!

22 janeiro 2010

Bande A Part: Radiohead #1

Ando a prometer ao administrador deste blog fazer um artigo de fundo aqui no blog e parece-me que está na altura de lançar mãos à obra. A premissa é muito simples mas seguramente polémica, e como tal estou a aguardar comentários inflamados, lutas de ideiais, visões distintas. Mas é disto que também se alimenta um blog, e este não é excepção, portanto acho que os leitores também esperam isto de nós. Não esperem é telenovelas. Cá vai:

"Os Radiohead são os Beatles da nossa geração."

De forma a suportar esta forte afirmação, irei aqui no Altamont, ao longo de algumas semanas, analisar toda a obra dos Radiohead, álbum a álbum. Tenho como meu objectivo pessoal convencer pelo menos 2 pessoas que assim é e conseguir não ser agredido fisicamente pelos que discordam. Para já deixo aqui um vídeo de 1 hora (!) com os Radiohead, numa sessão chamada From the Basement feita na altura do lançamento do último álbum "In Rainbows", mas que contem também algumas músicas de álbuns anteriores. É algo de extraordinário, é o que vos digo. Tem qualidade suficiente para ser visto em Full Screen, mas como compreendo que possa ser dificil a algumas pessoas, experimentem pelo menos colocar no play e fazerem outra coisa qualquer. Porque no fundo, it's all about the music.



Tracklist:

Weird Fishes/Arpeggi; 15 Step; Bodysnatchers; Nude; The Gloaming; Myxomatosis; House Of Cards; Bangers and Mash; Optimistic; Reckoner; Videotape; Where I End And You Begin; All I Need; Go Slowly.

24 novembro 2009

NE CHANGE RIEN ou éramos apenas sete pessoas na sala e quatro de nós usávamos barba



Talvez fizesse ontem um ano desde a última vez que me teria emocionado tanto numa sala de cinema que não a cinemateca, talvez dois anos, três, juro que não sei, talvez a minha memória ande fraca. Agora as contas voltaram a zero, Ne Change Rien de Pedro Costa é sem dúvida um dos melhores filmes da década. É também sem dúvida um dos melhores filmes de/sobre música alguma vez feitos e tirem-me o teclado das mãos ou ainda acabo a dizer que é o melhor filme português de sempre e depois o João César Monteiro que se revolte e revolva na sua campa.

Falo de um filme num blog sobre tendências auditivas porque como já insinuei, este é um filme sobre música, sobre música (forma de expressão artística) e sobre uma música em concreto (a artista). Chamá-lo de documentário seria sugestionar que uma câmara esteve lá para simplesmente documentar, alheando-se assim da reflexão sobre o próprio cinema que Pedro Costa insiste em imprimir filme após filme. Seria também olhar para ele sem levar em conta a prodigiosa mise-en-scène por ele imposta, sem que no entanto se sinta a câmara de uma forma invasiva. Costa dá-nos a conhecer uma mulher total, sem precisar de a filmar fora da sua concentração na música e das poucas vezes que nos mostra o lado quotidiano da pessoa, fá-lo sempre em off ou pelo menos na escuridão. Conhecemos Jeanne Balibar, actriz francesa que eu desconhecia, através das suas pausas, dos seus bocejos, dos seus olhares para fora de campo, da sua luta para conseguir ser música, ser cantora. E esse seu lado lutador e crente é-nos mostrado da forma mais humilde possível: pelo trabalho. Essencialmente este é um filme sobre o trabalho. Trabalho, aprendizagem, paciência. Exasperação. A repetição como método único para a evolução, provando que o artista não o é enquanto não treinar para sê-lo.

Não sou o cinéfilo mais aplicado mas tendo em conta apenas o que já vi, é-me fácil afirmar que antes deste filme apenas um realizador tinha conseguido uma abordagem séria em relação ao processo criativo da música. Esse realizador é Jean-Luc Godard, que em 1968 realizou o magnífico One Plus One (a.k.a. Sympathy for the Devil), onde em planos-sequência intercalados com uma satírica abordagem aos temas das libertações feminina, da classe negra e da classe operária – chamemos-lhe a contracultura – nos mostrava os Rolling Stones a construírem aos poucos a música Sympathy for the Devil pelo mesmo processo da repetição, da insistência, do trabalho. Desde então os filmes sobre música têm sido pouco mais do que filmes-concerto, o que não é necessariamente mau se a intenção for apenas a música e não o cinema, não as pessoas, não a vida.

