30 junho 2009

The Byrds - Ballad of Easy Rider (1969)

1969. Um dos anos mais míticos da história do mundo e da música em particular. O ano que viu o Homem ir à lua. O ano em que foi inventado o avião Concorde. O ano do Woodstock. O ano que viu um suposto Hippie (Charles Manson) tornar-se num profeta do apocalipse, ordenando matanças. O ano que viu os Beatles acabarem como grupo e os Led Zeppelin a começarem. O ano em que morre Brian Jones e nasce Dave Grohl. O ano em que Kadafi sobe ao poder. O ano ainda, em que Pelé marca o seu milésimo golo, é o ano que marca a queda de uma geração cheia de sonhos e esperanças. Uma geração que queria viver ao máximo. Essa mesma geração é representada no filme de Dennis Hopper e Peter Fonda, Easy Rider. A banda sonora reflecte o som da época. Desde o rock ácido dos Steppenwolf ao country-rock dos Byrds, passando pelo psicadelismo dos Electric Prunes e Jimi Hendrix. O mote dos Byrds com a belíssima "Ballad of Easy Rider" deu seguimento ao disco homónimo.
Após Younger Than Yesterday, os Byrds não mais voltariam a ser os mesmos. Constantes mudanças no elenco principal alteraram as fundações da banda. Tudo começara com a saída de David Crosby que se aliava a Nash e Stills e, mais tarde, a Neil Young. Chris Hillman e Gram Parsons, que viera substituir Crosby, também seguiriam o mesmo caminho, formando os Flying Burrito Brothers. O também substituto, baterista Kevin Kelley veria a porta da rua mais cedo do que pensava. Isto fez com que o único sobrevivente desta "limpeza de balneário", Roger McGuinn tivesse que arranjar uma nova banda. A primeira experiência surge com Dr. Byrds & Mr. Hyde, de 1968. Um disco ainda verde, com muitas pontas soltas e sem um rumo definido. O melhor estava para vir em Ballad of Easy Rider. Uma disco que serve perfeitamente para banda sonora de uma viagem pelo interior da América. Tem todos os ingredientes do folk-country-rock. Todo o universo de uma paisagem a perder de vista, a pradaria, as bombas de gasolina perdidas no meio do deserto, "Oil in My Lamp", as cidades fantasma, "Tulsa County", a influência cristã, "Jesus is Just Alright" e a mexicana,"Deportee (Plane Wreck at Los Gatos)" ou apenas a liberdade de escapar para onde se quiser, até à lua, "Armstrong, Aldrin and Collins", são sensações que este disco nos traz por demais.
Um dos melhores discos dos Byrds, naquele que foi um dos anos mais conturbados da década mais excitante de sempre. O ano que marcou uma viragem de muitas bandas para as suas origens...

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The Fireman - Nothing Too Much Just Out of Sight
Electric Arguments (2008)

29 junho 2009

Preparação Festivais Verão #1

Inicia-se brevemente mais um ano de Festivais de Verão. Para quem gosta de música como parece ser o caso dos que aqui escrevem e dos que aqui vêm ler o que aqui se escreve, é um tempo de escolhas, saber para onde apontar baterias e atacar os concertos que se fazem neste período do ano no nosso cantinho. Ainda tenho o objectivo de um dia ir a um festival europeu dos grandes, um Roskilde, um Glastonbury, um Primavera Sound, Benicassim, ou mesmo americano, quem sabe, um Coachella, SXSW, um Pitchfork Music Festival. Mas ainda não será em 2009. Veremos como corre 2010, mas parece-me um número bonito para tal. Quem sabe o administrador do blog não quererá premiar os contribuidores com uma viagem a um destes festivais para fazermos a cobertura?

Bem, mas atacando o assunto, é minha ideia aproveitar aqui este espaço de antena para fazer uma preparação dos Festivais que aí vêm, deixando músicas de bandas que irão passar por Portugal, e desta forma ajudar às escolhas que se avizinham. Até porque este ano a coisa apresenta-se difícil, as bandas que me interessam estão espalhadas por dias e por festival e ainda não sei bem o que fazer...

Ora bem, começamos então com os Supergrass, oriundos ainda do tempo da britpop, mas num registo ligeiramente diferente. Variaram bastante de estilo entretanto e na minha memória ficou sobretudo este "Richard III". Estarão no Paredes de Coura dia 30 de Julho.



