A discussão desta semana roda à volta da eterna luta Concertos vs Festivais.
1)Preferem ver um concerto de uma banda, a qual prepara um set maior e, talvez, mais intimista ou um festival onde podem ver algumas das vossas bandas favoritas tocar um set pequeno mas, em compensação, descobrir aqui e ali algumas bandas que, caso contrário poderiam nem sequer ouvir falar delas.
2)Qual o ambiente que mais vos agrada? O do festival, geralmente de verão, onde, por vezes, há uma misturada de tribos, e decorre, por norma, durante 3/4 dias ou o do concerto onde se vai apenas para uma banda e já está.
Ficam aqui as perguntas. Espero, então, a vossa opinião.
29 outubro 2010
Altamont Recomenda
Anda por aí um novo álbum dos Deerhunter, de nome de dificil pronúncia - Halcyon Digest. Não sei o que quer dizer, mas queria deixar aqui uma boa amostra do que estes senhores andam a fazer. Parece-me que tem o seu q de interesse (depois se apetecer a alguém que se disponibilize a explicar aqui abaixo na caixinha dos comentários o que quer dizer esta expressão "q de interesse" porque eu uso-a mas não sei bem explicar a coisa) Dito isto, enjoy!
28 outubro 2010
Álbum de Estimação: The Go! Team – "Thunder, Lightning, Strike" (2004)

No ano 2000 saía da cabeça, e dos dedos, de Ian Parton um projecto ao qual chamou The Go! Team. Nome irónico, porque na altura a equipa era só ele, e a sua maquinaria. Só em 2004 se formou banda, quando foi preciso tocar num festival e Ian Parton viu que precisava de mais gente para dar um concerto. Foi recrutando pessoas, algumas por anúncios no jornal, e assim formou o grupo, um sexteto.
O primeiro disco, Thunder Lightning Strike, é lançado em 2004, e entra de rompante na cena musical internacional, tão rompante como a música deste disco e como o próprio título indicia.
Este álbum entra na categoria dos incategorizáveis. Não pertence a nenhum género específico, não se cola a nenhuma época concreta. É antes um emaranhado de sons e vozes, que fazem deste um álbum de PresentePassadoFuturo. Tudo ao mesmo tempo.
O som dos Go! Team é uma manta de retalhos. Tudo começa num trabalhoso processo de corta e cola, com uma série de samples, dos mais variados possíveis, desde temas de anúncios da televisão dos anos 70, excertos de músicas de Dolly Parton a Quincy Jones, temas de filmes, e por aí em diante, até onde a imaginação levar. Com esta base, são depois introduzidos instrumentos – guitarras, secção rítmica, sopros, teclas – e vozes.
O resultado é uma salada sonora, com músicas anacrónicas, que representam exactamente todos os tempos verbais – são feitas no presente, com técnicas do futuro, e muitas vezes remetem para um passado (feito com muito soul e funk ). Cada música é uma construção que leva várias camadas de sons e outros elementos.
O tom é basicamente de festa, descarga de energia, instantânea, que sai de cada nota directamente para a cabeça e para o corpo. Músicas como “Huddle Formation” ou “Junior Kickstart” são dessas, frenéticas, que fazem os pés e as pernas abanar. Há no disco um ou outro momento mais calmo (“Feelgood by Numbers”), que serve para descansar o corpo, antes de voltar à algazarra dançante. Depois, é voltar ao início. Este é um disco para ouvir em repeat, com 11 músicas em pouco mais de 30 minutos.
Um primeiro disco é quase sempre um disco de estimação, ou porque os seguintes são bons, ou porque os seguintes são maus. Neste caso o seguinte é igualmente bom, mas menos ingénuo, e por isso guarda-se com estima esta primeira aventura.
27 outubro 2010
Fotoreportagem: Dead Combo - Cinema São Jorge: 26-10-2010
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| (clickar aqui para mais fotos do concerto) |
Grande actuação de uma grande banda. Lotação esgotada no São Jorge, não para ver um filme, mas para ver a sua banda sonora.
Os Dead Combo são uma dupla, guitarra e contra-baixo. As músicas são instrumentais, e quando há voz, não é para cantar, mas antes para falar, ou recitar, ou simplesmente vociferar.
Os Dead Combo já tinham provado que são um projecto diferente no panorama nacional, não são mais do mesmo. Trazem frescura e uma abordagem western à canção portuguesa (uma das músicas é fado eléctrico não cantado), e já tinham mostrado que são dois músicos cultos.
Agora, surgem ao vivo com a Royal Orquestra das Caveiras - 3 sopros, bateria e piano - que vem dar ainda mais densidade e impacto ao filme sonoro que se apresneta em palco, com os realizadores, Tó Trips e Pedro Gonçalves, encarregam-se de gritar luzes camera acção.
Esta nova abordagem que os Dead Combo fizeram à sua própria música, ao incluir uma royal orquestra, veio refrescar aquilo que podia começar a entrar numa espiral de repetição - mesmo com todo o virtuosismo que há naqueles 10 dedos, 2 instrumentos de cordas, sozinhos, acabam por esgotar as possibilidades de exploração.
Há vitalidade nos Dead Combo.
Duas mesas e eu na terceira: Quando escutado no momento certo
Hoje a tipa bazou de casa.
Adeus.
Não te quero ver mais, és feia e és doente e guardas a escova de dentes
no quarto.
Não cheiras mal mas apetecia-me dizer que
cheiras mal.
Quando te sentes mal
dizes “Estou doentxinha”
num sorriso demencial.
É espanhola mas aprendeu português no Brasil,
lhe disse que não
não podia levar a cama da casa que deixara
de pagar.
Dizia que a cama já tinha a forma dela
e achou-me um ditador satânico por não deixá-la
levar a cama.
Adeus.
O meu melhor amigo nesta cidade
apaixonou-se por ela
apesar dela ser louca e guardar a escova de dentes
no quarto
e não usar o bengaleiro
nem deixar os sapatos na despensa
nem a toalha na casa de banho
nem nunca ter deixado uma mola de cabelo ou umas chaves
na mesa da sala,
apaixonou-se apesar de ter namorada
e apesar do único contacto que quer ter com ela é em forma de
festinhas no braço,
barriga no máximo
e gosta da tipa apesar dela nunca ter dito uma frase de jeito
e apesar do único contacto que quer ter com ela é em forma de
festinhas no braço,
barriga no máximo
e gosta da tipa apesar dela nunca ter dito uma frase de jeito
em três meses de convivência.
Tenho uma empregada chamada Nafta
que anda no 6º ano da escola e com quem tenho conversas mais interessantes
do que com ela
e então deixei de ter o meu amigo
porque ao zangar-me com ela zanguei-me com
Ao invés tenho uma casa com três quartos,
uma liquidificadora uma tostadeira uma panela de teflan um wok e uma faca de cozinha
daquelas boas.
