Há muito, muito tempo, numa realidade bem distante, numa terra a alguns milhares de quilómetros de Lisboa, havia um movimento chamado de Rock psicadélico. Esse movimento, aparecido por volta do final de 1965 gerou um enorme número de bandas na Costa Leste dos Estados Unidos, principalmente em São Francisco. Desse movimento, mais conhecido como "West Coast Sound", surgiram bandas como Jefferson Airplane, Grateful Dead. Se estes conseguiram manter o seu nome, mais ou menos, gravado na pedra até aos dias de hoje, a verdade é que a maior das restantes bandas foi desaparecendo de cena à medida que o imaginário psicadélico começava a passar o efeito, leia-se LSD. No entanto, estes foram tempos gloriosos para a música, especialmente durante concertos. A inspiração, honestidade, criação e comunhão da música entre banda e público era de tal forma emotiva e vibrante que muito raramente uma banda conseguia passar este feeling para um disco gravado em estúdio. Daí que, bandas como os Quicksilver Messenger Service, gravavam, por vezes, os seu álbuns ao vivo e não em estúdio. Este Happy Trails é exemplo disso mesmo. Com o mote da primeira parte do disco gerada à volta da música "Who Do You Love?" de Bo Diddley, os QMS fazem, connosco, uma viagem pelos sentidos. Escolham uma altura do dia calma, de preferência de noite, numa sala pouco iluminada, acendam um pau de incenso ou outro gerador de bom cheiro para alma e mente, ponham o disco a tocar, e, durante cerca de uma hora vão sentir-se bem. Garanto-vos...
25 novembro 2010
24 novembro 2010
Duas mesas e eu na terceira: a vida no ultramar

malária blues:
Dó-Dó-Fá-Fá
Dó-Dó-Fá-Fá-Sol-Fá-Dó
Refrão:
Malaria Blues, Malaria Blues, Malaria Blues. ai ai...
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John Fahey
23 novembro 2010
Álbum Fresquinho: The Brian Jonestown Massacre - "Who Killed Stg. Pepper?"
Anton Newcombe vive em Berlim. Parece determinado a produzir música. Música. Talvez daí ter reduzido o seu website a isso mesmo. Para quem anda farto dos maricas Indies (vide último Fresquinhos), faça o download no iTunes do seu último trabalho. "Who Killed Stg. Pepper?" é duma frescura do caraças.
Para aqueles com ligação lenta, seja por viverem em Moçambique ou em Londres, ouçam apenas a Feel it.
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The Brian Jonestown Massacre
22 novembro 2010
Playlists: iLex Transport 22-11-2010
As playlists estão de volta ao Altamont! Depois da re-imagem a que o blog foi sujeito tínhamos optado por retirá-las derivado do peso que traziam ao blog. No entanto, foi uma decisão que foi re-avaliada e como é um blog de música, música tem que haver. Teremos uma playlist nova por semana, cada vez de um contribuidor diferente. Fui o seleccionado para começar, pelo que aqui vos apresento a iLex Transport Playlist, uma listagem de músicas dedicas aos diferentes tipos de transporte nos quais nos movimentamos. Enjoy!
Concertos da Semana - 22 a 28 de Novembro
Agenda da semana:
- Jamie Lidell - Casino de Lisboa 22 Nov
- Minta & the Brook Trout - Glória 23 Nov
- Cacique'97 - São Jorge 24 Nov
- Róisin Murphy + Cassius - Lux 26 Nov
- Ena Pá 2000 - Maxime 27 Nov
- Imogen Heap - Aula Magna 28 Nov
Concerto destaque: The Divine Comedy - Maria Matos 29/30 Nov
- Jamie Lidell - Casino de Lisboa 22 Nov
- Minta & the Brook Trout - Glória 23 Nov
- Cacique'97 - São Jorge 24 Nov
- Róisin Murphy + Cassius - Lux 26 Nov
- Ena Pá 2000 - Maxime 27 Nov
- Imogen Heap - Aula Magna 28 Nov
Concerto destaque: The Divine Comedy - Maria Matos 29/30 Nov
18 novembro 2010
Álbum de Estimação: Jerry Garcia - "Garcia" (1972)
Estou a cozer caranguejos vivos, oiço-os a espernearem-se dentro da panela.