Em Portugal o filme apenas está a ser exibido numa sala, em Lisboa, no El Corte Inglés. Todos se queixam do cinema português, que não há qualidade no cinema português. Mas depois existe o Pedro Costa que faz este filme belíssimo e que apesar das excelentes críticas de que tem sido alvo desde a sua estreia em Cannes, se arrisca a ficar para sempre na prateleira do esquecimento pois dificilmente o aguentarão por mais de duas semanas em exibição num centro comercial. Mas há pouco mais de um ano o Miguel Gomes fez um excelente filme chamado Aquele Querido Mês de Agosto, o João Canijo realizou o igualmente bom Mal Nascida e o João Salaviza trouxe a primeira Palma de Ouro de Cannes para Portugal. E ainda assim não se aposta no cinema português e a euforia da crítica será obrigada a votar-se ao silêncio no momento em que o filme já não estiver em exibição. Se ao menos o Pedro Costa filmasse as mamas da Soraia Chaves, talvez aí fôssemos mais de sete pessoas na sala (com ou sem barbas, não interessa).

PS. A questão é saber quantas destas pessoas supostamente interessadas em música têm curiosidade de ir ver o filme e com ele reflectir sobre o que é essa coisa do processo criativo.

17 agosto 2009

Covers

Hoje quero colocar em cima da mesa um tema interessante - as covers. Acho que é um tema que gera opiniões contraditórias, discussões acesas e que não levam a lado nenhum, portanto de muito interesse para este blog. As covers. O que não falta para aí são covers más e desnecessárias, portanto vou optar por focar nas que têm alguma importância no mundo da música e que realmente adicionaram alguma coisa à versão original de uma música.

Nos anos 60/70, penso que não havia um conceito muito claro quanto a fazer covers, existiam muitas versões de músicas escritas por outros, que se reproduziam sem complexos, e das quais as que me aparecem logo na memória são:

- "With a Little Help From My Friends", Joe Cocker, original The Beatles
- "All Along The Watchtower", Jimi Hendrix, original Bob Dylan
- "Blowin' in the Wind", Joan Baez , original Bob Dylan
- "Wild Thing", Jimi Hendrix, original The Wild Ones
- "Respect", Aretha Franklin, original Otis Redding
- "Twist & Shout", The Beatles, original The Top Notes
- "Gloria", Patti Smith, original Them
- "I Fought the Law", The Clash, orginal Sonny Curtis & The Cricketts

Nos anos 80, com certeza que houve muitas covers, mas não tenho nada registado no chip, sendo que na década seguinte há alguns casos bastante interessantes:

- "Mrs. Robinson" Lemonheads, original Simon & Garfunkel
- "Knockin' on Heavens Door", Guns N' Roses, original Bob Dylan
- "Hallelujah", Jeff Buckley, original Leonard Cohen
- "Easy", Faith No More, original Commodores
- "The Man Who Sold he World" Nirvana, original David Bowie

A nível mais pessoal acrescento algumas que os Pearl Jam nos ofereceram, como "Crazy Mary", original Vanessa Williams; "Baba O'Riley", original The Who; "Sonic Reducer", original Dead Boys (ai de quem me vier falar de Last Kiss....)

Mais recentemente, já no século actual, os Nouvelle Vague dedicaram-se, com algum êxito, a fazer covers de músicas sobejamente conhecidas e têm algumas boas versões ("Ever Fallen in Love?", original The Buzzcocks; "In a Manner of Speaking", original Tuxedomoon; "I Melt With You", original Modern English) e destaco também os Killers, com a sua versão de "Shadowplay", original Joy Division.

Todas estas são referi são, na minha opinião, grandes músicas e que acho merecem figurar como parte da História da música. A diferentes níveis bem sei, mas como boas amostras de como é possível pegar em criatividade alheia e levá-la a outro nível, que, no fundo, é disso que se trata.

Agradeço opiniões sobre o tema, lembretes para covers que me poderão ter passado e afins, aqui em baixo na caixinha dos comentários. Ou então não, leiam só e vão à vossa vida! Enjoy!