Ela levou a mangueira da botija de gás
e hoje não posso cozinhar.
Levou também o boião onde tinha o açúcar
e o caixote do lixo da cozinha
e o da casa-de-banho
e mais algumas coisas.
Acho que fiquei com o mais importante,
que acham?
E como este é um blog sobre música
eu digo:
neil young é maningue nice
quando escutado no momento certo.
26 outubro 2010
Álbum Fresquinho: Best Coast - "Crazy For You"
Os Best Coast já tinham sido alvo de um Recomenda no passado mês de Julho, mas entretanto lançaram o seu primeiro LP, este Crazy For You, e, a meu ver, não foi feita a devida saliência ao mesmo.
Primeiro que tudo, começo por dizer que chamar isto de um Long Play pode parecer um pouco falacioso, uma vez que contando com o bonus track totaliza uns meros 31 minutos. O que chateia um bocado, porque chega ao fim rápido e temos de carregar no play outra vez e outra e outra, até chegarmos a um ponto de saciamento que parece nunca chegar. Sabe bem ouvir este álbum, principalmente por parecer simples. Letras simples sobre relações com rapazes, sobre being lazy, sobre o tempo, arranjos simples e formato standard rock guitarra baixo e bateria. Parece tão simples que até dói. Numa altura que aparecem diariamente bandas novas a ser faladas em blogs, sites, etc, torna-se cada vez mais dificil separar o trigo do joio, mas parece-me que estes Best Coast são mais trigo. Bethany Consentino e o seu parceiro multi-instrumentista Bobb Bruno ganharam pelo menos uma oportunidade de me provar se estarei certo ou errado, enquanto este Crazy For You me for acompanhando por uns tempos próximos com o seu surf-pop-garage-whatever. Play.
25 outubro 2010
Concertos da Semana - 25 a 31 de Outubro
Ora bem, a apenas uma semana de começar um dos meses mais empolgantes em Portugal, mais concretamente em Lisboa, no que diz respeito a concertos, esta não é o que se pode chamar uma semana muito rica, especialmente em comparação com o que vem aí.
Deste modo o destaque desta semana vai, essencialmente para uma série de concertos a realizar na sala principal do cinema São Jorge. Começa a 26 com os Dead Combo ajudados com Royal Orquestra das Caveiras. Seguem-se os Virgem Suta a 27 e os Orelha Negra, uma das boas surpresas nacionais, a 28. Nos últimos dias do mês, os Moonspell apresentam, também no São Jorge, "Sombra", um espectáculo "semi-acústico"das suas canções mais conhecidas.
A nível internacional passarão, também, por cá nomes como os A Flock of Seagulls, acabadinhos de regressar dos anos 80, esta banda "one hit wonder", tentará chamar o público português, hoje na Aula Magna, à conta do seu êxito com quase 30 anos, "I Ran (So Far Away)"
Com mais interesse assistiremos ao regresso dos britânicos Tindersticks no Coliseu, dia 28 e do brasileiro Seu Jorge no Coliseu, a 29.
Para fechar o mês, celebrando o Halloween, Manel João Vieira, propõe uma festa no seu espaço, Maxime, com a sua banda, Irmãos Catita.
(para mais concertos, ver Agenda na barra lateral)
Deste modo o destaque desta semana vai, essencialmente para uma série de concertos a realizar na sala principal do cinema São Jorge. Começa a 26 com os Dead Combo ajudados com Royal Orquestra das Caveiras. Seguem-se os Virgem Suta a 27 e os Orelha Negra, uma das boas surpresas nacionais, a 28. Nos últimos dias do mês, os Moonspell apresentam, também no São Jorge, "Sombra", um espectáculo "semi-acústico"das suas canções mais conhecidas.
A nível internacional passarão, também, por cá nomes como os A Flock of Seagulls, acabadinhos de regressar dos anos 80, esta banda "one hit wonder", tentará chamar o público português, hoje na Aula Magna, à conta do seu êxito com quase 30 anos, "I Ran (So Far Away)"
Com mais interesse assistiremos ao regresso dos britânicos Tindersticks no Coliseu, dia 28 e do brasileiro Seu Jorge no Coliseu, a 29.
Para fechar o mês, celebrando o Halloween, Manel João Vieira, propõe uma festa no seu espaço, Maxime, com a sua banda, Irmãos Catita.
(para mais concertos, ver Agenda na barra lateral)
23 outubro 2010
Que se foda o fil colíns
Imaginemos o homem na pré-historia quando descobriu que as construções não são apenas as feitas de pedras, paus e colmo mas também dos sons que surgem dum tronco oco de árvore antiga. Ou mesmo dos sons que vem dos pulmões dos homens (quando ainda não havia nome para a caverna que existe no interior do peito), que emergem em murmúrios durante as caminhadas. Terá pensado em silencio nas imensas possibilidades da sua descoberta? Terá a musica precedido a linguagem? E sem linguagem terá conseguido formular no seu cérebro este tipo de descobertas? Terá apenas explorado sem preocupações intelectuais?
Paul Gauguin no auge do período industrial apercebendo-se da sua própria sujidade interior tentou, primeiro nas aldeias perdidas da Bretanha e mais tarde nas colónias francesas da Polinésia, atingir um estado mais selvagem, considerado por ele um estado mais puro. Não encontrou esse estado primordial com que sonhou e acabou ate por morrer de doença de homem branco, transmitida num coito lamacento, na certeza de que não existe já um espírito que seja que esteja livre da corrupção.
Indicações: A altura ideal para escutar esta obra nipónica é precisamente nos vossos escritórios ou na comuta (perdoem-me o inglesismo) diária se for feita de metro ou comboio. Em alternativa, durante um concerto de Green Day ou de uma banda tributo aos Led Zepellin. Ponham headphones, claro. E não estou a brincar.
Eu sugeria sacarem esta el paso inferior, ou, melhor, comprarem-na online, do que estarem a ouvi-la aos bocados no youtube.
22 outubro 2010
Discussão à 6ª: O Fade-out
O tema que queria lançar para cima da mesa/vosso monitor de computador hoje é o do Fade-out, aquela opção que os músicos têm de acabar uma música pura e simplesmente baixando o som da mesma até se atingir o silêncio. Temos muito e muitos casos de artistas que optam por esta solução. Será preguiça? Desleixo? Ou opção técnica e assumida como melhor? Na minha opinião, todas as músicas deveriam ter um ponto final em vez de 3 pontos, porque o final realmente marca, fica no ouvido e acaba por ser uma referência. Apresento-vos em baixo um caso muito recente que a mim me surpreendeu, porque a música parece que ganha ali uma nova vida e depois acaba.
