30 outubro 2009

Depedro - DePedro (2008)

Estamos perante o primeiro álbum a solo de Jairo Zavala.
Nascido em Madrid, cedo foi influenciado pelas bandas rock do anos 70 e 80. Bem como, estilos de música desde blues, folk, flamengo, afrobeat e música latina. Após ter fundado e tocado nas bandas "Vacazul" e "3000 Hombres", em Outubro de 2007, Jairo deslocou-se a Tucson, nos Estados Unidos para com o apoio dos Calexico gravar "Depedro". Concluindo a sua produção em 2008. Em 2009 andou em tour pela Europa com os Calexico, tendo promovido o seu álbum, onde combina a sua guitarra acústica, com um toque flamenco.
A faixa "La Memória", é inspirada numa viagem que fez ao México, onde constata as desigualdades sociais que viu nesse país. "Como el Viento", é a típica canção de amor. "Comanche" é uma adaptação ao original de Jorge Ben. "Don´t Leave me Now", foi o som que veio a colocar em contacto Jairo e os Calexico. "Comanche" é uma faixa de ritmo rápido, de influência latina, que combina flamengo com guitarra eléctrica.

Depois de Joaquin Sabina, Bebe, Jarabe de Palo ou Fito y Fittipaldis, estamos perante um bom álbum para quem aprecia o som de nuestros hermanos.


PS: Devido a dificuldades com o Grooveshark não foi possível colocar o álbum, fica o primeiro single e a página do myspace de DePedro.

27 outubro 2009

Foo Fighters - Greatest Hits (2009)

David Grohl e companhia, vão lançar no dia 3 de Novembro um álbum com os seus melhores êxitos.
Para além das conhecidas faixas como "The Pretender", "All My Life", "Learn To Fly", "Best Of You", "My Hero" ou "Everlong", teremos duas novas músicas, "Wheels" e "Word Forward".

Vão apresentar um CD e um DVD, com vídeos e concertos da banda. Vão existir duas edições, o
que irá distinguir a edição "Standard" da "Deluxe", é um livro de 28 páginas com a história e fotos raras da banda.
Fica assim o registo dos 15 anos de existência dos Foo Fighters.

25 outubro 2009

The xx - XX (2009)

Eis-nos deparados com o hype do momento. The xx. Nome invulgar, não revela muito e, obviamente, faz suscitar a curiosidade. Formados por um grupo de garotos de Londres ainda em fase universitária, os xx são o que se pode catalogar por indie soul rock, ou o que quererá lá isso dizer. O seu som, um dueto entre as vozes masculinas e femininas de Romy Croft e Oliver Sim, é um misto de estado de hipnose e de melancolia. O som saído das guitarras e dos orgãos nunca se eleva daquele limbo, parecendo que estamos naquela fase entre sonho e vigília, visível até no próprio nome das músicas: "Crystalized"(single); "Fantasy"; "Shelter"; "Infinity"; "Night Time" ou "Stars". Encontra-se aqui algo de Interpol de Turn on the Bright Lights.
Ambiente certo para ouvir este disco: Lusco-Fusco até ao amanhecer.
Juntando a elogios a bandas como os Pains of Being Pure at Heart, o que parece estar a acontecer é uma viragem no indie pop/rock a um lado mais inocente da música. Músicas e letras de carácter "Naive".
Será que os xx estão ao nível deste hype? Talvez não, mas é, sem dúvida, um bom disco de apresentação...

Não Relacionado #10

Já que os mencionei, mais uma vez, no post anterior, achei que deveria dedicar aqui um post aos Everything Everything. Este quarteto de Manchester/Kent, formado por Jonathan, Jeremy, Mike e Alex (que veio recentemente substituir outro Alex) tem sido a maior lufada de ar fresco, vinda de onde não esperava, que soprou nos meus ouvidos nos últimos anos.

Sendo uma banda indie, no fundo, mascaram-se de várias formas. Eles são indie saltitão com órgão Hammond e arranjos vocais que cantam o Photoshop como ferramenta para a ressurreição; são pop-rock desconstrutivo sobre iPods, índios e o Lago Superior; são a melhor canção de homenagem à Princesa Diana; são rock que fala de sufragistas a sentar-se na nossa cara; são baladas sobre a NASA que os Coldplay gostavam de fazer. Estas são descrições redutoras, mas suficientes para suscitar curiosidade. O que há para além disso, não posso descrever. Mas há elementos musicais que entram e saem, melodias de como já não há memória, letras oblíquas, detalhes que só se revelam à trigésima audição, sempre em considerável ruptura com o que já tinham feito. Como não adorar?

Para citar o tio Zane Lowe, que os tem promovido como o evangelho, «they have range bands dream about».

Não se enganem. O que aí vier, se for tão surpreendente como o que já existe - e tem sido sempre - vai valer toda a pena.



Photoshop Handsome


My Kz Yr Bf


NASA Is On Your Side

Não Relacionado #9

Porque não tem havido nada de novo que seja inacreditável além dos Everything Everything, aqui fica uma faixa não muito conhecida dos ¡Forward Russia!. Chama-se Eleven, do disco Give Me a Wall - o primeiro de uma banda que passou a ser ignorada pelos media, depois de ter feito um segundo álbum um bocadinho mais acessível (Life Processes), mas nem por isso totalmente assimilável à primeira ou segunda audição. Actualmente estão envolvidos noutros projectos, tanto profissionais como pessoais, e a banda corre o risco de acabar. Esta é uma situação infeliz que acontece a boas bandas, como os Million Dead, que se separam para ter projectos com maior ou menor sucesso - veja-se o êxito sempre crescente de Frank Turner, ao terceiro disco a solo -, mas que, também por não terem o mesmo propósito, nunca chegam a recapturar certos elementos-chave desses projectos, presos pela circunstancialidade do tempo e do espaço. Ou seja, às vezes são sol de pouca dura, o que não tem nada de mal, comparando com o legado infindável de certas bandas das grandes editoras, motivadas por aspectos comerciais sem necessidade artística e que resultam em discos iguais aos que lhes antecederam.

22 outubro 2009

Metric – Fantasies (2009)

Os Metric são uma banda de Indie Rock criada em 1998 em Toronto, Canadá.
O seu álbum de maior sucesso foi o Live It Out, onde se destacam as faixas “Monster Hospital”, “Poster of a Girl” e “Handshakes”.
Em Abril do presente ano lançaram o seu quarto álbum com o título Fantasies.
Trata-se de um álbum diferente dos anteriores, com uma combinação mais Pop/Electro e menos Rock. Enquanto o Live It Out entrou directamente no meu IPod e nos ouvidos. Fantasies está a demorar um pouco mais. Após uma segunda chance destaco as seguintes faixas, “Sick Muse”, “Gold Guns Girls” e “Gimme Sympathy”
Não é um álbum consensual, mas é um regresso positivo dos Metric.

