27 fevereiro 2010
iLex Hora do Bolo 13.02.2010
- The Beach Boys - "God Only Knows"
- The Strokes - "I Can't Win"
- The Doors - "Been Down So Long"
- The Velvet Underground - "Heroin"
- Les Savy Fav - "Raging In The Plague Age"
- Pearl Jam - "Lukin"
- Joy Division - "Disorder"
- The Vaselines - "Son Of A Gun"
- Arcade Fire - "Five Years (Live @ First Avenue)"
- TV On The Radio - "Province"
- Radiohead - "Black Star"
- Silver Jews - "Punks In The Beerlight"
- Broken Social Scene - "Superconnected"
- Marcelo Camelo - "Liberdade"
- Beirut - "Nantes"
26 fevereiro 2010
25 fevereiro 2010
Simon & Garfunkel - Bridge Over Troubled Water (1970)
Há momentos em que certos discos nos atingem de uma maneira que até aí não tinham feito. Por vezes, por mais audições que tentemos fazer o álbum simplesmente não entra da forma adequada. Este Bridge Over Troubled Water é exemplo disso mesmo. Por várias vezes o tinha ouvido mas sem nunca ter tomado a devida atenção ao disco em si e às músicas que continha. Após uma audição com o cenário do Rio de Janeiro como pano de fundo e estando a dever umas largas horas à cama consegui, não sei como, ver-lhe todo o potencial.O disco é simplesmente...Perfeito.Onze músicas de diferentes texturas e tons fazem um mosaico para todo o tipo de sensações e espíritos.
Seja na instrospectiva música que dá o título ao disco, seja nas alegres "Cecilia" ou "Keep the Costumer Satisfied",na "Baby Driver", inspirada nos Beach Boys, nas pujantes "The Boxer" ou "The Only Living Boy in New York" ou ainda nas adaptações em "El Condor Pasa (If I Could)" e "Bye Bye Love". Este disco contêm do que melhor que a dupla fez e, curiosamente, acabou por ser o seu último disco como parelha. A dedicação a este disco consumiu-os de tal forma que a separação de uma das melhores duplas de sempre do pop/rock acabou por se tornar inevitável. Os laços foram reatados poucos anos depois mas a dupla não mais voltou a gravar discos de originais. Com o fim da conturbada década de 60, a juventude, confusa, inquieta e sem saber que futuro a aguardaria, agarrou neste disco e encontrou um companheiro e confidente. Há uns dias, eu também...
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23 fevereiro 2010
Radiohead - OK Computer (1997)
O atraso relativo à publicação deste post, que já deveria ter saído a semana passada, deve-se única e exclusivamente a um factor - insegurança pessoal. É que só chegado a este ponto é que me apercebi no sarilho que me estava a meter, dada a dificuldade inerente a falar sobre "Ok Computer". O que dizer de diferente, de original, sobre um álbum que é vangloriado por uma larga secção de críticos (profissionais e não profissionais) como um dos melhores de sempre, a perfeição musical dos nineties, o auge do rock, 10/10, e outras coisas que tal? Missão complicada. Faz-me questionar a necessidade de andarmos para aqui a debitar palavras sobre algo que vale por si só - a música, e como o mais importante disto tudo é mesmo termos aqui em baixo uma barra que com um simples click permite entrar nesse mundo único. Thom Yorke, em oposição aos álbuns anteriores mais introspectivos, optou agora por levantar a cabeça e olhar à sua volta, e relata aqui o que encontrou - um mundo que para mim se encontra descrito na perfeição em "Fitter Happier". Um mundo onde o consumismo tomou conta da mente humana, onde os airbags salvam vidas, onde as pessoas preferem o conforto e uma vida sem surpresas, onde se perdem horas de vida em transportes e só umas asas podem resolver o problema. Onde as variações de ritmo e velocidade ocorrem constantemente, tal como as guitarras em "Paranoid Android". Onde as pessoas procuram respostas na sorte e no azar, nos deuses, em tudo, menos em si próprios, e como tal estão sujeitos a serem encontrados por uma "Karma Police". Onde até há quem queira ser adoptado por extraterrestes. Onde é melhor manter as crianças sempre fechadas em segurança, mesmo que a trepar as paredes. Mas principalmente, onde é preciso "slow down". "Idiot, slow down" diz-nos a música que termina o álbum. E é no fundo a grande conclusão a tirar após saírmos desse mundo e voltarmos ao nosso. Que no fundo, nem é muito diferente...Carreguem no play e deixem-se embrenhar. Desde a semana passada que o álbum teve alta rotatividade no iPod, em modo de preparação para este post, e foi bom sentir que no fundo, ele sempre esteve cá dentro. E parece-me que sempre estará.
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Enjoy!
22 fevereiro 2010
US Girls + Real Estate - ZDB - 19.02.10

Subindo as escadas, passando o bar e o pequeno pátio, começamos a ouvir uns sons estranhos. Um arranhar de um qualquer instrumento, uns berros, mas ninguém no palco. Pensava eu. Estava lá agachada, à volta de uma caixinha de música e agarrada ao microfone não as, mas a U.S. Girls. Uma banda de elemento só que muito berrou ao microfone, muito mexeu na sua caixinha, mas espremendo bem a coisa, a meu ver pouco sumo de lá saiu.
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20 fevereiro 2010
Eels - End Times (2010)
Sete meses após Hombre Lobo, os Eels voltaram a editar um álbum. Com o título “End Times”, Mark Everett “Mr E” relata as mágoas provocadas pelas separação da sua mulher. O título do álbum podia ser: Divórcio, uma novela contada em 14 episódios. Mark abre os seus sentimentos, de uma forma cronológica, começando com um primeiro beijo, terminando o último capítulo relatando a tristeza de ter sido rejeitado.No miolo do disco retiramos bons conteúdos tais como:
“A Line in the Dirt”, é uma boa faixa, muito bem acompanhada ao som de piano.
