A razão deste No Dice dos Badfinger estar aqui não é propriamente por este ser um dos meus discos preferidos. Nem sequer por a banda ser uma das que mais apraz. Nem por ser um disco que marcou a História da música. A verdadeira razão razão deste disco figurar desta rubrica prende-se pelo facto de ser o melhor disco desta banda, para muitos desconhecida, que teve um percurso de vida bastante acidentado, sendo trágico a palavra certa. Mas já lá vamos. Tudo começou em 1963 em Swansea, País de Gales, liderados Pete Ham, vocalista e guitarrista principal. Por homenagem aos Hollies, passaram a chamar-se The Iveys, e começaram a abrir para bandas como Yardbirds, Spencer Davis Group ou Moody Blues. Porém, não obstante, serem considerados bons músicos, faltava-lhes qualquer coisa. Esse bocadinho a mais veio com a ajuda de um manager, Bill Collins, que os pôs em contacto com Ray Davies dos Kinks que puxou uns cordelinhos para abrir horizontes para a banda galesa. Collins puxou também pela banda, obrigando-os a criar músicas originais. É aqui que se começa a dar a mudança na banda e o início de uma história agri-doce. Em 1968, após terem sobrevivido milagrosamente a um acidente de viação, os Iveys como que agradeceram a benesse e começaram a escrever um largo número de canções, melhorando a sua qualidade a olhos vistos, sendo bem aceites pelo público em concertos. Esta boa onda coincidiu com alguns factores. Os Beatles tinham acabado de lançar a sua própria editora, "Apple", e queriam muito mostrar ao mundo que conseguiam encontrar as novas coqueluches, não só da música, mas da arte em geral. Acontece que Collins, o empresário, era amigo de Mal Evans, assistente da Apple e amigo pessoal dos Beatles. O "caldinho" foi feito e os Iveys gravaram um disco pela Apple. Ora, as expectativas eram altas mas o disco não teve aceitação nenhuma. Parecendo esquecidos na prateleira da Apple, os Iveys receberam com bastante surpresa a notícia que o próprio Paul Mccartney queria que eles fizessem a banda sonora para o filme "The Magic Christian" com Peter Sellers e Ringo Starr, e que gravassem um original de McCartney, "Come and Get It". A sorte batia à porta outra vez dos Iveys que, com a saída de um dos seus elementos, decidiam mudar o nome da banda para Badfinger. Acabaram por não fazer a banda sonora do filme propriamente dita, mas o disco, chamar-se-ia, ironicamente, Magic Christian Music e "Come and Get It" levou ao ponto mais alto da banda. Parecia que tinham chegado finalmente onde ambicionavam. Fizeram parte das gravações do primeiro disco de George Harrison, marcando presença, inclusive, nos concertos de ajuda para o Bangladesh, referidos como "uma banda Apple". Em 1970 lançam o seu "disco". Doze músicas tipicamente pop/rock. Abrindo a rasgar com "I Can't Take It", continuando em "Love Me Do" e "No Matter What", passando pelas baladas em "I Don't Mind", "Midnight Caller" ou a mítica "Without You", tornada famosa nos anos 90 por, imagine-se, Mariah Carey. É um disco que não envergonha ninguém, acertando na mouche em todos os pontos certos do pop/rock. A partir daqui foi sempre a descer. Os discos começaram a não vender, os Beatles separaram-se, deixando a Apple de pantanas, deixando os Badfinger, sempre vistos como uma banda "Apple", à deriva por sua conta e risco. A qualidade começou a baixar, os discos começaram a não vender, as lutas internas a aumentar. Isto bateu forte em Pete Ham, tanto que decidiu acabar com a sua vida em 1975. Os Badfinger tentaram continuar mas em vão. A magia inicial tinha-se ido. Restou o seu legado, aqui no seu mais alto pico com No Dice.30 junho 2011
Álbum de Estimação: Badfinger - "No Dice" (1970)
