13 outubro 2011

Álbum de Estimação: Destroy That Boy! More Girls With Guitars (2009)

Vou confessar-vos aqui uma coisa. Nunca fui o maior fã de grupos liderados por mulheres. Não sei se é (era) uma coisa machista ou apenas porque o rock na minha óptica é um mundo de tipos com guitarras com postura agressiva e sempre achei que o rock só era sério liderado por tipos como Hendrix, Morrison, Lennon ou Cobain. Durante anos estive enganado. Não só as mulheres conseguem rockar tanto como muitos homens, e o exemplo está no último disco de que vos falei, como, por vezes, conseguem outra imagem que só mesmo elas conseguem. Para além das óbvias Janis Joplin, Patti Smith ou Pj Harvey temos Grace Slick, dos Jefferson Airplane, Debbie Harry dos Blondie ou Susan Janet Ballion mais conhecida por Siouxsie Sioux, para além de todos aqueles grupos de miúdas dos anos sessenta dos quais vos falo de alguns nesta compilação que apresento hoje. Destroy That Boy! More Girls With Guitars é a sequela de Girls With Guitars, lançado em 2004 que apresenta uma palete de grupos rock dos anos sessenta compostos só por mulheres. Ora esta sequela traz exactamente mais pérolas desse tempo. O tempo do garage rock e do pré-punk. Enquanto as Ronettes e as Crystals, embelezadas pela produção de Phil Spector, traziam o melhor do pop desta geração, estas miúdas iam buscar inspiração a tipos mais rufias como os Kinks ou os Stones. Um dos melhores exemplos disso é a música que dá nome a esta compilação e abre o disco, "I'm Gonna Destroy That Boy" das What Four. Rock sujo e agressivo que nada fica a dever a qualquer banda cheia de testosterona. Em 24 músicas há alguns baixos mas os altos como "You Don't Love Me" ou "No" provam que estas senhoras não brincavam com as guitarras. Deixo-vos um pequeno gostinho deste disco que, tenho certeza, virá a fazer parte da vossa discografia...



THE WHAT FOUR- I'M GONNA DESTROY THAT BOY por

12 outubro 2011

Altamont Recomenda:

O nome Mozart Parties soa um pouco estranho. Mas o som é interessante pelo que aqui fica para vossa experimentação.

11 outubro 2011

Álbum Fresquinho: Thurston Moore - "Demolished Thoughts"

Passados que estão 5 meses do lançamento deste álbum já é com dificuldade que se pode enquadrar na classe dos fresquinhos, mas dado que poderá haver muita gente que não o apanhou por uma ou outra razão e também por eu achar que merece destaque, hoje é este o fresquinho - Demolished Thoughts, terceiro álbum a solo de Thurston Moore.
A primeira palavra vai para aqueles que esperavam que este álbum a solo fosse uma continuação do seu trabalho nos Sonic Youth - para essas a surpresa será constante. Em vez do noise rock experimental temos um álbum onde se potencia mais a canção do que o improviso. Mas a mudança chave está mesmo nos arranjos.
Toda a instrumentação é diferente do que é a imagem de marca dos Sonic Youth, com uma ênfase maior nas guitarras acústicas e outras cordas. Moore explora uma palete de sons mais suave de forma entusiástica, mas sempre sem perder o seu lado conceptual. É um álbum que cheira a folk, mas não é só folk, é um folk à maneira muito própria de Moore que mesmo quando dedicado a um estilo diferente não descura um constante explorar dos instrumentos que tem à sua disposição e neste caso temos harpa, violinos, baixo e a conjugação de todos soa-nos familiar e ao mesmo tempo único. Há que salientar também o importante papel que tem Beck, produtor do álbum, no produto final - fico com a sensação que é dele a responsabilidade de não deixar Thurston Moore perder-se no seu experimentalismo, controlando-o sem chicote, dando até talvez uma maior ambição ao projecto mas sem que tal pareça forçado.
Parece-me que com este álbum há claramente um salto em frente neste seu side-project que é a carreira a solo, deixando de ser apenas um entretém nos tempos livres para algo mais consistente. Deixo a música à vossa consideração. São apenas 9 temas e começa com um arrepiante "Benediction". Enjoy!