Super Bock em Stock 2009


Já há nomes e datas e locais para o nosso South By Southwest.
Esta é a segunda edição do Super Bock em Stock , festival que começou logo com uma fasquia elevada - no ano passado trouxe a Lisboa alguns nomes grandes, a organização foi boa, e deixou água na boca para próximas edições.
Hoje foram conhecidos oficialmente os primeiros nomes, e também os locais. Além do Teatro (Tivoli), Cinema ( São Jorge) e Cabaret (Maxime), este ano também vai haver festas no Restaurante Terraço do Hotel Tivoli e no Parque de estacionamento do Marquês de Pombal.
Mantém-se a proximidade entre as salas onde vão decorrer as actividades - o que antecipa duas noites bem vivas (pelo menos com pessoas a correr dum lado para o outro) na Avenida da Liberdade.
Quanto aos concertos já confirmados, destaques para Little Joy, Voxtrot, Beach House e Patrick Watson.
Os Little Joy são,para este que escreve, a surpresa mais agradável. No ano passado esteve cá Marcelo Camelo, agora vem o Rodrigo Amarante, para mostrar a vida depois dos Los Hermanos. Os Little Joy, que contam também com Fabrizzio Moretti, dos Strokes, têm um som leve e fresco, vindo do sol da Califórnia, mas com raízes muito brasileiras. A expectativa é bastante elevada para esta estreia em Portugal.
De resto, há ainda os Ebony Bones, Wave Machines, Legendary Tigerman, no cartaz do festival, que este ano, inteligentemente, decorre numa 6ª e sábado (4 e 5 de Dezembro)
Estas são as primeiras confirmações, um bom começo, mas espera-se agora que os restantes (diz-se que vai haver cerca de 30 concertos) estejam na mesma linha de qualidade ou, de preferência, acima.
No entanto, é de saudar que o Super Bock em Stock esteja de volta, e não tenha sido um one hit wonder.
Agora, é esperar - até 3 de Dezembro, queremos ser surpreendidos.

21 outubro 2009

Existe uma coisa que edita música chamada Clean Feed e por alguma razão é mais famosa no estrangeiro que o André Sardet



Clean Feed, portanto. Quis fazer um copy/paste de um about us do site ou do myspace ou do blog mas isso ocupa muita tinta e se esta coisa fosse um jornal teria que me controlar nos caracteres então digo, se quiseram vão vocês lá ver, dizia eu, não conheço assim tão bem esta empresa que de empresa tem pouco e é mais uma coisa de paixão presumo mas a verdade é que talvez conheça o suficiente para a recomendar ou publicitar.
Foi fundada em 2001, uns tipos quaisquer, até sei o nome de alguns, conheço-lhes as caras mas que interessa isso? Pedro Costa vá, é quem se destaca mais daquela gente. Dirigem também a loja Trem Azul que fica na Rua do Alecrim em Lisboa e que existe desde 2004. Organizam um já bastante conhecido e conceituado festival de jazz em Nova Iorque chamado Clean Feed Fest há já quatro anos e que este ano terá repercussões em Espanha, Holanda e Eslovénia. Todos os blogs ou reportagens portugueses quando se referem à editora dizem o seguinte: que em 2007 o mais famoso site sobre jazz All About Jazz elegeu a Clean Feed como uma das cinco melhores editoras de jazz em todo o mundo. Quer isto dizer alguma coisa, perguntam-me vós? Sim, mas não vos darei a resposta nacionalista de que todos estão à espera que seria, Quer dizer que Portugal é grande!, não, calem-se, deixem isso para o Cristiano, quer sim dizer que com pouco se pode chegar longe sem que para isso se tenha que oferecer aos consumidores aquilo que seria cliché ou esperado ou comum oferecer mas dando o melhor que se pode para que o progresso continue e há que continuar. A Clean Feed apostou e ganhou. Os seus sócios-fundadores não estarão ricos mas estarão profissionalmente satisfeitos e com perspectivas para verem o sucesso aumentar, digo eu sei lá, se calhar amanhã abrem falência. Acharam que poderiam convidar músicos internacionais a gravarem um disco em Portugal sem o advento de grandes custos para ambas as partes, esses músicos foram respondendo, Olha porque não? e foram vindo e continuam a vir, aproveitam as vinda e dão um concertozinho aqui e ali, os assíduos do ciclo Isto é Jazz? da Culturgest que o digam. Os concertos custam 5 euros e esgotam – pudera – e se muita gente sai de lá com os tímpanos a convulsarem porque não viram ou não deram importância ao ponto de interrogação do título do ciclo tomando-o como uma afirmação, outros – como eu mas vá, eu sou maluco – saem de lá em puro êxtase, dependendo de quem lá toca e naturalmente uns tocam-me mais que outros.
Mas a verdade é que normalmente os concertos organizados pelo Pedro Costa e companhia agradam-me. Eu tão-pouco sei se aquelas experiência – chamemos-lhes experiências – se podem enquadrar no termo jazz – meu deus não lhe chamemos género jazz, pois o jazz é algo tão abrangente... géneros serão o bop, o free jazz, o swing, etc, eu sei lá –, seria retrógrado limitar isto ou isto ou isto ou isto a jazz e inclusive haverá muitas pessoas que ficarão ofendidas por verem recém-blogueiros como eu a enquadrá-las sequer mas...
Nada disto interessa, que queria eu dizer?, ah já sei, queria dizer-vos que apesar de eu gostar de espalhar cultura pelas gentes não quero que vão já amanhã comprar bilhetes para este nem este concerto -- eu sei que não vão – porque a sala é pequena e esgota rápido e eu ainda não comprei o meu. Não conheço nem o duo nem o trio mas as referências apresentadas no texto aguçam-me o apetite. A verdade é que mesmo que os concertos sejam maus, qual é, cinco euros. Ao menos sei que aqueles são músicos que tentam inovar porque se a Clean Feed se caracteriza por alguma coisa que seja é por tentar – sempre – inovar. Procurar caminhos novos na cena jazzística contemporânea, inventar novos termos classificativos do estilo de som, o termo free vai deixando de chegar ou servir.
Nada de mais a declarar, não sou crítico de música não sei o que é uma escala pentatónica mas a publicidade está feita: há uma editora portuguesa entre as melhores editoras de jazz internacionais, há um grupo de tipos que gostam de música e gostam de produzir música para o bem comum e não apenas para o bem pessoal (o bem das moedinhas a cair e a fazerem tlim). Não produzem apenas free jazz, atenção não se assustem, mas também não esperem a maior parte daquela palhaçada de jazz estandardizado que vai aparecendo no hotclube e que é a mesma que aparecia há cinquenta anos atrás. Produzem sim diversas vertentes de todo o bom jazz contemporâneo que por aí há – e a verdade é que há bastante mais do que muita gente imagina. No entanto e para eu próprio enfiar a carapuça, o hotclube vai receber hoje a visita do saxofonista alto Jon Irabagon acompanhados pelo clean-feeder e contrabaixista Hernâni Faustino e o menino-baterista-prodígio da cena jazz contemporânea do momento em Portugal – digo eu - que é o Gabriel Ferrandini. Claro que poderia ter ido ver ontem o concerto com o Alexandre Frazão na bateria mas... qual é a piada?, esse já tem muitos fãs. A verdade é que prefiro ver o Ferrandini. Foi por estas e por outras que decidi deixar aqui um vídeo em que ele e o Faustino tocam com o japonês residente em Portugal – quiçá viva na cave da Trem Azul – Nobuyasu Furuya, uma interessante coligação que aliás deixou marcas num álbum adivinhem editado por quem? Adivinhem, vá!