E outra da mesma banda do mesmo álbum com um fim aparentemente mais trabalhado, pensado e que a meu ver tem maior impacto.
É bastante complicado discutir arte, mas neste caso específico gostava de saber qual a vossa opinião sobre o Fade-out? Vale como opção ou eles deviam pensar em algo mais?
Altamont Recomenda
Não é uma banda nova, mas apenas um video novo para uma excelente música do último álbum e acompanha o anúncio que vêm cá em Maio de 2011 pelo que me pareceu relevante de aqui colocar também.
Enjoy!
21 outubro 2010
Álbum de Estimação: Beck - "Odelay" (1996)
Quando Beck apareceu com o seu "Loser" pareceu-me mais um one hit wonder lançado pela MTV para ser mastigado até à exaustão e depois regurgitado. Kurt Cobain tinha acabado de se suicidar e o mundo da música (especialmente os media que vivem às custas do mundo da música) abriram o recrutamento para a vaga deixada em aberto de centro das atenções. Beck tinha semelhanças físicas com Kurt e cantava com orgulho o facto de ser "Loser", que naquela altura era visto como topo de carreira. Nada mais fixe do que ser um "Loser" em 1994 e como tal a MTV decidiu dar-lhe airplay a rodos a ver se a coisa pegava. Mas a grande maioria desconfiou logo da brincadeira e não se deixou convencer. Na minha opinião, e fantasiando um pouco à volta do tema, o próprio Beck não gostou da brincadeira e, ressabiado por ter sido utilizado, decidiu mostrar do que era capaz. Assim se fez Odelay e a sua teia única e absurda de samples, arranjos, instrumentos e principalmente de emoções num mesmo álbum, e por vezes numa mesma música.
Olhemos por exemplo para "New Pollution" - começa em ritmo de música de Natal com efeitos sonoros de desenhos animados, passa bruscamente para uma forte batida de bateria e cheia de ritmo apelando à dança, entra depois um assustador sample de saxofone a acompanhar e aquilo tudo mistura-se num grande loop final, terminando ao som do saxofone sozinho. É apenas uma amostra do que é este disco, uma amálgama de momentos de diferentes estilos musicais que intrisicamente cosidos fazem sentido. Beck não passa de uma velhinha sentada na sua poltrona a fazer tricot com todo um universo musical. E o resultado é qualquer coisa de extraordinário.
Em jeito de conclusão (e de forma a poderem passar à audição se é que ainda não o fizeram) diria que poucos são os álbuns dos anos 90 que ouvidos hoje soam tão frescos como este Odelay, aposto que se eu lhe mudasse o nome e o colocasse na rubrica dos Álbuns Fresquinhos ninguém iria dar pela falcatrua. E pensar que já foi lançado há 14 anos...
20 outubro 2010
Músicas com História: Altamont
"Isso é tipo para ser Altamente?" Não. O nome deste vosso querido blog não buscou a sua inspiração nessa palavra. Este blog foi buscar o nome a um dos acontecimentos mais marcantes da história dos anos 60. Não. Não foi o Woodstock mas sim o seu primo maquiavélico e malvado. O Festival Altamont, realizado apenas uns meses depois e com um desfecho completamente diferente. Ora então peguem uma cadeira, sentem-se confortáveis porque o que agora vão ouvir (ler) é uma história sobre o início do fim da utopia hippie e dos próprios anos 60 em si. Ora cá vai:
“Please Allow me to introduce myself, I’m a man of wealth and taste...” vociferava um alucinado Mick Jagger enquanto em seu redor, se dava a machadada final, quase literalmente, na geração Paz e Amor. Era o fim da inocência...
“This is the beat generation” afirmava, duas décadas antes, Jack Kerouac ao descrever o seu círculo social. Era o surgimento de uma nova corrente, um estilo diferente, claramente associado aos artistas e escritores boémios e consumidores de droga.
O conceito de Beat Generation era apenas este: liberdade criativa e espontânea. Daqui saíram obras primas como Howl de Ginsberg ou On the Road do próprio Kerouac.
O seu interesse na experimentação, nomeadamente nas drogas e sexo, aliado à confrontação à autoridade influenciaram muitos que sentiram estar aí a resposta, surgindo, nomeadamente nos anos 60, aquilo a que se acabou por chamar de uma contra-cultura. Uma oposição ao sistema,
especialmente por parte da população jovem.
especialmente por parte da população jovem.
O mundo estava a mudar, Kennedy era assassinado em Dallas enquanto
19 outubro 2010
Álbum Fresquinho: Robert Plant - "Band of Joy"
Depois de ter espantado meio mundo ao recusar fazer parte de lucrativa reunião com os Led Zeppelin (após aquele brilhante espectáculo em finais de 2007 que pôs os fãs com “água na boca”) e ter tido um algum sucesso com o melódico “Raising Sand” (co-assinado com a cantora country Alison Krauss), pode-se dizer que o Sr. Robert Plant, inglês, 62 anos e CBE (Commander of the Order of the British Empire) está-se basicamente nas tintas!
Senhor do seu próprio destino, o ex-vocalista dos (imortais) Led Zeppelin prefere hoje em dia fazer discos que lhe dão realmente gozo, do que embarcar em “modas” de reuniões nostálgicas (que muito raramente cumprem as expectativas). Bem pelo contrário, Plant está definitivamente “noutro registo”. Recentemente chegou a afirmar a propósito de um concerto que assistiu dos Them Crooked Voltures (onde milita o seu “ex-colega de armas”, John Paul Jones) que já não tinha qualquer conexão com o rock pesado e que ficou com as “orelhas a sangrar”.
Gostos à parte, o Sr. Plant lá tem as suas razões (o peso da idade pode ser uma delas) para partir para outras “ruas” musicais. Nomeadamente por “avenidas” onde cheira a Country, a Americana, a Gospel, a Folk ou a Blues. Géneros que se mesclam com um “rockzinho”, leve e suave (como demonstra aqui “You Can´t Buy My Love”). Ou seja: música para se ouvir enquanto se retemperam as forças numa soneca depois do almoço.
É esse “estado de alma”, preguiçoso e sonolento que temos este novo “Band of Joy” (nome da antiga banda de Plant e John Bonham antes destes ingressarem nos Led Zeppelin). Se não conhecêssemos Plant de lado algum, nunca adivinharíamos que ele algum dia foi um temerário ”Deus do Rock”. Portanto, não se espere aqui grandes riffs de guitarra, solos dilacerantes, ritmos avassaladores, composições épicas ou vozes de trovão como em clássicos como “Black Dog”, “Whole Lotta of Love”, “Kashmir” ou inevitavelmente “Stairway to Heaven”.
