Em fevereiro de 1988, um rapaz de 16 anos do Minnesota, chamado David Brom, matou a família inteira (os pais, um irmão e uma irmã) com um machado. Nessa mesma altura, os Negativland viram-se forçados a cancelar uma tour para promoção do seu primeiro álbum "Escape From Noise" por razões financeiras. Aproveitando o trágico acontecimento, a banda emitiu um comunicado afirmando que haviam cancelado a tour por terem sido aconselhados pelo agente federal Dick Jordan a não sairem da cidade devido uma investigação sobre o assassinato dos Brom . Houve igualmente um comunicado de imprensa que insinuava que Brom tinha ouvido a música " Christianity is Stupid", dos Negativland, antes do ataque fatal aos seus pais extremamente religiosos (e consequentemente aos seus irmãos). Na realidade, não havia nenhum funcionário com o nome "Dick Jordan" e Brom não possuía qualquer música dos Negativland. A investigação do assassinato revelou mais tarde que ele só tinha o segundo álbum "Zen Arcade" dos Hüsker Dü, banda que pertencia curiosamente à mesma editora que os Negativland, a SST Records . No entanto, especialistas e jornalistas tomaram o comunicado de imprensa como válido, e o embuste recebeu alargada cobertura mediática. Após uma vasta disseminação da história, o agrupamento recusou-se firmemente a produzir mais comentários, a conselho de seu advogado "Hal Stakke", outra entidade fictícia inventada pela banda. Como resultado dessa cobertura mediática negativa, a casa de Richard Lyons em Oaklan, Califórnia, foi alvejada com pedras por um vândalo desconhecido. É possível escutar alguns samples extraídos desse frenesim mediático no álbum "Helter Stupid" de 1989. Is there any escape from noise?
Patrick Watson está de volta. São excelentes notícias meus amigos! "Adventures in Your Own Backyard" é o nome do seu novo álbum, acabadinho de sair para o mercado. E o primeiro single a ser lançado chama-se "Into Giants" e é uma grande canção.
Para quem não conhece a obra desta banda (apesar de ter o nome do frontman, Patrick Watson ficou por falta de ideias e tempo para escolher um nome diferente) ponha mãos à obra. Este é já o quarto disco destes canadianos que já passaram diversas vezes por cá (na Aula Magna, no Super Bock em Stock, no SBSR) e é música na mais pureza das concepções. Ideal para se ouvir duma ponta à outra, com aqueles phones que tapam as orelhas totalmente ou para ouvir em alto e bom som pela casa fora. É também imperdível em concerto pois tanto Patrick Watson como os outros elementos da banda, o guitarrista Simon Angell, o flamboyant percursionista Robbie Kuster e o baixista Mishka Stein, são fabulosos em palco, de se lhe tirar o chapéu.
"Adventures in Your Own Backyard" está, para mim, destacadíssimo para a vitória no melhor álbum do ano. Agora deixem-se levar.
Em 2009 o Diabo na Cruz chegou, e Virou ao contrário as concepções que até aí se podiam ter da música tradicional portuguesa. Virou foi o disco de estreia do Diabo na Cruz, e rapidamente inscreveu o nome da banda no cenário musical deste país. Na altura, surpreendeu pela ligação forma harmoniosa como fez a ligação entre a tradição da música do Portugal profundo, e os padrões do rock anglo-saxónico.
Em 2012, a banda regressa, e confirma tudo o que tinha prometido na estreia.
O Diabo na Cruz é um supergrupo - chama-se supergrupo a qualquer banda que tenha membros de outras bandas. E o Diabo na Cruz juntou gente dos You Can't Win Charlie Brown (João Gil), Feromona (Bernardo Barata), TV Rural (João Pinheiro), e cantautores consagrados, B Fachada e Jorge Cruz. Para o 2º álbum, a banda teve alterações - saíu B Fachada e entraram outros 2 músicos, mas a génese mantém-se a mesma.
Roque Popular é o nome do 2º álbum do Diabo na Cruz, e a identidade musical e o conteúdo do disco são logo explicados no título e na capa do disco. Esta capa, que merece uma edição em vinil, retrata o que se passa dentro do disco, que no fundo é rock popular, música tradicional portuguesa adornada com electricidade. Esta foi a premissa que norteou a banda desde o nascimento, e essa interligação é consumada e alargada neste 2º disco.
O Diabo na Cruz foi às raízes mais profundas da música tradicional portuguesa como se faria, acredito, há 300 anos, com instrumentos de cordas e tambores - e fundiu essa música e esse sentimento com o rock, punk rock, garage rock da tradição anglo-saxónica, regando ainda com pitadas de pop, e melodias que ficam no ouvido com relativa facilidade.
Esse mergulho na profunda Lusophonia estende-se também às letras, que são fábulas de um Portugal rural (Jorge Cruz diz que entre as fontes de inspiração para as letras estão as trovas do Bandarra, que viveu entre 1500 e 1556).