05 agosto 2009

Debate

Ao tempo que no Altamont não é dedicado tempo de antena a questões realmente fulcrais que rodeiam o mundo da música, e como tal, após um debate renhido entre os dois reportéres escalados para fazerem a cobertura do Paredes de Coura, achámos por bem alargar o debate e recolher mais opiniões numa questão que é por certo já muito debatida, mas sem chegar a conclusões práticas. Ora então sem mais demoras, cá vai:

Na vossa colecção pessoal de discos/CD's/iTunes, o que for, e no caso de a terem disposta por ordem alfabética, The Beatles aparece na letra T ou na letra B?

Fico a aguardar as vossas posições e argumentos na caixinha dos comentários. Um muito obrigado desde já pela contribuição.

24 junho 2009

Pérolas a porcos

Acho que este blog merece ter aqui disponível para todos os que por cá passam estas pérolas.



Setlist:
Antenna
Sacred Trickster
What We Know
Calming The Snake
Schizophrenia

E uma excelente entrevista.


2ª parte

Enjoy!

28 maio 2009

Discussão: Ainda sobre o indie

Duas referências da cena Indie, Vicent Gallo e Kim Gordon dos Sonic Youth, a promoverem uma das maiores marcas americanas de roupa.

1- Concordo. Têm contas para pagar.

2- Não concordo. São duas rameiras.



13 maio 2009

Mais um tema para debate



Buraka Som Sistema - Música com qualidade como tem sido reconhecida um pouco por todo o mundo (notícia) e com direito a destaque no site da Pitchfork TV ou apenas um hype do momento para pessoas que procuram continuamente algo diferente?

05 maio 2009

Sinais dos Tempos


Rock is dead ou é simplesmente a música e o seu veículo que estão: a) a morrer?; b) a mudar? c) a dar a volta?
Nesta minha pequena visita a Nova Iorque constatei um facto que já tinha percebido em Londres também. A indústria musical está numa crossroad, senão vejamos. Tower Records, uma das empresas de música mais fortes, com uma cadeia de lojas em Inglaterra e Estados Unidos faliu. As suas lojas nos EUA e Inglaterra fecharam, apenas continua na Colombia, México,Irlanda e em alguns poucos países asiáticos.
Segundo exemplo, este mais recente. As lojas de música da empresa Virgin foram vendidas a um grupo de nome Zavvi, em Inglaterra, que tinha parceria com a Woolworths. Em pouco mais de um ano foram ambas à falência. Maior parte das muitas lojas Virgin/Zavvi foram compradas pela HMV, agora a maior e única cadeia de lojas a vender música na Grã-Bretanha. Nos EUA, a Virgin, para grande espanto geral está, também, a fechar portas. Lojas enormes vão ser vendidas ainda não se sabe a quem. A Virgin de Times Square, NY vai ser vendida a uma cadeia de roupas "Forever 21".
Em Portugal, a própria Virgin fechou. Para mim uma das melhores lojas de música em solo nacional, não só devido ao tamanho mas também à qualidade e quantidade de oferta, e, obviamente no espaço que estava inserida. No entanto o caso mais flagrante terá mesmo sido o da Valentim de Carvalho. Com lojas pequenas um pouco por todo o lado, juntando à relativamente grande no Rossio, agora uma loja de sapatos de que não recordo do nome, a VC fez bem o seu papel. A concorrência feroz por parte da novata Fnac no fim dos anos 90 fez com que a Valentim de Carvalho tentasse lutar com os seus próprios meios, abrindo uma super mega store no Chiado, agora uma H&M. Da Valentim de Carvalho sobrou nada ou quase nada, já que ainda se pode encontrar uma semi loja arraçada de Magnolia no Saldanha Residence e uma, já quase cadáver, no Centro Comercial Alvalade.
A história da VC pode ser quase papel químico da discoteca Roma. Um clássico da Avenida que lhe deu nome, a loja de discos quis crescer, abrindo outras lojas pequenaspelo país fora, e uma megastore em plena Av. da República. Pouco tempo duraram estas novas lojas, obrigando, inclusive, ao encerramento da casa mãe, para desgosto de muitas pessoas, eu incluido.
Só uma cadeia resiste em Portugal. Fnac. Aberta em Portugal no final dos anos 90, a marca francesa foi um sucesso, abrindo um espaço no C.C. Colombo de grande prestígio. Tendo já feito mais de 10 anos em Portugal, a Fnac já tem em território nacional dezenas de lojas. Apenas um senão. A experiência com as Fnac Service foi um fracasso. Fecharam todas.
A Worten já teve no seu ínicio uma boa escolha musical. Neste momento limita-se a vender êxitos.