“Band of Joy” está a milhões de anos do tempo em que os “velhos dinossauros do rock” governavam a moda e os tops. No entanto, o disco não deixa de ter os seus méritos. Plant consegue mostrar ainda que está em boa forma vocal em canções como “Angel Dance” ou “House of Cards”. Depois há também lugar a momentos mais sublimes como no soturno “Monkey”, na balada etérea “Silver Rider” ou no excelente blues “Satan Your Kingdom Must Come Down”. Todas elas seriam idílicas se as pudéssemos escutar no final de um dia de Verão, a meio de uma auto-estrada perdida no deserto, algures entre a Califórnia e o Nevada.
A fechar temos o título (algo profético) “Even This Shall Pass Away”. Um caminho mais experimental, um som mais rude e que se calhar é uma forma de Plant nos mostrar o que há-de vir. Mais coração, mais emoção, menos guitarradas e menos distorção. A idade já vai pesando e os ouvidos de “Sir” Robert também. Por isso, (e enquanto a reforma não chega), venha de lá essa “ternura dos sessenta”...
18 outubro 2010
Altamont Recomenda
O Recomenda de hoje fica a cargo dos Indian Wars, banda de Vancouver, com o tema "If You Want Me". Diria que se encaixam no género garage punk e lançaram recentemente um EP com o mesmo nome da música que aqui vos apresento.
Enjoy!
Concertos da Semana - 18 a 24 de Outubro
O grande destaque esta semana ao nível de eventos musicais é para mim o DocLisboa.
O festival de cinema documental inclui na sua programação uma secção de nome Heart Beat dedicado aos documentários relacionados com o mundo da música e a meu ver há pérolas que não devem ser desperdiçadas, até porque como bem sabemos costumam ser oportunidades únicas de os conseguir ver. Dos 14 filmes presentes nesta secção há filmes para todos os gostos musicais - dos Beatles e Rolling Stones, a Frank Zappa, indo até à música africana e as suas raízes e passando por uma noite histórica da música brasileira. De realçar também um documentário de Fatih Akin, nome de realce do cinema turco/alemão, que usa a música para estabelecer uma ponte entre esses dois países ligados por laços de emigração.
Aqui fica um link para a programação completa, onde poderão ver sinopses horários e locais dos filmes (secção heart beat entre as páginas 57 e 61).
Quanto a concertos propriamente ditos, poderão consultar data e local dos mesmos na barra lateral do blog (Agenda).
16 outubro 2010
Que se foda o fil colíns
Estalou-me uma vertebra: aproximei-me do gradeamento - o intuito era parar - mas a bicicleta tropecou no lancil. Na altura preocupei-me em, aos solavancos, retomar a marcha, como quem deseja um numero minimo de testemunhas da burrice. Mais tarde entrava na carruagem do comboio e enquanto com o olhar procurava o melhor lugar da mesma, uma dor de anis subiu-me pela espinha, ao seu longo, para ser mais preciso, e puxou-me as orelhas. Limitado a movimentos minimos com o garganete, enfiei os headphones e fui levado pelo paquistanes Ahmed (ahrre-mede)
15 outubro 2010
Discussão à 6ª: Música Clássica
Qual o valor que damos hoje à música clássica? Foi esta a pergunta que me veio à cabeça ao ter uns minutos livres no intervalo entre a 40ª Sinfonia e o Requiem de Mozart e ao olhar à minha volta e aperceber-me que a média de idades dos presentes deveria rondar os 55 anos. Talvez até mais, mas não quero parecer exagerado e distrair do ponto principal da questão. E o ponto principal que quero lançar é: Será a música clássica o apogeu da música e só tarde na nossa vida, com o acumular de conhecimento, sabedoria, percebemos isso? Ou será que nos falta é educação de base para nos apercebermos mais cedo da sua importância e grandiosidade?
Quero colocar desde já em cima da mesa e desmistificar um aspecto que é utilizado muitas vezes como justificativa - o aspecto financeiro. Hoje em dia um concerto de música clássica é mais barato que os concertos de pop/rock que por aí se vendem, basta um saltinho à página da gulbenkian e verão muitos concertos a menos de 30€, preço que paguei por um bilhete para ver os The Walkmen, por exemplo. As óperas são um pouco mais caras, é um facto, mas também é um outro nível de produção e de trabalho envolvido. Fica ainda com certeza mais barato que um qualquer jogo da Champions.
Assim sendo, o que desmotiva um jovem de 20 anos a nem sequer ponderar a possibilidade de ir experimentar um destes concertos? É algo que me atormenta, olhando para mim próprio que não o fiz aos 20 e só aos 30 comecei a abrir as portas a este mundo e agora penso que foram 10 anos que poderia ter acumulado mais uma camada de conhecimento e assim não foi. O que fazer para estimular os jovens a quererem conhecer mais do que o que lhes é oferecido?
Desde já agradeço a vossa opinião aqui abaixo na caixinha dos comentários!
Quero colocar desde já em cima da mesa e desmistificar um aspecto que é utilizado muitas vezes como justificativa - o aspecto financeiro. Hoje em dia um concerto de música clássica é mais barato que os concertos de pop/rock que por aí se vendem, basta um saltinho à página da gulbenkian e verão muitos concertos a menos de 30€, preço que paguei por um bilhete para ver os The Walkmen, por exemplo. As óperas são um pouco mais caras, é um facto, mas também é um outro nível de produção e de trabalho envolvido. Fica ainda com certeza mais barato que um qualquer jogo da Champions.
Assim sendo, o que desmotiva um jovem de 20 anos a nem sequer ponderar a possibilidade de ir experimentar um destes concertos? É algo que me atormenta, olhando para mim próprio que não o fiz aos 20 e só aos 30 comecei a abrir as portas a este mundo e agora penso que foram 10 anos que poderia ter acumulado mais uma camada de conhecimento e assim não foi. O que fazer para estimular os jovens a quererem conhecer mais do que o que lhes é oferecido?
Desde já agradeço a vossa opinião aqui abaixo na caixinha dos comentários!
Altamont Recomenda
Os Tennis, com Marathon, música presente no 7'' lançado no passado mês de Agosto Underwater Peoples.
Enjoy!
Enjoy!