A razão deste No Dice dos Badfinger estar aqui não é propriamente por este ser um dos meus discos preferidos. Nem sequer por a banda ser uma das que mais apraz. Nem por ser um disco que marcou a História da música. A verdadeira razão razão deste disco figurar desta rubrica prende-se pelo facto de ser o melhor disco desta banda, para muitos desconhecida, que teve um percurso de vida bastante acidentado, sendo trágico a palavra certa. Mas já lá vamos. Tudo começou em 1963 em Swansea, País de Gales, liderados Pete Ham, vocalista e guitarrista principal. Por homenagem aos Hollies, passaram a chamar-se The Iveys, e começaram a abrir para bandas como Yardbirds, Spencer Davis Group ou Moody Blues. Porém, não obstante, serem considerados bons músicos, faltava-lhes qualquer coisa. Esse bocadinho a mais veio com a ajuda de um manager, Bill Collins, que os pôs em contacto com Ray Davies dos Kinks que puxou uns cordelinhos para abrir horizontes para a banda galesa. Collins puxou também pela banda, obrigando-os a criar músicas originais. É aqui que se começa a dar a mudança na banda e o início de uma história agri-doce. Em 1968, após terem sobrevivido milagrosamente a um acidente de viação, os Iveys como que agradeceram a benesse e começaram a escrever um largo número de canções, melhorando a sua qualidade a olhos vistos, sendo bem aceites pelo público em concertos. Esta boa onda coincidiu com alguns factores. Os Beatles tinham acabado de lançar a sua própria editora, "Apple", e queriam muito mostrar ao mundo que conseguiam encontrar as novas coqueluches, não só da música, mas da arte em geral. Acontece que Collins, o empresário, era amigo de Mal Evans, assistente da Apple e amigo pessoal dos Beatles. O "caldinho" foi feito e os Iveys gravaram um disco pela Apple. Ora, as expectativas eram altas mas o disco não teve aceitação nenhuma. Parecendo esquecidos na prateleira da Apple, os Iveys receberam com bastante surpresa a notícia que o próprio Paul Mccartney queria que eles fizessem a banda sonora para o filme "The Magic Christian" com Peter Sellers e Ringo Starr, e que gravassem um original de McCartney, "Come and Get It". A sorte batia à porta outra vez dos Iveys que, com a saída de um dos seus elementos, decidiam mudar o nome da banda para Badfinger. Acabaram por não fazer a banda sonora do filme propriamente dita, mas o disco, chamar-se-ia, ironicamente, Magic Christian Music e "Come and Get It" levou ao ponto mais alto da banda. Parecia que tinham chegado finalmente onde ambicionavam. Fizeram parte das gravações do primeiro disco de George Harrison, marcando presença, inclusive, nos concertos de ajuda para o Bangladesh, referidos como "uma banda Apple". Em 1970 lançam o seu "disco". Doze músicas tipicamente pop/rock. Abrindo a rasgar com "I Can't Take It", continuando em "Love Me Do" e "No Matter What", passando pelas baladas em "I Don't Mind", "Midnight Caller" ou a mítica "Without You", tornada famosa nos anos 90 por, imagine-se, Mariah Carey. É um disco que não envergonha ninguém, acertando na mouche em todos os pontos certos do pop/rock. A partir daqui foi sempre a descer. Os discos começaram a não vender, os Beatles separaram-se, deixando a Apple de pantanas, deixando os Badfinger, sempre vistos como uma banda "Apple", à deriva por sua conta e risco. A qualidade começou a baixar, os discos começaram a não vender, as lutas internas a aumentar. Isto bateu forte em Pete Ham, tanto que decidiu acabar com a sua vida em 1975. Os Badfinger tentaram continuar mas em vão. A magia inicial tinha-se ido. Restou o seu legado, aqui no seu mais alto pico com No Dice.29 junho 2011
28 junho 2011
Álbum No Ouvido: Tame Impala - "Innerspeaker" (2010)
Abrimos hoje uma nova rubrica aqui no Altamont - o "No Ouvido". Nesta serão incluídos álbuns que já não se podem considerar fresquinhos mas que só recentemente vieram parar às nossas mãos (ouvidos). E para lançar esta rubrica escolhi os Tame Impala, banda que lançou este Innerspeaker há mais de um ano (e há precisamente um ano hoje no Reino Unido o que não deixa de ser uma coincidência engraçada) e só agora ganhou tempo de antena. E vem mesmo a tempo, já que vão ser uma das bandas presentes no Super Bock Super Rock deste ano e merecem o destaque aqui no Altamont.
