Mostrar mensagens com a etiqueta 60s. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 60s. Mostrar todas as mensagens

10 fevereiro 2012

Banda à Parte: The Beacon Street Union


Em dia de estreia da nova rubrica do Altamont, coube aos Beacon Street Union fazer a inauguração. Para a grande maioria do público este nome não acende o mínimo fogacho de luz na cabeça, no entanto, e pese embora não tenham tido qualquer impacto comercial relevante, têm uma (pequena) obra com qualidade suficiente para serem referidos aqui.

Formados em 1966 em Boston e constituídos por John Lincoln Wright nas vozes, Paul Tartachny na guitarra e voz, Wayne Ulaky no baixo e também nas vozes e, finalmente, pelo baterista Richard Weisburg, os Beacon Street Union (BSU) foram alvos de uma tentativa da editora MGM de recriar em "laboratório" um movimento semelhante ao de São Francisco mas na Costa Este. Deram-lhe o nome de Bosstown Sound onde figuravam outras bandas de New England como os Eden's Children, Orpheus, Ultimate Spinach, entre outros nomes de que ninguém mais vai ouvir falar. Porém este "movimento" não vingou porque era uma coisa não orgânica.

14 abril 2011

Álbum de Estimação: Nick Drake - "Five Leaves Left" (1969)

Hoje escolhi um álbum sobre o qual é difícil escrever, e portanto não vou mesmo alongar-me muito. Só umas breves palavras para dar a conhecer um pouco da sua história a quem não o conhece e tentar, dentro do vocabulário que conheço, transmitir-vos uma ideia da minha impressão sobre o mesmo.
Five Leaves Left foi o primeiro dos três álbuns que Nick Drake deu ao mundo, numa curta carreira de 5 anos, que terminou com a morte do próprio, aos 26 anos. Isto até pode parecer um cliché, imagino que os que não conheçam já estejam a ver o filme de alguém que teve sucesso rápido e sucumbiu ao mundo das drogas e excessos próprios do meio. Nada mais longe da verdade. Os seus álbuns não venderam mais de 5000 cópias. Não gostava de dar concertos ao vivo nem entrevistas. Manteve-se sempre uma pessoa recatada, com os seus problemas tão patentes nas suas letras, tais como depressão, insónia entre outros. Até que uma overdose de anti-depressivos o levou. Permaneceu durante uns bons anos um tesouro escondido, tendo começado a ser redescoberto após ser citado como influência para alguns músicos nos anos 80, mas manteve-se sempre uma pérola para algumas franjas e um total desconhecido para as massas. Nem todos conseguem ver a beleza mesmo que ela esteja à frente dos seus olhos.
O facto de hoje estarmos a ouvir Nick Drake permite-nos confiar na selecção natural que o passar do tempo faz. E ter esperança que os nossos filhos e netos terão acesso a coisas que mesmo não tendo sido populares no seu tempo, serão guardadas e passadas de geração em geração de uma forma justa, medida pelo mérito dos artistas e não pelo número de discos vendidos.

17 março 2011

Álbum de Estimação: The Moody Blues - "Days of Future Passed" (1967)

Entre 1966 e 1968, aproximadamente, houve um fenómeno na música, mais concretamente na britânica, com a tentativa de juntar a pop com elementos clássicos. Uma tentativa de ver a música como um todo, um movimento que chegasse a todos e não se dividisse em grupos, os novos e velhos. A pop tentou tornar-se adulta, requintada, sofisticada e, se calhar, algo snob, até porque muitos elementos destas bandas pop, tinham tido instrução clássica, fazendo, desta feita, valer todos os minutos de aprendizagem árdua. Isso viu-se com os Beatles em Sgt. Pepper, Nirvana [UK] em Simon Simopath, os Zombies em Odessey & Oracle e Aphrodite's Child com 666, entre outros como este Days of Future Passed dos Moody Blues.
Rotulados, na altura, como uma das melhores bandas da invasão britânica nos USA, os Moody são, hoje em dia, conhecidos pelos seus álbuns de rasgo e inovação e tudo começou em 1967 com um certo golpe de sorte.
A sua produtora, Decca, queria uma versão Rock da Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorak, para mostrar ao mundo a sua nova tecnologia stereo, no entanto, a História teceu o seu rumo, e um dos produtores conseguiu mudar tudo, juntando as músicas pop que os Moody andavam a desenvolver, juntando-os à London Festival Orchestra e conseguindo este resultado final, metendo a cabeça em água à Decca que não sabia como catalogar nem publicitar o resultado final, temendo um desastre em termos de vendas. O disco, dividido em sete músicas, fala de um dia completo desde o amanhecer até à noite escura em que cada música é um momento diário. Este psicadelismo barroco misturado com outros elementos clássicos não só acabou por ser bastante aceite, tornando a banda muito mais respeitada, como acabaria por ser um campeão de vendas para a Decca, muito por culpa da música final, "Nights in White Satin". Apesar de já ter este disco há uns bons anos, só há pouco tempo o ouvi de início ao fim, e foi o melhor que fiz, pois é daqueles que nos faz sorrir ligeiramente ao ouvir de início ao fim. Não é um disco de singles, embora "Nights" se destaque logo à partida. É um disco pensado para ser um disco e ser ouvido de início ao fim. E é isso que me faz tanto gostar dele. Recomendo vivamente.

