"Turn the Radio Off" é o segundo álbum da já longa carreira dos Reel Big Fish e é um dos meus álbuns de estimação.
Oriundos da California, terra do sol, surf e muito bom ska, os Reel Big Fish lançaram este segundo longa-duração em 1996, pela Mojo Records. O primeiro single "Sell Out" é a música mais conhecida desta banda, culpa talvez de fazer parte da banda sonora do jogo Fifa 2000, tendo inclusivamente levado a banda a compor uma outra canção, como desabafo, chamada "One Hit Wonderful" (do álbum "We're not happy 'till Your'e not happy" que fala do descontentamento pelos fãs ignoraram outras músicas da banda.
Mas o álbum, como bom disco que se preze, está cheio de boas músicas e não é de facto apenas "Sell Out" que vale a pena ouvir. Pelos Reel Big Fish, actualmente com 6 elementos, já passaram outros 15 músicos e são um dos bons nomes do ska.
Parece que os Smashing Pumpkins andam para aí a dar concertos. Parece inclusivé que passaram por Portugal e deram um duplo concerto no Campo Pequeno em Dezembro e este ano vêm outra vez à Feira Popular da Belavista. Pudera, se o público português é o melhor para o qual ele já tocou!
Parece que os Smashing Pumpkins andam para aí a fazer álbuns e vai sair um novo já em Junho.
Agora às perguntas:
os Smashing Pumpkins não tinham acabado em 2000? Tinham.
Então esta é uma daquelas reuniões que se fazem passados não sei quantos anos e quando a conta bancária precisa de um achego? Não.
Passemos a explicar então, que isto tudo tem uma explicação muito simples - o nosso amigo Billy Corgan é uma pessoa muito necessitada, precisa de amor e carinho. Após o fim da banda, montou uma nova banda de nome Zwan, mas ninguém lhe ligou. Depois lançou um álbum em nome próprio (TheFutureEmbrace (2005)), mas, outra vez, ninguém lhe ligou. Foi então que anunciou ao mundo que os Smashing Pumpkins estavam de volta, mas com um pequeno pormenor, ninguém da banda original a não ser ele próprio e o baterista Jimmy Chamberlin. Assim lançou um álbum em 2007 (Zeitgeist). Depois correu com o Chamberlin e agora está aí outro álbum na calha. Billy, what the fuck? Isto não é Smashing Pumpkins, és tu e uns gajos que aposto terão zero intervenção no processo criativo. Move on! Fica com a memória do que foram os Smashing Pumpkins, quando há quase 20 anos fizeram este Siamese Dream. Eu sei que foste praticamente tu sozinho que o fizeste, o Jimmy estava sempre drogado e desaparecia durante dias, o James e a D'Arcy andavam às turras e não faziam o que tu querias, e foste tu com o Butch que fizeram noitadas a regravar, a meter faixa em cima de faixa, mas eram os Smashing Pumpkins. Tudo isto eram os Smashing Pumpkins e é isto que merece ser recordado, e não estas tretas que andas para aí a fazer agora. Que nem sei se são boas ou más porque pura e simplesmente não ouvi, não dá meu. Foi bom enquanto durou. Especialmente este pico de densidade, dramaturgia, desespero, neurose, agonia, raiva, rock, shoegaze que está nestas 13 músicas abaixo e que de vez em quando apanho num shuffle. E sabe sempre bem.
Os The Go! Team caíram-me no goto deste o primeiro instante. Mais do que este "Thunder, Lightning, Strike" ser um álbum de estimação, posso dizer que a própria banda é de estimação.
Apesar de considerar que as letras duma canção são muito importantes e de haver certas bandas (ou certos compositores) que são absolutos prodígios na composição dessas mesmas letras, sempre tive uma queda pela parte instrumental, ouvir uma música em repeat massivo e dedicar-me a cada instrumento de cada vez. Pois os The Go! Team têm esta capacidade, de me prender em repetição intensa pois o que não falta é a diversidade instrumental que utilizam. Admito que numa primeira audição se possa considerar uma miscelânea de barulho, mas ouvir atentamente esta banda é compensador.
"Thunder, Lightning, Strike" foi editado nesse belo ano de 2004. Desde então que me tem acompanhado com muita frequência. A sonoridade é de facto algo diferente do habitual, há quem veja os The Go! Team como compositores de bandas sonoras para bandas desenhadas, mas "Ladyflash", "Bottle Rocket" ou "Huddle Formation" (ou todas as outras) são canções com grande power.
No meio da música alternativa, do indie, do grunge, do rock e outros géneros musicais que para aí andam, há um que sempre me cativou pela sua energia e boa onda: o Ska. Este género acaba por ser uma mistura de Punk com Reggae, como se metêssemos umas cristas e uns casacos de cabedal mais umas rastas numa 1, 2, 3 e temos o Ska. Isto para falar do álbum de estimação que vos transmito, porque, na verdade, a origem do Ska é bem diferente (vem da Jamaica e começou por ser uma fusão da música das caraíbas com o Jazz Americano e os Blues - fica para outras núpcias).
