Passou quase despercebido à grande generalidade dos media (que surpresa...) mas um génio maior da música de língua portuguesa fez no passado dia 10 de Junho 80 anos. Daí eu querer aproveitar a oportunidade e colocar aqui no Altamont, como blog aberto a músicas de todo o mundo, este Chega de Saudade como o álbum de estimação da semana. E porquê estes Chega de Saudade e não outro qualquer de João Gilberto? Pergunta de resposta simples - foi este álbum que gerou uma transformação na música brasileira, dando forma e corpo à bossa-nova.
Faço minhas as seguintes palavras de um dos grandes contribuidores para este álbum, de nome António Carlos Jobim (escreveu várias letras, juntamente com Vinicius de Moraes):
"João Gilberto é um baiano, "bossa-nova" de vinte e seis anos. Em pouquíssimo tempo, influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores. Nossa maior preocupação, neste "long-play" foi que Joãozinho não fosse atrapalhado por arranjos que tirassem sua liberdade, sua natural agilidade, sua maneira pessoal e intransferível de ser, em suma, sua espontaneidade. Nos arranjos contidos neste "long-playing" Joãozinho participou ativamente; seus palpites, suas idéias, estão todas aí. Quando João Gilberto se acompanha, o violão é ele. Quando a orquestra o acompanha, a orquestra também é ele. João Gilberto não subestima a sensibilidade do povo.
Ele acredita, que há sempre lugar para uma coisa nova, diferente e pura que - embora à primeira vista não pareça - pode se tornar, como dizem na linguagem especializada: altamente comercial. Porque o povo compreende o Amor, as notas, a simplicidade e a sinceridade. Eu acredito em João Gilberto, porque ele é simples, sincero e extraordináriamente musical.
P. S. - Caymmi também acha."
Antonio Carlos Jobim
(grooveshark as soon as possible)
16 junho 2011
14 junho 2011
Álbum Fresquinho: Arctic Monkeys - "Suck It and See"
E ao quarto disco de originais, os Monkeys demonstram bem o caminho que querem seguir. O seu próprio caminho, sem pressões de editoras para encherem estádios e se tornarem os meninos bonitos que arrastam milhões de teenagers atrás. Após o primeiro disco ter pegado de estaca e ter feito de quatro miúdos de Sheffield uma promissora banda e revelar, em especial, um carismático Alex Turner, os Arctic Monkeys começaram a desbravar o seu próprio caminho, e isso revelou-se nos discos, músicas e, sobretudo, letras seguintes. Não mais Alex Turner escreveria sobre os seus ténis preferidos ou encontros de adolescentes. Tornaram-se homenzinhos e cada vez melhores músicos. Do pujante Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, seguido da confirmação de selo de qualidade em Favourite Worst Nightmare, passando pela experimentação em Humbug, os pupilos de Turner chegam-nos agora com Suck it and See, título nada aconselhável para quem poderia querer manter um nível respeitável e de fácil aceitação. Este disco chega-nos dois anos depois de Humbug e apenas um mês após o EP a solo de Alex Turner, Submarine, banda sonora para o filme com o mesmo nome, realizado por Richard Ayoade. É de salutar esta corrente criativa até porque a qualidade de Suck it and See, não aparece de alguma maneira beliscada. Não é um disco fácil. Não cria raízes à primeira como nos dois primeiros discos. Surge na continuação do disco anterior mas com um piscar de olhos ao grunge. Mais crú e seco. Não há nenhuma música que se possa dizer que é "material de single". Tanto "Brick by Brick", cantada também pelo baterista, Matt Helders, como "Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair", são secas o suficiente para alienar grande parte do antigo público. É um disco que vai crescendo aos poucos, tornando-se essencial sem atingir as parangonas dos media. Por vezes, é melhor assim...
13 junho 2011
Concertos da Semana - 13 a 19 Junho
Como notas de maior destaque para esta semana, o Altamont recomenda Ryan Adams dia 16 na Aula Magna e no dia seguinte no Porto, assim como a nova revelação portuguesa, os You Can't Win, Charlie Brown, nos Optimus Bailes Optimus, dia 16 na Voz do Operário.
15. Crystal Stilts - Lux
16. B Fachada - Biblioteca Municipal Barcelos
16. Ryan Adams - Aula Magna
16. You Can't Win Charlie Brown - Voz do Operário
16. Julian Lynch - Galeria ZdB
17. Ryan Adams - Teatro Sá da Bandeira
18. Arnaldo Antunes - Cinema São Jorge
19. Lee Ranaldo - MusicBox
15. Crystal Stilts - Lux
16. B Fachada - Biblioteca Municipal Barcelos
16. Ryan Adams - Aula Magna
16. You Can't Win Charlie Brown - Voz do Operário
16. Julian Lynch - Galeria ZdB
17. Ryan Adams - Teatro Sá da Bandeira
18. Arnaldo Antunes - Cinema São Jorge
19. Lee Ranaldo - MusicBox
Playlists: iDud 14-06-2011
Countdown!