“Paradise Blues” é um bom rock/blues, com bons ritmos de guitarra e de teclado.
“Unhinged”, trata-se da faixa mais conseguida do álbum. Bom ritmo e uma boa guitarrada.
“Little Bird”, calmo, melancólico e agradável de se ouvir.
O álbum “End Times” é um pouco triste e melancólico, revelando e manifestando a crise de meia idade vivida por “Mr E”. Apesar de não impressionar, vale a pena ouvir e prestar atenção.
Chafurdando nos primórdios da música tradicional americana #5: Sam Chatmon
Continuo sem ir directamente para as grandes celebridades dos blues porque me pareceu que esta entrevista de Sam Chatmon é absolutamente crucial para se perceber um pouco o que foi essa coisa do blues do delta de que toda a gente fala ou pelo menos eu, os enquadramentos sociais da coisa e enquadramentos regionais e políticos e, muda o parágrafo.
19 fevereiro 2010
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18 fevereiro 2010
Ilustres Desconhecidos: The Great Society

Ao fim de pouco tempo a banda começou a ganhar uma certa reputação na cena psicadélica da Bay Area e foi sendo cada vez mais respeitada. Em 1966 já começava a abrir concertos para bandas mais conceituadas como os Jefferson Airplane. É neste ano que a banda lança o seu primeiro single, "Someone to Love", parcialmente produzido por Sylvester Stewart, esse mesmo que viria a lançar-se no mundo da música com Sly & The Family Stone. O destino parecia estar nas mãos da banda californiana. O sucesso estava ao virar da esquina. No momento em que a editora Columbia estava prestes a oferecer um contrato de gravação, Grace Slick foi seduzida pelos Jefferson Airplane e deixou tudo para trás, incluindo o seu marido, Darby. O resto da história é já sobejamente conhecida. Grace levou "Someone to Love", regravado como "Somebody to Love" e "White Rabbit" para a sua nova banda. Ambas as músicas perderam o seu estilo mais improvisado e de influência oriental, ganhando, por outro lado, uma maior profissionalização. Os Jefferson Airplane que já eram uma banda com algum nome na Costa Oeste dos USA, passaram, com estes dois singles e o lançamento do seu segundo disco, Surrrealistic Pillow, a ser uma das bandas mais importantes do movimento psicadélico que começava a surgir. Os Great Society esses não aguentaram o rude golpe que tinham sofrido acabando por separarem-se sem sequer gravarem um disco oficial. Poucos anos mais tarde, foram lançados discos "bootleg" com gravações maioritariamente ao vivo da banda. Desta história trágica ficaram-nos os registos e esses são mágicos. "Sally Go Round the Roses", "Darky Smiling", "Daydream Nightmare", "Someone to Love" e o conto psicadélico de Alice no país das maravilhas em "White Rabbit" na sua versão longa e misteriosa são grandes exemplos de uma banda que acabou por ficar de culto e não apenas nota de rodapé na história de de Grace Slick e dos Jefferson Airplane.
17 fevereiro 2010
Miles Davis - A Tribute to Jack Johnson (1970)
Simplesmente porque hoje pus-me a ouvi-lo e apeteceu-me partilhar convosco, este para mim é um álbum na melhor fase de Miles Davis e os puristas do jazz que me crucifiquem não quero saber deles. Jack Johnson foi o primeiro pugilista negro a ganhar o título de campeão mundial de pesos-pesados, tornando-se uma das primeiras celebridades negras no mundo ocidental, isto bem no início do século numa altura em que os espectadores brancos iam aos combates com faixas que diziam coisas como "Não-sei-quantos, dá cabo do preto que preto não presta", bela aliteração. Claro que como todos os negros num mundo que dizem ser de brancos, Johnson foi injustiçado a vida toda e Miles Davis ter-lhe-á querido prestar homenagem talvez porque sem Johnson não haveria Davis e à parte de tudo isto é um álbum de dar cãibras nas pernas de tanto pezinho bater. Ah e os músicos... John McLaughlin, Herbie Hancock, Michael Henderson, Billy Cobham, Chick Corea, Jack DeJohnette, Sonny Sharrock, Steve Grossman, Dave Holland e meu deus eles deviam fazer fila à porta do senhor só para ter a oportunidade de tocar com ele.16 fevereiro 2010
Colecção do Roll - Pearl Jam - Ten (1991)

Publico mais uma Crónica do Roll:
Maldito sejas, Eddie Vedder! Arre porra, se há gajo que estou chateado, é com o Eddie Vedder.
Na minha opinião, o Eddie é o Einstein da música e passo a explicar porquê.
Como todos sabemos, o Einstein, graças à sua bestial inteligência, foi o responsável pela descoberta da bomba atómica que provocou a morte de milhares de inocentes.
Efeito semelhante teve Eddie Vedder na música. A quantidade de bandas horrendas (sucessivos massacres musicais) que copiam a tonalidade de voz de Vedder são mais que as mães: " Os sinistros Creed, os merdosos Nickelback, os apaneleirados The Calling e , como todas as sopeiras bem sabem, até o garoto que ganhou os Ídolos tenta lá chegar. Será que conseguem?
Claro que não, arre porra. Pensavam que eu ia dizer mal dos Pearl Jam? Ih, Ca Burros!
Vamos lá ver uma coisa:
Todos que tentam imitar Eddie Vedder não passam de cópias baratas dos ciganos. Porque tentam os palermas? Nunca percebi...