Mas para os Mad Caddies é isso, meio Punk-Rock meio Reggae acelerado, o chamado third-wave ska. E este "Quality Soft Core", de 1997, demonstra isso mesmo: uma incursão pelas guitarras distorcidas neste género, em vez dos ritmos mais suaves dos Blues. E com bastante intervenção da trompete.
"Quality Soft Core" é então o primeiro longa duração desta banda norte-americana que passa por Portugal praticamente anualmente. É composto por 13 canções, todas elas com grande ritmo e que a única coisa que não dão é vontade de ficar parado. Recomendo "No Se", uma das minhas preferidas.
Começo por dizer-vos que este disco está há apenas pouco tempo na minha própria categoria de discos de estimação. Confesso que até há bem pouco tempo não conhecia o sujeito em questão nem tão pouco o filme que originou esta banda sonora. Mas tudo tem um princípio e este surge com a dica de um amigo, Toix da Silva de seu nome, fotógrafo de profissão, exilado em terras de ultra-mar mas que nunca descurou o bom gosto ao longo dos anos.
Foi-me, então, recomendado o visionamento de "um dos filmes mais marados que já vi na vida". "Tem uma banda sonora do caraças, parece-me que é dos Emerson, Lake and Palmer e é com o tipo do Laranja Mecânica". Bastou-me estas poucas palavras para me comprar.
De difícil achamento em lojas da especialidade, fui pelas vias menos legais e consegui tê-lo em minha posse. Visualizei-o há cerca de dois meses e posso dizer que é daqueles filmes que ainda hoje em dia faz a diferença. Um espécie de peça teatral surreal, intervalada aqui e ali com intervenções de sessões de estúdio de Alan Price como se fosse dele dependesse toda a verdade absoluta do mundo.
Ora e quem é este Alan Price? Bem, a sua carreira começou como teclista dos Animals, mas cedo abandonou essa ocupação e atirou-se numa carreira a solo, passando sempre meio despercebido até ter sido o mentor desta banda sonora. São apenas 25 minutos distribuídos por 10 músicas onde o piano e/ou orgão são a força dominante e cada uma, individualmente, relata as peripécias do nosso heroí, Malcom Mcdowell, antigo compinska, aqui um vendedor ambulante de café. Um tipo super motivado em ser o melhor vendedor de sempre, passando por provas verdadeiramente e literalmente surreais. Um filme que hoje em dia, provavelmente, não teria saído da mesa de rascunho dada a sua complexidade e absurdo.
Para (re)descobrir, tanto o filme como a banda sonora. Por ora, podem começar com a última. Boa viagem...
PS: Toix, a banda sonora não era dos Emerson, Lake and Palmer como podes constatar mas, em tua defesa, fica a informação que a dita banda progressiva também tem uma música com esse nome.
Os The Wannadies, ou para quem prefira, os Wannadies, nasceram no longínquo ano de 1988, mas para mim (como, penso, para a maioria) apareceram nas nossas vidas com o filme "Romeu & Julieta", aquele com o DiCaprio e a Claire Danes, cheio de tiros e modernices para a altura. Nesse filme (re-)apresentam a "You & Me Song", que na altura me (nos) ficou no ouvido e me levou a procurar um pouco mais. Foi aí que comprei o álbum "Bagsy Me", de 1997, ano em que re-lançaram a tal "You & Me Song". E se esta música ficava nos ouvidos às custas de alguma... fofinhice, o álbum "Bagsy Me" ficou-me na memória como um excelente grupo de canções, bem compostas e bem alinhavadas. Desde logo, uma das minhas músicas preferidas de todo o disco "Hit", uma das músicas que me começou a educar musicalmente (sim, porque até mais ou menos aí ainda andava meio perdido com álbuns e bandas a puxar para o duvidoso). Mas também "Because", "Someone Somewhere" ou "Shorty" me deliciaram repetidamente.
Para quem lhe passou ao lado, "Bagsy Me" é um disco muito bom, editado no meio de uma era dominada pelo grunge e talvez pouco reconhecido por ter estado à sombra da tal canção do Romeu e da Julieta, mas vale a pena ouvir muitas vezes. Do princípio ao fim.
Depois de um Fresquinho português e um Recomenda português só podia vir um Estimação português para completar o ramalhete. Mas um Estimação português é uma tarefa mais complicada para mim, que, apesar de ter passado a maior parte da minha vida em Portugal, não fui educado tendo a cultura portuguesa como base (e não me peçam mais explicações que este espaço não é para eu andar a contar a minha vida). Música portuguesa lá em casa quase nem vê-la ou ouvi-la. O meu ouvido não foi habituado a ouvir cantar em português e assim não é de estranhar que tenha elegido um álbum de uma banda portuguesa que canta em inglês (e sobre este assunto daria para uma discussão alargada de várias horas mas não aqui, não é o local nem o momento ainda para mais tendo em conta que a minha idade não permite discussões sem um copo de vinho na mão).
