A equipa Altamont esteve representada a 50% no último dia da 20ª edição do festival de Paredes de Coura, o suficiente para fazer aqui uma espécie de reportagem desse dia.
Como o Francisco escreveu abaixo, quase toda a gente que estava no festival, naquele dia 17, estava para ver os Ornatos Violeta.
Ao contrário do que o Francisco escreveu abaixo, eu coloco os Ornatos no pedestal. Da música portuguesa, e da música mundial.
Este concerto em Paredes de Coura foi mítico - por ser o primeiro em 10 anos, e porque juntou 2 gerações - os que os tinham visto ao vivo antes de acabarem, e os que tinham 10 anos quando eles acabaram, e só recentemente descobriram e se apaixonaram por Ornatos Violeta. E a banda respondeu com amor, ao amor que recebeu da plateia.
"Tantas emoções", disse o vocalista a certa altura.
Sem dúvida!!
(um click na foto para reportagem completa)
(outro click na foto de baixo, para as fotos dos outros concertos)
Além dos Ornatos, os The Go! Team foram a outra banda que fez este vosso escriba percorrer 1000 kms em 2 dias, para ir a Paredes de Coura.
Este foi o 3º concerto deles em Portugal, e o 3º a que assisti.
E pela 3ª vez, fiquei deslumbrado com o que vi, ouvi e senti. Descargas de energia contínuas, música após música.
Quanto aos Capitão Fausto, já se escreveu aqui sobre eles, e sobre serem uma grande promessa da música nacional. Este Verão passaram por 2 grandes festivais, estão a tocar cada vez mais ao vivo e a crescer cada vez mais, e confirmam cada vez mais o estatuto de próxima grande cena.
Passou no comboio da semana passada a 20ª edição do Festival Paredes de Coura. Dos 5 dias de festival estive presente no último, uma estreia absoluta neste festival minhoto, e no qual subiram ao palco principal (e por ordem de aparição) os Ladrões do Tempo, Capitão Fausto, The Go! Team, Dead Combo e Ornatos Violeta. Passaram ainda pelo palco secundário os God is an Astronaut, Best Youth, Memoryhouse, Youthless e ainda, em formato after-hours os Chromatics e Sunta Templeton.
Tenho de começar então pelo mais esperado: o regresso dos Ornatos Violeta. Não vos sei explicar porquê, porque em boa verdade não sei, mas em 1997 e 1999, anos em que saíram os 2 únicos álbuns desta banda, os Ornatos passaram-me ao lado. Claro que ouvi e conheci mas, na altura, não lhes liguei nenhuma. E assim continuei nestes 13 anos seguintes e assim cheguei a Paredes de Coura, no dia em que regressam aos palcos para gaúdio da sua legião de fãs. E no caso dos Ornatos, é legião mesmo, daquelas vestidas com armaduras, capacetes, lanças, arcos e flechas!
Dizer que não se gosta de Ornatos é proibitivo, por isso não o vou dizer, mas arrisco dizer que colocá-los num pedestal sem igual na nossa história musical é exagero. Eu, pelo menos, não o conseguirei fazer. Seja como for, bem vindos de volta, que sejam capazes de provar que este regresso é para manter e não para sobreviver mais uma dezena de anos.
Quanto ao restante cartaz tenho de destacar The Go! Team. Estes ingleses deram um excelente concerto mas, sem qualquer culpa, foi muito mal aproveitado! Estando uma plateia inteira à espera de Ornatos, com vontade também de aplaudir Dead Combo, quem estava lá por The Go! Team? Estranho cartaz.
Dos Dead Combo pouco (ou)vi e dos Ladrões do Tempo ainda menos. A chegada fez-se ao som dos Capitão Fausto. E dos Capitão Fausto há que pensar numa coisa: e se fossem eles a lançar 2 álbuns há 12 anos? Sim, claro, não dá para comparar, mas uma coisa para mim é certa: estes miúdos têm muito talento, são bons compositores e bons executantes. Tenham esse dom a acompanhá-los e escreverão história na música portuguesa!
Última palavra para Sunta Templeton que mais parecia uma Altamont Session! Naturalmente muito bom o set!
E com isto estamos a dois passos de começar este primeiro festival. E, no meu caso, como disse o Alex, também lá estaria não fosse o Primavera estrear-se em solo nacional, mais por daqui a uns meses. Porque de facto está aqui um cartaz bem interessante! Para além da lusophonia toda falada pelo Du, e para além de Twin Shadow, St. Vincent, Foals em formato DJ e Josh Rouse, temos ainda nomes como Hanni El Khatib, Cass McCombs, Fink ou Russian Red.
