29 julho 2010

Altamont recomenda: #6

A banda do recomendada do dia são os Hockey, banda originária de Portland, EUA, e que lançaram no final de 2009 o seu álbum de estreia Mind Chaos. Têm um rock pop com toques electrónicos. Se isto for suficiente para acharem que merece 4 minutinhos do vosso tempo, cliquem no play.

Haken – Aquarius (2010)

Custou, mas foi! Passadas quatro décadas da sua génese e depois de uma longa travessia do deserto, temos de aceitar os factos tal como ele são: o Rock Progressivo está de volta!
E com ele uma nova geração de bandas que apesar de ainda reverenciarem o som dos seus antepassados” dinossauros” (Yes, Genesis, Pink Floyd, King Crimson, etc), dão uma nova leva de “ar fresco” a um movimento que há muito se julgava moribundo ou extinto. É o caso destes londrinos Haken, uma espécie de “Genesis à moda do século XXI”, com pitadas de sangue de metal dos Dream Theater e com alguns laivos pomposos à moda dos Queen ou dos Muse (vai dar exactamente ao mesmo).

Os Haken, formaram em 2007, guiados pela dupla ambiciosa de composição Ross Jennings (voz) e Richard Henshall (guitarra e teclados). A estes juntaram-se depois os talentos de Charles Griffiths (guitarra), Thomas Mclean (baixo); Raymond Hearne (bateria) e Diego Tejeida (teclas). Um sexteto poderoso e que musicalmente gosta de misturar diversos estilos. Com “Aquarius”, o seu lp de estreia, o grupo dá um passo gigantesco rumo a uma carreira a sério.

Claro que não se espera que uma banda destas (cuja maioria dos temas roça a marca dos 10 minutos) venda milhões ou passe na rádio. Mas pelo menos podem ameaçar serem uma banda de “culto”. A música falará por si. Atrevam-se a espreitar o épico “Celestial Elixir”

Quanto a “Aquarius” temos aqui um álbum conceptual que narra a história de uma sereia ameaçada pelo aquecimento global e a progressiva destruição do planeta terra. Segundo o vocalista Ross Jennings “Aquarius” representa no fundo “uma metáfora para as espécies em vias de extinção”.

Preocupações ecológicas à parte, para quem é fã do género progressivo este pode ser bem um dos 20 melhores discos do género da última década. A execução dos músicos é brilhante, a construção dos ambientes e paisagens sonoras é excelente e a apresentação de temas como “Eternal Rain”; “Point of No Return” ou “Drowning in the Pool” fazem-nos pensar que ainda há grandes talentos por aí. Se tiverem os ouvidos apurados e as “antenas bem abertas” escutar este disco pode ser uma experiência bem interessante. Sem mácula.

27 julho 2010

Sun Kil Moon – Admiral Fell Promises (2010)

O Outono ainda vai longe. Mas as melodias mágicas e sonhadoras de Mark Kozelek remetem-nos para uma sensação de frescura, a pensar em dias menos escaldantes. O tonificante certo para se ouvir em noite de céu estrelado (escute-se “Church of the Pines”), apenas com a companhia do vento e da guitarra…


“Admiral Fell Promises” é essencialmente um disco calmo. Em paz consigo próprio. Uma obra quase cinematográfica (pelas sensações que transmite) e que contêm excelentes canções que certamente não envergonhariam um David Sylvian mais visionário; um Neil Young em fase de descoberta criativa de “After the Goldrush” ou até mesmo os ambientes mais soturnos de Tom Waits (se este trocasse o piano pelas cordas de aço).

Editado pela sua “Caldo Verde Records” , Kozelek (mentor dos já extintos Red House Painters) dispensou os habituais músicos que o acompanhavam neste projecto (que foi roubar a sua designação pugilista sul coreano) para se entregar por completo à sua solidão. Uma aventura introspectiva que tem como ponto mais alto a canção “Half Moon Bay”. Se fosse esta canção fosse uma mulher, certamente que seria a mais bela das musas! Inescapável, assim como “Third and Seneca” ou “You Are My Sun”. Canções fáceis de respirar e que quase nos dão uma “alma lavada”.

“The Ocean Beneath me is Loneliness...” canta ele nessa pérola que dá pelo nome de “Australian Winter. As palavras ecoam como se tratassem de pinceladas para retocar um quadro pintado pela guitarra em tons de azul e cinzento.

Com este “Admiral Fell Promises”, Kozelek regressa ao seu patamar mais criativo e gera um dos melhores trabalhos que a Folk poderia contemplar para 2010. Brilhante, soturno, contemplativo. Este é o som para nos abrigarmos do calor do verão, a pensar no outono.

Altamont recomenda: #5

Vem aí novo álbum dos Eels - chega aos escaparates dia 24 de Agosto. Já tem nome - Tomorrow Morning - e é o encerrar de uma trilogia iniciada com Hombre Lobo e que passa também por End Times. Aqui fica um primeiro cheirinho da coisa, com este "Spectacular Girl". A não esquecer que têm encontro marcado com Lisboa no Coliseu a 19 de Setembro!

Enjoy!

25 julho 2010

Arcade Fire - The Suburbs (2010)

Acabou a espera! Agora estou preparado a (re)começar. Eu e estes senhores. Mais de três anos de espera desde o último trabalho de originais é uma espera e tanto, mesmo para os parâmetros de hoje. No entanto, quantidade não é nem nunca foi sinónimo de qualidade, pelo menos para a maioria das bandas e, por vezes, saber esperar pelo acorde certo, pelo tom mais agudo, pela correcta utilização de instrumentos ou apenas pela altura certa, é, com certeza uma virtude e não está ao alcance de qualquer um. A sofreguidão de lançar disco após disco, apenas para se manter na onda e conseguir ganhar mais uns cobres à conta disso, não se lembrando que podem estar a pôr o futuro a médio prazo da banda em risco, ainda é o que move muitas bandas. Algumas aguentam-se, ou melhor, sobrevivem, outras, pura e simplesmente, morrem. R.I.P. Não faziam muita falta também.

Agora o que realmente interessa: Arcade Fire de volta para mais um disco conceptual. Depois dos dramas fúnebres de Funeral, passando pelos pesadelos e visões terríficas de um presente e futuro negro, chega-nos agora as vivências e consequências da vida nos subúrbios, conotativos ou figurativos. O som, esse, não engana. Estamos perante mais um clássico da banda canadiana. Tudo o que ouvimos em discos anteriores, a emoção, o clímax, a catarse, está tudo aqui outra vez. Começando com a música que dá nome ao álbum, "The Suburbs", notamos aqui uma ligeira mudança rítmica no que costumam ser as músicas dos Arcade Fire. A lembrar músicas mais alegres, mais de verão como a altura da edição deste disco. Pura Ironia. Os subúrbios, 50's Style, são uma perversão, uma capa que dissimula muito do que está errado neste mundo, porém quem lá viveu uma vida toda nunca se vai aperceber de nada. Também sempre presentes, estão as angústias do ser e existir em "Modern Man".

