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16 junho 2011

Álbum de Estimação: João Gilberto - "Chega de Saudade" (1959)

Passou quase despercebido à grande generalidade dos media (que surpresa...) mas um génio maior da música de língua portuguesa fez no passado dia 10 de Junho 80 anos. Daí eu querer aproveitar a oportunidade e colocar aqui no Altamont, como blog aberto a músicas de todo o mundo, este Chega de Saudade como o álbum de estimação da semana. E porquê estes Chega de Saudade e não outro qualquer de João Gilberto? Pergunta de resposta simples - foi este álbum que gerou uma transformação na música brasileira, dando forma e corpo à bossa-nova.
Faço minhas as seguintes palavras de um dos grandes contribuidores para este álbum, de nome António Carlos Jobim (escreveu várias letras, juntamente com Vinicius de Moraes):

"João Gilberto é um baiano, "bossa-nova" de vinte e seis anos. Em pouquíssimo tempo, influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores. Nossa maior preocupação, neste "long-play" foi que Joãozinho não fosse atrapalhado por arranjos que tirassem sua liberdade, sua natural agilidade, sua maneira pessoal e intransferível de ser, em suma, sua espontaneidade. Nos arranjos contidos neste "long-playing" Joãozinho participou ativamente; seus palpites, suas idéias, estão todas aí. Quando João Gilberto se acompanha, o violão é ele. Quando a orquestra o acompanha, a orquestra também é ele. João Gilberto não subestima a sensibilidade do povo.
Ele acredita, que há sempre lugar para uma coisa nova, diferente e pura que - embora à primeira vista não pareça - pode se tornar, como dizem na linguagem especializada: altamente comercial. Porque o povo compreende o Amor, as notas, a simplicidade e a sinceridade. Eu acredito em João Gilberto, porque ele é simples, sincero e extraordináriamente musical.
P. S. - Caymmi também acha."

Antonio Carlos Jobim



(grooveshark as soon as possible)

28 abril 2011

Álbum de Estimação: Miles Davis - "Ascenseur pour l'échafaud OST" (1958)

Já que abrimos um precedente a semana passada e começámos  aqui a falar no Altamont sobre bandas sonoras, esta semana trago uma banda sonora histórica para um filme não menos histórico - a preparada por Miles Davis especialmente para o filme Ascenseur pour l'échafaud, de Louis Malle.
A história conta-se em poucas palavras, Jean-Paul Rappeneau, assistente de Malle na altura e grande fã de jazz, lançou a ideia, levando Malle ver Davis tocar num clube em Paris. Este deixou-se convencer a avançar para este projecto após uma sessão de visionamento privada do mesmo, e tal como documenta o vídeo abaixo, gravou tudo enquanto viam as cenas do filme a desenrolar, numa simples sessão de improviso, apenas com algumas estruturas harmónicas básicas previamente delineadas. Assim que se criou uma empatia única entre as emoções que as personagens vão sentindo ao longo do filme com a banda sonora que acompanha, na sua maioria mais soturnas, e melancólicas, mas também muitas vezes de suspense, tudo se acentuado com o trompete de Davis, a remoer dentro de nós, a intensificar cada sentimento, a causar-nos calafrios. 
O meu conhecimento do mundo imenso que é o jazz é mesmo muito limitado, mas das poucas obras que conheço esta é uma que me tocou bastante sobretudo pela forma inesperada como apareceu, disfarçada de filme. E que filme. E que Jeanne Moreau. Ela a passear-se pela noite parisiense ao som de Florence Sur Les Champs-Élysées é qualquer coisa de divinal e ficará comigo para sempre.