Começo por destacar Hanni El Khatib, um norte-americano de ascendência palestino-filipina, e que foi presença constante nas listas de melhores álbuns do ano (2011) com o seu "Will The Guns Come Out". Excelente primeiro registo a não perder e concerto que promete.
Cass McCombs por sua vez, regressa mais uma vez a Portugal. Vem apresentar o seu último disco "Humor Risk", também de 2011. Já tem um curriculum extenso, desde 2002 já editou 7 álbuns, e promete criar um ambiente muito acolhedor no Teatro Sá da Bandeira.
No mesmo tipo de registo temos Fink, nome de código para Fin Greenall, um inglês que anda nestas lides desde um pouco antes do ano 2000 e que já conta com 5 álbuns. Virá mostrar o seu último intitulado "Perfect Darkness" no Ateneu Comercial do Porto.
Por fim destaco a espanhola Lourdes Hernandez, que se apresenta como Russian Red. Vem dar a conhecer-se ao público português com dois discos na manga. O último da sua ainda muito curta carreira intitula-se "Fuerteventura", mas não se deixem enganar pois canta em inglês. Para escutar tranquilamente.
Última nota para os já falados Josh Rouse, Twin Shadow e St.Vincent: é tentar não perder qualquer um deles. Mas apesar do festival chamar-se Mexe, se puderem mexam-se quase só para dançar porque estar sempre a ir de um lado para o outro pode resultar em não se ver nada.
Começo o meu artigo por me pronunciar sobre o nome que atribuíram a este festival que nos obriga a andar sempre de um lado para o outro - não gosto. Percebo que com a mudança de patrocinador o nome teria de ser forçosamente outro, mas sinceramente, acho que poderiam ter arranjado algo melhor. Mexefest não me soa bem, o que hei-de fazer? Agora não sei se por forma a compensar isso mesmo ou não, o que é facto é que o novo patrocinador apostou em dar uma nova vida a este festival urbano, chamando mais bandas e fazendo a extensão à cidade do Porto. Apostando em boas e novas bandas nacionais (como o Du bem demonstrou no post abaixo), bem conjugadas com nomes estrangeiros já consolidados, casos de Josh Rouse, St. Vincent, Twin Shadow (que estará para comprar casa em Portugal, de tantas vezes que cá vem). Não fosse o facto de haver este ano um Primavera Sound e teria pensado em dar um salto à Invicta para este Mexefest, pelos motivos que acima referi, boa oportunidade para ver as bandas portuguesas, dar uma real oportunidade a St. Vincent que tenho o álbum novo por ouvir, ver o que fazem os Foals em formato dj set. Mas especialmente para rever o meu querido Rouse, Josh Rouse. A espalhar a sua love vibration.
Depois da edição esgotada em Lisboa, o Mexefest sobe ao Porto.
Este festival é o que há em Portugal de mais parecido com o South By Southwest, e ainda bem que este ano também vai ao Porto (o festival, com outro nome, já existe em Lisboa desde 2008). Em mais de 10 salas, há concertos sucessivos, durante 2 dias e neste artigo apresento 13 razões para ir ao Mexefest. São 13 bandas ou artistas portugueses, que merecem a pena ser vistos e ouvidos.
À cabeça, temos os Supernada - mais uma das bandas do prolífero Manel Cruz dos Ornatos Violeta. Os Supernada existem desde 2002, mas só agora vão editar o primeiro álbum. O concerto no Mexefest é um dos primeiros em muito tempo, e já devem ser apresentadas as versões finais das músicas que vão entrar no disco "Nada É Possível", a lançar em Março. Valia a pena ir ao Porto só para ver este concerto, até porque é na cidade natal da banda, e nestes casos, os músicos dão sempre o melhor de si.
De Lisboa para a Invicta, viajam os Capitão Fausto - outro dos principais destaques do Mexefest. Já aqui se falou deles e se disse que ao vivo são fantásticos, e cada concerto é uma festa, e para quem nunca ouviu, ao vivo é (ainda) melhor do que em disco.
Neste festival, há várias bandas do norte do país (óptimo sinal de vitalidade e criatividade), e há 2 nomes de Barcelos que devem ser fixados - Glockenwise e Alto! Os primeiros são rapazes novos, na casa dos 20 anos, e esta é a sua primeira banda a sério. Os segundos também só têm um disco, que sai em breve, mas a banda é formada por gente que veio dos Black Bombaim e Green Machine. De Barcelos chega-nos então rock verdadeiro, com roupa de ganga a sério.
Também lá de cima, do Porto, são os Best Youth - uma das novas sensações da pop rock electrónica cantada por uma miúda de voz sensual. Muita curiosidade para ver como tocam ao vivo as canções do disco de estreia. Vão ser alvo de um artigo nestas páginas muito em breve.