“tenho que pôr música para não me sentir um selvagem”, penso.
ligo o ipod – sim, sou rico – e o destino ou a mão leva-me a um dos álbuns que mais tenho ouvido nos últimos dois anos. leva folk leva blues leva rock quase que leva jazz é antigo é contemporâneo é avant-garde é psicadélico é alegre e triste e doente e é o primeiro a solo.
lembram-se do roy? que vivia comigo e que espancava a namorada e que me apresentou ao warren zevon? foi a 87 concertos de grateful dead e conhece quem tenha ido a 200. era como uma espécie de modo de vida lá pela terra dos hamburgueres nos anos 70, 80, 90. um dia pus este álbum a tocar e ele saiu disparado da casa de banho, espero que com o assunto terminado. abraçou-me e começou a cantar
Since it costs a lot to win, and even more to lose,
You and me bound to spend some time wond'rin' what to choose.
Goes to show, you don't ever know,
Watch each card you play and play it slow,
Wait until that deal come round,
Don't you let that deal go down, no, no.
e então no dia em que me disse
“never trust’em ico, never trust a single woman in this goddamn world”
e se foi embora com o balde dos pickles debaixo do braço, eu pus no ar esta música e ele novamente se riu e novamente me abraçou e novamente cantou.
conclusão:
até com pessoas asquerosas é possível criar uma ligação
(desde que a música seja boa).
P.S.: grooveshark? morreu? partilha-se na mesma.
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Jerry Garcia
17 novembro 2010
Altamont Recomenda
Será que o Verão já acabou? A mim custa-me sempre esta fase de transição para o frio, para a chuva, para os dias curtos, pelo que nada como resistir enquanto posso. E o resistir, a meu ver passa muito pela música. Vai daí, trago aqui hoje The Young Friends, banda nova-iorquina na senda dos The Drums, com um indie pop solarengo. Lançaram este ano o EP Hella, de onde tirei este "South End". Enjoy!
Duas mesas e eu na terceira
- Olá papá, aqui está tudo bem, e consigo?
- Tudo nice, tudo nice.
- O que vai ser, papá?
- Queria um quilo de tomates, está a 35,
certo?
certo?
- Sim, papá.
- E talvez dois pimentos e umas cenouras.
- O pimento está a 5 cada e as cenoura é 10
por três.
por três.
- Por três? Mas são pequenas essas cenouras...
- Está caro, patrão, a cenoura está cara...
- Pronto, pode ser. Arranje lá umas rijinhas
então...
então...
- Claro... Aqui está.
- Obrigado, mamã.
- Cebola, batata, aboborinha, piri-piri?
- Não obrigado, por hoje é tudo...
- Obrigado papá. Amanhã compra cebola?
- Sim sim...
E saiu do mercado. O sol estaria quente de certeza, não fossem as nuvens a conferir um ambiente pesado àquela tarde. Desde manhã que a sombra dela pairava na sua cabeça como um casaco demasiado apertado, colarinho e capuz. A caminho de casa, num banco de rua uma criança chorava de mão dada ao irmão. Ao lado um alguidar com o lixo que teriam apanhado nas últimas horas. Merda, pensou. Não mais que isso. Ao chegar a casa já não se lembrava da sua manhã, nem das sombras, nem dela. “Não se pode estar deprimido quando há outras pessoas ainda mais emaranhadas nos azuis que eu.”
16 novembro 2010
Álbum Fresquinho: Kings of Leon - "Come Around Sundown"
Se na semana passada referi que a luz do indie rock estava a apagar-se aos poucos, agora falo da luz de uma banda que completamente desapareceu e se tornou num monolito baço sem qualquer pinga de criatividade. Falo de uma das bandas que mais me deu prazer ouvir nos últimos anos e é com pena minha, aliás muita pena minha, que digo que daqui não esperem mais nada. O que é pena. O que começou como uma banda de quatro miúdos, 3 irmãos e um primo, meio saloios, filhos de um pastor americano, a tocar o rock de camionista mas com muito peso e muita entrega acabou, infelizmente neste Come Around Sundown, álbum muito fraco onde apenas se aproveitam as seguintes músicas: "Radioactive", embora nada do outro mundo, tem aqui e ali algum do som crú que fazia parte da génese da banda. "Back Down South", a melhor música do disco, com uma slide guitar a soar verdadeira e despretensiosa. Simples mas boa. O resto, meus amigos, é pura e simplesmente, chato e desinteressante. Um disco a tentar ser "radio-friendly" mas sem apresentar argumentos de qualidade. Oiçam por vocês próprios. Os amantes de "Use Somebody" vão gostar, provavelmente...
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