Começo por introduzir a banda - os Tame Impala são de Perth, Austrália e formaram-se em 2007. Depois de terem lançado dois EP's (Tame Impala e [H.I.T.S. 003]) durante o ano de 2008 lançaram-se então na gravação do seu primeiro LP - este mesmo Innerspeaker que poderão ouvir já já aqui em baixo. Mas primeiro, mais umas palavrinhas para dar mais algum contexto e criar uma maior ansiedade antes de carregarem no play (bem, a este ponto se calhar até já carregaram e já não estão a ligar pêva ao que estou para aqui a escrever mas siga). Eu diria que os Tame Impala conseguiram aqui criar uma excelente mistura entre o psicadelismo do final dos anos 60, mas já incorporando tudo o que se passou no universo da música rock desde então, indo beber especialmente ao britpop, ao shoegaze de forma a trazer alguma frescura à base psicadélica donde partem. A voz do vocalista Kevin Parker, muito semelhante à de John Lennon também ajuda bastante neste capítulo.
Eu pessoalmente fui apanhado pela música 2, "Desire Be, Desire Go", mas o álbum convence pelo seu todo. Enjoy it!
Começo por introduzir a banda - os Tame Impala são de Perth, Austrália e formaram-se em 2007. Depois de terem lançado dois EP's (Tame Impala e [H.I.T.S. 003]) durante o ano de 2008 lançaram-se então na gravação do seu primeiro LP - este mesmo Innerspeaker que poderão ouvir já já aqui em baixo. Mas primeiro, mais umas palavrinhas para dar mais algum contexto e criar uma maior ansiedade antes de carregarem no play (bem, a este ponto se calhar até já carregaram e já não estão a ligar pêva ao que estou para aqui a escrever mas siga). Eu diria que os Tame Impala conseguiram aqui criar uma excelente mistura entre o psicadelismo do final dos anos 60, mas já incorporando tudo o que se passou no universo da música rock desde então, indo beber especialmente ao britpop, ao shoegaze de forma a trazer alguma frescura à base psicadélica donde partem. A voz do vocalista Kevin Parker, muito semelhante à de John Lennon também ajuda bastante neste capítulo.
Eu pessoalmente fui apanhado pela música 2, "Desire Be, Desire Go", mas o álbum convence pelo seu todo. Enjoy it!
27 junho 2011
Manifesto Altamont, parte 2
No seguimento deste post da semana passada, vimos agora dizer ao povo que continuaremos. Como disse no Manifesto, bastaria uma pessoa, pelo que 2 comentários e 8 pessoas que gostaram do post é quórum suficiente. Continuaremos. A partilhar música de graça mas com entusiasmo. Tal como os Rolling Stones há 42 anos. O espírito Altamont vive! Os Hell's Angels vão ter que se aguentar a fazer a segurança da casa por mais uns tempos. Como sempre, pagamos em cerveja.
Concertos da Semana - 27 de Junho a 3 de Julho
Para esta semana temos como recomendação o bizarro mundo psicadélico dos Secret Chiefs 3 na ZDB e a já mítica Sharon Jones com os seus Dap Kings na Casa da Música.
27. Secret Chiefs 3 - Galeria ZdB
1. Gimba & Os Bandidos - Fábrica da Pólvora, Oeiras
1. Nouvelle Vague - Festival Delta Tejo
1. D.A.D. - Pavilhão do Restelo
3. Sharon Jones & The Dap Kings - Casa da Música
27. Secret Chiefs 3 - Galeria ZdB
1. Gimba & Os Bandidos - Fábrica da Pólvora, Oeiras
1. Nouvelle Vague - Festival Delta Tejo
1. D.A.D. - Pavilhão do Restelo
3. Sharon Jones & The Dap Kings - Casa da Música
22 junho 2011
Manifesto Altamont
Nós no altamont.blogspot.com, não estamos contentes. Queremos mais - mais comentários, mais opiniões, mais visitas, mais likes ou dislikes, ou seja, uma maior interacção com os visitantes do blog e com os fãs no Facebook. Temos todo o prazer em partilhar o nosso gosto pela música, mas buscamos também o sentimento de que as nossas partilhas/sugestões estão a ter algum impacto, nem que seja numa pessoa. Se houver uma pessoa que nos diga "Ouvi o álbum de tal banda que não conhecia e gostei" ou "O vosso blog permitiu-me ouvir um álbum inteiro de uma banda que só conhecia de nome" vamos continuar. Basta haver uma pessoa. Mas naturalmente que queremos mais, afinal de contas, temos 716 fãs no FB e cerca de 25 a 30 visitas/dia no blog! Sabemos que hoje em dia o que não falta (e especialmente no Facebook...) é oferta de pessoas que falam sobre e partilham música. Sabemos que somos apenas mais uma fonte. Mas julgamos (e é aqui que podemos estar enganados) ser algo diferentes, falando de álbuns recentes de bandas relativamente menos conhecidas, apresentando novas recomendações, permitindo a escuta na íntegra dos álbuns sem downloads, e claro, sem descurar álbuns que fizeram a História da Música. Partilhando uma excelente agenda de concertos, bem como algumas análises e fotoreportagens de concertos. Organizando as sessões de música e festas em bares lisboetas. Tudo isto é o Altamont a que vos fomos acostumando.
