31 março 2011

Álbum de Estimação: Belle & Sebastian - "Tigermilk" (1996)

E pensar que este álbum foi feito como um projecto de fim de curso do aluno Stuart Murdoch?

"Sebastian met Isabelle outside the Hillhead Underground Station, in Glasgow. Belle harrassed Sebastian, but it was lucky for him that she did. She was very nice and funny, and sang very sweetly. Sebastian was not to know this, however. Sebastian was melancholy.

He had placed an advert in the local supermarket. He was looking for musicians. Belle saw him do it. That’s why she wanted to meet him. She marched straight up to him unannounced and said, ‘Hey you!’ She asked him to teach her to play the guitar. Sebastian doubted he could teach her anything, but he admired her energy, so he said ‘Yes’.

It was strange. Sebastian had just decided to become a one-man band. It is always when you least expect it that something happens. Sebastian had befriended a fox because he didn’t expect to have any new friends for a while. He still loved the fox, although he had a new distraction. Suddenly he was writing many new songs. Sebastian wrote all of his best songs in 1995. In fact, most of his best songs have the words ‘Nineteen Ninety-five’ in them. It bothered him a little. What will happen in 1996?

They worked on the songs in Belle’s house. Belle lived with her parents, and they were rich enough to have a piano. It was in a room by itself at the back of the house, overlooking the garden. This was where Belle taught Sebastian to put on mascara. If Belle’s mum had known this, she would not have been happy. She was paying for the guitar lessons. The lessons gave Sebastian’s life some structure. He went to the barber’s to get a haircut.

Belle and Sebastian are not snogging. Sometimes they hold hands, but that is only a display of public solidarity. Sebastian thinks Belle ‘kicks with the other foot’. Sebastian is wrong, but then Sebastian can never see further than the next tragic ballad. It is lucky that Belle has a popular taste in music. She is the cheese to his dill pickle.

Belle and Sebastian do not care much for material goods. But then neither Belle nor Sebastian has ever had to worry about where the next meal is coming from. Belle’s most recent song is called Rag Day. Sebastian’s is called The Fox In The Snow. They once stayed in their favourite caf’ for three solid days to recruit a band. Have you ever seen The Magnificent Seven? It was like that, only more tedious. They gained a lot of weight, and made a few enemies of waitresses.

Belle is sitting highers in college. She didn’t listen the first time round. Sebastian is older than he looks. He is odder than he looks too. But he has a good heart. And he looks out for Belle, although she doesn’t need it. If he didn’t play music, he would be a bus driver or be unemployed. Probably unemployed. Belle could do anything. Good looks will always open doors for a girl."

30 março 2011

Altamont Recomenda:

Os norte-americanos Arbouretum. Uma banda com as raizes no folk lamacento do interior americano na linha de Will Oldham ou Bill Callahan, porém com uma atitude mais pesada e mais "stoned", já mais na onda dos Black Mountain ou Besnard Lakes.
Deixo-vos com "Down by the Fall Line".

29 março 2011

Álbum Fresquinho: The Strokes - "Angles"