14 outubro 2010
Álbum de Estimação: The Zombies - Odessey & Oracle (1968)
Ele há coisas assim. Por vezes, quando já não pomos pressão numa coisa porque sabemos que a partir daí seguiremos outro rumo, acontece exactamente o oposto do que se passaria se estivéssemos a dar o máximo. Este Odessey & Oracle é o exemplo disso mesmo. Gravado em 1967, em pleno "Verão do Amor" quando a banda já estava a fazer contas à vida por achar que não passava da cepa torta, pois tardava em afirmar-se ao nível de outras bandas, este disco surge como o canto do cisne desta banda inglesa que já estava praticamente separada quando o disco foi finalmente editado em 1968. Mas retomemos uns anos antes para recordar a histórida dos Zombies.Formados em 1962, a banda de Hertfordshire cedo mostrou que não fazia parte da leva inglesa que invadiu os Estados Unidos dois anos mais tarde. É certo que foi metida no mesmo saco até porque alguns dos seus temas continham o tal Ritmo & Blues que a maior parte das bandas britânicas vinham a exibir. No entanto, o grupo, composto, principalmente, pelo vocalista Colin Blunstone e o teclista Rod Argent apresentavam uma bagagem musical muito mais clássica, o que, por vezes, até lhes deu imagem mais negativa, como se fossem uns "meninos", sem o rasgo que apresentavam os Stones, Kinks ou Who. Óbvio que cada banda deve jogar com o melhor que tem e, se calhar, as editoras nunca perceberam bem qual a linha desta banda e tentaram encaixá-la com outras bandas que não seriam bem o mesmo estilo. Isso fez com que os Zombies nunca fossem uma banda muito popular naqueles dias nem sequer tivessem singles que fossem muito comerciais nem "radio friendly". Isto numa altura em que os LPs não eram de grande importância e que um simples single poderia mudar a história de uma banda. Aparte do ligeiro sucesso com "She's Not There", isso não aconteceu com a banda de Argent e, passado alguns anos e sem mostrar provas de êxito financeiro, a editora Decca, resolveu não renovar contrato deixando-os à deriva. A CBS propôs um contrato para a gravação de um disco. A banda acedeu mas, farta de andar esta vida insegura, resolveram que seria o último. Alguns elementos da banda deixaram inclusive de tocar música. No entanto algo de muito positivo estava reservado para a gravação deste disco. Terá sido a despreocupação de já não ter de mostrar serviço ou o sentimento de que deveriam acabar em grande, ou apenas a conjugação de factores cósmicos, a verdade é que os Zombies deixaram uma obra prima para as gerações vindouras. Claro está que o disco aquando da sua edição falhou rotundamente, sobretudo em solo britânico. Nisto, os elementos da banda já seguiam o seu próprio caminho, sem olhar sequer para trás. Rod Argent fundou a sua própria banda com um registo mais Hard Rock, enquanto o vocalista Blunstone trabalhava em seguros. No entanto, vindo do nada, a edição de "Time of the Season", em 1969, deu aos Zombies, o seu hit single que tanto tinham procurado em "vida". Além disso, fez também ressurgir das trevas este disco escondido, mostrando ao mundo as pérolas escondidas em 12 músicas de ode ao melhor do psicadelismo e pop barroco britânico.
Este disco, com pouco mais de 30 minutos faz-nos mergulhar num som recheado de imensos instrumentos cada um com várias camadas assim como várias vozes e coros. Uma mistura de Pet Sounds, Yellow Submarine, Magical Mystery Tour ou Syd Barrett mas num tom muito mais clássico do habitual do rock psicadélico. A pop barroca no seu melhor.
Se o preço a pagar para este disco surgir teve que ser o desmembramento da banda, então Argent e companhia que me perdoem mas...valeu a pena...
13 outubro 2010
Fotoreportagem: Andrew Bird - Aula Magna - 7.10.2010
(clickar na foto para mais imagens deste concerto)
The Legendary BirdMan
O concerto de Andrew Bird na Aula Magna foi um one man show, tal como nós temos os Tigerman. O homem pássaro toca violino, xilofone, canta, assobia, faz loops, e anda em palco descalço, mas de fato. O homem é um talentoso virtuoso da escrita de canções e da técnica dos instrumentos - mas é para quem gosta, para os outros é só uma ligeira seca.
Este concerto não foi de apresentação de novo álbum, o último é de 2009, mas serviu também para apresentar várias músicas novas - como o próprio disse, em estreia mundial, só para os portugueses que estavam na Aula Magna.
12 outubro 2010
Álbum Fresquinho: The Walkmen - "Lisbon"
Não parece, mas Lisbon é já o sexto álbum dos The Walkmen. E não parece por um motivo muito simples - foram sempre uma espécie de tesouro escondido do rock americano. Num momento em que já vimos o que aconteceu com os Killers e os Kings of Leon é de enaltecer a sabedoria desta banda em saber esconder-se de quem se devia esconder e mostrar-se a quem se devia mostrar, mantendo sempre a sua identidade e filosofia, o que a meu ver é uma forma de estar crucial para a criação de uma certa intemporalidade. Ouvir hoje "The Rat", (do álbum Bows + Arrows) arrebata-nos da mesma forma do que quando foi lançada em 2004 e arrisco-me a afirmar que tanto essa música como a restante obra dos The Walkmen perdurará, que é algo a que poucas bandas de hoje podem almejar.
Fazendo fast forward para 2010 temos então Lisbon. Logo que se soube o nome do álbum lançou-se a dúvida - seria um tributo à cidade ou estaria relacionado com o nome das personagens de "Virgin Suicides", filme de Sofia Coppola? À cidade pois então, que serviu de inspiração derivada da agradável passagem da banda duas vezes pela nossa capital entre Dezembro de 2008 e Agosto de 2009, e ganhou não só o nome do álbum, mas também de uma música, a música que fecha o álbum (não é normal começar a analisar o álbum pelo fim, mas também ninguém disse que isto tinha de ser uma crónica normal, pelo que cá vai). "Lisbon" música é minimalista, quase despida de tudo o que não é essencial, e onde os instrumentos vão aparecendo de forma cadenciada, juntos atingem um clímax e depois um a um desaparecem. É um bom tema para fim de disco, mas antes de lá chegar Lisbon álbum tem mais e melhor para dar. Tem "Stranded", tema escolhido para single e que dá a impressão de estar encalhado sim, mas num bar algures no México nos anos 50, dado o fundo de cornetas mariachi style constante. Tem "Victory" exclamada a plenos pulmões, mas por nunca estar do lado do narrador e não em tom de celebração. Tem "Juveniles", música de abertura e que logo nos suga para o que vem aí com a sua jovialidade. Tem "Blue is your Blood", onde a voz de Hamilton Leithauser paira acima de um ritmo constante, como de um comboio em movimento. Tem "Woe is Me", excelente música de lamentação. E tem, para mim acima de todas as outras, "Angela Surf City". A intensidade pura que a banda nos foi mostrando ao longo da sua carreira assume diferentes formas e no caso deste tema assume a forma enérgica, onde sentimos o sangue a correr nas nossas veias, num crescendo até ao desespero de ter perdido alguém sem saber como nem porquê, patente no refrão "You took the highway, I couldn't find you!".