Estamos portanto num momento decisivo, em que precisamos de um empurrãozinho para continuar ou um simples "não me chateiem mais". A palavra ao público.
Obrigado!
Estamos portanto num momento decisivo, em que precisamos de um empurrãozinho para continuar ou um simples "não me chateiem mais". A palavra ao público.
Obrigado!
21 junho 2011
20 junho 2011
Concertos da Semana - 20 a 26 de Junho
Para esta semana temos os primeiros festivais de verão. Em Loulé decorrerá o Med e na Ericeira, ao ritmo das ondas, teremos o Sumol Summer Fest. Cartazes interessantes a consultar mais abaixo. O Altamont destaca também os concertos de sala, com uma enorme oferta de boa música portuguesa. Desde Foge Foge Bandido no C.C.B. a Sérgio Godinho com JP Simões, Noiserv e outros no Cinema São Jorge, passando ainda para uma noite de festa na ZdB com PAUS, Dead Combo e Norberto Lobo, entre outros. Com sorte teremos ainda Hot Club de Paris em Londres.
21. Foge Foge Bandido - T.A.G.V., Coimbra
22. Cheap Trick - Coliseu, Lx
22. Festival Med, Loulé
23. Festival Med, Loulé
23. Smix Smox Smux - LX Factory
23. Hot Club de Paris - The Camp Basement, Londres
24. Festival Med, Loulé
24. Festival Sumol Summer Fest, Ericeira
24. PAUS, Norberto Lobo e outros - Galeria ZdB
25. Festival Sumol Summer Fest, Ericeira
25. Foge Foge Bandido -C.C.B.
25. Sérgio Godinho, JP Simões, Noiserv e outros - Cinema São Jorge
26. Festival Med, Loulé
Festival Med, Loulé
22. Muchachito Bombo Infierno, Marrokan, Jaadu, António Zambujo, Lula Pena
23. Magnífico, Os Golpes, Seun Kuti, Sean Riley & the Slowriders, The Gilbert's Feed Band
24. Batida, DakhaBrakha, The Soaked Lamb, George Clinton, Luísa Sobral, Al Mouraria
25. Afrocubism, Pinto Ferreira, Balkan Brass Battle, Márcia, Frankie Chavez
Sumol Summer Fest, Ericeira
24. Alborosie, Fat Freddy's Drop, Nneka, S.O.J.A., Freddy Locks
25. Anthony B, Donavon Frankenreiter, Natiruts, Richie Campbell, Cacique'97
21. Foge Foge Bandido - T.A.G.V., Coimbra
22. Cheap Trick - Coliseu, Lx
22. Festival Med, Loulé
23. Festival Med, Loulé
23. Smix Smox Smux - LX Factory
23. Hot Club de Paris - The Camp Basement, Londres
24. Festival Med, Loulé
24. Festival Sumol Summer Fest, Ericeira
24. PAUS, Norberto Lobo e outros - Galeria ZdB
25. Festival Sumol Summer Fest, Ericeira
25. Foge Foge Bandido -C.C.B.
25. Sérgio Godinho, JP Simões, Noiserv e outros - Cinema São Jorge
26. Festival Med, Loulé
Festival Med, Loulé
22. Muchachito Bombo Infierno, Marrokan, Jaadu, António Zambujo, Lula Pena
23. Magnífico, Os Golpes, Seun Kuti, Sean Riley & the Slowriders, The Gilbert's Feed Band
24. Batida, DakhaBrakha, The Soaked Lamb, George Clinton, Luísa Sobral, Al Mouraria
25. Afrocubism, Pinto Ferreira, Balkan Brass Battle, Márcia, Frankie Chavez
Sumol Summer Fest, Ericeira
24. Alborosie, Fat Freddy's Drop, Nneka, S.O.J.A., Freddy Locks
25. Anthony B, Donavon Frankenreiter, Natiruts, Richie Campbell, Cacique'97
17 junho 2011
Num DVD perto de si: "Joe Strummer: The Future Is Unwritten" (2007)
Como frontman dos Clash a partir de 1977, este senhor teve um forte impacto na história da música. Há quem diga até que mudou vidas. E vendo este documentário conseguimos percepcionar a extensão da sua influência, em pessoas de todo o mundo ainda hoje, e talvez mesmo mais que em 1977.
