Green Day - American Idiot (2004)
Confesso que sempre gostei de Green Day. Desde os tempos do Dookie que sempre lhes conferi algo de especial. No entanto, após Nimrod, também confesso que pensei que acabariam por perder-se, engolidos por outra geração, a exemplo de outras bandas surgidas no início dos anos 90. Warning, editado em 2000, veio dar razão a isso. Um disco bonzito, polvilhado aqui e ali com bons momentos mas a deixar a sensação de se estarem a esfumar em termos artísticos. Com o avançar da década, começaram a aparecer novas bandas já aqui referidas como os Strokes, Kings of Leon, etc, que começaram a dar uma nova toada a uma nova geração. Ficariam assim os Green Day apenas uma banda fixe que teve o seu auge uma década atrás. Nada de mais errado. Com quatro anos para pôr as ideias em ordem e motivados por uma América num dos períodos mais negros da hístoria a nível político, Billie Joe Armstrong e seus muchachos deram a conhecer ao mundo uma das obras mais ricas desta década e quiçá o seu melhor disco de originais. American Idiot, composto por 13 músicas, algumas das quais medleys de longa duração, fizeram algo que nunca tinham feito e que já tinham andado a farejar antes. Enquanto Warning já tinha alguns traços de Kinks, American Idiot pega nesses traços e mistura-se com The Who aliado à sempre constante energia dos próprios Green Day e da voz muito característica de Billie Joe. De banda punk, os Green Day passaram a banda de óperas-rock com intervenção política. O medley "Jesus of Suburbia" com os seus gloriosos 9 minutos foi, inclusive, single com direito a videoclip e tudo, coisa rara para uma música tão longa.
American Idiot é, sem dúvida alguma, um grande disco que se ouve de uma ponta à outra num instante com as suas transições à la Abbey Road e que pôs os Green Day no caminho certo, juntando ao público antigo, um novo inteiramente diferente. A sequela 21st Century Breakdown, aproxima-os mais dos Queen mas sempre continuando na toada política.