"Dez anos é muito tempo, muitos dias, muitas horas a cantar", já dizia Paulo de Carvalho. Para os Strokes, dez anos passaram como um abrir e fechar de olhos desde que o lançamento de Is This It?. Poderia aqui dizer que em dez anos a banda liderou essa vaga do indie rock, fazendo imensos álbuns de qualidade, sempre procurando inovar e com qualidade. Porém, Em dez anos a banda, liderada por Julian Casablancas lançou, contando com este fresquíssimo Angles, apenas 4 discos. Muito pouco para a banda que fez ressurgir o interesse no rock e uma das mais dinamizadoras para o crescimento desse conceito indie. Muito pouco também em termos de banda líder, pois nunca o foi, muito devido ao pouco entendimento entre os elementos, o que resultou em alguns projectos a solo e/ou paralelos. O ambiente nunca foi o melhor e, apesar desse factor nem sempre ser negativo para a criatividade, as sequelas a Is This It? foram sempre piores e Angles é o resultado lógico desta tida falta de interesse da banda ou de Julian para tornar os Strokes melhores do que o foram em 2001. No entanto, apesar de tudo do que acima foi dito, Angles é o disco mais diferente que os strokes fizeram. Não que isso queira dizer que é melhor mas apenas diferente. O resultado final que nos fica a tilintar no cérebro após algumas audições é que tresanda a duas coisas. Sintetizadores e anos 80. Se os realizadores do  filme Tron: Legacy fizeram muito bem em pedir a ajuda dos Daft Punk para a sua banda sonora, este Angles serviria perfeitamente para ser a banda sonora original do primeiro filme tal é a sua roupagem a anos 80. Conseguimos imaginar os casacos de ganga, bandanas na testa e salas de jogos arcade. É um disco mais solarengo, polvilhado aqui e ali com alguma da agressividade dos primeiros discos como em "You're So Right", fazendo também lembrar "River of Brakelights" de Phrases for the Young, disco a solo de Casablancas. Angles é um disco que não acrescenta mais valor à posição dos Strokes na história, é sim, mais um disco de Strokes (são tão poucos, daí a ressalva) que se ouve bem e apraz. Para o que é, para mim chega. Venha o próximo.

28 março 2011

Playlists: iBob 28-03-2011

Pedi uma ajuda à Coppola para fazer esta playlist. Simpática ela.

Concertos da Semana - 28 de Março a 3 de Abril

Para esta semana o Altamont tem as seguintes sugestões:

28 - Asian Dub Foundation, no Santiago Alquimista


30 - Slayer & Megadeth, no Pavilhão Atlântico


1 - Rene Hell, na ZDB


2/3 - B Fachada, no Maria Matos


3/4 - Ted Leo & The Pharmacists, no Musicbox


21 março 2011

Concertos da Semana - 21 a 27 de Março

E pára tudo! Aparte de (mais) um concerto dos Cut Copy em solo nacional, dum DJ Set dos Hot Chip e duma sessão experimentalista de Tiago Sousa na ZDB, esta semana é marcada pelos dois concertos de Roger Waters no Pavilhão Atlântico, hoje dia 21 e amanhã. Os bilhetes, esses, encontram-se, obviamente, esgotados há meses. Para quem pense que é apenas mais um concerto de um velho dinossauro do rock, engane-se. Waters, ao contrário de outros, vide Stones, está metido na música e na sua concepção até ao tutano e sempre em constante renovação, não se quedando apenas por tocar hit após hit por esses países fora. Se em 2002, Waters pegou em parte de Wall, em 2010/11, a mente criativa por trás do monstro Pink Floyd, traz-nos na sua mais recente tour, todo o disco completo, incluindo toda a parafernália e mais, vista no início dos anos 80 nos (poucos) concertos dados após a edição de The Wall e, em 1990 no (agora) algo ridículo Wall Berlin. Aconselhado não apenas para fãs de Pink Floyd, o espectáculo que Waters nos traz promete mesmo ser bastante poderoso e emocionante. A não perder (para quem já tem bilhete, claro).

19 março 2011

Richard Wagner's Liebestod (in Tristão e Isolda)

Pela segunda vez deixo de escrever neste blog. 
A primeira vez que isso aconteceu foi por decisão própria. 
Agora também, mas indirectamente fui convidado a deixar de escrever os meus posts, que a direcção considera inúteis ou o que seja. 


Eventualmente os leitores do blog também os consideram inúteis e eventualmente eu devia ir fazer um estágio na Blitz para aprender a escrever sobre música pop. 