Neste "The Future Is Unwritten", do realizador Julian Temple (muito conhecido pela sua envolvência com o mundo da música, do punk em particular, tendo no seu curriculum documentários sobre o festival Glastonbury, sobre os Sex Pistols, etc), Joe Strummer aparece não só como uma lenda da música, mas também como um comunicador nato, que procura sempre chegar às pessoas de diferentes formas. Desde o seu programa na rádio, ao conceito das fogueiras, sempre procurando o contacto directo com cada um. Passando revista a algumas histórias do nascimento do punk rock, no qual Joe e os Clash tiveram parte crucial, bem como os últimos anos de vida nos quais Julian e Joe criaram uma forte ligação, mostrando o seu projecto com os Mescaleros, acho que é um documentário interessante para quem procura conhecer mais sobre esta figura antes, durante e depois dos The Clash.
Neste "The Future Is Unwritten", do realizador Julian Temple (muito conhecido pela sua envolvência com o mundo da música, do punk em particular, tendo no seu curriculum documentários sobre o festival Glastonbury, sobre os Sex Pistols, etc), Joe Strummer aparece não só como uma lenda da música, mas também como um comunicador nato, que procura sempre chegar às pessoas de diferentes formas. Desde o seu programa na rádio, ao conceito das fogueiras, sempre procurando o contacto directo com cada um. Passando revista a algumas histórias do nascimento do punk rock, no qual Joe e os Clash tiveram parte crucial, bem como os últimos anos de vida nos quais Julian e Joe criaram uma forte ligação, mostrando o seu projecto com os Mescaleros, acho que é um documentário interessante para quem procura conhecer mais sobre esta figura antes, durante e depois dos The Clash.
16 junho 2011
Álbum de Estimação: João Gilberto - "Chega de Saudade" (1959)
Passou quase despercebido à grande generalidade dos media (que surpresa...) mas um génio maior da música de língua portuguesa fez no passado dia 10 de Junho 80 anos. Daí eu querer aproveitar a oportunidade e colocar aqui no Altamont, como blog aberto a músicas de todo o mundo, este Chega de Saudade como o álbum de estimação da semana. E porquê estes Chega de Saudade e não outro qualquer de João Gilberto? Pergunta de resposta simples - foi este álbum que gerou uma transformação na música brasileira, dando forma e corpo à bossa-nova.
Faço minhas as seguintes palavras de um dos grandes contribuidores para este álbum, de nome António Carlos Jobim (escreveu várias letras, juntamente com Vinicius de Moraes):
"João Gilberto é um baiano, "bossa-nova" de vinte e seis anos. Em pouquíssimo tempo, influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores. Nossa maior preocupação, neste "long-play" foi que Joãozinho não fosse atrapalhado por arranjos que tirassem sua liberdade, sua natural agilidade, sua maneira pessoal e intransferível de ser, em suma, sua espontaneidade. Nos arranjos contidos neste "long-playing" Joãozinho participou ativamente; seus palpites, suas idéias, estão todas aí. Quando João Gilberto se acompanha, o violão é ele. Quando a orquestra o acompanha, a orquestra também é ele. João Gilberto não subestima a sensibilidade do povo.
Ele acredita, que há sempre lugar para uma coisa nova, diferente e pura que - embora à primeira vista não pareça - pode se tornar, como dizem na linguagem especializada: altamente comercial. Porque o povo compreende o Amor, as notas, a simplicidade e a sinceridade. Eu acredito em João Gilberto, porque ele é simples, sincero e extraordináriamente musical.
P. S. - Caymmi também acha."
Antonio Carlos Jobim
(grooveshark as soon as possible)
Faço minhas as seguintes palavras de um dos grandes contribuidores para este álbum, de nome António Carlos Jobim (escreveu várias letras, juntamente com Vinicius de Moraes):
"João Gilberto é um baiano, "bossa-nova" de vinte e seis anos. Em pouquíssimo tempo, influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores. Nossa maior preocupação, neste "long-play" foi que Joãozinho não fosse atrapalhado por arranjos que tirassem sua liberdade, sua natural agilidade, sua maneira pessoal e intransferível de ser, em suma, sua espontaneidade. Nos arranjos contidos neste "long-playing" Joãozinho participou ativamente; seus palpites, suas idéias, estão todas aí. Quando João Gilberto se acompanha, o violão é ele. Quando a orquestra o acompanha, a orquestra também é ele. João Gilberto não subestima a sensibilidade do povo.