Dentro de menos de um mês é o Alive 2011, passeio marítimo de Algés. Uma data de palcos, e uma série de bandas.
Não deve dar para ver tudo ao mesmo tempo, mas fica aqui uma sugestão de roteiro.
Cheers
Dentro de menos de um mês é o Alive 2011, passeio marítimo de Algés. Uma data de palcos, e uma série de bandas.
Não deve dar para ver tudo ao mesmo tempo, mas fica aqui uma sugestão de roteiro.
Cheers
10 junho 2011
Num DVD perto de si: "Pink Floyd Live at Pompeii"
Se há um documentário, concerto ou registo musical de uma banda esse foi realizado em 1972 por Adrian Maben e tem como nome Live at Pompeii.
O documentário original mostra os Pink Floyd, pré-fama, ou seja antes de Dark Side of the Moon, num anfiteatro romano nas ruínas de Pompeia, tocando algumas das suas músicas com mais misticismo.[Na versão DVD lançada em 2003, o realizador introduz gravações da banda a ensaiar músicas que viriam a fazer parte do tal disco que os catapultava para a fama.]
O que dizer então deste Live at Pompeii? As palavras são, realmente, muito poucas e parcas para transmitir as sensações que tive quando o vi, por partes, pela primeira vez. Tenho que agradecer aos programas peer to peer da altura, pois esta gravação encontrava-se desaparecida há anos.
O que os meus olhos e ouvidos sentiram é algo que ficará gravado na minha memória para sempre. O contraste da imagem de uma banda bem no centro da arena do anfiteatro em pelo sol italiano, com mais ninguém a assistir, aparte dos técnicos de realização, com o som que os milhares de decibéis debitados pelas colunas gigantes trazidas de inglaterra. O mundo onírico de "Echoes", a viagem espacial em "Set the Controls for the Heart of the Sun", O Inferno e Céu em "A Saucerful of Secrets", a demência em "Careful with that Axe, Eugene" e o fulgor em "One of These Days" fazem desta gravação um dos bens mais preciosos de sempre do pop/rock. Aconselho vivamente. Fica aqui, então, o registo completo...
O documentário original mostra os Pink Floyd, pré-fama, ou seja antes de Dark Side of the Moon, num anfiteatro romano nas ruínas de Pompeia, tocando algumas das suas músicas com mais misticismo.[Na versão DVD lançada em 2003, o realizador introduz gravações da banda a ensaiar músicas que viriam a fazer parte do tal disco que os catapultava para a fama.]
O que dizer então deste Live at Pompeii? As palavras são, realmente, muito poucas e parcas para transmitir as sensações que tive quando o vi, por partes, pela primeira vez. Tenho que agradecer aos programas peer to peer da altura, pois esta gravação encontrava-se desaparecida há anos.
O que os meus olhos e ouvidos sentiram é algo que ficará gravado na minha memória para sempre. O contraste da imagem de uma banda bem no centro da arena do anfiteatro em pelo sol italiano, com mais ninguém a assistir, aparte dos técnicos de realização, com o som que os milhares de decibéis debitados pelas colunas gigantes trazidas de inglaterra. O mundo onírico de "Echoes", a viagem espacial em "Set the Controls for the Heart of the Sun", O Inferno e Céu em "A Saucerful of Secrets", a demência em "Careful with that Axe, Eugene" e o fulgor em "One of These Days" fazem desta gravação um dos bens mais preciosos de sempre do pop/rock. Aconselho vivamente. Fica aqui, então, o registo completo...
09 junho 2011
Álbum de Estimação: The Polyphonic Spree - "The Beginning Stages Of..." (2002)
De quando em vez volto a ouvir este disco e todas essas vezes que o oiço um sorriso entreabre-se nos meus lábios. Há qualquer coisa de impoluto, ingénuo mas genuíno neste álbum. Se calhar é a minha costela de hippie a dar de si mas se assim o for, ainda bem. E ainda bem porque este disco merece todos os minutos que lhe dedico. Faz-me "regressar" a um tempo que nunca vivi. Neste mundo dos Spree não há escuridão nem tristeza. E os Spree são isso mesmo. Uma banda cheia de luz e vibrante. Pudera. São doze elementos, todos vestidos com robes como se de uma comunidade Hippie se tratassem. Uma comunidade fundada por Tim DeLaughter (nome sui generis), quase como um "happening", onde faz das suas influências de Beach Boys ou Flaming Lips, músicas de paz de espírito, verdadeiro bálsamo para os ouvidos com toques de gospel e rock orquestral, utilizando dezenas de instrumentos diferentes que vão das teclas aos instrumentos de sopro. Curioso é que conseguiram apanhar esse espaço-temporal dos sixties, transportando todo a aparato de um grande grupo com vários músicos e coros para este disco. Uma boa adição para a colecção de discos....