10 outubro 2011

Concertos da Semana - 10 a 16 Outubro

Para esta semana o Altamont recomenda 2 nomes grandes da música Indie, Stuart Staples e Patrick Wolf. O primeiro apresenta-se no Festival Sintra Misty e o segundo regressa, depois da sua passagem pelo último festival Alive!, na sala TMN ao Vivo. A não perder também os projectos portugueses B Fachada com Lula Pena, You Can't Win Charlie Brown e Dead Combo com Mazgani.

13. Selah Sue - Op Art, Lx
13. Stuart Staples + Sandy Kilpatrick - Olga Cadaval, Sintra
13. B Fachada + Lula Pena - Torres Novas
14. X-Wife - Leiria
15. You Can't Win Charlie Brown - Galeria de Paris, Porto
15. B Fachada + Lula Pena - Torres Verdas
15. The Mission - Sala TMN ao Vivo, Lx
15. Dead Combo + Mazgani - Olga Cadaval, Sintra
16. Patrick Wolf - Sala TMN ao Vivo, Lx

06 outubro 2011

Álbum de Estimação: Silver Jews: "Tanglewood Numbers" (2005)

Descobri os Silver Jews em 2005, com este álbum. Ou seja, 16 anos depois de se formarem como banda, 11 anos depois do seu primeiro álbum, e já com mais 3 lançados entretanto. Quando os descobri soube que a banda foi criada por David Berman e dois elementos dos Pavement, Stephen Malkmus e Bob Nastanovich o que torna ainda mais vergonhosa a minha desatenção. Mas mais vale tarde que nunca, certo? Até porque chegaram tarde mas ganharam um lugar especial e a audição que fiz hoje de manhã para preparação deste post só serviu para reforçar isso mesmo.
David Berman arrasa-nos com as suas letras únicas, de poeta, e se tivermos em conta que metido neste álbum estão emoções que terá sentido nos difíceis 4 anos que o separam do anterior Bright Flight, onde o abuso de drogas e depressão o levaram a tentar o suícidio, só podemos agradecer por ter dado a volta por cima e partilhar connosco um pouco desse carrossel de sentimentos na forma deste Tanglewood Numbers.
"Punks in the Beerlight", música que abre o álbum fez parte do meu alinhamento da Hora do Bolo. Será que isto só por si prova o valor que dou a esta música? Aquela intensidade de um "I Love you to the MAX!" é algo muito muito especial. Depois vem uma lista de músicas de nome enorme que algumas vezes me deu sustos derivado do facto de que me punha a olhar para o iPod para ler o nome todo e distraído da estrada tudo podia ter acontecido. Todas elas com o seu encanto, a sua magia, as suas metáforas para transmitir a sua nova encontrada fé e um ritmo muito vivo a acompanhar. E não podia deixar também de realçar o grand finale "There is a place", uma música que parece um resumo do álbum, onde tudo se concilia.
Poderia aqui colocar várias frases que se retiram deste álbum e que nos fazem pensar, nos fazem sonhar. Mas prefiro deixar cada um ouvir com a devida atenção e descobrir por si, sentir por si.

05 outubro 2011

Altamont Recomenda:

Altamont recomenda, para este tranquilo feriado de meio de semana, Washed Out. O projecto de Ernest Greene passará por Portugal a 9 de novembro no Lux para apresentar o álbum Within and Without, editado no mês de julho pela Sub Pop.