Além destes destques, a armada lusa que vai ao Mexefest inclui ainda outras bandas que merecem ser vistas - desde os Ladrões do Tempo, a nova banda de Zé Pedro dos Xutos, aos Lacraus - a banda mais antiga da Flor Caveira. Os virtuosos também têm espaço no festival - o guitarrista Norberto Lobo, que tem um disco ainda fresco, e que foi dos melhores feitos em Portugal em 2011; e o pianista Tiago Sousa, também com disco editado no ano passado.
David Pires, dos Pontos Negros, e Diego Armés, dos Feromona, deixam de lado o rock das suas bandas, e apresentam-se agora cada um a solo, no formato intimista da guitarra acústica.
Se fosse só pelo contingente português, já valia a pena ir ao Mexefest no Porto.
Após uma primeira edição em dezembro passado, pela Av. da Liberdade afora, o Vodafone MexeFest apresenta-se na Invicta nos próximos dias 2 e 3 de Março. Marcam-se já os lugares no Coliseu, no cinema Passos Manuel, no Maus Hábitos, no mítcio Café Majestic, entre muitos outros locais para ver um óptimo cartaz, onde constam nomes como Twin Shadow, Cass McCombs, St. Vincent ou Hanni El Khatib.
O pontapé de saída será dado então no dia 2, pelos portugueses Capitão Fausto, no Café Guarany, pelas 18h20 e só pelas 6h00 do dia 3 é que termina a festa do primeiro dia. Muitas horas com mais de 40 artistas, bandas ou projectos.
O cartaz é este:
Dia 2
Coliseu: Niki & The Dove; St. Vincent
Garagem Vodafone FM: Capitão Fausto; King Krule
Cinema Passos Manuel: Norberto Lobo; Salto
Maus Hábitos: Best Youth; Emika
Café Majestic: Tiago Sousa
Fnac Sta. Catarina: Alto!
Ateneu Comercial do Porto: Dani Black; Russian Red
Teatro Sá da Bandeira: Cass McCombs; Supernada
Café Guarany: Capitão Fausto
Pitch Club: André Cascais; Makam
Pitch Club (bar): Rui Murka; Tiger & Woods; Social Disco Club
Pitch Club (basement): 1ª Linha Soundsystem
Dia 3
Coliseu: The Do; Twin Shadow
Garagem Vodafone FM: The Glockenwise; Hanni El Khatib
Cinema Passos Manuel: Dillon; Ladrões do Tempo
Maus Hábitos: Lacraus; Foals (dj set)
Café Majestic: Elisa Rodrigues com Júlio Resende
Fnac Sta. Catarina: David Pires; Diego Armés; The Underdos
Ateneu Comercial do Porto: Norton; Fink
Teatro Sá da Bandeira: Josh Rouse; Muchachito e el Trio Infierno
Café Guarany: Lacraus
Pitch Club: Freshkitos
Pitch Club (bar): Rui Trintaeum; Peak & Swift
Pitch Club (basement): Nuno Forte; Beat Bombers
A organização do primeiro Optimus Primavera Sound a decorrer em solo português anunciou há momentos, em conferência de imprensa, mais nomes para o Festival. O cartaz estará praticamente fechado e recorde-se, decorrerá no Parque da Cidade, no Porto, nos dias 7, 8, 9 e 10 de Junho.
De realçar que este é um verdadeiro festival alternativo, mesmo tendo em conta a importância que Bjork representa, não é um nome que fique à margem do resto do festival, ao contrário do que acontece no Alive ou, por vezes, no Super Bock Super Rock. Temos então aqui alguns nomes fortes, tanto antigos, caso da já referida Bjork mas também de Codeine, Flaming Lips, Lee Ranaldo, Rufus Wainwright, Spiritualized ou Yo La Tengo, como mais recentes como Beach House, Black Lips, Walkmen, Wilco ou The xx.
Destaco também uma banda que pouco diz à maioria das pessoas mas a qual o Altamont tem grande estima e que já aqui foi referida, The Olivia Tremor Control.
Estando o cartaz já praticamente fechado, parece-nos que poderá ser o grande festival de verão deste ano.
