Se há um documentário, concerto ou registo musical de uma banda esse foi realizado em 1972 por Adrian Maben e tem como nome Live at Pompeii.
O documentário original mostra os Pink Floyd, pré-fama, ou seja antes de Dark Side of the Moon, num anfiteatro romano nas ruínas de Pompeia, tocando algumas das suas músicas com mais misticismo.[Na versão DVD lançada em 2003, o realizador introduz gravações da banda a ensaiar músicas que viriam a fazer parte do tal disco que os catapultava para a fama.]
O que dizer então deste Live at Pompeii? As palavras são, realmente, muito poucas e parcas para transmitir as sensações que tive quando o vi, por partes, pela primeira vez. Tenho que agradecer aos programas peer to peer da altura, pois esta gravação encontrava-se desaparecida há anos.
O que os meus olhos e ouvidos sentiram é algo que ficará gravado na minha memória para sempre. O contraste da imagem de uma banda bem no centro da arena do anfiteatro em pelo sol italiano, com mais ninguém a assistir, aparte dos técnicos de realização, com o som que os milhares de decibéis debitados pelas colunas gigantes trazidas de inglaterra. O mundo onírico de "Echoes", a viagem espacial em "Set the Controls for the Heart of the Sun", O Inferno e Céu em "A Saucerful of Secrets", a demência em "Careful with that Axe, Eugene" e o fulgor em "One of These Days" fazem desta gravação um dos bens mais preciosos de sempre do pop/rock. Aconselho vivamente. Fica aqui, então, o registo completo...
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10 junho 2011
03 março 2011
Álbum de Estimação: Pink Floyd - "The Final Cut" (1983)
O que dizer de mais um disco de uma banda sobejamente conhecida e apreciada e criticada por esse mundo fora ao longo destes anos todos? Bem, muito pouco, mas, não se tratando de um disco demasiado conhecido no universo Pink Floyd, tomei a liberdade de o trazer, até porque foi um disco que foi crescendo e melhorando com o tempo desde que comecei a ouvir Floyd...Tido como o primeiro disco a solo de Roger Waters, apesar de ainda contar com David Gilmour e Nick Mason (Rick Wright fora despedido ainda antes da conclusão do disco anterior, The Wall), The Final Cut foi mesmo o fim da linha para a banda inglesa. O resto da história já é, por demais, conhecida. Gilmour pegaria no nome da banda, tendo gravado dois discos (fracos) com uma pequena ajuda dos outros membros, Rick e Nick e daria centenas de concertos.
Mas voltemo-nos para o disco em questão. Para Waters, a angústia, dor e drama de Wall não tinha sido suficiente. As suas feridas interiores originadas pela guerra que matou o seu pai e consequente alienação não tinham sido curadas. A sequela viria em Final Cut. "Um requiem para o sonho do pós-guerra" por Roger Waters, dizia o disco. Se The Wall, pese embora fosse uma criação quase 100% de Waters, é uma obra à Pink Floyd, cheia de ornamento, efeitos e grandiosa, Final Cut mostra-nos um lado muito mais crú e vulnerável de Waters, chegando mesmo a ter momentos ternos no meio do lamento de tudo o que a guerra criou e trouxe. Mas a verdade é que, pese embora este seja um trabalho todo feito por e para Waters, à excepção de "Not Now John", parcialmente cantada por Gilmour, Final Cut é um disco que ganhou valor com o tempo, mais do que qualquer um dos primórdios psicadélicos. É um disco adulto, com uma mensagem ainda actual e com uma produção fantástica. Pena que a colaboração de Gilmour não tenha sido tão utilizada como se desejaria mas isso seria uma situação quase impossível dada a quase loucura de Waters com o seu trabalho. Não mais a dupla voltaria a tocar junta até 2005 por altura do Live 8. Deixo-vos com a audição desta semi-ópera rock sobre a guerra, por Roger Waters e cia.