13 janeiro 2011

Álbum de Estimação: The Monks - "Black Monk Time" (1966)

E hoje no Altamont o tempo de antena vai todo para estes monges rockeiros que, seguramente, têm uma óptima história por e para contar.
Cinco soldados americanos em serviço numa base alemã decidem ficar por lá e criar uma banda de seu nome Torquays. Começaram por tocar covers de Chuck Berry, e por aí. Eram apenas mais uma dessas bandas que, à semelhança dos Beatles, tinham tentado a sua sorte por solo alemão, mais boémio e louco que outras partes do mundo ocidental. Apesar da história dos Monks não ser um mar de rosas, o seu futuro na música nesta altura estava traçado, Seriam engolidos como a maior parte das bandas desta altura que apenas tocavam covers. No entanto algo mudou na cabeça destes cinco rapazes americanos. A influência de uns "loucos" existencialistas alemães e a guerra do Vietname. Com isto veio também uma nova aproximação à música e mudança de nome para The Monks. Aquele que hoje podemos chamar de pré-punk ou um Pop destrutivo como lhe chamou Jack White. Equipados a rigor, ou seja, robes escuros e cabelo rapado no centro da cabeça, os Monks deixaram o público alemão completamente surpreendido com este kit, tanto visual como musical. Ao estilo rock de garagem, muito puro e agressivo, aliado às letras psicopatas de Dave Day, este grupo norte-americano criou um estilo que, até aí, não existia mas que se pode encontrar uns meses mais tarde com 13th Floor Elevators. Apesar de terem conseguido um contrato com uma discográfica alemã, os Monks não conseguiram entrar no mercado americano, muito devido às letras agressivas. E assim, tal como começaram, cedo o seu fim foi uma realidade, envolto numa confusão que até hoje não se conhece bem a causa da separação. Para a história ficou o seu único disco, "Black Monk Time, esquecido durante décadas, um autêntico tesouro escondido que o Altamont escavou para a vossa apreciação...

25 novembro 2010

Álbum de Estimação: Quicksilver Messenger Service - "Happy Trails" (1969)

Há muito, muito tempo, numa realidade bem distante, numa terra a alguns milhares de quilómetros de Lisboa, havia um movimento chamado de Rock psicadélico. Esse movimento, aparecido por volta do final de 1965 gerou um enorme número de bandas na Costa Leste dos Estados Unidos, principalmente em São Francisco. Desse movimento, mais conhecido como "West Coast Sound", surgiram bandas como Jefferson Airplane, Grateful Dead. Se estes conseguiram manter o seu nome, mais ou menos, gravado na pedra até aos dias de hoje, a verdade é que a maior das restantes bandas foi desaparecendo de cena à medida que o imaginário psicadélico começava a passar o efeito, leia-se LSD. No entanto, estes foram tempos gloriosos para a música, especialmente durante concertos. A inspiração, honestidade, criação e comunhão da música entre banda e público era de tal forma emotiva e vibrante que muito raramente uma banda conseguia passar este feeling para um disco gravado em estúdio. Daí que, bandas como os Quicksilver Messenger Service, gravavam, por vezes, os seu álbuns ao vivo e não em estúdio. Este Happy Trails é exemplo disso mesmo. Com o mote da primeira parte do disco gerada à volta da música "Who Do You Love?" de Bo Diddley, os QMS fazem, connosco, uma viagem pelos sentidos. Escolham uma altura do dia calma, de preferência de noite, numa sala pouco iluminada, acendam um pau de incenso ou outro gerador de bom cheiro para alma e mente, ponham o disco a tocar, e, durante cerca de uma hora vão sentir-se bem. Garanto-vos...



14 outubro 2010

Álbum de Estimação: The Zombies - Odessey & Oracle (1968)

Ele há coisas assim. Por vezes, quando já não pomos pressão numa coisa porque sabemos que a partir daí seguiremos outro rumo, acontece exactamente o oposto do que se passaria se estivéssemos a dar o máximo. Este Odessey & Oracle é o exemplo disso mesmo. Gravado em 1967, em pleno "Verão do Amor" quando a banda já estava a fazer contas à vida por achar que não passava da cepa torta, pois tardava em afirmar-se ao nível de outras bandas, este disco surge como o canto do cisne desta banda inglesa que já estava praticamente separada quando o disco foi finalmente editado em 1968. Mas retomemos uns anos antes para recordar a histórida dos Zombies.
Formados em 1962, a banda de Hertfordshire cedo mostrou que não fazia parte da leva inglesa que invadiu os Estados Unidos dois anos mais tarde. É certo que foi metida no mesmo saco até porque alguns dos seus temas continham o tal Ritmo & Blues que a maior parte das bandas britânicas vinham a exibir. No entanto, o grupo, composto, principalmente, pelo vocalista Colin Blunstone e o teclista Rod Argent apresentavam uma bagagem musical muito mais clássica, o que, por vezes, até lhes deu imagem mais negativa, como se fossem uns "meninos", sem o rasgo que apresentavam os Stones, Kinks ou Who. Óbvio que cada banda deve jogar com o melhor que tem e, se calhar, as editoras nunca perceberam bem qual a linha desta banda e tentaram encaixá-la com outras bandas que não seriam bem o mesmo estilo. Isso fez com que os Zombies nunca fossem uma banda muito popular naqueles dias nem sequer tivessem singles que fossem muito comerciais nem "radio friendly". Isto numa altura em que os LPs não eram de grande importância e que um simples single poderia mudar a história de uma banda. Aparte do ligeiro sucesso com "She's Not There", isso não aconteceu com a banda de Argent e, passado alguns anos e sem mostrar provas de êxito financeiro, a editora Decca, resolveu não renovar contrato deixando-os à deriva. A CBS propôs um contrato para a gravação de um disco. A banda acedeu mas, farta de andar esta vida insegura, resolveram que seria o último. Alguns elementos da banda deixaram inclusive de tocar música. No entanto algo de muito positivo estava reservado para a gravação deste disco. Terá sido a despreocupação de já não ter de mostrar serviço ou o sentimento de que deveriam acabar em grande, ou apenas a conjugação de factores cósmicos, a verdade é que os Zombies deixaram uma obra prima para as gerações vindouras. Claro está que o disco aquando da sua edição falhou rotundamente, sobretudo em solo britânico. Nisto, os elementos da banda já seguiam o seu próprio caminho, sem olhar sequer para trás. Rod Argent fundou a sua própria banda com um registo mais Hard Rock, enquanto o vocalista Blunstone trabalhava em seguros. No entanto, vindo do nada, a edição de "Time of the Season", em 1969, deu aos Zombies, o seu hit single que tanto tinham procurado em "vida". Além disso, fez também ressurgir das trevas este disco escondido, mostrando ao mundo as pérolas escondidas em 12 músicas de ode ao melhor do psicadelismo e pop barroco britânico.
Este disco, com pouco mais de 30 minutos faz-nos mergulhar num som recheado de imensos instrumentos cada um com várias camadas assim como várias vozes e coros. Uma mistura de Pet Sounds, Yellow Submarine, Magical Mystery Tour ou Syd Barrett mas num tom muito mais clássico do habitual do rock psicadélico. A pop barroca no seu melhor.
Se o preço a pagar para este disco surgir teve que ser o desmembramento da banda, então Argent e companhia que me perdoem mas...valeu a pena...

