14 março 2011

Playlists: iLex Changes 14-03-2011

Tal como num livro, a nossa vida também é feita de capítulos. Capítulos que chegam ao fim. Que levam à incerteza perante a mudança de página. O que virá no próximo capítulo? A incerteza da mudança. E um início de algo. Por ter passado por um processo destes, venho aqui retratá-lo em forma de uma playlist. They told me to hit the road. It was all over, the end, the finish line, and so I walked away. Changes in my life. And then a brand new life, begin the beginning, starting over, a new way home.

Concertos da Semana - 14 a 20 de Março

Parece que Março é, definitivamente, um mês fraco em relação a concertos. Esta semana só teremos de (pouca) relevância estes três concertos:
 -O regresso dos, algo gastos, The Gift numa sessão de três concertos no Teatro Tivoli de 17 a 19.


-King Midas Sound, dia 18 no Musicbox. Dub, Slo-fi Soul, entre outros, são géneros para classificar esta banda.


-Nina Hagen, dia 19 no Clubbing da Casa da Música. Rock e música erudita entrelaçam-se na voz desta veterana vanguardista alemã. O Clubbing contará ainda com os norte-americanos Tu Fawning e os portugueses Aquaparque.


12 março 2011

Duas mesas e eu na terceira - Sigmund Freud "O Mal-Estar na Civilização"



"Se, de modo bastante geral, supusermos que a força motivadora de todas as atividades humanas é um esforço desenvolvido no sentido de duas metas confluentes, a de utilidade e a de obtenção de prazer, teremos de supor que isso também é verdadeiro quanto às manifestações da civilização que acabamos de examinar, embora só seja facilmente visível nas atividades científicas e estéticas. Não se pode, porém, duvidar de que as outras atividades também correspondem a fortes necessidades dos homens – talvez a necessidades que só se achem desenvolvidas numa minoria. Tão-pouco devemos permitir sermos desorientados por juízos de valor referentes a qualquer religião, qualquer sistema filosófico ou qualquer ideal. Quer pensemos encontrar neles as mais altas realizações do espírito humano, quer os deploremos como aberrações, não podemos deixar de reconhecer que onde eles se acham presentes, e, em especial, onde eles são dominantes, está implícito um alto nível de civilização." (...)


11 março 2011

Num DVD perto de si: "John Lennon & The Plastic Ono Band: Sweet Toronto"

A Rubrica desta semana traz-nos a primeira e última aparição ao vivo da Plastic Ono Band, banda criada por Lennon após a separação dos Beatles. Embora sendo praticamente homem de uma banda só, Lennon já tinha criado um pseudo conjunto para o documentário dos Rolling Stones, documentário esse que iremos falar numa outra oportunidade. Essa pseudo banda tinha o nome de Dirty Mac, título algo sugestivo, e contava com a ajuda de Eric Clapton, Mitch Mitchell, Keith Richards e, claro, está, Yoko Ono. Um ano depois, em 1969, Lennon, saturado com as lutas internas dos Beatles, decidiu repetir a dose, desta vez mais a sério, aceitando participar num festival de música em Toronto. Levou novamente consigo Eric Clapton, Alan White, Klaus Voorman (amigo íntimo dos Beatles) e, claro está, Yoko Ono. Este festival, que contava com a presença de grandes senhores do velho Rock 'n Roll como Bo Diddley, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis ou Little Richard, valeu, claro está pela primeira aparição em palco de Lennon desde o (naquela altura) distante ano de 1966.
Começando, também, por tocar covers de Rock 'n Roll, Lennon e seus pares foram recebidos mal, sobretudo devido a Yoko Ono e à sua, suposta, participação para o fim dos Beatles. Após as 3 covers, os Plastic Pno Band tocaram "Yer Blues", extraída do Álbum Branco; "Cold Turkey", ainda um embrião do single que Lennon lançaria a solo. Para o fim ficaria a intervencionista "Give Peace a Chance" e as instrumentais e avant-gardistas "Don't Worry Kyoko (Mummy's Only Looking for a Hand in the Snow)" e "John, John (Let's Hope For Peace)", algo a que o público Beatle não estava acostumado ou preparado para ouvir...
Deixo-vos, então, o vídeo desta rara actuação...