18 março 2011

Num DVD perto de si: "Some Kind of Monster"

Tendo como realizadores Joe Berlinger and Bruce Sinofsky, este "Some Kind of Monster" de 2004 permite-nos ter uma visão única sobre o interior dos Metallica num determinado espaço de tempo. E, por acaso, ou não, apanhou a banda num dos momentos mais difíceis da banda. Senão vejamos; Jason Newsted, baixista já com 15 anos de banda decidiu abandonar; os fãs estavam a destruir discos de Metallica na rua após todo o processo contra o Napster; os 2 últimos álbuns, Load e Reload, nunca foram muito bem recebidos de um forma geral (eu gosto do Load). Temos assim um cenário montado que parece uma espécie de Big Brother, o colocar dos 3 membros da banda num palco, juntamente com um terapista/psicólogo e deixá-los ser eles próprios, com as suas manias, birras, tudo. Poucos aceitariam mostrar-se assim ao mundo, de uma forma tão transparente, e acho que é por este ponto que o documentário nos ganha - a transparência do mesmo. Podemos ver os problemas existenciais de James, juntamente com a entrada numa clínica de reabilitação para alcoolismo. Podemos ver a personalidade difícil de Lars, querendo fazer tudo à sua maneira. No meio um Kirk calmo e pacífico tentando colocar paninhos quentes nas birras de crianças de Lars e James. E podemos ver as constantes tentativas de Phil Towle, o tal terapista/psicólogo contratado, em ajudar os membros da banda a colocar todas as energias na direcção certa. Tudo isto enquanto tentam criar um novo álbum que os leve de volta ao metal cru, de início de carreira.
Penso que é um must see não só para os fãs da banda, mas como para qualquer fã de música que se preze, até porque é também uma espécie de "making-of" do álbum St.Anger.
Abaixo está o filme quase quase completo em HD, falta ali um segmento no final, mas aposto que arranjam formas simples e baratas de ver o filme com qualidade.
Enjoy!

17 março 2011

Álbum de Estimação: The Moody Blues - "Days of Future Passed" (1967)

Entre 1966 e 1968, aproximadamente, houve um fenómeno na música, mais concretamente na britânica, com a tentativa de juntar a pop com elementos clássicos. Uma tentativa de ver a música como um todo, um movimento que chegasse a todos e não se dividisse em grupos, os novos e velhos. A pop tentou tornar-se adulta, requintada, sofisticada e, se calhar, algo snob, até porque muitos elementos destas bandas pop, tinham tido instrução clássica, fazendo, desta feita, valer todos os minutos de aprendizagem árdua. Isso viu-se com os Beatles em Sgt. Pepper, Nirvana [UK] em Simon Simopath, os Zombies em Odessey & Oracle e Aphrodite's Child com 666, entre outros como este Days of Future Passed dos Moody Blues.
Rotulados, na altura, como uma das melhores bandas da invasão britânica nos USA, os Moody são, hoje em dia, conhecidos pelos seus álbuns de rasgo e inovação e tudo começou em 1967 com um certo golpe de sorte.
A sua produtora, Decca, queria uma versão Rock da Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorak, para mostrar ao mundo a sua nova tecnologia stereo, no entanto, a História teceu o seu rumo, e um dos produtores conseguiu mudar tudo, juntando as músicas pop que os Moody andavam a desenvolver, juntando-os à London Festival Orchestra e conseguindo este resultado final, metendo a cabeça em água à Decca que não sabia como catalogar nem publicitar o resultado final, temendo um desastre em termos de vendas. O disco, dividido em sete músicas, fala de um dia completo desde o amanhecer até à noite escura em que cada música é um momento diário. Este psicadelismo barroco misturado com outros elementos clássicos não só acabou por ser bastante aceite, tornando a banda muito mais respeitada, como acabaria por ser um campeão de vendas para a Decca, muito por culpa da música final, "Nights in White Satin". Apesar de já ter este disco há uns bons anos, só há pouco tempo o ouvi de início ao fim, e foi o melhor que fiz, pois é daqueles que nos faz sorrir ligeiramente ao ouvir de início ao fim. Não é um disco de singles, embora "Nights" se destaque logo à partida. É um disco pensado para ser um disco e ser ouvido de início ao fim. E é isso que me faz tanto gostar dele. Recomendo vivamente.

