Chegou ontem novo álbum das Dum Dum Girls, de nome Only in Dreams. Aqui fica o single de amostra, "Bedroom Eyes". Enjoy!
28 setembro 2011
27 setembro 2011
Álbum Fresquinho: Clap Your Hands Say Yeah - "Hysterical"
O fresquinho desta semana vai para uma banda que foi uma das grandes revelações dos anos 2000. Uma banda que ameaçou estremecer com as fundações das editoras discográficas ao gravar, lançar, publicitar o seu primeiro disco, chegando mesmo a lamber os próprios envelopes. A (boa) questão aqui é que o disco, de nome homónimo à banda (Clap Your Hands Say Yeah) provou que se podia realmente fazer boa música à margem da indústria clássica sem dar o mínimo cavaco aos tubarões das editoras. Lançado em 2005, no auge do indie rock, o primeiro disco da banda trazia alguma fogosidade das guitarras mas também o pop carnavalesco meio à imagem de uns indie DIY (Do It Yourself) Talking Heads. A sua performance no festival Super Bock Super Rock (um dos melhores cartazes au courant que passaram por Portugal) mostrou que estava ali uma banda que poderia de alguma forma mostrar o caminho para esta nova geração, pois não se tratava apenas de uma banda que jorrava guitarradas e sintetizadores. No entanto a realidade foi outra. Quem "mandou" nisto foram os Strokes, Arcade Fire, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, entre outros e os Clap Your Hands Say Yeah foram ficando para trás esquecidos. O seu segundo disco, editado em 2007, Some Loud Thunder, nunca chegou a pegar e eu, sinceramente, não me recordo de lhe ter dado uma segunda audição. Este ano, para meu espanto pois julgava-os extintos, vi o anúncio de um terceiro disco numa revista da especialidade. Como sempre lhes nutri algum carinho e apreço, quis saber o que nos tinham a dizer passados mais de quatro anos desde o seu último trabalho. Ora Hysterical começa com um misto de sentimentos. Sinto que já ouvi isto antes e gostei mas hoje em dia diz-me pouco, muito pouco. Este som demasiado perto dos Killers não é bem o que esperava quando uma banda decide fazer um hiato de quatro anos e meio. Depois do agri-doce em "Same Mistake", segue-se o mesmo erro (no pun intended) em "Hysterical". Muito sintetizador, muita guitarrada, alguma emoção mas a mesma matriz de "For Reasons Unknown". Muita parra, pouca uva. Em "Misspent Youth" a colagem agora faz-se aos James mas sem grande proveito. A música não chega a descolar, mais ou menos como o resto do disco. Os momentos altos deste disco são "Into Your Alien Arms" que começa com um clima mais atmosférico para em seguida explodir numa guitarrada desenfreada mas que faz sentido, "The Witness's Dull Surprise" que faz lembrar alguns bons momentos do primeiro disco e "Adams Plane" com o seu final algo inesperado a fazer sobressair. No entanto, faz parecer que, depois deste tempo fora, a banda de brooklyn começa por pôr o pé na água a ver como é que isto está hoje em dia para saber que caminho seguir. Ora o meu conselho é este: rapaziada, assim como está, não vai dar...
26 setembro 2011
Agenda de Concertos - 26 Setembro a 2 Outubro
Depois de uma dupla semana sem nada a assinalar, a não ser mais uma óptima noite passada na Mercearia 73, na última sexta-feira, regressa a Agenda de Concertos. O Altamont destaca mais uma actuação de Peaches, em novo DJ Set no Lux, os Totally Enormous Extinct Dinosaurs numa noite electrónica no MusicBox, os Mão Morta a estrearem-se na nova sala TMN ao vivo e por fim, o mítico ex-líder dos Bahaus, Peter Murphy, em dose dupla Lisboa/Porto.
29. Peaches DJ Set + Dezperados - Lux
30. Totally Enormous Extinct Dinosaurs - MusicBox
1. Mão Morta - TMN ao vivo
1. Peter Murphy - Hard Club, Porto
2. Peter Murphy - Coliseu, Lx
29. Peaches DJ Set + Dezperados - Lux
30. Totally Enormous Extinct Dinosaurs - MusicBox
1. Mão Morta - TMN ao vivo
1. Peter Murphy - Hard Club, Porto
2. Peter Murphy - Coliseu, Lx
22 setembro 2011
Álbum de Estimação: R.E.M. - "Reckoning" (1984)
Primeiro que tudo tenho a dizer que tinha outro álbum planeado para aqui colocar hoje, mas a notícia do dia fez com que mudasse subitamente de planos. E foi então que apareceu outro dilema - escolher qual o álbum de R.E.M. para estimação de hoje. Automatic for the People, que seria um forte candidato, ficou logo à partida excluído uma vez que já foi alvo de análise aqui no Altamont. Out of Time, outro forte candidato, pareceu-me óbvio demais, afinal de contas foi o álbum que os tornou conhecidos em todo o planeta (por acaso seria interessante analisar o percurso de uma banda que ao sétimo álbum é que o fez, fica para futura referência). Murmur, como primeiro álbum e com um som único na altura (1983) e vindo do nada também merecia destaque. Document, o último álbum com selo I.R.S. marcou também uma forte posição por parte da banda e vale nem que seja por incluir a insana, caótica, louca "It's the End of The World as we Know It (And I Feel Fine)". Monster, já mais recente (1994), foi também um álbum que ouvi muitas vezes levado pelo R.E.M. maniac Ricardo que tive como colega de carteira nos 3 anos do secundário, e que me permitiu descobrir a banda bem melhor. Mas a decisão final recaiu neste Reckoning, um grande álbum, o segundo da banda, gravado pouco depois do primeiro, e aproveitando uma onda de grande criatividade (o próprio Peter Buck admitiu que estavama a escrever duas boas músicas por semana e que o álbum devia ser duplo). Para além disso apareceram em Reckoning algumas músicas que a banda já tinha há algum tempo e que tocava ao vivo, casos de "Pretty Persuasion" e "(Don't Go Back to) Rockville". Em cerca de 15 dias os R.E.M. gravaram este álbum, segundo dizem alguns também para fugirem às pressões da I.R.S. que pretendia um álbum mais comercial (como quase todas as editoras que só vêem o lucro à frente...). E é neste ponto que os R.E.M. foram uma pedrada no charco - ao mostrar como é que uma banda underground e inspirada no punk podia avançar na indústria da música sem colocar em causa a sua integridade artística. Várias outras bandas como Pavement e Sonic Youth retiraram daqui lições importantes para a forma de gerir a sua carreira e isto é algo que muita gente hoje não se lembra.