O Eddie além de ser um gajo porreiro como o raio, que faz questão de ir surfar a Ribeira de Ilhas quando tem tempo e até ofereceu uma guitarra a um amigo de um amigo do meu primo , é um óptimo escritor de canções como o Tom Petty ou Neil Young.
Para dizer a verdade, sempre senti asco pelos idiotas que insistiam em comparar Nirvana com Pearl Jam.
Para mim, os dois são basilares no movimento grunge nos anos noventa - tempos em que a música não metia nojo - e cada uma das bandas fez história à sua maneira.
Enquanto os Nirvana seguiram uma postura punk e alternativa, à semelhança dos energéticos Mudhoney, a banda Eddie Vedder piscava o olho ao great american rock de Neil Young ou Bruce Springsteen.
Tal como os seus ídolos, Eddie Vedder nunca esqueceu as preocupações sociais e isso explica-se no concerto de homenagem a Bob Dylan com uma competente interpretação de "Masters Of War". O seu mestre gostou e nós também.
Em relação ao álbum propriamente dito, é bestialmente viciante e dos poucos que não me faz cair na tentação de passar músicas à frente. Sou incapaz de não ouvir o alive até ao fim, o even flow, Jeremy, o black, go, porch ou o raio que vos parta...
Resumindo:Arre porra, o álbum é do camandro.
Ouvi dizer que o Cobain não gostava dos Pearl Jam, mas também ouvi dizer que o Ingmar Bergman não gostava do Michelangelo Antonionni. O que eu quero dizer com isto é o seguinte: Normalmente os gajos bestiais não curtem os seus pares mas isso deve-se ao facto de serem um bocado marados dos cornos. Entenda-se "marados dos cornos" no bom sentido, como os poetas ou pintores que são génios com pancada.
Odeio pontuações chaladas - como os críticos geeks chalados do Ipslon gostam de dar - mas este merece um 9/10 na boa
Um abraço a vocês e ao Cisto que teve um esgotamento.
Assinado: Roll
15 fevereiro 2010
Doug Fieger (1952-2010)
É com profunda tristeza que escrevo estas linhas. Doug Fieger deixou-nos hoje. O líder da banda norte-americana, The Knack. Essa mesma da célebre música "My Sharona" que tanto inspirou músicos nos anos 80. Kurt Cobain foi um deles. Os Knack nunca foram grandiosos, até tinham um quê de piroso, mas eram bons e as suas músicas também. O seu disco de estreia, Get The Knack em 1979, um dos grandes momentos da new wave, é bom do início ao fim. Canções melódicas rasgadas por um sentimento punk. Até sempre Doug...13 fevereiro 2010
Crónica do Roll - Ídolos?
O novo reality show da sic " Os Ídolos" é a prova que Portugal está sujeito às piores epidemias mundiais.O que são os Ídolos? - Perguntaram todos aqueles, que ao contrário de mim, têm uma vida preenchida.
É um reality show, pestilento QB, que consiste em humilhar garotos com sonhos e iludí-los com a ideia que podem ser grandes estrelas cantando covers de bandas pop.
A julgá-los, de forma grotesca, temos um painel de figuras abjectas como aquela gaja responsável pelo pior festival do mundo, um tipo bestialmente obeso que, certamente, come mais do que ouve música e mais dois que ninguém conhece e, para dizer a verdade, nem interessam ao menino Jesus. Onde está a credibilidade desta gente?
Arre porra, com mil diabos, vamos lá ver uma coisa:
Se querem ser estrelas peguem na merda duma guitarra, baixo e bateria e ponham-se dentro duma garagem quente a sofrer. Sim, ouviram bem, eu disse "sofrer".
Quem quer ser músico tem que estar preparado para a dificuldade imensa de criar, inovar, fazer sonhar e comover. Foi assim que fizeram Dylan, Cobain, Hendrix, Elliot Smith, Vinicius, Miles Davis, you name it...
Lembrem-se: Músicos não são papagaios nem como disse o outro "poetas de karaoke".
Prefiro gramar um filme pornográfico como anões octogenários do que voltar a assistir aos "Ídolos".
Deixo-vos as palavras sábias de um músico que também não come trampa:
12 fevereiro 2010
Desrelacionado #3
Pink Floyd - A Saucerful of Secrets (1968)
Após The Piper at the Gates of Dawn, os Floyd chegaram a uma encruzilhada. Com o seu líder, Syd Barrett, perdido algures na sua própria mente, a banda ficou algo perdida. Que futuro poderia ter uma das bandas mais underground do psicadelismo inglês? Para muitos era Syd a luz que iluminava a banda. Era o motor que os mantinha a andar. Era a estrela que os guiava pelas encruzilhadas da imaginação. Com o líder "desaparecido em combate", Waters, Wright e Mason procuraram ajuda num velho conhecido de Syd, David Gilmour. Este, muito mais talentoso musicalmente, não era um génio a nível de letras nem tinha aquele brilho que Barrett ostentava sempre que aparecia em palco, pelo menos até a sua demência começar a aparecer. Gilmour foi contratado para ser uma espécie de músico de suporte para Syd, no entanto, este começou a desaparecer aos poucos até sair de cena. Gilmour tomou o seu lugar e o resultado estava à vista apenas dez meses depois. Não sendo completamente groundbreaking em relação ao primeiro disco, A Saucerful of Secrets faz a transição entre o undeground psicadélico de Syd e as viagens cósmicas de Gilmour e Waters que se seguiriam depois. De realçar que o disco contém a última música de Barrett em álbuns de originais dos Floyd, a semi-inocente "Jugband Blues", onde Syd, apesar da sua condição psicológica, sabe claramente o seu triste fado no futuro da banda. A influência de Syd sente-se, ainda, em "Let There Be More Light", "Remember A Day", "Corporal Clegg" e "See Saw". Enquanto álbum transição, é notório o crescimento de Waters com a espacial "Set the Controls for the Heart of the Sun", uma das preferidas dos fãs. A música que dá nome ao disco é o início da era Floyd-Gilmour. Música instrumental longa com grandes laivos de rock espacial e progressivo. A partir daqui a influência de Syd deixaria de ser musical para ser apenas psicológica...Relacionado #40
