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22 agosto 2012

Álbum no Ouvido: The Maccabees - Wall of Arms (2009)

Confesso-vos que ultimamente cada vez oiço menos música nova e, por vezes, música at all. Não sei se se deve ao avançar da idade, se ao facto de ter arranjado um cão que no último ano me tem tirado um bom bocado da minha sanidade mental, se ao simples facto de a música no último ano ou dois estar substancialmente abaixo do que se fez no início do século XXI. No entanto, há coisas que tento nunca prescindir: Festivais. Se as bandas que mais conhecemos muitas vezes não fazem grandes concertos, nem há muitas condições para as ouvir com a melhor das atenções (parece que cada vez há mais gente com convites e com menos interesse em ouvir e deixar ouvir os concertos mas isso são contas de outro rosário), não deixa de ser verdade que é nestes eventos que descobrimos algumas bandas que de outra forma poderiam nos passar completamente ao lado. O meu último grande exemplo são os Maccabees. Confesso que esta banda me passou completamente ao lado nos últimos anos talvez por pensar que fossem apenas mais uma "bandazinha" indie que por aí pululam sem acrescentar nada de novo ao mundo musical.
Apesar de ter-me sido dado o "heads up" para esta banda no primeiro dia do festival Alive e prontamente ter descarregado o seu catálogo de discos acabei por não conseguir preparar-me para o dito concerto pelas tais variadas razões anteriormente apontadas adicionando os belos dias de praia na altura do referido festival.
No último dia do Alive, o único do evento com um dia preenchido com boas bandas em ambos os palcos, comecei com o soul man Eli "Paperboy" Reed passei para Paus, fiquei um pouco para Kooks e resolvi dar a espreitadela em Maccabees por descargo de consciência. Deparei-me com um ambiente e aura que já não encontrava num concerto de indie desde o último SBSR de 2007 com Arcade Fire. Muita intensidade e fulgor e boas vibrações. Sim, essas andam um bocado em falta nos dias de hoje e muito orgulhei de ter ido dado a tal espreitadela. Fez-me logo ouvir os álbuns da banda e meter em repeat quase ad eternum este Wall of Arms, segundo disco dos Maccabees, editado em 2009.
Ora e o que podemos encontrar neste disco? O mais simples seria dizer que metemos Maximo Park, Arcade Fire, Walkmen, Bloc Party, Futureheads e Dogs Die in Hot Cars numa liquidificadora e o resultado foi este. Intensidade, muita intensidade, seja nas mais calmas "Love You Better" ou "Wall of Arms", seja nas mais explosivas "One Hand Holding" ou "Can You Give It" ou nas restantes que vão quase todas em crescendo. E o disco é tão intenso que não se consegue deixar de ouvir várias vezes seguidas. É, sem dúvida, um dos discos que mais me agradou no indie nos últimos tempos e não é que o estilo seja original até pela quantidade de bandas que vos referi há pouco mas sim porque realmente entra no coração e é aí mesmo que a música tem que entrar. Mainstream ou Undeground. Os Maccabees já entraram. Espero pelos restantes.



22 maio 2012

Álbum No Ouvido: Hooray For Earth - "True Loves" (2011)

Este "True Loves" é o quarto registo do projecto Hooray For Earth, entre EP's e longas-duração e passou despercebido no ano passado. Mas sinceramente não percebo porquê porque de facto está aqui um belíssimo álbum, com uma sonoridade muito própria e muito forte.

Os Hooray For Earth são um colectivo de Nova Iorque, existem apenas desde 2005 mas já tocaram com os Surfer Blood, os The Pains of Being Pure at Heart, Architecture in Helsinki ou Cymbals Eat Guitars. E já colaboradoram também com Twin Shadow. Só por tudo isto já dá para perceber mais ou menos onde os Hooray For Earth se situam no panorama musical. E as influências são muitas, todas bem misturadas e alinhavadas por sintetisadores.

"True Loves" é sem dúvida um excelente álbum mas sobretudo um cartão de apresentação (apesar de, lá está, não ser o primeiro álbum dos nova-iorquinos) para os tempos que virão. Os Hooray For Earth têm o futuro nas mãos.


03 abril 2012

Álbum no Ouvido: French Films - "Imaginary Future" (2011)

Ao contrário do que o nome possa sugerir, estes French Films não são franceses nem tão pouco fazem bandas sonoras de filmes franceses. Estes tipos são finlandeses, um país que não é lá muito conhecido por dar ao mundo grandes vultos da música (tirando talvez no mundo do Doom-Metal), o que por si só já é um extra, e têm este álbum, "Imaginary Future", que é altamente recomendável.

