06 dezembro 2010

Playlists: iCyst 06-12-2010

A playlist para os dias que se seguem aqui em Altamont tem muito a ver com a atenção que tenho dado à percussão, mais ultimamente, daí Steve Reich, com os seus famosos loops de voz, Einstein on the Beach, de Philip Glass, quase que em jeito explicativo, Keiji Haino, de quem hei-de falar mais por aqui, com o lado super lento dos Black Blues, e depois BJM ou Boards of Canada em estilo quase dançante.
Algumas das músicas são longas, não sei se a malta daqui aguenta mais de 5 minutos nem se estará disposta a escutar isto como deve ser, ou seja, com headphones, mas nao custa tentar.

03 dezembro 2010

Chafurdando nos primórdios da música tradicional americana #3: Sleepy John Estes



Sleepy porque dizia-se que tinha assim umas coisas no sangue, umas narcolepsias – outros dizem que não. Eu pessoalmente acho piada a isso – à narcolepsia – gostaria de ver um “ataque” de narcolepsia – normalmente só os vejo em festas às tantas da manhã – não lhe chamaram Blind John Estes porque só ficou cego nos anos 50, até lá só lhe faltava o olho direito – que se fechava às vezes de repente: não só em festas.

Nasceu em Ripley, Tennessee em 1904 e tinha nove irmãos e trabalhava no campo com os  dez, contando com o pai (a mãe na cozinha e nas limpezas e nos partos?), e com apenas uns quinze anos foi começando a tocar em festas e piqueniques – será que tinham toalhas brancas axadrezadas de vermelho? – com um tipo chamado Rachell e sim era um homem e sim com dois éles pois era apelido de James Yank e ele era bandolinista  ou bandoleiro ou bandolinácio e viveu até 1997 e foi ele que um dia disse "I've had the blues so long they turned into the blacks" e depois riu-se e Estes – lê-se Éstes – também tocou muito e ao longo de muitos anos com um gaiteiro de beiços chamado Nixon mas não era o presidente mas sim um tal de Hammie e depois pelo que percebi nos anos 30 havia muitos concursos de blues e afilhados de blues ou padrastos e o John Estes – Éstes – participava muito nessas coisas. Foi dos poucos – dizem – músicos de blues que se aguentaram nos anos 30 por Chicago, conseguindo gravar para a Champion em 1935 e mais tarde para a Decca em Nova York por várias vezes – só voltou para o campo e para a enxada nos anos 40, ficou cego (que faz um cego com a enxada?) e foi redescoberto em 1962 para mais uma carrada de álbuns ao longo dos anos antes de ter um AVC em 1977 e ser enviado para os bichinhos – o Éstes.

Resumindo: o gajo tem uma data de álbuns – e o pessoal gosta porque é puro. 


02 dezembro 2010

Álbum de Estimação: The Traveling Wilburys - "Vol. 1" (1988)