04 outubro 2011

Álbum Fresquinho: Wild Flag - "Wild Flag"

Constituído por quatro mulheres rockeiras, os Wild Flag não são propriamente uma banda de miúdas novas que se juntaram para tocar rock por ser uma cena indie uma mulher de guitarra. Não. Estas rockgirls já cá andam há muito porém por caminhos separados. Carrie Brownstein e Jane Weiss fazem parte das Sleater-Kinney, Rebeca Cole é baterista dos Minders enquanto Mary Timony era a figura dos Helium. As suas carreiras começaram já em meados dos 90 mas só no início deste século é que começaram a privar entre elas, fosse em parcerias ou em tournées. Em 2010 resolveram começar um projecto que se viria a chamar de Wild Flag que resultou neste disco homónimo editado agora. E que bem que fizeram estas senhoras (Todas com mais de 40 anos) ao gravarem juntas pois Wild Flag é, certamente, um dos melhores discos editados este ano. Uma espécie de punk-rock com pinceladas de psicadelismo, funk e indie. São 40 minutos divididos em 10 músicas que se ouvem de uma ponta à outra relembrando o melhor de um passado que começa nos Clash, um bocadinho de Talking Heads, passa por Patti Smith (óbvio) e dá uma piscadela a Pixies mas sem esquecer nunca o presente onde vivem. Uma das boas surpresas deste ano.
Se todos os ditos "supergrupos" fossem tão consistentes...




Agenda de Outubro

Animados com as notícias da realização do primeiro Primavera Sound em terras lusitanas (decorrerá no Porto, no próximo mês de Junho), o Altamont recomenda uma preenchida agenda para este mês. A não perder Patrick Wolf, You Can't Win Charlie Brown, Bonnie Prince Billy, Emir Kusturica, Kaiser Chiefs ou The Get Up Kids. A não perder também o Festival Sintra Misty, a decorrer no final do mês com concertos de Stuart Staples, Howe Gelb e do lendário homem-tigre, entre outros.

Agenda:

4. Cebola Mol - MusicBox
4. Tinariwen - Vila do Conde
6. B Fachada e Lula Pena - Leiria
7. Emir Kusturica & No Smoking Orchestra - Estádio Municipal Aveiro
8. Emir Kusturica & No Smoking Orchestra - I.S. Técnico, Lx
8. Noiserv - Teatro São Luiz, Lx
13. Selah Sue - Op Art, Lx
13. B Fachada e Lula Pena - Torres Novas
13. Stuart Staples - Olga Cadaval, Sintra Misty
15. You Can't Win Charlie Brown - Galeria de Paris, Porto
15. The Mission - Sala TMN ao Vivoa, Lx
16. Patrick Wolf - Sala TMN ao Vivo, Lx
20. The Get Up Kids - República da Música, Lx
20. John Grant - Olga Cadaval, Sintra Misty
21. Howe Gelb + Sean Riley & the Slowriders - Olga Cadaval, Sintra Misty
22. Jay-Jay Johanson - Olga Cadaval, Sintra Misty
23. Bonnie Prince Billy - C.C.Vila Flor, Guimarães
23. The Legendary Tigerman - Olga Cadaval, Sintra Misty
24. Bonnie Prince Billy - Teatro Maria Matos, Lx
26. Adam Cohen - Santiago Alquimista
29. Kaiser Chiefs - Festa das Latas, Coimbra
29. The Very Best DJ Set - MusicBox
29. Guano Apes - Coliseu, Lx
30. Guano Apes - Coliseu, Porto

01 outubro 2011

Periferia: The Soft Moon


Os Soft Moon, trio de São Francisco, impressionam pela densidade visual com que afundam os ouvintes. Depois do Ep homónimo de lançamento, nos finais de 2010, Luis Vasquez and the crew voltam a aparecer com outro Ep, "Total Decay". Menos pop e consideravelmente mais industrial, este novo registo perfura ainda mais o túnel. O tema título é aliás um exemplo gritante de quão escura e pós-apocalíptica pode ser a Música (isto claro sem entrarmos no universo lúgubre do death metal ou no niilismo gótico). Por estranho que pareça, a banda continua à margem das listas de melhores bandas alternativas. Comercialmente não é muito bom. Mas em termos de conceito pode querer dizer muita coisa: gestão de imagem cautelosa, edificação de trabalho repensado, criação de um movimento íntimo ou apenas liberdade de expressão criativa.
Tal como uma vez Frank Zappa disse, "mainstream comes to you, but you have to go to the underground." Não é difícil, mas tem que se procurar. Pois não se apoquentem, eu cá vou continuando a minha procura. Mais à esquerda ou mais à direita, eu hei de lá chegar...