Ele acredita, que há sempre lugar para uma coisa nova, diferente e pura que - embora à primeira vista não pareça - pode se tornar, como dizem na linguagem especializada: altamente comercial. Porque o povo compreende o Amor, as notas, a simplicidade e a sinceridade. Eu acredito em João Gilberto, porque ele é simples, sincero e extraordináriamente musical.
P. S. - Caymmi também acha."
Antonio Carlos Jobim
(grooveshark as soon as possible)
14 junho 2011
Álbum Fresquinho: Arctic Monkeys - "Suck It and See"
E ao quarto disco de originais, os Monkeys demonstram bem o caminho que querem seguir. O seu próprio caminho, sem pressões de editoras para encherem estádios e se tornarem os meninos bonitos que arrastam milhões de teenagers atrás. Após o primeiro disco ter pegado de estaca e ter feito de quatro miúdos de Sheffield uma promissora banda e revelar, em especial, um carismático Alex Turner, os Arctic Monkeys começaram a desbravar o seu próprio caminho, e isso revelou-se nos discos, músicas e, sobretudo, letras seguintes. Não mais Alex Turner escreveria sobre os seus ténis preferidos ou encontros de adolescentes. Tornaram-se homenzinhos e cada vez melhores músicos. Do pujante Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, seguido da confirmação de selo de qualidade em Favourite Worst Nightmare, passando pela experimentação em Humbug, os pupilos de Turner chegam-nos agora com Suck it and See, título nada aconselhável para quem poderia querer manter um nível respeitável e de fácil aceitação. Este disco chega-nos dois anos depois de Humbug e apenas um mês após o EP a solo de Alex Turner, Submarine, banda sonora para o filme com o mesmo nome, realizado por Richard Ayoade. É de salutar esta corrente criativa até porque a qualidade de Suck it and See, não aparece de alguma maneira beliscada. Não é um disco fácil. Não cria raízes à primeira como nos dois primeiros discos. Surge na continuação do disco anterior mas com um piscar de olhos ao grunge. Mais crú e seco. Não há nenhuma música que se possa dizer que é "material de single". Tanto "Brick by Brick", cantada também pelo baterista, Matt Helders, como "Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair", são secas o suficiente para alienar grande parte do antigo público. É um disco que vai crescendo aos poucos, tornando-se essencial sem atingir as parangonas dos media. Por vezes, é melhor assim...
13 junho 2011
Concertos da Semana - 13 a 19 Junho
Como notas de maior destaque para esta semana, o Altamont recomenda Ryan Adams dia 16 na Aula Magna e no dia seguinte no Porto, assim como a nova revelação portuguesa, os You Can't Win, Charlie Brown, nos Optimus Bailes Optimus, dia 16 na Voz do Operário.
15. Crystal Stilts - Lux
16. B Fachada - Biblioteca Municipal Barcelos
16. Ryan Adams - Aula Magna
16. You Can't Win Charlie Brown - Voz do Operário
16. Julian Lynch - Galeria ZdB
17. Ryan Adams - Teatro Sá da Bandeira
18. Arnaldo Antunes - Cinema São Jorge
19. Lee Ranaldo - MusicBox
15. Crystal Stilts - Lux
16. B Fachada - Biblioteca Municipal Barcelos
16. Ryan Adams - Aula Magna
16. You Can't Win Charlie Brown - Voz do Operário
16. Julian Lynch - Galeria ZdB
17. Ryan Adams - Teatro Sá da Bandeira
18. Arnaldo Antunes - Cinema São Jorge
19. Lee Ranaldo - MusicBox
Playlists: iDud 14-06-2011
Countdown!
Dentro de menos de um mês é o Alive 2011, passeio marítimo de Algés. Uma data de palcos, e uma série de bandas.
Não deve dar para ver tudo ao mesmo tempo, mas fica aqui uma sugestão de roteiro.
Cheers
Dentro de menos de um mês é o Alive 2011, passeio marítimo de Algés. Uma data de palcos, e uma série de bandas.
Não deve dar para ver tudo ao mesmo tempo, mas fica aqui uma sugestão de roteiro.
