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18 março 2011

Num DVD perto de si: "Some Kind of Monster"

Tendo como realizadores Joe Berlinger and Bruce Sinofsky, este "Some Kind of Monster" de 2004 permite-nos ter uma visão única sobre o interior dos Metallica num determinado espaço de tempo. E, por acaso, ou não, apanhou a banda num dos momentos mais difíceis da banda. Senão vejamos; Jason Newsted, baixista já com 15 anos de banda decidiu abandonar; os fãs estavam a destruir discos de Metallica na rua após todo o processo contra o Napster; os 2 últimos álbuns, Load e Reload, nunca foram muito bem recebidos de um forma geral (eu gosto do Load). Temos assim um cenário montado que parece uma espécie de Big Brother, o colocar dos 3 membros da banda num palco, juntamente com um terapista/psicólogo e deixá-los ser eles próprios, com as suas manias, birras, tudo. Poucos aceitariam mostrar-se assim ao mundo, de uma forma tão transparente, e acho que é por este ponto que o documentário nos ganha - a transparência do mesmo. Podemos ver os problemas existenciais de James, juntamente com a entrada numa clínica de reabilitação para alcoolismo. Podemos ver a personalidade difícil de Lars, querendo fazer tudo à sua maneira. No meio um Kirk calmo e pacífico tentando colocar paninhos quentes nas birras de crianças de Lars e James. E podemos ver as constantes tentativas de Phil Towle, o tal terapista/psicólogo contratado, em ajudar os membros da banda a colocar todas as energias na direcção certa. Tudo isto enquanto tentam criar um novo álbum que os leve de volta ao metal cru, de início de carreira.
Penso que é um must see não só para os fãs da banda, mas como para qualquer fã de música que se preze, até porque é também uma espécie de "making-of" do álbum St.Anger.
Abaixo está o filme quase quase completo em HD, falta ali um segmento no final, mas aposto que arranjam formas simples e baratas de ver o filme com qualidade.
Enjoy!

19 maio 2010

Metallica - Pavilhão Atlântico - 18.05.2010

Os Metallica são uma instituição. Então em Portugal eles são quase uma religião. Ontem perante um Pavilhão Atlântico (transformado em “Catedral de Metal”) a transbordar pelas costuras, os” fieis“ metaleiros gritaram, cantaram, “mosharam” e veneraram todos os acordes, todos os riffs, todas as batidas, todos os solos e letras da maior banda de Heavy Metal do Mundo.
E não é caso para menos, desde a última vez que os vi ao vivo (há dois anos no Rock in Rio) a banda pareceu ganhar uma nova alma com este “Death Magnetic”. Uma espécie de regresso à forma dos velhos tempos e o primeiro bom disco desde o longínquo “Black Album” a reunir o consenso dos fãs mais ferrenhos.
E foi precisamente ao som de “That Was Just Your Life”( tema que abre este último disco) que os Metallica apareceram em palco. Eram 21 e 45 e o Pavilhão quase que ia abaixo. Não só com a reacção esfusiante do público, como pelo som carregado de decibéis (a mais) que arruinou o primeiro quarto de hora do concerto. È lamentável que as pessoas tenham que pagar para ver grandes bandas com um som tão sofrível como este.
Se a audição não era lá grande coisa (a voz de Hetfield parecia um eco gigantesco a deslizar pelo Atlântico, enquanto que as guitarradas eram abafadas pela bateria de Ulrich), visualmente o concerto era compensado por um palco 360º, muito usual nos concertos americanos dos Metallica, mas nunca visto em Portugal. Tudo para grande regozijo dos músicos (este formato dá-lhes maior amplitude de movimentos) que brindavam a plateia dos mais diversos ângulos.
Após mais uma demonstração “decibélica” com “The End of The Line”, Hetfield dirigiu-se pela primeira vez ao público Lisboeta anunciando um “clássico”: “Ride the Lightning”! Uma das melhores músicas da fase Trash (1983 – 1988) e que pôs os fãs mais “old School” ao mosh e com um sorriso na boca!
A viagem ao passado seguiu-se ao som de “Through the Never” do “Black Album”. Um tema que nos meus 6 concertos de Metallica, pouco me lembro de alguma vez o ter escutado ao vivo. Aliás, em abono da verdade o espectáculo de ontem deve ter sido o que mais me surpreendeu a nível do alinhamento, não só pelas músicas de “Death Magnetic” (as demolidoras “Broken, Beat and Scared” e “My Apocalypse”), como também pela escolha em tocarem “clássicos do baú” como “The Four Horsemen” ou “Phantom Lord” do primeiro LP: “Kill Em All”!
Apesar do ambiente de celebração e das condições sonoras terem melhorado à medida que o PA do grupo se instalava nos monitores, chegou a homenagem da noite. O ex-vocalista dos Black Sabbath, Ronnie James Dio, falecido no domingo passado não foi esquecido e o grupo dedicou-lhe “Fade to Black”. A frase “…But Now He´s Gone” fez tanto sentido naquele momento que chegou a arrepiar.
“Vocês querem Heavy”? Perguntava Hetfield antes de introduzir “Sad But True”, o primeiro de uma série imparável de clássicos e êxitos que levou o Atlântico à euforia. Lá vieram as as habituais explosões pirotécnicas do épico “One”; os coros magistrais de “Master of Puppets”; a fúria de “Battery”; a calmaria de “Nothing Else Matters” e o delírio comercial de “Enter Sandman”.
Para os encores, mais uma boa surpresa: a cover de “Stone Cold Crazy” dos Queen! A finalizar o habitual “Seek and Destroy”. Nesta altura voam balões, canta-se os parabéns ao filho de Hetfield, grita-se por Portugal e bebe-se muita cerveja. O recinto mais parece um baile de “Sto. António” do que o “Ritual” exibido duas horas antes. A banda agradece põe a bandeira de Portugal ao pescoço e Lars pergunta: “"should Metallica play in Portugal every year?” A resposta é um estrondoso sim, mas…não no Atlântico!