Historiando um pouco, os French Films juntaram-se em 2010 e lançaram um primeiro EP, de seu nome "Golden Sea", tendo recebido boas críticas. Decidiram avançar para um longa duração e em boa hora o fizeram. Claro que podem os críticos dizer que é mais uma banda indie, mais do mesmo, mas na verdade este "Imaginary Future" é um grupo de óptimas canções que fazem lembrar o melhor dos anos 80, numa rotação actual. Talvez os possamos agrupar a bandas como os The Drums, The Bravery e por aí em diante, mas isso não é mau, antes pelo contrário, é muito bom. É muito difícil ficar quieto e não dançar ao som de "Golden Sea" (que reaparece também neste LP), "Pretty in Decandence", "Convict" ou "This Dead Town".

French Films by Francisco Pereira on Grooveshark

13 março 2012

Álbum No Ouvido: The Dodos - "No Color" (2011)

Já ando para escrever umas palavras sobre este álbum há algum tempo, mas por esta, aquela, ou mesmo por aqueloutra razão não deu, não escrevi, e a verdade é que o momento parece já ter passado um bocado. Mas se juntarmos à equação o facto de andar bastante arredado das novidades que vão aparecendo nos últimos tempos, para mim este No Color, apesar de já com 1 ano em cima, até parece um fresquinho.
O principal motivo que me leva a falar deste álbum é sentir que foi injustamente ignorado por uma larga maioria de melómanos. Ao não o ver em nenhuma lista dos melhores álbuns do ano que muitos se prestam a fazer, fiquei a pensar cá comigo - será que não o ouviram ou ouviram e ignoraram? Porque para mim foi mesmo um excelente comeback por parte desta banda, que depois de um vigoroso segundo álbum Visiter foram-se abaixo com Time to Die e quiçá por isso muita gente lhes colocou uma cruz em cima logo aí. E agora deve custar a admitir o erro, suponho, pelo que olha, se ninguém falar pode ser que passe despercebido. Grande erro de quem o fez, No Color é um grande grande álbum, o duo Meric Long e Logan Kroeber esmerou-se para mostrar que o álbum anterior mais não tinha sido que um percalço e voltaram à sua energética performance de conjugação de riffs de guitarra com uma sempre forte percussão a acompanhar, dando um ritmo intenso a toda a melodia, que umas vezes é puxado pela guitarra e tem uma percussão a acompanhar e noutra é a percussão que puxa a guitarra. Não fosse o mundo injusto e depois deste álbum os Dodos teriam a mesma atenção que uns Arcade Fire. E com esta me vou.

The Dodos - No Color by A P on Grooveshark

14 fevereiro 2012

No Ouvido: Cage The Elephant - "Thank You, Happy Birthday" (2011)

Como provavelmente a maioria das pessoas, conheci os Cage The Elephant a partir dos singles "Shake Me Down" e "Aberdeen", duas músicas interessantes, que ficam no ouvido mas que, convenhamos, não serão dois portentos da nova música actual. Demorei por isso a pegar no seu último album, "Thank You, Happy Birthday", de onde se extraem estas duas canções. Mas em boa hora os Cage The Elephant reentraram no meu ipod.

Este meninos de Kentucky não andam a virar frangos há muitos anos (este "Thank You, Happy Birthday" é apenas o segundo registo da banda) mas apresentam um som bem interessante! O primeiro disco destes americanos é de 2008, tem nome homónimo e foi bastante bem recebido pela crítica, tanto nos States como na Europa, mas é já com o segundo álbum que os CTE saltam para a ribalta. A sonoridade que apresentam não é inovadora, podemos até dizer que se tratam de uns novos Arctic Monkeys, embora mais fraquinhos (nem todos podem ter o talento de Alex Turner...) mas dentro do género, do rock post-punk são mais uma excelente opção para figurarem num cartaz festivaleiro deste próximo verão.

cage the elephant - thank you by Frederico Figueiredo on Grooveshark

20 outubro 2011

Álbum no Ouvido: Alex Turner - "Submarine" (2011)

Este álbum quase que poderia ser um fresquinho mas como no momento é o disco que me está mais no ouvido, é mesmo nesta secção que ele entra. Disponível desde março, este mini disco (EP) da autoria do líder dos Arctic Monkeys, Alex Turner, é uma brisa suave e delicada nos ouvidos que contrabalança na perfeição com as guitarras mais ofensivas dos discos dos Monkeys, embora Turner já começasse a criar estes ambientes mais íntimos em Humbug mas mais especificamente neste último Suck It and See. Composto por seis músicas, Submarine serve de banda sonora para o filme do mesmo nome, realizado por Richard Ayoade, o qual recomendo veemente, especialmente para quem é fã do género marcado por Wes Anderson. O filme conta a história de um adolescente de 15 anos durante um período conturbado da sua vida. Por um lado conhece o seu primeiro verdadeiro amor e, por outro, assiste ao ruir do casamento dos seus pais. Como fio condutor e ligando todas as partes do filme temos as músicas acústicas deste menino/senhor Alex Turner, que pode já ser considerado um dos melhores músicos da sua geração. Uma simbiose perfeita entre filme e música. Completamente recomendável.

PS: O garoto da capa não é o próprio Alex Turner. É o actor do filme, bastante parecido, por acaso...