Ps. Eu bem sei que este é um blog sobre rock, peço desculpa pela intromissão ao falar aqui de jazz contemporâneo e ainda por mais divinizando (mentira) tipos que praticam um estilo de som que para a maior parte das pessoas é apenas barulho. Mas prometo que não tenho paciência para muitos mais posts, esta coisa dos blogues cansa. No entanto se houver por aí alguma alma simpática que goste de jazz aqui vai o link para um site que descobri não há muito e que tem uma agenda bastante completa do que se vai passando por aí em termos de espectáculos em Portugal, ah e o Seixal Jazz anda aí.

17 outubro 2009

Rock e Roll em...Fila para U2

O Rock e o Roll - O Cartoon do Blog

O Rock e o Roll são dois músicos wannabes fanáticos por música.
Rock, o guitarrista e vocalista da banda, trabalha no Macdonalds de Alfragide para juntar guita para cordas e cerveja, enquanto o baterista Roll, ex-roadie dos Xutos - segundo consta, foi despedido por ter aconselhado a banda nacional "a voltar a tocar música punk" -, encontra-se desempregado.
Uma ou duas vezes por mês, estes dois Slackers, vão aparecer no blog com os seus bitaites musicais.
Como são amigos do Fred e curtem o Ico Costa - um bacano que lhes ofereceu ganza no concerto do Neil Young -, decidiram participar.

Espero que gostem deles. Se não gostarem, eles dizem que "se estão a cagar, man".

Em relação à banda, chamam-se" Gina no céu com diamantes" e são, segundo Roll e Roll, um misto de Beatles, Motorhead com valentes doses de vinho tinto e fluidos vaginais.
Já abriram para os Holocausto Canibal e contam já com mil amigos na página do my space.

15 outubro 2009

dóklisbuna

Tem piada que falei aqui no outro dia sobre o filme Gimme Shelter como exemplo de filme que já não se fazia hoje em dia e apesar de tal afirmação poder ser contrariada por qualquer um de vós visto que quem sou eu para afirmar tais coisas, aqui vai uma informação: esse tal filme que se centra à volta do festival de alta-monte cujo nome deu origem para este blog de cordel, será alvo de algumas centenas de pares de olhares e quem sabe de alguns de nós ou vós nos dias 21 e 23 de outubro no cinema São Jorge no âmbito do festival de cinema documental Doclisboa (aí está o programa), na Heart Beat que é uma "secção paralela que apresenta documentários onde a música é um elemento fundamental", palavras deles, ai de mim de proferir tal coisa.
De notar para a gentalha mais pop, dois documentários sobre a Maria Bethânia e outro sobre o Bob Dylan, Don't Look Back do bem-conhecido e bem-bom realizador de documentários musicais D. A. Pennebaker, o mesmo que fez estremecer a sala da Cinemateca há uns quatro anos com o filme sobre o festival de Monterey Pop em que após a actuação contagiante da Janis Joplin com a sua Holding Company o público à minha volta - e eu inclusive - rebentámos em palmas aliviadas ao que de seguida se fez um silêncio constrangedor em todos nos entreolhámos a indagar, A quem é que estamos a bater palmas?, à tela? ao projector? ao projeccionista? à tipa gorda que vende os bilhetes?, não interessa, soube bem.
Nota também para a retrospectiva de Jonas Mekas e da sua presença para uma masterclass, que entre muitos filmes potencialmente interessantes - só vi alguns e gostei - traz consigo na mochila uma curta intitulada Happy Birthday to John sendo que esse John é o mesmo que... aliás, nem é preciso dizer quem é, é ELE mesmo sim, e depois o mundo dantes era pequeno, diz que o Mekas era muito amigo do Andy Warhol então há vários filmecos sobre/com ele, isto falando dos objectos filmados de carácter mais pop, pois ele filmou bastante para lá dessas curiosidades.
Acontece que não tenho muito dinheiro por isso até agora ainda só comprei bilhete para um filme do Mekas sobre a rodagem de um filme do Scorsese, um filme sobre o António Lobo Antunes da Solveig Nordlund, mas a verdade é que as minhas grandes expectativas vão para os filmes já não tão recentes do Kiarostami e o do Kieslowski, mas claro, desses ninguém quer saber.

13 outubro 2009

altamont ou alta-monte, man!

Este blog existe há já algum tempo, não sei precisar, uns anos, chama-se altamont não sei ao certo porquê talvez uma ligação para aquela fastidiosa máxima que já 489574657456459 jornalistas críticos de arte opinionmakers bitaiteiros e bloggers empregaram dizendo que o rock morreu nesse dia digamos também fastidioso em que um tipo foi morto com uma facada por um digamos tipo ou digamos animal membro dos hell’s angels que por lá estava a fazer segurança ou digamos a ter uma oportunidade de espancar tipos ou digamos hippies, e quão eu gostaria de espancar hippies betos se fosse um membro dos hell’s angels mas não sou. Se foi por aí que se deu o nome ao blog, ou seja, para celebrar portanto a morte do rock, ahh... hmm... bem esqueci-me o que ia dizer, estou charrado.
Queria eu sim dizer, ah já agora para quem nunca viu veja o Gimme Shelter, um filme de uns tipos que eram irmãos e fizeram uma coisa interessante que foi lançar questões sobre toda a merda que se passou em vez de simplesmente o mostrar como normalmente se faz na maior parte dos documentários modernos como os que em breve se verão no doclisboa.
Dizia eu, estou sentado a ouvir um álbum de Blind Lemon Jefferson que coitado além de cego era gordo e a ler na internet este poema do bukowski que começa assim

