29 abril 2011

Num DVD perto de si: "Classic Albums: Nevermind"

Só há pouco tempo descobri esta série de documentários de nome Classic Albums, iniciada no já longíquo ano de 1989, e que conta hoje com uma longa lista de 35 álbuns. São basicamente documentários de 50 minutos, produzidos para televisão, pelo que sem grande ciência ao nível de realização, mas com algum conteúdo interessante. Neste caso específico, do episódio dedicado ao Nevermind, as entrevistas com Dave Grohl, Krist Novoselic e Butch Vig permitem ter uma excelente ideia de como foi o processo de gravação do álbum. A entrevista com o Butch Vig é feita mesmo no estúdio utilizado na altura, e ouvimo-lo a explicar música a música quais os motivos para inclusão desta ou daquela pista, desta ou daquela guitarra a mais, ou seja, uma análise às várias opções que tomou como produtor do álbum. Importante também os contributos de vários intervenientes no processo, tais como staff da Sub Pop e da Geffen, Thurston Moore, Steve Diggle (Buzzcocks) e outros músicos de Seattle que acompanharam a banda na sua evolução e explosão maciça com este álbum. Abaixo deixo um cheirinho, 10 minutos para terem uma ideia, mas está na net o documentário completo, bem como a apenas 6 euros na amazon.uk. (passe a publicidade, não deixa de ser um site de referência para preços...). E acho que vale os 6 euros que gastei para ter mais este DVD na coleção, foram 50 minutos (+25 de extras) bem passados, interessantes.

Enjoy!

28 abril 2011

Altamont Recomenda:

Não um mas dois vídeos de uma vez. Tirados de um projecto chamado FOR NO ONE, que já tem uns meses mas só chegou ao meu conhecimento hoje. Nada de transcendental, bandas a tocarem em sessões privadas não é uma big thing. Mas estas duas que disponibilizo abaixo marcaram o meu ano de 2010 e continuam a merecer destaque. Aqui vos deixo os Harlem e mais abaixo os Titus Andronicus com os 13 excelentes minutos de "The Battle of Hampton Roads".
Enjoy!



Álbum de Estimação: Miles Davis - "Ascenseur pour l'échafaud OST" (1958)

Já que abrimos um precedente a semana passada e começámos  aqui a falar no Altamont sobre bandas sonoras, esta semana trago uma banda sonora histórica para um filme não menos histórico - a preparada por Miles Davis especialmente para o filme Ascenseur pour l'échafaud, de Louis Malle.
A história conta-se em poucas palavras, Jean-Paul Rappeneau, assistente de Malle na altura e grande fã de jazz, lançou a ideia, levando Malle ver Davis tocar num clube em Paris. Este deixou-se convencer a avançar para este projecto após uma sessão de visionamento privada do mesmo, e tal como documenta o vídeo abaixo, gravou tudo enquanto viam as cenas do filme a desenrolar, numa simples sessão de improviso, apenas com algumas estruturas harmónicas básicas previamente delineadas. Assim que se criou uma empatia única entre as emoções que as personagens vão sentindo ao longo do filme com a banda sonora que acompanha, na sua maioria mais soturnas, e melancólicas, mas também muitas vezes de suspense, tudo se acentuado com o trompete de Davis, a remoer dentro de nós, a intensificar cada sentimento, a causar-nos calafrios. 
O meu conhecimento do mundo imenso que é o jazz é mesmo muito limitado, mas das poucas obras que conheço esta é uma que me tocou bastante sobretudo pela forma inesperada como apareceu, disfarçada de filme. E que filme. E que Jeanne Moreau. Ela a passear-se pela noite parisiense ao som de Florence Sur Les Champs-Élysées é qualquer coisa de divinal e ficará comigo para sempre.