11 fevereiro 2010
Midlake - The Courage of Others (2010)
Midlake. Uma banda nova a surgir? Não. Este quinteto texano já existe desde 2000 e acaba de lançar o seu terceiro disco. Há bandas assim. Umas aparecem logo à primeira e acabam por desaparecer ao segundo ou terceiro disco, outras ganham mais importância em discos posteriores. Uma maior maturidade e experiência ajuda, por vezes. Os Midlake entraram no mundo discográfico com Bamnan and Slivercork em 2004. Um álbum rotulado de lo-fi ou indie psicadelia, ou seja, um disco morno com toques psicadélicos à la Pet Sounds ou Sgt Pepper's. Dois anos volvidos os Midlake acabariam por largar esta onda, colando-se mais à sonoridade de um Rufus Wainwright ou Tim Buckley com The Trials of Van Occupanther. Um folk de eloquência mais grandiosa. Este ano os Midlake continuaram o seu caminho pelas florestas obscuras tal Duendes, Elfos ou Hobbits a caminho de destruir o anel. Tudo instigado e magicado pelas poções de Gandalf. O toque dos druidas é visível até pela própria capa do disco. O ambiente do disco não deixa enganar. Estamos perante um dos grandes discos de folk alternativo dos últimos anos. Enquanto os Fleet Foxes vão calças de ganga e botas, os Midlake escolheram o caminho medieval. Não há grande destaque música a música dado ser um disco que se tem que ouvir de início ao fim. Uma folk pujante que nos agarra logo desde o início com "Acts of Man" e liberta-nos com "In The Ground". No fim ficamos com a impressão que tivemos mais um bocadinho da nossa vida escondida no imaginário de alguém. É bom escapar como também é bom voltar.Radiohead - The Bends (1995)
Dois anos após "Pablo Honey" os Radiohead lançam o seu (sempre difícil para uma banda) segundo álbum, de nome "The Bends". Já eram tempos diferentes, os anos do grunge com quem os Radiohead foram conotados no início já iam longe, e o que vingava agora no mercado era a britpop, nomeadamente a tão proclamada guerra entre os Oasis e os Blur. Mas para quem conseguiu ler (ou, para ser mais preciso, ouvir) nas entrelinhas, o som dos Radiohead diferia destas bandas, para além de uma muito interessante evolução desde os tempos do álbum anterior. Esta evolução verificou-se a nível de utilização de guitarras por parte de Jonny Greenwood (que investiu bastante tempo em experiências sónicas), nas letras e voz de Thom Yorke (nem sempre egocêntricas e mais abrangentes; utilizando falsettos), e resultou de um período de choque no seio da banda, na hora de tomar uma decisão sobre a direcção a tomar, se fugindo do êxito de "Creep", se aproveitando-o ao máximo. O que é certo é que todas estas dúvidas, discussões, indecisões resultaram num grande álbum, que parece conter dois pólos distintos: um mais rock, com riffs e energético, que tem o seu ponto mais alto em "Just" (música que ficou também na memória de todos pelo videoclip inusitado em que todos se deitavam na calçada e nunca ficámos a saber o porquê, se alguém souber que partilhe, para mim continua a ser dos mistérios mais intrigantes de sempre....). No outro lado do álbum encontram-se as baladas excepcionais, a tensão, os demónios que assolam Yorke, mais chegado ao pós-rock. Aqui encontram-se músicas que ouvi em repeat tantas e tantas vezes como "Fake Plastic Trees" (de uma intensidade avassaladora), "Black Star" e "Sulk". E a frase marcante "Immerse your soul in love" da faixa final também fica connosco mais um bom bocado depois de o álbum chegar ao fim. Lichens + Xamã - ZDB - 10.02.2010
Deles se diz que são um "colectivo fantasma de geometria variável em estreia na Zé dos Bois sob a forma de tríada eléctrica. Constituído por alguns dos mais generosos e talentosos músicos nacionais, a banda - qual mito urbano - afasta-se do percurso a que são frequentemente associados os seus membros para abraçar a surpresa T-O-T-A-L."
Hoje, um power trio com bateria, baixo e guitarra eléctrica. Até aqui nada de especial. Enganem-se. Atentando com mais rigor nos elementos da banda e repara-se que todos têm a face tapada. O baterista com uma máscara de luchador, os outros elementos com panos ou lenços na cara, completando o anonimato com um gorro de camisola por cima da cabeça. Quem seriam estes tipos? Ao sinal dos primeiros sons, deixámos todos para trás aquela excentricidade. Que interessava realmente ver a cara daqueles tipos? Provavelmente não passariam de mais 3 cabeludos e barbudos. Ah mas o som... 20 minutos, mais coisa menos coisa, durou o set destes 3 incógnitos. Terão tocado 2 músicas, quem sabe 3. Não interessava. Um rock instrumental de origens ácidas. "Stoner Rock" poderia ser um dos nomes mas não, não chega. "Experimental Rock" talvez... O que interessa é, mais uma vez, realçar que as pessoas não devem perder as primeiras partes de concertos só porque são demasiado preguiçosas. Eu quero mais destes senhores e, por mim, podem ficar o resto da vida disfarçados. O som é que tem que sair cá para fora...