16 março 2011

Altamont Recomenda:

Mais fresquinho que isto impossível - os Yuck lançaram o seu primeiro álbum, denominado (vá-se lá saber porquê) Yuck, há apenas 3 semanas e já aqui os trazemos para vós, ávidos leitores do Altamont. Dêem uma espreitadela a este "The Wall". A wikipedia diz são de Londres e que "Critics have likened the band to Dinosaur Jr and Sonic Youth". Vale o que vale...

Altamont Recomenda:

The Vaccines, banda que irá estar presente no Super Bock Super Rock.

15 março 2011

Álbum Fresquinho: Kurt Vile - "Smoke Ring For My Halo"

O Kurt Vile não é um novato aqui no Altamont - em 2009, pouco depois de ter causado sensação no SXSW e pouco antes de ter lançado o seu primeiro álbum pela Matador, Childish Prodigy, lancei-o para cima da mesa. Ora pois bem, chega-nos agora o sucessor, Smoke Ring For My Halo, deste guitarrista/cantor de Filadélfia que a meu ver é mesmo um prodígio como indica o título do seu álbum anterior.
Ao ouvir este álbum fico com a sensação de ser um intruso. De que se trata de um tipo num canto da casa, sozinho com a sua guitarra, exprimindo-se através dela, as suas lamúrias, os seus problemas, os seus statements. A sua melancolia. E nós estamos ali, como que escondidos, a ouvir algo que não é nosso, mas com o qual nos conseguimos facilmente relacionar e criar empatia.
Existe em Vile uma proximidade com alguns dos grandes guitarristas americanos, como Tom Petty, Bruce Springsteen, Bob Seger. Li algures que até há para aqui perdidos uns traços do John Fahey. Mas não sinto que seja uma cópia ou uma tentativa de se parecer com, apenas influências, que no fundo são a história da música pop rock, influências, influências, influências. Acho que merece um pedaço de atenção, da minha mereceu e compensou.
Abaixo, se carregarem no play e deixarem tocar, em princípio conseguirão ouvir o álbum inteiro excepto uma música, "On Tour", que não consegui incluir.
Enjoy!

 

14 março 2011

Playlists: iLex Changes 14-03-2011

Tal como num livro, a nossa vida também é feita de capítulos. Capítulos que chegam ao fim. Que levam à incerteza perante a mudança de página. O que virá no próximo capítulo? A incerteza da mudança. E um início de algo. Por ter passado por um processo destes, venho aqui retratá-lo em forma de uma playlist. They told me to hit the road. It was all over, the end, the finish line, and so I walked away. Changes in my life. And then a brand new life, begin the beginning, starting over, a new way home.

Concertos da Semana - 14 a 20 de Março

Parece que Março é, definitivamente, um mês fraco em relação a concertos. Esta semana só teremos de (pouca) relevância estes três concertos:
 -O regresso dos, algo gastos, The Gift numa sessão de três concertos no Teatro Tivoli de 17 a 19.


-King Midas Sound, dia 18 no Musicbox. Dub, Slo-fi Soul, entre outros, são géneros para classificar esta banda.


-Nina Hagen, dia 19 no Clubbing da Casa da Música. Rock e música erudita entrelaçam-se na voz desta veterana vanguardista alemã. O Clubbing contará ainda com os norte-americanos Tu Fawning e os portugueses Aquaparque.


12 março 2011

Duas mesas e eu na terceira - Sigmund Freud "O Mal-Estar na Civilização"



"Se, de modo bastante geral, supusermos que a força motivadora de todas as atividades humanas é um esforço desenvolvido no sentido de duas metas confluentes, a de utilidade e a de obtenção de prazer, teremos de supor que isso também é verdadeiro quanto às manifestações da civilização que acabamos de examinar, embora só seja facilmente visível nas atividades científicas e estéticas. Não se pode, porém, duvidar de que as outras atividades também correspondem a fortes necessidades dos homens – talvez a necessidades que só se achem desenvolvidas numa minoria. Tão-pouco devemos permitir sermos desorientados por juízos de valor referentes a qualquer religião, qualquer sistema filosófico ou qualquer ideal. Quer pensemos encontrar neles as mais altas realizações do espírito humano, quer os deploremos como aberrações, não podemos deixar de reconhecer que onde eles se acham presentes, e, em especial, onde eles são dominantes, está implícito um alto nível de civilização." (...)