I don't know how many bottles of beer
I have consumed while waiting for things
to get better


e apeteceu-me escrever um pouco também, o meu amigo fred aparece em entoação de janela e diz-me que tenho que ouvir a sua nova playlist, Man you got to. E daí visitei o blog.
Dizia eu, lembro-me de quando ele criou o blog, disse-me que tinha de contribuir com textos ou críticas – já é a segunda vez que quando vou a escrever críticas, escrevo crísticas, terceira vez, não entendo mesmo porquê – ou o-que-o-valha, e desde aí que tenciono fazê-lo. Devo dizer que já o tentei por diversas vezes. Uma vez há já muito muito tempo comecei uma crítica a um álbum de Ali Farka Touré mas encalhei porque não sabia sequer quais os instrumentos que estavam a ser utilizados para além da guitarra, depois ia escrever algo sobre essa maravilhosa banda rock japonesa do fim dos anos 60 os Happy End mas foda-se que sei eu do contexto musical/político/social da altura na puta do Japão (que nem sei onde fica) para poder falar disso, depois pensei numa espécie de reportagem ou digamos ejaculação literária ainda a quente vinda do transe do concerto alucinante que foi o de Aka Moon na Culturgest há um ano ou sei lá eu, mas depois dei-me conta de que não sabia quantas teclas tinha um saxofone ou o que é uma escala pentatónica – não que eles estivessem muito interessados nisso – ou seja, nunca consegui publicar – já se pode chamar publicar a isto? (a isto digo, num blogue – o termo já leva ue no fim?) – aqui ou em qualquer outro blogue um texto sobre música visto que de música eu não percebo nada ou pelo menos não percebo o suficiente. Oiço muita, já-ouvi-mais-já-ouvi-menos, já tentei estudar guitarra e piano e outra vez guitarra e sou um nabo, arranho uns blues na harmónica em jeito autodidáctico mas a verdade é que sou um leigo na matéria, um mero consumidor apesar de já não comprar música à excepção dos discos da editora Clean Feed porque eles mais que merecem e por falar nisso tenho que ir comprar o último álbum do meu amigo – é melhor dizer conhecido não vá ele ler isto e achar Eh-lá essas confianças – Júlio Resende (joguei umas vezes à bola com ele e ainda assim lembro-me de ter levado umas caneladas) e pronto sim sou um consumidor ao nível de concertos se bem que ando sempre à pesca do mais baratinho que há e é uma pena ter terminado o gratuito ciclo Jazz às Quintas no CCB que trouxe cá músicos como o Avram Fefer e o Daniel Levin que podem não ser bons para ti mas são bons para mim e claro continuo a falar do contributo da Clean Feed pois foram eles que estiveram por trás desta iniciativa, bem como do ciclo Isto é Jazz? na Culturgest e do Festival Jazz ao Centro em Coimbra com a tão simpática repercussão no Jazz nos Capuchos onde eu tive o tal orgasmo auricular de que um dia vos falei a ouvir o electrizante Peter Brotzmann a soprar por ali fora com a convicção com que eu sopro a minha harmónica se bem que eu não sei o que é uma escala pentatónica e o Peter sabe (presumo).
Dizia eu, estava aqui a ler uns poemas do Bukowski e a fumar um charro e inicialmente a ouvir o gordo cego mas agora a ouvir no myspace Rudresh Mahanthappa e isto porque ao na Culturgest e na Clean Feed e tal deu-me vontade de relembrar o que fosse daquele revelador concerto de dar cãibras na perna de tanto bater em que esse Rudresh se apresentou com o Steve Lehman há uns tempos que não sei precisar, estou charrado, e estava então a fazer tudo isso quando pensei AH, É DESTA que vou escrever um texto para o blog ou blogue mas mal comecei encalhei e escorreguei nas palavras técnicas como quem escorrega em, não sei o que ia dizer. De novo. Grande seca, tenho que correr, vou à cinemateca ver um filme do Carl Theodor Dreyer, não vos quero dizer o título, conclusões finais: queria portanto pedir-te desculpa fredi o’ fredi por nunca ter escrito uma crítica musical neste blog mas a verdade é que não me sinto com capacidades para tal porque não sei o que é uma escala pentatónica mas admiro bastantes esta gente que por aqui se ocupa a escrever sem o medo de estar a dizer baboseiras ou clichés que já 489574657456459 – repararam que é o mesmo número lá de cima - jornalistas críticos de arte opinionmakers bitaiteiros e bloggers disseram por tudo o que é comunicação social ou não. Seria bom ter mais crónicas ou textos soltos ou playlists ou links para o download ilegal de álbuns de música que não se encontrem em todo o lado mas pronto, há quem nunca tenha ouvido falar de Green Day e precise de um aconchego da crítica para ir a correr comprar-lhes um álbum. De qualquer forma o site está a crescer, tem público, é cada vez mais diversificado e isso apraz-me. Dito isto lá vou ter que investigar o suficiente para num próximo post ou poste divulgar a estas gentes de uma forma mais esclarecedora o que é esse fenómeno de orgulho para o povo português – ou pelo menos aquela parte do povo que é nacionalista; morram – que é a editora/distribuidora/promotora-de-concertos Clean Feed/Trem Azul, cuja fama já percorre uma carrada de países, onde inclusive já se organizam festivais de jazz com o nome próprio da editora, Ah mas... Isto é Jazz? Não sei, mas interessa-me e faz-me acreditar que ainda há quem goste de inovar neste mundo mesmo que esse alguém não tenha suficiente dinheiro para comprar um aston martin ou suficiente fama para figurar em suficientes blogues sobre música como este e outros, fim de pauta.

Moriarty - Gee Whiz But This Is A Lonesome Town (2007)

Já anteriormente aqui referidos no Altamont, Os Moriarty apresentaram-se em Lisboa, sexta feira passada, dia 9 no Instituto Franco-Português no auditório principal. Um concerto que correspondeu, e de que maneira, às expectativas criadas por este grande disco Gee Whiz But This Is A Lonesome Town. Formada por 5 elementos e liderada por uma vocalista com uma grande voz, os franceses Moriarty (embora tenham elementos dos EUA,Vietname e Suiça) trazem um som que não tem um lugar específico. Tanto podemos estar no oeste selvagem em "Jimmy" como na vaudeville em "Lovelinesse". O seu som vai beber ao folk ("Private Lilly", "Tagono-ura"), blues ("Motel"), country ("Cottonflower", "Whiteman's Ballad"), cabaret ("Animals Can't Laugh"), tendo, também, uma boa dose de excentricidade revelada ao vivo através dos seus elementos que trocam constantemente de instrumentos. Imaginem os Vay con Dios indie, mais excêntricos e com maiores influências. Apesar de ter sido editado já em 2007, ainda é o único trabalho desta banda, a qual ficamos à espera de mais. Em Lisboa e, presumo, nas outras cidades portugueses onde tocaram, também ficam à espera de mais. Dois polegares para cima.