A esquizofrenia volta a aparecer em "Empty Room", uma das músicas que vai estar em repeat em muitas rádios, juntamente com a roqueira "Month of May". Ao todo são dezasseis músicas, 60 minutos de música quase ininterrupta que nos leva mais uma vez a esse mundo tão especial e mágico e ao mesmo tempo tão negro e depressivo que vem da cabeça deste grupo canadiano, encabeçado por um dos génios da era moderna da música, Win Butler. Para os Arcade Fire não há musicas para encher chouriço, não há tempos mortos. Há apenas e só, o compromisso com a Música como uma entidade que merece muito respeito e eles têm-no. Estão de parabéns uma vez mais. Alguém esperaria outra coisa?


23 julho 2010

Akron Family - Set 'Em Wild, Set 'Em Free (2009)

"River" foi a primeira música que ouvi deles, já no passado mês de Janeiro, e logo aqui a partilhei. Mas o processo de absorção deste Set 'Em Wild, Set 'Em Free foi estranho, na medida em que as músicas iam aparecendo no shuffle, e eu quase sem dar por isso fui sendo levado, música a música, até um dia aperceber-me de que havia ali qualquer coisa e ter tomado a iniciativa de ouvi-lo do início ao fim. Foi o mote para passar do ponto de deslumbramento inicial a cada música que entrava ao ponto de "Porra, isto é um granda álbum tenho que escrever no Altamont". Ainda passei um tempo com o álbum por aqui a marinar, mas depois de ter incluído uma música dos Akron Family na mais recente playlist, senti que era chegado o momento. Vamos portanto a isso, sem mais demoras e para começo de conversa tenho a dizer Porra, isto é um granda álbum! É um álbum do tamanho do mundo, na medida em que parecem aqui caber vários ritmos, desde o funk, a hard rock, gospel, folk, free jazz, soul, you name it. E isto acontece dentro das próprias músicas, sendo "Gravelly Mountains of the Moon", música lá para o meio do álbum, a melhor amostra disso mesmo. Começa com uma simples flauta, depois uma voz calminha, vão entrando mais instrumentos aos poucos, mais vozes, e depois guitarras com riffs pesados, a mudar todo o cenário criado até então. Entramos então em regime de free jazz, improvisação total, delírio, até ao retorno à calmia inicial. Esta parece ser a fórmula secreta dos Akron Family - a improvisação levada ao extremo, que é utilizada em várias músicas onde de repente muda a estrutura da música, muda o ritmo mudam os instrumentos utilizados e o caos se instala. "Everyone is Guilty" é também um exemplo revelador disto mesmo, e para além disso é a música de abertura e uma das principais responsáveis por todo este entusiasmo. Mas que fique claro que eles também são capazes de músicas mais contidas, mais arrumadas, como é o caso de "The Alps & Their Orange Evergreen" e "Set'em Free Pt.1", onde se destacam as guitarras acústicas e a consequente criação de um ambiente mais pacífico, mais cozy. E não podia deixar de realçar também as 2 músicas finais, "Sun Will Shine" e "Last Year", ambas em tom esperançoso, que vêm aí melhores tempos com um perfume de gospel deveras interessante. Não têm mais nada a fazer senão experimentar! Parece-me certo que é dos melhores álbuns que adicionei ao iTunes este ano.

PS - no post anterior com os Akron digo, à boca cheia, que estariam por cá em tempo de festivais. Puro engano meu e ainda bem - merecem um concerto em nome próprio na Aula Magna quanto antes!

Stevie Wonder - Innervisions (1973)

Aos 22 anos de idade e depois da edição de “Talking Book” (em 1972), se o autor de “Superstition” não tivesse feito mais nada na vida, decerto que já mereceria o seu lugar na história! Nesta altura do campeonato…a Funk, a Soul, o Reggae, o Rock, a Pop e o Jazz não eram meros lugares comuns ou simples linguagens musicais, eles eram “a magia” de Stevie Wonder!
Artista com contrato discográfico desde os 12 anos, “Little Stevie” (como era conhecido) era a par dos Jacksons uma das caras mais famosas da lendária casa da soul, a “Motown”. Cedo se destacou como um prodígio quer da interpretação, quer da composição. Mas ao inicio da década de 70, Stevie deixava de ser o “little” e apostou “crescer” em toda a plenitude. Renegociou o seu contrato com a Motown (algo inédito e ousado à época) e passou ter 100% controlo criativo.

Os resultados não se fizeram por esperar e em 1971 editou “Musico of My Mind”, um disco que não foi um sucesso comercial fora do então denominado “Black Album Charts”, mas que dava algumas primeiras pistas (brilhantes) do que viria a seguir. Cada vez mais ambicioso, editou no ano seguinte o clássico: “Talking Book”. Aliado a uma digressão (a fazer as primeiras partes) dos Rolling Stones fez com que Wonder conquistasse pela primeira vez o público Rock. O que equivale a dizer: os brancos!

Wonder não só quebrava as barreiras raciais (algo que Jimi Hendrix tinha tentado, mas nunca tinha conseguido), como acabava com o mito de que os grupos da Motown, ou “R n B” nunca conseguiriam sair do tradicional circuito da comunidade negra.

Foi neste ambiente favorável que começaram os trabalhos em “Innervisions”. Um disco que levaria ainda mais longe o nome de Stevie Wonder. Uma obra ainda mais equilibrada que a sua predecessora e que se escuta do principio ao fim: sem mácula! Vê-se que Mr. Wonder continuava em plena progressão pela sua “montanha musical”. Há aqui uma relevância no controlo e “masterização” dos sintetizadores (“Too High”) e uma refinação apurada do som de estúdio (“Visions”). Inovações tecnológicas que nem aos olhos dele escapavam…

Mas é no capítulo das letras onde se nota mais a mudança de Wonder. É aqui os seus primeiros trabalhos sobre os problemas sociais da vida quotidiana (“Jesus Children of America”), sobretudo da descriminação racial (a mini-ópera Funk, “Living for the City”). Neste rol de críticas há também um ataque satírico a Richard Nixon , com o excelente “He's Misstra Know-It-All”.

Mas não se julgue que “Innervisions” é eminentemente político. Há aqui grandes canções descomprometedoras como o Funk-Rock de “Higher Ground”; a balda soul de “Golden Lady” ou o quase latino “Don´t You Worry ´bout a Thing”.

Editado a 3 de Agosto de 73, o disco ficou selado por enorme sucesso comercial. Pena foi que passados três dias, Stevie Wonder tivesse envolvido num aparatoso desastre de automóvel que quase lhe ia ceifando a vida. Além de ter ficado em coma mais de 10 dias, o músico perdeu parte do sentido do olfacto e temporariamente o paladar. Nada que o demovesse na sua cruzada musical. Após alguns (penosos) meses de recuperação voltou aos palcos e aos estúdios. Esta é uma verdadeira saga de resistência e espírito de sacrifício. Com ele vale tudo: pela música!

