“Pseudómenos. – O poder magnético que as ideologias exercem sobre os homens, mesmo quando já dão sinais de estarem rotas, explica-se, para além da psicologia, pela decadência objectivamente determinada da evidência lógica enquanto tal. As coisas chegaram ao ponto em que a mentira soa como verdade e a verdade como mentira. Cada declaração, cada notícia, cada pensamento está pré-formado pelos centros da indústria cultural. O que não traz a marca familiar dessa preformação está, de antemão, destituído de credibilidade, tanto mais que as instituições de opinião pública fazem acompanhar aquilo que divulgam de milhares de comprovações factuais e de toda plausibilidade, de que se pode apoderar o poder de disposição total. A verdade que tenta opor-se a isso não só porta o carácter inverosímil como é, além disso, pobre demais para entrar em concorrência com o aparato de divulgação altamente concentrado. O caso extremo da Alemanha é instrutivo a respeito dessa mecanismo como um todo. Quando os nacionais-socialistas começaram a torturar, não apenas aterrorizaram com isto as populações no interior do país e no exterior, mas ao mesmo tempo ficavam tão mais seguros de não serem descobertos quando mais selvagem era o aumento do horror. A incredibilidade deste último tornava fácil descrer daquilo que, por amor à santa paz, não se queria acreditar, no mesmo momento em que já se capitulava diante dele." (...)09 março 2011
Duas mesas e eu na terceira - Theodor Adorno "Mínima Moralia"
“Pseudómenos. – O poder magnético que as ideologias exercem sobre os homens, mesmo quando já dão sinais de estarem rotas, explica-se, para além da psicologia, pela decadência objectivamente determinada da evidência lógica enquanto tal. As coisas chegaram ao ponto em que a mentira soa como verdade e a verdade como mentira. Cada declaração, cada notícia, cada pensamento está pré-formado pelos centros da indústria cultural. O que não traz a marca familiar dessa preformação está, de antemão, destituído de credibilidade, tanto mais que as instituições de opinião pública fazem acompanhar aquilo que divulgam de milhares de comprovações factuais e de toda plausibilidade, de que se pode apoderar o poder de disposição total. A verdade que tenta opor-se a isso não só porta o carácter inverosímil como é, além disso, pobre demais para entrar em concorrência com o aparato de divulgação altamente concentrado. O caso extremo da Alemanha é instrutivo a respeito dessa mecanismo como um todo. Quando os nacionais-socialistas começaram a torturar, não apenas aterrorizaram com isto as populações no interior do país e no exterior, mas ao mesmo tempo ficavam tão mais seguros de não serem descobertos quando mais selvagem era o aumento do horror. A incredibilidade deste último tornava fácil descrer daquilo que, por amor à santa paz, não se queria acreditar, no mesmo momento em que já se capitulava diante dele." (...)
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Um disco que tem vindo a ganhar importância no meu iPod. Aqui deixo-vos "El Gusano" dos britânicos Tap Tap.
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Novo vídeo dos The Walkmen, ainda retirado do último álbum, Lisbon. No words needed.
08 março 2011
Álbum Fresquinho: Radiohead - "The King of Limbs"
Um simples "Radiohead have a new album", como fez o meu colega de chafarica Cisto a propósito dos Deerhoof seria mais que suficiente para este The King of Limbs, afinal de contas, é um álbum dos Radiohead. Dispensa apresentações, análises exaustivas, comentários, teorias, comparações, reviews, afinal de contas, é um álbum dos Radiohead. Os próprios membros da banda sabem que quando fazem um álbum o único espectro que os assombra é o das elevadas expectativas que os fãs têm. Mas sosseguem os fãs, afinal de contas é um álbum dos Radiohead. Sou suspeito para vir aqui escrever sobre os Radiohead? Eu, culpado, me confesso. E sem mais palavras, sem mais demora, passemos à música, que está já já aqui abaixo. Afinal de contas, é um álbum dos Radiohead.
