... o incrível Ghost Dog: The Way of the Samurai
-- . ~~ Ghost Dog é um hit man afro-americano que trabalha para a máfia e tem um código de trabalho peculiar. Profundamente solitária, esta personagem não é mesmo deste mundo e dá a ideia de que o Hip Hop é a única ligação que mantém com o real.
-----poucos filmes de Jarmusch bateram tão certo.
Sou péssimo a tomar boas decisões. No outro dia comprei um livro chamado "como tomar boas decisões". Não ajudou. Continuo a hesitar e sou lançado para o abismo da decisão errada. Às vezes tudo me diz que é a errada mesmo antes de a escolher. Como quem penetra sem preservativo sem saber bem por quê. E o abismo ali tão perto. O preço de uma casa não nos devia permitir oscilar entre o racional e o emocional, no entanto a maioria das pessoas compra-as com base em fundamentos emotivos (gostar-se do bairro, estar-se perto dos amigos ou família, lembranças de infância). No dia em que assinei a escritura do meu apartamento estávamos em Setembro e em Lisboa. Havia sol, daquele que há e fica, mas não me recordo de suar. A manhã chegava ao fim e tinha de tratar do gás e água. Na minha mão um par de chaves. Tive a sensação de que ia olhar para a casa pela primeira vez. Tentei, mas não consegui imaginá-la, mais. Não sabia como era. Principiou-se uma ansiedade. Quando entrei estava vazia e eu sem saber o que fazer. Decidi apanhar ar, vagueei até dar por mim sentado num banco perto do médico do Campo Santana. Escolhi Boards of Canada e imaginei uma corda no meu pescoço.
Imaginemos o homem na pré-historia quando descobriu que as construções não são apenas as feitas de pedras, paus e colmo mas também dos sons que surgem dum tronco oco de árvore antiga. Ou mesmo dos sons que vem dos pulmões dos homens (quando ainda não havia nome para a caverna que existe no interior do peito), que emergem em murmúrios durante as caminhadas. Terá pensado em silencio nas imensas possibilidades da sua descoberta? Terá a musica precedido a linguagem? E sem linguagem terá conseguido formular no seu cérebro este tipo de descobertas? Terá apenas explorado sem preocupações intelectuais?
Paul Gauguin no auge do período industrial apercebendo-se da sua própria sujidade interior tentou, primeiro nas aldeias perdidas da Bretanha e mais tarde nas colónias francesas da Polinésia, atingir um estado mais selvagem, considerado por ele um estado mais puro. Não encontrou esse estado primordial com que sonhou e acabou ate por morrer de doença de homem branco, transmitida num coito lamacento, na certeza de que não existe já um espírito que seja que esteja livre da corrupção.
Indicações: A altura ideal para escutar esta obra nipónica é precisamente nos vossos escritórios ou na comuta (perdoem-me o inglesismo) diária se for feita de metro ou comboio. Em alternativa, durante um concerto de Green Day ou de uma banda tributo aos Led Zepellin. Ponham headphones, claro. E não estou a brincar.
Eu sugeria sacarem esta el paso inferior, ou, melhor, comprarem-na online, do que estarem a ouvi-la aos bocados no youtube.
Estalou-me uma vertebra: aproximei-me do gradeamento - o intuito era parar - mas a bicicleta tropecou no lancil. Na altura preocupei-me em, aos solavancos, retomar a marcha, como quem deseja um numero minimo de testemunhas da burrice. Mais tarde entrava na carruagem do comboio e enquanto com o olhar procurava o melhor lugar da mesma, uma dor de anis subiu-me pela espinha, ao seu longo, para ser mais preciso, e puxou-me as orelhas. Limitado a movimentos minimos com o garganete, enfiei os headphones e fui levado pelo paquistanes Ahmed (ahrre-mede)