 
John.Lennon.and.the.Plastic.Ono.Band.Sweet.Toronto.1969.

10 março 2011

Álbum de Estimação: Candlebox - "Candlebox" (1993)

Já há algum tempo que o Altamont não tem aqui um álbum dos good old nineties. E eu como pessoa que cresceu a ouvir música nessa já tão longíqua década, preciso de, de tempos a tempos, exorcizar alguns fantasmas e aos nineties retornar. E retorno com uma banda que, apesar de ter sido integrada na onda do grunge (sim, eu também detesto este nome e este chavão, mas é a forma mais fácil de ilustrar o caso) nem foi muito conhecida na altura. Os Candlebox lançaram este seu álbum homónimo em 1993, já a procissão grunge ia no adro e talvez por isso tenham passado mais despercebido ao grande público. A mim valeu-me a atenção constante do meu colega Pereira que lá ia descobrindo estas coisas e partilhando com os demais colegas. Não consigo precisar um porquê, mas o que é certo é que músicas como "Cover Me", "You", "Far Behind" entre outras, permaneceram sempre na minha memória, sempre ligada a bons tempos de escola secundária, e volta e meia ainda hoje fazem uma aparição no shuffle. E sabe bem. A música também é isto, muitas vezes nada mais que um guilty pleasure.
Para já vou deixar-vos apenas uma música amostra do album e conto brevemente incluir aqui o grooveshark para poderem apreciar o álbum inteiro. Suponho que não vá acrescentar nada a quem nunca o ouviu, mas quiçá muito aos poucos que os conhecem dos bons velhos tempos. Either way, enjoy it!

09 março 2011

Duas mesas e eu na terceira - Theodor Adorno "Mínima Moralia"




Pseudómenos.  O poder magnético que as ideologias exercem sobre os homens, mesmo quando já dão sinais de estarem rotas, explica-se, para além da psicologia, pela decadência objectivamente determinada da evidência lógica enquanto tal. As coisas chegaram ao ponto em que a mentira soa como verdade e a verdade como mentira. Cada declaração, cada notícia, cada pensamento está pré-formado pelos centros da indústria cultural. O que não traz a marca familiar dessa preformação está, de antemão, destituído de credibilidade, tanto mais que as instituições de opinião pública fazem acompanhar aquilo que divulgam de milhares de comprovações factuais e de toda plausibilidade, de que se pode apoderar o poder de disposição total. A verdade que tenta opor-se a isso não só porta o carácter inverosímil como é, além disso, pobre demais para entrar em concorrência com o aparato de divulgação altamente concentrado. O caso extremo da Alemanha é instrutivo a respeito dessa mecanismo como um todo. Quando os nacionais-socialistas começaram a torturar, não apenas aterrorizaram com isto as populações no interior do país e no exterior, mas ao mesmo tempo ficavam tão mais seguros de não serem descobertos quando mais selvagem era o aumento do horror. A incredibilidade deste último tornava fácil descrer daquilo que, por amor à santa paz, não se queria acreditar, no mesmo momento em que já se capitulava diante dele." (...)

Altamont Recomenda:

Um disco que tem vindo a ganhar importância no meu iPod. Aqui deixo-vos "El Gusano" dos britânicos Tap Tap.

Altamont Recomenda:

Novo vídeo dos The Walkmen, ainda retirado do último álbum, Lisbon. No words needed.

08 março 2011

Álbum Fresquinho: Radiohead - "The King of Limbs"

Um simples "Radiohead have a new album", como fez o meu colega de chafarica Cisto a propósito dos Deerhoof seria mais que suficiente para este The King of Limbs, afinal de contas, é um álbum dos Radiohead. Dispensa apresentações, análises exaustivas, comentários, teorias, comparações, reviews, afinal de contas, é um álbum dos Radiohead. Os próprios membros da banda sabem que quando fazem um álbum o único espectro que os assombra é o das elevadas expectativas que os fãs têm. Mas sosseguem os fãs, afinal de contas é um álbum dos Radiohead. Sou suspeito para vir aqui escrever sobre os Radiohead?  Eu, culpado, me confesso. E sem mais palavras, sem mais demora, passemos à música, que está já já aqui abaixo. Afinal de contas, é um álbum dos Radiohead.