Posto isto, digo que Roque Popular é um grande disco. São 10 canções, e quase todas têm potencial para ser singles, para rodar até nas rádios mais quadradonas. Todas elas são marcadas por uma batida frenética dos tambores. As letras são vociferadas quase em modo de combate. Além dos elementos mais tradicionais como o cavaquinho e a viola braguesa, a grande virtude do Diabo na Cruz é a inclusão das teclas e do baixo. Disso não havia há 300 anos, e a forma como aqui são incluídos, é um dos pontos mais fortes deste disco. Os órgãos entram nas músicas nas alturas certas, e dão uma sensação de modernidade. O baixo do Bernardo Barata confere à música um balanço incrível, e é talvez o principal impulsionador da dança - porque a música do Diabo na Cruz não é feita para ouvir sentado!
uma canção de rock & roll tocada no universo: Sister Anne by MC5 on Grooveshark
uma canção qualquer retirada de um filme (Dr. Strangelove...): We'll Meet Again by Vera Lynn on Grooveshark
uma canção ideal para sair à noite numa 6a feira, perder a cabeça e acabar na prisão com menos pêlos no rabo: Se Tu Não Fosses Mariana by Rastolhice on Grooveshark
Hey hey! Mais uma festinha Altamont com sucesso se passou no sábado. E como não podia deixar de ser, aqui fica a playlist para tirar dúvidas a quem estava lá mas não sabia o que era e para deixar água na boca aos que não foram. Enjoy!
1. Fitter
happier - Radiohead
2. Anthems For A Seventeen
Year-Old Girl - Broken Social Scene
3. For Emma - Bon Iver
4. Easy Does It - Bonnie
"Prince" Billy
5. Battery Kinzie - Fleet
Foxes
6. She's Losing It - Belle
& Sebastian
7. It's Real - Real Estate
8. Alex - Girls
9. Baby Missiles - The War on
Drugs
10. The Shakes - Atlas Sound
11. Mosca Na Sopa - Raul
Seixas
12. Superbacana - Caetano
Veloso
13. Whole Lotta Shakin' Goin
On - Little Richard
14. The Girl Can't Help It -
The Animals
15. Thirty Days - Chuck Berry
16. I Got My Mojo Working -
Manfred Mann
17. Baby Please Don't Go -
Them
18. I'm Gonna Destroy That
Boy - The What Four
19. You Don't Love Me - The
Starlets
20. He Fought The Law - She
Trinity
21. Roll Over Beethoven - The
Beatles
22. Rock 'n' Roll Music -
Backbeat Band
23. Long Tall Sally -
Backbeat Band
24. Wooly Bully - Sam the
Sham & the Pharaohs
25. Surfin' Bird - The
Trashmen
26. Subterranean Homesick
Blues - Bob Dylan
27. Fortunate Son - Creedence
Clearwater Revival
28. Touch Me - The Doors
29. Paint It Black - The
Rolling Stones
30. Suffragette City - David
Bowie
31. My Generation - The Who
32. Holidays In The Sun - Sex
Pistols
33. Too Drunk To Fuck - Dead
Kennedys
34. Do You Wanna Dance? - The
Ramones
35. See No Evil - Television
36. The Back Of Love - Echo
& The Bunnymen
37. Disorder - Joy Division
38. Radio Free Europe -
R.E.M.
39. Gigantic - Pixies
40. Drain You - Nirvana
41. Rearviewmirror - Pearl
Jam
42. Zero - Smashing Pumpkins
43. Incinerate - Sonic Youth
44. Take It Or Leave It - The
Strokes
45. Slow Hands - Interpol
46. Mr. November - The
National
47. Darts Of Pleasure - Franz
Ferdinand
48. Empty Room - Arcade Fire
49. Stay Useless - Cloud
Nothings
50. Raw Meat - Black Lips
51. Lucidity - Tame Impala
52. Lonely Boy - The Black
Keys
53. How You Like Me Now - The
Heavy
54. Heart Attack - Raphael
Saadiq
55. Hurricane - Jamie Lidell
56. I Can't Turn You Loose -
Otis Redding
57. Hit The Road Jack - Ray
Charles
58. Sweet Soul Music -
Ministry Of Sound Funk Soul Classics
59. Love Man - Otis Redding
60. Your Easy Lovin' Ain't
Pleasin' Nothin' - Mayer Hawthorne
61. Come And Get It - Eli
"Paperboy" Reed
62. Birthday - The Beatles
63. Bang a Bong (Get It On) -
T. Rex
64. Move On Up - Curtis
Mayfield
65. Dance To The Music - Sly
& The Family Stone
66. Land Of 1000 Dances -
Wilson Pickett
67. You Can Call Me Al - Paul
Simon
68. Paul Simon - Ölga
69. Mansard Roof - Vampire
Weekend
70. Baltazar - Ena Pá 2000
71. Pumpkin and Honey Bunny
[Dialogue] / Misirlou - Dick Dale & The Del-Tones