Há uns dias um velho comparsa meu atirou-me para a cara: "os Franz Ferdinand estão datados!". Como não estava à espera de uma intervenção assim fiquei meio estupefacto e tentei rebater a afirmação, ao qual ele me diz: "há quanto tempo não ouves um álbum de FF de início ao fim?". Desarmou-me. De facto, Franz Ferdinand, como o indie rock em geral está a ficar datado. Já são dez (10!) anos de boa música de um estilo que veio "salvar-nos" da mediocridade do pop/rock que vigorava no fim dos anos 90. Pois bem, em dez anos passam-se muitas coisas. O mundo muda, os estilos mudam. Os próprios Beatles nem dez anos duraram. É complicado a uma banda manter-se honesta e no "top of the game" por muito tempo. As pessoas cansam-se e é normal. O indie rock está a morrer aos poucos, lentamente e este último disco dos Interpol é uma das imagens desse falecimento. Tanto a nível estético como lírico.Apenas intitulado "Interpol", algo que a maior parte das bandas o faz logo no primeiro disco, o que poderá querer significar que o ciclo fechou e a partir de agora ou se entra por outros caminhos ou se começa a apagar lentamente como uma fogueira a qual não alimentamos mais, ou porque não precisamos de mais calor ou porque não temos mais lenha (leia-se ideias). "Interpol", quarto disco de originais da banda nova-iorquina, liderada por Paul Banks, agora com menos um elemento, cheira apenas a competente, o que não é mau, mas não é bom. Não tem a melancolia e estranheza de Turn on the Bright Lights nem a pujança e velocidade de Antics nem sequer o lado mais apelativo de Our Love to Admire. Serve para entreter, para meter lá no meio dos bons mas sem sair muito da estante. O fogo está a apagar-se mas ainda lança algumas labaredas e nos queima como em "Success", "Lights" ou "Barricade" e ainda nos leva a alguma mais distante sombria na trilogia final com "Try It On", "All the Ways" e "The Undoing". Tudo somado não nos deixa desiludidos porque já não estamos mais à espera de muito. Tal como eles, crescemos, expandimos horizontes e já estamos prontos para o futuro pós indie-rock. Falta eles darem o próximo passo ou o fogo apagar-se-á para sempre...
