Semana boa com feriado no meio. Deviam ser todas assim. Quanto a concertos destacamos algumas poucas coisas, mas despertos para um verão que está aí à porta! Temos então dose dupla de Magnetic Fields, em Lisboa e Porto; The Hives presentes na Semana Académica de Coimbra; The Heavy e Gentleman na de Lisboa; temos ainda uma viagem ao passado com os Sétima Legião e ainda outros projectos cá do burgo como Frankie Chavez, Dead Combo. Boa semana!
1. The Magnetic Fields - Casa da Música, Porto
2. The Magnetic Fields - Teatro Maria Matos, Lx
3. Dead Combo - Aula Magna, Lx
4. Frankie Chavez - C.C.B., Lx
4. Sétima Legião - Coliseu, Lx
5. The Hives + We Trust - Praça da Canção, Coimbra
5. The Heavy + Gentlemen + Pow Pow Movement - Terraplano Santos, Lx
5. The Legendary Tigerman + doismileoito + Manuel Fúria + Danger + Skream + outros - LX Factory, Lx
5. Black Bombaim - Galeria ZdB, Lx
Em fevereiro de 1988, um rapaz de 16 anos do Minnesota, chamado David Brom, matou a família inteira (os pais, um irmão e uma irmã) com um machado. Nessa mesma altura, os Negativland viram-se forçados a cancelar uma tour para promoção do seu primeiro álbum "Escape From Noise" por razões financeiras. Aproveitando o trágico acontecimento, a banda emitiu um comunicado afirmando que haviam cancelado a tour por terem sido aconselhados pelo agente federal Dick Jordan a não sairem da cidade devido uma investigação sobre o assassinato dos Brom . Houve igualmente um comunicado de imprensa que insinuava que Brom tinha ouvido a música " Christianity is Stupid", dos Negativland, antes do ataque fatal aos seus pais extremamente religiosos (e consequentemente aos seus irmãos). Na realidade, não havia nenhum funcionário com o nome "Dick Jordan" e Brom não possuía qualquer música dos Negativland. A investigação do assassinato revelou mais tarde que ele só tinha o segundo álbum "Zen Arcade" dos Hüsker Dü, banda que pertencia curiosamente à mesma editora que os Negativland, a SST Records . No entanto, especialistas e jornalistas tomaram o comunicado de imprensa como válido, e o embuste recebeu alargada cobertura mediática. Após uma vasta disseminação da história, o agrupamento recusou-se firmemente a produzir mais comentários, a conselho de seu advogado "Hal Stakke", outra entidade fictícia inventada pela banda. Como resultado dessa cobertura mediática negativa, a casa de Richard Lyons em Oaklan, Califórnia, foi alvejada com pedras por um vândalo desconhecido. É possível escutar alguns samples extraídos desse frenesim mediático no álbum "Helter Stupid" de 1989. Is there any escape from noise?
Patrick Watson está de volta. São excelentes notícias meus amigos! "Adventures in Your Own Backyard" é o nome do seu novo álbum, acabadinho de sair para o mercado. E o primeiro single a ser lançado chama-se "Into Giants" e é uma grande canção.
Para quem não conhece a obra desta banda (apesar de ter o nome do frontman, Patrick Watson ficou por falta de ideias e tempo para escolher um nome diferente) ponha mãos à obra. Este é já o quarto disco destes canadianos que já passaram diversas vezes por cá (na Aula Magna, no Super Bock em Stock, no SBSR) e é música na mais pureza das concepções. Ideal para se ouvir duma ponta à outra, com aqueles phones que tapam as orelhas totalmente ou para ouvir em alto e bom som pela casa fora. É também imperdível em concerto pois tanto Patrick Watson como os outros elementos da banda, o guitarrista Simon Angell, o flamboyant percursionista Robbie Kuster e o baixista Mishka Stein, são fabulosos em palco, de se lhe tirar o chapéu.
"Adventures in Your Own Backyard" está, para mim, destacadíssimo para a vitória no melhor álbum do ano. Agora deixem-se levar.
Em 2009 o Diabo na Cruz chegou, e Virou ao contrário as concepções que até aí se podiam ter da música tradicional portuguesa. Virou foi o disco de estreia do Diabo na Cruz, e rapidamente inscreveu o nome da banda no cenário musical deste país. Na altura, surpreendeu pela ligação forma harmoniosa como fez a ligação entre a tradição da música do Portugal profundo, e os padrões do rock anglo-saxónico.
Em 2012, a banda regressa, e confirma tudo o que tinha prometido na estreia.
O Diabo na Cruz é um supergrupo - chama-se supergrupo a qualquer banda que tenha membros de outras bandas. E o Diabo na Cruz juntou gente dos You Can't Win Charlie Brown (João Gil), Feromona (Bernardo Barata), TV Rural (João Pinheiro), e cantautores consagrados, B Fachada e Jorge Cruz. Para o 2º álbum, a banda teve alterações - saíu B Fachada e entraram outros 2 músicos, mas a génese mantém-se a mesma.
Roque Popular é o nome do 2º álbum do Diabo na Cruz, e a identidade musical e o conteúdo do disco são logo explicados no título e na capa do disco. Esta capa, que merece uma edição em vinil, retrata o que se passa dentro do disco, que no fundo é rock popular, música tradicional portuguesa adornada com electricidade. Esta foi a premissa que norteou a banda desde o nascimento, e essa interligação é consumada e alargada neste 2º disco.
O Diabo na Cruz foi às raízes mais profundas da música tradicional portuguesa como se faria, acredito, há 300 anos, com instrumentos de cordas e tambores - e fundiu essa música e esse sentimento com o rock, punk rock, garage rock da tradição anglo-saxónica, regando ainda com pitadas de pop, e melodias que ficam no ouvido com relativa facilidade.
Esse mergulho na profunda Lusophonia estende-se também às letras, que são fábulas de um Portugal rural (Jorge Cruz diz que entre as fontes de inspiração para as letras estão as trovas do Bandarra, que viveu entre 1500 e 1556).
Posto isto, digo que Roque Popular é um grande disco. São 10 canções, e quase todas têm potencial para ser singles, para rodar até nas rádios mais quadradonas. Todas elas são marcadas por uma batida frenética dos tambores. As letras são vociferadas quase em modo de combate. Além dos elementos mais tradicionais como o cavaquinho e a viola braguesa, a grande virtude do Diabo na Cruz é a inclusão das teclas e do baixo. Disso não havia há 300 anos, e a forma como aqui são incluídos, é um dos pontos mais fortes deste disco. Os órgãos entram nas músicas nas alturas certas, e dão uma sensação de modernidade. O baixo do Bernardo Barata confere à música um balanço incrível, e é talvez o principal impulsionador da dança - porque a música do Diabo na Cruz não é feita para ouvir sentado!
uma canção de rock & roll tocada no universo: Sister Anne by MC5 on Grooveshark
uma canção qualquer retirada de um filme (Dr. Strangelove...): We'll Meet Again by Vera Lynn on Grooveshark
uma canção ideal para sair à noite numa 6a feira, perder a cabeça e acabar na prisão com menos pêlos no rabo: Se Tu Não Fosses Mariana by Rastolhice on Grooveshark