Vamos lá então aos Blind Zero, com aquele sentimento de nostalgia dos tempos do secundário, cabelo comprido, a Herculano de Carvalho, paixões arrebatadoras dia sim dia não, o 25A para o trajecto casa-escola, escola-casa, e o Trigger no discman do Tiago a acompanhar (nesta altura discman não era para todos e eu apenas tinha o meu velhinho walkman). Parece que foi ontem e afinal já lá vão 16 anos. Numa altura em que o grunge apresentava já sinais de estar a quebrar, os Blind Zero mais não fizeram do que mostrar que era possível uma banda portuguesa lançar-se nessa sonoridade e não ficar mal na fotografia, o que só por si me pareceu de valor na altura. E muito ouvíamos o Trigger, desde a força bruta de um "Maniac Inland" ou um "Big Brother" até às mais baladeiras "Woman" e à introspectiva "Amen" e sabia sempre bem. Hoje, quanto mais não seja pelo valor nostálgico continua a saber bem. Gostava de ter a opinião de quem nunca ouviu o disco e o experimenta agora, isenta de emoções. Mas também acho que esta análise "isento de emoções" é impossível na música...
Vou confessar-vos aqui uma coisa. Nunca fui o maior fã de grupos liderados por mulheres. Não sei se é (era) uma coisa machista ou apenas porque o rock na minha óptica é um mundo de tipos com guitarras com postura agressiva e sempre achei que o rock só era sério liderado por tipos como Hendrix, Morrison, Lennon ou Cobain. Durante anos estive enganado. Não só as mulheres conseguem rockar tanto como muitos homens, e o exemplo está no último disco de que vos falei, como, por vezes, conseguem outra imagem que só mesmo elas conseguem. Para além das óbvias Janis Joplin, Patti Smith ou Pj Harvey temos Grace Slick, dos Jefferson Airplane, Debbie Harry dos Blondie ou Susan Janet Ballion mais conhecida por Siouxsie Sioux, para além de todos aqueles grupos de miúdas dos anos sessenta dos quais vos falo de alguns nesta compilação que apresento hoje. Destroy That Boy! More Girls With Guitars é a sequela de Girls With Guitars, lançado em 2004 que apresenta uma palete de grupos rock dos anos sessenta compostos só por mulheres. Ora esta sequela traz exactamente mais pérolas desse tempo. O tempo do garage rock e do pré-punk. Enquanto as Ronettes e as Crystals, embelezadas pela produção de Phil Spector, traziam o melhor do pop desta geração, estas miúdas iam buscar inspiração a tipos mais rufias como os Kinks ou os Stones. Um dos melhores exemplos disso é a música que dá nome a esta compilação e abre o disco, "I'm Gonna Destroy That Boy" das What Four. Rock sujo e agressivo que nada fica a dever a qualquer banda cheia de testosterona. Em 24 músicas há alguns baixos mas os altos como "You Don't Love Me" ou "No" provam que estas senhoras não brincavam com as guitarras. Deixo-vos um pequeno gostinho deste disco que, tenho certeza, virá a fazer parte da vossa discografia...
Descobri os Silver Jews em 2005, com este álbum. Ou seja, 16 anos depois de se formarem como banda, 11 anos depois do seu primeiro álbum, e já com mais 3 lançados entretanto. Quando os descobri soube que a banda foi criada por David Berman e dois elementos dos Pavement, Stephen Malkmus e Bob Nastanovich o que torna ainda mais vergonhosa a minha desatenção. Mas mais vale tarde que nunca, certo? Até porque chegaram tarde mas ganharam um lugar especial e a audição que fiz hoje de manhã para preparação deste post só serviu para reforçar isso mesmo.
David Berman arrasa-nos com as suas letras únicas, de poeta, e se tivermos em conta que metido neste álbum estão emoções que terá sentido nos difíceis 4 anos que o separam do anterior Bright Flight, onde o abuso de drogas e depressão o levaram a tentar o suícidio, só podemos agradecer por ter dado a volta por cima e partilhar connosco um pouco desse carrossel de sentimentos na forma deste Tanglewood Numbers.