23 agosto 2011

Álbum No Ouvido: Junip - "Fields" (2010)

A propósito de uma discussão sobre a qualidade, ou falta dela, de José González, um dos trunfos que usei para sublinhar a dita qualidade deste músico sueco com raízes argentinas, foi o da sua banda, Junip. Banda essa que recentemente descobri ter sido anterior ao seu primeiro disco, Veneer, editado em 2003. Parece, então, que González começou a sua carreira em 2000, ao lado de Elias Araya e Tobias Winterkorn que juntos formaram os Junip. Gravaram um single, lançado pela sua própria editora e cada um seguiu a sua vida. Elias passou a cursar Arte e Winterkorn a dar aulas numa escola, enquanto González arriscou numa carreira a solo com os resultados já conhecidos. Porém, quase seis anos depois, os três companheiros juntaram-se para gravar novamente. No entanto, o resultado final ainda não seria um disco completo. Black Refuge, composto por apenas cinco músicas, uma das quais uma cover de Bruce Springsteen, "The Ghost of Tom Joad", seria apenas um cheirinho do que viria quatro anos mais tarde com este Fields. Aliando a calma e suavidade da voz e guitarra de González com o som mais etéreo dos restantes membros, o resultado final deixa-nos com um sentimento de leveza e vontade de ouvir este disco vezes sem conta. O folk aqui tocado tem pinceladas de progressivo mas com muita calma e leveza, funcionando na perfeição durante o momento de lusco-fusco aquando do festival Super Bock Super Rock no Meco. Ele há coisas assim...

05 julho 2011

Álbum No Ouvido: Osibisa - "Osibisa" (1971)

Na minha senda de desbravar terreno em relação à música africana, especialmente nos ritmos jazzísticos mesclados com rock, funk ou soul, algo na onda do afro-beat, onde é rei Fela Kuti, descobri uma pérola escondida no Gana dos anos 70. Mais um agradecimento ao mundo internet de hoje por permitir descobrir discos que nem no mercado se encontram. Mas vamos ao que realmente nos trouxe aqui, os Osibisa.
Criados pela mente de Teddy Osei, saxofonista, baterista e compositor ganês, tendo estudado música em Londres e daí trouxe alguns instrumentos, ditos ocidentais, para criar um estilo muito próprio. Coisa que muitos africanos fizeram no final dos anos sessenta e inícios dos sessenta, incluindo Fela Kuti. O que parece incrível é o facto de os africanos pegarem em instrumentos ditos de "brancos" e quase instantaneamente criarem algo que parecia impossível. O Jazz é o exemplo disso. Aqui, o Jazz volta à terra onde as suas bases nasceram. Dá-se o circulo completo. Os sons tribais fundem-se com a anarquismo do jazz, pincelados aqui e ali com guitarradas ao bom estilo de Santana, pautados por uma batida só ao nível de quem tem o sangue bastante quente, seja o original africano ou o viajado caribenho. Este não é apenas um disco "estranho" ou world music, é, sim, música numa das suas melhores formas e expressões.

28 junho 2011

Álbum No Ouvido: Tame Impala - "Innerspeaker" (2010)

Abrimos hoje uma nova rubrica aqui no Altamont - o "No Ouvido". Nesta serão incluídos álbuns que já não se podem considerar fresquinhos mas que só recentemente vieram parar às nossas mãos (ouvidos). E para lançar esta rubrica escolhi os Tame Impala, banda que lançou este Innerspeaker há mais de um ano (e há precisamente um ano hoje no Reino Unido o que não deixa de ser uma coincidência engraçada) e só agora ganhou tempo de antena. E vem mesmo a tempo, já que vão ser uma das bandas presentes no Super Bock Super Rock deste ano e merecem o destaque aqui no Altamont.
Começo por introduzir a banda - os Tame Impala são de Perth, Austrália e formaram-se em 2007. Depois de terem lançado dois EP's (Tame Impala e [H.I.T.S. 003]) durante o ano de 2008 lançaram-se então na gravação do seu primeiro LP - este mesmo Innerspeaker que poderão ouvir já já aqui em baixo. Mas primeiro, mais umas palavrinhas para dar mais algum contexto e criar uma maior ansiedade antes de carregarem no play (bem, a este ponto se calhar até já carregaram e já não estão a ligar pêva ao que estou para aqui a escrever mas siga). Eu diria que os Tame Impala conseguiram aqui criar uma excelente mistura entre o psicadelismo do final dos anos 60, mas já incorporando tudo o que se passou no universo da música rock desde então, indo beber especialmente ao britpop, ao shoegaze de forma a trazer alguma frescura à base psicadélica donde partem. A voz do vocalista Kevin Parker, muito semelhante à de John Lennon também ajuda bastante neste capítulo.
Eu pessoalmente fui apanhado pela música 2, "Desire Be, Desire Go", mas o álbum convence pelo seu todo. Enjoy it!