1)Será que a Fnac resiste por conseguir equilibrar bem a balança entre livros,discos,jogos,filmes,material Hi-Fi? Ou será que irá, também, um dia cair?

2)Virgin e Tower Records existem mas praticamente só no online. Será esta a solução?

3)As pequenas lojas de discos, mais orientadas para públicos alvo econhecedores estão a voltar a emergir, estaremos a dar a volta? Aproximar a loja e o seu vendedor do cliente?

Estas são perguntas que ficam no ar.

24 março 2009

Reedição Pearl Jam e Kurt Cobain

Os Pearl Jam reeditam o icónico "Ten", 18 anos depois; já os Nirvana relançam (toda) a discografia em vinil. Uma notícia má, outra boa.

Má, porque considerava os Pearl Jam uma banda alheada do fenómeno comercial. Não sendo uns dinossauros do "rock", estes norte-americanos comportam-se como tal ao reeditarem o seu melhor álbum. Soa-me a crise criativa e vontade de somar uns cobres extra para um pé-de-meia em tempo de crise. Respeito o Eddie Vedder, porque sim - porque sempre foi pertinente nas suas convicções tornadas públicas (Bono, sejamos sérios, tornou-se um chato de primeira); porque tem uma voz brutal; porque é talentoso; porque me parece simpático, reservado e avesso a escândalos (tirando um "flirt" com uma miúda quando já se casara). Agora, com o "Ten" de volta às discotecas, Eddie Vedder perde a face. Para já, porque reeditar agora? Passaram 18 anos, não 10, ou 20, ou 30. São 18. Idade adulta? Enfim. Preferia vê-lo cuspir e gritar injustiças sociais em 9/10 novas canções e desafiar os singer/songwriters contemporâneos. O rock está na moda e Vedder podia firmar o seu espaço.

Boa, porque os Nirvana são os Nirvana. Kurt morreu e, felizmente, a banda não quis (nem podia)continuar sem ele. Queen tentaram o mesmo e foram um fracasso; AC/DC não dependiam tanto do vocalista e ainda agitam plateias. Os Nirvana fecharam o ciclo da mesma forma que o abriram: com raiva, incredulidade e desamparo. Ter a discografia em vinil é simplesmente fantástico.

10 fevereiro 2009

Será isto música? #2

Podemos considerar os Anal Cunt, em português C+na Anal, como outros provocadores? A sua sonoridade não é também um pontapé nos tomates da industria musical?
Segundo a lógica do Raul, acho que sim.

03 fevereiro 2009

Repto da Semana - pop music

Sei que alguns de vós não vão muito à bola com o meu cepticismo, mas eu coloco-me apenas na humilde posição do questionamento. Detesto dogmas, repudio verdades absolutas e assumo sempre que não sei o suficiente. Mas reflicto o suficiente para ir formando as minhas opiniões (que não passam disso mesmo, opiniões, mesmo que sustentadas em encadeamentos de informação).

Este repto é em parte inspirado por outros posts, que, do meu ponto de vista, fazem a música pop transcender-se para um nível que me parece, por vezes, exagerado.

Mas o que é música pop? Se formos à Wikipédia, parece simples: música com menos de 5 minutos, com geralmente dois guitarristas, um baixista, um baterista, teclista e um ou vários vocalistas, apresentando o mais das vezes um elemento rítmico relevante e uma estrutura tradicional (referem-se eles aqui ao compasso 4/4), constituídos por verso-refrão, em que este último contrasta ritmicamente e melodicamente com o primeiro.

É esta a fórmula que cativa as pessoas na época em que nos encontramos, seja ela aplicada pela Britney Spears ou pelos Kaiser Chiefs e, desta perspectiva, parece não haver grande distinção entre o que se ouve na RADAR ou na RADIO RENASCENÇA. Mas também sabemos, por exemplo, que o nosso genoma é extraordinariamente parecido ao dos ornitorrincos e que no entanto escrevemos em blogs e inventámos a caligrafia.

