Fazer uma playlist na sombra de mais uma grande festa Altamont, nunca é fácil. Felizmente esta resulta de anos de profunda reflexão e foi sendo feita enquanto recebia os primeiros números (há quem prefira denominar de fascículos) do livro "ABC da música" do Círculo de Leitores.
31 janeiro 2011
Joe Pesci Doesn't Fuck Around Playlist
Mais um sábado bem animado na Mercearia 73, numa homenagem do Altamont ao tipo que não brincava em serviço nos vários filmes de Máfia em que entrou e depois fez de ladrão trapalhão no Sozinho em Casa. O Altamont é que também não quis fuck around e como tal tratou de descarregar uns decibéis até os vizinhos reclamarem.
Abaixo, ao clicar em Ler Mais podem ver a playlist completa. Especial referência para a participação de mais um elemento Altamont atrás dos pratos - Duarte, que normalmente encarna o papel de paparazzi, desta vez mostrou que também sabe dar música.
Mais festas brevemente!
28 janeiro 2011
Steve Lehman Octet - 26 Janeiro 2011 - Culturgest ou Fui ver um concerto do caralho
onde as pessoas estavam caladas a ouvir e agradeciam no fim de cada música. E podia-se ouvir o silêncio entre os sopros.
(se soubessem o quão isso é impossível em Moçambique, não achariam exagerada a minha observação)
(claro que aqui ninguém se interessa por esta música à excepção de mim próprio mas se não for o caso revelem-se para saber se vale a pena o trabalho)
Pronto é alguém que se tem destacado nos últimos dois anos na cena do jazz contemporâneo nova-iorquino. Há quem, em revistas, diga que "A música espectral [de Steve Lehman] caracteriza-se pelas suas harmonias microtonais, calculadas segundo relações de frequências e não de acordo com os convencionais intervalos da escala musical, e esta foi a primeira vez que o jazz aproveitou tais recursos" e eu sei lá, digo que sim, não é?
25 janeiro 2011
Álbum Fresquinho: Dylan Leblanc - "Paupers Field"
E parece que 2011 vai ser o ano do Folk/Rock. Mais uma vez a música e o mundo que gira à sua volta mostra que tudo isto é cíclico. Depois de uma enxurrada (leia-se rock forte) vem a acalmia (folk). Aconteceu nos anos 60, pós anos alimentados a ácidos, quando a maior parte das bandas voltaram-se para as raízes. Ora esta novo folk/rock que anda por aí já estava presente há alguns anos embora na sombra do indie rock. Pois bem, com o declínio e saturação do movimento, tempos mais calmos aproximam-se e os recentes trabalhos de Midlake ou Fleet Foxes, largamente elogiados pela crítica, o demonstram. O nosso convidado de hoje é apenas mais um exemplo. Dylan Leblanc. Com apenas 20 anos, mas filho de um músico de estúdio de Muscle Shoals, Alabama, Dylan cedo apanhou o feeling da guitarra alimentada a bourbon e isso levou-o a ser um jovem com uma alma de velho, o que cria uma interessante conjugação neste seu disco de estreia, onde se destacam algumas músicas mais tristes como "Low" ou "Emma Harley", misturadas com outras mais country como "Changing of the Seasons". A alma está lá...
24 janeiro 2011
Concertos da Semana - 24 a 30 de Janeiro
E para a última semana de Janeiro, o Altamont recomenda os seguintes shows:
-Feeder, dia 25 no Hard Club. O duo britânico vem para apresentar o seu mais recente disco, Renegades.
21 janeiro 2011
Altamont Recomenda:
Uma das vozes que promete abanar 2011. Anna Calvi, a Nick Cave feminina.
20 janeiro 2011
Álbum de Estimação: The Fiery Furnaces - "Gallowsbird's Bark" (2003)
Se o termo punk progressivo não existia nos dicionários da música, então os Fiery Furnaces inventaram-no e com mestria. A banda, composta pelos irmãos Matthew e Eleanor Friedberger, cedo começou a desenvolver o gosto pela música, muito pela influência da sua mãe que tocava piano, guitarra e ainda cantava. Matthew também começara cedo a sua incursão pela música, tocando desde novo contrabaixo. Ao regressarem a casa, após algum tempo ausentes, Matthew e Eleanor aproximaram-se e começaram a querer criar música juntos. Influenciados por bandas como os Mutantes, Captain Beefheart, Velvet Underground, os Who versão Tommy e Quadrophenia e ainda pelo punk, os irmãos, agora chamados The Fiery Furnaces começaram a criar um mundo novo à sua volta. Músicas doces rapidamente interrompidas por outras agressivas, um pára-arranca que me apanhou logo desde a primeira audição há quase dez anos. Já com sete discos em cartel, este Gallowsbird's Bark surge fresco e novo como no primeiro dia que o ouvi. Sem dúvida, um dos melhores discos de estreia de uma banda que nunca baixou a bitola em termos de qualidade e criatividade.
18 janeiro 2011
Álbum Fresquinho: Fistful of Mercy - "As I Call You Down"
O que acontece quando misturamos o génio criativo de Ben Harper (embora algo escondido nos últimos anos), com o know-how bebido durante anos a fio de um pai Beatle (Dhani Harrison), com a ajuda de um singer-songwriter mais obscuro, Joseph Arthur e polvilhado aqui e ali com os nobres toques do baterista Jim Keltner, ora o resultado é algo dúbio. Se, por um lado, não se poderia ter muita expectativa, porque apesar de tudo não podem ser considerados um supergrupo, por outro, o seu pedigree exigiria talvez mais. Não se pense, no entanto, que este é um disco fraco. Não. É um disco na linha de uns CSN ou CSNY (Crosby,Stills, Nash and Young) mas com a dinâmica despreocupada de uns Traveling Wilburys. Mostra um Ben Harper mais solto e um Dhani a mostrar que não é apenas o filho do pai. As harmonias e temas tipicamente da America profunda fazem dos 40 minutos que dura o disco uma boa companhia. Pena que em vez de o terem gravado em apenas 3 dias, o pudessem ter levado mais a sério e ter "cozido o bolo por completo". Por agora, já foi bom, mas pede-se mais para a próxima.
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