Ringo Starr - Ringo (1973)

With a Little Help From My Friends é o cognome do terceiro disco a solo de Ringo Starr. Um disco que pôs, incrivelmente, Ringo como o Beatle com mais sucesso (comercial, entenda-se) após separação da banda em 1970. Depois de dois discos de covers que apesar de terem sido bem aceites faziam crer que Ringo seria apenas lembrado como o baterista que mantinha o compasso certo na famosa banda de Liverpool, eis que o baterista de voz estranha junta um grupo de amigos, Lennon, Harrison e Paul incluídos e grava um dos melhores discos a solo de qualquer Beatle, tirando-o da sombra dos outros três amigos.
Verdade seja dita que Ringo sozinho não conseguiria ter tido um disco tão bom, porém convém não esquecer que a sua carreira foi isso mesmo. Uma pequena ajuda dos seus amigos. O disco começa com a contribuição de Lennon, "I'm the Greatest", que relata a história de Ringo desde os seus primeiros passos em Liverpool até ser um homem realizado. Com Lennon e Harrison no mesmo barco, com Paul substituído pelo amigo de longa data, Klaus Voorman, a nostalgia pairou no ar. Típica música Lennon pós Beatles, soa ainda melhor cantada por ele próprio na Lennon Anthology. "Have You Seen My Baby? (Hold On)" de Randy Newman com a ajuda de Marc Bolan é uma música boogie bastante aprazível. Seguem-se "Photograph" e "Sunshine Life for Me (Sail Away Raymond)" ambas escritas por Harrison, sendo que a primeira também tem a mão de Ringo. A última tem um clima que Harrison sabia muito bem criar, uma espécie de Country-Rock pastoral. No entanto, o single saído desde disco que mais sucesso teve foi a cover, quase pedófila nos dias de hoje, de Richard Sherman, "You're Sixteen ( You're Beautiful and You're Mine)". "Oh My My", "Step Lightly" e "Devil Woman", composições de Ringo, são suficientemente fortes para entrar em luta com as restantes, sobretudo a última. A habitual balada pop de Paul chega finalmente em "Six O'Clock". O disco faz as despedidas, literalmente, com a última das ajudas de Harrison em "You and Me (Babe). Conseguindo-se detectar um grande ambiente na gravação do álbum, nunca mais Ringo conseguiria atingir um nível tão bom de músicas como neste disco. (A reedição em CD em 1992 continha mais 3 músicas single, sendo de destacar "It Don't Come Easy, em parceria com George Harrison.)

The United States of America - The United States of America (1968)

A segunda metade da década de 60 trouxe um sem número de bandas psicadélicas, progressivas ou vanguardistas, especialmente do outro lado do oceano na costa leste dos Estados Unidos. Bandas com nomes estranhíssimos e surrealistas começavam a ser a norma em vez de a excepção. Quanto mais estranho e rebuscado melhor. No entanto, uma das bandas com som mais vanguardista da época dava pelo simples nome do seu próprio país - The United States of America. O grupo de L.A., liderado por Joseph Byrd é um dos tesouros escondidos que dá sempre prazer em revisitar. O seu Pop vanguardista que, a espaços, faz lembrar as partes mais sombrias dos Velvet Underground ou dos Pink Floyd, faz-nos parecer, realmente, estar no meio do vortex surrealista que foi a segunda metade da década na West Coast. Uma das características que distingue esta banda de outras da altura é o facto de não ter nenhum guitarrista, alterando deste modo o pulsar das suas músicas mais alicerçadas nos sintetizadores.
O que à partida poderia ser visto como mais um disco psicadélico à imagem de uns Jefferson Airplane ou Strawberry Alarm Clock torna-se numa viagem pelo weird but beautiful do mundo de Joseph Byrd, seja na crítica à decadência em "The American Metaphysical Circus", a pastoral "Cloud Song" ou a política "Love Song for the Dead Che". Apesar de ter recebido boas críticas, especialmente no circuito europeu, a banda acabaria prematuramente por se desintegrar pouco tempo após o lançamento do disco, sendo este o seu primeiro e único disco. Por vezes, pouco é muito...

12 outubro 2009

iFrod Shuffle 12-10-09

A Hora do Bolo@Rádio Radar by Frederico Batista




Chef: Frederico Batista, 29 anos, Lisboa
Ingredientes:

Johnny Cash - "Folsom Prison Blues"
Bob Dylan - "Love Minus Zero / No Limit"
The Byrds - "Jesus Is Just Alright"
The Velvet Underground - "That's The Story Of My Life"
George Harrison - "My Sweet Lord"
The Kinks - "Victoria"
Rolling Stones - "Rocks Off"
Aphrodite's Child - "The Four Horsemen"
Pink Floyd - "Binding My Time"
Creedence Clearwater Revival - "I Heard It Through The Grapevine"
The Doors - "The WASP"
The Beatles - "I Want You"

10 outubro 2009

Declaração contra a esponjosa cultura pop

A pluridade de opiniões pode ser, por vezes, uma coisa boa. E os blogs exploram precisamente isso: as vozes anónimas subitamente fazem-se ouvir. As vozes daqueles que não são jornalistas nem especialistas da arte de opinar emergiram e isso de certa forma até me parece que terá moldado a própria voz dos tradicionais media. O Altamont é um espaço nesse aspecto saudável: todos falamos, dizemos o que queremos, partilhamos músicas, descobertas, emoções (se quiserem a lamechice da palavra). Como aqui tenho dito, de maneira geral esta partilha aleatória não me interessa muito, mas não deixo de a considerar engraçada.

Quando eu próprio sugiro que os Beatles foram uma arma poderosíssima utilizada pela máquina do capitalismo, explico-o, e não sou contestado com argumentos racionais mas sim com escárnio. Ou quando suspiro que os Led Zeppelin em nada me influenciaram em termos musicais, recebo pedradas ou risos paternalistas. Isto revela que não existe margem de manobra para um pensamento diferente, para um momento sequer de hesitação e reflexão.

Por outro lado, assisto a uma certa passividade perante opiniões muito mais exdrúxulas. Vejamos, este texto não teve nenhum comentário. Elogia-se aqui que um álbum copy/paste de Tom Waits, testemunha da degradação moral dum ex-punker que agora faz anúncios a uma companhia de seguros que, por cúmulo, exclui músicos da possibilidade de serem seus clientes. Um álbum sem ponta por onde se lhe pegue, que apesar de ter o direito de existir (o Iggy diz que lhe deu prazer fazer estas canções) é irrelevante para a história da música pop. Outro exemplo surge com o lamento do Mark Knopfler estar a fazer música soturna e, por isso, chata. A relação causa/efeito é inexplicada. Faz algum sentido em dedicar um post a um tipo que não faz nada de interessante desde o início da década de noventa quando existem tanta música a despontar um pouco por todo o lado?
Mas o incompreensível chega apenas com a análise ao disco dos Air. Mais um cascanço em tudo aquilo que não é igual ao passado. Percebe-se que para muita gente voltar a ver o Knopfler a tocar Dire Straits é ejaculação garantida, mas há limites para essa característica tão portuguesa que é a Nostalgia.
Há depois uma classificação da importância do que se faz com base no sucesso comercial. Como se a gente gostasse de Celine Dion.
Acusa-se o album de Air de ser pretensioso. Parece-me que não há um domínio do conceito de pretensiosimo: se há coisa que os Air não têm é isso - as suas composições são estruturalmente do mais simples que consigo imaginar e mantêm-se fiéis ao seu conceito inicial, como quem assume que não sabe nem quer saber mais do que aquilo. Air para mim tem algo de inocência, qualquer coisa como um cristal pop usado para diluir a espessura do ar numa noite abafada de verão. É música feita com leviendade, até, sem se pensar muito na coisa - não tem nada de intelectual ou que suscite exercícios de metafísica - nada mais do que um som assumidamente superficial, um fenómeno de luz, uma caipirinha francesa.
Depois refere-se à presença de músicas irritantemente instrumentais como se os Air tivessem outro tipo de músicas (ou quase como se as ditas musicas experimentais fossem per se más). Quando se ouve vocals nas músicas de Air, estas não diferem de um outro instrumento qualquer, como um xilofone ou flauta sintetizadas. Sexy Boy é um refrão absurdo, que poderia ser substituído pelo som duma gaita de beiços, por exemplo, ao passo que All I Need é uma anormalidade no percurso deles.
A natureza naif dos Air é aquilo que me atrai neles (e ao mesmo tempo o que me aborrece às vezes). E gostos não se discutem, mas referir-se o pretensiosimo de musicas instrumentais quando ao mesmo tempo se sugeres que tenta atingir a cançoneta de sucesso comercial do passado, é incongruente.
Parece-me que a maior parte do que o André escreve aqui é como tentar um cum shot facial e acertar no candeeiro, o que já aconteceu a todos.