Ou seja, no fundo, o que vos pergunto é: colocam a música que é mais referida neste blog - aquela que, presumo, mais frequentemente ouvem, em casa, no carro ou em concertos - como sendo um subgrupo da música Pop ou nem por isso?

02 fevereiro 2009

Ainda sobre a música indie...

...encontrei este artigo interessante e esclarecedor.

Blokes who remember Meat Is Murder (and former riot grrrls, for that matter) grumble and groan when asked about today’s “indie” scene. From the early 1980s to the mid-1990s, the term was a rallying cry not merely for music released on independent British record labels such as Creation, Factory and Rough Trade, but for a DIY ethos and an awkward, oppositional attitude. Fey outsiders from Morrissey to Belle and Sebastian’s Stuart Murdoch, and fierce autodidacts from Mark E Smith to the masked men of Clinic, could rule their own roosts and connect with like-minded souls. Indie was then a way of life; now the word is applied, willy-nilly, to any two-bit guitar band in skinny jeans. Thus, indie has become a marketing category, empty of meaning. Critics call the interchangeably ho-hum tunes of the Kooks, the View, the Wombats, the Pigeon Detectives and their ilk “landfill indie”. How grateful, therefore, were grumpy middle-youths for Sheffield’s Arctic Monkeys, who cussedly signed for an independent label, in Domino, write great songs and cock a snook at the Establishment. Yorkshire, indeed, is a bastion of “proper” indie values, with labels such as Dance to the Radio and bands including the Cribs and Wild Beasts.

26 janeiro 2009

Questão

Qual o disco,momento,movimento ou banda que mais vos impressinou/influenciou e vos fez despontar para a música. Todas as pessoas podem ter vários momentos na vida. Há sempre redescobertas que nos fazem crescer e sair de dogmatismos.
Fica aqui o repto.

21 janeiro 2009

Ainda sobre a geração X... Ou não...

O Raul fez abaixo uma bela análise à história do século XX! Faltou mencionar talvez os Rage Against The Machine para levar ao extremo as ligações existentes entre o mundo da música e a envolvente política, mas pareceu-me muito bem.

Não posso é deixar de defender a qualidade de música do início dos anos 90, (a sua maioria vindas de Seattle mas não só), que se apelidou de grunge (que a meu ver é redutor, uma vez que se colocou no mesmo saco estilos de músicas diferentes). Estas bandas não se definiram pelo que ouviam na MTV, muito pelo contrário, foram contra tudo o que passava na MTV antes deles (final anos 80), quiseram mudar tudo o que estava estabelecido, e conseguiram-no de tal forma que todas as atenções se viraram para eles. E para isso é que eles não estavam preparados e com isso é que não conseguiram lidar (à excepção talvez dos Pearl Jam, que à custa de muitas guerras travadas, TicketMaster, não dar entrevistas, não fazer videoclips, passaram por dificuldades, mas mantiveram-se unidos, suportados por uma enorme base de fãs, da qual orgulhosamente faço parte). A própria MTV não estava preparada para tipos anti-establishment e por isso usaram-nos e rapidamente os deitaram fora, trocando-os por bandas pré-fabricadas para o sucesso.
A questão de não se ouvir grunge hoje (há quem ouça, mas concordo que a maioria não está para aí virada) diria que tem a ver com modas. Durante anos não se ouviu falar em Orange Juice e Gang of Four, até aparecem uns Franz Ferdinand a dizerem que estas tinham sido as suas influências. Quantas bandas dos anos 80 voltaram a aparecer nos últimos tempos com uma vaga revivalista? A música tem ciclos, e não tenho dúvidas que brevemente irão aparecer bandas com influências de Pearl Jam, Smashing Pumpkins, Mudhoney, entre outras. A qualidade está lá, é apenas uma questão de ciclos. Mas para quem descobriu a música com essas bandas, nunca serão esquecidas ou encostadas.