07 outubro 2010

Álbum de Estimação: Five Faces of Manfred Mann - Manfred Mann (1964)

Corria o ano de 1964 quando os Manfred Mann se lançaram no mundo da música comercial gravada. O mundo neste altura vivia alguns momentos conturbados. JF Kennedy tinha sido assassinado um ano antes, a guerra fria começava a ser algo a ter em conta e os jovens americanos começavam a temer pelo seu futuro devido a uma guerra lá longe no meio da Ásia. Também agitado estava o mundo cultural. Kubrick estreava a comédia negra, "Dr. Strangelove" enquanto Clint Eastwood continuava triunfante no faroeste em "Um Punhado de Dólares". Na cena musical, os Beatles dominavam. A histérica Beatlemania chegara aos EUA e com ela uma data de bandas vieram por arrasto. Rolling Stones, The Kinks, os Them de Van Morrison, Zombies, Dave Clark 5, entre outras. "The British are Coming!" era a palavra de ordem da altura e o movimento ficou conhecido como The British Invasion. Uma dessas bandas a apanhar este comboio tinha o nome de Manfred Mann. Fundada por Manfred Lubowitz, originário da África do Sul, a banda cedo revelou as suas raízes mais artísticas ou jazzy o que não invalidava que não fossem considerados como um grupo bastante forte de Ritmos e Blues ao nível dos Stones ou Them. O look arty e a voz grave de Manfred davam um cunho muito próprio à banda, fazendo que não fossem apenas mais uma da mesma leva.
Five Faces of Manfred Mann, disco de estreia da banda em Inglaterra, prova isso mesmo. Uma mistura de originais com clássicos de outros artistas, sobretudo negros(como a quase totalidade das bandas fazia na altura), fazem dos quase 40 minutos que ocupam o disco, um verdadeiro prazer. "Smokestack Lightning" ou "I've Got My Mojo Working" são exemplos do que era realmente a invasão britânica naquela altura - Miúdos branquelas a tocar clássicos de negros como se fossem os seus próprios, no entanto nem todos o conseguiam como os Manfred Mann...

08 junho 2010

Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)

Façam o seguinte exercício de imaginação. Pensem numa banda qualquer que exista em 2010. Acabaram agora de se formar. Só têm 36 horas para gravar um disco. Possuem um som que ainda está por inventar ou forjar. O disco sai e cai que nem “uma bomba” na crítica e no público. Passados seis meses após do lançamento do disco de estreia já são considerados o maior fenómeno desde que Elvis e os Beatles inventaram a Pop e o Rock n Roll. Vendem milhões de discos, enchem estádios e têm os Sete Continentes na palma da mão.
Conhecem alguma banda que faça isto actualmente? Acho que grupos assim já nem se fabricam! Mas foi precisamente isto que aconteceu aos lendários: Led Zeppelin.
Nascidos das cinzas dos Yardbirds, dos quais Jimmy Page foi o último de uma série de guitarristas ilustres (Eric Clapton e Jeff Beck), os Led Zeppelin (nome inventado por Keith Moon quando este imaginou qual seria a sua banda ideal: “Lead Zeppelin!!”) eram a junção dos talentos de dois experientes músicos de estúdio (Page e o multi-instrumentista John Paul Jones) e dois ”putos” de Birmingham que tocavam numa banda local (Band of Joy) de seus nomes: Robert Plant (voz) e John Bonham (bateria).
Após uma curta tournée pela Escandinavia (ainda sob o nome “The New Yardbirds”), o grupo concentrou-se nos Olympic Studios, Londres, em Outubro para a gravação do “Lp” de estreia. Graças aos serviços do seu manager, o sempre astuto e feroz Peter Grant, foi forjado em três tempos um contrato milionário com a Atlantic Records (de Ahmet Ertgun) sem a editora ouvir sequer uma nota ou demo!
Sob a batuta dos talentos de produção de Page, a engenharia de som de Glyn Johns, o grupo ergueu uma obra para a eternidade. Nota-se logo pela abertura de “Good Times Bad Time” que este não era um mero grupo de Rock. Nem eram demasiado Blues como os Cream, nem demasiado cósmicos como Hendrix. Antes pelo contrário, os Zeppelin tinham um “som de chumbo” com os pés bem assentes na terra. Nascia assim o género Hard-Rock, com Riffs bem potentes, solos dilacerantes, baixo bem vincado, uma batida poderosa e uma voz que alternava entre a melhor tradição dos blues do Mississípi e o histerismo operático.
O vocalista Robert Plant, com o seu aspecto de “Viking disfarçado de Hippie”, tinha só 19 anos quando gravou este disco, mas a sua voz já era potente demais para a mesa de mistura. Foi necessário colocar “painéis” à volta da sua cabine para que o som que saia da sua laringe fosse minimamente controlado. No entanto, quem parecia “fora de controlo” era Jimmy Page que a meio de “Good Times Bad Times” protagoniza um momento de revelação: a “arte do shredding “, sempre utilizado por milhões de guitarristas ao serviço da causa “Heavy-Metal”.
Mas os Zeppelin não eram apenas uma banda “Heavy”. O grupo demonstrava aqui que a Folk e as guitarras acústicas também cabiam neste Rock. A balada “Babe I´m Gonna Leave You” com as suas constantes alternâncias entre a delicadeza e a brutalidade é talvez o melhor exemplo daquilo que os Zeppelin iriam imprimir a todos os seus discos da sua carreira.
Contudo o “tour-de-force” chega sob a forma do épico “Dazed and Confused”. Aqui remetido a uns curtos, (mas intensos) 6 minutos de duração. Ao vivo poderia chegar quase à marca da meia hora de duração. È aqui que se sente que este grupo era uma máquina poderosa, bem oleada capaz de por à prova todos os nossos limites de audição através de variações e vibrações emocionalmente sónicas.
Chegamos ao lado B onde aparece o vibrante órgão de John Paul Jones com “Your Time is Gonna Come”. Depois vem o instrumental “Black Mountain Side” com page novamente nas guitarras acústicas e um tocador de tabla indiano (Viram Jasani). Um prelúdio calmo antes da tempestade sonora que é “Communication Breakdown”. Um clássico do género “Hard n Heavy” que em 2 minutos e meio resume o “Poder” que era ser “tocado” por uma banda deste calibre, numa altura em que o Rock enfrentava enormes mutações!
A fechar vem ao de cima a sua paixão pelos blues. Não é alheio que as duas versões de Willie Dixon, primeiro com “You Shook Me” e depois com “I Can´t Quit You Baby”. Um ambiente onde a banda se sente à vontade o suficiente para poder compensar o facto de ainda não terem muitas canções compostas por si à data. Inclusive o tema final – “How Many More Times” – creditado a Page, Jones e Bonham mas que é uma cópia de “How Many More Years” de Howlin Wolf. Ou como reflectiu Robert Plant (anos) mais tarde sobre esta situação: “nesta grande família musical somos todos pedintes ou ladrões”!
Larápios ou não, o que é certo é que uma geração inteira estava á espera e disposta a aceitar este novo som: intenso, pesado e mordaz! Na viragem da década de 60 para 70, os Led Zeppelin eram” o maior balão musical” capazes de rebentar com a Indústria Rock!