26 abril 2011

Álbum Fresquinho: The Pains of Being Pure at Heart - "Belong"

Os Pains of Being Pure at Heart conquistaram-me com o seu primeiro álbum, homónimo, de 2009. Foi mesmo daqueles casos de amor à primeira vista (audição, neste caso), que me levou inclusivé a deslocar-me até à simpática (e distante de Lisboa mas distância essa sempre recompensadora) vila de Paredes de Coura para os ver ao vivo. Com mil raios, até afugentei uma jovem espanhola carente de afecto que meteu conversa comigo durante o concerto para os ver com a devida atenção! Acho que desta forma já dá para ter uma ideia do nível de expectativa (ou expetativa? o editor do blog já se pronunciou sobre qual a nossa abordagem ao acordo ortográfico?) que rodeava a chegada deste Belong, álbum que surge depois de um docinho em forma de EP e de nome Higher than the Stars que nos foi oferecido o ano passado. E o que se passou ao meter o CD a girar? Temo dizer que fiquei com um sabor amargo na boca. Eu, de certa forma, sabia que ia acontecer, não ia ser fácil, culpa em parte minha por meter fasquia alta. Principalmente senti que as músicas estavam mais moles, que a voz estava mais melosa, que a dor de ser puro no coração os tinha atingido com maior força desta vez e a energia que tinha sido uma das coisas que me atraiu neles tinha ido abaixo. E quando acabou, passadas apenas 10 músicas, fez lembrar-me a clássica piada do Woody Allen no início do Annie Hall - tão fraco e ao mesmo tempo tão pouco? Decidi que isto não ficava assim, eles não podiam fazer-me isto e resolvi colocar o CD do início outra vez. E foi a meio da 3ª música (a que vos deixo para já abaixo, e mais logo prometo que meto grooveshark) que começou a fazer-se luz. Comecei a ver ali mais qualquer coisa quiçá a meio do refrão "She was the heart in your heartbreak/ She was the miss in your mistake", ou das palmas e do sintetizador intercortado com a guitarra solo. Pode ter sido isso, já não sei bem. Mas o que é facto é que o resto do álbum me soou muito melhor a partir daí, num registo diferente do anterior mas que ao mesmo tempo encaixa bem no ambiente da banda. E suponho que seja isto que todas as bandas querem para o seu 2º álbum.

Patrick Watson @ Aula Magna - 25 Abril

Patrick Watson regressou ontem à Aula Magna, 3 anos depois da sua estreia, culminando uma mini-digressão que o fez também passar nestes últimos dias por Coimbra, Porto e Guimarães. O músico norte-americano (nasceu nos E.U.A. mas viveu sempre no Canadá) apresentou-se com algumas novidades. A única coisa que não foi novidade foi a excelência e espectacularidade do concerto.

Com um novo elemento na banda, o baixista Mishka Stein, Patrick Watson e os Wooden Arms presentearam uma plateia fiel e entusiasta com mais um grande espectáculo. Revisitaram os 3 álbuns da carreira ("Just Another Ordniary Day" de 2003, "Close To Paradise" de 2006 e "Wooden Arms" de 2009) mas também apresentaram novas músicas que estão a ser gravadas em Amesterdão e que farão parte do quarto disco de originais.

Mas são vários os pontos de interesse num concerto de Patrick Watson. Para já há que referir que são dos melhores músicos (não só a nível de composição como de interpretação) que existem por aí. É um autêntico regalo de deixar de boca aberta a forma perfeita como o baterista Robbie Kuster encarna cada música (principalmente na interpretação de "Beijing" em que a bateria ganha asas com tachos de cozinha). Simon Angell, um pouco mais discreto, é igualmente um fenómeno com a sua guitarra. E Patrick Watson é um autêntico maestro, pianista magistral e cantor com uma voz tão delicada e afinada que muitos já o colocaram na linha de, por exemplo, Jeff Buckley. A conjugação destes músicos faz com que cada canção, sempre interpretada com um ou outro novo arranjo, seja uma delícia.