11 março 2011

Num DVD perto de si: "John Lennon & The Plastic Ono Band: Sweet Toronto"

A Rubrica desta semana traz-nos a primeira e última aparição ao vivo da Plastic Ono Band, banda criada por Lennon após a separação dos Beatles. Embora sendo praticamente homem de uma banda só, Lennon já tinha criado um pseudo conjunto para o documentário dos Rolling Stones, documentário esse que iremos falar numa outra oportunidade. Essa pseudo banda tinha o nome de Dirty Mac, título algo sugestivo, e contava com a ajuda de Eric Clapton, Mitch Mitchell, Keith Richards e, claro, está, Yoko Ono. Um ano depois, em 1969, Lennon, saturado com as lutas internas dos Beatles, decidiu repetir a dose, desta vez mais a sério, aceitando participar num festival de música em Toronto. Levou novamente consigo Eric Clapton, Alan White, Klaus Voorman (amigo íntimo dos Beatles) e, claro está, Yoko Ono. Este festival, que contava com a presença de grandes senhores do velho Rock 'n Roll como Bo Diddley, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis ou Little Richard, valeu, claro está pela primeira aparição em palco de Lennon desde o (naquela altura) distante ano de 1966.
Começando, também, por tocar covers de Rock 'n Roll, Lennon e seus pares foram recebidos mal, sobretudo devido a Yoko Ono e à sua, suposta, participação para o fim dos Beatles. Após as 3 covers, os Plastic Pno Band tocaram "Yer Blues", extraída do Álbum Branco; "Cold Turkey", ainda um embrião do single que Lennon lançaria a solo. Para o fim ficaria a intervencionista "Give Peace a Chance" e as instrumentais e avant-gardistas "Don't Worry Kyoko (Mummy's Only Looking for a Hand in the Snow)" e "John, John (Let's Hope For Peace)", algo a que o público Beatle não estava acostumado ou preparado para ouvir...
Deixo-vos, então, o vídeo desta rara actuação...

 
John.Lennon.and.the.Plastic.Ono.Band.Sweet.Toronto.1969.

10 março 2011

Álbum de Estimação: Candlebox - "Candlebox" (1993)

Já há algum tempo que o Altamont não tem aqui um álbum dos good old nineties. E eu como pessoa que cresceu a ouvir música nessa já tão longíqua década, preciso de, de tempos a tempos, exorcizar alguns fantasmas e aos nineties retornar. E retorno com uma banda que, apesar de ter sido integrada na onda do grunge (sim, eu também detesto este nome e este chavão, mas é a forma mais fácil de ilustrar o caso) nem foi muito conhecida na altura. Os Candlebox lançaram este seu álbum homónimo em 1993, já a procissão grunge ia no adro e talvez por isso tenham passado mais despercebido ao grande público. A mim valeu-me a atenção constante do meu colega Pereira que lá ia descobrindo estas coisas e partilhando com os demais colegas. Não consigo precisar um porquê, mas o que é certo é que músicas como "Cover Me", "You", "Far Behind" entre outras, permaneceram sempre na minha memória, sempre ligada a bons tempos de escola secundária, e volta e meia ainda hoje fazem uma aparição no shuffle. E sabe bem. A música também é isto, muitas vezes nada mais que um guilty pleasure.
Para já vou deixar-vos apenas uma música amostra do album e conto brevemente incluir aqui o grooveshark para poderem apreciar o álbum inteiro. Suponho que não vá acrescentar nada a quem nunca o ouviu, mas quiçá muito aos poucos que os conhecem dos bons velhos tempos. Either way, enjoy it!