O senhor que se seguia também se encontrava
"escondido por uma máscara". Lichens ou Robert Aiki Aubrey Lowe, veio a Lisboa mostrar um pouco do seu trabalho a solo. Ex-membro dos 90 Day Men e colaborador em outras bandas, nomeadamente os Om, Robert Lowe é, basicamente, um desenhador. Tanto visual como auditivo. As camadas de sons que, sozinho, faz, conseguem preencher uma tela inteira. Os seus constantes loops hipnóticos e, por vezes, oníricos, conseguem fazer-nos parar a olhar para o infinito durante minutos a fio, perdendo-nos do resto do mundo ao nosso lado para acordarmos com um pequeno toque no pé ou no braço de um qualquer espectador ao lado (Tá quieto, oh Vasco). Um set que, supostamente, era constituído por uma só música e aqui o termo música nada tem a ver com a música que conhecemos. Aliás, não lhe chamemos música. Chamemos-lhe Tela. Lichens desenhou-nos durante cerca de 40 minutos uma tela. Algo irrepetível e foi só para nós. Nós gostámos tanto e pedimos mais. Algo exausto e cansado, Robert voltou, pintou outra tela, esta já formato A5 e foi-se embora como veio, misterioso. A tela, essa, ficou marcada cá dentro...Ps: Um exemplo do que não passou em Lisboa:
10 fevereiro 2010
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Enjoy!
09 fevereiro 2010
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Mais uma vez a ZDB mostra porque é, realmente, uma das melhores casas de concerto em Lisboa. Não só tem uma boa localização e bom ambiente como traz, quase sempre, grandes músicos a preços irrisórios. Amanhã, dia 10, às 22h, é a vez de Lichens, pseudónimo para Robert A. Lowe. Este músico traz consigo na bagagem um projecto experimental com ambientes hipnóticos e psicadélicos com uma grande carga de improviso. Não será apenas mais um concerto. A não perder. Aqui fica um excerto de um concerto em Paris.Relacionado #37
Confesso que não sou grande fã de covers, acho-as ou demasiado presas ao original ou então demasiado desconstrutivas, perdendo-se a essência da mesma. Além de que o original é, quase sempre, melhor que covers. Aqui o caso confirma a regra, o original é melhor, no entanto, há qualquer coisa na voz e piano desta senhora, Kate Nash, que acrescenta uma doçura à música dos Arctic Monkeys. De valor.Chafurdando nos primórdios da música tradicional americana #19: Joseph Spence
Este é um post à parte. À parte porque Joseph Spence não só não é reconhecido como alguém importante na história da música tradicional americana como aliás não é sequer americano.Spence nasceu nas Bahamas em 1910. Tocava guitarra apesar desse não ser um instrumento muito popular lá nas suas bandas. Algures na sua vida foi contratado para ir alguns meses trabalhar nos campos de algodão no sul dos Estados Unidos e foi lá que tomou conhecimento com a música tradicional americana que se tocava pelo Mississippi, ragtime, blues, folk, etc. Voltou às Bahamas convencido que iria conseguir reproduzir aquelas melodias que tinha na memória, e apenas na memória, e instintivamente influenciado também pelos ritmos caribenhos foi desenvolvendo um estilo musical muito particular que o musicólogo folk Samuel Charters registou pela primeira vez no alpendre da casa do músico em 1958. Tinha a guitarra sempre afinada em Ré e em relação aos grunhidos e murmúrios que tornam qualquer música sua uma experiência senão única ao menos estranha, há quem diga que o fazia por não saber escrever letras e tentar simplesmente imitar as vozes dos músicos do Mississippi ou então por ter sempre um cachimbo na boca que o impedia de cantar propriamente. Mas cá para mim é um estilo e pronto.
Eu não queria incluir este tipo tão cedo nesta rubrica uma vez que falta apresentar tantos músicos mas a verdade é que Spence apenas me foi dado a conhecer no concerto da semana passada de Elijah Wald na Culturgest e fiquei em êxtase e quis partilhar esse êxtase pois é um êxtase muito fixe daqueles à antiga quando conhecíamos aquelas bandas novas e agora pensamos sempre que já não vamos conhecer nada de novo mas depois ouvimos uma ópera de Wagner com 150 anos e ficamos em êxtase e é bom. Pelo menos para mim.
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Da Dinamarca chega-nos uma daquelas bandas que, provavelmente, vai dar algo que falar. Originários de Aalborg, os Oh No Ono começaram a dar os primeiros passos em 2003, acabando por lançar o seu primeiro disco de originais em 2006 de seu nome Yes. Uma alusão à palavra que fez Lennon se enamorar da artista japonesa. No entanto acabou por passar completamente despercebido. Três anos mais tarde chega-nos, agora, o sucessor, Eggs, gravado em estúdios e igrejas mas também em florestas, praias e fábricas abandonadas, que contêm uma atmosfera que podia ser usada em filmes de Tim Burton, por exemplo. Aqui fica "Swim".Altamont @ Radar
Queria aqui anunciar que (e perdoem-me a mudança para o inglês, mas soa-me melhor), "My time has come!". Serei o responsável de cozinha de um bolo cuja receita será transmitida pela Radar no próximo sábado, dia 13 Fevereiro, às 17h (com repetição no domingo da semana seguinte, dia 21 Fevereiro à mesma hora). Acho que a grande maioria deve conhecer a rubrica "Hora do Bolo" da 97.8, mas para quem nunca tenha ouvido falar, trata-se de um programa semanal de uma hora com músicas escolhidas por um ouvinte. Podem seguir o programa na rádio ou online, no próprio site cujo link deixei ali acima. Posteriormente tentarei partilhar aqui a emissão, com a playlist por mim escolhida.