O som dos The Walkmen, baseado em instrumentos vintage e que remexe pelo garage rock com toques de rockabilly e surf rock marca quem lhes dê mais atenção. E nada como dar uma oportunidade já no próximo dia 14 de Novembro, quando nos mostrarão este Lisbon no Coliseu dos Recreios.
Enjoy!
Fazendo fast forward para 2010 temos então Lisbon. Logo que se soube o nome do álbum lançou-se a dúvida - seria um tributo à cidade ou estaria relacionado com o nome das personagens de "Virgin Suicides", filme de Sofia Coppola? À cidade pois então, que serviu de inspiração derivada da agradável passagem da banda duas vezes pela nossa capital entre Dezembro de 2008 e Agosto de 2009, e ganhou não só o nome do álbum, mas também de uma música, a música que fecha o álbum (não é normal começar a analisar o álbum pelo fim, mas também ninguém disse que isto tinha de ser uma crónica normal, pelo que cá vai). "Lisbon" música é minimalista, quase despida de tudo o que não é essencial, e onde os instrumentos vão aparecendo de forma cadenciada, juntos atingem um clímax e depois um a um desaparecem. É um bom tema para fim de disco, mas antes de lá chegar Lisbon álbum tem mais e melhor para dar. Tem "Stranded", tema escolhido para single e que dá a impressão de estar encalhado sim, mas num bar algures no México nos anos 50, dado o fundo de cornetas mariachi style constante. Tem "Victory" exclamada a plenos pulmões, mas por nunca estar do lado do narrador e não em tom de celebração. Tem "Juveniles", música de abertura e que logo nos suga para o que vem aí com a sua jovialidade. Tem "Blue is your Blood", onde a voz de Hamilton Leithauser paira acima de um ritmo constante, como de um comboio em movimento. Tem "Woe is Me", excelente música de lamentação. E tem, para mim acima de todas as outras, "Angela Surf City". A intensidade pura que a banda nos foi mostrando ao longo da sua carreira assume diferentes formas e no caso deste tema assume a forma enérgica, onde sentimos o sangue a correr nas nossas veias, num crescendo até ao desespero de ter perdido alguém sem saber como nem porquê, patente no refrão "You took the highway, I couldn't find you!".
O som dos The Walkmen, baseado em instrumentos vintage e que remexe pelo garage rock com toques de rockabilly e surf rock marca quem lhes dê mais atenção. E nada como dar uma oportunidade já no próximo dia 14 de Novembro, quando nos mostrarão este Lisbon no Coliseu dos Recreios.
Enjoy!
11 outubro 2010
Concertos da Semana - 11 a 17 de Outubro
A segunda semana de Outubro não é pródiga em concertos. Mas não desesperem pois ainda há uns nomes em carteira para passar uns bons momentos.
Para quem gosta de anos 80, Lloyd Cole fará uma mini-tour por solo nacional começando na Casa da Música, no Porto, dia 14, passando pelo Olga Cadaval, em Sintra, dia 17 e acabando em Coimbra dia 19. O inglês, fará Portugal relembrar-se do seu tempo com os Commotions.
Para além de Lloyd Cole, o Olga Cadaval, irá receber mais nomes, nacionais e internacionais, no âmbito do festival "Misty Sintra". Tendo início dia 15, o festival abre portas com, entre outros, Rodrigo Leão. No dia seguinte Manuel Cruz, com seu último projecto, Foge Foge Bandido em conjunto com Joan as Police Woman são os cabeças de cartaz. Dia 16 temos, além do nosso já conhecido Gomo, Walter Benjamin, um singer-songwriter português a cantar em inglês.
Quinta-feira, dia 14, tocam no Lux os "radiohead" portugueses, Peixe:Avião. É mais uma oportunidade para o público conhecer esta banda de rock alternativo de Braga.
Enquanto isso a ZDB tem duas propostas boas para esta semana. Dia 15 traz-nos o alemão Steffen Basho-Junghans, um alquimista da guitarra clássica e das suas variadas técnicas precedido da banda conterrânea, Black to Common, que faz do experimentalismo melódico o seu cartão de visita.
Dia 17, o estranho e tenebroso invadirá o aquário do Bairro Alto, com os Master Musicians of Bukkake, banda formada por gente que já trabalhou com os Six Organs of Admittance, Sun O)))) ou Earth. Um supergrupo de gente semi-desconhecida que promete trazer alguns calafrios ao palco da ZDB.
Finalmente, temos a última proposta para a semana com os Mystery Jets ao vivo no bonito, mas pouco eficaz, palco do Santiago Alquimista. A banda formada por Blaine Harrison, quanto tinha apenas 12 anos, conta ainda com a presença, algo fora do comum nestas andanças, do seu próprio pai, Henry. Bebendo do rock psicadélico de Syd Barrett e misturando um pouco com a rebeldia lasciva das guitarras de Franz Ferdinand, os Mistery Jets prometem um bom serão de domingo na zona do Castelo.
Já com três discos em carteira, a banda inglesa, virá, com certeza, apresentar o seu último, Serotonin.
(para mais informações sobre concertos e bandas, clickar na barra lateral direita em AGENDA.)
Para quem gosta de anos 80, Lloyd Cole fará uma mini-tour por solo nacional começando na Casa da Música, no Porto, dia 14, passando pelo Olga Cadaval, em Sintra, dia 17 e acabando em Coimbra dia 19. O inglês, fará Portugal relembrar-se do seu tempo com os Commotions.
Para além de Lloyd Cole, o Olga Cadaval, irá receber mais nomes, nacionais e internacionais, no âmbito do festival "Misty Sintra". Tendo início dia 15, o festival abre portas com, entre outros, Rodrigo Leão. No dia seguinte Manuel Cruz, com seu último projecto, Foge Foge Bandido em conjunto com Joan as Police Woman são os cabeças de cartaz. Dia 16 temos, além do nosso já conhecido Gomo, Walter Benjamin, um singer-songwriter português a cantar em inglês.Quinta-feira, dia 14, tocam no Lux os "radiohead" portugueses, Peixe:Avião. É mais uma oportunidade para o público conhecer esta banda de rock alternativo de Braga.
Enquanto isso a ZDB tem duas propostas boas para esta semana. Dia 15 traz-nos o alemão Steffen Basho-Junghans, um alquimista da guitarra clássica e das suas variadas técnicas precedido da banda conterrânea, Black to Common, que faz do experimentalismo melódico o seu cartão de visita. Dia 17, o estranho e tenebroso invadirá o aquário do Bairro Alto, com os Master Musicians of Bukkake, banda formada por gente que já trabalhou com os Six Organs of Admittance, Sun O)))) ou Earth. Um supergrupo de gente semi-desconhecida que promete trazer alguns calafrios ao palco da ZDB.