Cheers
10 junho 2011
Num DVD perto de si: "Pink Floyd Live at Pompeii"
Se há um documentário, concerto ou registo musical de uma banda esse foi realizado em 1972 por Adrian Maben e tem como nome Live at Pompeii.
O documentário original mostra os Pink Floyd, pré-fama, ou seja antes de Dark Side of the Moon, num anfiteatro romano nas ruínas de Pompeia, tocando algumas das suas músicas com mais misticismo.[Na versão DVD lançada em 2003, o realizador introduz gravações da banda a ensaiar músicas que viriam a fazer parte do tal disco que os catapultava para a fama.]
O que dizer então deste Live at Pompeii? As palavras são, realmente, muito poucas e parcas para transmitir as sensações que tive quando o vi, por partes, pela primeira vez. Tenho que agradecer aos programas peer to peer da altura, pois esta gravação encontrava-se desaparecida há anos.
O que os meus olhos e ouvidos sentiram é algo que ficará gravado na minha memória para sempre. O contraste da imagem de uma banda bem no centro da arena do anfiteatro em pelo sol italiano, com mais ninguém a assistir, aparte dos técnicos de realização, com o som que os milhares de decibéis debitados pelas colunas gigantes trazidas de inglaterra. O mundo onírico de "Echoes", a viagem espacial em "Set the Controls for the Heart of the Sun", O Inferno e Céu em "A Saucerful of Secrets", a demência em "Careful with that Axe, Eugene" e o fulgor em "One of These Days" fazem desta gravação um dos bens mais preciosos de sempre do pop/rock. Aconselho vivamente. Fica aqui, então, o registo completo...
O documentário original mostra os Pink Floyd, pré-fama, ou seja antes de Dark Side of the Moon, num anfiteatro romano nas ruínas de Pompeia, tocando algumas das suas músicas com mais misticismo.[Na versão DVD lançada em 2003, o realizador introduz gravações da banda a ensaiar músicas que viriam a fazer parte do tal disco que os catapultava para a fama.]
O que dizer então deste Live at Pompeii? As palavras são, realmente, muito poucas e parcas para transmitir as sensações que tive quando o vi, por partes, pela primeira vez. Tenho que agradecer aos programas peer to peer da altura, pois esta gravação encontrava-se desaparecida há anos.
O que os meus olhos e ouvidos sentiram é algo que ficará gravado na minha memória para sempre. O contraste da imagem de uma banda bem no centro da arena do anfiteatro em pelo sol italiano, com mais ninguém a assistir, aparte dos técnicos de realização, com o som que os milhares de decibéis debitados pelas colunas gigantes trazidas de inglaterra. O mundo onírico de "Echoes", a viagem espacial em "Set the Controls for the Heart of the Sun", O Inferno e Céu em "A Saucerful of Secrets", a demência em "Careful with that Axe, Eugene" e o fulgor em "One of These Days" fazem desta gravação um dos bens mais preciosos de sempre do pop/rock. Aconselho vivamente. Fica aqui, então, o registo completo...
09 junho 2011
Álbum de Estimação: The Polyphonic Spree - "The Beginning Stages Of..." (2002)
De quando em vez volto a ouvir este disco e todas essas vezes que o oiço um sorriso entreabre-se nos meus lábios. Há qualquer coisa de impoluto, ingénuo mas genuíno neste álbum. Se calhar é a minha costela de hippie a dar de si mas se assim o for, ainda bem. E ainda bem porque este disco merece todos os minutos que lhe dedico. Faz-me "regressar" a um tempo que nunca vivi. Neste mundo dos Spree não há escuridão nem tristeza. E os Spree são isso mesmo. Uma banda cheia de luz e vibrante. Pudera. São doze elementos, todos vestidos com robes como se de uma comunidade Hippie se tratassem. Uma comunidade fundada por Tim DeLaughter (nome sui generis), quase como um "happening", onde faz das suas influências de Beach Boys ou Flaming Lips, músicas de paz de espírito, verdadeiro bálsamo para os ouvidos com toques de gospel e rock orquestral, utilizando dezenas de instrumentos diferentes que vão das teclas aos instrumentos de sopro. Curioso é que conseguiram apanhar esse espaço-temporal dos sixties, transportando todo a aparato de um grande grupo com vários músicos e coros para este disco. Uma boa adição para a colecção de discos....