21 julho 2010

T. Rex – Electric Warrior (1971)

Em 1971, nada podia correr mal para o mercúrio Marc Bolan. Com a saída deste “Electric Warrior”, os T-Rex eram considerados o maior grupo do Reino Unido, pelo menos no que tocava ao número de presenças no top de singles. Tudo graças às suas mini-sinfonias pop talhadas à medida de sonhos adolescentes imberbes e a imagem decadente, própria das estrelas do então denominado: “Glam Rock”!


Depois de alguns anos na sombra com os Tyrannosaurus Rex, (uma banda simpática que praticava um Folk Psicadélico razoável, mas que não ia a lado nenhum), Bolan fartou-se de “dar música” aos hippies em álbuns experimentais como “My People Were Fair and Had Sky in Their Hair... But Now They're Content to Wear Stars on Their Brows” ou “Prophets, Seers & Sages: The Angels of the Ages”, para se dedicar em pleno ao Rock n Roll.

Juntamente com o percussionista Mickey Finn, Bolan “electrificou” a banda, acrescentou-lhe uma secção rítmica (Steve Currie e Bill Legend), encurtou-lhe o nome e fez à “estrada”!

Graças ao single “Ride a White Swan”, editado em meados de 70, os T-Rex passaram de uma mera banda underground para “algo” do qual os Beatles andaram a fugir durante toda a sua existência: da histeria das massas!

Ao contrário dos Fab, os T-Rex estenderam os braços e receberam de “peito aberto”a sua nova amiga:“Fama”! Ainda sem a concorrência de Bowie (o fenómeno Ziggy ainda estava a um ano de distãncia), Bolan não tinha praticamente concorrência quando saiu “Electric Warrior”.

Produzido pelo reputado Tony Visconti (que mais tarde também iria desempenhar um papel na carreira de Bowie), “Warrior” é acima de tudo uma colecção de singles com algumas ideias eficazes á mistura. Dele fazem parte uma boa quota dos grandes sucessos de Bolan. Cá estão: a etérea balada “Cosmic Dancer”; o boogie-woogie de “Jeepster” e o inescapável “Get it On (Bang a Gong)”. Este último, o único sucesso que Bolan teve no lado de lá do Atlântico. Ainda hoje quando se fala nos T-Rex, os americanos têm mais ou menos este tipo de reacção: “T-Rex não conheço? ahhh é o tipo do Bang a Gong!”

Para mal dos pecados de Bolan e com a sua Inglaterra “demasiado pequena para os seus tacões”, os T-Rex nunca passaram da “cepa torta” no apetecível mercado do Tio Sam. Facto que contribuiu (em muito) para o desgaste rápido dos T-Rex, que em poucos anos viram a sua carreira e os êxitos deslizarem água abaixo.

iLex Caran D'Ache Playlist 21.07.10

Aqui ao lado deixo a inspiração para a playlist desta semana - esta maravilhosa caixa de lápis Caran D'Ache, que fez as minhas delícias nos bons velhos tempos de início de escolaridade. E como tenho a certeza de não ser o único a quem este objecto traz boas memórias, nada como juntar o útil ao agradável e dedicar uma das brincadeiras de juntar músicas que para aqui faço a esses tempos.
O processo foi simples - uma música de arranque e depois uma para cada um deste lápis, como que a abrir uma caixa nova e a experimentar os lápis um por um. Foi um processo complicado pois há cores com mais do que 3/4 músicas boas, mas esta foi a minha selecção neste momento. Hope you enjoy it!

Super Bock Super Rock Super Stress Super Pó

Este é um blogue de música e já lá vou ao que verdadeiramente interessou na edição deste ano do Super Bock Super Rock. No entanto, tudo o que se passou no Meco à parte da música foi mau de mais. Houve pessoas que demoraram duas horas e meia para percorrer os últimos 5 km até chegar ao recinto do festival e duas horas para sair. O local não tem as mínimas condições para receber um festival, que até nem teve tanta gente quanto isso (22 mil pessoas no primeiro dia, 24 mil no segundo e 30 mil no terceiro). Para além disso, a quantidade de poeira tornava o ar irrespirável. Querem que o Super Bock continue no Meco, mas não podemos permitir! É bonito e tem árvores? Quero lá saber! Meu querido Alive, onde vejo os concertos num antigo parque de estacionamento, mas que é um local com todas as condições e acessos para receber um festival...
Vamos à música! Esclarecendo que me foi obviamente impossível assistir a todos os concertos (muitos decorreram ao mesmo tempo) o meu preferido foi o dos Vampire Weekend. Indie-pop refrescante, mostrando que uma banda pode fazer grande música para massas. É natural que cada vez mais gente goste de Vampire Weekend e isso não tem mal nenhum. Os rapazes de Brooklin mostraram como se faz um grande concerto: simples, directo, comunicação q.b. com o público e energia contagiante.
Os Temper Trap já confessaram que um dia sonham ser tão conhecidos como os Coldplay ou os U2. E desta vaga de novas bandas parecem de facto ser dos mais aptos para se tornarem dos preferidos do público "mainstream". O vocalista enche o palco e têm sem dúvida grandes músicas. Também foi um grande concerto.
Numa sonoridade completamente diferente, mais dançável, os Cut Copy também arrasaram. Este foi de resto o festival dos australianos. The Temper Trap, Cut Copy e Empire of The Sun protagonizaram dos melhores concertos. Estes últimos montaram um espectáculo visual fantástico a fechar o festival, misturado com boa música.
Para mim, a grande desilusão do festival foi Julian Casablancas. Ao que parece por culpa de uma indisposição. Segundo nos informou o nosso amigo Dudu, que trabalhou no festival, o vocalista dos Strokes sentiu-se mal, o que levou ao atraso do concerto em 20 minutos, que depois não foi compensado. E apesar de não ter sido um mau concerto, para além de tempo faltou chama.
Quanto a Prince, a principal razão para muitas pessoas terem ido ao Meco, foi o que se esperou. Ele é um entertainer por excelência e mesmo que uma pessoa não seja apreciadora do seu som, acaba por passar um tempo agradável. Foi o que aconteceu.
Para o ano há mais Super Bock! Esperemos que noutro local...

20 julho 2010

Super Bock Super Rock em Fotos

Foi o melhor festival do ano. E não é preciso esperar pelos próximos para ter já a certeza.


19 julho 2010

Super Rock Super Bock 2010

Meco. São onze da manhã. Arranco para Lisboa. A meio do caminho da estrada que liga Alfarim ao cruzamento para Fernão Ferro, não posso deixar de reparar no esqueleto moribundo da” cidade SBSR” cujas estruturas se desmontam a passos largos; na quantidade de lixo acumulado no chão; no ar sujo dos carros; no ar cansado das pessoas que procuram um transporte que tarda em chegar. Apesar disso: tudo calmo. O bosque regressa à sua paz natural.

Um cenário bem diferente das horas precedentes em que uma multidão estimada em 50 mil pessoas (e seus respectivos automóveis) entupiram por completo toda a área que circundava o festival. Eu já vou há mais de 10 anos para o Meco e nunca tinha assistido a nada assim. O trânsito parava à porta de minha casa! Bem no centro da Aldeia! Eram oito e meia da noite.