"Punks in the Beerlight", música que abre o álbum fez parte do meu alinhamento da Hora do Bolo. Será que isto só por si prova o valor que dou a esta música? Aquela intensidade de um "I Love you to the MAX!" é algo muito muito especial. Depois vem uma lista de músicas de nome enorme que algumas vezes me deu sustos derivado do facto de que me punha a olhar para o iPod para ler o nome todo e distraído da estrada tudo podia ter acontecido. Todas elas com o seu encanto, a sua magia, as suas metáforas para transmitir a sua nova encontrada fé e um ritmo muito vivo a acompanhar. E não podia deixar também de realçar o grand finale "There is a place", uma música que parece um resumo do álbum, onde tudo se concilia.
Poderia aqui colocar várias frases que se retiram deste álbum e que nos fazem pensar, nos fazem sonhar. Mas prefiro deixar cada um ouvir com a devida atenção e descobrir por si, sentir por si.
Hoje trago como álbum de estimação este B.R.M.C., um álbum da fornada de 2001 que trouxe o garage rock de volta às luzes da ribalta e especialmente aos nossos ouvidos. Salientando que, no meio desta fornada, os Black Rebel foram únicos na mistura de influências que foram buscar para a sua sonoridade, neste álbum é possível ouvir desde Stooges até uns Jesus & the Mary Chain, passando por Velvet Underground, Rolling Stones, T.Rex e naturalmente dos Brian Jonestown Massacre de onde Peter Hayes saiu para formar esta banda. E a meu ver não é fácil esta tarefa de, partindo de influências bastante diversas, conseguir fabricar um álbum bastante coeso como é o caso. Parece que tudo encaixa bem, até quando passamos do punk de "Whatever Happened to My Rock n'Roll?" para a acalmia de uma "Awake". Acalmia mas só inicial, que depois a música cresce e transforma-se numa mescla (que bonita palavra) de psicadelismo e rock à boa moda dos já supracitados Velvet Underground. Até quando passamos de músicas com letras mais introspectivas e obscuras como "Rifles" para músicas mais cheias de esperança como "Salvation". E não podia deixar de falar também de "Love Burns" e "Spread Your Love", músicas cheias de garra. É giro pensar que o som desta banda é tipicamente britânico, mas na realidade é composta por 2 americanos e um britânico exilado nos States.
A toada de rock puro e duro combinada com o shoegaze mantém-se durante todo o álbum e foi bom constatar que, apesar de já lá irem 10 anos, é ainda prazeroso ouvi-lo de enfiada que foi o que fiz nestes últimos dias para preparar este artigo. Para reviver quem já não o ouve há algum tempo e para experimentar quem não conhece basta carregar no play abaixo.
Primeiro que tudo tenho a dizer que tinha outro álbum planeado para aqui colocar hoje, mas a notícia do dia fez com que mudasse subitamente de planos. E foi então que apareceu outro dilema - escolher qual o álbum de R.E.M. para estimação de hoje. Automatic for the People, que seria um forte candidato, ficou logo à partida excluído uma vez que já foi alvo de análise aqui no Altamont. Out of Time, outro forte candidato, pareceu-me óbvio demais, afinal de contas foi o álbum que os tornou conhecidos em todo o planeta (por acaso seria interessante analisar o percurso de uma banda que ao sétimo álbum é que o fez, fica para futura referência). Murmur, como primeiro álbum e com um som único na altura (1983) e vindo do nada também merecia destaque. Document, o último álbum com selo I.R.S. marcou também uma forte posição por parte da banda e vale nem que seja por incluir a insana, caótica, louca "It's the End of The World as we Know It (And I Feel Fine)". Monster, já mais recente (1994), foi também um álbum que ouvi muitas vezes levado pelo R.E.M. maniac Ricardo que tive como colega de carteira nos 3 anos do secundário, e que me permitiu descobrir a banda bem melhor. Mas a decisão final recaiu neste Reckoning, um grande álbum, o segundo da banda, gravado pouco depois do primeiro, e aproveitando uma onda de grande criatividade (o próprio Peter Buck admitiu que estavama a escrever duas boas músicas por semana e que o álbum devia ser duplo). Para além disso apareceram em Reckoning algumas músicas que a banda já tinha há algum tempo e que tocava ao vivo, casos de "Pretty Persuasion" e "(Don't Go Back to) Rockville". Em cerca de 15 dias os R.E.M. gravaram este álbum, segundo dizem alguns também para fugirem às pressões da I.R.S. que pretendia um álbum mais comercial (como quase todas as editoras que só vêem o lucro à frente...). E é neste ponto que os R.E.M. foram uma pedrada no charco - ao mostrar como é que uma banda underground e inspirada no punk podia avançar na indústria da música sem colocar em causa a sua integridade artística. Várias outras bandas como Pavement e Sonic Youth retiraram daqui lições importantes para a forma de gerir a sua carreira e isto é algo que muita gente hoje não se lembra.
Voltando a Reckoning, não posso afirmar que é o melhor álbum de R.E.M., mas é um álbum importante e que mostra bem o que é a banda a quem só conhece os hits que chegaram nos anos 90. Músicas como "So. Central Rain (I'm Sorry)", "Little America" e "7 Chinese Brothers", para além das duas mencionadas acima merecem ser ouvidas e recordadas.