Owen Pallett - Heartland (2010)
Para algumas pessoas mais distraídas, Owen Pallett poderia surgir como um artista novo, que lança agora em 2010 o seu primeiro álbum. Nada mais longe da realidade, afinal de contas Pallett já aí anda a agitar o universo musical há uns bons tempos, e em várias frentes. Por um lado, a solo, sob a designação de Final Fantasy, com a qual lançou 2 álbuns, "Has a Good Home" (2005) e "He Poos Clouds" (2006), sendo este último o que chamou mais atenção sobre si. No entanto Pallett teve de abandonar o nome/alter-ego Final Fantasy por conflitos de direitos com uma empresa que tem um jogo de consola/PC com o mesmo nome e é esse o motivo que leva a que este "Heartland" seja assinado em nome próprio. Enjoy!
08 fevereiro 2010
Os Velhos - Cabaret Maxime - 05.02.2010
Os Velhos são uma banda nova, que apareceu há pouco tempo, ainda só têm um EP editado, e mais algumas músicas. São da Amor Fúria, Companhia de Discos do Campo Grande, e praticam rock.
E o mais interessante do concerto no Maxime, a 5 de Fevereiro, foi a vasta legião de fãs que esgotou por completo a lotação do cabaret. A grande parte das pessoas que estavam a assistir, e a cantar fervorosamente as músicas e trautear as melodias, eram jovens adolescentes, imberbes, e...betos. Aquilo a que dantes se chamava queques. Uma franja da sociedade que, há alguns anos e quando tinha esta idade, ia sair à noite para o Whispers ou Maria Bolachas, e vibrava com músicas como Let's Get Loud da J. Lo, ou Walking on Sunshine de Katrina and The Waves. Não que isso seja mau, mas só porque isso era um género de pessoas. E agora, esta mesma franja da sociedade ouve rock, e Strokes, e Arcade Fire, e deixa crescer a barba... (não quero ser tido como preconceituoso aqui, só estou a tentar ilustrar como as coisas mudam). As mesmas pessoas que há uns anos olhavam com ar de nojo para bandas como os Strokes, agora sabem as letras todas de cor. E isso é bom.
E o concerto d'Os Velhos foi um interessante mini laboratório social. É um fenómeno engraçado este.
Do ponto de vista musical, os Velhos, tal como a malta que os ouvia, são uma banda jovem, ainda a dar os primeiros passos. Mas têm potencial. Pelo menos, as bases são boas, as influências são boas - não fazem de certeza música inspirada em Jeniffer Lopez. Têm energia, têm muito por onde crescer. E cantam em português, e de uma forma que não sendo genial, não ofende minimamente, e isso é bom. Hoje em dia são muitas as bandas e cantautores a usar o português, e isso é salutar (aliás, hoje ouvir portugueses a cantar em estrangeiro já me faz alguma espécie).
Mas Os Velhos são mais uma banda deste género a aparecer, e isso é sempre bom, quantas mais melhor. Porque eles podem não ser geniais. Em 9 bandas que apareçam, podem ser todas más, mas se a 10ª for muito boa, valeu a pena. Acho que estamos a assistir ao nascimento de uma corrente, na música portuguesa, e por isso, todos os músicos desta nova geração que estão a aparecer, terão pelo menos o mérito de fazer parte da história, de ter desempenhado um papel importante no “partir pedra”.
Daqui a 10 anos completo este artigo...
06 fevereiro 2010
05 fevereiro 2010
Arctic Monkeys - Campo Pequeno - 03.02.2010
Os Arctic Monkeys tocaram em Portugal, pela 3ª vez desde 2006, e isso foi só há 4 anos.
E hoje, os Arctic Monkeys estão adultos. E há 4 anos, eram simples adolescentes, com jeito para a música, mas não eram mais do que adolescentes, com tudo o que de bom e de mau isso tem. E passados 4 anos e 3 discos, eles tocam em Lisboa, e dão um concerto que é de guardar na memória.
Campo Pequeno todo lotado, com adolescentes e quarentões, tudo em pulgas para ver os Monkeys. Alguns resistiram ao saber que era no Campo Pequeno, raro é o concerto que tem bom som, e isso estraga logo quase tudo. mas desta vez, alguém se esmerou, e o som só não estava mau, como estava muito bom. Não fazia eco, os instrumentos saíam limpos, nenhum se sobrepunha muito aos outros. Lá está, o som bom na sala, melhora logo quase tudo (por isso quse todos os concertos na aula magna são bons).
Mas neste concerto não havia outra hipótese, o som tinha mesmo de estar bom, porque o novo álbum dos Arctic Monkeys, Humbug, tem uma sonoridade limpa, definida. Neste capítulo, tudo correu bem.
A actuação deles em palco, e a pose deles em palco, e a música deles em palco, provou que eles cresceram, amadureceram, fizeram-se homens.
A diferença do último para este álbum é o que cada membro da banda passou. Nestes anos, desde 2007 quando saiu Favorite Worst Nightmare, os putos de Sheffield viveram muito mais do que tinham vivido até aí - enfiados na sua cidadezinha inglesa, sempre sem sol. Neste processo de crescimento de cada um deles, há uns aspectos a destacar. Nomeadamente a música que começaram a ouvir. Por sua iniciativa, e por iniciativa de um jornalista da Mojo, que lhes deu um molhe de discos e lhes disse "vocês têm de ouvir isto". E fez ele bem. Um artista, para ser melhor no que faz, tem de conhecer o que já foi feito.
E com os Monkeys deu-se isso, ouviram Black Sabbath e Led Zeppelin. E deixaram crescer o cabelo. E foram aos Estados Unidos, e gravaram nos estúdios do Jimi Hendrix. E Gravaram com o Josh Homme, algures no Mojave Desert na Califórnia.
E isso, claro, influencia tanto a pessoa como o músico.