06 junho 2010

Love - Forever Changes (1967)

Considerados um dos marcos da contra-cultura dos anos 60, “Forever Changes” está sempre à espreita quando se fala dos grandes discos de sempre e em particular da década em que foi criado. Isto muito por culpa não só da própria do aspecto dos Love (uma das primeiras bandas multi-raciais a par de Sly a& the Family Stone), mas também pelo próprio som peculiar que o grupo imprimia aos seus discos.
Em abono da verdade os Love não soam, nem nunca soaram como mais ninguém. Com as suas origens nos Rhythm and blues, o grupo abrangia outras áreas como o Jazz, a Folk, o Country , sempre regados com melodias Pop de garagem (geniais) saídas da imaginação de Arthur Lee e com uma pitada alma psicadélica muito em voga em 1967.
Apesar de já terem dado algumas grandes pegadas no predecessor “Da Capo”, é com “Forever Changes” que o grupo atinge a maturidade criativa. Dotado de melodias irresistíveis ao nível de um Mccartney ou de um Wilson, Arthur Lee tinha em Bryan McClean o co-piloto perfeito para dar um colorido especial aos Love. Aliás é desta parceria que nascem algumas das melhores de “Forever Changes”. A começar por “Alone Again Or” uma canção que poderia ser perfeitamente dos Buffalo Springfield: se estes tivessem paciência para tocar com uma orquestra de Mariachis! Um clássico absoluto que foi copiado ao longo dos anos por gente tão díspar como Sarah Brightman, The Damned ou Calexico.
Segue-se “Andmoreagain”, outra pérola da dupla Lee/Mclean com arranjos orquestrais (cortesia do maestro David Angel) delicados e guitarras acústicas herdeiras da tradição da então “Nova Folk” instituída por Baez e Dylan.
Mas não se pense que os Love desaceleravam o seu som e se tornavam “softzinhos”. O grupo continuava na luta, juntamente com os colegas de editora Doors, por serem das bandas mais anti-establishment que LA já produzira. Em títulos mais eléctricos e ácidos como “A House is Not a Motel” ou “Bummer in the Summer” o grupo continuava a fazer o seu “Rock n Roll” mordaz e intrigante.
Apesar dos bons esforços, a banda estava a desintegrar-se. As saídas do teclista Alban Pfisterer e do saxofonista Tjay Cantrelli deixaram brechas difíceis de superar. Com a chegada das drogas e o desinteresse em continuar a gravar, não deram alternativa ao produtor Bruce Botnick em utilizar músicos de estúdio (externos à banda) para acabar o disco. Porém, “Lee e companhia” ficaram tão enojados pelo trabalho dos “session players” que decidiram começar do zero e convencer Botnick e a editora a serem eles próprios a gravar “Forever Changes”.
Os resultados foram melhores que o esperado, oiça-se o “Beatlesco” “The Daily Planet”; o negro “Live and Let Live” ou o falso romântico “The Red Telephone” para se perceber que” o todo” seria muito forte.
A finalizar “You Set the Scene”, um clássico perdido dos anos 60 e com alguns contornos Rock, Ragas Indianas e Jazz. Enfim, há aqui mais que pretextos para ouvirmos este disco muitas vezes sem nunca nos fartarmos. Ele não é nem Indie, nem Rock, nem Pop, nem Jazz, é simplesmente “Forever Changes” um dos melhores discos de sempre da história a par de “Sgt. Pepper” ou “Pet Sounds”. Obrigatório!

