30 junho 2011

Álbum de Estimação: Badfinger - "No Dice" (1970)

A razão deste No Dice dos Badfinger estar aqui não é propriamente por este ser um dos meus discos preferidos. Nem sequer por a banda ser uma das que mais apraz. Nem por ser um disco que marcou a História da música. A verdadeira razão razão deste disco figurar desta rubrica prende-se pelo facto de ser o melhor disco desta banda, para muitos desconhecida, que teve um percurso de vida bastante acidentado, sendo trágico a palavra certa. Mas já lá vamos.  Tudo começou em 1963 em Swansea, País de Gales, liderados Pete Ham, vocalista e guitarrista principal. Por homenagem aos Hollies, passaram a chamar-se The Iveys, e começaram a abrir para bandas como Yardbirds, Spencer Davis Group ou Moody Blues. Porém, não obstante, serem considerados bons músicos, faltava-lhes qualquer coisa. Esse bocadinho a mais veio com a ajuda de um manager, Bill Collins, que os pôs em contacto com Ray Davies dos Kinks que puxou uns cordelinhos para abrir horizontes para a banda galesa. Collins puxou também pela banda, obrigando-os a criar músicas originais. É aqui que se começa a dar a mudança na banda e o início de uma história agri-doce. Em 1968, após terem sobrevivido milagrosamente a um acidente de viação, os Iveys como que agradeceram a benesse e começaram a escrever um largo número de canções, melhorando a sua qualidade a olhos vistos, sendo bem aceites pelo público em concertos. Esta boa onda coincidiu com alguns factores. Os Beatles tinham acabado de lançar a sua própria editora, "Apple", e queriam muito mostrar ao mundo que conseguiam encontrar as novas coqueluches, não só da música, mas da arte em geral. Acontece que Collins, o empresário, era amigo de Mal Evans, assistente da Apple e amigo pessoal dos Beatles. O "caldinho" foi feito e os Iveys gravaram um disco pela Apple. Ora, as expectativas eram altas mas o disco não teve aceitação nenhuma. Parecendo esquecidos na prateleira da Apple, os Iveys receberam com bastante surpresa a notícia que o próprio Paul Mccartney queria que eles fizessem a banda sonora para o filme "The Magic Christian" com Peter Sellers e Ringo Starr, e que gravassem um original de McCartney, "Come and Get It". A sorte batia à porta outra vez dos Iveys que, com a saída de um dos seus elementos, decidiam mudar o nome da banda para Badfinger. Acabaram por não fazer a banda sonora do filme propriamente dita, mas o disco, chamar-se-ia, ironicamente, Magic Christian Music e "Come and Get It" levou ao ponto mais alto da banda. Parecia que tinham chegado finalmente onde ambicionavam. Fizeram parte das gravações do primeiro disco de George Harrison, marcando presença, inclusive, nos concertos de ajuda para o Bangladesh, referidos como "uma banda Apple". Em 1970 lançam o seu "disco". Doze músicas tipicamente pop/rock. Abrindo a rasgar com "I Can't Take It", continuando em "Love Me Do" e "No Matter What", passando pelas baladas em "I Don't Mind", "Midnight Caller" ou a mítica "Without You", tornada famosa nos anos 90 por, imagine-se, Mariah Carey. É um disco que não envergonha ninguém, acertando na mouche em todos os pontos certos do pop/rock. A partir daqui foi sempre a descer. Os discos começaram a não vender, os Beatles separaram-se, deixando a Apple de pantanas, deixando os Badfinger, sempre vistos como uma banda "Apple", à deriva por sua conta e risco. A qualidade começou a baixar, os discos começaram a não vender, as lutas internas a aumentar. Isto bateu forte em Pete Ham, tanto que decidiu acabar com a sua vida em 1975. Os Badfinger tentaram continuar mas em vão. A magia inicial tinha-se ido. Restou o seu legado, aqui no seu mais alto pico com No Dice.

