Estou num hotel de praia e tenho um teclado anglo-saxónico e sabem, não estou para me dar ao trabalho, a luta, não me apetece, as palavras custam a sair quando nao ha acentos nem cedilhas e quando a tecla dos dois-pontos esta noutro lugar. Por isso nao vou escrever muito.
Apenas espero que o fred tenha encontrado todas as musicas nas versoes certas visto que eu nao tenho internet o suficiente para ter feito o upload do que queria. Achei que devesse fazer uma playlist tematica pois acho bem comecar por qualquer lado e sendo assim porque nao comecar nos anos 20?
Agora porque eh que estando eu em Mocambique e sendo Mocambique um pais onde se fala portugues tenho um teclado anglo-coiso isso tao-pouco eu sei.
PS: na radio do hotel esta a dar o california dreaming em frances. Nao sei se eh do vosso interesse mas achei piada. porque nao?
PS 2: pizzas?
Lembro-me muito bem de onde e como começou a minha relação com o Josh Rouse - foi na Fnac desse antro que é o Colombo, corria para aí o ano de 2005. Nunca tinha ouvido o nome dele. E aposto que ele também nunca tinha ouvido o meu, naturalmente, mas adiante. O que me levou a agarrar no CD e levá-lo comigo até ao auscultador mais próximo foi a capa que veêm aqui ao lado. Algo nesta imagem retro-seventies-soul-whatever estimulou-me e fui experimentar. E então fez-se magia - ouvi as duas primeiras músicas e decidi trazê-lo comigo para casa. São raros estes momentos, até porque hoje em dia as minhas compras de CD são na sua grande maioria pensadas, poucas são impulsos do momento, mas estes impulsos aqui e ali continuam a saber muito bem! Continuando a história, o Josh e este seu 1972 chegaram lá a casa e instalaram-se confortavelmente por todos os lados de onde fosse possível sair música. Estava rendido a este disco que irradia uma aura de tranquilidade, nostalgia, bem-estar e me acompanhou em boas tardes de primavera. Sei que falar em primavera nesta altura do campeonato parece maldoso, mas o que é facto é que é a próxima estação e 3 meses passam num instante. Se quiserem começar a ter um cheirinho comecem com "1972," música que abre o álbum e deixem-se levar até à encantadora "Rise" que o encerra. São uns meros 43 minutos que passam num abrir e fechar de olhos.
"e depois lembrei-me de estar hoje no videoclip numa escola secundária e enquanto estava a filmar, uma carrada de alunos atrás de mim à volta da câmara e uma delas - aluna - estava bem junta, a sua mama tocava nas minhas costas e eu sabia-o e então chego atrás as costas e ela sabe-o e chega à frente o peito e assim aguentamos três, quatro respirações, não mais, e a meio de um plano tenho um princípio de tesão."
Retirar uma música do seu meio e ter o descaramento de a embrulhar com outras resume para mim o acto de criar uma playlist. Nada de transcendente nos dias de hoje em que podemos pedir para retirar ou adicionar outros ingredientes numa pizza feita e pensada por um chef.
Chamava-se James Rachell e não me apeteceu investigar de onde veio o Yank. Nasceu em 1910 em Brownsville, Tennessee e morreu em 1997 não interessa onde, daí dizer-se que foi um dos últimos dos grandes músicos de blues do delta, apesar de nunca ter sido assim tão grande – apesar de usualmente apenas ser lembrado como o sidekick do Sleepy John Estes – talvez por não cantar muito, talvez por não tocar guitarra mas sim um curioso instrumento nestas andanças de seu nome bandolim – e depois há aquela história do bandolim e do porco que todos acham fantástica.
Estou cansado e não tenho muito mais a dizer sobre ele, vão aos links e aos youtubes e aí podem ver o próprio a falar para uma câmara a cores e isso não é algo que têm a oportunidade de ver com
A playlist para os dias que se seguem aqui em Altamont tem muito a ver com a atenção que tenho dado à percussão, mais ultimamente, daí Steve Reich, com os seus famosos loops de voz, Einstein on the Beach, de Philip Glass, quase que em jeito explicativo, Keiji Haino, de quem hei-de falar mais por aqui, com o lado super lento dos Black Blues, e depois BJM ou Boards of Canada em estilo quase dançante.
Algumas das músicas são longas, não sei se a malta daqui aguenta mais de 5 minutos nem se estará disposta a escutar isto como deve ser, ou seja, com headphones, mas nao custa tentar.
Sleepy porque dizia-se que tinha assim umas coisas no sangue, umas narcolepsias – outros dizem que não. Eu pessoalmente acho piada a isso – à narcolepsia – gostaria de ver um “ataque” de narcolepsia – normalmente só os vejo em festas às tantas da manhã – não lhe chamaram Blind John Estes porque só ficou cego nos anos 50, até lá só lhe faltava o olho direito – que se fechava às vezes de repente: não só em festas.
Nasceu em Ripley, Tennessee em 1904 e tinha nove irmãos e trabalhava no campo com os dez, contando com o pai (a mãe na cozinha e nas limpezas e nos partos?), e com apenas uns quinze anos foi começando a tocar em festas e piqueniques – será que tinham toalhas brancas axadrezadas de vermelho? – com um tipo chamado Rachell e sim era um homem e sim com dois éles pois era apelido de James Yank e ele era bandolinista ou bandoleiro ou bandolinácio e viveu até 1997 e foi ele que um dia disse "I've had the blues so long they turned into the blacks" e depois riu-se e Estes – lê-se Éstes – também tocou muito e ao longo de muitos anos com um gaiteiro de beiços chamado Nixon mas não era o presidente mas sim um tal de Hammie e depois pelo que percebi nos anos 30 havia muitos concursos de blues e afilhados de blues ou padrastos e o John Estes – Éstes – participava muito nessas coisas. Foi dos poucos – dizem – músicos de blues que se aguentaram nos anos 30 por Chicago, conseguindo gravar para a Champion em 1935 e mais tarde para a Decca em Nova York por várias vezes – só voltou para o campo e para a enxada nos anos 40, ficou cego (que faz um cego com a enxada?) e foi redescoberto em 1962 para mais uma carrada de álbuns ao longo dos anos antes de ter um AVC em 1977 e ser enviado para os bichinhos – o Éstes.
Resumindo: o gajo tem uma data de álbuns – e o pessoal gosta porque é puro.