Em suma, este é um post contra a apatia. Contra a perda de tempo em cantores/bandas do passado que nunca conseguiram enveredar por um caminho original e interessante. Contra a cultura Pop. Contra a nostalgia. E a favor da seriedade musical.

09 outubro 2009

I want you so bad it's driving me mad

Há um tempo já que não escrevo neste placard, por me achar um erro de casting: as minhas opiniões não são nunca partilhadas por ninguém e as sugestões musicais ignoradas, tal como o vento ignora farinha de padeiro.
Por outro lado, a maioria das analises que aqui leio são superficiais e contém um entusiasmo desajustado ao tipo de musica que se ouve - medíocre, no geral - e como tal surge uma certa certa noção de absurdo.

Mas como me encontro neste momento de forceps na mão à espera do senhor Wilkins, que desconfio que terá fingido uma diarreia para se refugiar nos lavabos, decidi, por tédio, partilhar mais um suspiro com os leitores.
Surgiu-mo após audição do agradável conjunto de canções com que o Frederico Batista cozinhou o pão-de-ló da hora-do-bolo na Radio Radar.
E' evidente que a audição da mescla foi influenciada pelo facto de momentos antes me ter entrado nos tímpanos o quarto andamento do Zaratustra do Mahler, mas mesmo assim consegui apreciar uma musica chamada Biding My Time dos Pink Floyd. Trata-se de uma faixa de estrutura ingénua, simples, bluesy, mas que funciona muito bem e, apesar de previsível, me traz uma certa noção de harmonia, equilíbrio. Dá para sentir que aquela rapaziada fazia algo de importante. Logo a seguir surge-nos Doors com Wasp e Beatles com o fabuloso I want you, em que toda a irreverência discreta de George Harrison se faz ouvir como um sopro no coração.
Logo a seguir surge uma música totalmente diferente, que por ignorância do pop/rock actual não soube identificar com precisão, mas diria ser Franz Ferdinand ou algo do género.
Percebe-se o que é que o nosso Frederico queria fazer: juntar musicas velhinhas com umas mais recentes, criando um bolo de consistência coesa, tentando apontar que aqui e ali se continua a fazer pop/rock como antigamente e que tudo é uma questão de estarmos atentos.
Mas se uma trinca na primeira fatia resulta em jubilo calmo das papilas gustativas, logo a seguir surge uma espécie de amêndoa azeda que nos faz indagar: mas afinal que raio de bolo vem a ser este, caralho?
Gosto do Frederico como de um irmão coxo, como ele sabe, e prezo a sua busca por musicas que sejam importantes, significativas. Mas, meus amigos, o Pop/Rock esta' morto e ja era tempo de assumirem isso. E' um género limitadíssimo e não há mais pontas por onde pegar. Ouvir Doors, Beatles e Pink Floyd diz-nos isso mesmo: o melhor já esta feito. Não vale a pena insistir.

E não: Franz Ferdinand nao vale mais que Britney Spears.

Álbuns da Década: #9

Brian Wilson - Smile (2004)






Smile podia ter sido um dos álbuns da década de 60, dado ter sido o projecto dos Beach Boys, pós Pet Sounds, a que Brian Wilson, em colaboração com o letrista Van Dyke Parks, dedicou-se de corpo e alma, no entanto, devido ao deterioramento da sua condição psicológica e contínua falta de paciência dos restantes elementos da banda, o disco nunca foi completado, acabando por ser desmantelado em músicas a vulso em álbuns posteriores. Pode dizer-se que foi a partir deste disco que Brian Wilson partiu para um sítio muito longe psicologicamente. O mau abuso de substâncias psicadélicas aliadas a um já estado frágil da sua mente ajudaram ao isolamento do líder dos Beach Boys em relação ao mundo e à sua banda em particular. A banda começara a contratar músicos para tocar em digressões enquanto Brian Wilson ficava por casa a tentar compôr novas músicas mas já sem a veia criativa de há alguns tempos. Essa tinha ficado quase irremediavelmente perdida algures nas gravações de Smile. Ao longo de quase 40 anos a lenda foi sendo criada relativamente a este disco perdido. Para muitos era o Holy Grail da música ou a fonte da juventude, impossíveis de encontrar. No entanto, para alguns, o disco estava disponível em versão "bootleg" apesar da sua falta de qualidade audio e de rigor como álbum. Muitas era músicas "demo" partidas aqui e ali mas suficiente para o fã mais ávido do santo graal. Dado como amaldiçoado durante as suas gravações por ter praticamente provocado um incêndio no prédio ao lado durante a música "Mrs. O'leary's Cow", foi, para surpresa geral, que o próprio Brian Wilson anunciou estar a re-gravar o disco todo. Para ainda maior surpresa o disco é realmente muito bom, conciso e recaptura toda a essência das gravações amaldiçoadas dos anos 60. E mais, traz Brian Wilson de volta ao mundo dos vivos, com uma alegria que não era notada há anos e anos. Como uma redenção à música, Wilson traz de volta o pop psicadélico criado em Pet Sounds, dando uma história e estrutura que só uma cabeça como Wilson o poderia fazer. Smile vale pelo seu conjunto todo, não se pode identificar esta ou aquela. Apenas "Good Vibrations", aqui com a letra original, tem cariz de "single". O santo graal foi encontrado e tem que ser bebido do início ao fim...

Talvez Relacionado #19

Bom som esta "All is Love", preparada por Karen O dos Yeah Yeah Yeahs para a banda sonora de "Where the Wild Things Are". Ela é uma das responsáveis pela banda sonora do filme de Spike Jonze que estará para aí a chegar a qualquer momento. Relembro que a banda sonora inclui, por exemplo, Arcade Fire. Promete. Filme e banda sonora.