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12 fevereiro 2010
Pink Floyd - A Saucerful of Secrets (1968)
Após The Piper at the Gates of Dawn, os Floyd chegaram a uma encruzilhada. Com o seu líder, Syd Barrett, perdido algures na sua própria mente, a banda ficou algo perdida. Que futuro poderia ter uma das bandas mais underground do psicadelismo inglês? Para muitos era Syd a luz que iluminava a banda. Era o motor que os mantinha a andar. Era a estrela que os guiava pelas encruzilhadas da imaginação. Com o líder "desaparecido em combate", Waters, Wright e Mason procuraram ajuda num velho conhecido de Syd, David Gilmour. Este, muito mais talentoso musicalmente, não era um génio a nível de letras nem tinha aquele brilho que Barrett ostentava sempre que aparecia em palco, pelo menos até a sua demência começar a aparecer. Gilmour foi contratado para ser uma espécie de músico de suporte para Syd, no entanto, este começou a desaparecer aos poucos até sair de cena. Gilmour tomou o seu lugar e o resultado estava à vista apenas dez meses depois. Não sendo completamente groundbreaking em relação ao primeiro disco, A Saucerful of Secrets faz a transição entre o undeground psicadélico de Syd e as viagens cósmicas de Gilmour e Waters que se seguiriam depois. De realçar que o disco contém a última música de Barrett em álbuns de originais dos Floyd, a semi-inocente "Jugband Blues", onde Syd, apesar da sua condição psicológica, sabe claramente o seu triste fado no futuro da banda. A influência de Syd sente-se, ainda, em "Let There Be More Light", "Remember A Day", "Corporal Clegg" e "See Saw". Enquanto álbum transição, é notório o crescimento de Waters com a espacial "Set the Controls for the Heart of the Sun", uma das preferidas dos fãs. A música que dá nome ao disco é o início da era Floyd-Gilmour. Música instrumental longa com grandes laivos de rock espacial e progressivo. A partir daqui a influência de Syd deixaria de ser musical para ser apenas psicológica...05 fevereiro 2010
Pink Floyd - The Piper at the Gates of Dawn (1967)
Tal como as estrelas, também os seres humanos podem ter a capacidade de brilhar tão intensamente e desaparecer tão rapidamente como apareceram. A história que vos vou contar começa desta maneira. Em 1946, em Cambridge, Inglaterra, uma criança veio ao mundo. Roger Keith Barrett era o seu nome. Filho de Wynn e Max Barrett, cedo o pequeno Roger tomou contacto com a arte, música e literatura. O seu pai incentivava a isso.Os contos de fadas e o surreal começaram a fazer parte da sua vida. Roger, mais tarde "Syd", teve uma infância relativamente feliz até aos seus 16 anos, altura em que o seu pai faleceu de cancro. Daí em diante, o pequeno génio começou a fechar-se cada vez mais no seu próprio mundo e não mais de lá saiu. Fim de História? Nada mais errado. A história de Syd é a própria história dos Pink Floyd. Por toda a sua existência mesmo apesar de Syd só ter estado fisicamente no primeiro disco da banda inglesa. Poucos anos mais tarde após a morte do seu pai, Syd, juntamente com os amigos da Universidade, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright começaram a fazer aquilo que na altura era chamado de underground. Os seus concertos eram uma orgia para os sentidos. Sons, luzes e experiências visuais começaram a fazer dos Pink Floyd, uma banda de culto no undeground scene de Londres, mais precisamente em clubes como o UFO. Depois de um 1966 em alta, conseguiram contrato para a gravação do seu disco de estreia. Gravando em Abbey Road na mesma altura que os Beatles estavam a gravar Sgt Pepper, Syd Barrett começava já a demonstrar que algo na sua cabeça já não estava bem. Dificuldades em estar concentrado para gravar um disco por completo e incapacidade de tocar os mesmos acordes em takes repetidos, fizeram que os engenheiros de som e produtores subissem paredes. Porém o disco foi acabado e o resultado final agradou tanto que o próprio Paul McCartney quis uma cópia do álbum. The Piper at the Gates of Dawn de seu nome é o disco mais psicadélico e ingénuo de toda a discografia dos Floyd. Nunca mais a banda teria esta aura de banda de culto e pouco conhecida, então após o êxito de Dark Side of the Moon nunca mais a banda tocaria em pequenos clubes ou passaria despercebida em qualquer lado. The Piper... é Syd Barrett no seu esplendor máximo. Ele leva a banda por mundos esótericos, espaciais ou surreais. Seja em "Astronomy Domine", "Lucifer Sam", ou "The Gnome". Leva-nos ao mundo infantil em "Bike" e à experimentação psicadélica em "Insterstellar Overdrive". Os Floyd conseguiram encaixar todo o espírito de 66/67 neste disco. Longe ainda estavam as alienações de Waters ou os solos mágicos de David Gilmour, que acabaria por substituir Barrett após este disco. Barrett esse que cada vez mais se debatia com laivos de insanidade e incapacidade de comunicar e estar presente. O fim estaria próximo. Aconteceu após o falhanço de uma tour nos EUA, onde a banda queria fazer impacto. No regresso a Londres, Waters e os outros trouxeram Gilmour para a banda para fazer uma espécie de Brian Wilson/Beach Boys. O génio louco escrevia as músicas mas os outros iam para tournée e Syd apenas faria número com o amplificador desligado. Nem tal foi possível e um dia a carrinha da banda não parou em casa de Syd para o levar para um concerto. Acabava aí a fase Syd.
Tão rapidamente como aparecera, a luz de Syd desapareceu sem deixar rasto. Os seus discos a solo são tudo o se conseguiu extrair daquela cabeça genial mas danificada. Anos mais tarde o seu regresso ao mundo Floyd seria tão estranho como breve.
23 janeiro 2009
Pink Floyd - Obscured by Clouds (1972)
Não sendo precisamente o típico álbum de Pink Floyd, "Obscured by Clouds, banda sonora para o filme La Valée, de Barbet Schroeder, é uma espécie de tesouro escondido. É um disco mais calmo, pausado, com imagens pastorais, um pouco ao estilo do que a banda estava a fazer, nomeadamente em Atom Heart Mother e Meddle. Músicas como "Burning Bridges" e "Wot's...Uh the Deal " trazem das melhores interpretações voz-guitarra de David Gilmour, especialmente a última.É em "Obscured by Clouds" que Roger Waters começa a dar os primeiros passos para a sua visão mais intimista e psicótica em relação ao mundo. "Free Four", encoberta por uma melodia mais pop a fazer lembrar os Kinks ou T-Rex, esconde no seu interior letras sobre morte, envelhicimento, cinísmo e tristeza que iriam ser muito exploradas nos discos seguintes da banda.
Juntando alguns números instrumentais bem conseguidos, este disco, esquecido pela crítica e público, consegue ser mais do que uma banda sonora a um filme mediano, vivendo por si próprio.
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