Vou começar este artigo com um ponto prévio que demonstra a minha total honestidade para com o Altamont e os seus leitores - nunca tinha ouvido falar numa banda chamada The Feelies até Setembro de 2009, altura em que foram re-editados os seus dois primeiros álbuns, este Crazy Rhytms, de 1980, e The Good Earth, de 1986. Li nessa altura um artigo sobre eles que me fez despertar a curiosidade e em poucos minutos pude começar a ouvi-los, especialmente através do seu álbum de estreia. E desde então que tal tem acontecido com alguma frequência, de tal modo que o tenho hoje como um álbum que merece totalmente ser apelidado como "de Estimação".
Vou tentar explicar por palavras - para já, carreguem abaixo no play. Já começou? Ainda não? Tenham calma. Mais uns segundos que o começo é em crescendo. Primeiro apenas uns sons de sinos de vaca, depois uma guitarra, depois o baixo a definir o ritmo da música, e enfim a bateria a acompanhar. É um começo que impressiona pela forma como os sons se vão sobrepondo e tomando conta da música em si, como que cada um a puxar para uma direcção diferente, mas no fundo a conjugarem-se na perfeição. Isto é "The Boy With Perpetual Nervousness", faixa de abertura. Depois entra "Fa Cé La", único single extraído do álbum e entende-se porquê - é a música mais curta do álbum, de apenas 2 minutos e das poucas que respeita a estrutura convencional verso-refrão. Voltamos depois a uma entrada em crescendo, do qual faz parte um silêncio inicial de vários segundos para "Loveless Love" e o seu riff de guitarra constante e dominador que perdura 3 minutos, altura em que a música toma um rumo diferente, o disco parece que salta para outro ponto. Volta depois a calmia antes de entrarmos na recta final com uma alucinante subida e descida de escala. Diria que é a música que melhor demonstra a forma de estar dos The Feelies, inconstante, incerteza sobre o que vai acontecer a seguir, dando ao disco laivos de uma simples jam session.
"Forces at Work" ainda demora mais a arrancar. Dos seus 7 minutos, o primeiro passa com silêncio total, mas depois arranca e parece que se vai dilatando aos poucos. Depois de "Original Love", música na qual estás mais presente a voz como instrumento complemento do que em qualquer outra, chegamos a "Everybody's Got Something To Hide (Except Me and My Monkey)", cover dos Beatles (presente no seu seminal White Album), à qual os Feelies deram um ritmo abrasivo, descontrolado.
Entrando no terço final, temos "Moscow Nights", "Raised Eyebrows" e o final dá-se com a música que dá nome ao álbum. 9 músicas em pouco mais de 40 minutos que são uma delícia e permitem perceber como terão influenciado bandas como os R.E.M. (Peter Buck devolveu o "favor" ao produzir o segundo álbum dos The Feelies) e Yo La Tengo (originais de Hoboken, onde os Feelies tocavam com grande frequência). Obrigado aos senhores da Domino que decidiram ir buscá-los ao baú a que estavam vetados e mostrá-los de novo ao mundo, nem que seja só por mim, valeu a pena. Mostra que as coisas boas nunca morrem!
Os Yo La Tengo são uma banda que ando a descobrir de trás para a frente. Ou seja, comecei em 2007 com uma compra espontânea do álbum mais recente deles na altura, de nome I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass. O nome só por si já mereceria gastar uns euros, mas adicionando o facto de ter ouvido aqui e ali uns burburinhos sobre a banda foi mesmo impossível resistir. Depois fui ouvindo. E gostando. Descobrindo música a música. Também em 2007 o IndieLisboa deu-me a possibilidade de assistir a "Old Joy", um filme da neste momento consagrada Kelly Reichardt, cuja banda sonora foi totalmente composta pelos Yo La Tengo. Em 2009 quando saiu o álbum seguinte (e neste momento último), Popular Songs, fui provavelmente a primeira pessoa de Portugal a comprá-lo. Pretensioso? Talvez. Mas o que é certo é que estava em pre-order na amazon e assim que ficou disponível trataram de me enviar. Depois disso e do excelente concerto na Aula Magna o ano passado já não havia dúvidas - estava na hora de ir à conquista dos restantes 25 anos (!!!) e 10 álbuns da banda. E assim está a ser. Dos 10 já levo 4 ouvidos com a devida atenção. E é desses 4 que vou destacar este And Then Nothing Turned Itself Inside-Out que foi o que ganhou um lugar especial. E ganhou-o de uma forma que parece simples - basta uma das mais perfeitas músicas de amor, "Our Way to Fall" (não resisto a colocar aqui a letra da música), duas músicas primaveris perfeitas de nome "You Can Have It All" e "Let's Save Tony Orlando's House", guitarras com distorção a fazerem maravilhas em "Cherry Chapstick". Ou seja uma bela demonstração do que a banda é capaz, da diversidade que almeja e consegue atingir. O trio Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew apostou neste álbum numa base mais serena, tranquila, a que não é alheia a própria capa do álbum. Vejam como tudo parece calmo e sereno no bairro, tirando o pequeno pormenor/pormaior de estar em curso o que parece ser um sequestro por aliens.
