26 novembro 2008

I'm From Barcelona - Who Killed Harry Houdini?

Cha la la - A Festa Continua

Este ano de 2008 traz-nos o regresso dos I’m From Barcelona, que depois da apresentação surgem agora com Who Killed Harry Houdini?.
Desta vez, o mentor Emanuel Lundgren tenta encontrar a resposta a esta pergunta, nas (10) canções que compõem o álbum.

O segundo disco da “família feliz” dá continuidade à festa, que norteia o som deste projecto.
Uma banda com cerca de 30 elementos quer, pois, festança, animação, celebração.
Assim, tal como no primeiro álbum, este segundo mantém a essência festiva. Embora nalguns momentos seja mais calmo (quiçá introspectivo), o sentimento continua a ser o mesmo. O cha la la continua a ser o traço dominante, com temas curtos, melodiosos e bem dispostos.
Ao segundo álbum, as expectativas são sempre elevadas e os I’m From Barcelona saíram-se bem, com um registo que, pelo menos, é coerente.

Esta banda faz música de forma despreocupada, para divertir mais do que para reflectir. Não pretendem mudar o mundo, nem acabar coma pobreza, nem falar sobre temas estruturais da sociedade nem revolucionar a música.
Querem apenas entreter. Este som que vem da Suécia é feito por gente feliz, e que está a desfrutar da vida. E quer fazer-nos desfrutar também.
Por isso, com melodias simples, sentam-nos numa cadeira, e contam uma história, dividida em 10 capítulos, sobre a vida de todos os dias.

Em Who Killed Harry Houdini? a temática sobre a qual nos falam mantém os mesmos níveis - depois escrever sobre o drama de não ouvir o despertador ou sobre a varicela, agora cantam sobre aviões de papel.
E o produto que resulta de toda esta atitude é uma música simples, até superficial, mas que, sem querer ser a cura para todo o mal, cumpre plenamente o objectivo de divertir.
Ainda bem que existem bandas como os I’m From Barcelona, que cantam a sustentável leveza do ser.

22 novembro 2008

DiG!

Este documentário já foi referido até pelo Zé Pedro naquele programa radiofónico de Rock n Roll (que, a propósito, foi plagiado de um outro - juro-vos - chamado Joãozinho rockandroll produzido pela Associação Estudantil da CERCIS do Ribatejo, eu sei disso pois tenho lá amigos) mas poucos o viram.
Trata-se da busca das origens da banda THE DANDY WARHOLS, terrivelmente famosos depois de terem vendido o single bohemian like you a uma empresa de telecomunicações. A autora rapidamente se apercebeu ser impossível de traçar o seu percurso sem mencionar uma outra banda, que, além de os influenciar e contagiar, os abraçou como irmão mais velho - THE BRIAN JONESTOWN MASSACRE, e que acaba por ser a banda a que maior atenção é despendida (sem dúvida por ser a mais interessante)
E é isso que vemos nesse documentário nos primeiros minutos: a relação da banda maior do excêntrico do Anton Newcomb com o juvenil Courtney Taylor-Taylor, dos Dandy e a sua evolução em paralelo.
Por um lado temos os BJM guiados por um génio musical, Newcomb, inacreditavelmente prolífico, que acaba por ser ele tudo o que os BJM têm para oferecer ao mundo, mas com curiosas incapacidades de se relacionar com o mesmo, arruinando todos os concertos e contratos musicais com pontapés e insultos infantis. Por outro, temos os DW, nerds racionais e equilibrados que conseguem conquistar sucesso (especialmente na Europa) e fazem de qualquer empresário musical um homem descansado.
No final, a autora do documentário galardoado em Sundance, eventualmente farta do tempero do Anton Newcomb, acaba por insinuar que de pouco serve ser-se genial se não se consegue dar um concerto sem ao fim de três músicas mandar uma cuspidela no baixista, e que os Dandy Warhols são um exemplo de uma banda rock a seguir, um misto de empresários, donos-de-casa e de músicos com algum talento.

a ser continuado

19 novembro 2008

Glasvegas - Glasvegas (2008)

Phil Spector está de volta... Desta vez não pelos maus motivos, aliás, está de volta mas não por feito próprio. O aclamado e, também, controverso produtor, responsável por inúmeros êxitos da história da pop/rock mundial como "Be my baby", "You've lost that loving feeling", isto, para além da produção do álbum Let It Be, está de volta, mas desta vez apenas como influência visível de uma nova banda. Glasvegas de seu nome, junção de Glasgow, cidade natal da banda e Las Vegas. O disco, também chamado de Glasvegas, transporta-nos ao "wall of sound" concebido por Spector. Mistura compacta de instrumentos e coros fazendo a música ganhar corpo e adquirir um toque mágico, no qual Spector era magistral. Obviamente não só do conhecido produtor os Glasvegas vão buscar influências. Jesus and Mary Chain e Smiths também estão claramente presentes no som da banda escocesa. Toda esta mistura junta com a veia escocesa muito particular da banda, resulta num som claramente muito particular e que há algum tempo se sentia falta.