Finalmente, temos a última proposta para a semana com os Mystery Jets ao vivo no bonito, mas pouco eficaz, palco do Santiago Alquimista. A banda formada por Blaine Harrison, quanto tinha apenas 12 anos, conta ainda com a presença, algo fora do comum nestas andanças, do seu próprio pai, Henry. Bebendo do rock psicadélico de Syd Barrett e misturando um pouco com a rebeldia lasciva das guitarras de Franz Ferdinand, os Mistery Jets prometem um bom serão de domingo na zona do Castelo.
Já com três discos em carteira, a banda inglesa, virá, com certeza, apresentar o seu último, Serotonin.
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07 outubro 2010
Álbum de Estimação: Five Faces of Manfred Mann - Manfred Mann (1964)
Corria o ano de 1964 quando os Manfred Mann se lançaram no mundo da música comercial gravada. O mundo neste altura vivia alguns momentos conturbados. JF Kennedy tinha sido assassinado um ano antes, a guerra fria começava a ser algo a ter em conta e os jovens americanos começavam a temer pelo seu futuro devido a uma guerra lá longe no meio da Ásia. Também agitado estava o mundo cultural. Kubrick estreava a comédia negra, "Dr. Strangelove" enquanto Clint Eastwood continuava triunfante no faroeste em "Um Punhado de Dólares". Na cena musical, os Beatles dominavam. A histérica Beatlemania chegara aos EUA e com ela uma data de bandas vieram por arrasto. Rolling Stones, The Kinks, os Them de Van Morrison, Zombies, Dave Clark 5, entre outras. "The British are Coming!" era a palavra de ordem da altura e o movimento ficou conhecido como The British Invasion. Uma dessas bandas a apanhar este comboio tinha o nome de Manfred Mann. Fundada por Manfred Lubowitz, originário da África do Sul, a banda cedo revelou as suas raízes mais artísticas ou jazzy o que não invalidava que não fossem considerados como um grupo bastante forte de Ritmos e Blues ao nível dos Stones ou Them. O look arty e a voz grave de Manfred davam um cunho muito próprio à banda, fazendo que não fossem apenas mais uma da mesma leva.
Five Faces of Manfred Mann, disco de estreia da banda em Inglaterra, prova isso mesmo. Uma mistura de originais com clássicos de outros artistas, sobretudo negros(como a quase totalidade das bandas fazia na altura), fazem dos quase 40 minutos que ocupam o disco, um verdadeiro prazer. "Smokestack Lightning" ou "I've Got My Mojo Working" são exemplos do que era realmente a invasão britânica naquela altura - Miúdos branquelas a tocar clássicos de negros como se fossem os seus próprios, no entanto nem todos o conseguiam como os Manfred Mann...
Five Faces of Manfred Mann, disco de estreia da banda em Inglaterra, prova isso mesmo. Uma mistura de originais com clássicos de outros artistas, sobretudo negros(como a quase totalidade das bandas fazia na altura), fazem dos quase 40 minutos que ocupam o disco, um verdadeiro prazer. "Smokestack Lightning" ou "I've Got My Mojo Working" são exemplos do que era realmente a invasão britânica naquela altura - Miúdos branquelas a tocar clássicos de negros como se fossem os seus próprios, no entanto nem todos o conseguiam como os Manfred Mann...
06 outubro 2010
Fotoreportagem: Os Golpes - Museu das Marionetas - 30.9.2010
(clickar na imagem para mais fotos)
Brava Festa
Quem conhece os Golpes sabe que são uma das melhores bandas rock portuguesas da actualidade.
Para quem não conhece, como o meu amigo Zé, apresento os Golpes exactamente como uma das melhores bandas portuguesas. O meu amigo Zé, que eu levei ao concerto, perguntava-me, antes da actuação, o que têm os Golpes de especial. Demorei-me um pouco antes de responder. De facto, este quarteto de Lisboa não inventou a pólvora. Mas sabe usá-la muito bem. Têm rock no sangue, têm frescura, e têm lusitanidade. Foram buscar alguma da sua identidade às bandas portuguesas dos anos 80, com destaque óbvio para os Heróis do Mar. A isso juntaram um pouco de baile tradicional português, com umas pitadas daquilo que vem dos anglo e saxónicos, e fizeram-se Golpes.
Nascidos no século XXI em Portugal, cantam Português, fazem bom uso da língua, e encaixam-na bem na estrutura do rock. As músicas são baladas de amor rock. Mesmo as que não são de amor. E nenhumas são baladas.
Já editaram um disco (Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco, 2009), e agora lançaram este EP com 6 músicas novas, num aperitivo para um novo longa duração que vão lançar talvez em 2011.
O concerto no Convento das Bernardas foi de apresentação destes temas novos, revisão de outros mais antigos, e espaço para inéditos. Uma das mais-valias deste EP é a participação do renascido Rui Pregal da Cunha, que canta o já mastigado single Vá Lá Senhora. Neste concerto, depois de cantar essa música com os Golpes, foi altura dos mesmos retribuírem, com uma versão mais rock de Paixão, dos Heróis do Mar.
Os Golpes são uma das grandes bandas portuguesas de hoje, e confirmam isso ao vivo. Transpõem para o palco as canções sem perder os pormenores de estúdio, e acrescentam-lhes mais energia gutural. Os concertos são festa e dança e sempre momentos alegres.
Um caso sério para ter em atenção num futuro próximo.
05 outubro 2010
Álbum Fresquinho: Wavves - "King of the Beach"
Recuemos a Maio de 2009, aos arredores da bela vila de Barcelona, mais propriamente à edição desse ano do festival indie por excelência - o Primavera Sound. Os Wavves, uma das bandas do cartaz, vinham granjeando a atenção de críticos e fãs após um bem conseguido segundo álbum (Wavvves), que Nathan Williams gravou em casa apenas suportado pelo baterista Ryan Ulsh, eram mesmo um dos nomes mais aguardados. Mas tudo correu mal nessa noite - uma mistura de ecstasy e Valium transformou o palco num verdadeiro circo, com Nathan a não conseguir tocar. Após insultar fortemente Nathan e despejar-lhe uma lata de cerveja em cima, Ryan abandona o palco, deixando Nathan à mercê de um público que não lhe perdoou a brincadeira. Muitos deram então a banda como acabada, mas Nathan quis mostrar que não era bem assim. E mostrou da melhor forma possível - lançando este excelente King of the Beach, após reformulação da banda (membros da banda do falecido Jay Reatard foram recrutados) e incorporação de vários estilos no seu antes ambiente sonoro exclusivamente lo-fi.