Enjoy!

07 outubro 2009

Eels - Hombre Lobo (2009)

Esta banda de rock americano gira em torno de Mark Everett, “Mr E”. Desde 1995 tem colaborado com diferentes músicos que dão identidade aos EELS. Após singles de sucesso como “Novocaine for the Soul”, “Your Lucky Day in Hell”, “Souljacker part I” e “Hey Man (Now You´re Really Living)”, lançaram um novo álbum em Junho deste ano. Este projecto começou a ser trabalhado em 2001, girando à volta da barba do líder da banda e da música “Dog Faced Boy”. Até 2009 “Mr E” deixou crescer a barba (ao estilo ZZ Top) e resolveu dedicar um álbum ao seu Alter Ego “Dog Faced Boy”, com o nome “Hombre Lobo”. Durante as faixas “Hombre Lobo” vai contando a sua missão em encontrar a sua cara metade, apesar de todas as dificuldades que vai encontrando pelo caminho. Antes de ouvirmos qualquer disco ou concerto de EELS, nunca sabemos o que vamos encontrar. Tanto podemos ter umas horas de baladas, como de rock puro e duro. Este album tem faixas muito próximas de “Your Lucky Day in Hell”, bem como outras que se assemelham a “Souljacker part I”. O disco recebe nota suficiente dos fãs de Eels, mas muito dificilmente conseguirá cativar novos adeptos. Sinal mais para as faixas, “That Look You Give That Guy”, “All the Beautifull Things” e “Fresh Blood”.
Fica o último e excelente vídeo da banda, bem como a questão: Quanto tempo é que a barba vai durar?
Para mais informações sobre a barba de E visitar o seguinte link.



Hora do Bolo

Sábado e Domingo, dia 10 e 11 às 17h, Hora do Bolo ALTAMONT na Rádio Radar 97.8

06 outubro 2009

The Stone Roses - The Stone Roses (1989)

Se há coisa que os ingleses adoram é eleger o "the next big thing". Uma coisa que não se vê tanto com a imprensa americana. Tanto seja a nível de música, como cinema ou desporto. Há algo de intrínseco e enraizado na cultura inglesa ou britânica que faz disparar todas as "luzinhas" da imprensa, tabloíde ou séria, ou da opinião pública. A necessidade de alguém em quem se agarrar, seja por um mês ou uma década ou mais. Viu-se com os Beatles, Rolling Stones, Sex Pistols, Smiths, Stone Roses, Oasis ou Arctic Monkeys. Viu-se com Sean Connery, Pierce Brosnan ou Clive Owen. Jogadores de futebol são tantos que ser-me-ia impossível mencionar todos. No entanto, apesar de aqui e ali serem mais hypes que realmente qualidade, é de louvar a qualidade que a maior parte destes "the next big thing" realmente tinham ou têm. Os Stone Roses são um exemplo disso. A sua estreia há vinte anos com o seu disco homónimo é das melhores coisas que surgiram da famosa era da "Madchester". Misturando o Rock bóemio com drogas alucinogénicas típicas da cena rave que se assistia na década em Inglaterra, sobretudo em Manchester, os Roses fizeram uma geração e deram frutos para que eclodissem milhares de novas bandas, entre as quais os Oasis, sempre mal comparados aos Beatles. Ian Brown, vocalista da banda cantava de uma moda despreocupada, quase que levitando, algo a que sempre ambicionou Liam Gallagher. O som dos Stone Roses é de facto bastante aprazível e fácil de entrar. O pop dos sixties veio para os anos oitenta e ficou mais dançável. "She Bangs the Drums" e "Waterfall" são duas faixas que traduzem bem este conceito apenas contrariado pela estranha "Elizabeth My Dear". "I Wanna Be Adored" e "Made of Stone" continuarão a ser hinos em qualquer parte do mundo. Apesar de terem apenas editado mais um disco e de menor qualidade, os Stone Roses permanecem como uma das bandas de maior culto.

Marcelo Camelo - Sou (2008)

Não querendo comparar os Beatles aos Los Hermanos, faço uma suposição entre eles fazendo a alegoria entre as pessoas que não percebem porque os Beatles acabaram e os que entedem haver um momento para tudo na vida e que nada é eterno e linear. Os Beatles acabaram porque cada um deles, excepto talvez o Ringo, estava em outra fase das suas vidas, quiçá incompatível com a vida de um grupo tão stressamente amado como os Beatles. Que seria do George Harrison se os Beatles continuassem? Teria mais duas ou três músicas por disco e findava-se por aí. Em quê poderia John expressar a sua nova visão sobre a vida? Eram pessoas diferentes, com ambições diferentes, tinha que ser auto-destrutivo. Chega a uma altura da vida que já não faz sentido. Quem perdeu com isto foi Paul McCartney que, sem concorrência interna, especialmente de Lennon, perdeu a bitola alta que mantinha no grupo de Liverpool. Esta explicação para quê podem perguntar alguns. Para explicar que tanto num grupo tão famoso e importante como os Beatles como num grupo como os Los Hermanos a clivagem entre membros da banda pode acontecer e isso não é por si só negativo. Depois de um primeiro disco mais Ska, a banda carioca viria a desenvolver o seu o próprio som ao longo dos restantes três álbuns, culminando num fantástico 4 que era um misto de indie rock com MPB, com letras de cariz profundo e intelectual. Porém quanto mais se cresce por dentro mais tendência temos a procurar cada vez mais e isso foi o que Marcelo Camelo fez. Enquanto Rodrigo Amarante manteve a mesma toada, embora com franca qualidade, dos Los Hermanos com Little Joy, Marcelo foi mais adiante e fez um álbum mais de coração, de instinto, de momento. Músicas doces como "Téo e a Gaivota", "Passeando" ou "Doce Solidão" são exemplos do momento que Marcelo estaria a viver, aliado até à sua nova relação com a cantora paulista Mallu Magalhães onde fez dueto em "Janta". "Tudo Passa" é uma música fantástica que entrelaça vários géneros musicais, enquanto "Menina Bordada" e "Copacabana" trazem do melhor da música brasileira.
Marcelo Camelo é, sem dúvida, uma das grandes figuras da nova música brasileira, seja pelo que fez enquanto membro dos Los Hermanos, seja como artista a solo. Se ao nos soltarmos de uma banda começamos a ser mais autênticos e verdadeiros, porquê forçar ao constrangimento? À atenção de Noel Gallagher...