Resumindo, deixa água na boca para continuar a pesquisar mais. E acho que isto é o melhor que pode acontecer a alguém - suscitar a curiosidade por mais. Experimentem já aqui em baixo. Aviso que correm o risco de terem de ir atrás dos restantes trabalhos da banda.
A razão deste No Dice dos Badfinger estar aqui não é propriamente por este ser um dos meus discos preferidos. Nem sequer por a banda ser uma das que mais apraz. Nem por ser um disco que marcou a História da música. A verdadeira razão razão deste disco figurar desta rubrica prende-se pelo facto de ser o melhor disco desta banda, para muitos desconhecida, que teve um percurso de vida bastante acidentado, sendo trágico a palavra certa. Mas já lá vamos. Tudo começou em 1963 em Swansea, País de Gales, liderados Pete Ham, vocalista e guitarrista principal. Por homenagem aos Hollies, passaram a chamar-se The Iveys, e começaram a abrir para bandas como Yardbirds, Spencer Davis Group ou Moody Blues. Porém, não obstante, serem considerados bons músicos, faltava-lhes qualquer coisa. Esse bocadinho a mais veio com a ajuda de um manager, Bill Collins, que os pôs em contacto com Ray Davies dos Kinks que puxou uns cordelinhos para abrir horizontes para a banda galesa. Collins puxou também pela banda, obrigando-os a criar músicas originais. É aqui que se começa a dar a mudança na banda e o início de uma história agri-doce. Em 1968, após terem sobrevivido milagrosamente a um acidente de viação, os Iveys como que agradeceram a benesse e começaram a escrever um largo número de canções, melhorando a sua qualidade a olhos vistos, sendo bem aceites pelo público em concertos. Esta boa onda coincidiu com alguns factores. Os Beatles tinham acabado de lançar a sua própria editora, "Apple", e queriam muito mostrar ao mundo que conseguiam encontrar as novas coqueluches, não só da música, mas da arte em geral. Acontece que Collins, o empresário, era amigo de Mal Evans, assistente da Apple e amigo pessoal dos Beatles. O "caldinho" foi feito e os Iveys gravaram um disco pela Apple. Ora, as expectativas eram altas mas o disco não teve aceitação nenhuma. Parecendo esquecidos na prateleira da Apple, os Iveys receberam com bastante surpresa a notícia que o próprio Paul Mccartney queria que eles fizessem a banda sonora para o filme "The Magic Christian" com Peter Sellers e Ringo Starr, e que gravassem um original de McCartney, "Come and Get It". A sorte batia à porta outra vez dos Iveys que, com a saída de um dos seus elementos, decidiam mudar o nome da banda para Badfinger. Acabaram por não fazer a banda sonora do filme propriamente dita, mas o disco, chamar-se-ia, ironicamente, Magic Christian Music e "Come and Get It" levou ao ponto mais alto da banda. Parecia que tinham chegado finalmente onde ambicionavam. Fizeram parte das gravações do primeiro disco de George Harrison, marcando presença, inclusive, nos concertos de ajuda para o Bangladesh, referidos como "uma banda Apple". Em 1970 lançam o seu "disco". Doze músicas tipicamente pop/rock. Abrindo a rasgar com "I Can't Take It", continuando em "Love Me Do" e "No Matter What", passando pelas baladas em "I Don't Mind", "Midnight Caller" ou a mítica "Without You", tornada famosa nos anos 90 por, imagine-se, Mariah Carey. É um disco que não envergonha ninguém, acertando na mouche em todos os pontos certos do pop/rock. A partir daqui foi sempre a descer. Os discos começaram a não vender, os Beatles separaram-se, deixando a Apple de pantanas, deixando os Badfinger, sempre vistos como uma banda "Apple", à deriva por sua conta e risco. A qualidade começou a baixar, os discos começaram a não vender, as lutas internas a aumentar. Isto bateu forte em Pete Ham, tanto que decidiu acabar com a sua vida em 1975. Os Badfinger tentaram continuar mas em vão. A magia inicial tinha-se ido. Restou o seu legado, aqui no seu mais alto pico com No Dice.
