Por esta, aquela e aqueloutra razão a postagem no Altamont não tem sido a desejada. Pedimos paciência aos nossos leitores e que não nos abandonem. É puramente temporário e será compensado. De qualquer forma vou aproveitar para aqui deixar uns docinhos, coisas novas que andam para aí no ar as quais merecem a nossa e quiçá a vossa melhor atenção.
TV on the Radio têm novo álbum - Nine Types of Light. Para amostra aqui fica "Will Do"
Beastie Boys têm novo álbum - Hot Sauce Committee Part II. Para amostra aqui "Make Some Noise".
Antlers têm novo álbum - Burst Apart. Para amostra aqui fica "Parenthesis"
A melhor forma de descrever o impacto que este documentário teve em mim é simples - fez-me marcar viagem e ir nesse Verão passar duas semanas à Islândia e sentir por mim mesmo aquele país que nos parece tão estranho, tão distante.
O que à partida podia parecer uma missão deveras complicada - colocar imagens a uma sonoridade tão única, tão intensa - tornou-se num objecto mágico. Este filme, dirigido por Dean DeBlois, acompanha os Sigur Rós numa digressão pelos recantos escondidos do seu país numa série de concertos surpresa, passando por cidades fantasma, parques naturais, pequenas vilas pescatórias, fábricas abandonadas, sítios que ninguém mais se lembraria para levar a sua música aos seus compatriotas. O título do mesmo, Heima, que significa casa em islândes, explica tudo numa só palavra.
Os momentos captados no café Gamla Borg, num concerto para cerca de 20 familiares. O momento em que tocam Ágætis Byrjun sozinhos numa espécie de sala dos fundos de alguma sala de concertos. O momento em que se juntam com a banda local para tocar. Tudo isto junto, pequenos exemplos para mostrar como algo aparentemente tão simples pode ganhar uma intensidade única.
Depois como se não bastasse, o DVD vem em formato duplo, ou seja, para além deste documentário maravilhoso, podemos ver no disco 2 um concerto completo dos Sigur Rós. Eu sou bastante suspeito para estar a falar desta banda, a sério, não puxem muito por mim, porque é uma banda que mexe realmente comigo. Se é que ainda não tinham percebido.
Abaixo podem ver o documentário completo, mas na Amazon custa apenas 10£... (sem querer fazer publicidade claro).
E pensar que este álbum foi feito como um projecto de fim de curso do aluno Stuart Murdoch?
"Sebastian met Isabelle outside the Hillhead Underground Station, in Glasgow. Belle harrassed Sebastian, but it was lucky for him that she did. She was very nice and funny, and sang very sweetly. Sebastian was not to know this, however. Sebastian was melancholy.
He had placed an advert in the local supermarket. He was looking for musicians. Belle saw him do it. That’s why she wanted to meet him. She marched straight up to him unannounced and said, ‘Hey you!’ She asked him to teach her to play the guitar. Sebastian doubted he could teach her anything, but he admired her energy, so he said ‘Yes’.
It was strange. Sebastian had just decided to become a one-man band. It is always when you least expect it that something happens. Sebastian had befriended a fox because he didn’t expect to have any new friends for a while. He still loved the fox, although he had a new distraction. Suddenly he was writing many new songs. Sebastian wrote all of his best songs in 1995. In fact, most of his best songs have the words ‘Nineteen Ninety-five’ in them. It bothered him a little. What will happen in 1996?
They worked on the songs in Belle’s house. Belle lived with her parents, and they were rich enough to have a piano. It was in a room by itself at the back of the house, overlooking the garden. This was where Belle taught Sebastian to put on mascara. If Belle’s mum had known this, she would not have been happy. She was paying for the guitar lessons. The lessons gave Sebastian’s life some structure. He went to the barber’s to get a haircut.
Belle and Sebastian are not snogging. Sometimes they hold hands, but that is only a display of public solidarity. Sebastian thinks Belle ‘kicks with the other foot’. Sebastian is wrong, but then Sebastian can never see further than the next tragic ballad. It is lucky that Belle has a popular taste in music. She is the cheese to his dill pickle.
Belle and Sebastian do not care much for material goods. But then neither Belle nor Sebastian has ever had to worry about where the next meal is coming from. Belle’s most recent song is called Rag Day. Sebastian’s is called The Fox In The Snow. They once stayed in their favourite caf’ for three solid days to recruit a band. Have you ever seen The Magnificent Seven? It was like that, only more tedious. They gained a lot of weight, and made a few enemies of waitresses.
Belle is sitting highers in college. She didn’t listen the first time round. Sebastian is older than he looks. He is odder than he looks too. But he has a good heart. And he looks out for Belle, although she doesn’t need it. If he didn’t play music, he would be a bus driver or be unemployed. Probably unemployed. Belle could do anything. Good looks will always open doors for a girl."
Os norte-americanos Arbouretum. Uma banda com as raizes no folk lamacento do interior americano na linha de Will Oldham ou Bill Callahan, porém com uma atitude mais pesada e mais "stoned", já mais na onda dos Black Mountain ou Besnard Lakes.
Deixo-vos com "Down by the Fall Line".
"Dez anos é muito tempo, muitos dias, muitas horas a cantar", já dizia Paulo de Carvalho. Para os Strokes, dez anos passaram como um abrir e fechar de olhos desde que o lançamento de Is This It?. Poderia aqui dizer que em dez anos a banda liderou essa vaga do indie rock, fazendo imensos álbuns de qualidade, sempre procurando inovar e com qualidade. Porém, Em dez anos a banda, liderada por Julian Casablancas lançou, contando com este fresquíssimo Angles, apenas 4 discos. Muito pouco para a banda que fez ressurgir o interesse no rock e uma das mais dinamizadoras para o crescimento desse conceito indie. Muito pouco também em termos de banda líder, pois nunca o foi, muito devido ao pouco entendimento entre os elementos, o que resultou em alguns projectos a solo e/ou paralelos. O ambiente nunca foi o melhor e, apesar desse factor nem sempre ser negativo para a criatividade, as sequelas a Is This It? foram sempre piores e Angles é o resultado lógico desta tida falta de interesse da banda ou de Julian para tornar os Strokes melhores do que o foram em 2001. No entanto, apesar de tudo do que acima foi dito, Angles é o disco mais diferente que os strokes fizeram. Não que isso queira dizer que é melhor mas apenas diferente. O resultado final que nos fica a tilintar no cérebro após algumas audições é que tresanda a duas coisas. Sintetizadores e anos 80. Se os realizadores do filme Tron: Legacy fizeram muito bem em pedir a ajuda dos Daft Punk para a sua banda sonora, este Angles serviria perfeitamente para ser a banda sonora original do primeiro filme tal é a sua roupagem a anos 80. Conseguimos imaginar os casacos de ganga, bandanas na testa e salas de jogos arcade. É um disco mais solarengo, polvilhado aqui e ali com alguma da agressividade dos primeiros discos como em "You're So Right", fazendo também lembrar "River of Brakelights" de Phrases for the Young, disco a solo de Casablancas. Angles é um disco que não acrescenta mais valor à posição dos Strokes na história, é sim, mais um disco de Strokes (são tão poucos, daí a ressalva) que se ouve bem e apraz. Para o que é, para mim chega. Venha o próximo.