09 março 2011

Duas mesas e eu na terceira - Theodor Adorno "Mínima Moralia"




Pseudómenos.  O poder magnético que as ideologias exercem sobre os homens, mesmo quando já dão sinais de estarem rotas, explica-se, para além da psicologia, pela decadência objectivamente determinada da evidência lógica enquanto tal. As coisas chegaram ao ponto em que a mentira soa como verdade e a verdade como mentira. Cada declaração, cada notícia, cada pensamento está pré-formado pelos centros da indústria cultural. O que não traz a marca familiar dessa preformação está, de antemão, destituído de credibilidade, tanto mais que as instituições de opinião pública fazem acompanhar aquilo que divulgam de milhares de comprovações factuais e de toda plausibilidade, de que se pode apoderar o poder de disposição total. A verdade que tenta opor-se a isso não só porta o carácter inverosímil como é, além disso, pobre demais para entrar em concorrência com o aparato de divulgação altamente concentrado. O caso extremo da Alemanha é instrutivo a respeito dessa mecanismo como um todo. Quando os nacionais-socialistas começaram a torturar, não apenas aterrorizaram com isto as populações no interior do país e no exterior, mas ao mesmo tempo ficavam tão mais seguros de não serem descobertos quando mais selvagem era o aumento do horror. A incredibilidade deste último tornava fácil descrer daquilo que, por amor à santa paz, não se queria acreditar, no mesmo momento em que já se capitulava diante dele." (...)

Altamont Recomenda:

Um disco que tem vindo a ganhar importância no meu iPod. Aqui deixo-vos "El Gusano" dos britânicos Tap Tap.

Altamont Recomenda:

Novo vídeo dos The Walkmen, ainda retirado do último álbum, Lisbon. No words needed.

08 março 2011

Álbum Fresquinho: Radiohead - "The King of Limbs"

Um simples "Radiohead have a new album", como fez o meu colega de chafarica Cisto a propósito dos Deerhoof seria mais que suficiente para este The King of Limbs, afinal de contas, é um álbum dos Radiohead. Dispensa apresentações, análises exaustivas, comentários, teorias, comparações, reviews, afinal de contas, é um álbum dos Radiohead. Os próprios membros da banda sabem que quando fazem um álbum o único espectro que os assombra é o das elevadas expectativas que os fãs têm. Mas sosseguem os fãs, afinal de contas é um álbum dos Radiohead. Sou suspeito para vir aqui escrever sobre os Radiohead?  Eu, culpado, me confesso. E sem mais palavras, sem mais demora, passemos à música, que está já já aqui abaixo. Afinal de contas, é um álbum dos Radiohead.

07 março 2011

Concertos da Semana: 7 a 13 de Março

Podemos dizer que esta não é claramente uma semana forte em concertos. Gogol Bordello? Been there, done that. Joan as a Police Woman? Já cá esteve também algumas vezes. Resta-nos Arthur Doyle e Glass Candy. Não conheço. Vou pesquisar. Pesquisei. Glass Candy electrónica com alguma pinta. Encaixa bem no estilo Lux. Arthur Doyle o completo oposto - saxofonista em regime free-jazz, que já anda há uns bons tempos metido nas andanças da música. O seu primeiro álbum é de 1978, e é claramente um artista que tenta sempre levar a música a extremos. Como acho que esta atitude é de louvar, aqui fica o senhor Arthur Doyle (não consegui encontrar um vídeo bom que permitisse colocar aqui, pelo que fica o link para aquele site onde há vídeos de tudo e mais alguma coisa. Link.). Enjoy!