Os anos 80 foram bastante negativos para bandas ou artistas que transitaram dos anos 70. Foram ainda piores para quem fez a maior parte da sua carreira nos anos 60 e para quem começou nos 50, a sua passagem pela década dita pop, não foi mais que um pequeno rodapé nos manuais da música da década. Porém, para estes cinco veteranos de que vos vou falar, o final dos anos 80 surgiu como um renascimento para todos, mas especialmente para o "velhinho" Roy Orbison. Mas sentem-se... Vou contar como tudo começou...
Tudo se conjugou após o regresso relativamente bem aceite de George Harrison em 1987, com o seu Cloud Nine, onde a mão do amigo Jeff Lynne, ex-ELO, é bem vísivel no tratamento muito mais pop do disco, onde salta a vista a açucarada cover de "Got My Mind Set On You".
Ainda entusiasmado com a aceitação do seu último trabalho, George pretende gravar um b-side para o single "This Is Love". Não tendo um estúdio disponível em tão pouco tempo, o Beatle pede ajuda ao seu amigo Bob Dylan para que este lhe empreste o seu pequeno estúdio caseiro para aí testar umas "modas" e sair de lá com o seu b-side. Já que se encontrava em solo norte americano, Harrison aproveitou a sua estadia para revisitar velhos amigos como Roy Orbison e Tom Petty. Destes encontros casuais, em tudo semelhante aos nossos encontros com velhos amigos, falou-se de tudo e, naturalmente, de música. George disse que estava a tentar gravar um b-side e os outros resolveram também dar uma perninha. A música, que se viria a chamar "Handle With Care", devido a um caixote com esse nome no estúdio de Dylan, foi proposta à editora de Harrison. Os olhos da Warner Brothers tinlitaram ao pensar nos cifrões que poderiam vir daqui e sugeriram que a música não fosse deixada apenas como o outro lado de um single mas que tivesse outra visilibidade. Os 5 veteranos resolveram, então, deixar a pasmaceira em que a sua carreira estava e juntaram esforços e resolveram gravar um disco em nome próprio. Traveling Wilburys foi o nome escolhido e cada um escolheu uma alcunha própria. A bateria ficou a cabo de um outro amigo de longa data, Jim Kelter. O resultado foi este Vol. 1, que, ao contrário das melhores expectativas acabou mesmo por ser um disco simples, despretensioso, encapsulando a vibe que se sentia naquela sala. Um grupo de velhos amigos a tocar apenas para eles próprios e divertindo-se largamente. As músicas são do mais simples que há mas são honestas e trazem boa disposição sempre que as oiço. Um supergrupo sem as peneiras dos supergrupos muito em voga nos anos 70. Este disco relançou de modo geral as carreiras de ambos, especialmente do carismático Roy Orbison. Infelizmente este viria a falecer poucos meses depois do lançamento deste disco. Ficou a imagem de alegria deixada nestas dez músicas.

01 dezembro 2010

Duas mesas e eu na terceira: antes ter ficado em pecan city

Desperado by Johnny Cash on Grooveshark

"Já não tenho muito mais para contar. No dia trinta de Junho ou Julho nunca sei, confundo sempre os dois, nesse dia encontrei um tesouro ou o tesouro, digamos que o encontrei – a coisa mais refulgente que os meus olhos castanhos já reflectiram. Era cor de prata e ouro e platina e diamante tudo ao mesmo tempo era luzidio e chiava timidamente com o vento a passar, como se este trouxesse aos ouvidos do mundo um pouco da fortuna anunciada. Quando o vi percebi que só o destino poderia arranjar estas coisas, senti uma calma tremenda e apenas rezava para que o tempo estancasse ou se eternizasse, não sei, eu que nunca rezei na vida eu que matei sem piedade nem desconforto eu que disse tantas vezes que ia só ali comprar tabaco e nunca mais voltei e eu deixei partes de mim para trás somente para não ter que regressar. Nesse instante em que o vi, o tesouro, dei-me conta de quão harmoniosa poderia ser a vida, lembro-me do silêncio das coisas e da brisa a arrastar consigo as pedrinhas e poeiras e lembro-me do sol estancado/congelado/furado a fazer-se sentir tanto como o chão debaixo de mim: estava lá. De repente ele disparou e eu como que, não vão acreditar nisto mas é verdade, como que vi a bala a chegar-se a mim em câmara lenta, isto apesar dela vir detrás. Acertou-me na carne das costas, o músculo engoliu-a e eu nem dor senti, notei apenas uma sensação de fresco de universo, antes de cair recebi muito obrigado outra bala na nuca. Depois os meus joelhos cederam e ainda hoje me recordo como ontem, o som da areia vermelha a voar pedrinha contra pedrinha, levantadas pelo bafo que soltei mal a minha face embateu no solo, um vruuu pequenino devagarinho de letras minúsculas, inaudível para quem tem quotidianos em que pensar, o que certamente não era a minha situação. Lembrei-me de como ela gostava de vir para o lado da cama onde eu tinha dormido mal me levantava todas as manhãs para ir à casa-de-banho. A minha vista ainda funcionou por dois segundos mais e foi durante esses dois gigantes segundos que me dei conta pela primeira vez em quarenta e dois anos de vida que cada grão de areia de todos os areais deste mundo é ímpar e insubstituível e que nunca se descobrirão dois iguais.
Não que eu tenha vivido a minha vida no limite só para chegar a esta conclusão mas"


