18 agosto 2011

Álbum de Estimação: The Feelies - "Crazy Rhytms" (1980)

Vou começar este artigo com um ponto prévio que demonstra a minha total honestidade para com o Altamont e os seus leitores - nunca tinha ouvido falar numa banda chamada The Feelies até Setembro de 2009, altura em que foram re-editados os seus dois primeiros álbuns, este Crazy Rhytms, de 1980, e The Good Earth, de 1986. Li nessa altura um artigo sobre eles que me fez despertar a curiosidade e em poucos minutos pude começar a ouvi-los, especialmente através do seu álbum de estreia. E desde então que tal tem acontecido com alguma frequência, de tal modo que o tenho hoje como um álbum que merece totalmente ser apelidado como "de Estimação".
Vou tentar explicar por palavras - para já, carreguem abaixo no play. Já começou? Ainda não? Tenham calma. Mais uns segundos que o começo é em crescendo. Primeiro apenas uns sons de sinos de vaca, depois uma guitarra, depois o baixo a definir o ritmo da música, e enfim a bateria a acompanhar. É um começo que impressiona pela forma como os sons se vão sobrepondo e tomando conta da música em si, como que cada um a puxar para uma direcção diferente, mas no fundo a conjugarem-se na perfeição. Isto é "The Boy With Perpetual Nervousness", faixa de abertura. Depois entra "Fa Cé La", único single extraído do álbum e entende-se porquê - é a música mais curta do álbum, de apenas 2 minutos e das poucas que respeita a estrutura convencional verso-refrão. Voltamos depois a uma entrada em crescendo, do qual faz parte um silêncio inicial de vários segundos para "Loveless Love" e o seu riff de guitarra constante e dominador que perdura 3 minutos, altura em que a música toma um rumo diferente, o disco parece que salta para outro ponto. Volta depois a calmia antes de entrarmos na recta final com uma alucinante subida e descida de escala. Diria que é a música que melhor demonstra a forma de estar dos The Feelies, inconstante, incerteza sobre o que vai acontecer a seguir, dando ao disco laivos de uma simples jam session.
"Forces at Work" ainda demora mais a arrancar. Dos seus 7 minutos, o primeiro passa com silêncio total, mas depois arranca e parece que se vai dilatando aos poucos. Depois de "Original Love", música na qual estás mais presente a voz como instrumento complemento do que em qualquer outra, chegamos a "Everybody's Got Something To Hide (Except Me and My Monkey)", cover dos Beatles (presente no seu seminal White Album), à qual os Feelies deram um ritmo abrasivo, descontrolado.
Entrando no terço final, temos "Moscow Nights", "Raised Eyebrows" e o final dá-se com a música que dá nome ao álbum. 9 músicas em pouco mais de 40 minutos que são uma delícia e permitem perceber como terão influenciado bandas como os R.E.M. (Peter Buck devolveu o "favor" ao produzir o segundo álbum dos The Feelies) e Yo La Tengo (originais de Hoboken, onde os Feelies tocavam com grande frequência). Obrigado aos senhores da Domino que decidiram ir buscá-los ao baú a que estavam vetados e mostrá-los de novo ao mundo, nem que seja só por mim, valeu a pena. Mostra que as coisas boas nunca morrem!



17 agosto 2011

Altamont Recomenda

Depois da loucura insana de "Surprise Hotel", utilizada variadas vezes para o fim das festas Altamont, os Fool's Gold lançaram este ano o seu segundo álbum, de nome Leave no Trace. Aqui vos deixo uma boa primeira amostra do mesmo, "Wild Window".

Altamont Recomenda:

Parece que depois de um segundo álbum menos conseguido, os Dodos estão de volta aos bons tempos de Visiter. No Color, o seu quarto álbum, está aí à mão de semear e daí retirei este "Good".

Enjoy!

15 agosto 2011

Agenda da Semana - 15 a 21 Agosto

O grande destaque desta semana vai inteiro para o Festival de Paredes de Coura. De Pulp a Kings of Convenience, passando por Mogwai, Battles ou Twin Shadow, o festival começa já esta quarta-feira, com uma recepção no palco after-hours e prolonga-se até sábado. O cartaz completo mais abaixo.