Solução: ir a pé. 5 Quilómetros nunca antes vistos. Num cenário dantesco, (e a lembrar os melhores filmes de Hollywood sobre catástrofes) em que vi pessoas a abandonar os seus carros no meio da estrada para não perderem pitada do que se passava no recinto do festival. Não os censuro. Mas a Organização, (“A Musica no Coração”) terá de pensar melhor na questão dos transportes quando fizer o “SBSR 2011”. Uma entrada e uma saída, aliada á aflição da GNR (incapaz de sustentar o trânsito) deu num pavoroso caos em que cheguei a ouvir relatos de pessoas dizer que “nem sequer ouviram uma música de Prince” porque o carro simplesmente: não passava!

Mau de mais. Felizmente, o ambiente lá dentro foi melhor. Apesar da constante nuvem de pó (outra questão para o Sr. Montez pensar) que nos atormentava a respiração e a tosse (preta), pode-se dizer que as coisas lá iam andando. Os comes e bebes funcionavam, a venda de tabaco também, as casas de banho mais ou menos e uma enorme vontade de ver o “Sexy Motherfucker” estampada no rosto de todos que lá estavam. Já lá vamos…

Há hora que cheguei ao recinto (quase dez da noite) ainda deu tempo parta ver um pouco da actuação dos “The National”. Um concerto morno e que só deve ter aquecido quem gosta a sério dos autores de “Fake Empire”. De resto, o seu rock introspectivo não é para palcos desta envergadura.

Por isso fui espreitar actuação revivalista da norte-americana Sharon Jones e os seus “Dap Kings”. Um grande concerto que transportou o público para o Teatro Apollo, do Harlem dos anos 60! Com um alargado conjunto de músicos, (a fazer lembrar as ”big-bands” que acompanhavam James Brown ou Ray Charles) a enérgica Jones fartou-se de pular, dançar e sobretudo cantar como se fosse a junção das almas de Aretha Franklin e Tina Turner. “Let´s Get on the Soul Train”, gritava ela. Uma maravilha.

Finda a actuação de “Miss Jones”, foi hora de abastecer o estômago e esperar alguns minutos pela actuação dos australianos, “John Butlker Trio”. Mais um grande espectáculo em que esta banda exibiu que os Blues, Funk, combinados com algumas jams à mistura e um “look” surfista podem ser ingredientes q.b para por uma plateia a dançar. Foram apenas prejudicados pelo facto de actuarem quase á hora de um tal de Prince Rogers Nelson!

Foi um corre-corre até lá abaixo ao palco principal, onde já me esperava o famoso “Símbolo” do “Artista” que dava mote ao inicio do concerto. E sem mais demoras. Lá estava ele, “very funky indeed”, a esbracejar e a dançar como um James Brown e a solar na sua telecaster como um Jimi Hendrix. Um autêntico “showman”. Um mestre na arte de representar emoções através da música.

E apesar de ter novo disco em 2010 (“20Ten”), foi com os velhos êxitos que Prince soube cativar e dominar uma plateia encantada com os seus passos e trejeitos. Tocou de rajada os seus primeiros hits, “1999” e “Little Red Corvette”. Mostrou que a sua “versão” de “Nothing Compares 2U” é melhor que a de Sinnead O´Connor. Gritou por Portugal em “Kiss”. Exibiu os seus dotes de dançarino em “U Got the Look” e pôs o povo todo a cantar um fantástico “Cream…Get on Top”!

Antes de fechar com o épico “Purple Rain”, houve tempo ainda para se ouvir cantar o fado pela voz de Ana Moura que curiosamente não cantou um dueto com Prince, mas fez com que este por momentos assumisse um papel “secundário” de mero guitarrista de Alfama com apenas uma diferença: a guitarra eléctrica. Inesquecível. Uma “lição de mestre” de um artista que finalmente está em paz consigo próprio e com, o público. “Deste Prince”, já todos tínhamos saudades…

Acabado o concerto, instalou-se novamente o “caos” fora do recinto. Filas de trânsito dignas do filme “Woodstock” começaram a tomar forma. Foi um “ver se te avias” monumental. Sorte a minha que apanhei boleia com duas enfermeiras que iam para o Meco. Menos afortunadas ficaram as minhas roupas e a minha garganta: cheias de pó!

Adeus e até para o ano…

16 julho 2010

Red Hot Chili Peppers - One Hot Minute (1995)

Os Red Hot Chili Peppers são uma banda que me divide - por um lado ouço os primeiros álbuns e o registo funk/rap com uma certa veia punk é algo que soa original para a altura, fresco, diferente de tudo o que se ouvia então (talvez com algumas semelhanças com uns Beastie Boys) com especial destaque para Blood, Sex, Sugar, Magik. Depois pega-se nos mais recentes Californication, By The Way e Stadium Arcadium (este falo só conhecendo 1/2 músicas) e são outra coisa, são uma banda virada para aquela geração de 2ª da MTV (tenho uma teoria que há duas gerações MTV, uma que viveu a estação entre 1990-1994 e outras que a viveu entre 1994 e 2002 por aí, mas isso será tema para debater num post futuro) a disparar singles a torto e a direito, com grandes produções de videoclips e com músicas que se digeriam em três tempos. E depois no meio destas duas partes há um alien chamado One Hot Minute.
Penso serem por todos conhecidos os problemas de drogas que envolveram esta banda, desde a morte por overdose do seu primeiro guitarrista Hillel Slovak, à batalha constante de Kiedis e Frusciante com a heroína e cocaína. Pois bem, One Hot Minute foi concebido mesmo no epicentro de todo este furacão. Frusciante tinha abandonado a banda a meio de um tour no Japão e pairou a incerteza quanto ao futuro da mesma, uma vez que foi muito dificil contratarem um novo guitarrista. No final a escolha recaiu sobre Dave Navarro, ex-Jane's Addiction, com uma escola mais próxima do heavy metal, muito diferente do estilo e influências do restantes membros e foi factor crucial para a mudança radical que se operou no som da banda.
Esta diferença torna-se logo notória na música de abertura, "Warped", uma música hard rock que certamente apanhou os devotos fãs de Blood, Sugar, Sex, Magik desprevenidos e que a mim me fez sentir como se alguém me tivesse agarrado, atirado contra uma parede na sala e despejado toda a sua energia em cima de mim (talve ande a ver filmes a mais, bem sei...). De seguida "Aeroplane", música mais soft e com base funk, onde vem mais ao de cima o baixo de Flea, mas também está lá um solo heavy metal do Navarro intermitando com vozes de crianças a cantar. Entra "Deep Kick" e volta a energia ao máximo para logo a seguir quebrar com a calmia e escuridão de "My Friends". É muito nesta base que assenta este disco, num constante pára arranca, pára arranca que desnorteia quem o ouve. Este efeito é ainda mais acentuado nas duas músicas seguintes, "Coffee Shop" seguido de "Pea", música onde se ouve apenas baixo e voz de Flea. E depois sim, em "One Big Mob" e "Walkabout" se consegue ver, assim ao fundo, as influências mais funk no ritmo, e onde Kiedis está mais próximo do estilo rapper que o caracterizou nos anteriores álbuns. Para a entrada na recta final uma música que marcou a minha viagem de finalistas do 12º ano - "Tearjerker". Suspeito até que o meu CD esteja riscado nesta faixa, uma vez que foi ouvida e cantada em conjunto vezes sem conta, música que Kiedis escreveu sobre a morte de Kurt Cobain e a forma como influenciou toda a banda. Mais para o fim temos então rock ("One Hot Minute"), funk puro ("Falling Into Grace"), hard rock bastante próximo de heavy metal ("Shallow Be Thy Game") e uma excelente "Transcending" para fecho de cortina.
Escusado será dizer que o futuro dos Red Hot não passou por aqui, Navarro foi posto a andar em 1998 por "diferenças de criatividade" e de volta apareceu Frusciante, após descida aos infernos do vício e necessária recuperação. Este álbum foi a partir de então renegado pela banda e nenhuma música é tocada ao vivo nos seus concertos o que me parece injusto, dado que apesar de ter desvirtuado um pouco os desígnios e estilo assumido inicialmente, tem boas músicas que muito agradam aos fãs com veia mais rockeira como é o meu caso. E a modos que é isto.