Até ao momento o alinhamento é o seguinte (e por ordem alfabética):
Afghan Whigs; Atlas Sound; Baxter Dury; Beach House; Bigott; Björk; The Black Lips; Codeine; Death Cab For Cutie; Death Grips; Demdike Stare; Dirty Three; The Drums; Erol Alkan; Esperit!; Explosions in the Sky; The Flaming Lips; Forest Swords; Gala Drop; I Break Horses; James Ferraro and the Bodyguard; Jeff Magun (Neutral Milk Hotel); John Talabot (LIVE); Lee Ranaldo; Mujeres; Neon Indian; Numbers Showcase; The Olivia Tremor Control; Other Lives; The Rapture; Rufus Wainwright; St. Etienne; Shellac; Siskiyou; Sleepy Sun; Spiritualized; Tall Firs; Tennis; Thee Oh See; Veronica Falls; The Walkmen; The War on Drugs; Washed Out; Wavves; We Trust; Wilco; Wolves in the Throne Room; The xx; Yann Tiersen; Yo La Tengo
Já são conhecidos os primeiros nomes para o 18º festival SBSR a decorrer na Herdade do Cabeço da Flauta nos dias 5, 6 e 7 de Julho. Num festival que se espera melhor organizado do que o último, os nomes já vão deixando alguma água na boca, embora se espere nomes mais sonantes. Ora os primeiros convidados são: Peter Doherty, The Horrors, Battles, Little Dragon e Apparat. O preço dos bilhetes esse mantém-se: o bilhete diário custará €45 e o passe de 3 dias (campismo incluído desde o dia 4 de Julho) ficará nos €80. Esperamos então um festival com nomes ao nível dos últimos mas com uma organização bastante melhorada...
E pronto. Voltei ao festival Sudoeste, cinco anos depois da última vez que tinha posto o pé em solo festivaleiro alentejano e digo-vos que a experiência foi um todo nada negativa. Primeiro, o tempo que cá estive. Se em 2005 pude ficar durante o festival todo, desta vez só pude estar verdadeiramente durante o primeiro dia, já que no segundo tive que abandonar o recinto durante o concerto de Jamiroquai devido a compromissos profissionais que não este blog.
Não há como negar. O Sudoeste é o festival que tem mais procura. Ano após ano milhares de pessoas programam as suas férias para irem 4 ou 5 dias a este festival perto da Zambujeira do Mar, no entanto quantidade não significa qualidade e, em relação ao sudoeste a quantidade é inversamente proporcional à qualidade. Sendo assim e comparando os festivais de 2005 e 2010 em relação a bandas e a ambiente, o que salta à vista é a constante perda de qualidade em relação aos nomes e, sobretudo, ao alinhamento das bandas por dias e por ordem. Senão vejamos:
O cartaz em 2005 tinha estes nomes: Orquestra Imperial, Oasis, Kasabian, Da Weasel, LCD Soundsystem, Hot Chip, Maximo Park, Devendra Banhart, The Thrills, Donavon Frankenreiter, Humanos, Ben Harper, Underworld, Fatboy Slim, Josh Rouse, Peaches, Athlete, Doves, Dinosaur Jr., entre outros nomes mais vistosos mas com menos qualidade como Korn ou Basement Jaxx.
O cartaz de 2010 apenas continha estes nomes de qualidade: The Very Best, The Flaming Lips, M.I.A., Lykke Li, Jamiroquai, Diabo na Cruz, Friendly Fires, Beirut, Peixe:Avião, Mike Patton's Mondo Cane, Air e Massive Attack.
Outro fenómeno que aconteceu na última década na Zambujeira do Mar. Mais de metade de quem vem para este festival não vem pela música mas sim pelos 4 ou 5 dias de suposta festa. Ora essa festa parece ser para os garotos, ou seja, uma espécie de benesse por parte dos seus pais, que muitas vezes até os acompanham. A média de idades deve ser bastante inferior a 22 anos e isso diz muita coisa. Ora, se pouca gente está preocupada com os nomes, até porque o palco Positive Vibes está sempre cheio e ninguém se apercebe quando muda a banda, basta ter uma bandeira da Jamaica e mandar uns beats e está tudo bem, então este festival pode deixar de chamar aquelas 3 ou 4 bandas muito boas pelas quais uma pessoa que realmente gosta de música não quer deixar perder e isso é o que me faz ainda querer, infelizmente, vir a este festival. São bandas desenquadradas deste espírito e que, se soubessem para onde vinham não aceitariam vir.
Pondo aqui os pontos nos is em relação a este festival resta agora fazer a crónica destes dois dias.
Dia 5:
O primeiro dia oficial do Sudoeste (o dia anterior é um dia pré-festival com o nome de recepção ao campista apenas com DJ's) era o dia dos q eu podia assistir que mais me interessava. Primeira desilusão do dia. The Very Best e Flaming Lips tocam quase à mesma hora. Com tanta má banda no cartaz e tinham que fazer isto. Decidi ver Very Best até ao fim e depois correr para Flaming Lips. Não me arrependi. O concerto de Very Best deverá, provavelmente, ter sido um dos pontos altos, não só do palco secundário, como de todo o Sudoeste. Um DJ inglês, um vocalista do Malawi e outro da África do Sul, acompanhados de duas dançarinas também elas inglesas, puseram o público a dançar e a saltar non stop durante cerca de uma hora. O ponto alto surgiu, claro está, na música "Warm Heart of Africa", quando os músicos chamaram ao palco uma dúzia de miúdas para dançar, algumas delas a fazerem as delícias da plateia masculina.