20 maio 2010

The Kinks - Arthur (Or the Decline and Fall of the British Empire) (1969)

Numa destas tardes de passeata pela nossa bela Lisboa, que, com este bom tempo convida a ligeiros passeios, acompanhados de bons amigos, umas ginjinhas e umas imperiais, deparei-me com uma ligeira branca aquando da selecção de algo para ouvir no meu iFrod. Por vezes, a quantidade deixa-nos indecisos e periclitantes na escolha do som para o momento. Alguns clicks para cima e para baixo e parei neste álbum. Fiz play e segundos depois já estava a bater o pé ao som de "Victoria" enquanto aguardava o metro na estação do Areeiro. E, de repente, lembrei-me o porquê fiquei tão "amarrado" ao som dos Kinks. A estes Kinks, os do final dos anos 60 que se desprenderam da onda da British Invasion que os fez mais conhecidos. "All Day and All of the Night" ou "You Really Got Me" por muito que sejam grandes músicas ficam a léguas dos álbuns conceptuais mas muito britânicos feitos alguns anos depois. Aqui, em Arthur, os Kinks viajam pelos gloriosos anos do Império Britânico que estava presente nos quatro cantos do mundo. Mais uma vez, e, como é normal num álbum dito conceptual, a audição do mesmo tem que ser do início ao fim. De "Some Mother's Son", passando por "Australia", "Shangri-La" e acabando em "Arthur", os Kinks demonstram porque razão são tidos como uma das bandas que encorpou o verdadeiro sentido britânico. E nisto saí na estação do Rossio, bebi uma ginjinha e lá se passou mais dia...

17 março 2010

Nirvana [UK] - The Story of Simon Simopath (1967)

Há muitos, muitos anos, ainda era eu um garoto imberbe, mesmo não tendo desenvolvido muito mais pilosidade desde então, deparei-me com uns discos esquisitos de uma banda que eu tanto apreciava. Estaríamos por volta de 1996. Nas minhas viagens de autocarro, seguidas de metro até à baixa lisbonense, a emoção era imensa para quem vivia numa espécie de redoma intocável como era a portela. As idas à Virgin às sextas eram míticas. Nunca me canso de apregoar que a Virgin tinha mais impacto do que a Fnac alguma vez o teve. Pela localização, pela quantidade e qualidade dos seus produtos. Muitos discos de exportação, juntando a um grande número de cassetes (sim VHS) de concertos que não se encontravam em lado algum, aliado ao facto de ter inúmeros livros de música e posters, coisa que já não era costume encontrar em Lisboa que vivia em estado comatoso em termos musicais. A fase pimba já tinha deixado as suas marcas na música nacional (morte a ti, Carlos Ribeiro). Enquadrando o tempo e espaço a este review vamos, então, partir para essa descoberta há cerca de 15 anos  em pleno Éden nos Restauradores. 
Ao correr a letra N à procura de discos de Nirvana de Kurt Cobain, vi umas capas que nunca tinha visto na vida e com os seguintes nomes: The Story of Simon Simopath, All of Us e Orange Blue. Seriam, decerto, "bootlegs" como os sobejamente conhecidos Outcesticides, compostos por demos ou músicas ao vivo. Não lhes liguei muito. Vivia um certo Cold Turkey em relação a Nirvana. Sentia falta deles mas tentava sair dessa fase da minha vida. Essa foi o meu primeiro contacto com esses Nirvana. Noutra incursão à loja de Richard Branson resolvi dar outra espreitadela e tal não foi o meu espanto quando reparei nas datas dos referidos discos. 1967, 1968 e 1996. Muito estranho para uma banda que surgiu no fim dos anos 80 e acabou a meio dos 90. Haveria outra banda chamada Nirvana? Pesquisei em revistas e artigos que guardara ao longo dos meus anos de vício em Nirvana e descobri que estes Nirvana ingleses dos anos 60 tinham processado os homónimos americanos após o lançamento de Nevermind. Ninguém saiu queimado deste caso e os velhinhos Nirvana acabaram por se juntar para gravar "Lithium" como jeito de tréguas. 
Continuei sem lhes dar muita atenção, a Britpop estava ao rubro e rapidamente me esqueci, relativamente, de ambos Nirvana. Até que um certo dia resolvi dar uma atenção devida aos originais britânicos e descobri dois grandes álbuns. Muito bons mesmo. All of Us (1968) e este Simon Simopath de 1967. 
The Story of Simon Simopath é um disco do seu tempo embora a sua audição nos dias de hoje é, por vezes, refrescante. Gravado para ser um álbum conceitual, Simon Simopath é, a exemplo de Sgt Pepper, uma tentativa de trazer o surreal e o barroco para a música, mas acabando por ser apenas uma colecção de grandes músicas alinhavadas mais por um espírito do que um conceito por si.
Após os dois primeiros álbuns, a banda de Patrick Campbell-Lyons e Alex Spyropoulos andou um pouco à deriva pelos meandros do jazz-rock e rock-experimental tendo um fim rápido, apenas tendo uma breve ressurreição nos anos 80. Mais que um disco essencial ou pérola perdida, Simon Simopath é mais uma boa obra dos anos 60 que merece ser ouvida aqui e ali...