Enjoy!

26 junho 2009

MJ

Apesar de um dia triste, a música que nos deixou ficará connosco para sempre e como tal há que agradecer por essa contribuição para a História da música. Uma contribuição única e inesquecível. Obrigado Michael.

Goodbye King of Pop

Apesar de tudo o de negativo aconteceu na sua vida, Michael foi um dos músicos mais importantes de sempre. He Will Be Missed...

24 junho 2009

Pérolas a porcos

Acho que este blog merece ter aqui disponível para todos os que por cá passam estas pérolas.



Setlist:
Antenna
Sacred Trickster
What We Know
Calming The Snake
Schizophrenia

E uma excelente entrevista.


2ª parte

Enjoy!

22 junho 2009

Sonic Youth - Sacred Trickster - Novo Single

Uma grande banda, garotas jeitosas e filmmaking naife no seu melhor. Que mais podemos pedir?

14 junho 2009

Filthy Dukes - Nonsense in The Dark (2009)

"Nonsense in the dark", do trio britânico Filthy Dukes, é o meu disco preferido dos últimos tempos. O primeiro álbum da banda mistura vários tipos de música, do house ao funk, passando pelo acid, rock e punk. Antes eram só dois e ficaram conhecidos por fazer remisturas fabulosas para bandas como The Rakes, Hot Chip, Mylo, Late of The Pier ou LCD Soundsystem. Mas agora ganharam vida própria. E com todo o mérito. Os Filthy Dukes ainda não têm data marcada para Portugal, mas de certeza que estará para breve. Se não conhecerem, ouçam o disco, que vale mesmo a pena!

05 junho 2009

a propósito dos AC DC em Alvalade

Lembro-me da primeira vez que fui a um concerto de Rock com triste nitidez. Havia a preocupação do blusão de ganga e da aparência geral de libertinagem (fui com o meu pai e algumas pessoas do trabalho dele, funcionárias de uma empresa de contabilidade em cujos escritórios se fumavam até as beatas esquecidas dos colegas o que impregnava as paredes de um cheiro a papel fumo unhas e tupper-wares perdidos): lenço na cabeça, mochila bem recheada para o que desse e viesse (no seu interior encontrar-se-iam uma sandes de fiambre e a camisa que fora usada nesse dia), t-shirt da banda e um mascar de pastilha elástica desafiante como quem diz, Agora é tempo de curtir; de abanar o capacete.
Não entendi imediatamente a causa de tamanha transformação nos que me rodeavam, mas achei interessante e tentei juntar-me à causa. Era o momento em que todas aquelas pessoas que com o tempo se haviam tornado chatíssimas mostravam que eram muito mais do que parecem no dia-a-dia e que na verdade não seria excessivo considerá-las grandes malucas, no sentido não-patológico do termo. Uma ilusão de libertação.
Do topo do Estádio de Alvalade via-se a morna sossegada noite lá fora e uma multidão cá dentro. Uma multidão de priveligiados, de grandes malucos que deviam ter mais juízo visto que amanhã era dia de trabalho mas ao invés estavam ali, a testemunhar um evento raro e certamente enriquecedor. A Cátia vestia uma t-shirt de alças branca com a cara do Mark Knopfler estampada, esbracejava lentamente, o que nos expunha uma soberba axila, vincada de suor e peles, o cigarro numa das mãos, a sweat-shirt à cintura, com os olhos fechados baloiçava a gordura abdominal a um ritmo inventado por si mas que estava convencida ser ao da Sultans of Swing, o que lhe ia na cabeça naquele momento? Era a pergunta que me fazia a mim mesmo, enquanto adormecia desconfortavelmente.

Hoje em dia sinto saber a resposta.

Estes concertos fantasma de bandas nostálgicas exploram de uma maneira obscena o vazio das vidas das pessoas, no meu entender. São a banha da cobra e a demonstração da pobreza cultural e social na qual a população está mergulhada.

Talvez Relacionado #6

Esta música é engraçada. Acho que é o adjectivo que melhor a define. Cai bem no ouvido. E com certeza passará ao esquecimento depressa. Mas enquadra-se bem no momento. E experimentá-la não custa nada. Telekinesis, com "Tokyo".



Enjoy!