15 julho 2010

Altamont recomenda: #4

Mais uma recomendação Altamont, desta feita "Stranded", música que serve de apresentação ao novo álbum dos The Walkmen, que será lançado no próximo mês de Setembro. Realce para o nome do álbum - Lisbon - que se deve ao facto de, segundo a própria banda, terem sido bastante influenciados pelas duas passagens pela nossa capital (Dezembro 2008 no Super Bock em Stock e Julho 2009 no Super Bock Super Rock) durante o processo de composição do novo álbum. A ouvir!

DEEP PURPLE: COLISEU DOS RECREIOS 14.07.2010

Longe vão os tempos em que os Deep Purple eram considerados a “banda mais barulhenta do mundo”! Um título de respeito e que metia medo a temíveis adversários como os Zeppelin ou os Sabbath (sagrada trindade do Hard-Rock). Hoje, passados mais de 40 anos dos míticos “In Rock”; “Machine Head“ ou “Made in Japan”, o grupo transformou-se numa simpática banda de “avozinhos” que tocam por prazer e que não têm ilusões quanto ao conceito de que este: não é definitivamente o seu tempo!


No entanto, isso não quer dizer que não continuem a ser uma grande banda, com um sentido apurado de espectáculo, capaz de atrair (sem qualquer tipo de publicidade ou ajuda dos media) milhares de pessoas que lotaram um Coliseu sedento dos “clássicos” de outrora.

E foi com uma “pontualidade britânica” (21.30), que os cinco veteranos se fizeram ao palco ao som do monstruoso “Highway Star”. A música, que (reza a lenda) foi composta em 1971 num autocarro a caminho de um concerto em Plymouth, cheio de jornalistas, que lhes perguntaram: “como é que vocês compõem uma canção?” Os Purple fizeram-lhes a vontade. Inventaram o tema na hora e estrearam-na no palco nessa mesma noite. Outros tempos…

De volta ao Coliseu, lá estavam eles. O baterista Ian Paice, sólido que nem pedra a imprimir o ritmo. O baixista Roger Glover, sempre com o seu ar Hippie e descontraído. O vocalista. Ian Gillan, envergando uns óculos escuros, cabelo curto e ar de turista inglês a passear em Albufeira. O “novo” recruta, Don Airey (que substituiu Jon Lord em 2002) e finalmente…o director musical, um dos melhores guitarristas do mundo, o homem que conduz com os pés só para poder tocar ainda mais velozmente, o rei da festa: Steve Morse!

Se Ritchie Blackmore já saiu há 17 anos e ninguém pede o bilhete de volta…alguma coisa se passa de “bem” no reino dos Purple! E lá está Morse a solar…ainda melhor que o próprio Blackmore em “Highway Star”.

Destaque também para voz de Gillan, que apesar de já não conseguir atingir muitas das oitavas (vulgo: agudos) que eram a sua trademark esteve sempre em boa forma. Depois “a marinha” seguiu ao som de “Things I Never Said”, uma faixa da edição especial de “Rapture of the Deep”, o último de estúdio (já lá vão 5 anos) e que a par com o tema homónimo desse disco foram os únicos toques de “modernidade” a navegar num “mar de clássicos”.

E lá apareceu o gigante “Strange Kind of Woman” (onde faltou apenas o duelo de “voz/guitarra” imortalizado em “Made in Japan”); o bluesy “Maybe I´m a Leo” (uma das surpresas da noite) e o rápido “Fireball”. Os Purple carregavam no acelerador e não deixavam “prisioneiros para trás”.

Depois lá apareceu o solo de Steve Morse (com numa peça comovente chamada “Contact Lost”: dedicada aos astronautas falecidos no último acidente espacial da nave Challenger em 2002) que antecedeu a entrada da balada “When a Blindman Cries”. Houve quem ainda gritasse por “Child in Time”, mas ainda não foi desta (nem nunca será) que Portugal foi brindado com o épico vocal de Gillan.

A partir daqui foi sempre a subir. Ainda tiveram tempo para sacar do baú, “Mary Long” de “Who Do We Think We Are” e “No One Came” (de “Fireball”). Depois foi um festim de memórias com os habituais “Lazy”, Space Truckin”e a música mais aguardada da noite, o riff que qualquer aspirante a tocar guitarra quer aprender, o imortal: “Smoke on the Water” (com direito a coros bem altos da multidão)!

Houve ainda pelo meio um solo de teclas de Don Airey, que simpaticamente conquistou os portugueses ao tocar o tradicional “Cheira bem, Cheira Lisboa”, antes de introduzir “Perfect Strangers”, a única canção dos anos 80 que os Purple ainda não se envergonham de tocar.

Cumpridas as expectativas, chegou a altura dos encores. Primeiro com “Speed King”, onde Airey e Morse protagonizaram uma troca impressionante de solos e Gilan aproveitou para cantar pelo meio algumas canções de Elvis e Ray Charles. Depois com”Hush”, o primeiro êxito dos Deep Purple, já lá vão 42 anos. E a finalizar (com mais um brilhante coro da assistência), “Black Night”, escrita há quatro décadas atrás depois de uma noite de bebedeira em que a editora (EMI) depois de escutar os resultados das sessões de “In Rock”lhes perguntou: “onde está o single?” Outros tempos…

Os Purple são definitivamente doutra era. Mas, a vontade e a “arte de saber bem tocar” continuam lá e sobrepõem-se a qualquer preconceito que possamos ter pelo facto de estes senhores terem idade para serem nossos “avós”. Tomara a muitas bandas novas chegar a uma alquimia deste calibre. Razão mais que suficiente para os reverenciarmos como uma das bandas míticas, ainda em actividade, com vontade de ir até onde as forças permitirem.