12 fevereiro 2010

Pink Floyd - A Saucerful of Secrets (1968)

Após The Piper at the Gates of Dawn, os Floyd chegaram a uma encruzilhada. Com o seu líder, Syd Barrett, perdido algures na sua própria mente, a banda ficou algo perdida. Que futuro poderia ter uma das bandas mais underground do psicadelismo inglês? Para muitos era Syd a luz que iluminava a banda. Era o motor que os mantinha a andar. Era a estrela que os guiava pelas encruzilhadas da imaginação. Com o líder "desaparecido em combate", Waters, Wright e Mason procuraram ajuda num velho conhecido de Syd, David Gilmour. Este, muito mais talentoso musicalmente, não era um génio a nível de letras nem tinha aquele brilho que Barrett ostentava sempre que aparecia em palco, pelo menos até a sua demência começar a aparecer. Gilmour foi contratado para ser uma espécie de músico de suporte para Syd, no entanto, este começou a desaparecer aos poucos até sair de cena. Gilmour tomou o seu lugar e o resultado estava à vista apenas dez meses depois. Não sendo completamente groundbreaking em relação ao primeiro disco, A Saucerful of Secrets faz a transição entre o undeground psicadélico de Syd e as viagens cósmicas de Gilmour e Waters que se seguiriam depois. De realçar que o disco contém a última música de Barrett em álbuns de originais dos Floyd, a semi-inocente "Jugband Blues", onde Syd, apesar da sua condição psicológica, sabe claramente o seu triste fado no futuro da banda. A influência de Syd sente-se, ainda, em "Let There Be More Light", "Remember A Day", "Corporal Clegg" e "See Saw". Enquanto álbum transição, é notório o crescimento de Waters com a espacial "Set the Controls for the Heart of the Sun", uma das preferidas dos fãs. A música que dá nome ao disco é o início da era Floyd-Gilmour. Música instrumental longa com grandes laivos de rock espacial e progressivo. A partir daqui a influência de Syd deixaria de ser musical para ser apenas psicológica...

05 fevereiro 2010

Pink Floyd - The Piper at the Gates of Dawn (1967)

Tal como as estrelas, também os seres humanos podem ter a capacidade de brilhar tão intensamente e desaparecer tão rapidamente como apareceram. A história que vos vou contar começa desta maneira. Em 1946, em Cambridge, Inglaterra, uma criança veio ao mundo. Roger Keith Barrett era o seu nome. Filho de Wynn e Max Barrett, cedo o pequeno Roger tomou contacto com a arte, música e literatura. O seu pai incentivava a isso.
Os contos de fadas e o surreal começaram a fazer parte da sua vida. Roger, mais tarde "Syd", teve uma infância relativamente feliz até aos seus 16 anos, altura em que o seu pai faleceu de cancro. Daí em diante, o pequeno génio começou a fechar-se cada vez mais no seu próprio mundo e não mais de lá saiu. Fim de História? Nada mais errado. A história de Syd é a própria história dos Pink Floyd. Por toda a sua existência mesmo apesar de Syd só ter estado fisicamente no primeiro disco da banda inglesa. Poucos anos mais tarde após a morte do seu pai, Syd, juntamente com os amigos da Universidade, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright começaram a fazer aquilo que na altura era chamado de underground. Os seus concertos eram uma orgia para os sentidos. Sons, luzes e experiências visuais começaram a fazer dos Pink Floyd, uma banda de culto no undeground scene de Londres, mais precisamente em clubes como o UFO. Depois de um 1966 em alta, conseguiram contrato para a gravação do seu disco de estreia. Gravando em Abbey Road na mesma altura que os Beatles estavam a gravar Sgt Pepper, Syd Barrett começava já a demonstrar que algo na sua cabeça já não estava bem. Dificuldades em estar concentrado para gravar um disco por completo e incapacidade de tocar os mesmos acordes em takes repetidos, fizeram que os engenheiros de som e produtores subissem paredes. Porém o disco foi acabado e o resultado final agradou tanto que o próprio Paul McCartney quis uma cópia do álbum. The Piper at the Gates of Dawn de seu nome é o disco mais psicadélico e ingénuo de toda a discografia dos Floyd. Nunca mais a banda teria esta aura de banda de culto e pouco conhecida, então após o êxito de Dark Side of the Moon nunca mais a banda tocaria em pequenos clubes ou passaria despercebida em qualquer lado. The Piper... é Syd Barrett no seu esplendor máximo. Ele leva a banda por mundos esótericos, espaciais ou surreais. Seja em "Astronomy Domine", "Lucifer Sam", ou "The Gnome". Leva-nos ao mundo infantil em "Bike" e à experimentação psicadélica em "Insterstellar Overdrive". Os Floyd conseguiram encaixar todo o espírito de 66/67 neste disco. Longe ainda estavam as alienações de Waters ou os solos mágicos de David Gilmour, que acabaria por substituir Barrett após este disco. Barrett esse que cada vez mais se debatia com laivos de insanidade e incapacidade de comunicar e estar presente. O fim estaria próximo. Aconteceu após o falhanço de uma tour nos EUA, onde a banda queria fazer impacto. No regresso a Londres, Waters e os outros trouxeram Gilmour para a banda para fazer uma espécie de Brian Wilson/Beach Boys. O génio louco escrevia as músicas mas os outros iam para tournée e Syd apenas faria número com o amplificador desligado. Nem tal foi possível e um dia a carrinha da banda não parou em casa de Syd para o levar para um concerto. Acabava aí a fase Syd.
Tão rapidamente como aparecera, a luz de Syd desapareceu sem deixar rasto. Os seus discos a solo são tudo o se conseguiu extrair daquela cabeça genial mas danificada. Anos mais tarde o seu regresso ao mundo Floyd seria tão estranho como breve.

22 janeiro 2010

George Harrison - Electronic Sound (1969)