Passou quase despercebido à grande generalidade dos media (que surpresa...) mas um génio maior da música de língua portuguesa fez no passado dia 10 de Junho 80 anos. Daí eu querer aproveitar a oportunidade e colocar aqui no Altamont, como blog aberto a músicas de todo o mundo, este Chega de Saudade como o álbum de estimação da semana. E porquê estes Chega de Saudade e não outro qualquer de João Gilberto? Pergunta de resposta simples - foi este álbum que gerou uma transformação na música brasileira, dando forma e corpo à bossa-nova.
Faço minhas as seguintes palavras de um dos grandes contribuidores para este álbum, de nome António Carlos Jobim (escreveu várias letras, juntamente com Vinicius de Moraes):
"João Gilberto é um baiano, "bossa-nova" de vinte e seis anos. Em pouquíssimo tempo, influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores. Nossa maior preocupação, neste "long-play" foi que Joãozinho não fosse atrapalhado por arranjos que tirassem sua liberdade, sua natural agilidade, sua maneira pessoal e intransferível de ser, em suma, sua espontaneidade. Nos arranjos contidos neste "long-playing" Joãozinho participou ativamente; seus palpites, suas idéias, estão todas aí. Quando João Gilberto se acompanha, o violão é ele. Quando a orquestra o acompanha, a orquestra também é ele. João Gilberto não subestima a sensibilidade do povo.
Ele acredita, que há sempre lugar para uma coisa nova, diferente e pura que - embora à primeira vista não pareça - pode se tornar, como dizem na linguagem especializada: altamente comercial. Porque o povo compreende o Amor, as notas, a simplicidade e a sinceridade. Eu acredito em João Gilberto, porque ele é simples, sincero e extraordináriamente musical.
P. S. - Caymmi também acha."
De quando em vez volto a ouvir este disco e todas essas vezes que o oiço um sorriso entreabre-se nos meus lábios. Há qualquer coisa de impoluto, ingénuo mas genuíno neste álbum. Se calhar é a minha costela de hippie a dar de si mas se assim o for, ainda bem. E ainda bem porque este disco merece todos os minutos que lhe dedico. Faz-me "regressar" a um tempo que nunca vivi. Neste mundo dos Spree não há escuridão nem tristeza. E os Spree são isso mesmo. Uma banda cheia de luz e vibrante. Pudera. São doze elementos, todos vestidos com robes como se de uma comunidade Hippie se tratassem. Uma comunidade fundada por Tim DeLaughter (nome sui generis), quase como um "happening", onde faz das suas influências de Beach Boys ou Flaming Lips, músicas de paz de espírito, verdadeiro bálsamo para os ouvidos com toques de gospel e rock orquestral, utilizando dezenas de instrumentos diferentes que vão das teclas aos instrumentos de sopro. Curioso é que conseguiram apanhar esse espaço-temporal dos sixties, transportando todo a aparato de um grande grupo com vários músicos e coros para este disco. Uma boa adição para a colecção de discos....
Vou começar por uma referência a um filme - em "Juno", a dado momento, discute-se qual o melhor ano da música. Juno, a personagem principal, mostra como argumentos para defender 1977 os Stooges, a Patti Smith e os Runaways. Mas na minha opinião, se ela queria mesmo defender tanto esse ano era dos Television que tinha que ter falado. Dos Television e especialmente deste Marquee Moon, álbum que hoje, à distância de 34 anos sinto um pouco perdido no esquecimento. Injustamente no esquecimento, injustamente metido nas prateleiras de descontos numa qualquer grande loja de música. Recordemo-nos portanto do caminho desbravado por Tom Verlaine, mentor da banda, no que respeita ao movimento punk - foi ele que convenceu Hilly Kristal, dono dum então desconhecido clube de country, blue grass e blues (para bom entendedor meia palavra basta...) a aceitar bandas rock a tocarem no seu estabelecimento. Corria o ano de 1974. O resto é história da música, nível básico - grupos como Ramones, Blondie, Talking Heads, a própria Patti Smith, saíram desse antro cavernoso para o mundo.
Um aspecto que me intriga bastante é o facto de que, hoje, os Television são quase sempre rotulados como uma banda pós-punk. Agora expliquem-me, como pode uma banda que começou a dar concertos em 1974 e que lançou este álbum em 1977 ser pós-punk? Algo de estranho se passa no mundo dos rótulos (diria que sempre foi assim e a rotulagem de pouco ou nada serve, mas...). Agora uma coisa é certa - a música dos Television é de uma complexidade que em nada tem a ver com os 3 acordes, um refrão, 2 minutos e está feito. Basta pensar que "Marquee Moon", a música, teve de ser cortada para 9:58 minutos para caber no LP. Só com a re-edição em CD de 2003 nos chegou a versão completa com os seus 10:40. Basta pensar nas letras de um Tom Verlaine, que nascido Thomas Miller foi buscar o seu nome artístico ao poeta francês Paul Verlaine. Basta pensar nas variações de ritmo dentro das músicas, na utilização de algumas escalas jazzísticas, no contraste das guitarras ritmo e solo, força motora do álbum. E foi juntando todos estes ingredientes que se fez história.