06 junho 2011
Concertos da Semana - 6 a 12 de Junho
Para esta semana o Altamont recomenda o regresso de Marky Ramone para uma noite de clássico punk/rock. O ex-baterista dos Ramones vem apresentar o seu mais recente projecto Marky Ramone's Blitzkrieg. Também esta semana, na Casa da Música, teremos uma noite com Jay-Jay Johanson e os Gift, que apresentarão o novo album "Explode".
8. Marky Ramone Blitzkrieg - Santiago Alquimista
8. Prince Rama - Lounge
9. Dead Combo - Galeria ZdB
9. Jay-Jay Johanson + The Gift - Casa da Música
9. Dixon - Lux
10. Las Robertas - Clube Ferroviário
11. Lamb - C.C.B.
8. Marky Ramone Blitzkrieg - Santiago Alquimista
8. Prince Rama - Lounge
9. Dead Combo - Galeria ZdB
9. Jay-Jay Johanson + The Gift - Casa da Música
9. Dixon - Lux
10. Las Robertas - Clube Ferroviário
11. Lamb - C.C.B.
02 junho 2011
Álbum de Estimação: Television - "Marquee Moon" (1977)
Vou começar por uma referência a um filme - em "Juno", a dado momento, discute-se qual o melhor ano da música. Juno, a personagem principal, mostra como argumentos para defender 1977 os Stooges, a Patti Smith e os Runaways. Mas na minha opinião, se ela queria mesmo defender tanto esse ano era dos Television que tinha que ter falado. Dos Television e especialmente deste Marquee Moon, álbum que hoje, à distância de 34 anos sinto um pouco perdido no esquecimento. Injustamente no esquecimento, injustamente metido nas prateleiras de descontos numa qualquer grande loja de música. Recordemo-nos portanto do caminho desbravado por Tom Verlaine, mentor da banda, no que respeita ao movimento punk - foi ele que convenceu Hilly Kristal, dono dum então desconhecido clube de country, blue grass e blues (para bom entendedor meia palavra basta...) a aceitar bandas rock a tocarem no seu estabelecimento. Corria o ano de 1974. O resto é história da música, nível básico - grupos como Ramones, Blondie, Talking Heads, a própria Patti Smith, saíram desse antro cavernoso para o mundo.
Um aspecto que me intriga bastante é o facto de que, hoje, os Television são quase sempre rotulados como uma banda pós-punk. Agora expliquem-me, como pode uma banda que começou a dar concertos em 1974 e que lançou este álbum em 1977 ser pós-punk? Algo de estranho se passa no mundo dos rótulos (diria que sempre foi assim e a rotulagem de pouco ou nada serve, mas...). Agora uma coisa é certa - a música dos Television é de uma complexidade que em nada tem a ver com os 3 acordes, um refrão, 2 minutos e está feito. Basta pensar que "Marquee Moon", a música, teve de ser cortada para 9:58 minutos para caber no LP. Só com a re-edição em CD de 2003 nos chegou a versão completa com os seus 10:40. Basta pensar nas letras de um Tom Verlaine, que nascido Thomas Miller foi buscar o seu nome artístico ao poeta francês Paul Verlaine. Basta pensar nas variações de ritmo dentro das músicas, na utilização de algumas escalas jazzísticas, no contraste das guitarras ritmo e solo, força motora do álbum. E foi juntando todos estes ingredientes que se fez história.
Um aspecto que me intriga bastante é o facto de que, hoje, os Television são quase sempre rotulados como uma banda pós-punk. Agora expliquem-me, como pode uma banda que começou a dar concertos em 1974 e que lançou este álbum em 1977 ser pós-punk? Algo de estranho se passa no mundo dos rótulos (diria que sempre foi assim e a rotulagem de pouco ou nada serve, mas...). Agora uma coisa é certa - a música dos Television é de uma complexidade que em nada tem a ver com os 3 acordes, um refrão, 2 minutos e está feito. Basta pensar que "Marquee Moon", a música, teve de ser cortada para 9:58 minutos para caber no LP. Só com a re-edição em CD de 2003 nos chegou a versão completa com os seus 10:40. Basta pensar nas letras de um Tom Verlaine, que nascido Thomas Miller foi buscar o seu nome artístico ao poeta francês Paul Verlaine. Basta pensar nas variações de ritmo dentro das músicas, na utilização de algumas escalas jazzísticas, no contraste das guitarras ritmo e solo, força motora do álbum. E foi juntando todos estes ingredientes que se fez história.
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