Os The Go! Team caíram-me no goto deste o primeiro instante. Mais do que este "Thunder, Lightning, Strike" ser um álbum de estimação, posso dizer que a própria banda é de estimação.
Apesar de considerar que as letras duma canção são muito importantes e de haver certas bandas (ou certos compositores) que são absolutos prodígios na composição dessas mesmas letras, sempre tive uma queda pela parte instrumental, ouvir uma música em repeat massivo e dedicar-me a cada instrumento de cada vez. Pois os The Go! Team têm esta capacidade, de me prender em repetição intensa pois o que não falta é a diversidade instrumental que utilizam. Admito que numa primeira audição se possa considerar uma miscelânea de barulho, mas ouvir atentamente esta banda é compensador.
"Thunder, Lightning, Strike" foi editado nesse belo ano de 2004. Desde então que me tem acompanhado com muita frequência. A sonoridade é de facto algo diferente do habitual, há quem veja os The Go! Team como compositores de bandas sonoras para bandas desenhadas, mas "Ladyflash", "Bottle Rocket" ou "Huddle Formation" (ou todas as outras) são canções com grande power.
No ano 2000 saía da cabeça, e dos dedos, de Ian Parton um projecto ao qual chamou The Go! Team. Nome irónico, porque na altura a equipa era só ele, e a sua maquinaria. Só em 2004 se formou banda, quando foi preciso tocar num festival e Ian Parton viu que precisava de mais gente para dar um concerto. Foi recrutando pessoas, algumas por anúncios no jornal, e assim formou o grupo, um sexteto.
O primeiro disco, Thunder Lightning Strike, é lançado em 2004, e entra de rompante na cena musical internacional, tão rompante como a música deste disco e como o próprio título indicia.
Este álbum entra na categoria dos incategorizáveis. Não pertence a nenhum género específico, não se cola a nenhuma época concreta. É antes um emaranhado de sons e vozes, que fazem deste um álbum de PresentePassadoFuturo. Tudo ao mesmo tempo.
O som dos Go! Team é uma manta de retalhos. Tudo começa num trabalhoso processo de corta e cola, com uma série de samples, dos mais variados possíveis, desde temas de anúncios da televisão dos anos 70, excertos de músicas de Dolly Parton a Quincy Jones, temas de filmes, e por aí em diante, até onde a imaginação levar. Com esta base, são depois introduzidos instrumentos – guitarras, secção rítmica, sopros, teclas – e vozes.
O resultado é uma salada sonora, com músicas anacrónicas, que representam exactamente todos os tempos verbais – são feitas no presente, com técnicas do futuro, e muitas vezes remetem para um passado (feito com muito soul e funk ). Cada música é uma construção que leva várias camadas de sons e outros elementos.
O tom é basicamente de festa, descarga de energia, instantânea, que sai de cada nota directamente para a cabeça e para o corpo. Músicas como “Huddle Formation” ou “Junior Kickstart” são dessas, frenéticas, que fazem os pés e as pernas abanar. Há no disco um ou outro momento mais calmo (“Feelgood by Numbers”), que serve para descansar o corpo, antes de voltar à algazarra dançante. Depois, é voltar ao início. Este é um disco para ouvir em repeat, com 11 músicas em pouco mais de 30 minutos.
Um primeiro disco é quase sempre um disco de estimação, ou porque os seguintes são bons, ou porque os seguintes são maus. Neste caso o seguinte é igualmente bom, mas menos ingénuo, e por isso guarda-se com estima esta primeira aventura.