Quando em 1968 os Beatles decidiram avançar por conta própria criando a sua própria editora, Apple, o mundo parecia estar sob a sua alçada. Talvez levados por um crecente ego, nomeadamente John e Paul, acharam que podiam ser, ao mesmo tempo, músicos e empresários de sucesso. Em pleno lançamento do Álbum Branco, tínhamos 3 (sim, Ringo não quis saber disto para nada) Beatles a descobrir novos talentos. A premissa era: "Dêem-nos todas as vossas maquetas ou ideias que nós as todas as ouviremos". Erro tremendo, passados uns dias os escritórios da Apple em Savile Row estavam atulhados de cassetes e cartas e afins. Apesar de se terem feito algumas descobertas musicais (Paul descobriu Mary Hopkin e os Badfinger, enquanto George fez aparecer James Taylor), a situação era insustentável e cedo os Beatles desistiram desta ideia, começando a dedicar-se apenas à música, continuando a Apple a ser a sua editora. Uma das boas ideias a surgir da criação de uma editora própria seria a de uma maior liberdade para a criação. Um disco duplo naquele tempo seria, provavelmente, impossível, se os Beatles ainda fossem pertença absoluta de outra editora. Sendo assim a margem de manobra para a experimentação era maior, sendo criada uma "etiqueta" para estes projectos de seu nome Zapple. Encerrada pouco tempo depois de ter sido criada pelo empresário tubarão Allen Klein, a Zapple foi criada para permitir projectos paralelos tanto dos membros dos Beatles como de outros. Lennon lançou, juntamente com Yoko, Unfinished Music Nº2: Life With The Lions, enquanto George lançou este Electronic Sound. Duas músicas apenas fazem o total deste disco: "Under The Mersey Wall" e "No Time or Space". Bastante ajudado pelo compositor californiano Bernie Krause, George sai do mundo do Rock e aventura-se na electrónica mas de uma forma ainda naive. O surgimento dos sintetizadores Moog fizeram despertar um outro tipo de sentimento no Quiet Beatle que o utilizou no próprio Abbey Road. Totalmente ignorado na altura em que saiu, Electronic Sound é, o que podemos definir como, um tesouro escondido, uma faceta desconhecida de George Harrison. A (re)descobrir.

02 janeiro 2010

Vietnam War Music

Por mais absurda que seja qualquer guerra há sempre algo de valor a nível cultural que dela advém, seja na pintura, escultura, poesia, cinema ou música. Em relação à guerra do Vietname a música foi, sem dúvida alguma, a banda sonora perfeita. Aqui ficam alguns exemplos do bom som que surgiu durante 1960 e 1975.



13 dezembro 2009

A Colecção do ROLL - Jimi Hendrix - Electric Ladyland (1968)

CLIQUE PARA VER MAIOR

Texto do Roll (Tinha erros à fartazana mas eu corrigi alguns)

Arre porra, garotos! Este é daqueles que todos vocês deviam ter.
Este álbum do Jimi Hendrix, lançado em 1968, durante o auge da época dourada da música, é dos melhores de sempre.
Mesmo se fores um gajo bestialmente deficiente mental, como um gajo que eu cá sei, vais gostar desta maravilha. Está cientificamente provado por uns gajos da Nasa ou de uma cena parecida. Está no wikipedia, caraças.
Gostava de destacar as seguintes faixas:
1- Crosstown Traffic - Banda sonora ideal para todos aqueles que guiam um buick dos clássicos quando estão parados no trânsito de Nova Iorque num dia de verão: Apesar no calor, a guitarra do mestre, refresca-nos . Não tenho um Buick mas gostava de ter.
2- Voodoo Child - Que riff, com mil diabos! Com fortes influências tribais, o pedal wah do mestre leva-nos para uma dimensão nunca antes alcançada.
3- Long Summer Night - Arre porra, outra vez! Um gajo depois de levar porrada supersónica com a Voodoo Child, inchamos ainda mais dos punhos mágicos do Deus da guitarra, incansável como um coelhinho fodilhão, em "Long Summer Night". Está carregada de soul, funk e amor pelo próximo.
4- Gypsy Eyes - Uma das mais psicadélicas do álbum, tem efeitos de voz de outro planeta e acordes inovadores e distorcidos para a época. Dava um dedo para ter ouvido isto no Woodstock 69.
5- All Long The Watchtower - Este original do Bob Dylan é tão bem recriado - sim , ouviram bem - RECRIADO: Deuses: recriam, Copistas: Copiam - que o cantor folk fez questão de oferecer a música ao Jimi.
Segundo reza a lenda, o autor de Foxy Lady agradeceu e acabaram os dois na cavaqueira a fumarem ganzas.
Tudo foi pensado com a ousadia dos deuses, até a excitante capa, cheia de raparigas de voluptuosos seios, onde vemos em lugar de destaque, o mestre, o guru, o deus - JIMI MOTHA FUCK#N HENDRIX!
Aposto que as comeu todas com o seu membro avantajado.
Portanto, além de ficarem extasiados com as sonoridades do mestre, sempre podem usar a capa do disco para se masturbarem.
Apesar de estas faixas serem as minhas preferidas, o álbum está recheado de momentos mágicos. São dezasseis faixas que fizeram história: Jimi não tocava guitarra eléctrica. Jimi era a guitarra eléctrica!

13 outubro 2009

The United States of America - The United States of America (1968)

A segunda metade da década de 60 trouxe um sem número de bandas psicadélicas, progressivas ou vanguardistas, especialmente do outro lado do oceano na costa leste dos Estados Unidos. Bandas com nomes estranhíssimos e surrealistas começavam a ser a norma em vez de a excepção. Quanto mais estranho e rebuscado melhor. No entanto, uma das bandas com som mais vanguardista da época dava pelo simples nome do seu próprio país - The United States of America. O grupo de L.A., liderado por Joseph Byrd é um dos tesouros escondidos que dá sempre prazer em revisitar. O seu Pop vanguardista que, a espaços, faz lembrar as partes mais sombrias dos Velvet Underground ou dos Pink Floyd, faz-nos parecer, realmente, estar no meio do vortex surrealista que foi a segunda metade da década na West Coast. Uma das características que distingue esta banda de outras da altura é o facto de não ter nenhum guitarrista, alterando deste modo o pulsar das suas músicas mais alicerçadas nos sintetizadores.
O que à partida poderia ser visto como mais um disco psicadélico à imagem de uns Jefferson Airplane ou Strawberry Alarm Clock torna-se numa viagem pelo weird but beautiful do mundo de Joseph Byrd, seja na crítica à decadência em "The American Metaphysical Circus", a pastoral "Cloud Song" ou a política "Love Song for the Dead Che". Apesar de ter recebido boas críticas, especialmente no circuito europeu, a banda acabaria prematuramente por se desintegrar pouco tempo após o lançamento do disco, sendo este o seu primeiro e único disco. Por vezes, pouco é muito...

