16 fevereiro 2011

Duas mesas e eu na terceira



Altamont Recomenda:

Começo por salientar que isto cai na rubrica Recomenda porque são os Strokes e os Strokes lançarem um álbum é sempre de se ouvir. Mas (e há sempre um mas) a verdade é que não sinto este lançamento e o facto de vir a caminho um concerto deles em solo lusitano como algo verdadeiramente relevante. Há aqui um misto de emoções também em parte relacionado com o artigo aqui escrito na avaliação do álbum dos Interpol.
Olhando para os Strokes com esta distância de 10 anos não consigo deixar de concluir que não foram mais do que a banda certa num momento de fraca inspiração patente no mundo do pop rock. Vejo-os como um bom início para um jovem de 13 anos que começa a descobrir a música e tinha perante si dois caminhos claros: o da pop bubblegum MTV mastiga e deita fora ou este de um rock mais revivalista mas fácil, apelativo, mas ao mesmo tempo permitindo levantar um véu sobre as muitas influências que concentraram no seu Is This It?. E este é para mim um aspecto engraçado da coisa, o Is This It? o será que é isto que queriam? Foi. Neste momento, quando já todos experimentaram carreiras a solo ou outros projectos pessoais resta dar-lhes o benefício da dúvida e pelo menos 2 audições ao álbum Angles que nos chega a 22 de Março. Até lá, a amostra "Under Cover of Darkness".

10 fevereiro 2011

Álbum de Estimação: The Zutons - "Who Killed...The Zutons" (2004)

Aquando da ideia da fundação deste blog nos fins de 2004 (incrível como já passou tanto tempo...), este era dos discos que mais ouvia no momento. Era a altura dos Coral, Libertines, Franz Ferdinand, entre outros, e estes Zutons fizeram o seu papel nesse tempo. Não me recordando bem de como este disco chegou às minhas mãos, provavelmente alguma dica da "cor-de-rosa" NME, lembro-me perfeitamente de me ter dado prazer instantâneo. Um rock psicadélico mesclado de punk-rock, polvilhado aqui e ali com elementos mais folk, soul ou de tom mais groove, foi o suficiente para me manter agarrado a este disco durante uns bons meses, dando-me sempre um prazer especial quando o volto a ouvir de quando em vez passados estes anos todos. Não será nunca um daqueles 1001 discos essenciais que aparecem em livros especializados na matéria, mas também, não é essa a verdadeira razão porque realmente gostamos de música. Há sempre aquele disco que vos atinge mais aqui ou ali e poderá não dizer nada ao vizinho ao lado. Contundo é, certamente, impossível ficar indiferente ao groove de "Zuton Fever ou de  "You Will You Won't". Who Killed...The Zutons é, mais do que um disco essencial, é, sobretudo, uma colecção de boas músicas, algumas mais negras outras mais açucaradas, mas promete 40 minutos de tempo bem passado...

08 fevereiro 2011

Álbum Fresquinho: Ariel Pink's Haunted Graffiti - "Before Today"

Já tem mais de 3 meses, bem sei, o que não devia permitir ser categorizado como fresquinho. Mas pelo facto de eu só o ter apanhado no meu radar no início deste ano e por achar que merece ser falado aqui no Altamont, aqui registo umas breves palavras sobre este Before Today, dos Ariel Pink's Haunted Graffiti.
Nada como começar por falar um pouco do artista - Ariel Pink anda em constante labuta desde o longíquo ano de 1998. Sempre sempre escondido, gravando em casa, pouco divulgando o que ia fazendo. Apenas em 2003 lembrou-se de oferecer um CD-R do próprio a uns tais de Animal Collective. E foi por aí que a coisa começou a esquentar, com muitas atribulações pelo meio, muitas incertezas, concertos que corriam mal, Ariel Pink manteve a sua veia criativa resguardada. Finalmente em 2010 assina com uma label um pouco maior e se permite mostrar o seu trabalho a uma audiência mais alargada, através deste Before Today.
Começo por descrever a minha primeira sensação ao ter esta música a ecoar nos ouvidos: estar a actuar num filme do John Carpenter, ou num qualquer outro filme de anos 80, com aquelas bandas sonoras recheadas de sintetizadores. "Beverly Kills" acho que é o melhor exemplo disto mesmo. Mas ouvindo melhor se calhar até é mais disco dos final anos 70, muito na onda Earth, Wind & Fire. E o estranho é mesmo isto, a cada audição parece uma coisa diferente. Ultrapassada que está a fase da estranheza inicial, encontro-me numa fase de estar com uma vontade constante de descobrir cada pormenor deste álbum. Não sei o que virá a seguir, se enjôo total, se entrada para adoração. Tudo pode acontecer.

Neste preciso momento não estou a conseguir disponibilizar grooveshark, pelo que deixo para já um vídeo e logo que possível o álbum completo.

07 fevereiro 2011

02 fevereiro 2011

Altamont Recomenda:

Uma primeira amostra para o álbum dos Fleet Foxes que sairá em Maio, esta "Helpnessness Blues" permite abrir o apetite. Sem vídeo, só música.

Enjoy!

31 janeiro 2011

Playlists: iBob 31 de Janeiro

Fazer uma playlist na sombra de mais uma grande festa Altamont, nunca é fácil. Felizmente esta resulta de anos de profunda reflexão e foi sendo feita enquanto recebia os primeiros números (há quem prefira denominar de fascículos) do livro "ABC da música" do Círculo de Leitores.

Joe Pesci Doesn't Fuck Around Playlist

Mais um sábado bem animado na Mercearia 73, numa homenagem do Altamont ao tipo que não brincava em serviço nos vários filmes de Máfia em que entrou e depois fez de ladrão trapalhão no Sozinho em Casa. O Altamont é que também não quis fuck around e como tal tratou de descarregar uns decibéis até os vizinhos reclamarem.
Abaixo, ao clicar em Ler Mais podem ver a playlist completa. Especial referência para a participação de mais um elemento Altamont atrás dos pratos - Duarte, que normalmente encarna o papel de paparazzi, desta vez mostrou que também sabe dar música.

Mais festas brevemente!




28 janeiro 2011

Steve Lehman Octet - 26 Janeiro 2011 - Culturgest ou Fui ver um concerto do caralho

onde as pessoas estavam caladas a ouvir e agradeciam no fim de cada música. E podia-se ouvir o silêncio entre os sopros.

(se soubessem o quão isso é impossível em Moçambique, não achariam exagerada a minha observação)

(claro que aqui ninguém se interessa por esta música à excepção de mim próprio mas se não for o caso revelem-se para saber se vale a pena o trabalho)

Pronto é alguém que se tem destacado nos últimos dois anos na cena do jazz contemporâneo nova-iorquino. Há quem, em revistas, diga que "A música espectral [de Steve Lehman] caracteriza-se pelas suas harmonias microtonais, calculadas segundo relações de frequências e não de acordo com os convencionais intervalos da escala musical, e esta foi a primeira vez que o jazz aproveitou tais recursos" e eu sei lá, digo que sim, não é?