Findo o concerto, ainda vibravam os beats africanos nos meus ouvidos, porém era tempo de ir para pastagens mais étereas e surreais com os acordes dos Flaming Lips. A fazer lembrar um Jim Morrison poeta e arruaceiro, Wayne Coyne, líder da banda de Oklahoma, formada em 1983, tentou pegar pelo público (C'mon, C'mon, C'mon motherfuckers foi repetido até à exaustão) mas aquele sítio não era o indicado para mentes tão pouco receptíveis a este tipo de som. Ao bom estilo dos Pink Floyd, os Lips dão concertos-espectáculo interligando sons, imagens, luzes e adereços criando uma atmosfera muito própria. Mereciam outro sítio em Portugal, certamente.
Em seguida M.I.A., feita mitra, veio dar um concerto cheio de batidas. Foi apenas bom. Algumas músicas dançáveis, outras mais sofríveis. Divertiu-se e fez divertir. Groove Armada fechou a noite no palco principal dando a imagem de que uma banda pode criar bons sons de dança de uma forma orgânica e não apenas com um Apple à frente. O primeiro dia estava acabado, restava apenas a tenda de dança com o Dj Rui Vargas mas isso já não era o meu campeonato. Venha a praia do dia seguinte para acalmar os músculos.
Dia 6: Após um belo dia na praia do Malhão, em Mil fontes, vinha a dúvida, ficar umas horas para ver Lykke Li ou voltar para Lisboa. Fiz a decisão, aparentemente, errada mas valeu a pena pelo grande concerto dado pela musa sueca. Entrando mais tarde no recinto, coisa que não gosto de fazer mas que, motivado pelo cartaz tão fraco, era mandatório, deparo-me com James Morrison no palco principal, alguém que há uns anos pensei vir a ser um bom músico. Puro engano, é apenas mais um menino bonito com alguns temas meio orelhudos. Não acrescenta nada de novo. Passou como entrou, despercebido. No palco secundário estavam os portugueses Nu Soul Family que puseram muita gente a pular. Virgul e seus pares são competentes e com bons ritmos, quase tudo orgânico, seja de louvar. Seguiu-se a bonita e sensual Lykke Li no seu vestidinho preto. Com uma parafernália de instrumentos, a banda sueca deu mostras de bom rock, dançavel na maior parte do tempo, incluindo ainda músicas novas. Outro dos momentos altos deste festival, certamente.
Infelizmente não dava para mais, a volta para Lisboa seria longa e cansativa e Jamiroquai teria que ficar para outras núpcias. Prometia ser um bom concerto para fim de noite, bem regado com umas cervejinhas. Os Orelha Negra certamente também deverão ter finalizado bem a noite neste segundo dia da Herdade da Casa Branca.
Foi este o Sudoeste para mim este ano, com muita, mas muita pena de não ser possível assistir ao concerto de Beirut, mas penso que será um concerto completamente desajustado do sítio onde será realizado. Esperemos por mais concertos do Sr. Zach Condon em Portugal.
Meco. São onze da manhã. Arranco para Lisboa. A meio do caminho da estrada que liga Alfarim ao cruzamento para Fernão Ferro, não posso deixar de reparar no esqueleto moribundo da” cidade SBSR” cujas estruturas se desmontam a passos largos; na quantidade de lixo acumulado no chão; no ar sujo dos carros; no ar cansado das pessoas que procuram um transporte que tarda em chegar. Apesar disso: tudo calmo. O bosque regressa à sua paz natural.
Um cenário bem diferente das horas precedentes em que uma multidão estimada em 50 mil pessoas (e seus respectivos automóveis) entupiram por completo toda a área que circundava o festival. Eu já vou há mais de 10 anos para o Meco e nunca tinha assistido a nada assim. O trânsito parava à porta de minha casa! Bem no centro da Aldeia! Eram oito e meia da noite.
Solução: ir a pé. 5 Quilómetros nunca antes vistos. Num cenário dantesco, (e a lembrar os melhores filmes de Hollywood sobre catástrofes) em que vi pessoas a abandonar os seus carros no meio da estrada para não perderem pitada do que se passava no recinto do festival. Não os censuro. Mas a Organização, (“A Musica no Coração”) terá de pensar melhor na questão dos transportes quando fizer o “SBSR 2011”. Uma entrada e uma saída, aliada á aflição da GNR (incapaz de sustentar o trânsito) deu num pavoroso caos em que cheguei a ouvir relatos de pessoas dizer que “nem sequer ouviram uma música de Prince” porque o carro simplesmente: não passava!