06 junho 2011
Concertos da Semana - 6 a 12 de Junho
Para esta semana o Altamont recomenda o regresso de Marky Ramone para uma noite de clássico punk/rock. O ex-baterista dos Ramones vem apresentar o seu mais recente projecto Marky Ramone's Blitzkrieg. Também esta semana, na Casa da Música, teremos uma noite com Jay-Jay Johanson e os Gift, que apresentarão o novo album "Explode".
8. Marky Ramone Blitzkrieg - Santiago Alquimista
8. Prince Rama - Lounge
9. Dead Combo - Galeria ZdB
9. Jay-Jay Johanson + The Gift - Casa da Música
9. Dixon - Lux
10. Las Robertas - Clube Ferroviário
11. Lamb - C.C.B.
8. Marky Ramone Blitzkrieg - Santiago Alquimista
8. Prince Rama - Lounge
9. Dead Combo - Galeria ZdB
9. Jay-Jay Johanson + The Gift - Casa da Música
9. Dixon - Lux
10. Las Robertas - Clube Ferroviário
11. Lamb - C.C.B.
02 junho 2011
Álbum de Estimação: Television - "Marquee Moon" (1977)
Vou começar por uma referência a um filme - em "Juno", a dado momento, discute-se qual o melhor ano da música. Juno, a personagem principal, mostra como argumentos para defender 1977 os Stooges, a Patti Smith e os Runaways. Mas na minha opinião, se ela queria mesmo defender tanto esse ano era dos Television que tinha que ter falado. Dos Television e especialmente deste Marquee Moon, álbum que hoje, à distância de 34 anos sinto um pouco perdido no esquecimento. Injustamente no esquecimento, injustamente metido nas prateleiras de descontos numa qualquer grande loja de música. Recordemo-nos portanto do caminho desbravado por Tom Verlaine, mentor da banda, no que respeita ao movimento punk - foi ele que convenceu Hilly Kristal, dono dum então desconhecido clube de country, blue grass e blues (para bom entendedor meia palavra basta...) a aceitar bandas rock a tocarem no seu estabelecimento. Corria o ano de 1974. O resto é história da música, nível básico - grupos como Ramones, Blondie, Talking Heads, a própria Patti Smith, saíram desse antro cavernoso para o mundo.
Um aspecto que me intriga bastante é o facto de que, hoje, os Television são quase sempre rotulados como uma banda pós-punk. Agora expliquem-me, como pode uma banda que começou a dar concertos em 1974 e que lançou este álbum em 1977 ser pós-punk? Algo de estranho se passa no mundo dos rótulos (diria que sempre foi assim e a rotulagem de pouco ou nada serve, mas...). Agora uma coisa é certa - a música dos Television é de uma complexidade que em nada tem a ver com os 3 acordes, um refrão, 2 minutos e está feito. Basta pensar que "Marquee Moon", a música, teve de ser cortada para 9:58 minutos para caber no LP. Só com a re-edição em CD de 2003 nos chegou a versão completa com os seus 10:40. Basta pensar nas letras de um Tom Verlaine, que nascido Thomas Miller foi buscar o seu nome artístico ao poeta francês Paul Verlaine. Basta pensar nas variações de ritmo dentro das músicas, na utilização de algumas escalas jazzísticas, no contraste das guitarras ritmo e solo, força motora do álbum. E foi juntando todos estes ingredientes que se fez história.
Um aspecto que me intriga bastante é o facto de que, hoje, os Television são quase sempre rotulados como uma banda pós-punk. Agora expliquem-me, como pode uma banda que começou a dar concertos em 1974 e que lançou este álbum em 1977 ser pós-punk? Algo de estranho se passa no mundo dos rótulos (diria que sempre foi assim e a rotulagem de pouco ou nada serve, mas...). Agora uma coisa é certa - a música dos Television é de uma complexidade que em nada tem a ver com os 3 acordes, um refrão, 2 minutos e está feito. Basta pensar que "Marquee Moon", a música, teve de ser cortada para 9:58 minutos para caber no LP. Só com a re-edição em CD de 2003 nos chegou a versão completa com os seus 10:40. Basta pensar nas letras de um Tom Verlaine, que nascido Thomas Miller foi buscar o seu nome artístico ao poeta francês Paul Verlaine. Basta pensar nas variações de ritmo dentro das músicas, na utilização de algumas escalas jazzísticas, no contraste das guitarras ritmo e solo, força motora do álbum. E foi juntando todos estes ingredientes que se fez história.
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