“The movie will begin in five moments
The mindless voice announced
All those unseated will await the next show”
É com esta declamação de Jim Morrison que começa o mais conhecido filme dos Doors, assinado por OIliver Stone em 1991. Passados quase vinte anos, temos um novo filme da banda de “Riders on the Storm” em que na primeira cena vemos o próprio Morrison à deriva, de ressaca e que ao guiar o seu Mustang pelo Deserto. JIm põe o rádio a tocar e ouve as notícias: “O MUNDO ROCK ESTÁ DE LUTO…FALECEU HOJE EM PARIS JIM MORRISON, VOCALISTA DOS DOORS!”
Sem dúvida a melhor cena. Com realização de Tom Dicillo, o filme com pouco menos de hora e meia conta a história que todos conhecemos e que tomou de assalto os anos 60 que nem “uma tempestade” entre 1965 e 1971 (ano da morte de Morrison).
Segundo o teclista Ray Manzarek, Oliver Stone, o realizador do filme “The Doors: O Mito de uma Geração”: “não contou a verdadeira história dos Doors”. E rematou: “talvez um dia façam um filme que reponha a credibilidade dos factos…”.
Passadas duas décadas sobre o filme em que Val Kilmer encarnou a figura do “Rei Lagarto”, “When You´re Strange” é produção independente dos grandes estúdios; um documentário em jeito de “road movie” que tenta repor (através da narração sentida de Johnny Depp) a tal “verdade”. No entanto o resultado fica aquém das expectativas no sentido em que o ângulo da narrativa é muito semelhante ao utilizado por Stone. Apesar de não cair em alguns excessos “hollywoodescos”, a figura do filme acaba por sewr sempre JIm e não a banda.
O recurso a imagens nunca antes vistas (saídas do próprio arquivo pessoal dos Doors sobreviventes) é um bónus (a actuação de “The End” no festival da ilha de Wight ou as imagens do grupo a ensaiar L.A. Woman no estúdio) mas não acrescenta nada ao legado já visto e revisto milhares de vezes espalhado por vários DVD´s ao longo dos anos.
Ainda assim é uma leitura visual que vai de certeza encantar todos os fãs dos Doors e do género cinema “verité”. O mito do Rei Lagarto está bem vivo e promete continuar a crescer…
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10 junho 2010
18 dezembro 2009
The Doors - L.A. Woman (1971)
Há algo de tão triste mas no entanto tão belo quando o melhor álbum de uma banda é o último. Chamemos-lhe o canto do cisne, o pôr do sol, etc, mas há algo que nos atinge quando realmente nos apercebemos que a partir dali não virá mais nada e, se calhar, ainda bem. Quem aqui poderá discordar desta afirmação quando temos Abbey Road, L.A. Woman ou In Utero como exemplos? O último disco gravado pelos Beatles é, provavelmente, o seu melhor. O modo como as guerras internas deram lugar a um disco tão solarengo e tão cheio de energia é de facto notável. Provavelmente nenhum dos quatro elementos se virou um para o outro e disse: é desta, é o último. Mas isso sente-se em todo o disco. É a despedida, ao menos que seja em grande. Saltando 25 anos no tempo deparamo-nos com outra situação. A fragilidade psicológica de Kurt Cobain. Ninguém no seu perfeito juízo imaginaria um futuro na banda de Seattle. O suicídio, embora nunca admitido, era algo com que muitas pessoas já começavam a adivinhar num futuro um pouco mais distante. Aconteceu pouco depois do último disco ter sido lançado. No entanto, o que nos ficou foi, claramente, a procura da honestidade musical do último grande ídolo do Rock. In Utero não é um Nevermind, não é de fácil digestão e ainda bem. In Utero é Kurt despido e o mais honesto possível face ao monstro que o começava a engolir. O fim estava mesmo ali à porta.O que nos leva outra vez à pressão que os media e fãs podem exercer em alguém. Jim Morrison sempre foi uma personagem à parte. Um "damaged good" como dizem os anglo-saxónicos. Alguém que adorava a honestidade mas também chocar. Jim foi sempre um "heavy drinker". Era o que o fazia sair da realidade chata com que se deparava dia após dia. Era preciso romper com a normalidade com que as pessoas viviam e Jim era o escape. L.A. Woman surge após Morrison Hotel, o regresso à forma dos Doors com o próprio Jim Morrison a tornar-se mais responsável e empenhado. No entanto, cada vez mais agastado com a mediatização com que se via envolvido, Morrison queria sair, fugir, partir para outros sítios, dedicar-se à poesia e viver outra vida com Pamela Courson. A despedida, nunca oficial, e irreversível após noite fatídica em Paris em 71, surge com este L.A. Woman, onde Jim e os restantes Doors se despedem como grupo a 4 com um dos melhores álbuns de sempre. As constantes deambulações de Jim pelo universo americano e a suas origens estão sempre presentes. "L.A. Woman" leva-nos a uma viagem de carro nocturna pela louca Los Angeles, com os seus clubes bóemios e de strip, enquanto "Riders on the Storm" traz-nos o obscurantismo que tanto agradava a Morrison. Aparte da mais comercial "Love Her Madly", todo o resto do álbum é um misto de blues ("Car Hiss By My Window" e "Hyancith House") e Rock embebido em Bourbon e alucinogénicos como "L'America", "Crawling King Snake", "The Changeling" ou "The Wasp". Após este disco e a consequentemente morte de Jim, os restantes Doors, Ray Manzarek, Robbie Krieger e John Densmore, tentaram, em vão, continuar uma carreira sem Jim. Era impossível. O Rock Poet estava morto, não havia nem haverá substituto...
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