Em palco, no Campo Pequeno, estiveram esses músicos e pessoas, mudados, mais velhos, mesmo que ainda tenham 24 anos. E fizeram um concerto memorável - com direito a uma explosão de confettis no fim. Tocaram as músicas novas, mais melódicas e com menos exuberância rock, tocaram as músicas mais exuberantes rock dos álbuns anteriores, mas fizeram-no de forma adulta. Puseram o Campo Pequeno a cantar, a dançar, e em certas alturas, a fazer moche. Têm energia, boas músicas, um atitude discreta (baixo-perfil), e sabem conquistar o público.
São um caso sério, porque o talento musical está lá, e o potencial para crescer, está lá ainda mais. Principalmente se continuarem a ser bem orientados, e se continuarem a encarar a música como encaram - sem grandes preocupações, e cada vez mais comprometidos com o som. Uma grande banda para os anos 10.
Pink Floyd - The Piper at the Gates of Dawn (1967)
Tal como as estrelas, também os seres humanos podem ter a capacidade de brilhar tão intensamente e desaparecer tão rapidamente como apareceram. A história que vos vou contar começa desta maneira. Em 1946, em Cambridge, Inglaterra, uma criança veio ao mundo. Roger Keith Barrett era o seu nome. Filho de Wynn e Max Barrett, cedo o pequeno Roger tomou contacto com a arte, música e literatura. O seu pai incentivava a isso.Os contos de fadas e o surreal começaram a fazer parte da sua vida. Roger, mais tarde "Syd", teve uma infância relativamente feliz até aos seus 16 anos, altura em que o seu pai faleceu de cancro. Daí em diante, o pequeno génio começou a fechar-se cada vez mais no seu próprio mundo e não mais de lá saiu. Fim de História? Nada mais errado. A história de Syd é a própria história dos Pink Floyd. Por toda a sua existência mesmo apesar de Syd só ter estado fisicamente no primeiro disco da banda inglesa. Poucos anos mais tarde após a morte do seu pai, Syd, juntamente com os amigos da Universidade, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright começaram a fazer aquilo que na altura era chamado de underground. Os seus concertos eram uma orgia para os sentidos. Sons, luzes e experiências visuais começaram a fazer dos Pink Floyd, uma banda de culto no undeground scene de Londres, mais precisamente em clubes como o UFO. Depois de um 1966 em alta, conseguiram contrato para a gravação do seu disco de estreia. Gravando em Abbey Road na mesma altura que os Beatles estavam a gravar Sgt Pepper, Syd Barrett começava já a demonstrar que algo na sua cabeça já não estava bem. Dificuldades em estar concentrado para gravar um disco por completo e incapacidade de tocar os mesmos acordes em takes repetidos, fizeram que os engenheiros de som e produtores subissem paredes. Porém o disco foi acabado e o resultado final agradou tanto que o próprio Paul McCartney quis uma cópia do álbum. The Piper at the Gates of Dawn de seu nome é o disco mais psicadélico e ingénuo de toda a discografia dos Floyd. Nunca mais a banda teria esta aura de banda de culto e pouco conhecida, então após o êxito de Dark Side of the Moon nunca mais a banda tocaria em pequenos clubes ou passaria despercebida em qualquer lado. The Piper... é Syd Barrett no seu esplendor máximo. Ele leva a banda por mundos esótericos, espaciais ou surreais. Seja em "Astronomy Domine", "Lucifer Sam", ou "The Gnome". Leva-nos ao mundo infantil em "Bike" e à experimentação psicadélica em "Insterstellar Overdrive". Os Floyd conseguiram encaixar todo o espírito de 66/67 neste disco. Longe ainda estavam as alienações de Waters ou os solos mágicos de David Gilmour, que acabaria por substituir Barrett após este disco. Barrett esse que cada vez mais se debatia com laivos de insanidade e incapacidade de comunicar e estar presente. O fim estaria próximo. Aconteceu após o falhanço de uma tour nos EUA, onde a banda queria fazer impacto. No regresso a Londres, Waters e os outros trouxeram Gilmour para a banda para fazer uma espécie de Brian Wilson/Beach Boys. O génio louco escrevia as músicas mas os outros iam para tournée e Syd apenas faria número com o amplificador desligado. Nem tal foi possível e um dia a carrinha da banda não parou em casa de Syd para o levar para um concerto. Acabava aí a fase Syd.
Tão rapidamente como aparecera, a luz de Syd desapareceu sem deixar rasto. Os seus discos a solo são tudo o se conseguiu extrair daquela cabeça genial mas danificada. Anos mais tarde o seu regresso ao mundo Floyd seria tão estranho como breve.
Chafurdando nos primórdios da música tradicional americana #7: Mississippi John Hurt
Mississippi John Hurt nasceu em 1892 em Teoc, Mississippi, mas cedo a família se mudou para Avalon. Se forem ao link repararão que esta localidade já nem existe. John Hurt aprendeu a tocar guitarra aos nove anos e numa terra onde não há quase ninguém poucas hipóteses existem senão aprender-se consigo próprio, daí ter desenvolvido um estilo muito próprio. Enquanto trabalhava no campo ou nos caminhos de ferros ou onde fosse, Hurt ia tocando nos bailes da aldeia. De vez em quando substituía um músico na banda de um tipo chamado Willie Namour que uma vez teve a oportunidade de gravar para a Okeh Records, onde havia um produtor de nome Tommy Stockwell que levou Hurt a Memphis e mais tarde Nova Iorque para gravar algumas das suas músicas. Acrescentaram-lhe o “Mississippi” ao nome em jeito de marketing. Estávamos em 1928.
Surge a Grande Depressão, a Okeh Records vai à falência, John Hurt volta para Avalon e para o trabalho de campo e por aí fica durante os próximos 35 anos. O sonho fora curto.