Agenda
17. Festival Paredes de Coura
18. Festival Paredes de Coura
18. Frankie Chavez - Casa da Música
19. Festival Paredes de Coura
20. Festival Paredes de Coura
21. Asian Dub Foundation, Diabo na Cruz - Vila do Porto

Festival Paredes de Coura
17 a 20 de Agosto
Praia Fluvial do Rio Tabuão

17. after-hours: Vladimir Dynamo, Crystal Castles, Wild Beasts, Omar Soleyman, Quarteto de Bolso

18. palco Ritek: Pulp, Blonde Redhead, Warpaint, Twin Shadow, Crystal Stilts; palco 2: Esben & The Witch, We Trust, Here We Go Magic, Murder Tripping Blues; after-hours: Riva Starr, Delorean



19. palco Ritek: Marina & The Diamonds, Kings of Convenience, Deerhunter, Battles, The Joy Formidable, Trail of Dead; palco 2: Chapel Club, Jamaica, Le Butchrettes, YCWCB; after-hours: Mixhell, Metronomy



20. palco Ritek: DFA 1979, Mogwai, Two Door Cinema Club, Foster The People, Linda Martini; palco 2: No Age, Viva Brother, Kurt Vile, Peixe: Avião; after-hours: Terry Hooligan Vs Rico Tubbs, Orelha Negra


Playlists: iFrod 15-08-2011

Altamont Recomenda:

Finalmente este senhor saiu da toca onde esteve nos últimos dois anos, provavelmente a magicar algo que fizesse eclipsar a banda do seu irmão mais novo, Liam. Na linha de "The Importance of Being Idle", "The Death of You and Me" é a primeira amostra do que será o disco a solo do verdadeiro criativo dos Oasis. Mais pessoal e sem o rock algo datado de Liam e companhia.

10 agosto 2011

Altamont Recomenda:

Já não são novos aqui no Altamont, já tivemos oportunidade de os ver no Super Bock Super Rock este ano, mas há que recomendá-los várias vezes. Acho que estes miúdos australianos, eles-próprios, ainda não se aperceberam bem da qualidade que transbordam. Tenham eles juízo e serão com certeza uma das grandes bandas desta década.


Altamont Recomenda:

Esta trouxe-nos o Du na última altamont dj session e achei que valia a pena meter aqui como um recomenda, até tendo em conta que este senhor fez recentemente a sua estreia em palcos portugueses. Infelizmente escolheu o Sudoeste... Ladies and gentlemen, Raphael Saadiq com "Heart Attack".

09 agosto 2011

Álbum Fresquinho: Marcelo Camelo - "Toque Dela"

Instigado pelo concerto dado no passado sábado, no espaço TMN Ao Vivo, achei por bem aqui colocar o mais recente álbum do Marcelo Camelo, Toque Dela. Depois de 10 anos como uma das forças motoras dos Los Hermanos, e do lançamento de uma carreira a solo com o álbum Sou, de 2008, podemos dizer que Marcelo Camelo não tinha entre mãos uma tarefa fácil, dado o peso da sua herança, o peso de muitos verem nele a grande esperança de continuidade na música brasileira de nomes como Chico, Caetano, Gil. Mas nada como lidar com isso da única forma que ele sabe - com simplicidade e sinceridade acima de tudo. E a meu ver é isso este Toque Dela, um álbum belo de tão simples e sincero, denotando um de ritmo que poderá advir de uma maior influência da vida paulista num carioca de gema, com menos samba e arranjos mais estruturados. Já não se sente a "Copacabana" por perto, música do álbum anterior de êxtase puro, impossível de ouvir sem mexer, agora reina a tranquilidade de um "Pra te acalmar", a segurança de que "Meu Amor é Teu", música que encerra o álbum. Mas pelo meio temos a alegria de "Acostumar, a leveza de "Pretinha, o convite à dança em "Ô ô". E deixo para o fim, por ser para mim a maior demonstração da conjugação do binómio beleza/simplicidade a "Três Dias":

Se faltar carinho, ninho
Se tiver insônia, sonha
Se faltar a paz
Se faltar a paz, Minas Gerais