30 novembro 2010

Álbum Fresquinho: Les Savy Fav - "Root For Ruin"

Os Les Savy Fav são mais uma banda que andou escondida de meio mundo durante uns bons anos, uma vez que a banda formou-se no já longíquo ano de 1995. Tendo como inspiração inicial bandas como os Fugazi e Pixies, mais viradas para o garage rock, foram-se tornando cada vez mais macios, mais radio friendly. Isto, ao nível de discos, porque ao vivo são um portento de energia, assumindo o vocalista Tim Harrington o papel de cão raivoso, louco, insano, selvagem, caótico, o que lhe quiserem chamar. Já antes neste blog se falou disso mesmo neste post e neste. A grande dificuldade neste caso, é mesmo em conseguir transpôr toda esta energia gerada nos concertos para álbuns e ao mesmo tempo fazer com que as rádios os passassem. Penso que o terão conseguido no excelente Let's Stay Friends, tornando a tarefa do seguinte ainda mais difícil.
Chega-nos então Root For Ruin, passados que estão 3 anos e numa primeira impressão diria que não se safaram mal. Atacam logo de início, com as fortes "Appetites" e "Dirty Knails", deixando para depois coisas mais catchy, como exemplo o single "Let's Get Out of Here". Mas as guitarras fortes nunca nos abandonam, muitas vezes parece que estamos perante um duelo de titãs entre os dois guitarristas Seth Jabour e Andrew Reuland, sendo isto mais notório em músicas como "High and Unhinged" e "Excess Energies".
Em jeito de conclusão, temos um pouco mais do mesmo. O que como sabemos pode ser positivo ou negativo, dependendo da interpretação de cada um. Nada como ouvir e julgar por vocês mesmos.

Playlist Altamont: Plug in Baby 27-11-2010

Grande grande festa! Primeiro que tudo o Altamont quer agradecer ao mar de gente que largou a manta, o chá e o conforto do sofá e se lançou para uma noite fria, mas que depois aqueceu bastante com a mistura explosiva de álcool e boa música (modéstia à parte, claro)!
A Mercearia 73 foi mais uma vez o local escolhido e esteve a rebentar pelas costuras, o que muito nos motiva a continuar a organizar estes eventos, pelo que o próximo já começa a estar encaminhado! Mantenham-se atentos!

A playlist da festa, já aqui em baixo, ao clicar em "ler mais".

29 novembro 2010

Concertos da Semana - 29 a 5 de Dezembro

Agenda da semana:

- Eat Skull - Lounge 30 Nov
- Prince Rama + Vítor Lopes - ZDB 1 Dez
- Chromatics - Lux 2 Dez
- James - Campo Pequeno 3 Dez
- Radian + Jan Jelinek + Masayoshi Fujita - Maria Matos 3 Dez
- Fennesz, Brandlmayr & Dafeldecker + Ben Frost - Maria Matos 4 Dez
- Quantic - Musicbox 4 Dez
- Lower Dens - ZDB 5 Dez

Concertos destaque: The Divine Comedy - Maria Matos 29/30 Nov
Superbock em Stock - 3/4 Dez



Playlists: iFrod Playlist 29-11-2010

26 novembro 2010

Altamont Recomenda

É apenas 1:40 de música. Mas acho que merece cada segundo de atenção, esta "All Things This Way", dos Male Bonding.