Mau de mais. Felizmente, o ambiente lá dentro foi melhor. Apesar da constante nuvem de pó (outra questão para o Sr. Montez pensar) que nos atormentava a respiração e a tosse (preta), pode-se dizer que as coisas lá iam andando. Os comes e bebes funcionavam, a venda de tabaco também, as casas de banho mais ou menos e uma enorme vontade de ver o “Sexy Motherfucker” estampada no rosto de todos que lá estavam. Já lá vamos…
Há hora que cheguei ao recinto (quase dez da noite) ainda deu tempo parta ver um pouco da actuação dos “The National”. Um concerto morno e que só deve ter aquecido quem gosta a sério dos autores de “Fake Empire”. De resto, o seu rock introspectivo não é para palcos desta envergadura.
Por isso fui espreitar actuação revivalista da norte-americana Sharon Jones e os seus “Dap Kings”. Um grande concerto que transportou o público para o Teatro Apollo, do Harlem dos anos 60! Com um alargado conjunto de músicos, (a fazer lembrar as ”big-bands” que acompanhavam James Brown ou Ray Charles) a enérgica Jones fartou-se de pular, dançar e sobretudo cantar como se fosse a junção das almas de Aretha Franklin e Tina Turner. “Let´s Get on the Soul Train”, gritava ela. Uma maravilha.
Finda a actuação de “Miss Jones”, foi hora de abastecer o estômago e esperar alguns minutos pela actuação dos australianos, “John Butlker Trio”. Mais um grande espectáculo em que esta banda exibiu que os Blues, Funk, combinados com algumas jams à mistura e um “look” surfista podem ser ingredientes q.b para por uma plateia a dançar. Foram apenas prejudicados pelo facto de actuarem quase á hora de um tal de Prince Rogers Nelson!
Foi um corre-corre até lá abaixo ao palco principal, onde já me esperava o famoso “Símbolo” do “Artista” que dava mote ao inicio do concerto. E sem mais demoras. Lá estava ele, “very funky indeed”, a esbracejar e a dançar como um James Brown e a solar na sua telecaster como um Jimi Hendrix. Um autêntico “showman”. Um mestre na arte de representar emoções através da música.
E apesar de ter novo disco em 2010 (“20Ten”), foi com os velhos êxitos que Prince soube cativar e dominar uma plateia encantada com os seus passos e trejeitos. Tocou de rajada os seus primeiros hits, “1999” e “Little Red Corvette”. Mostrou que a sua “versão” de “Nothing Compares 2U” é melhor que a de Sinnead O´Connor. Gritou por Portugal em “Kiss”. Exibiu os seus dotes de dançarino em “U Got the Look” e pôs o povo todo a cantar um fantástico “Cream…Get on Top”!
Antes de fechar com o épico “Purple Rain”, houve tempo ainda para se ouvir cantar o fado pela voz de Ana Moura que curiosamente não cantou um dueto com Prince, mas fez com que este por momentos assumisse um papel “secundário” de mero guitarrista de Alfama com apenas uma diferença: a guitarra eléctrica. Inesquecível. Uma “lição de mestre” de um artista que finalmente está em paz consigo próprio e com, o público. “Deste Prince”, já todos tínhamos saudades…
Acabado o concerto, instalou-se novamente o “caos” fora do recinto. Filas de trânsito dignas do filme “Woodstock” começaram a tomar forma. Foi um “ver se te avias” monumental. Sorte a minha que apanhei boleia com duas enfermeiras que iam para o Meco. Menos afortunadas ficaram as minhas roupas e a minha garganta: cheias de pó!
O “Optimus Alive”é como se fosse um gigantesco “I-Pod”. È só meter lá música e depois cada um escolhe o que quiser. A única diferença é que em vez de darmos ao dedo, damos às pernas, saltitando de palco em palco, de tenda em tenda, chegando ao final do evento completamente esgotados.
Quando os Faith No More encerraram às 2 e 20 da manhã as actividades do palco principal, estavam no recinto perto de 40 mil pessoas. Não esgotou, mas esteve perto. Um dia que ficou marcado pelo sucesso astronómico do evento (talvez “o melhor cartaz de 2010” como dizia nos outdoors) e que só conheceu um único problema chamado: pulseira dos três dias.
Eram 19 e 30, quando aterrei no planeta “Alive” e afila para trocar os bilhetes de 3 dias por uma pulseira eram gigantescas. Um ambiente de cortar dada a morosidade que obrigou a que organização deixasse entrar as pessoas à mesma, sem a pulseira, apenas com o bilhete intacto e com a promessa de deixar o assunto para amanhã (hoje). Fora isso, correu tudo: “melhor que a encomenda”!