King of the Beach faz-nos ter 18 anos novamente e andar a passear pela Califórnia. Nunca por lá passei, mas no meu imaginário esta seria uma excelente banda sonora para me acompanhar enquanto sentia o ambiente californiano ao meu redor, as praias dos Beach Boys, o pop de Beverly Hills, o sentido de comunidade de Dogtown e os seus skaters, há aqui um pouco de tudo, uma atitude punk sem o ser, o lo-fi, até dá para sentir o soul das Supremes. É aquele sentimento juvenil que tudo está bem enquanto houver ondas para surfar, parques para skate e erva para se fumar que se impregna neste álbum. E que me faz a mim pensar que se calhar, os adultos é que complicam esta merda toda... Está tudo escrito em "Post-Acid", uma das melhores músicas do álbum.
Misery
Will you comfort me?
In my time of need
Would you understand?
Understand, won't you understand?
In my time of need
Would you understand?
That I'm just havin fun (x2)
With you (x4)
Hold my hand
Won't you hold my hand
In my time of need
Would you understand?
Playlist Altamont: The Comeback
Primeiro que tudo um agradecimento a todos os amigos do Altamont que já saudosos de uma festa se deslocaram até à Mercearia 73 para a festa de relançamento do blog. É sempre reconfortante ter ali perto tanta gente, e o facto de se ter acabado com o stock de cerveja do bar mostra que os nossos fãs nunca nos deixam mal. Um agradecimento especial ao João Nuno por nos ter proporcionado um local para a festa!
Aqui vos deixo a playlist da mesma, para os mais curiosos:
04 outubro 2010
Concertos da Semana - 4 a 10 de Outubro
O verão foi-se, infelizmente. Os dias solarengos tão propícios aos festivais de verão acabaram e o Outono entrou em força. Porém, não vamos estar sozinhos nestes dias mais frios. Muitos concertos, e bons, se aproximam, por isso vamos apenar colocar uma roupa mais quente e preparemo-nos para os grandes dias de música que se aproximam. E começamos já em grande nesta primeira semana de Outubro:
Em destaque surgem quatro grandes nomes na música, cada um com o seu público alvo.
Dia 6 temos um dos clássicos do movimento Krautrock, os Faust. Em concerto na sala de teatro do Maria Matos, a banda germânica vem para mostrar porque foi uma banda tão importante nos anos 70 e porquê o movimento Krautock foi tão único e especial.
No mesmo dia a banda de Axl Rose, os Guns 'n' Roses, ou o que sobra dela, vai com certeza trazer uma multidão de fiéis seguidores ao Pavilhão Atlântico para reviver clássicos como "Welcome to the Jungle", "Don't Cry" ou "You Could Be Mine". Com um Axl anafado, de tranças e sem o rasgo que tinha nos finais dos anos 80 e início dos 90, o concerto será, provavelmente, um evento dispensável do que essencial.
No dia seguinte, Andrew Bird (Aula Magna) vem, certamente, para fazer mais uma bela noite em solo português.
De referir ainda que, hoje, na Fonte Luminosa vários nomes da música portuguesa, incluindo Vitorino, Pedro Burmester e B Fachada, contando ainda com a brasileira Orquestra Imperial, vêm para se dar um olá ao Outono.
O som ska e reggae dos Mad Caddies vai encher o Incrível Almadense dia 8, enquanto o nosso já conhecido Panda Bear vai tocar no Barreiro.
Mais da agenda semanal e mensal na barra lateral direita.
Em destaque surgem quatro grandes nomes na música, cada um com o seu público alvo.
No mesmo dia a banda de Axl Rose, os Guns 'n' Roses, ou o que sobra dela, vai com certeza trazer uma multidão de fiéis seguidores ao Pavilhão Atlântico para reviver clássicos como "Welcome to the Jungle", "Don't Cry" ou "You Could Be Mine". Com um Axl anafado, de tranças e sem o rasgo que tinha nos finais dos anos 80 e início dos 90, o concerto será, provavelmente, um evento dispensável do que essencial.
No dia seguinte, Andrew Bird (Aula Magna) vem, certamente, para fazer mais uma bela noite em solo português.De referir ainda que, hoje, na Fonte Luminosa vários nomes da música portuguesa, incluindo Vitorino, Pedro Burmester e B Fachada, contando ainda com a brasileira Orquestra Imperial, vêm para se dar um olá ao Outono.
O som ska e reggae dos Mad Caddies vai encher o Incrível Almadense dia 8, enquanto o nosso já conhecido Panda Bear vai tocar no Barreiro.
Mais da agenda semanal e mensal na barra lateral direita.
01 outubro 2010
Altamont ano 5. Um novo começo. (Festa)
Após um verão bastante agitado, dominado por um campeonato do mundo de futebol que nos deixou a todos com um sabor agridoce e, também, por vários festivais que trouxeram grandes nomes aos palcos portugueses, o Altamont definhou como uma pequena planta sem água nem luz, começou a ficar sem rumo e andou alguns meses à deriva sem futuro aparente. Daí, foi imperativo tirar uns dias, fechar portas, arrumar a casa, esclarecer as ideias e partir para um novo ano.Das ideias que tínhamos e das que opiniões que nos foram chegando, chegámos à conclusão que o blog teria que começar a emagrecer. Tanto a nível visual (demasiado negro), como a nível tecnológico (muito pesado para carregar todos os vídeos e playlists), como ainda a nível de conteúdos, temas e rubricas.
Deste modo, chegámos a estas modificações que vamos adoptar nesta nova vida do blog:
O novo Altamont será constituído por rubricas, umas com dia marcado, outras sem frequência definida.
Rubricas por dia:
2ªf: Agenda da Semana - Apresentaremos os concertos/ bandas que vão actuar essa semana em Portugal.
3ªf: Disco fresco e fofo - Faremos a crítica a discos que tenham saído recentemente no mercado.
4ªf: Roda o Dia - Às quartas o tema é giratório.
5ªf: Disco da semana - Destacaremos, semanalmente, um disco que tenha marcado a redacção do blog.
6ªf: E à 6ª Ele falou - Lançaremos para discussão um tema que seja pertinente em relação à música.
De referir que do vosso lado direito encontrarão a agenda mensal com links para os myspaces das respectivas bandas.
Para comemorar esta nova vida, o altamont.blogspot.com vai realizar, neste sábado, dia 2, uma festinha no bar Mercearia 73, Travessa Fieis de Deus, 73, Bairro Alto. (Flyer em anexo).
Esperamos contar com todos vocês nesta nossa nova encarnação. Obrigado pela fidelidade.
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