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09 agosto 2011

Álbum Fresquinho: Marcelo Camelo - "Toque Dela"

Instigado pelo concerto dado no passado sábado, no espaço TMN Ao Vivo, achei por bem aqui colocar o mais recente álbum do Marcelo Camelo, Toque Dela. Depois de 10 anos como uma das forças motoras dos Los Hermanos, e do lançamento de uma carreira a solo com o álbum Sou, de 2008, podemos dizer que Marcelo Camelo não tinha entre mãos uma tarefa fácil, dado o peso da sua herança, o peso de muitos verem nele a grande esperança de continuidade na música brasileira de nomes como Chico, Caetano, Gil. Mas nada como lidar com isso da única forma que ele sabe - com simplicidade e sinceridade acima de tudo. E a meu ver é isso este Toque Dela, um álbum belo de tão simples e sincero, denotando um de ritmo que poderá advir de uma maior influência da vida paulista num carioca de gema, com menos samba e arranjos mais estruturados. Já não se sente a "Copacabana" por perto, música do álbum anterior de êxtase puro, impossível de ouvir sem mexer, agora reina a tranquilidade de um "Pra te acalmar", a segurança de que "Meu Amor é Teu", música que encerra o álbum. Mas pelo meio temos a alegria de "Acostumar, a leveza de "Pretinha, o convite à dança em "Ô ô". E deixo para o fim, por ser para mim a maior demonstração da conjugação do binómio beleza/simplicidade a "Três Dias":

Se faltar carinho, ninho
Se tiver insônia, sonha
Se faltar a paz
Se faltar a paz, Minas Gerais

06 outubro 2009

Marcelo Camelo - Sou (2008)

Não querendo comparar os Beatles aos Los Hermanos, faço uma suposição entre eles fazendo a alegoria entre as pessoas que não percebem porque os Beatles acabaram e os que entedem haver um momento para tudo na vida e que nada é eterno e linear. Os Beatles acabaram porque cada um deles, excepto talvez o Ringo, estava em outra fase das suas vidas, quiçá incompatível com a vida de um grupo tão stressamente amado como os Beatles. Que seria do George Harrison se os Beatles continuassem? Teria mais duas ou três músicas por disco e findava-se por aí. Em quê poderia John expressar a sua nova visão sobre a vida? Eram pessoas diferentes, com ambições diferentes, tinha que ser auto-destrutivo. Chega a uma altura da vida que já não faz sentido. Quem perdeu com isto foi Paul McCartney que, sem concorrência interna, especialmente de Lennon, perdeu a bitola alta que mantinha no grupo de Liverpool. Esta explicação para quê podem perguntar alguns. Para explicar que tanto num grupo tão famoso e importante como os Beatles como num grupo como os Los Hermanos a clivagem entre membros da banda pode acontecer e isso não é por si só negativo. Depois de um primeiro disco mais Ska, a banda carioca viria a desenvolver o seu o próprio som ao longo dos restantes três álbuns, culminando num fantástico 4 que era um misto de indie rock com MPB, com letras de cariz profundo e intelectual. Porém quanto mais se cresce por dentro mais tendência temos a procurar cada vez mais e isso foi o que Marcelo Camelo fez. Enquanto Rodrigo Amarante manteve a mesma toada, embora com franca qualidade, dos Los Hermanos com Little Joy, Marcelo foi mais adiante e fez um álbum mais de coração, de instinto, de momento. Músicas doces como "Téo e a Gaivota", "Passeando" ou "Doce Solidão" são exemplos do momento que Marcelo estaria a viver, aliado até à sua nova relação com a cantora paulista Mallu Magalhães onde fez dueto em "Janta". "Tudo Passa" é uma música fantástica que entrelaça vários géneros musicais, enquanto "Menina Bordada" e "Copacabana" trazem do melhor da música brasileira.
Marcelo Camelo é, sem dúvida, uma das grandes figuras da nova música brasileira, seja pelo que fez enquanto membro dos Los Hermanos, seja como artista a solo. Se ao nos soltarmos de uma banda começamos a ser mais autênticos e verdadeiros, porquê forçar ao constrangimento? À atenção de Noel Gallagher...