Comecei a sessão de “música aleatória” (ou “shuffle” como se diz na gíria do I-Pod) por ir espreitar no palco secundário a actuação de Devendra Banhart. E digo mesmo “espreitar” pois as actuações do palco secundário estava a abarrotar de gente. Só era possível ouvir o autor de “Cripple Crow”, vê-lo nem por isso. Um mar de cabeças e calor humano demasiado grande para um espaço reduzido da tenda “Spuer Bock”. Atrevo-me mesmo a dizer que acho que houve pessoas que nem sequer saíram daqui para não perder as actuações de “Florence and the Machine”, “The XX” ou Calvin Harris. Um festival (indie) à parte, bem longe do ambiente mais “rock” do palco principal.
Neste ultimo, às 19 e 50, hora a que os metaleiros Moonspell subiram ao palco…ainda era possível respirar. Pena foi para a banda de Fernando Ribeiro que o Sol ainda brilhasse lá no alto. Ver um concerto de uma banda desta “caveira”…desculpem “craveira”, ainda à luz do dia é como ver um grande filme de terror à hora de almoço e sem o som da tv ligado. Embora os Moonspell sejam óptimos profissionais e se tenham esforçado, as guitarradas pesadas, a voz vampiresca de Ribeiro e a participação especial da vocalista dos “The Gahthering” não foram suficientes para dar a volta a um concerto que acabou prejudicado: não só pela fraca afluência de público, como pelo facto de estarem desenquadrados do resto do cartaz. Se Dio (homenageado no tema “Alma Mater”) não tivesse falecido e os “Heaven and Hell” tivessem tocado, talvez outro galo cantaria.
O que “cantou” mesmo bem foi umas óptimas bifanas feitas de carne de porco à alentejana, baptizadas com o nome de “Porcas”! Uma refeição bem aconchegante, para andar mais um quilómetro e ir novamente ao “Palco Super Bock” para ver “Florence and the Machine”. Mais uma vez bati com o”nariz na porta”. Tudo cheio até à ponta dos cabelos. Nada como dar meia volta, agarrar numa cerveja e ir ver um dos nomes sonantes da noite: Alice in Chains!
Um excelente concerto, que agarrou o público não só pela interpretação dos temas” clássicos”, como deu a conhecer a muito boa gente o mais recente disco “Black Gives Way to Blue”. Um regresso á forma dos tempos áureos do Grunge, muito explicada pela entrada do novo vocalista William Duvall que canta exactamente (ou parecido) com o falecido Layne Stanley. Por isso não foi difícil agradar, num concerto cheio de boas ”malhas”em que muito boa gente recordou os tempos em que usava as camisas de flanela à pescador.
Acabaram em alta ao som do inapagável “Rooster” que certamente abriu o apetite pós -concerto, pois as filas para os comes & bebes aumentaram exponencialmente após o fim dos Alice in Chains. Meia hora (de bifanas) depois entravam em palco os Kasabian. Grupo britânico que segundo li na Blitz e cito: “banda ideal para que os fãs de Faith No More não esgotem as pilhas antes do momento capital”. O que é bem verdade porque o que os Kasabian fizeram foi um concerto super-morno. Nem quente, nem frio, que só agradou a quem os conhece obra a dentro. Para mim, passaram-me completamente ao lado, tal como o vento frio que agora soprava sobre Algés. Ainda fui lá atrás (mais uma vez) tentar ver alguma coisa dos introspectivos “The XX”, mas desisti de uma vez por todas. Paciência, também não era por eles que estava lá.
À meia-noite e meia a minha razão (e a de milhares) de existência chamava-se: “Faith No More”! Um grande concerto da banda de São Francisco que só não encheu mais o olho porque faltou “We Care a Lot”. De resto foi sublime. Mike Patton continua um agitador de massas, mas desta feita um look menos punk e com um ar de “galã” saído de uma telenovela brasileira passada nos anos 30. Sempre a comunicar com o público em português (abrasileirado) e onde não faltou o humor e o sarcasmo inerentes à sua personalidade: única.
Depois de tocarem os êxitos quase todos (para delírio da multidão) resta agora aos Faith No More aventurarem-se pelo estúdio. Mas como Patton é o homem dos “mil um projectos” sobra pouco tempo para que os autores de “Angel Dust” consigam ter uma carreira a 100%.
Quanto a mim, são duas e meia da manhã, acabei de escutar as últimas notas de o “Caralho Voador”. Já não sinto a voz, os joelhos, nem as pernas, nem os tornozelos, nem nada. A voz está rouca de tanto cantar. È o longo e penoso regresso a casa. Acabou-se o “Alive” para mim. Mas foi sem dúvida: o melhor de todos os que fui! Muito bom.
