20 dezembro 2008

The Boyoyo Boys - Back in Town (1987)

Um álbum que custa 3 euros, numa loja, é mau.
Não.
Estava eu numa valentim de carvalho, quando a minha prima chamou a minha atenção para um cd que custava 3 euros, e que tinha na capa 3 sul-africanos com um ar muito anos ’70.
Além do ar “rude” da banda, e do nome Boyoyo Boys, o preço também era apelativo. Naturalmente comprei o cd, e vim a descobrir a melhor compra que já fiz (na relação qualidade/preço) na minha vida.

Estes sul-africanos fizeram furor no fim dos anos ’60 e princípios de ’70 no seu país. Depois chegaram ao estrangeiro, onde também tiveram algum sucesso. Mas quando, a dada altura, o baterista foi morto à facada, numa luta de bar, a banda cessou actividade. A história trágica nada tem a ver com o conteúdo da música e do sentimento desta banda.
Mas o que fica é a música – e a que os Boyoyo fizeram ficou mesmo. Esta inspiração valeu a Paul Simon um Grammy (com a álbum “Graceland”). Ou mesmo neste ano de 2008 “saíram” os Vampire Weekend, que devem ter os álbuns de Boyoyo a tocar no leitor do carro.

Legado à parte, a música destes rapazes franzinos é simples e directa.
Está evidente o africanismo, aquele ritmo-vibração que não existe e não se sente em mais lugar nenhum da Terra.
Bastam 4 elementos (bateria, baixo, guitarra e saxofone) para criar uma festa – a pista de dança está a meio mar entre África e as Caraíbas, o sol nunca se põe, e cada corpo flúi, sem pensar em nada, apenas a sentir.
O som dos Boyoyo Boys é puro, sem vocalização, mas com muito sentimento. E geralmente um sentimento alegre, descomplicado, puro. Que transporta o ouvinte para esse local a meio do mar, sem mais nada à volta.
Um som que junta simplicidade, ritmo e melodia contagiantes, um saxofone que canta, e leveza de espírito.

Diz-se que 3 foi a conta que deus fez – não sei por quê. Mas o álbum que tenho (Back in Town) tem 10 músicas, cada uma com a duração de 3 minutos, o que dá um cd com 30 minutos. Que custou 3 euros..

19 dezembro 2008

Little Joy - Little Joy (2008)

A história dos Little Joy é bastante simples. Lisboa, Julho de 2006, durante o festival Lisboa Soundz, à beira Tejo, no qual a banda carioca Los Hermanos e a norte-americana, Strokes faziam parte do alinhamento, dois dos membros das respectivas bandas, Rodrigo Amarante por parte dos brasileiros e Fabrizzio Moretti, também ele nascido no Brasil, mas radicado muito cedo nos Estados Unidos, começaram uma amizade que viria a dar frutos dois anos mais tarde. Com o hiato das duas respectivas bandas, os membros destas, para não estarem parados, começaram a participar em outros projectos. Marcelo Camelo dos Los Hermanos, lançou um disco a solo, "Sou", recentemente, o qual teve muita aceitação perante o público português durante o festival Super Bock em Stock no início do mês de Dezembro, em Lisboa. Rodrigo Amarante, mudado para Los Angeles, já tinha participado numa música do mais recente disco de Devendra Banhart, "Smokey Rolls Down Thunder Canyon", intitulada "Rosa". Nos Strokes, também o guitarrista Albert Hammond, Jr. seguiu as pisadas de seu pai, lançado já dois álbuns a solo, "Yours to Keep" e "Como te Llama?". Em solo norte-americano o duo brasileiro Amarante-Moretti juntou-se a Binki Shapiro, uma cantora de L.A. e namorada de Moretti. O trio tomou o nome para a banda de uma bebida de um bar perto da casa de Amarante, na mítica zona de Echo Park e começaram a compôr músicas despreocupas e sem grande pretensão. O resultado é uma mistura entre Los Hermanos e Strokes com adição do sol da California. Músicas simples e com estrutura básica como Next Time Around e Brand New Start, transmitem-nos uma sensação de bem estar e relaxamento óptima para contrabalançar os dias de Inverno rigoroso que por aí andam.