07 março 2011
Concertos da Semana: 7 a 13 de Março
Podemos dizer que esta não é claramente uma semana forte em concertos. Gogol Bordello? Been there, done that. Joan as a Police Woman? Já cá esteve também algumas vezes. Resta-nos Arthur Doyle e Glass Candy. Não conheço. Vou pesquisar. Pesquisei. Glass Candy electrónica com alguma pinta. Encaixa bem no estilo Lux. Arthur Doyle o completo oposto - saxofonista em regime free-jazz, que já anda há uns bons tempos metido nas andanças da música. O seu primeiro álbum é de 1978, e é claramente um artista que tenta sempre levar a música a extremos. Como acho que esta atitude é de louvar, aqui fica o senhor Arthur Doyle (não consegui encontrar um vídeo bom que permitisse colocar aqui, pelo que fica o link para aquele site onde há vídeos de tudo e mais alguma coisa. Link.). Enjoy!
Playlists: iCyst 07-03-2011
c'moon, dá o mote, mouse on mars oscila, áfrica
04 março 2011
Num DVD perto de si: "The Concert for Bangladesh"
Tido como o primeiro grande concerto de ajuda humanitária, o Concerto para Bangladesh nasce com Ravi Shankar, pela necessidade de ajuda imediata aos refugiados do então Paquistão Este, na altura da guerra da independência. Pedindo ajuda ao seu grande amigo, George Harrison, acabado de lançar o seu primeiro disco a solo e de separar finalmente da sua banda de sempre, Ravi sabia que haveria ter grande exposição e impacto mediático, conseguindo deste modo aumentar as receitas para a ajuda. Em apenas pouco tempo, George conseguiu um grande número de "amigos" para dois concertos no famoso Madison Square Garden, em Nova Iorque. Esse "amigos" não nada mais do que Ringo Starr, Leon Russell, Eric Clapton, Bob Dylan, entre tantos outros. Os dois shows e a gravação do concerto, conseguiram angariar algum dinheiro. Tendo sido apenas uma pequena ajuda para os refugiados, os concertos foram de grande qualidade. Deixo-vos então com o concerto completo por partes...
03 março 2011
Álbum de Estimação: Pink Floyd - "The Final Cut" (1983)
O que dizer de mais um disco de uma banda sobejamente conhecida e apreciada e criticada por esse mundo fora ao longo destes anos todos? Bem, muito pouco, mas, não se tratando de um disco demasiado conhecido no universo Pink Floyd, tomei a liberdade de o trazer, até porque foi um disco que foi crescendo e melhorando com o tempo desde que comecei a ouvir Floyd...Tido como o primeiro disco a solo de Roger Waters, apesar de ainda contar com David Gilmour e Nick Mason (Rick Wright fora despedido ainda antes da conclusão do disco anterior, The Wall), The Final Cut foi mesmo o fim da linha para a banda inglesa. O resto da história já é, por demais, conhecida. Gilmour pegaria no nome da banda, tendo gravado dois discos (fracos) com uma pequena ajuda dos outros membros, Rick e Nick e daria centenas de concertos.
Mas voltemo-nos para o disco em questão. Para Waters, a angústia, dor e drama de Wall não tinha sido suficiente. As suas feridas interiores originadas pela guerra que matou o seu pai e consequente alienação não tinham sido curadas. A sequela viria em Final Cut. "Um requiem para o sonho do pós-guerra" por Roger Waters, dizia o disco. Se The Wall, pese embora fosse uma criação quase 100% de Waters, é uma obra à Pink Floyd, cheia de ornamento, efeitos e grandiosa, Final Cut mostra-nos um lado muito mais crú e vulnerável de Waters, chegando mesmo a ter momentos ternos no meio do lamento de tudo o que a guerra criou e trouxe. Mas a verdade é que, pese embora este seja um trabalho todo feito por e para Waters, à excepção de "Not Now John", parcialmente cantada por Gilmour, Final Cut é um disco que ganhou valor com o tempo, mais do que qualquer um dos primórdios psicadélicos. É um disco adulto, com uma mensagem ainda actual e com uma produção fantástica. Pena que a colaboração de Gilmour não tenha sido tão utilizada como se desejaria mas isso seria uma situação quase impossível dada a quase loucura de Waters com o seu trabalho. Não mais a dupla voltaria a tocar junta até 2005 por altura do Live 8. Deixo-vos com a audição desta semi-ópera rock sobre a guerra, por Roger Waters e cia.
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02 março 2011
Altamont Recomenda:
Esta é para o nosso colaborador Dudu, que tem especial afeição por música portuguesa actual e particularmente por estes Velhos, que de velhos nada têm, tal é a energia que descarregam nesta música. Aqui vos deixo "Senhora do Monte", Os Velhos.
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