18 maio 2010

Metallica - Master of Puppets (1986)

Pode ter parecido há séculos, mas houve uma altura em que os Metallica eram provavelmente o porta-estandarte do “Heavy Metal”. Não só porque inventaram (acidentalmente) um género que ficou para a história como Trash Metal, bem como terem sido dos primeiros a levantar a voz contra os impostores do “Falso Metal”, ou seja as bandas Glam de L.A. (Motley; Poison ou Ratt) que dominavam o Rock e os Tops dos anos 80.
Vindos de mais a norte da Califórnia (da Bay Area de San Francisco), os Metallica assustaram muita gente quando publicaram o seu disco de estreia “Kill ´em All”. Um ritmo ultra rápido da bateria de Lars Ulrich; riffs e solos de guitarra a 200 à hora; um baixo virtuoso de Cliff Burton e a voz furiosa (contra tudo e contra todos) de James Hetfield eram receita suficiente para o grupo se afirmar (em inícios da década de 80) como o mais “barulhento e poderoso da América!
A cada disco os Metallica quebravam fronteiras e ganhavam novos adeptos do seu estilo demolidor. Já em “Ride the Lightning” (1984), parecia haver um amadurecimento do seu som Trash, incluindo nesse disco uma semi-balada (“Fade to Black”) que granjeou aos Metallica ainda mais fãs, que tinham perdido o barco ou andavam distraídos da primeira vez.
Mas é com “Master of Puppets”, gravado entre Setembro e Dezembro de 1985, na terra natal de Ulrich (i.e. Copenhaga), que esta “Metal Militia” atinge a maturidade. Sob a batuta do produtor Fleming Rasmunssen, os Metallica voltavam a por o pé no acelerador, reinventando um estilo que rapidamente contagiava outras bandas (Megadeth, Slayer ou Anthrax). Chamemos-lhe “Trash Metal Progressivo”. Porque era isso mesmo que os Metallica eram. Uma banda em constante evolução sonora, sem grandes paragens para contemplarem “os louros do sucesso”.
“A revolução” começa no uso de gentis guitarras acústicas utilizadas na introdução do brutal “Battery”. Como se fossem um pontinho de sol antes de a “embarcação” ir rumo à tempestade. Este efeito “Luz /Sombra”, também é utilizado no tema homónimo, embora aqui ornado com algumas harmonias de baixo saídas do cérebro efusivo de Burton.
Aliás, o último disco que o malogrado baixista grava com a banda tem a sua marca bem presente. O instrumental harmónico “Orion” é a prova viva que Burton podia encaixar as suas influências de Rock mais clássico numa canção trash.
Se Burton é o decorador destas canções, o seu Amo verdadeiro é Hetfield que tem aqui algumas das suas melhores letras sobre a guerra (que ia na sua cabeça): “Disposable Heroes” e uma nova semi-balada “Welcome Home (Sanatarium)”. Ambas um excelente tour de force para quem gosta de gastar um bilhete até a um “Inferno Sonoro”. Há também a versatilidade de “The Thing That Should Not Be”, com o grupo a introduzir um som mais limpo e algo indicativo daquilo que iria surgir na década seguinte.
A finalizar o álbum mais um clássico da banda – “Damage Inc.” – com ´Hetfield em plena fúria guerreira e Kirk Hammett (ainda não tínhamos falado dele) a rubricar um excelente solo de guitarra. Palmas também para Ulrich que tinha (à época) um pedal duplo diabólico!
“Master of Puppets” fica para a história como sendo não só o melhor disco dos Metallica, como também uma despedida “Gloriosa” de Burton que mal sabia que estaria morto um ano depois, num estúpido acidente de autocarro aquando de uma digressão pela Escandinávia. Era o fim de uma era…