Ou como disse Gillan numa entrevista há uns anos quando lhe perguntavam se considerava os Deep Purple uma banda de “Rock Clássico: “Claro que não! A diferença entre nós e as bandas da nossa altura é que a nossa história ainda está longe de estar concluída!”

(8/10)

Altamont recomenda: #3

Hoje deixamos aqui os Depreciation Guild, com o tema "Dream About Me", do seu segundo álbum, Spirit Youth. A arquivar num estilo, acho que se encaixaria em dream pop (whatever that means...).

Enjoy!

13 julho 2010

iLex Disease Playlist 13.07.2010

Uns dias atrasada, mas não falha - aqui fica a nova playlist Altamont. Tema - Doenças. Não gostam de falar ou ouvir falar sobre doenças? Não ouçam.

12 julho 2010

Sting – Symphonicities (2010)

Depois da aventura que foi a lucrativa tournée dos Police, mas com resultados musicais muito abaixo das expectativas, Sting voltou-se para o caminho da música clássica com contornos Pop. Primeiro foi com o excelente disco de alaúde “Songs from the Labyryth”, depois com o Natalício “If on a Winter´s Night”, que injustamente passou ao lado da maioria do público e agora com este “Symphonicities”. Uma obra em jeito de “best-of”, com uma orquestra de fundo (a Royal Philharmonic Concert Orchestra) a qual ajuda o autor de “Message in a Bottle” a transformar alguns dos seus temas “de sempre” em peças de cariz mais clássico.
No fundo “Symphincities” (título que é uma espécie de antónimo da “Synchonicity” dos Police) faz aquilo que o ao vivo e maioritariamente unplugged “All This Time” fez há dez anos: trocar as voltas às músicas e vesti-las com novas roupagens. Só que desta vez as roupas que Sting trouxe para enfeitar os velhos êxitos como “Roxanne” ou “Englishman in New York” são muito mais refinadas e subtilmente sofisticadas.

Conduzida na maioria dos temas por Rob Mathes, a Royal Phillarmonic dá aqui um ar da sua graça na gestão do cruzamento das sensibilidades clássicas com as melodias mais Rock. O prémio de melhor arranjo vai mesmo o Punk travestido de opereta em: “Next to You”.

Mas aqui nem tudo são virtuosidades. “Every Little Thing She Does is Magic” perde um bocado do seu carácter e acaba por soar a banda-sonora de segunda linha de um filme da Disney. E “When We Dance” soa demasiado colado à versão original o que torna a sua audição completamente dispensável.

Podia ser um disco melhor, se Sting tivesse experimentado dar outro tipo vida a temas como “I Burn for You” ou a ”She´s too Good for Me”. Talvez devesse ter puxado mais pela sua veia de crooner (como no bem conseguido “You Will Be Ain True Love”), ou então partir para caminhos menos óbvios como demonstra o aborrecido easy-listening de “The End of the Game”.

Quem o ouve no início do disco, parecia que Sting estava com vontade de arriscar tal como Peter Gabriel o fez no similar e recente “Scratch My back”. Mas não adianta comparar “o trigo com o joio”. Com Sting já se sabe que é tudo muito certinho, sem azo a grandes riscos ou saltos musicais. Ainda por cima com a reforma quase à porta, nem vale a pena arriscar...

09 julho 2010

Reportagem Festival Optimus Alive 2010: 8 Julho




O “Optimus Alive”é como se fosse um gigantesco “I-Pod”. È só meter lá música e depois cada um escolhe o que quiser. A única diferença é que em vez de darmos ao dedo, damos às pernas, saltitando de palco em palco, de tenda em tenda, chegando ao final do evento completamente esgotados.
Quando os Faith No More encerraram às 2 e 20 da manhã as actividades do palco principal, estavam no recinto perto de 40 mil pessoas. Não esgotou, mas esteve perto. Um dia que ficou marcado pelo sucesso astronómico do evento (talvez “o melhor cartaz de 2010” como dizia nos outdoors) e que só conheceu um único problema chamado: pulseira dos três dias.

Eram 19 e 30, quando aterrei no planeta “Alive” e afila para trocar os bilhetes de 3 dias por uma pulseira eram gigantescas. Um ambiente de cortar dada a morosidade que obrigou a que organização deixasse entrar as pessoas à mesma, sem a pulseira, apenas com o bilhete intacto e com a promessa de deixar o assunto para amanhã (hoje). Fora isso, correu tudo: “melhor que a encomenda”!

Comecei a sessão de “música aleatória” (ou “shuffle” como se diz na gíria do I-Pod) por ir espreitar no palco secundário a actuação de Devendra Banhart. E digo mesmo “espreitar” pois as actuações do palco secundário estava a abarrotar de gente. Só era possível ouvir o autor de “Cripple Crow”, vê-lo nem por isso. Um mar de cabeças e calor humano demasiado grande para um espaço reduzido da tenda “Spuer Bock”. Atrevo-me mesmo a dizer que acho que houve pessoas que nem sequer saíram daqui para não perder as actuações de “Florence and the Machine”, “The XX” ou Calvin Harris. Um festival (indie) à parte, bem longe do ambiente mais “rock” do palco principal.

Neste ultimo, às 19 e 50, hora a que os metaleiros Moonspell subiram ao palco…ainda era possível respirar. Pena foi para a banda de Fernando Ribeiro que o Sol ainda brilhasse lá no alto. Ver um concerto de uma banda desta “caveira”…desculpem “craveira”, ainda à luz do dia é como ver um grande filme de terror à hora de almoço e sem o som da tv ligado. Embora os Moonspell sejam óptimos profissionais e se tenham esforçado, as guitarradas pesadas, a voz vampiresca de Ribeiro e a participação especial da vocalista dos “The Gahthering” não foram suficientes para dar a volta a um concerto que acabou prejudicado: não só pela fraca afluência de público, como pelo facto de estarem desenquadrados do resto do cartaz. Se Dio (homenageado no tema “Alma Mater”) não tivesse falecido e os “Heaven and Hell” tivessem tocado, talvez outro galo cantaria.

O que “cantou” mesmo bem foi umas óptimas bifanas feitas de carne de porco à alentejana, baptizadas com o nome de “Porcas”! Uma refeição bem aconchegante, para andar mais um quilómetro e ir novamente ao “Palco Super Bock” para ver “Florence and the Machine”. Mais uma vez bati com o”nariz na porta”. Tudo cheio até à ponta dos cabelos. Nada como dar meia volta, agarrar numa cerveja e ir ver um dos nomes sonantes da noite: Alice in Chains!

Um excelente concerto, que agarrou o público não só pela interpretação dos temas” clássicos”, como deu a conhecer a muito boa gente o mais recente disco “Black Gives Way to Blue”. Um regresso á forma dos tempos áureos do Grunge, muito explicada pela entrada do novo vocalista William Duvall que canta exactamente (ou parecido) com o falecido Layne Stanley. Por isso não foi difícil agradar, num concerto cheio de boas ”malhas”em que muito boa gente recordou os tempos em que usava as camisas de flanela à pescador.