20 janeiro 2009

GENERATION X

A música, como qualquer expressão cultural, apresentou-se, de certo modo, como uma reacção ao panorama político geral.
Se os loucos anos 20, época de excessos, se ajustou perfeitamente à música desprendida do swing, de classes e pretensões, vocacionada sobretudo para a dança energética, os anos 50 e 60 foram suportados em grande parte pela veneração do oeste e o medo de morte da ameaça vermelha. Tratou-se portanto de um período optimista e dandy, em que letras como Love me do ou Baila la Bamba faziam as delícias de qualquer um.
No final dos anos sessenta começou a caminhar-se para uma maior responsabilidade, do meu ponto de vista, e introspecção, tendo surgido então o psicadelismo. A guerra no Vietnam apanhou este psicadelismo e conferiu-lhe poder de revolta contra o poder. Dos Beatles restava apenas John Lennon como voz relevante, enquanto McCartney escrevia Silly Love Songs. Os anos que se seguiram foram dedicados à redescoberta das drogas e, no final de contas, os setenta acabaram em seca criativa, sem explosão, sem mensagem, vazios, num mundo ocidental de prosperidade, segurança (a guerra fria já era coisa do passado, a 2ª guerra mundial muito mais) e a dar as boas-vindas definitivas à instalação do capitalismo.
Os anos oitenta iniciaram-se assim. Hippies deram lugar a Yuppies, San Francisco cedeu a Wall Street, políticas de direita reiniciaram-se, neoliberalismo, Tatcher, Reagan, o colapso das economias comunistas e a patetice musical imperou, de que a expressão Glam Metal diz tudo.
Única excepção de relevo: o muito underground movimento nova-iorquino entre 78 e 82 No-Wave, por oposição ao vazio New-Wave, em que artistas desconhecidos decidiram atirar uma pedrada no charco e violar tudo que havia de regras, reduzindo o Rock and Roll a uma memória vaga do género quando o Charlton Heston descobre um VW carocha no Planeta dos Macacos. Mas numa outra ocasião falei já de No-Wave.
Findos os anos oitenta, os ex-Hippies estão esparramados no sofá a ver no noticiário das oito a queda do muro de Berlin, vestem camisolas de alça encardidas, bebem Coca-Cola, jantam hamburgueres num tabuleiro, estão divorciados, já não acreditam em nada e batem nos filhos. Um desses (filhos) é o Kurdt Cobain.
A Geração X nasceu assim da decadência do capitalismo, da pobreza intelectual e de valores, do desemprego, das drogas pesadas, do cinismo que a geração anterior suscitou e que é agora acentuado de cada vez que ligam a televisão e passa um videoclip na MTV.
Mas o que nos trouxe essa geração? A sua música grunge tratou-se sem dúvida de um grito de revolta, mas ao contrário do movimento No-Wave, não trouxe grande criatividade. A necessidade de se ser sujo, filthy, grungy, touch me I'm sick, surgiu-lhes das entranhas, o que é sempre bom, e evidentemente também me afectou e também me interessei muito pela estética do Smells Like Teen Spirit. Mas em termos musicais, limitaram-se a seguir o que viam na MTV, verse, chorus, verse, chorus, verse, chorus, chorus, mas com mais distorção e buracos nas Jeans. O facto de hoje em dia dificilmente ouvirmos grunge ou nem sequer conseguirmos pensar num produto dele, evidencia a limitação que este estilo de música representou. Cobain sabia disso. E talvez por isso mesmo se tenha matado.
Ainda assim, Mudhoney é bom de ouvir de 2 em 2 anos e sabe optimamente revisitar o In Utero uma vez por ano.

PS em relação ao outro post da geração x, não vejo de que modo o Cavaco a possa ter influenciado e convém também relembrar que a primeira guerra do Golfo foi um conflito entre países do Médio oriente que teve participação ocidental após a invasão do Kuweit pelo Iraque, pelo que chamar-lhe de primeira investida no Iraque é muito redutor.

19 janeiro 2009

X

Este post é dedicado à “Geração X”.

Fazem parte desta geração todos aqueles que viveram a sua juventude nos anos noventa e que agora estão prestes a fazer trinta anos. A minha geração.

Esta geração, apelidada por um mentecapto de “rasca”, foi espancada na época do cavaquismo por se manifestar contra um sistema de ensino podre, assistiu à primeira falsa investida dos Estados Unidos no Iraque e sentiu, pela primeira vez, a precaridade no trabalho.

Se esta geração tivesse uma banda sonora, julgo que a mais indicada seria o “Seattle Sound”, mais conhecido por “Grunge”.

Esta corrente musical, marcada por letras fortes e guitarradas distorcidas, surgiu no início da década de noventa na cidade americana de Seattle.

Das bandas saídas das garagens desta cidade industrial, destacaram-se os Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam e Alice in Chains.