Playlists: iCyst 07-03-2011

c'moon, dá o mote, mouse on mars oscila, áfrica

04 março 2011

Num DVD perto de si: "The Concert for Bangladesh"

Tido como o primeiro grande concerto de ajuda humanitária, o Concerto para Bangladesh nasce com Ravi Shankar, pela necessidade de ajuda imediata aos refugiados do então Paquistão Este, na altura da guerra da independência. Pedindo ajuda ao seu grande amigo, George Harrison, acabado de lançar o seu primeiro disco a solo e de separar finalmente da sua banda de sempre, Ravi sabia que haveria ter grande exposição e impacto mediático, conseguindo deste modo aumentar as receitas para a ajuda. Em apenas pouco tempo, George conseguiu um grande número de "amigos" para dois concertos no famoso Madison Square Garden, em Nova Iorque. Esse "amigos" não nada mais do que Ringo Starr, Leon Russell, Eric Clapton, Bob Dylan, entre tantos outros. Os dois shows e a gravação do concerto, conseguiram angariar algum dinheiro. Tendo sido apenas uma pequena ajuda para os refugiados, os concertos foram de grande qualidade. Deixo-vos então com o concerto completo por partes...

03 março 2011

Álbum de Estimação: Pink Floyd - "The Final Cut" (1983)

O que dizer de mais um disco de uma banda sobejamente conhecida e apreciada e criticada por esse mundo fora ao longo destes anos todos? Bem, muito pouco, mas, não se tratando de um disco demasiado conhecido no universo Pink Floyd, tomei a liberdade de o trazer, até porque foi um disco que foi crescendo e melhorando com o tempo desde que comecei a ouvir Floyd...
Tido como o primeiro disco a solo de Roger Waters, apesar de ainda contar com David Gilmour e Nick Mason (Rick Wright fora despedido ainda antes da conclusão do disco anterior, The Wall), The Final Cut foi mesmo o fim da linha para a banda inglesa. O resto da história já é, por demais, conhecida. Gilmour  pegaria no nome da banda, tendo gravado dois discos (fracos) com uma pequena ajuda dos outros membros, Rick e Nick e daria centenas de concertos.
Mas voltemo-nos para o disco em questão. Para Waters, a angústia, dor e drama de Wall não tinha sido suficiente. As suas feridas interiores originadas pela guerra que matou o seu pai e consequente alienação não tinham sido curadas. A sequela viria em Final Cut. "Um requiem para o sonho do pós-guerra" por Roger Waters, dizia o disco. Se The Wall, pese embora fosse uma criação quase 100% de Waters, é uma obra à Pink Floyd, cheia de ornamento, efeitos e grandiosa, Final Cut mostra-nos um lado muito mais crú e vulnerável de Waters, chegando mesmo a ter momentos ternos no meio do lamento de tudo o que a guerra criou e trouxe. Mas a verdade é que, pese embora este seja um trabalho todo feito por e para Waters, à excepção de "Not Now John", parcialmente cantada por Gilmour, Final Cut é um disco que ganhou valor com o tempo, mais do que qualquer um dos primórdios psicadélicos. É um disco adulto, com uma mensagem ainda actual e com uma produção fantástica. Pena que a colaboração de Gilmour não tenha sido tão utilizada como se desejaria mas isso seria uma situação quase impossível dada a quase loucura de Waters com o seu trabalho. Não mais a dupla voltaria a tocar junta até 2005 por altura do Live 8. Deixo-vos com a audição desta semi-ópera rock sobre a guerra, por Roger Waters e cia.


02 março 2011

Altamont Recomenda:

Esta é para o nosso colaborador Dudu, que tem especial afeição por música portuguesa actual e particularmente por estes Velhos, que de velhos nada têm, tal é a energia que descarregam nesta música. Aqui vos deixo "Senhora do Monte", Os Velhos.

Altamont Recomenda:

LEWIS FLOYD HENRY

Este multi-instrumentalista londrino, com ares de Jimi Hendrix e Robert Johnson está a ser o furor. Um antigo graffiter e músico de rua, Lewis destaca-se pela alma que confere nas suas músicas e que podem ser apreciadas em alguns sítios do Sul de Londres.