07 janeiro 2010

Metallica - Metallica [Black Album] (1991)

Em 1991 aconteceu de tudo um pouco. Morreu Freddie Mercury, talvez o maior (e melhor) frontman da história; e com ele morreu a ideia de que a SIDA só atacava os outros e os pobres. Nasceu o grunge com o Nevermind dos Nirvana e outras bandas que tais, como os Pearl Jam ou os Alice In Chains ou mesmo os Soundgarden; e com eles nasceram os miúdos urbano-depressivos de flanelas vestidos, com cabelos desguedelhados e também os stage dives e o pro choice. E renasceu o metal, travestido de hard-rock e entregue num álbum que ficou para história como a melhor colectânea de canções duronas a chegar ao mercado: o Black Album dos Metallica. Os números não mentem: 15 milhões de álbuns vendidos nos EUA; 22 milhões no Mundo. Doa a quem doer, este é o maior feito de um conjunto metal à data. De uma banda de culto os Metallica passaram a uma religião de massas. Houve quem não gostasse – os puristas que se julgam donos das bandas só porque as seguem desde o início criticaram-nos por terem desacelerado. Já eu, que detesto puristas, estou a borrifar-me para a velocidade e nem conto o número de notas por segundo. E dou-me satisfeito que tenham mudado porque a coisa, assim, tornou-se perceptível. Nada contra os anteriores álbuns, que tinham músicas como "Master of Puppets" ou a "One". Mas com este as letras entendem-se e os solos não se atropelam uns aos outros. Um tipo virtuoso não deixa de o ser só porque os dedos dele deixam de percorrer freneticamente o braço da guitarra como um epiléptico.
No Black, apostou-se nos riffs curtos e poderosos. E não há riff como o do "Enter Sandman". Todos sabem de cor e salteado a progressão daquelas cinco notas que abrem a música e o álbum. Depois, seguem-se a "Sad But True", a "Holier Than Thou", a "Unforgiven" e a "Whererever I May Roam". Ouvidas estas, chega-se ao fim da primeira metade do álbum e o pulso está frenético e o pescoço dorido de tanto acompanhar a batida do Ullrich (há melhor baterista, já agora). A segunda metade perde um pouco de força mas tem a "Nothing Else Matters". E aqui é que os metaleiros se foram aos arames. Não é que o bom do Hetfield, debaixo daquela fronha de camionista e do corpo intimidador, é um rapaz (até) dado a coisas do coração? É verdade, sim. E os Metallica fizeram a melhor balada hard-rock alguma vez composta. Outra vez à frente de todos e contra os que os atrasavam. Mérito a Bob Rock, o produtor que os Metallica primeiro recusaram e depois receberam a conselho de Ullrich, que transformou a banda californiana na maior do planeta durante um par de anos. Rock, que havia promovido o glam-rockers Mötley Crue do abastado Tommy Lee, depurou e sugou a alma do quarteto metálico à exaustão. E o resultado ficou à vista e no ouvido. Para sempre.