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25 julho 2010

Arcade Fire - The Suburbs (2010)

Acabou a espera! Agora estou preparado a (re)começar. Eu e estes senhores. Mais de três anos de espera desde o último trabalho de originais é uma espera e tanto, mesmo para os parâmetros de hoje. No entanto, quantidade não é nem nunca foi sinónimo de qualidade, pelo menos para a maioria das bandas e, por vezes, saber esperar pelo acorde certo, pelo tom mais agudo, pela correcta utilização de instrumentos ou apenas pela altura certa, é, com certeza uma virtude e não está ao alcance de qualquer um. A sofreguidão de lançar disco após disco, apenas para se manter na onda e conseguir ganhar mais uns cobres à conta disso, não se lembrando que podem estar a pôr o futuro a médio prazo da banda em risco, ainda é o que move muitas bandas. Algumas aguentam-se, ou melhor, sobrevivem, outras, pura e simplesmente, morrem. R.I.P. Não faziam muita falta também.

Agora o que realmente interessa: Arcade Fire de volta para mais um disco conceptual. Depois dos dramas fúnebres de Funeral, passando pelos pesadelos e visões terríficas de um presente e futuro negro, chega-nos agora as vivências e consequências da vida nos subúrbios, conotativos ou figurativos. O som, esse, não engana. Estamos perante mais um clássico da banda canadiana. Tudo o que ouvimos em discos anteriores, a emoção, o clímax, a catarse, está tudo aqui outra vez. Começando com a música que dá nome ao álbum, "The Suburbs", notamos aqui uma ligeira mudança rítmica no que costumam ser as músicas dos Arcade Fire. A lembrar músicas mais alegres, mais de verão como a altura da edição deste disco. Pura Ironia. Os subúrbios, 50's Style, são uma perversão, uma capa que dissimula muito do que está errado neste mundo, porém quem lá viveu uma vida toda nunca se vai aperceber de nada. Também sempre presentes, estão as angústias do ser e existir em "Modern Man".

A esquizofrenia volta a aparecer em "Empty Room", uma das músicas que vai estar em repeat em muitas rádios, juntamente com a roqueira "Month of May". Ao todo são dezasseis músicas, 60 minutos de música quase ininterrupta que nos leva mais uma vez a esse mundo tão especial e mágico e ao mesmo tempo tão negro e depressivo que vem da cabeça deste grupo canadiano, encabeçado por um dos génios da era moderna da música, Win Butler. Para os Arcade Fire não há musicas para encher chouriço, não há tempos mortos. Há apenas e só, o compromisso com a Música como uma entidade que merece muito respeito e eles têm-no. Estão de parabéns uma vez mais. Alguém esperaria outra coisa?


12 janeiro 2010

Talvez Relacionado #31

Nada como Arcade Fire para abrir a pestana pela manhã. Desta feita, no BBC Culture Show, a interpretar o clássico "Guns of Brixton" dos Clash.

Enjoy!

21 dezembro 2009

Álbuns Década: #1

Arcade Fire - Funeral (2004)

E pronto é este. Não havia muito que pensar, "Funeral", é O álbum que marca definitivamente a década, tal como os Arcade Fire são A banda que marca definitivamente a década. Não tendo sido uma década muito forte em termos de História da Música, a meu ver, muito causado pela constante chegada de coisas novas, a tomada da indústria pela internet, novas formas de ouvir música, há que destacar quem merece. E este é um caso exemplar de quem merece, o grupo canadiano faz música carregada de emoções (não só neste "Funeral", mas também no seguinte "Neon Bible"), dá concertos extasiantes (falhei o histórico em Paredes de Coura, mas não faltei ao do SBSR em 2007), e desaparece das notícias quando não há noticias para fazer. It's all about the music, e isso nota-se em todos os momentos vividos desta banda.

"Funeral" em si, é cheio de energia, sentimento, que tanto pode ser servido de uma forma animada, ritmada (em "Neighborhood #2 (Laika)", "Neighborhood #3 (Power Out)) e noutras mais introspectivas ("In the Backseat", "Haiti"). E depois há aquelas que não dá para descrever em palavras, como "Rebellion (Lies)" e "Wake Up", apenas que nos dá vontade de sair a cantá-las em plenos pulmões rua fora. E aquele final do "Un Anée Sans Lumiére"? E a transição da calmia inicial para a insanidade em "Crown of Love"? Não sei, não há mesmo palavras. É ouvir. E degustar.

14 setembro 2009

Álbuns da Década: #12

Arcade Fire - Funeral (2004)




Dez músicas apenas foram o suficiente para tornar os Arcade Fire na banda do século XXI. A banda canadiana, formada por vários elementos, destacando-se Wil Buttler e sua mulher Régine trouxe uma empatia com o público que há muito não se via. Os seus concertos são uma epifánia, as suas músicas épicas sobre morte, violência, catástrofes e corrupção empregam várias figuras de estilo. Contêm a catárse e o climáx. Uma mistura entre Bowie, Waters, Springsteen e Dylan aliado a uma visão imensa de uma big band em palco, com todo o tipo de instrumentos e não só, fazem dos Arcade Fire a banda que todos nós queremos que durem porque, se o primeiro disco Funeral foi imenso, a sequela Neon Nible não lhe ficou atrás. Aguardamos, então, ansiosamente o terceiro capítulo desta "bela" história.

02 julho 2007

Arcade Fire - Neon Bible (2007)

Em semana de mais um festival Super Bock Super Rock, este ano marcado por um cartaz indie, o que revela particular atenção por parte dos organizadores em relação ao que se passa na cena musical nos dias de hoje, o álbum da semana recai sobre Neon Bible, segundo disco de originais daquela a que muitos chamam a banda do século XXI: Arcade Fire.
Após a fantástica estreia de Funeral, trabalho marcado pelas mortes de vários entes queridos aos membros da banda, os canadianos de Montreal lançaram em Março deste ano, o sucessor, Neon Bible. Para este álbum, os Arcade Fire compraram uma igreja e foi precisamente aí que resolveram gravar grande parte das músicas, especialmente devido ao efeito de acústica que o espaço oferecia e ainda porque continha um grande piano que passaria a ser o mote deste disco, bem visível em "Intervention". Com um começo algo aterrador em "Black Mirror", digno de banda sonora com fundo mais sombrio, os Arcade Fire mostram um lado mais político e sobretudo mais negro do que em Funeral. O mundo não é, já, um sítio tão bonito como se poderia pensar. Há injustiças em todo o lado, até na própria igreja. Para uma banda que conta com quase tantos elementos como uma equipa de futebol, os Arcade Fire conseguem fazer uma fusão entre as várias vozes, instrumentos e personalidades que acaba por criar uma espécie de grande orquestra. O tema sombrio de Neon Bible denota-se um pouco por todo o disco como em "Black Wave/ Bad Vibrations", "Antichrist Television Blues", uma mistura de Dylan com Springsteen e "Windowsill". Vão ainda recuperar um clássico do seu primeiro EP, No Cars Go, tornando-a ainda mais forte e épica.Tal como no disco anterior, o género épico está bem vincado nas músicas da banda. A tal palavra muito empregue para definir os canadianos, catarse, é palavra de ordem, no entanto, ao contrário de Funeral, aqui as almas não são lavadas, mas sim mais enegrecidas. Neon Bible é, sem dúvida alguma, um digno sucessor de Funeral. Não é mais do mesmo. São os Arcade Fire, novamente no seu melhor e a demonstrar que não são apenas hype de comunicação social. São uma banda a sério e vão voltar a demonstrá-lo dia 3 no festival Super Bock Super Rock.