A Ilha de Wight fica situada no sul de Inglaterra, tem cerca de 380 km2 e a forma de um diamante. É aqui que se realiza agora, anualmente, um dos míticos festivais da Europa.
A sua primeira edição decorreu no ano de 1968. Cerca de 10.000 pessoas assistiram a um único dia de Festival, em que os cabeças de cartaz foram os Jefferson Airplane, antecedidos de Arthur Brown, The Move, Tyrannosaurus Rex, Plastic Penny e dos Pretty Things. No ano seguinte, a organização do Festival foi mais arrojada. Primeiro, alargou o evento para 2 dias e convidou para actuar Bob Dylan, naquele que foi o primeiro concerto após um acidente de mota, numa altura em que muitos duvidavam do regresso de Dylan aos palcos, The Who, que na altura apresentavam no set o seu espectáculo intitulado Tommy, Joe Cocker, The Moody Blues, entre outros. Numa edição mais preparada, estiveram presentes cerca de 150.000 pessoas entre as quais John Lennon e Yoko Ono, Ringo Starr, George Harrison, Keith Richards, Syd Barrett ou Eric Clapton.
Mas ao terceiro ano, em 1970, o festival explodiu com uma audiência impressionante de cerca de 600.000 espectadores (e há quem diga que tenha mesmo chegado às 800.000 pessoas). Este sucesso deveu-se sobretudo a Jimi Hendrix. Não só pelo músico que era, como pelo que representava, como também pelos artistas que facilmente atraiu a aceitarem tocar no Isle of Wight, tais como os Chicago, The Doors, The Who, Joan Baez ou os Free, que não pensaram duas vezes em tocar ao lado do mítico Hendrix. E acabou mesmo por ser o último concerto que Hendrix deu. Contudo 600.000 pessoas num Festival a decorrer numa ilha que tinha apenas 100.000 habitantes não podia correr às mil maravilhas. A Ilha de Wight era conhecida como destino chique de férias e uma invasão de 600 mil hippies não foi bem vista e o Festival deixou de se realizar até 2002.
Aqui venho apresentar o meu manifesto sobre a situação em que se encontra a indústria de organização de concertos no nosso país. Acho que é um assunto onde claramente podemos inquirir: "Não há quem ponha mão nisto?"
Para começo de conversa, parece que estamos perante uma situação de oligopólio, no qual duas majors, Everything is New e Música no Coração, dominam o mercado a seu bel prazer, tirando alguns eventos mais apontados a nichos de mercado (Paredes Coura sendo o mais representativo) e tirando o supermercado aos fins de semana que se denomina de Rock in Rio. Aonde é que isto nos leva - a uma guerra entre as tais majors, que se mais não fazem do que preocupar-se única e exclusivamente em roubar público à outra, que tem como consequência a repetição até à exaustão de concertos por estas bandas. Evidence A - os concertos de xx e La Roux nos festivais e em nome próprio separados apenas por 2/3 meses. E o público que deseja concertos diferentes, novas bandas? "Que se lixem esses, eles não sabem o que querem, nós, a Nobreza da organização dos concertos em Portugal é que sabemos!" Pois bem, sinto poder falar em nome próprio e tenho a dizer o seguinte - Não brinquem comigo! O que eu quero é inovação, novidade e bandas de música a sério.
Senhores do Super Bock - The National já cá vieram 4 vezes nos últimos 3 anos. Cut Copy já cá vieram, John Butler Trio e Temper Trap idem. Palma's Gang? Nem vou comentar...
Senhores do Optimus - Faith No More vieram cá o ano passado. Gossip agora é todos os anos? Gogol Bordello ainda há 2 anos. LCD Soundsystem e Pearl Jam maravilha, mas mesmo assim, cromos repetidos. Kasabian - repetidos.
Olhar para estes cartazes faz mesmo lembrar aquele sentimento de criança de abrir as carteirinhas dos cromos e serem todos repetidos, uma tristeza. Onde andam os Foals, os Fanfarlo, os Spoon, os Pavement reunidos, os Fleet Foxes, os Japandroids, os Girls, os Them Crooked Vultures, os Broken Social Scene (já cá vieram mas há muitos anos e em Coura, só podia), os Noah & The Whale, os Ra Ra Riot, os Black Kids, os Delta Spirit, o Bon Iver, o Beirut, os Akron Family, os Dinosaur Jr.?
Sou eu que estou mal, admito. Ao reler este post é a conclusão a que chego. No fundo não quero que estas bandas venham cá em festivais, que se lixem os festivais, quero concertos em nome próprio em locais amistosos como Aula Magna e Coliseu. Será que há espaço para uma produtora de concertos independente em Portugal, que me veja como um nicho de mercado e faça os concertos que eu quero, onde eu quero?