Acabaram em alta ao som do inapagável “Rooster” que certamente abriu o apetite pós -concerto, pois as filas para os comes & bebes aumentaram exponencialmente após o fim dos Alice in Chains. Meia hora (de bifanas) depois entravam em palco os Kasabian. Grupo britânico que segundo li na Blitz e cito: “banda ideal para que os fãs de Faith No More não esgotem as pilhas antes do momento capital”. O que é bem verdade porque o que os Kasabian fizeram foi um concerto super-morno. Nem quente, nem frio, que só agradou a quem os conhece obra a dentro. Para mim, passaram-me completamente ao lado, tal como o vento frio que agora soprava sobre Algés. Ainda fui lá atrás (mais uma vez) tentar ver alguma coisa dos introspectivos “The XX”, mas desisti de uma vez por todas. Paciência, também não era por eles que estava lá.

À meia-noite e meia a minha razão (e a de milhares) de existência chamava-se: “Faith No More”! Um grande concerto da banda de São Francisco que só não encheu mais o olho porque faltou “We Care a Lot”. De resto foi sublime. Mike Patton continua um agitador de massas, mas desta feita um look menos punk e com um ar de “galã” saído de uma telenovela brasileira passada nos anos 30. Sempre a comunicar com o público em português (abrasileirado) e onde não faltou o humor e o sarcasmo inerentes à sua personalidade: única.

Depois de tocarem os êxitos quase todos (para delírio da multidão) resta agora aos Faith No More aventurarem-se pelo estúdio. Mas como Patton é o homem dos “mil um projectos” sobra pouco tempo para que os autores de “Angel Dust” consigam ter uma carreira a 100%.

Quanto a mim, são duas e meia da manhã, acabei de escutar as últimas notas de o “Caralho Voador”. Já não sinto a voz, os joelhos, nem as pernas, nem os tornozelos, nem nada. A voz está rouca de tanto cantar. È o longo e penoso regresso a casa. Acabou-se o “Alive” para mim. Mas foi sem dúvida: o melhor de todos os que fui! Muito bom.

08 julho 2010

Faith No More: O Regresso dos Renegados


Quando passarem 30 minutos da meia-noite, espera-se que a banda liderada por Mike Patton tome as rédeas do palco do Festval “Optimus Alive” e dê a Portugal mais um daqueles espectáculos digno de memória!
Integrada na “Second Coming Tour”, esta vai ser a segunda paragem por terras lusas (depois de terem actuado no Sudeste do ano passado) de um grupo com quase 30 anos de história e que goza entre nós de uma reputação mítica.

A primeira vez que os vi não foi ao vivo mas na RTP quando esta estação transmitiu em meados de 1991 algumas das actuações no Rock in Rio desse ano. Só deram dois temas – “We Care a Lot” e “Epic” (uma das melhores malhas Rock dos nineties) – mas foi o suficiente para ficar “convencido” do valor deste som que parecia uma amálgama de vários estilos que iam desde o Metal ao Rap.

Mas a revelação veio com o disco seguinte – “Angel Dust” – para mim o melhor trabalho e o mais equilibrado do grupo. Quem viveu a adolescência no inicio dos anos 90 e gostava de música (a sério) era inescapável ao poder de canções como “A Small Victory” ou “Midlife Crisis”. E depois havia sempre aquela balada para convencer as raparigas – “Easy” – e dançar um slow nas festas de garagem!

Mas passando do capitulo dos telediscos para o plano ao vivo lembro-me perfeitamente daquela tarde de Julho de 1992 em que ao abrirem para uns muito disfuncionais Guns n Roses, o vocalista pediu em alto e bom “portunhol”: Quiero Tierra”. Consequentemente 40 mil pessoas deram-lhe “tierra”, iniciando uma autêntica e enorme batalha campal do pobre e desflorado relvado de Alvalade. Simplesmente: memorável.

Passado um ano vou até aos lados do Campo Pequeno, onde além de ter presenciado e sentido uma das melhores sessões de “mosh” (continuas) tive o prazer único de dar um real valente pontapé no rabiosque de um “Punk chunga” (sem que ele desse por isso…senão era eu que morria!) que andava por lá a importunar algumas (das poucas) senhoras presentes na arena. Ah…esses é que eram os tempos…

Depois vieram outros gostos, outros grupos, outras fases musicais e perdi um pouco o rasto aos Faith no More. Depois de “Angel Dust” não mais ouvi um álbum deles com atenção. E injustamente da minha parte. O último de originais – “The Album of the Year” – tem canções brilhantes como “LAst Cup of Sorrow”; “Ashes to Ashes” ou “Stripsearch”. Só que na altura em que eles se separaram (em 1998) eu simplesmente não estava virado para aí.

No entanto, já mais “maduro” (para não dizer “velho”) comprei o “Greatest Hits” e só aí é que fiquei fã desta última fase (1995-1998), já com Jon Hudson nas guitarras a substituir o actual cultivador de abóboras: Jim Martin! “King for a DaY” foi o primeiro álbum sem ele e foi uma grande revolução no som da banda. Longe ficavam as guitarradas mais heavy metal evinha agora um novo som mais virado para o Punk (“The Gentle Art of Making Enemies”) e esteticamente mais refinado com algumas incursões pela electrónica, o funk ou jazz (“Evidence”). Aos poucos Patton já preparava novos caminhos sónicos (com os “Mr. Bungle” ou os “Phantomas”) e desenhava-se uma separação no horizonte.

Agora 17 anos depois do último concerto e com um sentido apurado de nostalgia (estou mesmo “maduro”) volto a reencontrá-los. Estamos todos realmente mais “maduros”…mas independentemente de qualquer resultado, os Faith No More já conseguiram pôr-me (outra vez) viciado nas canções deles. As grandes bandas são assim…tem este eterno poder de nos conquistar, por muito que se mudem os gostos ou as vontades!

Entretanto não sei se o que é feito do tal “Punk_Chunga” que ficou com o rabo a arder. Será que ficou para sempre “chunga”? Será que virou betinho? Será que já cortou o cabelo e fez a barba? O mais provável é hoje em dia ser um “Sr.Dr. armado Punk Chunga”. Mas se estiver por lá…ele que se cuide no meio do mosh!

06 julho 2010

Rush - Beyond the Lighted Stage [DVD] (2010)


No panteão das grandes bandas, os canadianos Rush sempre foram uns outsiders. A imprensa ou a comunidade musical nunca se esquece de reverenciar o papel dos Beatles, dos Stones, dos Zeppelin, dos Metallica ou dos Nirvana na história do Rock. Mas com este power-trio formado por Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart a coisa nunca foi assim. O que no fundo é uma tremenda injustiça.
Talvez por serem demasiado” heavy”. Talvez por serem demasiado “prog”. O que é facto é que ao longo de mais de 40 anos de palco, os Rush venderam perto de 40 milhões de discos, tiveram 24 discos de ouro, 14 de Platina e as suas digressões continuam a esgotar como um simples estalar de dedos. Então: porquê são considerados à margem da indústria?

