Fazer uma playlist na sombra de mais uma grande festa Altamont, nunca é fácil. Felizmente esta resulta de anos de profunda reflexão e foi sendo feita enquanto recebia os primeiros números (há quem prefira denominar de fascículos) do livro "ABC da música" do Círculo de Leitores.
Mais um sábado bem animado na Mercearia 73, numa homenagem do Altamont ao tipo que não brincava em serviço nos vários filmes de Máfia em que entrou e depois fez de ladrão trapalhão no Sozinho em Casa. O Altamont é que também não quis fuck around e como tal tratou de descarregar uns decibéis até os vizinhos reclamarem.
Abaixo, ao clicar em Ler Mais podem ver a playlist completa. Especial referência para a participação de mais um elemento Altamont atrás dos pratos - Duarte, que normalmente encarna o papel de paparazzi, desta vez mostrou que também sabe dar música.
onde as pessoas estavam caladas a ouvir e agradeciam no fim de cada música. E podia-se ouvir o silêncio entre os sopros.
(se soubessem o quão isso é impossível em Moçambique, não achariam exagerada a minha observação)
(claro que aqui ninguém se interessa por esta música à excepção de mim próprio mas se não for o caso revelem-se para saber se vale a pena o trabalho)
Pronto é alguém que se tem destacado nos últimos dois anos na cena do jazz contemporâneo nova-iorquino. Há quem, em revistas, diga que "A música espectral [de Steve Lehman] caracteriza-se pelas suas harmonias microtonais, calculadas segundo relações de frequências e não de acordo com os convencionais intervalos da escala musical, e esta foi a primeira vez que o jazz aproveitou tais recursos" e eu sei lá, digo que sim, não é?
E parece que 2011 vai ser o ano do Folk/Rock. Mais uma vez a música e o mundo que gira à sua volta mostra que tudo isto é cíclico. Depois de uma enxurrada (leia-se rock forte) vem a acalmia (folk). Aconteceu nos anos 60, pós anos alimentados a ácidos, quando a maior parte das bandas voltaram-se para as raízes. Ora esta novo folk/rock que anda por aí já estava presente há alguns anos embora na sombra do indie rock. Pois bem, com o declínio e saturação do movimento, tempos mais calmos aproximam-se e os recentes trabalhos de Midlake ou Fleet Foxes, largamente elogiados pela crítica, o demonstram. O nosso convidado de hoje é apenas mais um exemplo. Dylan Leblanc. Com apenas 20 anos, mas filho de um músico de estúdio de Muscle Shoals, Alabama, Dylan cedo apanhou o feeling da guitarra alimentada a bourbon e isso levou-o a ser um jovem com uma alma de velho, o que cria uma interessante conjugação neste seu disco de estreia, onde se destacam algumas músicas mais tristes como "Low" ou "Emma Harley", misturadas com outras mais country como "Changing of the Seasons". A alma está lá...
-Jonna Newsom, dia 26 no CCB. A menina bonita Jonna vem dar mais uma prova da sua valente voz, desta vez no CCB. um dos pontos altos da semana.
-Cheryl, dia 29 no Musicbox. Cheryl é uma colaboração de video e performance originários de Brooklyn que dão festas inesquecíveis ou assim está dito no seu site oficial. Pena que seja no mesmo dia que a vossa querida festa Altamont...
-The Young Gods, dia 30 no Santiago Alquimista. E domingo chega um dos concertos mais esperados por uma certa geração que viveu o final dos anos 80. Esta banda suiça, praticamente parada na década passada, volta para mais um concerto que prevê de grande intensidade.
Se o termo punk progressivo não existia nos dicionários da música, então os Fiery Furnaces inventaram-no e com mestria. A banda, composta pelos irmãos Matthew e Eleanor Friedberger, cedo começou a desenvolver o gosto pela música, muito pela influência da sua mãe que tocava piano, guitarra e ainda cantava. Matthew também começara cedo a sua incursão pela música, tocando desde novo contrabaixo. Ao regressarem a casa, após algum tempo ausentes, Matthew e Eleanor aproximaram-se e começaram a querer criar música juntos. Influenciados por bandas como os Mutantes, Captain Beefheart, Velvet Underground, os Who versão Tommy e Quadrophenia e ainda pelo punk, os irmãos, agora chamados The Fiery Furnaces começaram a criar um mundo novo à sua volta. Músicas doces rapidamente interrompidas por outras agressivas, um pára-arranca que me apanhou logo desde a primeira audição há quase dez anos. Já com sete discos em cartel, este Gallowsbird's Bark surge fresco e novo como no primeiro dia que o ouvi. Sem dúvida, um dos melhores discos de estreia de uma banda que nunca baixou a bitola em termos de qualidade e criatividade.