Salto para os anos 60. Por esta altura todos os musicólogos de blues e folk andam loucos a tentar localizar os músicos do sul dos Estados Unidos. Alguns deles tentam localizar esta personagem misteriosa que apenas gravou treze músicas mas que ninguém conhece, ninguém sabe de onde vive, com quem tocou, não há uma fotografia, nada. Terão pensado que John Hurt já tinha morrido. Até que em 1963 o musicólogo Tom Hoskins “descodifica” a letra de uma música que contém o verso “Avalon, my home town”. Abre o mapa do estado do Mississippi e nada, será que a terra existia? Apenas a encontrou num atlas antigo. Pegou no seu carro e arriscou a viagem. Por fim lá encontrou o homem, já com 71 anos mas com as cordas ainda afinadas. Trouxe-o para Washington e em 1964 ao chegar ao Newport Folk Festival, Hurt deparou-se com uma plateia cheia de betinhos brancos de Nova Iorque que gritavam pelo seu nome, o pobre homem deve ter olhado para o lado e perguntado “É mesmo por mim que chamam?”, suspeitava lá ele que alguém fora de Avalon o conhecia...
O resto é história mas uma história curta. John Hurt viveu uma breve fama dando vários concertos um pouco por todo o lado, gravando álbuns e até apareceu no programa Tonight Show, mas logo em 1966 viria a morrer de ataque cardíaco. Afinal já não era um jovem.
Neste vídeo perceberão o quão um artista pode ser uma pessoa... simples.
04 fevereiro 2010
Beirut: Pompeii
03 fevereiro 2010
Arctic Monkeys - Preparação

Enjoy!
Archie Bronson Outfit - Derdang Derdang (2006)
Quando em 2003 foi editado o primeiro álbum dos Kings of Leon, o povo americano pareceu não querer saber muito desta banda com ar rafeiro que ia buscar sonoridades aos anos 70 tipo Lynyrd Skynyrd ou Creedence Clearwater Revival. Foi preciso serem os ingleses a descobrirem aqueles que, uns anos mais tarde, acabariam por encher estádios em nome próprio e uma das maiores bandas destes últimos anos. Dois anos após Youth & Young Manhood, uma nova banda norte-americana também acabaria por ser descoberta apenas pelo mercado britânico. De seu nome Archie Bronson Outfit. O primeiro disco, Fur, foi apenas um começo para aquilo que viria a seguir apenas um ano depois. Derdang Derdang, produzido em Nashville por Jacquire King, o mesmo que produziu discos de Tom Waits e Kings of Leon, é aquilo que se pode chamar de rock sujo e bruto com letras de angústia, como são exemplo as músicas "Cherry Lips", "Kink", "Dart For My Sweetheart" ou "Modern Lovers". São 11 músicas quase sempre a rasgar a fazer relembrar a má fama do antigo Rock. Derdang Derdang está, provavelmente, naquela lista de grandes discos que passaram despercebidos um pouco por todo o lado. Nunca irão, certamente, ter o mesmo sucesso que os Kings of Leon mas, se calhar, ainda bem...02 fevereiro 2010
Agenda de Fevereiro
E os Arctic Monkeys estão de regresso a Portugal. Os britânicos tocam hoje no Porto e amanhã em Lisboa para apresentarem o mais recente álbum "Hambug". Este é sem dúvida o maior destaque do mês de Fevereiro. Mas hoje também, no LX Factory podemos ver a actuação de Sun O))), um concerto que vale a pena não perder. O segundo mês do ano é também sinónimo do primeiro festival do ano: o Festival para Gente Sentada em Santa Maria da Feira. Nomes como Bill Calahan ou Camera Obscura fazem um cartaz bem simpático. Os outros destaques do mês vão para os Tindersticks que vão dar nada mais nada menos do que 5 concertos, os Australian Pink Floyd Show que regressam para mais dois concertos, Panda Bear que actuará no Lux e os Fiery Furnaces que finalmente se estreiam em Portugal. Um cartaz bem diversificado para este mês que ainda conta com muitos e bons concertos da nova vaga de música portuguesa: Diabo na Cruz, João Coração, Samuel Úria ou os Pontos Negros.Agenda:
2. Sun O))) - Lx Factory
2. Arctic Monkeys + Mistery Jets - Coliseu, Porto
3. Arctic Monkeys + Mistery Jets - Campo Pequeno, Lx
4. OliveTreeDance - Santiago Alquimista, Lx
5. Fu Manchu - Santiago Alquimista, Lx
5. Tindersticks - Olga Cadaval, Sintra
12. Diabo na Cruz - C.Artes e Espectáculos, Figueira da Foz
12. Panda Bear - Lux, Lx
14. Joss Stone - Coliseu, Porto
15. Joss Stone - Coliseu, Lx
15. Irmãos Catita - Maxime, Lx
18. The Australian Pink Floyd Show - Campo Pequeno, Lx
19. The Australian Pink Floyd Show - Pav.Rosa Mota, Lx
19. Real Estate - Galeria ZdB, Lx
20. João Coração + Samuel Úria - Theatro Circo, Braga
25. The Album Leaf - Santiago Alquimista, Lx
26. Os Pontos Negros - Arcos de Valdevez
26. Fiery Furnaces - Santiago Alquimista, Lx
26. Bill Calahan + Perry Blake - Festival para Gente Sentada
27. Camera Obscura + Dakota Suite + Noiserv - Festival para Gente Sentada
Relacionado #35
E porque parece que sempre que há uma banda que já tem o peso dos Arctic Monkeys, a primeira parte do concerto é acessório, proponho uma audição dos Mystery Jets que estarão amanhã a abrir para a banda de Sheffield. Aqui fica "Young Love".