28 junho 2011

Álbum No Ouvido: Tame Impala - "Innerspeaker" (2010)

Abrimos hoje uma nova rubrica aqui no Altamont - o "No Ouvido". Nesta serão incluídos álbuns que já não se podem considerar fresquinhos mas que só recentemente vieram parar às nossas mãos (ouvidos). E para lançar esta rubrica escolhi os Tame Impala, banda que lançou este Innerspeaker há mais de um ano (e há precisamente um ano hoje no Reino Unido o que não deixa de ser uma coincidência engraçada) e só agora ganhou tempo de antena. E vem mesmo a tempo, já que vão ser uma das bandas presentes no Super Bock Super Rock deste ano e merecem o destaque aqui no Altamont.
Começo por introduzir a banda - os Tame Impala são de Perth, Austrália e formaram-se em 2007. Depois de terem lançado dois EP's (Tame Impala e [H.I.T.S. 003]) durante o ano de 2008 lançaram-se então na gravação do seu primeiro LP - este mesmo Innerspeaker que poderão ouvir já já aqui em baixo. Mas primeiro, mais umas palavrinhas para dar mais algum contexto e criar uma maior ansiedade antes de carregarem no play (bem, a este ponto se calhar até já carregaram e já não estão a ligar pêva ao que estou para aqui a escrever mas siga). Eu diria que os Tame Impala conseguiram aqui criar uma excelente mistura entre o psicadelismo do final dos anos 60, mas já incorporando tudo o que se passou no universo da música rock desde então, indo beber especialmente ao britpop, ao shoegaze de forma a trazer alguma frescura à base psicadélica donde partem. A voz do vocalista Kevin Parker, muito semelhante à de John Lennon também ajuda bastante neste capítulo.
Eu pessoalmente fui apanhado pela música 2, "Desire Be, Desire Go", mas o álbum convence pelo seu todo. Enjoy it!

27 junho 2011

Manifesto Altamont, parte 2

No seguimento deste post da semana passada, vimos agora dizer ao povo que continuaremos. Como disse no Manifesto, bastaria uma pessoa, pelo que 2 comentários e 8 pessoas que gostaram do post é quórum suficiente. Continuaremos. A partilhar música de graça mas com entusiasmo. Tal como os Rolling Stones há 42 anos. O espírito Altamont vive! Os Hell's Angels vão ter que se aguentar a fazer a segurança da casa por mais uns tempos. Como sempre, pagamos em cerveja.

Playlists: iFrod 27-06-2011

Concertos da Semana - 27 de Junho a 3 de Julho

Para esta semana temos como recomendação o bizarro mundo psicadélico dos Secret Chiefs 3 na ZDB e a já mítica Sharon Jones com os seus Dap Kings na Casa da Música.

27. Secret Chiefs 3 - Galeria ZdB
1. Gimba & Os Bandidos - Fábrica da Pólvora, Oeiras
1. Nouvelle Vague - Festival Delta Tejo
1. D.A.D. - Pavilhão do Restelo
3. Sharon Jones & The Dap Kings - Casa da Música

22 junho 2011

Manifesto Altamont

Nós no altamont.blogspot.com, não estamos contentes. Queremos mais - mais comentários, mais opiniões, mais visitas, mais likes ou dislikes, ou seja, uma maior interacção com os visitantes do blog e com os fãs no Facebook. Temos todo o prazer em partilhar o nosso gosto pela música, mas buscamos também o sentimento de que as nossas partilhas/sugestões estão a ter algum impacto, nem que seja numa pessoa. Se houver uma pessoa que nos diga "Ouvi o álbum de tal banda que não conhecia e gostei" ou "O vosso blog permitiu-me ouvir um álbum inteiro de uma banda que só conhecia de nome" vamos continuar. Basta haver uma pessoa. Mas naturalmente que queremos mais, afinal de contas, temos 716 fãs no FB e cerca de 25 a 30 visitas/dia no blog! Sabemos que hoje em dia o que não falta (e especialmente no Facebook...) é oferta de pessoas que falam sobre e partilham música. Sabemos que somos apenas mais uma fonte. Mas julgamos (e é aqui que podemos estar enganados) ser algo diferentes, falando de álbuns recentes de bandas relativamente menos conhecidas, apresentando novas recomendações, permitindo a escuta na íntegra dos álbuns sem downloads, e claro, sem descurar álbuns que fizeram a História da Música. Partilhando uma excelente agenda de concertos, bem como algumas análises e fotoreportagens de concertos. Organizando as sessões de música e festas em bares lisboetas. Tudo isto é o Altamont a que vos fomos acostumando.

Estamos portanto num momento decisivo, em que precisamos de um empurrãozinho para continuar ou um simples "não me chateiem mais". A palavra ao público.

Obrigado!