Com fortes influências do punk e do psicadelismo dos anos sessenta, criaram canções que foram a voz da geração de noventa, tendo como base uma sonoridade muito diferente da praticada pelas bandas rock insípidas dos anos oitenta como, por exemplo, os Bon Jovi.

No entanto, nem todas as bandas saídas de Seattle tiveram o sucesso comercial merecido. Bandas como os Screaming Trees, Mudhoney e Mother Love Bone, nunca viram os seus nomes nos mais altos escaparates.

Os Mother Love Bone, para muitos a primeira banda grunge, formou-se em 1988, donde constavam os músicos Jeff Ament e Stone Gossard que vieram a formar os Pearl Jam.

O álbum “Sweet Oblivion” dos Screaming Trees, lançado em 1992, foi outra das referências do grunge, mas depressa ficou ofuscado pelos campeões de vendas “Nevermind” dos Nirvana e “Ten” dos Pearl Jam, lançados no mesmo ano.

Finalmente, temos os “Mudhoney”. Esta banda de noise rock, da editora “Sub Pop” que lançou os os Nirvana, sempre esteve de costas voltadas para o sucesso comercial, visto que, sempre procurou uma sonoridade menos virada para o grande público.

Com o suicídio de Kurt Cobain dos Nirvana em 1994, o “grunge” foi declarado, por muitos, como morto,

Na minha opinião, as músicas permanecerão para sempre na memoria de quem as viveu.

23 outubro 2008

The Beatles=NSync?

Existe uma tendência em associar o Rock n Roll a um certo grau de marginalidade: o sair da norma terá sido, na opinião de muitos, a própria génese deste género. Um exemplo genial desta relação está patente no filme Back to the Future em que a aborrecida música de salão é substituída pela energia tão vibrante e inesperada quanto irreverente saída da guitarra do Michael J Fox.
Tendo sido os The Beatles e os Rolling Stones a transportar este género para os ouvidos de todo o mundo, será razoável considerá-los a voz de uma juventude que saiu à rua decidida a quebrar as regras impostas pela sociedade, louvando a marginalidade e a procura pela liberdade intelectual, tendo como resultado o período mais fértil e criativo da história da música e arte em geral?

Nem por sombras.

O que os Beatles e os Stones acabaram por fazer foi precisamente o contrário: constituir um importante pilar do capitalismo.
Se por um lado observamos a ausência de mensagem, quer política quer filosófica, gritante especilmente nos primeiros anos, por outro o fenómeno de arrastamento de multidões criado só tem par visual na deslocação migratória de búfalos nas áridas planícies africanas ou nas idas dominicais ao Ikea em época natalícia. Afinal de contas, não se encontram grandes divergências entre as expressões das tontas criaturas que assistiam aos concertos de estádio de futebol e as dos dementes peregrinos que pulavam diante das câmeras de televisão para verem de mais de perto a inauguração da nova igreja em Fátima.
Não será portanto descabido para ninguém a comparação entre a adoração da juventude de 60 por estas duas bandas com a génese das boybands dos anos 90, de natureza predominantemente corporativa e capitalista; a fórmula que McCartney e Associados exploraram tornou-se na base da própria indústria da música, rendendo milhões de dólares aos criativos e aos accionistas das respectivas empresas discográficas e de todas as outras que quiseram também entrar na corrida ao ouro, suportando financeiramente o seu desenvolvimento em troca de publicidade.
Mas os Beatles, tal como os Stones, participaram em acções marginais, dirão ingenuamente alguns, evocando o concerto ilegal trasmitido do telhado ou o aumento os decibeis dos amplificadores para limites não aceitáveis pelas autoridades (sim, alguns polícias farfalhudos terão ficado chateados com estas duas malandrices). Ora, tudo isso foram lérias da entretainment industry cujo objectivo era apenas um: vender mais e mais e mais. e mais.

Não condensem porém o pensamento aqui discorrido (cuja originalidade nao proclamo) em negativismo musical: tal como dum Bush nasce a necessidade de um Obama, do enjoo da globalização floresce subterraneamente a individualidade de pensamento, do padrão aborrecido da normalidade enraíza-se o esforco intelectual de acordar as pessoas. Enfim, dum Paul McCartney às vezes surge um John Lennon, o que é muito bom.