A pergunta neste álbum coloca-se da seguinte maneira: Como é que ao fim de alguns minutos de pop indie, [influenciada pela escola britânica do psicadélico ligeiro compreendido no período entre 1966-68 na qual fazem parte bandas como os Beatles, Zombies, Nirvana [UK], já aqui referidas neste blog], passamos para um estado meio demencial, um pouco ao estilo de um filme de Robert Rodriguez com nome parecido a este disco dos Olivia Tremor Control. A resposta acertada é lendo a biografia desta banda de nome esquisito. Ora bem, sendo assim vamos então para um pequeno momento de história musical. Originários de uma pequena terra em Los Angeles, o duo que forma esta banda faz parte de uma das mais importantes editoras de pop alternativo/psicadélico, a Elephant 6. Editora essa que conta, ou contou, também com os Of Montreal, Neutral Milk Hotel ou Apples in Stereo. E o que tinha esta editora de tão especial? A seu favor a homogeneidade das bandas, as quais se sentiam uma grande família, partilhando ideias e influências e, mais importante de tudo, poderem escrever e gravar qualquer coisa que lhes fosse à cabeça. Uma espécie de renascimento do movimento psicadélico de São Francisco. E é isto mesmo e ainda mais que este Dusk at Cubist Castle é. Uma mescla de pop psicadélico americano com britânico, com alguns elementos de Kraut-Rock com o dinamismo e inovação de uns Sonic Youth. Neste disco eles criam um ambiente surreal que vai do technicolor ao monocromático e isto tudo dividido em 27 músicas. Pena que tenham decidido fazer um hiato após o segundo disco e esse hiato já dure há 12 anos...
Eu descobri os The National com o Boxer. Foi por aí que eles entraram, normalmente pelas colunas do carro. Ouvi-o muitas muitas vezes nos quilómetros que separam a minha casa do local de trabalho, sempre a descobrir um bocadinho mais, sempre mais uma música, mais uma frase, mais um arranjo. Foi um daqueles processos de descoberta que duram, mas são saborosos, o assimilamento gradual de que estava perante um grande álbum. Mas quando me apareceu o Alligator fui arrebatado de uma forma que não sabia para onde me virar, se para a tranquilidade de "Daughters of the Soho Riots", se para o êxtase de "Mr. November". Se para as lamentações e pedidos de desculpas de "Baby We'll be Fine", se para a energia de "Lit Up". Se para um Karen, put me in a chair, fuck me and make me a drink em "Karen" ou se para um I wanna go gator around the warm beds of beginners em "City Middle". A dúvida instala-se. E mói, tudo mói, a palete de emoções presente neste disco é de tal forma amplo que não conseguimos digerir bem o fim de um música e início de outra. É brusco demais o corpo não aguenta. Tal como não aguenta bem a voz do Matt a ecoar nos ouvidos. Tal como não aguenta ficar impávido e sereno com a potência avassaladora de "Abel", aqui já abaixo.
Se eu soubesse o que sei hoje (frase muito usada mas um totalmente inconsequente) teria saboreado este Alligator desde o momento que viu a luz do dia, em Abril de 2005, já lá vão 6 anos. Parece impossível.
Já que abrimos um precedente a semana passada e começámos aqui a falar no Altamont sobre bandas sonoras, esta semana trago uma banda sonora histórica para um filme não menos histórico - a preparada por Miles Davis especialmente para o filme Ascenseur pour l'échafaud, de Louis Malle.
A história conta-se em poucas palavras, Jean-Paul Rappeneau, assistente de Malle na altura e grande fã de jazz, lançou a ideia, levando Malle ver Davis tocar num clube em Paris. Este deixou-se convencer a avançar para este projecto após uma sessão de visionamento privada do mesmo, e tal como documenta o vídeo abaixo, gravou tudo enquanto viam as cenas do filme a desenrolar, numa simples sessão de improviso, apenas com algumas estruturas harmónicas básicas previamente delineadas. Assim que se criou uma empatia única entre as emoções que as personagens vão sentindo ao longo do filme com a banda sonora que acompanha, na sua maioria mais soturnas, e melancólicas, mas também muitas vezes de suspense, tudo se acentuado com o trompete de Davis, a remoer dentro de nós, a intensificar cada sentimento, a causar-nos calafrios.
O meu conhecimento do mundo imenso que é o jazz é mesmo muito limitado, mas das poucas obras que conheço esta é uma que me tocou bastante sobretudo pela forma inesperada como apareceu, disfarçada de filme. E que filme. E que Jeanne Moreau. Ela a passear-se pela noite parisiense ao som de Florence Sur Les Champs-Élysées é qualquer coisa de divinal e ficará comigo para sempre.