Voltando a Reckoning, não posso afirmar que é o melhor álbum de R.E.M., mas é um álbum importante e que mostra bem o que é a banda a quem só conhece os hits que chegaram nos anos 90. Músicas como "So. Central Rain (I'm Sorry)", "Little America" e "7 Chinese Brothers", para além das duas mencionadas acima merecem ser ouvidas e recordadas.
Voltando a Reckoning, não posso afirmar que é o melhor álbum de R.E.M., mas é um álbum importante e que mostra bem o que é a banda a quem só conhece os hits que chegaram nos anos 90. Músicas como "So. Central Rain (I'm Sorry)", "Little America" e "7 Chinese Brothers", para além das duas mencionadas acima merecem ser ouvidas e recordadas.
21 setembro 2011
Altamont Recomenda:
Os Black Lips são daquelas bandas que nos providenciam um rock de pura desbunda. Em Junho lançaram o seu sexto álbum, Arabia Mountain, do qual foi retirado este single "Family Tree". O videoclip é um pouco estranho, faz lembrar um filme gore, mas a música vale uma audição. Ou mais, dependendo da vossa apreciação.
Altamont Recomenda:
Vem aí novo álbum de Atlas Sound, lá para Novembro chega Parallax! Como primeira amostra, uma música com título em português, "Te Amo". É experimentar!
20 setembro 2011
Álbum Fresquinho: Beirut - "The Rip Tide"
Informação prévia antes de irmos ao álbum em si - Zach Condon, ou simplesmente Zach para os amigos, o senhor por trás da capa Beirut nasceu em 1986. Sabem, o ano em que Portugal juntou-se à CEE, em que Maradona ganhou o Mundial de Futebol, em que o Challenger se desfez à frente dos nossos olhos, no qual a cidade de Chernobyl passou a constar do mapa e de tantas outras coisas que nos lembramos tão bem de ver acontecer. Onde quero chegar com isto? Simples - levar-vos a debruçar sobre o facto de Zach ter 25 anos e ter acabado de lançar o seu terceiro álbum, com mais cinco EP's pelo meio, o que a mim me parece deveras impressionante. E o que impressiona ainda mais - ter um americano a fazer música que é uma mistura do vaudeville francês dos anos 20 com ritmos das balcãs, Bregovic, Kusturicas e afins. Nada como viajar para libertar o espírito. 19 setembro 2011
01 setembro 2011
Periferia: BIG A little a
Quando deixa a música de ser som para passar a ser apenas ruído abstracto? A música, tal como qualquer outra área do desenvolvimento intelectual humano, não tem que ser nuclear. Aliás, o conceito de núcleo tem forçosamente que subentender a existência de arredores, sejam eles físicos, ideológicos ou quiçá meramente estéticos. Estar à margem, por opção ou por vulnerabilidade circunstancial, é igualmente uma forma racional de existência.
Mas se quisermos ser ligeiramente mais objectivos, tomemos como paradigma a Ciência (longe das crenças e dos teísmos). Os termos Ciência Central, Ciência Periférica e Ciência Marginal surgiram há relativamente pouco tempo na história da humanidade, e só fazem sentido quando se discute a ciência da Idade Moderna. Antes dos finais do século 15 não havia ciência central, ou hegemónica, no mundo. A ciência europeia, assim como a chinesa, a árabe, a indiana e outras, não encerravam entre si relações hierárquicas definidas. O aparecimento de uma ciência central, abrangente e excludente, é um fenómeno que coincide com a expansão colonial europeia decorrente das navegações dos séculos 15 e 16. A ciência e a técnica passaram então a ser instrumentos centrais nesse processo de luta pela hegemonia no mundo, a partir daí pela primeira vez globalizado. Uma vez instalado o paradigma de uma ciência central, o que dele não fizer parte será periférico ou marginal.
Assim funcionam as coisas na generalidade. Na moda, na alimentação, na linguagem e, obviamente, na música. Os cânones sobrevivem às mais diversas variações, sem perderem a vitalidade de uma regra indestrutível. E o que resta dessa empedernida segurança? Se não, nada nem ninguém avançaria para além das muralhas invisíveis das convenções formais. Há sempre quem se atreva. Quem queira percorrer longas caminhadas de isolamento: os peregrinos aventureiros. O resultado, esse pode ser tão disforme quanto a proveniência das inspirações. Do jazz à electrónica, através do vanguardismo e do rock, com passagem no ambiental ou na pop, a música periférica pode ser acessível ou por vezes difícil. Mas nunca deve perder o seu principal objectivo. Ser música.
"Periferia" é assim uma rubrica com caractér discursivo a longo prazo, com referências diversas e uma vontade insurgente de dissecar as "boas" marginalidades da música, enquanto manifestação artística-conceptual e/ou pragmática. É este o ponto de partida. O resto depois logo se ouve...
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