17 março 2006

Deep Purple - Rapture of the Deep (2005)

"This is Rapture of the Deep"...

Quase 40 anos de carreira, digressões esgotadas e 170 milhões de discos vendidos parecem não ser suficientes para os Deep Purple! O que leva estes Dinossauros a continuar? Só eles e os Rolling Stones é que lá sabem!Mas certamente que o ditado vaticinado por Paul Simon - "Still Crazy After All These Years"- é uma desculpa plausível...
Surpresa das surpresas, o novo disco da banda - "Rapture of the Deep" - é um álbum digno da velha aura dos Purple. Desde "Perfect Strangers" (1984), que não ouviamos Ian Gillan e Compª. soar tão frescos e versáteis misturando a fórmula Hard Rock com o Blues, o Clássico e o Jazz.
"Rapture of the Deep" gravado em apenas três semanas reflecte um verdadeiro espirito de camaradagem e química musical que só as rugas do tempo permitem alcançar.
O álbum começa com uma excelente "rocalhada" á moda dos velhos tempos - "Money Talks", onde Ian Gillan canta sobre os vícios que a fama e o dinheiro trazem a uma sociedade cada vez mais orientada pelo "Vil Metal". Seguem-se o boogie-whoogie sobre as groupies que cercam o negócio do rock n roll em "Girls Like That" e o heavy blues de "Wrong Man", com destaque para mestria do guitarrista Steve Morse.
A verdadeira está reservada para o quarto tema do álbum,"A Rapture of the Deep"! Nunca a música turca, o jazz sinfónico e as guitarras aero-espaciais haviam sido tão bem conseguidos num tema rock! Um clássico para rivalizar com "Smoke on the Water".
O álbum entra numa toada mais calma em "Clearly Quite Absurd", talvez uma tentativa frustrada de compor uma balada para passar nas rádios. Mas os amplificadores voltam a subir de tom em "MTV" uma sátira brilhante sobre as rádios e os canais de música estarem nas mãos de burocratas que não percebem nada de música! "I´´m sure i won´t play you anything new..."
A fechar, o épico "Before Time Began" um retrato quase perfeito sobre a insanidade que atravessa os nossos dias..."Someone is murdering my sisters and brothers, in the name of some God or another"! Bingo!

David Gilmour - On an Island (2006)

"Remember that Night...white sails in the Moonlight..."

Já lá vão 12 anos desde o último disco de estúdio dos Pink Floyd - "The Division Bell"!
David Gilmour, ao contrário do que muito pensaram, decidiu não prolongar por muito mais tempo a carreira do grupo "post- Roger Waters".
Nos 7 anos seguintes, a carreira musical ficou para trás. Montou uma empresa de aviões, casou-se, teve filhos e ajudou as mais diversas causas humanitárias pelo mundo fora. E foi precisamente por essas causa, que Gilmour voltou acidentalmente ao activo.
Estávamos em Julho de 2005. Bob Geldof organizador do "Live 8" consegue convencer os Pink Floyd (Gilmour, Mason e Wright) a juntarem a Roger Waters para uma actuação única e histórica em Hyde Park.
O grupo conseguiu não só convencer os mais cépticos (que nunca acreditariam em tal reunião), como também uma geração nova de fãs, ávidos de voltar a ver os Pink Floyd ao vivo.
Nos meses seguintes, gerou-se uma enorme espectativa sobre o regresso dos Floyd à ribalta. Contudo, David Gilmour (detentor legal sobre os direitos de utilização do nome do grupo) optou por negar todos os rumores e pos um ponto final na carreira da banda de "Dark Side of the Moon".
"On an Island" é o terceiro disco a solo de Gilmour, depois de "David Gilmour" (1978) e "About Face"(1984). A acompanhar o guitarrista, está um elenco de luxo: Rick Wright, teclista dos Pink Floyd; Guy Pratt, baixista das últimas digressões do Pink Floyd; Robert Wyatt, vocalista e baterista dos Soft Machine e Phil Manzanera, guitarrista dos Roxy Music e co-produtor do álbum.
Músicalmente, o álbum é irrepreensivel e transporta-nos imediatamente para os ambientes de nostalgia "Floydiana". Basta escutar o primeiro tema, "Castellorizon" e está lá tudo. Os solos de guitarra imaculados; os teclados ambientais a juntar aos efeitos sonoros tão característicos da história da banda.
A voz de Gilmour continua fresca, o tema "On an Island" encontram se afinidades com "Echoes" (de Meddle, 1971) e "Fat Old Sun" (de Atom Heart Mother, 1970). Liricamente é o melhor tema do álbum, com as vocalizações de Graham Nash e David Crosby a brilhar por entre os olhares do céu estrelado e viagens perdidas no meio do Oceano.
A nostalgia do tempo que já passou ("Pocket Full of Stones"), as pressões da meia idade ("Take a Breathe") acabam por afectar a maré de um álbum, onde as letras a atirar para o Phil Collins, são o ponto menos bem aproveitado do disco (escute-se "This Heaven" ou "Smile").
Polly Samson, jornalista e mulher de Gilmour, não tem certamente a visão "newtoniana" e inspirativa de um Roger Waters ou a alucianação criativa de um Syd Barrett.
Não é propriamente um disco dos Pink Floyd, mas não anda longe. Veremos o que Roger Waters tem a dizer... "Which One´s Pink?". (7/10)