È o que explica o recém “rockumentary” – “Beyond the Lighted Stage”, um trabalho de respeito e consideração assinado pela dupla de fãs Sam Dunn e Scott McFayden (a mesma responsável pelo filme “Flight 666” com os Iron Maiden). Um trabalho tecnicamente perfeito, não só pela recuperação das imagens de arquivo (muitas delas nunca exibidas e julgadas perdidas pela própria banda), como pela construção da narrativa.

Há muitas maneiras de contar histórias, mas a dos Rush merece ser narrada. Não só por eles como pelo uso de uma parafernália de convidados que explicam porque é que esta banda merece estar no tal “panteão” das bandas” imortais”. Aqui aparecem contemporâneos como Gene Simmons dos Kiss (sempre igual a si próprio, convencido que é o melhor do mundo mas que no meio de tanto sarcasmo lá consegue dizer que os Rush são quase tão bons como os KIss); Keik Hammett dos Metallica (que aprendeu guitarra a ouvir as canções do Rush); Mike Portnoy dos Dream Theater (talvez a banda mais influenciada pelos Rush, porque afinal de contas a história do Prog-Metal começa com “2112 e não com “Images and Words”); Trent Reznor dos NIN (um fã imprevisível); Billy Corgan dos Smahing Pumpkins (que certamente foi buscar ao imaginário fértil de Neil Peart muita da inspiração para a escrita de letra de canções) e outros “obcecados” como Les Claypool; Vinnie Paul (Pantera) ou o actor Jack Black.

Todo o documentário é uma boa razão para celebrarmos o poder da música dos Rush (segundo Geddy Lee…”a maior banda de culto de sempre”) e porque é que ela é tão importante na história do Rock n Roll. Está certamente na altura de os críticos e toda a indústria “acordarem” e dar um prémio de carreira aos “rapazes”. Por isso este filme vem mesmo em boa hora…

PS: Já agora deixo aqui um repto bem grande a todas as promotoras de concertos deste País para que tragam os Rush a Portugal. Ao fim de 40 anos de espera…já merecíamos ver uma banda assim.

Altamont recomenda: #2

A música que vos trago de seguida é mais um bom som para os dias quentes que nos assolam. Apesar de só este mês de Julho conhecer a luz do dia o seu primeiro álbum, os Best Coast já aí andam a fazer furor em alguns escaparates mais atentos, através de lançamentos de 7 polegadas e 3 EP's. O som com traços de lo-fi e surf rock chegou até a granjear adeptos famosos entre os quais Thurston Moore, pelo que é chegada a hora de aqui ser referenciado. Aqui vos deixo "When I'm With You", 1º single do álbum Crazy for You, a ser lançado no próximo dia 27. Quem quiser dar um salto a Paredes de Coura poderá conhecê-los ao vivo e a cores!

Enjoy!

05 julho 2010

Agenda de Julho

Ai Verão que chegaste com tanto calor e tanto festival! Finalmente um dos meses mais aguardados do ano está aqui com os dois melhores festivais do ano, o Optimus Alive! e o Super Bock Super Rock. Seis dias, três para cada; dois fins de semana seguidos e tanta oferta que nem vai dar para ver tudo! Desde os "grandes" Pearl Jam, Faith No More, LCD Soundsystem, Gogol Bordello, Kasabian, Julian Casablancas, Vampire Weekend e até Prince ou Pet Shop Boys, aos mais "indies" Devendra Banhart, The xx, The Drums, Florence & the Machine, Gossip, Cut Copy, Patrick Watson, Grizzly Bear... E ainda não está aqui metade! Os festivais portugueses estão de parabéns! Pelo menos, este dois. Mas até o Marés Vivas tem Ben Harper, Editors, Goldfrapp, dEUS e outros. E no final do mês o mítico Paredes de Coura com Prodigy, Klaxons, Specials, White Lies, Dandy Warhols, Enter Shikari.. Enfim, em tempos de crise as promotoras destes eventos não facilitaram a nossa vida. Palavras para quê, venham daí esses festivais, estamos mais que preparados!

Agenda:

6. Rise Against - Coliseu, Lx
8. Festival Alive! - Passeio Marítimo de ALgés, Lx
9. Festival Alive! - Passeio Marítimo de ALgés, Lx
10. Festival Alive! - Passeio Marítimo de ALgés, Lx
10. B Fachada - Taetro Lethes, Faro
12. Tiken Jah Fakoly & Terrakota - Casa da Música, Porto
13. Norah Jones - CoolJazzFest, Cascais
15. Festival Marés Vivas - Gaia
16. Festival Marés Vivas - Gaia
16. Princa Wadada - Music Box, Lx
16. Festival Super Bock Super Rock - Meco
17. Festival Marés Vivas - Gaia
17. Festival Super Bock Super Rock - Meco
18. Festival Super Bock Super Rock - Meco
18. Gotan Project - Jardim de Oeiras
20. Deolinda - CoolJazzFest, Mafra
22. Roxy Music - Jardim de Oeiras
23. Blood Red Shoes - CC Vila Flor, Guimarães
24. Corinne Bailey Rae - CoolJazzFest, Cascais
24. Foge Foge Bandido - Teatro Helena Sá e Costa, Porto
27. Mark Knoffler - Campo Pequeno, Lx
27. Tricky - Casa da Música, Porto
28. Elvis Costello & The Sugarcanes - CoolJazzFest, Cascais
28. Festival Paredes de Coura
29. Festival Paredes de Coura
30. Festival Paredes de Coura
31. Festival Paredes de Coura

Altamont recomenda: #1

Esta música já é de 2008, mas vá-se lá saber porquê, só há pouco tempo foi apanhada pelo meu radar. E não, não é referência a tê-la ouvido na rádio que se dá por esse nome, foi mesmo benção de ter o shazam à mão enquanto o Owen Pallett preparava o palco para o seu concerto. Agradou-me, fui buscar e agora que aparecem na Blogotheque parece-me uma boa oportunidade para partilhar. Os Land of Talk são uma banda canadiana, de Montreal (daí o Owen Pallett os trazer na bagagem), e já estão de momento prestes a lançar o seu segundo álbum, que deverá sair no próximo mês de Agosto. Aqui fica "Some Are Lakes", música do álbum com o mesmo nome, de 2008.

Enjoy!

02 julho 2010

iLex Zoo Playlist 02.07.2010

Para esta semana reuni músicas que vários artistas dedicaram a animais e criei a banda sonora perfeita para um passeio pelo Jardim Zoológico. Abaixo da playlist grooveshark ficou o epílogo da mesma, música que não estava disponível no mesmo formato, mas achei que merecia aqui estar.

Enjoy!



01 julho 2010

Sempre Relacionado

Aqui vos deixo em primeira mão o novo vídeo dos Pearl Jam, para o single "Amongst the Waves", 3º single do álbum Backspacer.

Enjoy!