E como Watson é alguém que dá uma enorme importância a pequenos pormenores, não é de admirar que o jogo de luzes seja igualmente muito bem preparado, tendo começado precisamente com a primeira música a ser interpretada apenas à luz de pequenos anéis luminosos nos dedos de cada elemento da banda.

Para quem perdeu o concerto chega a consolação, adiantada pelo próprio Watson, de que brevemente estarão de regresso a Portugal. Nalguns casos acredito quando os artistas dizem que nos adoram. No caso de Patrick Watson, o sentimento é recíproco.

25 abril 2011

Concertos da Semana - 25 Abril a 1 Maio

Dos concertos para a semana de 25 Abril a 1 de Maio o Altamont destaca Patrick Watson, um dos mais consagrados músicos canadianos dos últimos tempos, que regressa à Aula Magna depois de ter estado em mini-digressão pelo país nestes últimos dias.

25. Ben Frost & Borgar Magnason - Maria Matos
25. Patrick Watson - Aula Magna
28. WhoMadeWho - MusicBox
28. Junior Boys (DJ Set) + Tiga - Lux
29. Ena Pá 2000 - Hard Club, Porto
30. Clã - C.C.B.

21 abril 2011

Álbum de Estimação: "Backbeat OST" (1994)

O estimação de hoje é sobre um disco que ouvi vezes e vezes sem conta na altura que o comprei, por volta de 1997 ou 1998. Tinha visto o filme nessa altura e fiquei deliciado com as versões que tinham feito para esta película. Ora, este Backbeat, de 1994, realizado por Iain Softley, que não faria muito mais filmes de jeito, destacando-se apenas "The Wings of the Dove" e "K-Pax". O filme também não contava nas suas fileiras com actores de renome e as actuações também não foram nada de extraordinário, porém a banda sonora valeu por tudo. Essa tal banda sonora, não era nada menos do que versões de músicas que os Beatles tocaram ainda antes de serem "os" Beatles. A história do filme revolve à volta da figura de Stuart Sutcliffe, membro original da primeira formação da banda de Liverpool, composta ainda pelo baterista Pete Best. Stu era um péssimo músico, mas excelente pintor e o melhor amigo de Lennon. O seu coração não batia pelos ritmos do rock 'n roll como no resto da banda, o que levava McCartney ao desespero e à fúria em relação a Stu. Porém foi Stu que mais fez pelo visual Beatle. Através da recente paixão descoberta na Hamburgo alemã, Astrid. Esta fotógrafa inventou o conceito "cabelo à Beatle" e deu uma nova imagem à banda inglesa. Estes nunca mais largaram este visual até 1966, altura do psicadelismo. Em relação ao que realmente interessa, a banda sonora, esta revolvia à volta dos clássicos anos 50 que Lennon e companhia tocavam em bares de classe duvidosa no red light district de Hamburgo. Em relação à banda que tocou estes covers, foi acima de tudo uma surpresa pelos nomes que vi no "booklet" do cd. Senão vejamos: Dave Pirner dos Soul Asylum, Greg Dulli dos Afghan Whigs, Thurston Moore dos Sonic Youth, Dave Ghrol, Mike Mills dos R.E.M. e Don Fleming dos Gumball. Um verdadeiro "timaço" que pôs todo a sua alma de rock nestes clássicos, dando-lhes uma crueza e velocidade notáveis.
Enquanto o filme é mediano, valendo apenas pelo lado histórico, a banda sonora tem um valor inestimável...

20 abril 2011

Altamont Recomenda:

Mais um dia de recomendações Altamont, mais uma banda a surgir. Os Girls Names, banda de Belfast, lançam o seu primeiro álbum já no próximo dia 25 de Abril e intitula-se Dead To Me. Deste partilhamos hoje convosco o tema "Bury Me".
Enjoy!

Altamont Recomenda:

O novo single da banda Cage the Elephant, "Shake Me Down"