01 março 2011

Álbum Fresquinho: Beady Eye - "Different Gear, Still Speeding"

O ano de 2009 acabou a notícia trágica (ironia, apesar de tudo) da discussão (desta vez, sem volta ou será mesmo assim?) da infame dupla de Manchester, os irmãos Gallagher e consequente desmembramento da banda Oasis, formada no início dos anos 90. Importa dizer que a banda de Manchester teve um sucesso astronómico com o seu primeiro disco, Definitely Maybe, que apesar de ser uma amálgama de influências e mesmo roubos (olá T-Rex em cigarettes and alcohol) de várias bandas, não deixa de ser um álbum poderoso e que marcou o seu lugar na história do pop/rock. A partir daqui foi sempre a descer. What's the Story (Morning Glory) foi um bom álbum, onde sobressaiam as açucaradas "Wonderwall, "Don't Look Back in Anger", "Some Might Say" ou "Champagne Supernova", no entanto, o rasgo criativo começava a desaparecer e isso viu-se logo em Be Here Now, disco muito fraco, cheio de clichés e sucedâneos dos discos anteriores. Aliás, o melhor ficaria escondido em B-sides, que só parte veria reconhecimento anos mais tarde em Masterplan. Com a musa criativa a voltar costas a Noel Gallagher, os episódios alheios à música iam acontecendo. Após a mudança de baterista após o primeiro disco, seriam agora os fiéis sidekicks que abandonariam o barco. Muita confusão ia na cabeça de Noel, o que o fez até dar voz (leia-se escrita) a Liam. O resultado seria pavoroso ("Little James"), no entanto pôs o jovem Gallagher a pensar mais com a cabeça e menos com os tomates. O resultado vê-se hoje em dia. Sim, Liam não é Noel. E Nunca o será. É um arruaceiro, um "bronco", um bully. Alguém que não escolheríamos para amigo. Tem todo o ar que não diz uma frase de jeito, quanto mais escrever uma música decente. No entanto, em pouco mais de dez anos, Liam, com a ajuda do persistente companheiro de banda, Gem Archer, conseguiu desenvolver algo para além daquela voz suja do Rock na qual Liam é um dos últimos timoneiros num mundo heroís pícaros. De facto, esta primeira experiência de Oasis "sans" Noel é, relativamente surpreendente. Sempre fui um "George", como há pessoas que são mais "Paul" ou "John", e, relativamente a Oasis, sempre fui um "Noel". Considerava a voz do Liam como gasta, irritante passadas algumas audições e não acreditava num disco todo liderado por este "selvagem" de Manchester. Apesar das habituais charopadas como em "Kill for a Dream", os Oasis, perdão Beady Eye, continuam a carregar a chama do velho Rock 'n Roll para quem ainda está interessado nele, porque apesar de serem muito mais básicos do que se faz hoje em dia, há sempre um momento em que nos faz bem ouvir guitarradas e solos, cada vez mais em vias de extinção nos dias que correm...

Playlists: iFrod 01-03-2011

Esta playlist serviu de base para a banda sonora do aniversário do nosso querido colaborador e amigo, Bonas. Como nem toda a gente conseguiu ter acesso a ela, acho de todo justo que a compartilhemos com o mundo Altamont. Aqui fica ela, então:

Concertos da Semana - 1 a 6 de Março

E eis que chega Março, o mês que diz adeus ao Inverno e ao consequente frio e que nos faz estar mais motivados para ir a concertos. Este, porém, não é um mês pródigo em grandes concertos e para esta semana só vos vou recomendar dois. Assim temos:

-Led On, dia 3 no Musicbox. Não sendo um fã de bandas tributo, tenho que tirar o chapéu a esta banda portuguesa que nos transporta para o universo de Jimmy Page, Robert Plant, John Bonham e John Paul Jones com uma qualidade que impressiona. Terão o meu apoio nesta quinta no Musicbox.



-Irmãos Catita, dia 5 no Santiago Alquimista. Nunca é demais ver ou rever Manuel João Vieira e os seus catita. Está garantida a noite, sempre com muito deboche à mistura.