09 setembro 2009

The Beatles


Happy Beatles Day Everyone!

"É hoje! É hoje!", gritam milhares ou mesmo milhões de pessoas por esse mundo fora. É hoje que é lançado o catálogo completo dos Beatles tanto em versão Stereo como em Mono, embora esta se destine mais ao coleccionador e fã dado as características muito próprias das mixagens em Mono. Há mais de vinte anos que os Beatles resistiam à tentação de remixar a sua colecção de álbuns. Ao contrário de algumas bandas, nomeadamente os Beach Boys ou mesmo os Stones que de dois em dois anos têm novas edições dos álbuns ou constantes best-of, os Beatles, talvez por a sua companhia, Apple, ser uma confusão pegada, nunca se preocuparam muito em dar ao público algo mais do que a caixinha básica do cd com um folheto mínimo, salvo a excepção do Sgt Pepper ou do White Album. Mas como alguém me disse uma vez: "Se o disco na altura que saiu foi tão bom e teve tanto sucesso, que raios é que uma remixagem vai trazer de novo ao álbum? Ele era bom em Mono, que som mais vamos ouvir em Stereo ou em 5.1 ou sabe-se lá mais o que vão inventar. Ora, pelo que tenho lido, o som está muito mais fresco e consegue-se discernir certos detalhes em algumas músicas. Outras não estão tão enterradas como a "Long,Long,Long". Mais uma vez digo. Elas já eram boas, por isso... Penso que, mais do que estar a dar mais do mesmo para quem já tem, é óptimo para quem não tem, nem conhece. Saúda-se a publicidade a uma das bandas mais importantes de sempre. E, por falar em publicidade, chega também hoje, para certos países, o mais recente Rock Band, este dedicado a quem? Aos Beatles pois claro. Confesso estar ansioso por o ter, no entanto, também receoso que se possa vir a ganhar um certo afastamento das músicas pelo desgaste... Esperemos que não e que o jogo sirva para gerações mais novas saberem quem foi Ringo Starr e George Harrison, dado que já há muita gente nascida pós anos 80 não sabendo quem foram as figuras. And in the end, the love you take is equal to the love you make...

18 agosto 2009

18 de Agosto de 1969 - Woodstock


Faz hoje, dia 18, 40 anos sobre o último dia do festival Woodstock. O festival que marcou uma geração. Previsto apenas como 3 dias de festival, o concerto de Jimi Hendrix foi atrasado para a manhã do dia seguinte devido a constantes atrasos, devido sobretudo à chuva. Anunciados como The Jimi Hendrix Experience, Hendrix de pronto corrigiu-os como Gypsy Sun and Rainbows. Apenas um número reduzido de pessoas assistiu ao concerto final. Fala-se entre 25 mil e 180 mil. Números bastante inferiores aos bem mais de meio milhão que se instalaram na herdade de Bethel desde o primeiro dia. No entanto, Jimi brindou a público restante com uma das melhores performances dadas. Mais de 2 horas de concerto dadas de forma explosiva foram um brinde para quem aguentou até ao último instante.

30 junho 2009

The Byrds - Ballad of Easy Rider (1969)

1969. Um dos anos mais míticos da história do mundo e da música em particular. O ano que viu o Homem ir à lua. O ano em que foi inventado o avião Concorde. O ano do Woodstock. O ano que viu um suposto Hippie (Charles Manson) tornar-se num profeta do apocalipse, ordenando matanças. O ano que viu os Beatles acabarem como grupo e os Led Zeppelin a começarem. O ano em que morre Brian Jones e nasce Dave Grohl. O ano em que Kadafi sobe ao poder. O ano ainda, em que Pelé marca o seu milésimo golo, é o ano que marca a queda de uma geração cheia de sonhos e esperanças. Uma geração que queria viver ao máximo. Essa mesma geração é representada no filme de Dennis Hopper e Peter Fonda, Easy Rider. A banda sonora reflecte o som da época. Desde o rock ácido dos Steppenwolf ao country-rock dos Byrds, passando pelo psicadelismo dos Electric Prunes e Jimi Hendrix. O mote dos Byrds com a belíssima "Ballad of Easy Rider" deu seguimento ao disco homónimo.
Após Younger Than Yesterday, os Byrds não mais voltariam a ser os mesmos. Constantes mudanças no elenco principal alteraram as fundações da banda. Tudo começara com a saída de David Crosby que se aliava a Nash e Stills e, mais tarde, a Neil Young. Chris Hillman e Gram Parsons, que viera substituir Crosby, também seguiriam o mesmo caminho, formando os Flying Burrito Brothers. O também substituto, baterista Kevin Kelley veria a porta da rua mais cedo do que pensava. Isto fez com que o único sobrevivente desta "limpeza de balneário", Roger McGuinn tivesse que arranjar uma nova banda. A primeira experiência surge com Dr. Byrds & Mr. Hyde, de 1968. Um disco ainda verde, com muitas pontas soltas e sem um rumo definido. O melhor estava para vir em Ballad of Easy Rider. Uma disco que serve perfeitamente para banda sonora de uma viagem pelo interior da América. Tem todos os ingredientes do folk-country-rock. Todo o universo de uma paisagem a perder de vista, a pradaria, as bombas de gasolina perdidas no meio do deserto, "Oil in My Lamp", as cidades fantasma, "Tulsa County", a influência cristã, "Jesus is Just Alright" e a mexicana,"Deportee (Plane Wreck at Los Gatos)" ou apenas a liberdade de escapar para onde se quiser, até à lua, "Armstrong, Aldrin and Collins", são sensações que este disco nos traz por demais.
Um dos melhores discos dos Byrds, naquele que foi um dos anos mais conturbados da década mais excitante de sempre. O ano que marcou uma viragem de muitas bandas para as suas origens...