Pete Yorn - musicforthemorningafter (2001)

Corria o ano de 2001. O mesmo ano de chegada dos Strokes e início de uma nova era na música. Ano esse que Yorn agarrou com unhas e dentes, tornando-se numa das figuras mais importantes. O seu álbum de estreia musicforthemorningafter é uma delícia e está repleto de grandes músicas. São 14 ao total, todas de grande qualidade, um "tour de force" que Yorn nunca mais conseguiu sequer igualar. Nascido em New Jersey, terra natal de Bruce Springsteen, as semelhanças notam-se mas não são essenciais. A paixão que mete nas suas músicas fazem lembrar um pouco de Jeff Buckley misturado com Ryan Adams e um pouco de Jakob Dylan piscando o olho à pop inglesa, sobretudo dos Smiths. O disco começa logo em grande com o single, "Life on a Chain". Seguem-se duas baladas orelhudas, "Strange Condition" e "Just Another Girl" com um estilo muito próprio de Pete Yorn neste disco, observado também em "Lose You", "June", "On Your Side", "EZ" ou "Simonize". O registo rock encontra também o seu maior fulgor, além do single inicial, em "Black", "For Nancy", "Murray" e "Closet". Um dos melhores discos de 2001 e, seguramente, da década, consagrado em Portugal com um showcase na discoteca Garage no qual este escriba este presente. Infelizmente para Pete Yorn e para o público em geral, o nível demonstrado neste disco nunca mais foi igualado nos álbuns que se seguiram, levando-o para um certo esquecimento. Recentemente gravou um dueto com a actriz Scarlett Johansson mas também sem grande aceitação geral. No entanto, só por musicforthemorningafter já valeu a pena termos conhecido Pete Yorn.

Talvez Relacionado #18

Está desde ontem disponível para download o novo single dos Vampire Weekend, "Horchata", que serve de apresentação ao futuro segundo álbum da banda a ser lançado no próximo dia 12 de Janeiro, "Contra". Podem fazer download gratuito do mp3 no site da própria banda (link) e recebem também um booklet com a letra da música em PDF. Ou então carreguem no play no vídeo abaixo e ouçam a bem agradável "Horchata", ao bom estilo Vampire.

Talvez Relacionado #17

Volcano Choir tem aparência de um side project de Justin Vernon (Bon Iver), mas na realidade não o é. É uma banda que já existe desde 2005, do qual Justin é uma mero membro como qualquer um dos outros 5, mas que agora, com o seu nome muito bem cotado no mercado, conseguiu lançar o seu álbum de estreia, "Unmap". É deste álbum que vos trago "Island, IS", uma música que combina muito bem minimalismo com um toque de folk, tendo como grande base de suporte a voz de Vernon e uma percussão crescente ao longo da música. Penso que merece uma audição pelos vossos ouvidos!


Enjoy!

05 outubro 2009

Álbuns da Década: #9

Interpol - Antics (2004)




Os Interpol foram, no meu caso, uma banda que demorou a entrar. Toda a gente dizia que era bom som, já o primeiro álbum ("Turn on the Bright Lights", de 2002) tinha constado dos tops em vários blogs/sites de referência e este "Antics" também já tinha sido lançado há algum tempo até que eu decidi deixar de ser do contra e lá me meti a ouvi-los. Foi para aí já em 2007, após o concerto no SBSR. Mas mesmo assim, "Antics" não foi amor à primeira vista. Foi daqueles que foi entrando, ganhando o seu espaço de antena, pouco a pouco, música a música, até que lá me rendi à qualidade do álbum. São raros os álbuns que se pode dizer que todas as músicas são boas, mas este é um deles, sendo que para mim atinge mesmo os píncaros em "Slow Hands" e "Not Even Jail".

04 outubro 2009

Phoenix - Wolfgang Amadeus Phoenix (2009)

Os franceses Phoenix lançaram este ano o seu quarto e novo álbum com o título Wolfgang Amadeus Phoenix. Contam com a produção de Philippe Zdar, elemento do duo House Cassius que veio dar um toque electrónico e pop a esta banda de Indie Rock. Toque esse que tem sido recentemente seguido com maior ou menor sucesso por bandas como os Franz Ferdinand, Coldplay ou The Killers.
Este álbum veio colocar Thomas Mars, vocalista da band,a na ribalta que, curiosamente, é namorado da realizadora, Sofia Coppola.
O disco começa muito bem com a faixa “Lisztomania”, provavelmente a melhor do álbum. Com uma batida agradável, faz lembrar um pouco de Kooks e Klaxons numa versão electrónica. “1901” rivaliza com a primeira faixa para melhor do álbum. “Fences” é banal. “Love Like a Sunset” é diferente de qualquer outra música. Não se fica indiferente, numa dicotomia amor ódio, com uma clara influência de Air e Daft Punk. São 7 minutos de interlúdio que acaba por dividir o álbum em duas partes. Na segunda parte do disco, destaco as faixas “Lasso”, “Rome” e “Girlfriend”. Não são extraordinárias, têm um bom nível. Mas seria difícil igualar a primeira parte, nomeadamente as primeiras duas faixas.
No fundo este disco é uma mistura de AIR, Strokes, MGMT, Kooks, Postal Service e Bloc Party.
Se todas as faixas fossem do nível de Lisztomania, teríamos uma séria candidatura a álbum do ano de 2009.



02 outubro 2009

Talvez relacionado #16

Esta foi uma daquelas instantâneas. Passei pelo blog da Menina Limão, carreguei no play no vídeo que lá constava e simplesmente não consegui parar de ouvir. E segurei, aguentei toda a vontade que tinha de me levantar e começar a dançar descontroladamente ao som disto. Garanto-vos que é difícil controlar a vontade quando o ritmo se nos entra como é o caso. Fool's Gold, com "Surprise Hotel".

Enjoy!

01 outubro 2009

Rodrigo Y Gabriela


Para desilusão de alguns leitores, não estamos perante uma nova banda de música pimba ou de sertanejo.
Este duo mexicano começou a sua carreira numa banda de heavy metal. Após uma curta carreira de insucesso resolveram pegar em duas guitarras acústicas, 1000 USD e viajaram para a Europa.
Após uma má adaptação a Dublin, resolveram inadaptar-se em Copenhaga. O frio levou-os para Barcelona. Onde acabaram por andar a tocar no Metro e nas Ramblas.
Até que receberam uma proposta para voltar para Dublin, para tocarem num Pub. Foi onde conheceram Damien Rice, que lhes deu um forte apoio para lançarem a sua carreira.
Em Fevereiro de 2006 lançaram o seu primeiro álbum que os levou a número 1 do top na Irelanda, à frente de artistas como os Arctic Monkeys e Johnny Cash.
Com um género de música difícil de definir. Trata-se de um estilo de música instrumental de fusão, entre o metal, rock e flamenco. Que tem como únicos instrumentos duas guitarras acústicas. No seus álbuns é clara a influência de bandas como Pink Floyd, Black Sabbath, Metallica, Lef Zeppelin ou Jimmy Hendrix.

Têm os seguintes discos lançados:
Foc (2001)
Live: Manchester and Dublin (2004)
Rodrigo y Gabriela (2006)
Live in Japan (2008)
Em Setembro de 2009 lançaram o seu último disco 11:11.
Vão estar em tour nos próximos meses, contando com salas esgotadas em Dublin (16 de Nov) e em Paris (10 e 11 de Abril).