21 maio 2009

The Eternal



Graças ao meu grande amigo Vasco Cabral Sequeira, ser humano desprezível por quem tenho enorme estima, tive acesso ao último trabalho dos Sonic Youth, que estará à venda nas lojas dentro de umas semanas.
(Comecei a escrever este texto imbuído de enorme subjectividade, diria até de emoção, ou de lágrimas nas bochechas, mas, com o passar dos dias, lá me controlei.)
É assumida pela minha parte uma parcialidade enorme no que toca à música desta banda: para mim são a melhor banda pop/rock de todos os tempos. Sem equívocos. Nenhuns. (Escrevi estas duas últimas frases só para me armar em Luís Sobral, o jornalista desportivo mais miserável de todos os tempos)
Cresceram da confusão/revolução que foi o no wave, como todos sabem, e desde 1985 que regularmente têm publicado trabalho verdadeiramente novo (e bom como merda de Giselle Bundchen), recriando-se a si mesmos sem exaustão aparente, explorando diversas vertentes sem limites, mas sempre conscientes do mundo que os rodeia, o que tem resultado numa cornucópia de criatividade (não confundir com a expressão conacópia de criatividade, referente à pluralidade de maneiras de copular com menores de 18 sem correr riscos legais), entusiasmo, brilhantismo... enfim.
O universo Sonic Youth cedo começou a ser demasiado experimental, complexo e variado para caber nesse mesmo nome e os projectos paralelos que desenvolveram, individualmente ou não, representam uma referência montanhosa dentro da música experimental.
Ao exorcisarem o seu génio e necessidade criativa nessas outras camadas, viram-se interessados em construírem albuns cada vez mais - na minha opinião - melódicos, equilibrados, limpinhos, mesmo que ainda algo afastados dos elementos mais vulgares da pop.
Será isso que diria existir em excesso neste álbum, dtalvez. Faz-me uma certa falta o noise contemporâneo, a esquizofrenia controlada, a estranha fornicação entre o Ranaldo e as cordas da guitarra. Mas a verdade é que quem ainda anda à procura isso na sua obra, tem pano para mangas nos projectos SYR, por exemplo. Existem no entanto várias faixas que se adivinham virem a ser prolongadas até à ejaculação tântrica, como na Anti-orgasm ou na Walking Blue, quando tocadas em concerto (o qual anseio, com intensidade semelhante ao da telefonista Suzete que sonha com o Michael Jackson no Estádio do Dragão).
Aceito, portanto, a homogeneidade higiénica desta obra, que, não estando aos níveis de Sister, Daydream Nation, Washing Machine, NYC Ghosts and Flowers e Murray Street, por exemplo, é um prolongamento interessante da discografia dos Sonic Youth e é, em suma, claro está, um oásis: quando comparada às cagadas retro-fashionistas sebentas de vulgaridade e suscitadoras de bocejos bem esticados que a malta do Ray Ban gosta de ouvir na Radar é um album sublime e daí eu ter choramingado no metro, de ipod na mão (às quintas-feiras não uso bolsos).

2 comentários:

frederico disse...

Gosto de saber que, quando é uma banda que tu gostas é tudo rosas e lá pelo facto de lançarem sempre álbuns novos têm sempre algo a mais que o anterior, tudo o resto é crap. Ray-bans,Radar e Incógnito...

Cisto disse...

Permite-me rectificar o teu raciocínio:
eu não elogio constantemente a banda porque gosto da banda; eu gosto da banda porque a elogio constantemente.